formas de moda

As várias formas de moda

Em Arte, Sociedade, Tempo de Saber por Amandha VianaComentário

Há tem­pos as rou­pas são vis­tas como um dos mais impor­tan­tes ele­men­tos da iden­ti­dade de uma pes­soa. Aquilo que hoje se define como sím­bolo de posi­ção social sem­pre exis­tiu, quer se trate de uma exe­cu­tiva de ter­ni­nho e saia lápis ou de uma alter­na­tiva toda tatu­ada com cami­seta ras­gada. A moda não é um fenô­meno super­fi­cial, mas é o espe­lho dos hábi­tos, do com­por­ta­mento psi­co­ló­gico, da pro­fis­são, do gosto e até mesmo da ori­en­ta­ção polí­tica. Este fenô­meno ‘moda’ liga as dimen­sões mais pro­fun­das do nosso cará­ter, do nosso humor e da nossa maneira de estar e ver o mundo.

O que nos dife­ren­cia deste pas­sado não tão dis­tante é que nunca exis­tiu uma liber­dade de esco­lha e uma plu­ra­li­dade de esti­los tão grande quanto as de hoje. O que antes era dua­li­dade – ditado como o rico e o pobre, a madame e a subor­di­nada – agora é empla­cado com um olhar de diver­si­dade de esti­los. É bem apa­rente que hoje o ves­tir está ligado ao estilo de vida e não ape­nas a classe social.

As esco­lhas de ves­tuá­rio refle­tem a forma pela qual você vê a si mesmo e seus valo­res, além de dita­rem deter­mi­na­dos fatos e ide­ais de um período deter­mi­nado. Quer uma prova? Recons­trua as mudan­ças e cri­té­rios de ves­tuá­rio den­tro dos acon­te­ci­men­tos his­tó­ri­cos e vai per­ce­ber que as esco­lhas de ves­tuá­rio estão dire­ta­mente liga­das as mudan­ças de com­por­ta­mento em épo­cas e acon­te­ci­men­tos espe­cí­fi­cos den­tro da soci­e­dade. Como o movi­mento hip­pie dos anos 60, onde a luta por paz e pre­ser­va­ção da natu­reza veio acom­pa­nhada de rou­pas com teci­dos mais leves e aces­só­rios arte­sa­nais.

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Sabe­mos que uma das carac­te­rís­ti­cas da moda é ser mutável.Mas assim como estar total­mente ante­nada na moda é difí­cil, pela sua velo­ci­dade em mudar e a quan­ti­dade de infor­ma­ções, fugir com­ple­ta­mente da moda vigente numa deter­mi­nada época é ainda mais difí­cil. Diga­mos que é quase impos­sí­vel esca­par a cer­tas cons­tan­tes fixa­das pela moda num deter­mi­nado período. Por­tanto, pode­mos clas­si­fi­car a moda como par­ci­al­mente autô­noma: mesmo que mui­tas vezes ela dite a lei (com as ten­dên­cias e sema­nas de moda) pode­mos nos dis­tin­guir e dife­ren­ciar dos demais ao gosto pes­soal de cada um.

Dá pra ima­gi­nar que você tem algo em comum com aquela sua amiga de gosto total­mente oposto ao seu? Pois é, além de reve­lar todas essas carac­te­rís­ti­cas sobre nossa per­so­na­li­dade, a moda ainda é um elo de união entre as pes­soas. E nós fomos a fundo para pro­var isso pra você.

Fize­mos um raio-X de qua­tro mulhe­res com­ple­ta­mente dife­ren­tes física, social e eco­no­mi­ca­mente para des­co­brir algo em comum entre elas e o resul­tado foi que, por mais dife­ren­tes, todas elas pro­cu­ram a mesma coisa na hora de se ves­tir: mos­trar quem são. Exis­tem várias for­mas, pos­si­bi­li­da­des e demons­tra­ções, mas a moda é uma só, a moda é esse vin­culo entre o que nós somos e pen­sa­mos com o que a soci­e­dade vê em nós. A moda é o elo de amor entre as pes­soas.

(obser­va­ção: as fotos abaixo não são das entre­vis­ta­das, e tem a fina­li­dade ape­nas de ilus­trar a maté­ria)

Maiza

formas de moda maiza Ela tem 29 anos, é mãe e já foi até pas­tora de jovens de uma igreja evan­gé­lica em São Paulo. Não tem tempo pro­gra­mado para reno­var o guarda-roupa, cos­tuma com­prar tudo o que vê de novo e que a agrada, sem se pre­o­cu­par com o tempo das cole­ções. Diz que a moda é bem mais do que o que ela veste e sim uma forma de trans­mi­tir o que ela é e onde quer che­gar, por isso pro­cura estar sem­pre atenta as últi­mas ten­dên­cias e adora blogs de moda. Por gos­tar tanto do assunto, ela estu­dou admi­nis­tra­ção, fez um curso de estilo e hoje tem a sua pró­pria bou­ti­que — não é chi­que? No estilo, ela se diz básica e pro­cura sem­pre se ins­pi­rar nos looks das cele­bri­da­des. Claro, cele­bri­da­des que pra ela tem um estilo con­ser­va­dor e fashion, como as can­to­ras Aline Bar­ros e Fer­nanda Brum.

Nina

formas de moda Nina Com 22 anos e capaz de ter mais tatu­a­gens do que sapa­tos, é impos­sí­vel não notar que a Nina acre­dita que sua apa­rên­cia seja seu car­tão de visita. Ela adora pos­tar seus looks do dia no Ins­ta­gram, não tem uma peça que não pos­sua o seu toque de cus­to­mi­za­ção e mesmo assim usa uni­forme para se igua­lar aos cole­gas de tra­ba­lho no salão de beleza onde é cabe­lei­reira. Diz que faz a dife­rença com o que pode, então as tatu­a­gens são sua alter­na­tiva mais fre­quente. Seu estilo é bem alter­na­tivo e não segue os padrões con­ven­ci­o­nais da moda — ela veste o que dá na telha e sem­pre inova suas peças.

Stephanie

formas de moda stephanie Aos 31 a Ste aca­bou de ser mamãe de pri­meira via­gem. Ima­gi­nem o quanto não está babona? Ela tra­ba­lha há mais de 10 anos como gerente de um dos mais reno­ma­dos salões de beleza de São Paulo, conhece e con­vive com cele­bri­da­des e a alta soci­e­dade pau­lis­tana; então dá pra ter dúvi­das de que ela está sem­pre por den­tro das novi­da­des e pro­cura sem­pre segui-las para ficar de acordo com seu ambi­ente. Ape­sar de não dei­xar de com­prar quando vê algo que a agrada, tem o hábito de adqui­rir alguma coisa nova todo o mês e não pode ouvir falar em liqui­da­ção. O lado mãe babona deixa o fashion como segunda mas não menos impor­tante opção quanto ao con­forto no guarda-roupa da filha. “Pro­curo a ves­tir com rou­pas leves e que a deixe con­for­tá­vel inde­pen­dente de estar na moda ou não”, diz Ste. Mas é claro que como uma apre­ci­a­dora da moda ela não deixa de seguir as rou­pi­nhas das mini fashi­o­nis­tas. Sobre o estilo da Stepha­nie, ela cos­tuma ser bem român­tica. Sem­pre com ape­tre­chos no cabelo e o que pro­cura é um look con­for­tá­vel den­tro das ten­dên­cias.

Thaina

formas de moda thaina A Thaina não têm o bió­tipo da moda, mas segue a moda mais do que mui­tas por ai. Com 24 anos, ela estu­dou estilo no SENAC e hoje atua na área de even­tos, lidando dire­ta­mente com mar­cas de luxo naci­o­nais e inter­na­ci­o­nais. Para espanto de mui­tos, a novi­dade é sem­pre o último que­sito obser­vado por ela na hora da com­pra. O design, a dura­bi­li­dade e a fun­ci­o­na­li­dade con­tam muito mais pAra quem está ligada dire­ta­mente às novi­da­des do mer­cado. O que não faz das ten­dên­cias menos impor­tante para ela, que além de gos­tar do que faz vê a moda como um medi­dor na soci­e­dade. Atra­vés da moda, ela com­pre­ende e con­tex­tu­a­liza cos­tu­mes e hábi­tos da soci­e­dade. Até o cabelo de roxo já pin­tou, então é impos­sí­vel defi­nir­mos seu estilo. Ela é autên­tica e não leva os tabus da moda a sério. O impor­tante é se sen­tir bem com ela mesma e não se pre­o­cu­par com a forma que o mundo esta rece­bendo isso. Os bre­chós e aque­las loji­nhas escon­di­das, que parece que nin­guém mais vê, são sem­pre pon­tos atra­en­tes de com­pra para ela.

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O Con­su­mi­dor de Moda Bra­si­leiro

Amandha Viana
Amandha Viana estuda Negócios da Moda pela Universidade Anhembi Morumbi e atua na área comercial e de produção na Ana Cury Consultoria. Amandha usa a moda como meio de entender o mundo e até ela mesma, porque não? Assim como a moda, ela muda. Muda muito, e rápido.

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