Há tempos as roupas são vistas como um dos mais importantes elementos da identidade de uma pessoa. Aquilo que hoje se define como símbolo de posição social sempre existiu, quer se trate de uma executiva de terninho e saia lápis ou de uma alternativa toda tatuada com camiseta rasgada. A moda não é um fenômeno superficial, mas é o espelho dos hábitos, do comportamento psicológico, da profissão, do gosto e até mesmo da orientação política. Este fenômeno ‘moda’ liga as dimensões mais profundas do nosso caráter, do nosso humor e da nossa maneira de estar e ver o mundo.

O que nos diferencia deste passado não tão distante é que nunca existiu uma liberdade de escolha e uma pluralidade de estilos tão grande quanto as de hoje. O que antes era dualidade – ditado como o rico e o pobre, a madame e a subordinada – agora é emplacado com um olhar de diversidade de estilos. É bem aparente que hoje o vestir está ligado ao estilo de vida e não apenas a classe social.

As escolhas de vestuário refletem a forma pela qual você vê a si mesmo e seus valores, além de ditarem determinados fatos e ideais de um período determinado. Quer uma prova? Reconstrua as mudanças e critérios de vestuário dentro dos acontecimentos históricos e vai perceber que as escolhas de vestuário estão diretamente ligadas as mudanças de comportamento em épocas e acontecimentos específicos dentro da sociedade. Como o movimento hippie dos anos 60, onde a luta por paz e preservação da natureza veio acompanhada de roupas com tecidos mais leves e acessórios artesanais.

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Sabemos que uma das características da moda é ser mutável.Mas assim como estar totalmente antenada na moda é difícil, pela sua velocidade em mudar e a quantidade de informações, fugir completamente da moda vigente numa determinada época é ainda mais difícil. Digamos que é quase impossível escapar a certas constantes fixadas pela moda num determinado período. Portanto, podemos classificar a moda como parcialmente autônoma: mesmo que muitas vezes ela dite a lei (com as tendências e semanas de moda) podemos nos distinguir e diferenciar dos demais ao gosto pessoal de cada um.

Dá pra imaginar que você tem algo em comum com aquela sua amiga de gosto totalmente oposto ao seu? Pois é, além de revelar todas essas características sobre nossa personalidade, a moda ainda é um elo de união entre as pessoas. E nós fomos a fundo para provar isso pra você.

Fizemos um raio-X de quatro mulheres completamente diferentes física, social e economicamente para descobrir algo em comum entre elas e o resultado foi que, por mais diferentes, todas elas procuram a mesma coisa na hora de se vestir: mostrar quem são. Existem várias formas, possibilidades e demonstrações, mas a moda é uma só, a moda é esse vinculo entre o que nós somos e pensamos com o que a sociedade vê em nós. A moda é o elo de amor entre as pessoas.

(observação: as fotos abaixo não são das entrevistadas, e tem a finalidade apenas de ilustrar a matéria)

Maiza

formas de moda maiza Ela tem 29 anos, é mãe e já foi até pastora de jovens de uma igreja evangélica em São Paulo. Não tem tempo programado para renovar o guarda-roupa, costuma comprar tudo o que vê de novo e que a agrada, sem se preocupar com o tempo das coleções. Diz que a moda é bem mais do que o que ela veste e sim uma forma de transmitir o que ela é e onde quer chegar, por isso procura estar sempre atenta as últimas tendências e adora blogs de moda. Por gostar tanto do assunto, ela estudou administração, fez um curso de estilo e hoje tem a sua própria boutique – não é chique? No estilo, ela se diz básica e procura sempre se inspirar nos looks das celebridades. Claro, celebridades que pra ela tem um estilo conservador e fashion, como as cantoras Aline Barros e Fernanda Brum.

Nina

formas de moda Nina Com 22 anos e capaz de ter mais tatuagens do que sapatos, é impossível não notar que a Nina acredita que sua aparência seja seu cartão de visita. Ela adora postar seus looks do dia no Instagram, não tem uma peça que não possua o seu toque de customização e mesmo assim usa uniforme para se igualar aos colegas de trabalho no salão de beleza onde é cabeleireira. Diz que faz a diferença com o que pode, então as tatuagens são sua alternativa mais frequente. Seu estilo é bem alternativo e não segue os padrões convencionais da moda – ela veste o que dá na telha e sempre inova suas peças.

Stephanie

formas de moda stephanie Aos 31 a Ste acabou de ser mamãe de primeira viagem. Imaginem o quanto não está babona? Ela trabalha há mais de 10 anos como gerente de um dos mais renomados salões de beleza de São Paulo, conhece e convive com celebridades e a alta sociedade paulistana; então dá pra ter dúvidas de que ela está sempre por dentro das novidades e procura sempre segui-las para ficar de acordo com seu ambiente. Apesar de não deixar de comprar quando vê algo que a agrada, tem o hábito de adquirir alguma coisa nova todo o mês e não pode ouvir falar em liquidação. O lado mãe babona deixa o fashion como segunda mas não menos importante opção quanto ao conforto no guarda-roupa da filha. “Procuro a vestir com roupas leves e que a deixe confortável independente de estar na moda ou não”, diz Ste. Mas é claro que como uma apreciadora da moda ela não deixa de seguir as roupinhas das mini fashionistas. Sobre o estilo da Stephanie, ela costuma ser bem romântica. Sempre com apetrechos no cabelo e o que procura é um look confortável dentro das tendências.

Thaina

formas de moda thaina A Thaina não têm o biótipo da moda, mas segue a moda mais do que muitas por ai. Com 24 anos, ela estudou estilo no SENAC e hoje atua na área de eventos, lidando diretamente com marcas de luxo nacionais e internacionais. Para espanto de muitos, a novidade é sempre o último quesito observado por ela na hora da compra. O design, a durabilidade e a funcionalidade contam muito mais pAra quem está ligada diretamente às novidades do mercado. O que não faz das tendências menos importante para ela, que além de gostar do que faz vê a moda como um medidor na sociedade. Através da moda, ela compreende e contextualiza costumes e hábitos da sociedade. Até o cabelo de roxo já pintou, então é impossível definirmos seu estilo. Ela é autêntica e não leva os tabus da moda a sério. O importante é se sentir bem com ela mesma e não se preocupar com a forma que o mundo esta recebendo isso. Os brechós e aquelas lojinhas escondidas, que parece que ninguém mais vê, são sempre pontos atraentes de compra para ela.

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escrito por:

Amandha Viana

Amandha Viana estuda Negócios da Moda pela Universidade Anhembi Morumbi e atua na área comercial e de produção na Ana Cury Consultoria. Amandha usa a moda como meio de entender o mundo e até ela mesma, porque não? Assim como a moda, ela muda. Muda muito, e rápido.


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