Entender o que faz uma utopia não é algo simples, mas aquelas pessoas que “nunca se encaixam” talvez possam dar uma pista.


Conheço muita gente que “nunca se encaixa”. Você sabe o que quero dizer. Para essas pessoas, sempre há uma sensação de estranhamento diante da sociedade. Sentem-se “alienígenas”, “estrangeiros”, visitantes de outro mundo.

Na verdade, alguns dos meus melhores amigos e personalidades que mais admiro preenchem esse perfil. De Kafka a Lennon, de Bukowski a Thoreau.

O escritor e malucão Colin Wilson os chamava de “outsiders”, e já escrevi sobre eles. Mas tanto faz qual a etiqueta que se dê, nenhuma etiqueta cola por muito tempo em tais pessoas. Como o personagem Donnie Darko do filme de mesmo nome, esse tipo de indivíduo observa a sociedade e percebe muitos de seus ritos como encenações desprovidas de sentido. Como Chris McCandless, do filme Na natureza Selvagem, anseiam por uma vida mais autêntica e plena. Como Tyler Durden de O Clube da Luta, aspiram uma ruptura com tudo o que aliena o ser humano e o afasta de sua verdadeira natureza.

Os motivos pelos quais tais pessoas se colocam à margem da encenação social podem ser multifatoriais: talvez uma predisposição inata em certos casos, talvez em outros uma infância em que pais problemáticos falharam em transmitir uma visão positiva e convidativa da adesão social.

De qualquer forma, ainda que se possa explicar sua postura como o resultado de um desvio acidental da normalidade, isso não significa que a visão que essas pessoas têm da sociedade não seja, em muitos aspectos, mais lúcida do que a visão daqueles que “se encaixam”.

Na verdade, as ideias de um historiador israelense sugerem que tais pessoas têm muita razão no seu sentimento de estranhamento diante do nosso mundo.

O flautista que criou o mundo

Em Sapiens, livro do historiador Yuval Harari, há muitas lições a aprender. E uma das principais é a constatação de que somos diferentes dos outros animais em um aspecto muito curioso, seja o único ou não. É que o ser humano, diferente do tigre que mora nas savanas e do golfinho que vive nos oceanos, sempre está presente em dois habitats ao mesmo tempo.

O primeiro é o mundo concreto, o segundo é seu próprio imaginário.

É que, para o desenvolvimento da civilização, é preciso a colaboração de centenas, senão de milhares, de pessoas. Porém grandes grupos humanos, como Harari demonstra, não podem se manter coesos se utilizarem os vínculos que funcionam para unir as pessoas em pequenas tribos. É preciso um fundamento diferente da relação de parentesco e da vizinhança, pois você não pode ser parente ou vizinho de todas as milhares de pessoas de uma grande sociedade.

E conseguimos criar esse sistema utilizando nada mais do que conceitos abstratos. Ou seja, conceitos que não guardam qualquer correspondência com o mundo real, mas que nos inserem dentro de uma espécie de alucinação coletiva – na qual podemos cooperar em larga escala.

Esse algo é a ficção.

Somos, segundo Harari, uma espécie de primata meio maluca, que cria narrativas para si mesma e passa a tratar essas narrativas como verdades. E não apenas individualmente. Na verdade, criamos narrativas consensuais, ficções compartilhadas por toda uma comunidade como se fossem descrições de fatos concretos, embora residam apenas em nossas cabeças. Esse é nosso mundo imaginário.

Somos aquele flautista de Hamelin, cuja lenda diz que tocava uma melodia capaz de hipnotizar qualquer ser vivo. Mas, ao contrário dele, não hipnotizamos ratos. Hipnotizamos a nós mesmos.

Mas o ponto interessante é que nossa capacidade de produzir e acreditar em certas ficções foi, longe de uma loucura, o grande salto histórico que nos permitiu ir além dos outros animais e desenvolver a civilização.

Na verdade, nossa capacidade de criar ficções e tratá-las como “verdades consensuais” é algo tão impactante que pode ser considerada uma verdadeira revolução que ocorreu há milhares de anos atrás: a Revolução Cognitiva.

Afinal, ideias importantes como nações, dinheiro, justiça, empresas, lei, propriedade, contratos e outras tantas coisas fundamentais para o funcionamento de nossa sociedade são apenas ficções. Na natureza, não há crédito, leis, bancos, direitos humanos, democracia e outras tantas coisas das quais depende nossa atual sociedade.

Organizando o esforço de multidões, a totalidade dessas ficções permite que modifiquemos o mundo real ao nosso redor de uma forma sem precedentes na história das espécies animais. Apenas sociedades organizadas em torno de ficções eficazes são capazes de criar meios de transporte com larga escala, formas de comunicação a grande distância e armas de destruição em massa.

O imaginário domestica os homens, torna-os manipuláveis (utopia).
O imaginário domestica os homens, torna-os manipuláveis, pela religião ou pela ideologia.

Pensemos apenas no dinheiro (que merece uma análise apartada) e em todas as outras ficções a ele correlatas: crédito, dívida, banco, sistema financeiro, mercado e tantos outros conceitos sem existência real. Tudo isso não existe senão apenas enquanto abstração construída em nosso imaginário, mas nossa sociedade ruiria se, em determinado momento, todos nós parássemos de acreditar em alguma delas consensualmente.

É nesse habitat imaginário que vivemos a maior parte de nossa vida consciente. Muitos de nossos prazeres, alentos e esperanças pessoais existem apenas ali. O romântico pedido de casamento e a promoção numa grande empresa são coisas que existem apenas dentro de nossas cabeças (matrimônio e emprego são ideias, não coisas concretas), mas na prática são vivenciadas como eventos capazes de trazer felicidade.

E essas mesmas ficções, claro, podem nos trazer profundo sofrimento. O conceito de fidelidade e infidelidade, bem como de desemprego e salário são criações consensuais da humanidade. No entanto, ser demitido ou traído não se tornam menos dolorosos se você consola a pessoa dizendo que ela está sofrendo por ficções consensuais.

Essa é a vantagem de tais ficções: elas realmente nos permitem alterar o mundo real de forma eficiente, elas afetam genuinamente a forma como sentimos e agimos. Graças a essas ideias, vencemos com larga margem a competição evolutiva com os outros animais. O casamento pode resultar na procriação e a promoção no trabalho pode tornar a vida de nossos descendentes mais segura e próspera. A fidelidade serve a certos sistemas sociais como forma de garantir que os pais criem seus filhos juntos. A ideia de emprego permite que as forças de todos os indivíduos sejam organizadas para assegurar a sobrevivência coletiva.

Todavia, a crença na efetividade dessas construções ficcionais depende de uma grande adesão à sociedade. Por isso, aquelas pessoas que “não se encaixam” percebem com mais clareza a natureza ficcional de muitas coisas, as quais as outras pessoas acham muito importantes.

Para elas, os outros parecem meio enlouquecidos ao lidar com tanta seriedade e compromisso com coisas que, no fundo, parecem formas de embuste. Mais ainda, esses que “não se encaixam” muitas vezes suspeitam que essas coisas estão aprisionando os outros em um sistema que não passa de uma forma de prisão.

E elas estão certas. Como Tyler Durden disse, a maior parte das pessoas trabalha em empregos que detestam para comprar coisas de que não precisam em busca do reconhecimento de gente que não importa.

A prisão no imaginário evolutivo

Quando se diz que o homem é um animal que, diferentemente dos demais, habita seu próprio imaginário, não é perfeitamente correto afirmar que o homem se serve de ficções úteis à sua sobrevivência. Por mais irônico e terrível que seja, um olhar atento e imparcial constata que é justo o contrário: são as ficções úteis que escravizam os homens.

Pensemos no dinheiro (uma ficção consensual) e como pessoas perdem suas vidas dedicando-se a acumulá-lo. Lembremos de outros que fazem de tudo para obter grande prestígio social (outra ficção consensual). E daqueles que morrem ou matam em nome de ideologias políticas ou dogmas religiosos. E esses são apenas os exemplos mais claros do quanto nossa adesão incondicional ao nosso imaginário pode produzir sofrimento. Pois há formas mais insidiosas de sofrer.

Como o poeta Walt Whitman disse, a maior parte das pessoas parece viver em um constante estado de tranquilo desespero.

É que a Revolução Cognitiva tornou possível a organização social necessária a outra ruptura em nossa história: a Revolução Agrícola, pela qual abdicamos do nomadismo para estabelecer comunidades em pequenos povoados que muitas vezes evoluíam para grandes cidades e, até mesmo, impérios.

Do ponto de vista do indivíduo, a revolução agrícola representou perda de autonomia e de qualidade de vida. Por mais contraintuitivo que seja, há indícios de que nossos antepassados pré revolução cognitiva eram não só mais saudáveis em média do que o homem moderno (sua alimentação era mais diversificada e rica): eram também, em média, mais inteligentes que nós somos hoje em dia.

A vida exposta aos rigores do mundo natural exigia de nós uma flexibilidade cognitiva superior à era da especialização que se inaugurou com a criação da civilização. Antes, para sobreviver, você precisava saber caçar, selecionar boas fontes de alimento entre frutas e raízes, elaborar ferramentas de defesa e de ataque, extrair medicamentos e cicatrizantes do mundo vegetal. Hoje, tudo o que você precisa saber é como ser um bom funcionário ou empregado em uma tarefa específica e de regra repetitiva.

Frase sobre o dinheiro, de Yuval Noha Harari (utopia): "O dinheiro é o mais universal e eficiente sistema de confiança mútua que já conseguimos conceber." Ano Zero

E isso ocorre porque o mundo imaginário composto por nossas ficções consensuais é uma vantagem que não serve ao indivíduo, mas ao instinto de sobrevivência cego da unidade biológica mais fundamental: o DNA.

Como Dawkins expõe com crua precisão em seu livro O Gene Egoísta, praticamente todo o comportamento humano pode ser reduzido a um denominador comum: a sobrevivência e proliferação do DNA. É como se o DNA fosse uma espécie de ditador egocêntrico, que governa nossas condutas no nível microscópico. O objetivo desse ditador não é assegurar o bem-estar do indivíduo, mas utilizar esse indivíduo para garantir a proliferação cega e constante de sua própria configuração específica de ácidos ribonucleicos.

Essa cegueira do ditador que manipula todos nós, o DNA, é evidenciada por um fato corriqueiro e terrível: do ponto de vista da batalha genética entre as diversas espécies animais, poucos foram mais bem felizes do que o DNA das vacas. Afinal, nossa dependência da carne de gado multiplicou fenomenalmente os membros de sua espécie e garante que seja preservada graças a enormes áreas de pasto no mundo inteiro, comprometendo inclusive o equilíbrio ambiental. Porém, poucos animais na face da Terra têm, hoje, uma vida mais sofrida do que o gado que encaminhamos sistematicamente aos matadouros.

Da mesma forma, o desenvolvimento da civilização arrancou em tempo relativamente curto o ser humano de um estilo de vida talvez desafiador e até difícil, mas que satisfazia suas necessidades fundamentais de autonomia, liberdade e realização emocional, colocando todos nós em um sistema que violenta nossa natureza mais íntima: horários pré-estabelecidos, trânsito engarrafado, trabalhos burocráticos, constante busca de status social, fanatismos, consumo desenfreado, preconceitos, degradação do meio ambiente e outras tantas características da civilização moderna são sentidas com estranhamento por nossos instintos fundamentais.

"Compramos coisas que não precisamos, com dinheiro que não temos, para impressionar pessoas de quem não gostamos." - Clube da Luta | Ano Zero (utopia)

As desvantagens para o indivíduo nesse sistema e o sofrimento dele decorrente são tão gritantes que muitos pesquisadores se perguntam qual a razão de nossos antepassados o terem criado. Após a revolução cognitiva, seguiu-se a Revolução Agrícola, que Harari chama de “a maior fraude da história”, pois sujeitou o ser humano médio a uma quantidade de sofrimento e sacrifício que não justificava os poucos benefícios disso decorrentes.

Parece, ao que tudo indica, que foi apenas um desvio do caminho humano. Ou um erro dúbio, que trouxe algumas vantagens mas muito sofrimento. Nossos antepassados fizeram escolhas que pareciam sensatas no momento, mas que de, uma perspectiva mais distanciada, têm consideráveis desvantagens.

“Quantos jovens universitários recém-formados aceitam empregos exigentes em empresas importantes”, pergunta Harari, “prometendo que darão duro para ganhar dinheiro que lhes permitirá se aposentarem ou irem atrás de seus interesses ao chegarem aos 35? Mas, quando chegam a essa idade, eles têm grandes hipotecas para quitar, filhos para educar, casas em zonas residenciais que necessitam pelo menos de dois carros por família e uma sensação de que a vida não vale a pena sem um bom vinho e férias caras no exterior? O que se espera que façam, voltem a arrancar raízes? Não, eles redobram seus esforços e continuam se escravizando”.

Aqueles que “não se encaixam” assim se comportam por suspeitarem que o encaixe cobra um preço não só caro, mas irrecuperável. Pior, desconfiam que estamos sendo levados por um flautista irresponsável à beira do abismo. E é difícil questionarmos essa desconfiança quando lembramos dos estragos irreversíveis ao meio ambiente que uma sociedade viciada no consumo, no reino das grifes e marcas imaginárias, está produzindo.

E talvez isso não seja exclusivo dos outsiders de Wilson. Talvez no fundo todos nós percebamos muitas das encenações desnecessárias de nosso jogo social, cogitando se o preço pago compensa alguns de seus dissabores. Quem “não se encaixa” apenas é menos tímido que nós.

Evolução ao invés de revolução

Estamos tão imersos no imaginário coletivo que seria uma ingenuidade assombrosa acreditar que podemos nos libertar dele. Mesmo individualmente, tal libertação não é possível, pois nossa própria identidade é, em parte, produto desse próprio imaginário.

Mais ainda, sequer seria desejável, neste momento da história, libertar-se do mundo de ficções consensuais que a humanidade construiu para si. Embora nossos antepassados tenham sofrido consideravelmente com a escravidão e a servidão em sistemas sociais arcaicos e os outsiders de Colin Wilson tenham razão em desconfiar das encenações e ritos sociais, o homem moderno usufrui de tantas vantagens resultantes do progresso civilizatório que seria impensável retornar ao mundo natural.

Mas a questão vai além da caricaturização do hippie natureba que abdica dos confortos modernos para morar em uma caverna e comer só raízes. Se todos os preconceitos e fanatismo surgiram e residem apenas em nosso imaginário, o mesmo se pode dizer dos ideais de igualdade, justiça e tolerância.

Por isso é muito fácil criticar os aspectos negativos do mundo, mas quase suicida tentar modificá-lo. É o que nos diz o século passado: ao longo dos últimos cem anos, um pouco mais, as melhores inteligências se dedicaram a fazer a crítica de nosso mundo e propor mudanças. E nunca jorrou tanto sangue na história humana em nome de ideologias e nobres aspirações quanto no século XX.

É que, antes de agir, precisamos considerar todas as possibilidades. E quando falamos em imaginário humano, supomos erroneamente um mundo flexível, maleável à nossa vontade. Mas esquecemos que estamos falando de um sistema consensual que define não apenas nossa sociedade, mas também quem somos, qual a nossa identidade, quais nossos valores e qual o significado das experiências mais importantes de nossas vidas. Esse sistema é resistente. Pior: quando cutucado, ele cutuca de volta, e muitas vezes de um jeito inesperado.

Além disso, como Dawkins demonstrou, o mundo imaginário é poderoso pois os grilhões que nos prendem a ele são feitos de moléculas de DNA. As escolhas de nossos antepassados estavam baseados em um dos instintos humanos mais fundamentais: a sobrevivência da espécie. Em outras palavras, estamos falando de estruturas conceituais que tem impacto na coesão social ao mesmo tempo que manipulam sentimentos básicos como medo, desejo e aversão.

Por isso, embora muitos dos que “não se encaixam” aspirem ou por uma ruptura iconoclasta como a de Tyler Durden ou por uma fuga definitiva como a de Chris McCandless, o segredo não é destruirmos nem escaparmos das ficções consensuais que nos aprisionam e seduzem.

O segredo é reconhecermos claramente sua natureza ficcional e aprendermos não só a controlá-las, selecionando aquelas que nos convém e aquelas que são heranças arcaicas de nossos antepassados. Isso é só parte do quebra-cabeça. A outra parte é aprendermos também a controlar o quanto nos deixamos seduzir e aprisionar por elas.

Pois não nos enganemos diante das evidências: as ficções consensuais são necessárias e, sendo necessárias, só funcionam se nelas acreditamos em algum nível. Não só isso: se por um lado as ficções consensuais são responsáveis por muitos de nossos desgostos, elas também são a causa de grande parte de nossas alegrias e contentamentos cotidianos.

A questão, portanto, é aprendermos individualmente e socialmente o nível ideal em que a adesão a tais ficções, seja por sua intensidade ou frequência, não produz sofrimento desnecessário.

Como o flautista de Hamelin de que falamos no início, o truque não está em quebrar a flauta, mas em descobrir quando convém hipnotizar a nós mesmos e qual melodia tocar. Pois se o flautista pode sequestrar nosso futuro, como fez aquele da fábula, também é útil para nos livrar de ratos.

Falando no espírito da música, não é a toa que Nietzsche considerava que a arte seria capaz de salvar a humanidade – sabia que na genealogia dos valores humanos encontra-se uma vontade de criação artística. É dela que precisamos para reformarmos o nosso mundo.

Estamos em um estágio do progresso humano em que finalmente podemos constatar, com objetividade, que nossa civilização nasceu e está alicerçada na capacidade humana de criar ficções atrativas e funcionais que, ao nos seduzirem, organizam e mobilizam os esforços coletivos. Democracia, justiça, dinheiro, capitalismo, mercado, emprego, religião. Coisas que só existem porque todos acreditamos nelas – e enquanto todos acreditarmos nelas.

Percebemos, porém, que algumas das escolhas feitas por nossos antepassados com base nesse mundo imaginário são hoje inconvenientes e obsoletas. O machismo parece um dos mais óbvios. Também sabemos que acreditar demasiadamente nessas ficções consensuais é o caminho direto para o mundo das neuroses. A anorexia é a confusão do anoréxico sobre qual a sua imagem, por exemplo. Por fim, percebemos que nossas primeiras tentativas racionais de interpretar e mexer nesse sistema produziram guerras e revoluções sanguinárias. Essa é a história das ideologias por trás da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria.

Jamais outra geração teve tanta sorte quanto nós, neste momento. Pela primeira vez, temos uma percepção clara daquilo que nos faz ser o que somos. Pela primeira vez, podemos considerar a possibilidade de mudar alguns aspectos indesejáveis do mundo revisando e examinando como funcionam as coisas em nosso imaginário coletivo. Mas fazendo isso sem tentar aplicar ao mundo real e complexo sistemas teóricos fechados, e sim pontualmente, com racionalidade e sensibilidade.

Estamos lidando com forças poderosas, e sempre é um erro menosprezar o imaginário que move as multidões, seja na forma de religiões ou ideais patrióticos. Mas a humanidade já se notabilizou por ser capaz de manipular coisas perigosas como o fogo e a energia nuclear, e não se medrará diante de potências conceituais como dinheiro e poder político. E isso porque há, nas profundezas desse mesmo mundo imaginário, uma ideia que um dia pode tornar-se tão real para nós quanto dinheiro e poder político realmente acabam se tornando em nosso cotidiano. Essa ideia tem força suficiente para nos dar coragem, é sedutora o suficiente para nos hipnotizar.

Basta lembrarmos e acreditarmos nela coletivamente, ainda que seja aos poucos, ainda que só em alguns aspectos da vida, naqueles mais consensuais. Quem sabe em nossas relações, para começar? Basta sabermos ajustar a arquitetura de nosso imaginário que, aos poucos, nos aproximaremos dessa ideia. E o quanto mais nos aproximarmos dela, mais poderemos nos congratular reciprocamente.

Pois em algum dos futuros que podemos construir com nossas escolhas aqui e agora, há algumas utopias possíveis nos aguardando.


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escrito por:

Victor Lisboa