Há muito tempo instigo as pessoas que conheço a trabalharem naquilo que importa para elas. Isso levantou muitas questões sobre o que “aquilo” poderia ser. Estive um pouco relutante em responder tal pergunta, porque a resposta é diferente para cada um.

Primeiro, quero deixar claro que “trabalhar naquilo que importa” não significa trabalho não-remunerado, causas ou qualquer outra forma de caridade. Projetos não lucrativos frequentemente são muito importantes, e pessoas com habilidades técnicas podem fazer grandes contribuições, mas é essencial ir além dessa visão.

Esclarecido o ponto, há vários critérios que usei na minha própria vida, e vou tentar apresentá-los aqui.

1 – Trabalhe em algo que dê mais do que dinheiro

Sucesso financeiro não é a única meta ou medida de sucesso. É fácil ser pego obcecado em fazer dinheiro. Você deveria tratar o dinheiro como combustível para aquilo que você realmente quer fazer, e não como a meta em si própria. Dinheiro é como gasolina num carro: você precisa estar atento ou vai acabar no acostamento, mas uma vida plena não é um tour por postos de gasolina.

Seja qual for seu trabalho, pense no que você realmente valoriza. Se você é um empreendedor, o tempo que gasta pensando sobre seus valores ajudará a construir o seu negócio. Se você vai trabalhar para outra pessoa, o tempo que gasta entendendo seus valores o ajudará a encontrar o tipo certo de empresa ou instituição para a qual trabalhar e, quando você a encontrar, fará um trabalho melhor.

2 – Não tenha medo de sonhar alto

O autor de livros empresariais Jim Collins disse que grandes companhias têm “metas grandiosas e audaciosas”. O lema do Google, “acessa toda a informação do mundo”, é um exemplo de tais metas. Gosto de pensar que a missão da minha própria empresa, “mudando o mundo compartilhando o conhecimento de pessoas inovadoras”, é também uma meta audaciosa.

E não se intimide com a perspectiva de falhar diante de uma meta grandiosa. Há um magnífico poema de Rilke que fala sobre a história bíblica de Jacó lutando com um anjo, sendo derrotado, mas se erguendo ainda mais forte após a luta. Termina com uma exortação que é mais ou menos assim: “Se lutamos contra algo pequeno, ao vencermos nós também nos apequenamos. O que queremos é ser derrotados por grandes coisas sucessivamente”.

E se você está preocupado mais com a competição do que com os valores que cria com seu trabalho, você está no caminho errado. Em vários casos, quanto mais você tenta competir, menos competitivo você é de verdade.

As pessoas mais bem-sucedidas tratam o sucesso como uma consequência de atingir seus verdadeiros objetivos, que são sempre algo maior e mais importante do que elas próprias.

3 – Crie mais valor do que obtém

É muito fácil ver que os titãs de Wall Street que acabaram doando bilhões de dólares em bônus para si mesmos enquanto destruíam a economia não estavam seguindo essa regra. É difícil julgar os pequenos negócios comuns, mas é claro que a maioria dos negócios de sucesso criam mais valor para suas comunidades e seus clientes do que para si mesmos.

Concentrar-se em grandes metas ao invés de fazer dinheiro e em criar mais valor do que se obtém são princípios muitos similares. O primeiro é o teste que se aplica àqueles começando algo novo. O segundo é o mais teste mais difícil, pelo qual você deve passar para criar algo duradouro.

4 – Veja o quadro como um todo

É difícil ver além do “pequeno aqui” e do “curto agora”, especialmente se você não vive num momento e local favoráveis. É por isso que tantas coisas realmente importantes acabam na categoria de não-rentáveis.

Mas tempos como esse, quando a bolha está estourando, são ótimos para ver quão importante é pensar no cenário como um todo, para construirmos uma economia sustentável em um mundo sustentável.


Artigo traduzido por Igo Araujo Santos (texto original) e adaptado pela Equipe AZ.


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escrito por:

Tim O'Reilly

Fundador e CEO da O’Reilly Media. Observando os “alpha geeks”, compartilhando suas histórias, ajudando o desdobramento do futuro.