tesla

Como a Tesla mudará o mundo, parte 1: energia

Em Ciência por Tim UrbanComentários

(Esta é a pri­meira parte da tra­du­ção auto­ri­zada do texto sobre a Tesla Motors, de Elon Muskpubli­cado ori­gi­nal­mente por Tim Urban no site Wait But Why. Tra­du­tor: Rodrigo Zot­tis. Revi­sor: Vic­tor Lis­boa)


Dois avi­sos antes de come­çar­mos:

1) O tema de que trato neste texto é alta­mente poli­ti­zado, mas este texto não segue nenhuma agenda polí­tica. Não sou poli­ti­zado, pois nada é mais irri­tante do que a polí­tica do meu país. Acho que os Demo­cra­tas e Repu­bli­ca­nos têm bons pon­tos, ambos os par­ti­dos tam­bém têm um bando de gente burra dizendo coi­sas idi­o­tas e eu não quero ter nada com isso. Então me apro­xi­mei deste texto (como tento fazer em cada texto) do ponto de vista da raci­o­na­li­dade e do que acho que faz sen­tido.

2) Este texto é muito pró-Tesla. O que pode pare­cer sus­peito desde que (a) Elon Musk me pediu para escre­ver sobre isso e (b) escrevi um texto cha­mando-o de homem mais radi­cal do mundo. Mas tenha duas coi­sas em mente:

Pri­meiro, este texto não foi enco­men­dado por Musk, e estou rece­bendo um total de ZERO dóla­res para escre­ver. Ele suge­riu que eu escre­vesse sobre isso por­que Musk acha que há uma falta de conhe­ci­mento das pes­soas sobre o assunto — mas ele nunca suge­riu que eu dis­sesse coi­sas boas sobre a Tesla, car­ros elé­tri­cos ou qual­quer outra coisa.

Em segundo lugar, o site Wait But Why vive de sua inte­gri­dade. Sem isso, o site per­de­ria sua capa­ci­dade de cau­sar impacto. E a inte­gri­dade vem em pri­meiro lugar aqui — mesmo à custa de Musk me odiar, se isso fosse neces­sá­rio. Se eu não pen­sasse que esse tema daria um grande tópico para o site, eu não teria come­çado, e sou pró-Tesla por­que, após apren­der uma tone­lada de coi­sas sobre esse assunto (incluindo mui­tos argu­men­tos con­tra a Tesla e as diver­sas opi­niões que eu encon­trei), é essa a posi­ção que tomei.

E com isso escla­re­cido, vamos adi­ante.

 

Parte 1: A História da Energia

Ener­gia é impor­tante. Sem ener­gia, esta­ría­mos assim:

Boneco de palito deitado - Wait But WhyMas o que real­mente é ener­gia? O dici­o­ná­rio diz que é “a pro­pri­e­dade da maté­ria e da radi­a­ção que se mani­festa como uma capa­ci­dade de rea­li­zar tra­ba­lho”. E diz que “tra­ba­lho” é “o esforço que supera a resis­tên­cia ou pro­duz mudan­ças no nível mole­cu­lar”.

Isso foi bas­tante chato. Então, para nos­sos pro­pó­si­tos, vamos cha­mar de ener­gia “a coisa que per­mite que algo faça outras coi­sas”.

Mas a coisa mais difí­cil em rela­ção à ener­gia é a Lei de Con­ser­va­ção, que diz que a ener­gia não pode ser cri­ada ou des­truída, mas ape­nas trans­fe­rida ou trans­for­mada de uma forma para outra. E uma vez que cada ser vivo pre­cisa de ener­gia para fazer coi­sas (e você não pode criar sua pró­pria ener­gia) todos nós fica­mos desa­jei­ta­da­mente sem outra opção senão rou­bar a ener­gia que pre­ci­sa­mos de alguma outra fonte.

Quase toda a ener­gia usada pelos seres vivos da Terra vem, em pri­meiro lugar, do sol. A ener­gia solar é o que faz o vento soprar, a chuva cair e é o que ali­menta os seres vivos da Terra.

O joule é uma uni­dade comum de ener­gia — defi­nida como a quan­ti­dade de ener­gia neces­sá­ria para apli­car uma força de um new­ton atra­vés de uma dis­tân­cia de um metro. Os jou­les do sol podem for­ne­cer a qual­quer ani­mal calor e luz, e todos os jou­les que ener­gi­zam a todos nós entra­ram na bios­fera, em pri­meiro lugar, no momento em que o sol for­ne­ceu ener­gia às plan­tas.

Sol dando energia para plantas. Wait But Why

É assim que os ali­men­tos sur­gem: as plan­tas sabem como pegar os jou­les do sol e trans­formá-los em ali­mento. Mas, a par­tir desse ponto, a his­tó­ria fica louca e todos os ani­mais come­çam a assas­si­nar uns aos outros para que pos­sam rou­bar seus jou­les.

Nós usa­mos a expres­são “cadeia ali­men­tar” como um eufe­mismo bonito para este ciclo de assassinato/roubo, e usa­mos a pala­vra “comer” para refe­rir-se a “rou­bar jou­les de outro ser vivo matando-os”. Um “pre­da­dor” é um otá­rio que sem­pre apa­rece para rou­bar os jou­les dos outros, e “presa” é ape­nas um nerd que você par­ti­cu­lar­mente gosta de inti­mi­dar para rou­bar o dinheiro do almoço. As plan­tas são as úni­cas ino­cen­tes que real­mente seguem a Regra de Ouro do cris­ti­a­nismo, mas isso é só por­que elas têm o pri­vi­lé­gio de ter o sol como seu pai ado­tivo — já os seres huma­nos são um clã mafi­oso, que per­turba a bios­fera e leva o que quer que queira, de quem quer e quando quer. Não é um ótimo sis­tema, mas fun­ci­ona.

E tudo con­ti­nuou nor­mal­mente por um tempo, mas nos últi­mos cem mil anos os seres huma­nos come­ça­ram a per­ce­ber algo: se por um lado era útil colo­car jou­les novos em seu corpo, usar esses jou­les era um saco. É menos legal usar um monte de jou­les cor­rendo ou levan­tando algo pesado do que sim­ples­mente sen­tar em um tronco de árvore e agra­da­vel­mente con­ti­nuar com seus jou­les. Assim, os seres huma­nos fica­ram inte­li­gen­tes e come­ça­ram a des­co­brir manei­ras de uti­li­zar jou­les que estão fora de seus cor­pos para que façam o tra­ba­lho para eles — ao fazer isso, eles pode­riam obter mais jou­les tam­bém. Às vezes, os méto­dos seriam bem saca­nas:

 

Boneco de palito em cima de cavalo. Wait But WhyMas jou­les não estão ape­nas nos seres vivos. Há jou­les flu­tu­ando e girando ao nosso redor, e após inven­tar o con­ceito de tec­no­lo­gia, os seres huma­nos des­co­bri­ram manei­ras de obter esses jou­les. Eles cons­truí­ram moi­nhos de vento que rou­ba­vam alguns dos jou­les do vento e os con­ver­tiam em ener­gia mecâ­nica para moer ali­men­tos. Eles cons­truí­ram velei­ros que con­ver­tiam os jou­les de vento em ener­gia ciné­tica para um barco que pode­riam con­tro­lar. A água absorve os jou­les da radi­a­ção do sol e trans­forma-os em jou­les de ener­gia poten­cial gra­vi­ta­ci­o­nal quando eva­pora, e em jou­les de ener­gia ciné­tica quando chove. E os seres huma­nos viram a opor­tu­ni­dade de obter alguns des­ses jou­les colo­cando rodas de moi­nho em rios e lagos ou cons­truindo repre­sas.

Mas a tec­no­lo­gia de roubo mais emo­ci­o­nante que os seres huma­nos cri­a­ram foi des­co­brir como quei­mar algo. Com o vento ou a água, só se pode cap­tu­rar jou­les à medida que eles sur­gem espon­ta­ne­a­mente na forma de movi­mento — mas quando se queima algo, você pega um objeto que absor­veu jou­les por anos e os libera de uma vez só. Uma explo­são de joule.

Eles cha­ma­ram esta explo­são de fogo, e já que os jou­les esta­vam nos for­ma­tos úteis de ener­gia tér­mica e ener­gia lumi­nosa, quei­mar as coi­sas tor­nou-se uma ati­vi­dade popu­lar.

 

Domando um dragão

Apren­de­mos a apro­vei­tar os jou­les do vento e da água (tomar essas for­ças pelas rédeas e colocá-las à nossa ser­ven­tia), mas quando se tra­tava da força mais forte de todas, o fogo, não con­se­gui­mos des­co­brir como fazer qual­quer coisa com ele além de man­ter dis­tân­cia e cozi­nhar algu­mas coi­sas. O fogo era um dra­gão agi­tado, e nin­guém tinha des­co­berto como agar­rar suas rédeas.

Então veio uma des­co­berta. O motor à vapor.

Jou­les de fogo eram difí­ceis de apro­vei­tar, mas se você os envi­asse para a água, eles inte­ra­gi­riam com as molé­cu­las de água, fazendo-as sal­tar até que final­mente entras­sem com­ple­ta­mente em pânico e come­ças­sem a pular, eva­po­rando com a força do fogo abaixo. Você assim con­ver­te­ria com êxito os jou­les de ener­gia tér­mica do fogo (que não sabía­mos como apro­vei­tar dire­ta­mente) em um pode­roso jato de vapor con­tro­lá­vel.

Com o mús­culo do vapor em seu kit de fer­ra­men­tas, inven­to­res no século 18 sur­gi­ram com ino­va­ções. Eles tinham alguns jou­les con­tro­lá­veis com os quais pode­riam tra­ba­lhar agora, e isso abriu um mundo de pos­si­bi­li­da­des ante­ri­or­mente impen­sá­veis. Os avan­ços leva­ram a mais des­co­ber­tas, e na virada do século 19 o pro­gresso cul­mi­nou em uma inven­ção que é mui­tas vezes con­si­de­rada o ponto de virada mais impac­tante na His­tó­ria: a máquina a vapor.

Ima­gine sua cha­leira de chá quando fica com raiva e começa a asso­viar. Agora supo­nha que, ao invés de o vapor ser expe­lido atra­vés do bocal, você conecte esse bocal a um tubo, dire­ci­o­nando o vapor em um cilin­dro vazio que final­mente o libera. Quando o vapor entra e sai do cilin­dro, ele empurra um “pis­tão” den­tro do cilin­dro em um pode­roso movi­mento de ida e volta. Isso é (uma sim­pli­fi­ca­ção dra­má­tica de) como fun­ci­ona uma máquina a vapor. Depen­dendo do veí­culo, o movi­mento de ida e volta do pis­tão pode fazer coi­sas dife­ren­tes. No exem­plo de uma loco­mo­tiva, o pis­tão é ligado a uma haste cujo movi­mento de ida e volta faz as rodas gira­rem:

Funcionamento de uma máquina a vapor. Wait But Why

Usando a máquina a vapor, a huma­ni­dade pas­sou de velei­ros para navios a vapor e de car­ri­nhos puxa­dos por ani­mais para loco­mo­ti­vas. Den­tro das fábri­cas, os seres huma­nos colo­ca­ram o vapor para tra­ba­lhar tam­bém, tro­cando rodas de água por rodas a vapor muito mais efi­ca­zes.

Com a nova habi­li­dade de trans­por­tar mais bens e mate­ri­ais a dis­tân­cias muito mai­o­res, de um modo mais rápido e para fábri­cas mais efi­ci­en­tes, a Revo­lu­ção Indus­trial expan­diu-se com toda a força. As pes­soas dizem que a Revo­lu­ção Indus­trial foi impul­si­o­nada pelo vapor, mas o vapor era ape­nas o inter­me­diá­rio — depois de cen­te­nas de milha­res de anos de exis­tên­cia como bene­fi­ciá­rios pas­si­vos da com­bus­tão, tínha­mos domes­ti­cado o dra­gão e a Revo­lu­ção Indus­trial foi impul­si­o­nada pelo fogo.

 

Um ouro impressionante

O único ponto essen­ci­al­mente nega­tivo é que pas­sa­mos a quei­mar muito mais coi­sas do que antes. Durante a maior parte da his­tó­ria humana, quando as pes­soas que­riam quei­mar algo, elas sim­ples­mente encon­tra­vam um pouco de madeira. Fácil. Só que agora era o século XIX, e com nosso novo ape­tite de quei­mar coi­sas, a madeira não seria mais tão sim­ples de encon­trar.

Sabía­mos que havia outras coi­sas que pode­ría­mos quei­mar. Na Grã-Bre­ta­nha, eles subs­ti­tuí­ram a madeira por uma subs­tân­cia rochosa negra que havia em suas mar­gens. Os bri­tâ­ni­cos a cha­ma­vam de car­vão.

O pro­blema é que, ao con­trá­rio da madeira, a maior parte do car­vão da Grã-Bre­ta­nha não estava ape­nas sedi­men­tada con­ve­ni­en­te­mente junto à super­fí­cie — ela estava no sub­ter­râ­neo. Quando a Revo­lu­ção Indus­trial come­çou, os bri­tâ­ni­cos come­ça­ram a cavar — eles pre­ci­sa­vam de muito car­vão. Na medida em que a revo­lu­ção se espa­lhou pela Europa e pela Amé­rica do Norte, os euro­peus e os ame­ri­ca­nos come­ça­ram a cavar tam­bém — eles tam­bém pre­ci­sa­vam de muito car­vão.

Enquanto todos cava­vam, come­ça­ram a encon­trar outras coi­sas. Encon­tra­ram bol­sões de ar infla­má­vel que cha­ma­mos de gás natu­ral e lagos sub­ter­râ­neos de um líquido gros­seiro, preto e infla­má­vel que cha­ma­mos de petró­leo bruto. Acon­tece que durante todo esse tempo os seres huma­nos esta­vam andando por aí, com um vasto tesouro inex­plo­rado de jou­les for­te­mente emba­la­dos e infla­má­veis bem debaixo deles. Era como um cão cavando na flo­resta para enter­rar um osso e des­co­brindo uma caverna sub­ter­râ­nea cheia de carne de porco des­fi­ada.

E o que faz um cão que encon­tra uma caverna cheia de carne de porco des­fi­ada? Será que ele inter­rompe sua ati­vi­dade e medita cau­te­lo­sa­mente sobre como pro­ce­der ou sobre quais seriam as con­sequên­cias à sua saúde? Não, ele começa a comer tudo desen­fre­a­da­mente.

Assim, durante todo o século XIX, as minas de car­vão e as pla­ta­for­mas de óleo apa­re­ce­ram em toda parte. A queima deste novo tesouro de jou­les fez com que as eco­no­mias e o incen­tivo à ino­va­ção cres­cesse junto com ela — e tec­no­lo­gias fan­tás­ti­cas sur­gi­ram.

Como a tec­no­lo­gia de moto­res a vapor, o cré­dito pela revo­lu­ção da ele­tri­ci­dade é devido a uma cola­bo­ra­ção de deze­nas de ino­va­do­res que atra­ves­sam sécu­los, mas foi na década de 1880 que tudo final­mente se uniu. No que ainda é pro­va­vel­mente a mudança tec­no­ló­gica mais sig­ni­fi­ca­tiva de todos os tem­pos, a ele­tri­ci­dade per­mi­tiu que o poder de queima fosse con­ver­tido em uma forma de ener­gia alta­mente sofis­ti­cada e nota­vel­mente ver­sá­til cha­mada de ener­gia elé­trica.

Com o vapor como inter­me­diá­rio-chave, todos esses jou­les de com­bus­tão podiam ser envi­a­dos para uma grade orga­ni­zada de fios, trans­fe­ri­dos por lon­gas dis­tân­cias e entre­gues a edi­fí­cios resi­den­ci­ais e comer­ci­ais onde essa ener­gia espe­ra­ria paci­en­te­mente em uma saída, pronta para ser des­car­re­gada na con­ve­ni­ên­cia do usuá­rio. Nesse ponto, os jou­les elé­tri­cos pode­riam ser con­ver­ti­dos em quase qual­quer tipo de ener­gia: eles pode­riam fer­ver água, con­ge­lar algo, ilu­mi­nar a sala ou pos­si­bi­li­tar um tele­fo­nema. Se o vapor domes­ti­cou o dra­gão, a ele­tri­ci­dade trans­for­mara o dra­gão em um mor­domo mágico, para sem­pre ao nosso ser­viço. E, pela pri­meira vez na his­tó­ria humana, isso foi pos­sí­vel.

Cer­ta­mente, enquanto isso acon­te­cia, outra revo­lu­ção estava em anda­mento. O fogo agora estava ali­men­tando nos­sos navios, nos­sos trens, nos­sas fábri­cas e até mesmo a nova magia da ele­tri­ci­dade, mas o trans­porte indi­vi­dual ainda era ali­men­tado por feno como era em 1775 — e a huma­ni­dade do final do século XIX sabia que pode­ria fazer melhor. Os cava­los bio­ló­gi­cos fica­vam super irri­ta­dos se ten­tás­se­mos ali­mentá-los com fogo. Então, nova­mente, a huma­ni­dade come­çou a ino­var. E um par de déca­das mais tarde, havia gran­des cava­los de metal em todos os luga­res, com cilin­dros de motor cheios de fogo.

Como o car­vão, o petró­leo e o gás natu­ral moti­va­ram uma ino­va­ção sem pre­ce­den­tes, as trans­for­ma­ções soci­ais resul­tan­tes das novas tec­no­lo­gias cri­a­ram uma neces­si­dade sem pre­ce­den­tes de quei­mar­mos coi­sas — o que moti­vou os esca­va­do­res. As empre­sas que se con­cen­tra­ram em cavar, sugar e absor­ver cada vez mais nosso tesouro sub­ter­râ­neo de jou­les, como a Stan­dard Oil de John D. Roc­ke­fel­ler, tor­na­ram-se os mai­o­res impé­rios cor­po­ra­ti­vos do mundo. Era um mundo novo, ali­men­tado por uma caverna com carne de porco des­fi­ada, sendo engo­lida pelo cão mais feliz do mundo.

Dois sécu­los mais tarde, em 2015, essa ainda é a prin­ci­pal forma de seres huma­nos obte­rem poder:

Total do Consumo Mundial de energia por classificação (2013). Wait But Why

Essa é a ques­tão sobre os cães famin­tos: se você dá a eles algo deli­ci­oso, eles ten­dem a comer até que a comida acabe ou fiquem doen­tes — o que vier pri­meiro, e não há mui­tos outros fato­res em jogo. O debate moderno sobre ener­gia se resume a defi­nir se é posi­tivo que o cão ainda esteja se diver­tindo ple­na­mente na caverna ou se isso é nega­tivo por­que ele pode estar se tor­nando peri­go­sa­mente doente ou cor­rendo o risco de ficar sem carne de porco (o que seria um pro­blema, por­que ele tem aumen­tado de tama­nho desde a des­co­berta da caverna, e ele não tem nenhuma outra maneira de se ali­men­tar fora da caverna neste momento, devido ao seu imenso ape­tite).

Como você pode con­cluir, há diver­sas pes­soas com dife­ren­tes opi­niões dizendo um monte de coi­sas sobre esta situ­a­ção. E alguns estão dizendo coi­sas ver­da­dei­ras, mas uma grande parte delas ou não sabem par­ti­cu­lar­mente sobre o que estão falando ou têm algum motivo ulte­rior para dizer o que estão dizendo. Isso torna ainda mais con­fuso um tópico já com­plexo, obs­curo e mul­ti­fa­ce­tado.

Então vamos mos­trar o que sabe­mos e ten­tar escla­re­cer o que dia­bos está real­mente acon­te­cendo.

 

Para começar: o que exatamente são combustíveis fósseis e de onde eles vêm?

Os com­bus­tí­veis fós­seis são cha­ma­dos assim por­que eles são os res­tos de anti­gos seres vivos. “Fós­seis”, nesse caso, abrange uma gama ampla. Os pri­mei­ros orga­nis­mos que con­tri­buí­ram para os com­bus­tí­veis fós­seis atu­ais vive­ram durante a época Pré-Cam­bri­ana, antes que hou­vesse sequer plan­tas e ani­mais na terra seca — os orga­nis­mos fós­seis, então, seriam algas oceâ­ni­cas.

As pes­soas cos­tu­mam pen­sar que os com­bus­tí­veis fós­seis são fei­tos de dinos­sau­ros, mas qual­quer dinos­sauro na nossa gaso­lina per­tence aos últi­mos 200 milhões de anos (um tre­cho pos­te­rior de todo o período de for­ma­ção dos com­bus­tí­veis fós­seis) e com­põe ape­nas uma pequena parte do total. A maior parte dos nos­sos com­bus­tí­veis fós­seis pro­vém de plan­tas, ani­mais e algas que vive­ram durante o Período Car­bo­ní­fero — um período de 50 milhões de anos que ter­mi­nou há cerca de 300 milhões de anos e durante o qual haviam mui­tos pân­ta­nos enor­mes e rasos. Os pân­ta­nos eram impor­tan­tes por­que tor­na­vam pro­vá­vel que um orga­nismo morto fosse pre­ser­vado.

Você não se torna um com­bus­tí­vel fós­sil se mor­rer num lugar nor­mal e se decom­por. Mas mor­rendo em um pân­tano e afun­dando até sua base, orga­nis­mos car­bo­ní­fe­ros mui­tas vezes ter­mi­nam sendo cober­tos por areia e argila, e ficam soter­ra­dos com seus jou­les ainda intac­tos.

Depois de cen­te­nas de milhões de anos, todos esses orga­nis­mos foram esma­ga­dos sob intenso calor e pres­são, trans­for­mando-se em repo­si­tó­rios de jou­les na forma sólida, líquida ou gasosa: car­vão, petró­leo ou gás natu­ral.

O car­vão, uma rocha sedi­men­tar preta, que é encon­trada em cama­das sub­ter­râ­neas, é o mais barato e mais abun­dante dos três, e é usado quase intei­ra­mente para pro­du­zir ele­tri­ci­dade. É tam­bém o maior cul­pado pelas emis­sões de CO2, libe­rando mais de 30% de CO2 do que a queima de petró­leo e cerca do dobro do gás natu­ral para gerar uma quan­ti­dade equi­va­lente de calor. Os EUA são para o car­vão como a Ará­bia Sau­dita é para o petró­leo, pos­suindo cerca de 22% do car­vão do mundo, mais do que qual­quer nação. A China, porém, tor­nou-se, de longe, o maior con­su­mi­dor mun­dial de car­vão — mais de metade do car­vão quei­mado no mundo nos últi­mos anos foi quei­mado na China.

O petró­leo, tam­bém conhe­cido como petró­leo bruto, é um líquido preto pega­joso nor­mal­mente encon­trado em reser­va­tó­rios sub­ter­râ­neos pro­fun­dos. Quando o petró­leo bruto é extraído, ele vai para a refi­na­ria, onde é sepa­rado, usando-se dife­ren­tes pon­tos de ebu­li­ção com diver­sos pro­pó­si­tos.

Os Esta­dos Uni­dos são de longe o maior con­su­mi­dor de petró­leo do mundo, con­su­mindo mais de 20% do petró­leo mun­dial e cerca do dobro do pró­ximo maior con­su­mi­dor. Os EUA são tam­bém um dos três mai­o­res pro­du­to­res de petró­leo do mundo, ao lado da Ará­bia Sau­dita e da Rús­sia, que pro­du­zem a mesma quan­ti­dade.

O gás natu­ral, que é for­mado quando o óleo sub­ter­râ­neo chega a uma tem­pe­ra­tura alta e vapo­riza, é encon­trado em bol­sas sub­ter­râ­neas, geral­mente nas pro­xi­mi­da­des de reser­vas de petró­leo. Sendo o “mais limpo” dos três com­bus­tí­veis fós­seis, é o gás que aquece seu fogão e é uma das prin­ci­pais fon­tes de ele­tri­ci­dade (cerca de 20% da ele­tri­ci­dade nos EUA).

O gás natu­ral está em ascen­são e agora repre­senta quase um quarto da ener­gia mun­dial. Uma das razões pelas quais está em ascen­são é por­que os cien­tis­tas des­co­bri­ram uma nova maneira de extrair o gás natu­ral da Terra, cha­mado de fra­tura hidráu­lica, ou “frac­king”, que usa uma mis­tura de água, areia e pro­du­tos quí­mi­cos para criar racha­du­ras no gás natu­ral — expe­lindo o gás rico em xisto. Esse método tem sido extre­ma­mente efi­caz, mas tam­bém é con­tro­verso por causa de algu­mas pre­o­cu­pa­ções ambi­en­tais gra­ves.

Quanto às razões pelas quais as pes­soas argu­men­tam que os com­bus­tí­veis fós­seis são pro­ble­má­ti­cos, vamos nos con­cen­trar nos dois argu­men­tos mais comuns:

 

QUESTÃO 1: Mudança climática é algo preocupante

Vamos igno­rar todos os polí­ti­cos e pro­fes­so­res, CEOs e cine­as­tas e olhar para três fatos:

Fato 1: A combustão de combustíveis fósseis aumenta os níveis atmosféricos de CO2 (gás carbônico).

Vamos che­gar aos dados em um segundo, mas pri­meiro — por que a queima de com­bus­tí­veis fós­seis emite CO2?

A res­posta é sim­ples: a com­bus­tão é uma fotos­sín­tese reversa.

Quando uma planta cresce, ela cria seu pró­prio ali­mento pela fotos­sín­tese. Na sua forma mais sim­pli­fi­cada, durante a fotos­sín­tese, a planta toma o CO2 do ar e absorve a ener­gia da luz solar para divi­dir o CO2 em car­bono © e oxi­gê­nio (O2). A planta man­tém o car­bono e expele o oxi­gê­nio como um sub­pro­duto resi­dual. A ener­gia solar per­ma­nece na planta como ener­gia quí­mica que pode ser uti­li­zada.

Assim, a madeira é essen­ci­al­mente um bloco de car­bono e de ener­gia quí­mica arma­ze­nada.

Quando você queima um com­bus­tí­vel fós­sil, tudo que você faz é rever­ter a fotos­sín­tese. Nor­mal­mente, o oxi­gê­nio do ar rejeita as molé­cu­las de car­bono da madeira — é por isso que as árvo­res não estão cons­tan­te­mente em cha­mas. Mas quando uma molé­cula de oxi­gê­nio se move rápido o sufi­ci­ente e colide com uma molé­cula de car­bono da madeira, ambas se encai­xam e for­mam CO2. Este rom­pi­mento libera ener­gia quí­mica, que alcança outras molé­cu­las de oxi­gê­nio nas pro­xi­mi­da­des, fazendo com que elas se ace­le­rem — e se elas che­ga­rem a uma velo­ci­dade rápida o sufi­ci­ente, se encai­xa­rão com outras molé­cu­las de car­bono, libe­rando mais ener­gia quí­mica. Isso pro­voca uma rea­ção em cadeia, e a madeira entrará em com­bus­tão. Assim, uma queima de madeira é o pro­cesso de com­bi­nar car­bono da madeira com oxi­gê­nio no ar para pro­du­zir CO2.

Claro, isso é tudo irre­le­vante para a pes­soa que rea­liza a queima de madeira — ela está pre­o­cu­pada é com a ener­gia libe­rada durante a for­ma­ção de CO2. A libe­ra­ção de toda a ener­gia quí­mica arma­ze­nada na madeira cria uma glo­ri­osa chama de calor e luz. A árvore pas­sou anos absor­vendo silen­ci­o­sa­mente molé­cu­las de car­bono e jou­les sola­res, e de repente, durante a com­bus­tão, o car­bono e a luz do sol vol­ta­ram ao mundo.

Dito de outra forma, a fotos­sín­tese ape­nas seques­tra o car­bono e a ener­gia solar que há na atmos­fera e, após anos man­tendo-os como reféns, a com­bus­tão os liberta: o car­bono como uma erup­ção de CO2 recém-for­mado e a ener­gia solar como fogo — o que sig­ni­fica que o fogo é essen­ci­al­mente ape­nas raios sola­res empa­co­ta­dos.

Mas quei­mar um mate­rial e libe­rar todo o CO2 não altera os níveis de car­bono da atmos­fera. Por quê? Por­que o car­bono que foi libe­rado estava recen­te­mente na atmos­fera, e se você não quei­masse o mate­rial, ele pro­va­vel­mente seria decom­posto, o que libe­ra­ria o car­bono de qual­quer forma. O car­bono da madeira só foi man­tido refém, e libertá-lo atra­vés da com­bus­tão tem pouco impacto ambi­en­tal.

O car­bono flui da atmos­fera para as plan­tas e ani­mais, para o solo e para a água, e então volta para a atmos­fera — isso é cha­mado de Ciclo do Car­bono. Em qual­quer dado momento, o ciclo de car­bono ativo na Terra con­tém uma quan­ti­dade espe­cí­fica de car­bono. Quei­mar madeira não muda esse nível por­que o ciclo de car­bono “espera” que o car­bono arma­ze­nado na terra, na água ou no ar seja em algum momento libe­rado.

Mas, às vezes, uma pequena por­ção de car­bono do ciclo escapa a longo prazo — acon­tece quando uma planta ou ani­mal morre, mas por algum motivo não é decom­posto nor­mal­mente. Em vez disso, antes que possa ser decom­posto e libe­rar seu car­bono de volta ao ciclo, ele fica enter­rado no sub­solo. Ao longo do tempo, esse car­bono per­dido aumenta de con­cen­tra­ção. Hoje, os com­bus­tí­veis fós­seis da Terra com­põem uma enorme massa de car­bono per­dido que há muito tempo foi tomada como refém per­ma­nen­te­mente, car­bono que o Ciclo do Car­bono não espera rein­se­rir em sua rotina.

Quando os seres huma­nos des­co­bri­ram todo esse car­bono seques­trado e sub­ter­râ­neo, eles não esta­vam sim­ples­mente olhando para o car­bono. Eles esta­vam olhando para uma vas­ti­dão sem fim de raios de sol den­sa­mente empa­co­ta­dos e tri­lhões de plan­tas anti­gas com seus jou­les intac­tos por 300 milhões de anos. E uma vez que não exis­tem leis que pro­te­gem as pro­pri­e­da­des car­bo­ní­fe­ras das plan­tas, pode­ría­mos apro­vei­tar tudo para nós. O maior roubo de joule da his­tó­ria.

E enquanto nós fazía­mos isso, não nos pre­o­cu­pa­mos com o fato de que a extra­ção des­ses jou­les tam­bém sig­ni­fi­cava a extra­ção de car­bono que havia sido enter­rado desde o período Pré-Cam­bri­ano — havia loco­mo­ti­vas e car­ros para colo­car em movi­mento, edi­fí­cios a aque­cer, e os jou­les eram irre­sis­tí­veis.

Você deve agra­de­cer o con­forto e a qua­li­dade que sua vida tem hoje, pois esses jou­les tive­ram um longo e difí­cil cami­nho para che­gar onde estão.

A par­tir de 1958, o cien­tista Char­les Kee­ling come­çou a medir os níveis atmos­fé­ri­cos de CO2 de um obser­va­tó­rio em Mauna Loa, no Havaí. Essas medi­ções ainda estão acon­te­cendo hoje. Aqui está o que elas mos­tram:

Concentração mensal de CO2 no Maua Loa 1958-2015

O movi­mento zig-zag da linha é devido ao nível de car­bono que cai todos os anos no verão, quando as plan­tas estão sugando CO2 e come­çam a pro­du­ção nova­mente durante o inverno, quando as folhas estão mor­tas. Mas a ten­dên­cia domi­nante é incon­fun­dí­vel. Para colo­car isso em con­texto, a tec­no­lo­gia de per­fu­ra­ção do gelo per­mite que os cien­tis­tas cole­tem dados pre­ci­sos sobre os níveis de CO2 nos últi­mos 400 mil anos. Veja o que eles encon­tra­ram:

Variação de Dióxido de Carbono

Assim, os níveis atmos­fé­ri­cos de CO2 osci­la­ram entre cerca de 180 e 300 par­tes por milhão (ppm) nos últi­mos 400 mil anos, nunca ultra­pas­sando os 300. E de repente, no último século, o nível subiu até 400 ppm (atu­al­mente está em 403 ppm).

Por­tanto, em vez de a atmos­fera pos­suir .02% ou .03% de car­bono, agora a atmos­fera pos­sui .04%, tal­vez avance para .05% e cada vez mais. Mas não vamos jul­gar ainda. Tudo o que sabe­mos é o Fato 1, ou seja, que os níveis de CO2 estão subindo rapi­da­mente.

Fato 2: Se os níveis atmosféricos de CO2 oscilam, a temperatura também.

Os núcleos de gelo desen­ter­ra­dos pelos cien­tis­tas não reve­lam ape­nas os níveis de CO2 que retro­ce­dem no tempo — eles reve­lam tam­bém a tem­pe­ra­tura. Aqui está o que mos­tram:

Variação de temperatura e de dióxido de carbono.

Não é uma cor­re­la­ção difí­cil de per­ce­ber. A razão para isso é sim­ples: o CO2 é um gás de efeito estufa. O efeito estufa fun­ci­ona como uma redoma de vidro que, quando exposta ao sol, retêm muito calor den­tro de si. Há um punhado de subs­tân­cias quí­mi­cas em nossa atmos­fera que fazem a mesma coisa: os raios sola­res entram na atmos­fera da Terra, os gases de efeito estufa aca­bam blo­que­ando a saída de alguns deles e isso aquece todo o pla­neta.

Marte tem uma tem­pe­ra­tura média de –55ºC (-67ºF), o que não é legal, mas Vênus é lite­ral­mente um ver­da­deiro inferno, com uma tem­pe­ra­tura média de 462ºC (864ºF). Nenhum lugar é mais ter­rí­vel do que Vênus. Por quê? CO2.

Marte tem uma atmos­fera muito mais fina do que a Terra, assim a ener­gia do sol escapa facil­mente, enquanto a atmos­fera de Vênus é muito mais espessa, com 300 vezes o CO2 da Terra, e isso é uma arma­di­lha para o escape de calor.

Mer­cú­rio está mais perto do sol do que Vênus, mas por não ter atmos­fera é mais frio do que Vênus. Durante o dia, Mer­cú­rio fica tão quente quanto Vênus, mas à noite con­gela, enquanto Vênus é tão quente durante a noite como é durante o dia, por­que o calor vive per­ma­nen­te­mente em sua atmos­fera espessa.

Então faz sen­tido con­cluir que um aumento de CO2 aumen­ta­ria a tem­pe­ra­tura da Terra — mas em quanto? Quando com­pa­rada com a tem­pe­ra­tura média pré-indus­trial, a tem­pe­ra­tura média atual subiu um pouco menos de 1ºC. Mas como os níveis de CO2 con­ti­nuam a subir, a mai­o­ria dos cien­tis­tas espe­ram que as tem­pe­ra­tu­ras con­ti­nuem subindo.

O Pai­nel Inter­go­ver­na­men­tal sobre Mudan­ças Cli­má­ti­cas (IPCC), apoi­ado pela ONU, com um grupo de 1.300 espe­ci­a­lis­tas cien­tí­fi­cos inde­pen­den­tes e de dife­ren­tes paí­ses, ela­bo­rou um rela­tó­rio que esta­be­le­ceu as pro­je­ções de tem­pe­ra­tura de vários labo­ra­tó­rios inde­pen­den­tes. Isto é o que esses labo­ra­tó­rios pen­sam que acon­te­cerá, se nenhuma ação for tomada para alte­rar os atu­ais níveis de emis­são de CO2:

Projeções do Aquecimento Global. Wait But WhyUma mino­ria argu­menta que essas pro­je­ções futu­ras são exa­ge­ra­das, pois seguem a teo­ria ampla­mente aceita de que o vapor de água na atmos­fera mul­ti­plica o efeito das emis­sões de car­bono por causa de um loop de feed­back, pelo qual um pequeno aumento na tem­pe­ra­tura extra de CO2 aumenta a eva­po­ra­ção da água (e já que o vapor de água tam­bém é um gás de estufa, isso gera­ria mais calor, aumen­tando a eva­po­ra­ção, e assim por diante). Sem esse ciclo de rea­li­men­ta­ção, os aumen­tos de tem­pe­ra­tura resul­tan­tes das emis­sões de CO2 seriam 2–3 vezes meno­res. Mas mesmo os mais céti­cos geral­mente con­cor­dam que as emis­sões de CO2 levam a aumen­tos de tem­pe­ra­tura.

O IPCC tam­bém coloca que mais de 90% das mudan­ças nos níveis de CO2 e tem­pe­ra­tura são cau­sa­das pela ati­vi­dade humana (o que é como dizer que há mais de 90% de chance de uma tem­pes­tade de chuva ser cau­sada pela ati­vi­dade de uma nuvem). Agora a per­gunta é a seguinte: quanto a tem­pe­ra­tura pre­cisa aumen­tar para trans­for­mar tudo aqui em merda?

Fato 3: A temperatura não precisa aumentar muito para transformar tudo numa merda.

Há 18.000 anos, as tem­pe­ra­tu­ras glo­bais eram cerca de 5ºC abaixo da média do século XX. Isso foi o sufi­ci­ente para colo­car o Canadá, a Escan­di­ná­via e metade da Ingla­terra e dos EUA sob meia milha de gelo. Isso é o que os 5ºC podem fazer.

Gelo no planeta Terra.

100 milhões de anos atrás, as tem­pe­ra­tu­ras eram de 6 a 10ºC mais ele­va­das do que agora — todas as regiões da Terra eram tro­pi­cais, não havia gelo per­ma­nente em nenhum lugar, os níveis dos oce­a­nos eram 200 metros mais altos e esse tipo de ser andava por aí:

DinossauroPor­tanto, esta­mos atu­al­mente numa con­di­ção de tem­pe­ra­tura não tão sur­real, em que pro­va­vel­mente deve­mos ten­tar ficar:

Projeções do Aquecimento Global

Isso é ainda mais frá­gil do que é pos­sí­vel intuir. Pri­meiro, você não pre­cisa que a tem­pe­ra­tura média suba dras­ti­ca­mente para gerar uma catás­trofe, pois a tem­pe­ra­tura média pode­ria subir ape­nas 3ºC, mas a tem­pe­ra­tura máxima subi­ria muito mais. Ape­nas um dia em uma tem­pe­ra­tura ele­vada como 58ºC (136ºF) aca­ba­ria com a mai­o­ria das cul­tu­ras e ani­mais da Terra.

Em segundo lugar, por­que em alguns locais a tem­pe­ra­tura do pla­neta pode ir até o zero abso­luto: –273ºC (-459ºF). Por­tanto, uma dife­rença de 5ºC, o sufi­ci­ente para enter­rar a parte norte do mundo sob um oce­ano de gelo, sig­ni­fi­ca­ria ape­nas uma flu­tu­a­ção de 1,5% na tem­pe­ra­tura — não algo como 10%, como pode­ría­mos supor. Quando obser­va­mos um cená­rio que mos­tre todo o espec­tro de vari­a­ções da tem­pe­ra­tura, fica claro que o mundo a que esta­mos acos­tu­ma­dos existe ape­nas gra­ças a um equi­lí­brio muito espe­cí­fico e deli­cado de con­di­ções cli­má­ti­cas.

 

Projeções do Aquecimento GlobalCon­forme men­ci­o­nado acima, a tem­pe­ra­tura média está subindo para 1ºC acima da média pré-indus­trial (o IPCC nos coloca neste momento a .86ºC acima dessa média ante­rior). Os cien­tis­tas deba­tem o quão alto esse número pode ir antes de mudan­ças real­mente dra­má­ti­cas acon­te­ce­rem.

Nos últi­mos 20 anos, mais de 100 paí­ses con­cor­da­ram em ten­tar limi­tar o aque­ci­mento glo­bal a um aumento de 2ºC, mas há mui­tas opi­niões dife­ren­tes em torno disso. Quanto aos efei­tos de um aumento de 2ºC, na minha pes­quisa, encon­trei algu­mas fon­tes com cre­di­bi­li­dade afir­mando que 2º é um teto des­ne­ces­sa­ri­a­mente baixo e que pode­mos nos dar ao luxo de ir com mais segu­rança. Já outros afir­mam, com igual cre­di­bi­li­dade, que 2º é uma meta muito ele­vada e que a esta­mos subes­ti­mando.

Sobre o quão catas­tró­fica seria uma mudança de 2º e a nossa capa­ci­dade de ficar abaixo dessa medida, eu tam­bém ouvi opi­niões vari­a­das — alguns pen­sam que pode­mos ficar abaixo de 2º com res­tri­ções ade­qua­das; outros pen­sam que não há maneira pos­sí­vel de per­ma­ne­cer­mos abaixo do 2º — pois já existe muito impulso, mesmo se dei­xás­se­mos de criar emis­sões de car­bono nos pró­xi­mos anos, a Terra iria aque­cer mais do que 2º.

Então, o que deve­mos fazer diante disso?

Nosso obje­tivo hoje não é apro­fun­dar essas opi­niões con­fli­tan­tes e ten­tar des­co­brir a ver­dade, por­que nin­guém sabe ao certo qual a ver­dade de qual­quer maneira. Nós não vamos falar sobre coi­sas espe­cí­fi­cas como o nível do mar, polui­ção, tem­pes­ta­des, ou que o urso polar no vídeo está triste por­que seu gelo está der­re­tendo. Nós só vamos desen­vol­ver nos­sos três fatos e colocá-los todos jun­tos e ver o que acon­tece.

Isso sim­pli­fica:

Fatos do Aquecimento Global.
E isso sim­pli­fica mais ainda:

Queimar combustíveis fósseis transforma tudo numa merda.

Inte­res­sante. Mas não vamos ostra­ci­zar os céti­cos. Pode­mos comu­ni­car isso com uma decla­ra­ção que deixa muito espaço para a dúvida:

Se con­ti­nu­ar­mos a quei­mar com­bus­tí­veis fós­seis tal como esta­mos, as coi­sas podem ficar real­mente bem ruins em breve.

Com isso em mente, vamos agora pas­sar para a segunda pre­o­cu­pa­ção prin­ci­pal que as pes­soas men­ci­o­nam sobre com­bus­tí­veis fós­seis:

 

QUESTÃO 2: Combustíveis fósseis são promissores.

Diver­sas vezes até agora, eu me referi à nossa fonte de com­bus­tí­veis fós­seis, aquele sucu­lento mar sub­ter­râ­neo de ener­gia densa, como “infi­nita” — por­que é assim que pare­cia no século 19 e como mui­tas vezes parece hoje quando você per­cebe o quanto ainda há no sub­ter­râ­neo espe­rando para ser apro­vei­tado. Mas, na ver­dade, a fonte de com­bus­tí­vel fós­sil da Terra não é infi­nita, e sim pro­mis­sora.

Quando é que essa fonte aca­bará, é uma per­gunta com­pli­cada e nebu­losa. Você tem sites como este citando rela­tó­rios como este e fazendo grá­fi­cos que suge­rem que se con­ti­nu­ar­mos com a atual explo­ra­ção e con­sumo de com­bus­tí­veis fós­seis, não esta­mos muito longe do fim:

Estimação de anos restantes de extração de combustíveis fósseis.

Então você tem sites como este citando o World Fact­book da CIA e nos lem­brando que quando o petró­leo e o gás natu­ral aca­ba­rem, o con­sumo do car­vão aumen­tará, então nós tere­mos menos tempo:

Reserva de energia (equivalente a bilhões de toneladas de óleo).

Outras fon­tes infor­mam que os totais cita­dos refe­rem-se ape­nas a reser­vas com­pro­va­das e que, a cada ano, esta­mos des­co­brindo novas fon­tes de com­bus­tí­veis fós­seis, como o petró­leo tran­cado em areias betu­mi­no­sas abun­dan­tes ou reser­vas de hidrato de metano sob o fundo do oce­ano — além de estar­mos desen­vol­vendo novas tec­no­lo­gias para alcançá-los, como o frac­king ou per­fu­ra­ção hori­zon­tal.

Essas fon­tes suge­rem que é impro­vá­vel que fique­mos sem com­bus­tí­veis fós­seis por mui­tos sécu­los. Um con­tra­ponto comum a essas fon­tes é que, mesmo se não esgo­ta­rem, pode­ría­mos enfren­tar um pro­blema sério se a extra­ção dos com­bus­tí­veis tor­nar-se cada vez mais difí­cil e cara ao longo do tempo.

O pro­blema com o esgo­ta­mento é que, se o mundo con­ti­nuar depen­dente de com­bus­tí­veis fós­seis como esta­mos agora, ocor­rerá um colapso econô­mico épico. Na medida em que os com­bus­tí­veis fós­seis se tor­na­rem cada vez mais escas­sos, os pre­ços irão dis­pa­rar. Isso fará com que surja uma cor­rida furi­osa para desen­vol­ver uma tec­no­lo­gia de ener­gia reno­vá­vel, mas pode ser dema­si­ado tarde nesse ponto para evi­tar um colapso econô­mico mun­dial.

Basi­ca­mente, esta­mos vivendo de um fundo de garan­tia que encon­tra­mos no sub­solo, e é melhor con­se­guir­mos um emprego antes que ele acabe.

Em algum momento no futuro, muito em breve ou ape­nas um pouco mais tarde, não tere­mos esco­lha senão parar de extrair com­bus­tí­veis fós­seis, pois suas fon­tes se esgo­ta­rão ou se tor­na­rão muito caras de se explo­rar.

Essa afir­ma­ção des­taca o fato de que esta­mos bem no meio do que será conhe­cido como a Era do Com­bus­tí­vel Fós­sil da his­tó­ria humana.

Fim da Era dos Combustíveis Fósseis.Tra­zendo de volta a nossa pri­meira decla­ra­ção — se con­ti­nu­ar­mos a quei­mar com­bus­tí­veis fós­seis tanto quanto nós esta­mos agora, as coi­sas podem real­mente se trans­for­mar em uma merda em breve — isso sugere que se con­ti­nu­ar­mos a ficar em torno da zona preta até que seja­mos for­ça­dos a sair, esta­re­mos arris­cando tor­nar a zona ama­rela per­ma­nen­te­mente pior para os seres huma­nos vive­rem.

É por isso que Elon Musk gosta de dizer que a exten­são inde­fi­nida da Era de Com­bus­tí­veis Fós­seis é “a expe­ri­ên­cia mais estú­pida da his­tó­ria”. Ele enfa­ti­zou este ponto para mim:

Quanto maior a mudança na com­po­si­ção quí­mica e física dos oce­a­nos e da atmos­fera [devido ao aumento das emis­sões de car­bono], maior será o efeito a longo prazo. Dado que em algum momento as fon­tes de com­bus­tí­vel fós­sil se esgo­ta­rão de qual­quer maneira, por que seguir adi­ante nesse expe­ri­mento louco para ver o que vai acon­te­cer se sabe­mos que é ruim? O esma­ga­dor con­senso cien­tí­fico diz que será ter­rí­vel.”

Em outras pala­vras, e como se per­cebe no cro­no­grama acima: ficar na área preta a longo prazo nos traz uma grande des­van­ta­gem, então é melhor entrar na parte ama­rela assim que puder­mos.

Alguns céti­cos fize­ram obje­ções muito váli­das, mas a mai­o­ria deles con­cor­dou que a queima de com­bus­tí­veis fós­seis causa algum grau de aque­ci­mento e que o aque­ci­mento em geral pode ser pre­ju­di­cial. E mesmo con­si­de­rar­mos esse debate algo válido, quando um dos lados defende que “a queima de com­bus­tí­veis fós­seis não é real­mente peri­gosa” e o outro lado defende “que a queima de com­bus­tí­veis fós­seis é hor­ri­vel­mente catas­tró­fica”, é melhor nem sequer jogar esse jogo, certo???

De qual­quer forma, como nós come­ça­mos a ir do preto ao ama­relo?

Para nos aju­dar a res­pon­der a essa per­gunta, vamos vol­tar ao Labo­ra­tó­rio Naci­o­nal de Lawrence em Liver­more e seus dados de ener­gia. Eles atu­a­li­zam o flu­xo­grama dos EUA a cada ano, e nós vamos che­gar lá em um minuto.

Mas, pri­meiro, vamos veri­fi­car alguns dos grá­fi­cos de seu rela­tó­rio de 2011, onde eles têm um flu­xo­grama de 2007 para cada país e o mundo todo. (Os grá­fi­cos pare­cem con­fu­sos no iní­cio, mas eles são real­mente muito sim­ples — ape­nas mos­trando quanto de cada fonte é usada e como é divi­dida entre seto­res).

Aqui está o fluxo de ener­gia mun­dial com­bi­nado em 2007:

Fluxo de energia mundial combinado em 2007.

A uni­dade, PJ, é em peta­jou­les. 1 peta­joule = 1 quarto de jou­les.

Algu­mas con­si­de­ra­ções:

— O fato mais con­sis­tente que obser­vei sobre todos os paí­ses é quanto o petró­leo (ou seja, petró­leo bruto) domina o setor de trans­porte. 94% dos trans­por­tes mun­di­ais são movi­dos a petró­leo, e na mai­o­ria dos paí­ses desen­vol­vi­dos a por­cen­ta­gem é ainda maior.

— O uso de bio­massa é bas­tante subs­tan­cial, e quase tudo vem de paí­ses em desen­vol­vi­mento, mui­tos deles da África. Bio­massa é tipi­ca­mente a queima de coi­sas como madeira, óleo des­ti­lado de ali­men­tos como milho e estrume.

— O que se vê ao lado direito é um monte de ener­gia rejei­tada. Ener­gia rejei­tada é aquela que per­de­mos, geral­mente sob a forma de calor, devido à ine­fi­ci­ên­cia. Espe­ci­al­mente impres­si­o­nante é o desem­pe­nho dos trans­por­tes, onde os moto­res só aca­bam usando um quarto do com­bus­tí­vel que quei­mam.

A seguir, vamos olhar para a França:

Fluxo de energia da França em 2007.

Con­si­de­ra­ções:

— Muito uso de ener­gia nuclear, e como resul­tado, pouquís­simo car­vão. Isso torna a França um país com baixa emis­são de CO2.

— O trans­porte porém é como todos os outros: a França usa petró­leo.

A França é um exem­plo de um fator que não vamos dis­cu­tir neste post, mas impor­tante: os com­bus­tí­veis fós­seis são um tipo de pesa­delo geo­po­lí­tico. A inter­de­pen­dên­cia naci­o­nal pode ser pro­du­tiva e impor­tante, mas as nações que depen­dem de outras nações para sua sobre­vi­vên­cia nunca são grande coisa, e a neces­si­dade de impor­tar com­bus­tí­veis fós­seis é uma das prin­ci­pais razões para a moderna ultra-depen­dên­cia de mui­tos paí­ses. A França é total­mente depen­dente de com­bus­tí­vel fós­sil para seu trans­porte e, por­tanto, total­mente depen­dente de outros paí­ses para obter petró­leo, o que coloca o país em uma posi­ção vul­ne­rá­vel.

Já os EUA não são tão depen­den­tes. O país depen­dia antes de outras nações: na década pas­sada, 60% de seu petró­leo vinha do exte­rior, mas desde então o país tor­nou-se um dos três prin­ci­pais pro­du­to­res de petró­leo, e gra­ças ao pro­jeto EIA em 2015 as impor­ta­ções líqui­das de petró­leo já repre­sen­ta­vam ape­nas 21% do con­sumo dos EUA.

Fiquei tam­bém sur­preso ao ver que ape­nas uma pequena por­ção das impor­ta­ções de petró­leo dos EUA vinham do Ori­ente Médio, com ape­nas 12,5% deles pro­ve­ni­en­tes da Ará­bia Sau­dita e 20% de todo o Golfo Pér­sico com­bi­nado. Muito vem do Hemis­fé­rio Oci­den­tal, sendo do Canadá a maior por­cen­ta­gem de impor­ta­ção (37%), além de México e a Vene­zu­ela tam­bém serem pro­e­mi­nen­tes (9% cada).

Ok, e quanto à China?

Fluxo de energia da China em 2007.

 

A China é um mons­tro de ener­gia, prin­ci­pal­mente por­que eles são um mons­tro indus­trial. Eles tam­bém são um mons­tro incen­diá­rio, quei­mando quase metade do con­sumo total de car­vão do mundo a cada ano: 57.000 PJ de con­sumo de car­vão anual, um número insano — mais de cinco vezes o fluxo de ener­gia total da França.

Ará­bia Sau­dita:
Fluxo de energia da Arábia Saudita em 2007.Como um macaco de circo que sabe fazer um só tru­que.

O mapa de ener­gia da Coréia do Norte é, sem sur­presa, bizarro.

Fluxo de energia da Coréia do Norte.Você pode veri­fi­car o rela­tó­rio com­pleto para ver o resto dos paí­ses.

Agora, vamos pas­sar para 2013 e olhar para o fluxo de ener­gia dos EUA. A uni­dade é dife­rente aqui. Um quad = 1 qua­dril­lion BTU, que é cerca de 1.000 peta­jou­les.

Uso estimado de energia dos Estados Unidos em 2013: ~97.4 Quads

Duas coi­sas que se des­ta­cam:

— Os EUA tor­na­ram-se um mons­tro de con­sumo de gás natu­ral e, de longe, o maior con­su­mi­dor do mundo.

— Os EUA são ainda mais um mons­tro de con­sumo de petró­leo — quase o dobro do segundo maior país con­su­mi­dor de petró­leo, a China, e mais de qua­tro vezes o ter­ceiro da lista, o Japão.

Para colo­car em pers­pec­tiva quanta ener­gia os EUA usam, encon­trei um mapa com a quan­ti­dade de ener­gia que cada estado dos EUA con­some com­pa­rado a um país.
Quantidade de energia que cada estado dos EUA consome anualmente comparado a de um país.Final­mente, vamos vol­tar à razão de men­ci­o­nar­mos esses grá­fi­cos — pre­ten­de­mos des­co­brir como vamos sair da parte preta da linha do tempo para a parte ama­rela, saindo da área de com­bus­tí­veis fós­seis.

O LLNL tam­bém fez um grá­fico mos­trando as emis­sões de car­bono dos EUA e de onde elas vêm. Os EUA são o segundo maior cul­pado de emis­sões de car­bono do mundo (a China é a pri­meira, com 50% a mais que os EUA) e o líder mun­dial em emis­sões de trans­porte — então, se puder­mos des­co­brir o que os EUA pre­ci­sam cor­ri­gir, isso é um bom começo.

Come­çar a tran­si­tar do preto ao ama­relo sig­ni­fica livrar-se das emis­sões de car­bono. Olhando para o flu­xo­grama de emis­sões dos EUA, vejo dois núme­ros que se des­ta­cam:

Estimativa de emissão de carbono nos EUA em 2013: mais ou menos 5.390 milhões de toneladas.

Muito pre­cisa acon­te­cer para nos levar à zona ama­rela, mas esses dois núme­ros — que repre­sen­tam 72% das emis­sões totais dos EUA — pare­cem ser os mai­o­res e mais urgen­tes pro­ble­mas a serem enfren­ta­dos:

1) A pro­du­ção de ele­tri­ci­dade em todo o mundo repre­senta cerca de 40% do fluxo total de ener­gia, e cerca de dois ter­ços da pro­du­ção de radi­o­e­le­tri­ci­dade pro­vém da queima de com­bus­tí­veis fós­seis e emis­sões de car­bono, em espe­cial o car­vão. Ou, sim­ples­mente: a pro­du­ção de ele­tri­ci­dade é enorme e polu­ente.

2) O trans­porte com­põe uma grande parte do con­sumo de ener­gia do mundo, repre­sen­tando quase um terço do con­sumo na mai­o­ria dos paí­ses desen­vol­vi­dos, e quase todo o trans­porte do mundo depende de petró­leo. Sim­pli­fi­cando: o setor dos trans­por­tes é enorme e quase total­mente polu­ente.

Na pró­xima parte deste texto, será hora de aumen­tar o zoom sobre o segundo grande pro­blema do trans­porte, e em par­ti­cu­lar, dos car­ros. O trans­porte abrange aviões, trens, navios, cami­nhões e car­ros — mas os car­ros cau­sam mais emis­sões de car­bono do que os outros qua­tro com­bi­na­dos e, sem gran­des mudan­ças, as emis­sões dos car­ros devem aumen­tar em mais de 50% até 2030. Ao ana­li­sar­mos uma grande parte das emis­sões dos car­ros como um que­bra-cabe­ças, enten­de­re­mos como isso se tor­nou um pro­blema, qual a razão de ainda ser um pro­blema e como pode­mos resolvê-lo. Assim, tere­mos uma melhor ideia do que pre­cisa ser feito nessa luta.

(Nota do edi­tor: aqui ter­mina a pri­meira parte do texto de Tim Urban; na pró­xima parte, ele tra­tará da his­tó­ria da indús­tria auto­mo­tiva)


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Tim Urban
Formado em Ciências Políticas pela Harvard University, é autor do site Wait But Why e fundador da ArborBridge.

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