Teori Zavascki, ministro do STF, acaba de ter sua morte confirmada em um acidente de avião. Afora o desejo de que a família encontre paz depois dessa merda e as teorias de conspiração (que vão durar um tempo), o que me parece essencial é pensar no futuro.

O regimento do Supremo é surreal: o novo ministro que o suceder herdará seus processos (uma regra que parece feita exatamente pra estimular o assassinato de ministros…). Dentre esses processos está: a Lava-Jato.

Se Temer e toda a classe política têm um interesse em tentar acabar com a operação Lava Jato, essa é uma oportunidade de ouro. Basta enrolar a indicação, botar algum laranja que abafe tudo, e esperar que cole.

Se tem algo que possa impedir isso, é a fraqueza do governo Temer e pressão popular. O presidente já deu diversas demonstrações de que é líder de uma gestão frágil, que sente a pressão midiática e da população. Sobram exemplos dele voltando atrás: na indicação de ministros, na extinção do MinC, etc.

É essencial uma mobilização pesada a partir disso. A Lava-Jato tem bilhões de problemas, mas é uma operação inédita no país, que de alguma forma está impactando a casta política e a maneira de fazer “negócios” por aqui. A ruptura por ela gerada e a chance de desmembrar as entranhas do poder e analisar o que vive lá dentro já são o suficiente para que seja interessante “defendê-la” de possíveis tentativas de destruí-la.

É bom lembrar aqui que a classe política está unida contra a Lava Jato: o governo Dilma foi acusado de tentar convencer ministros do STF a interferir nas delações, o governo Temer é um saco de ratos igualmente, e nos famosos áudios do Jucá ele comentava que o ideal seria melar a operação e “salvar todo mundo” — inclusive o Lula, aliás.

Assim sendo, acho que o Temer não pode ter paz nessa escolha. Qualquer tentativa levemente suspeita de colocar algum laranja pra abafar a operação deve ser respondida com protestos, quebradeira, parar o país mesmo.

Que o Temer se vire pra achar algum indicado acima de qualquer suspeita, e que ele sofra 100x o que a Dilma sofreu se não o fizer. Qualquer coisa menos do que isso vai ser dar carta branca pra um líder medíocre e patético, numa jogada de sorte, voltar o relógio e interromper um dos poucos momentos inesperados de ruptura e transformação no Brasil. Não é pouca coisa.

Guilherme Assis
Tem 25 anos, trabalha com audiovisual e sempre se disse de esquerda. A definição mudou, mas ele continua o mesmo - sempre na oposição.
  • Zenio Silva

    Imaginar que o Temer vai se virar para indicar alguém insuspeito é muita ingenuidade…