Homem segurando relógio de tempo. | Talvez o tempo só exista dentro de nossas cabeças

Talvez o tempo só exista dentro de nossas cabeças

Em Ciência por Equipe Ano ZeroComentário

O tempo “expe­ri­men­tando” é uma das par­tes estra­nhas de nos­sas vidas.

Mui­tas vezes, não temos tempo o sufi­ci­ente para fazer qual­quer coisa. Outros dias, há tempo demais em nos­sas mãos. E não importa o quê, ele sem­pre con­ti­nua indo para a frente, como um rebo­ca­dor ine­xo­rá­vel, puxando-nos atra­vés de expe­ri­ên­cias emo­ci­o­nais e trans­for­ma­ções físi­cas.

Somos dei­xa­dos com memó­rias do que tem sido, inca­pa­zes de mudar qual­quer coisa, inca­pa­zes de sal­tar para a frente e ver o que acon­te­cerá a seguir.

No entanto, uma expe­ri­ên­cia comum do tempo pode não ser o que parece ser.

Um novo estudo publi­cado na edi­ção de outu­bro no Anna­len der Phy­sik, conhe­cido por publi­car teo­rias da rela­ti­vi­dade espe­cial e geral de Albert Eins­tein, argu­menta que o tempo não é uma força fora de nós, mas sim um fenô­meno cri­ado pelo obser­va­dor. Basi­ca­mente, você faz o seu pró­prio tempo.

Os co-auto­res do estudo, o bió­logo Robert Lanza e o físico Dimi­triy Podols­kiy, apon­tam o enigma que, ape­sar do quão uni­di­re­ci­o­nal o tempo pareça a nós, a mai­o­ria dos físi­cos pen­sam que o tempo deve fun­ci­o­nar da mesma forma para a frente e para trás.

Des­ven­dar este mis­té­rio nos leva para a toca do coe­lho, direto para as con­tra­di­ções entre a rela­ti­vi­dade geral e a mecâ­nica quân­tica.

Uma visão popu­lar na comu­ni­dade física é que o pró­prio tempo é o pro­duto de uma quân­tica rela­ci­o­nada com a gra­vi­dade “deco­e­rên­cia” ou “fun­ção colapso da onda”.

Este pro­cesso está des­crito por meio da equa­ção de Whe­e­ler-DeWhitt, que é o que Lanza e Podols­kiy tes­ta­ram na sua inves­ti­ga­ção e des­co­bri­ram que os efei­tos da gra­vi­dade são dema­si­ado len­tos para expli­car o apa­re­ci­mento do “tempo em forma de seta”. Em vez disso, os inves­ti­ga­do­res pro­pu­se­ram que a cri­a­ção do tempo depende do obser­va­dor.

Em seus tra­ba­lhos sobre a rela­ti­vi­dade, Eins­tein mos­trou que o tempo é rela­tivo ao obser­va­dor”, diz Lanza. “Nosso papel foi dar um passo adi­ante, argu­men­tando que o obser­va­dor, na ver­dade, o cria.”

Lanza vê a expe­ri­ên­cia do tempo rela­ci­o­nada com a capa­ci­dade que um obser­va­dor tem de criar memó­rias, escre­vendo que

o sur­gi­mento da seta de tempo está rela­ci­o­nado com a capa­ci­dade dos obser­va­do­res de pre­ser­var a infor­ma­ção sobre os even­tos expe­ri­men­ta­dos.”

Assim, o pro­cesso de enve­lhe­ci­mento está rela­ci­o­nado com a capa­ci­dade (ou tal­vez defi­ci­ên­cia) para lem­brar de algo. Um obser­va­dor “sem cére­bro”, por exem­plo, seria capaz de não expe­ri­men­tar o tempo ou enve­lhe­ci­mento.

Em uma troca de e-mail sobre sua teo­ria, Robert Lanza con­tou esta his­tó­ria sobre Eins­tein, que disse após a morte de seu amigo:

Agora Besso par­tiu deste estra­nho mundo para outro à frente de mim. Isso não sig­ni­fica nada. Pes­soas como nós, que acre­di­ta­mos na física, sabe­mos que a dis­tin­ção entre pas­sado, pre­sente e futuro é ape­nas uma ilu­são tei­mo­sa­mente per­sis­tente.”

Robert Lanza é o chefe da Astel­las glo­bal Rege­ne­ra­tive Medi­cine e pro­fes­sor da Wake Forest. Ele tam­bém é o fun­da­dor da “bio­cen­trismo”, uma visão bio­ló­gica do mundo que afirma o papel cen­tral da cons­ci­ên­cia na cri­a­ção da rea­li­dade, sendo o espaço e tempo “rea­li­da­des não abso­lu­tas, mas sim fer­ra­men­tas da mente humana e ani­mal”.

Podols­kiy é um físico teó­rico tra­ba­lhando em enve­lhe­ci­mento na Uni­ver­si­dade de Har­vard.

Você pode ler o paper on-line aqui.

Aqui está mais sobre Teo­ria bio­cen­trismo de Lanza (vídeo em inglês).

Link Youtube

Con­tri­bua com a con­ti­nui­dade de Ano Zero aqui.


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Equipe Ano Zero
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