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Somos herdeiros de estrelas mortas

Em Ciência, Consciência por Alysson AugustoComentário

A vida é incrí­vel. Os momen­tos que vive­mos, as ami­za­des que cul­ti­va­mos e as expe­ri­ên­cias pelas quais pas­sa­mos. Tudo é sim­ples­mente mara­vi­lhoso, pela mera exis­tên­cia.

A morte é ine­vi­tá­vel, todos sabe­mos. Admi­tir isso, aliás, é de doer. É de sen­tir sau­dade de tudo o que já se foi e de tudo o que ainda irá ser, antes do tempo das coi­sas acon­te­ce­rem.

Porém, mais que admi­tir a morte, pode­mos admi­tir a morte em escala uni­ver­sal. Nessa hipó­tese, tudo, tudo mesmo, irá apa­gar. Como as estre­las que, inge­nu­a­mente, acre­di­ta­mos serem eter­nas por olhar­mos para elas e as ver­mos sem­pre lá, nos céus. Mas não con­se­gui­mos, nessa rápida vis­lum­brada, per­ce­ber que, assim como o uni­verso teve um iní­cio, ele terá fim. E a escu­ri­dão rei­nará.

Con­tudo, ainda não há cer­teza de que tudo aca­bará. A morte mui­tas vezes ape­nas encerra um ciclo, dando ori­gem a outro. E nesse sen­tido há teo­rias que apos­tam na ori­gi­na­ção de outro uni­verso a par­tir deste no qual vive­mos, um renas­ci­mento que dará certa con­ti­nui­dade à vida que usu­fruí­mos neste ins­tante.

E tam­bém é uma forma de renas­ci­mento o que ocorre com as estre­las que mor­rem em nosso uni­verso,  como demons­tra a astrô­noma Michelle Thal­ler ao expli­car, neste vídeo, como os áto­mos que com­põem os nos­sos cor­pos foram for­ma­dos no inte­rior de estre­las, no momento em que mor­rem:

O Éden é no aqui e no agora. O paraíso é, em escala inter­ga­lác­tica, o que esta­mos vivendo neste breve período de tempo que pode­mos cha­mar de vida humana. Os anti­gos supu­nham que havía­mos mor­dido o fruto proi­bido que nos traz a cons­ci­ên­cia, mas sabe­mos hoje que tal mor­dida é cons­tante e decorre do sim­ples ato de amar­mos a pró­pria vida enquanto, ao mesmo tempo, sus­pei­ta­mos que a morte pode ser a con­clu­são de todas as coi­sas.

Então des­frute do fruto proi­bido. Deli­cie-se amando sua vida e pro­gre­dindo em cons­tan­tes explo­sões de microu­ni­ver­sos em seu corpo físico. Você sabe que seu com­bus­tí­vel vital uma hora irá aca­bar, mas isso não é des­culpa para você não ten­tar fazer da rea­li­dade o campo dos seus sonhos.

Como me disse o Vic­tor Lis­boa quando eu estava escre­vendo este artigo, “somos fei­tos da maté­ria de estre­las mor­tas, e por­tanto temos o dever de ilu­mi­nar com nos­sas vidas tudo o que nos cerca, para que de certa forma seja­mos estre­las ao nosso jeito, e assim pos­sa­mos fazer jus à nossa des­cen­dên­cia.” E como afir­mou C. G. Jung, “até onde pode­mos dis­cer­nir, o único pro­pó­sito da vida humana é acen­der uma luz de sig­ni­fi­cado nas tre­vas do mero exis­tir.”

Viva e deixe mor­rer. E jamais esqueça que, assim como você é o resul­tado da morte de uma estrela, há gran­des chan­ces da sua morte gerar algo tão com­plexo e incrí­vel quanto você.

É graduando em Filosofia pela PUCRS, professor de ensino médio e faz vídeos para o Youtube (conheça aqui). E, não menos importante, editor do melhor site da internet, o Ano Zero. Mas o necessário a saber mesmo é de seu amor declarado por churros.

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