A vida é incrível. Os momentos que vivemos, as amizades que cultivamos e as experiências pelas quais passamos. Tudo é simplesmente maravilhoso, pela mera existência.

A morte é inevitável, todos sabemos. Admitir isso, aliás, é de doer. É de sentir saudade de tudo o que já se foi e de tudo o que ainda irá ser, antes do tempo das coisas acontecerem.

Porém, mais que admitir a morte, podemos admitir a morte em escala universal. Nessa hipótese, tudo, tudo mesmo, irá apagar. Como as estrelas que, ingenuamente, acreditamos serem eternas por olharmos para elas e as vermos sempre lá, nos céus. Mas não conseguimos, nessa rápida vislumbrada, perceber que, assim como o universo teve um início, ele terá fim. E a escuridão reinará.

Contudo, ainda não há certeza de que tudo acabará. A morte muitas vezes apenas encerra um ciclo, dando origem a outro. E nesse sentido há teorias que apostam na originação de outro universo a partir deste no qual vivemos, um renascimento que dará certa continuidade à vida que usufruímos neste instante.

E também é uma forma de renascimento o que ocorre com as estrelas que morrem em nosso universo,  como demonstra a astrônoma Michelle Thaller ao explicar, neste vídeo, como os átomos que compõem os nossos corpos foram formados no interior de estrelas, no momento em que morrem:

O Éden é no aqui e no agora. O paraíso é, em escala intergaláctica, o que estamos vivendo neste breve período de tempo que podemos chamar de vida humana. Os antigos supunham que havíamos mordido o fruto proibido que nos traz a consciência, mas sabemos hoje que tal mordida é constante e decorre do simples ato de amarmos a própria vida enquanto, ao mesmo tempo, suspeitamos que a morte pode ser a conclusão de todas as coisas.

Então desfrute do fruto proibido. Delicie-se amando sua vida e progredindo em constantes explosões de microuniversos em seu corpo físico. Você sabe que seu combustível vital uma hora irá acabar, mas isso não é desculpa para você não tentar fazer da realidade o campo dos seus sonhos.

Como me disse o Victor Lisboa quando eu estava escrevendo este artigo, “somos feitos da matéria de estrelas mortas, e portanto temos o dever de iluminar com nossas vidas tudo o que nos cerca, para que de certa forma sejamos estrelas ao nosso jeito, e assim possamos fazer jus à nossa descendência.” E como afirmou C. G. Jung, “até onde podemos discernir, o único propósito da vida humana é acender uma luz de significado nas trevas do mero existir.”

Viva e deixe morrer. E jamais esqueça que, assim como você é o resultado da morte de uma estrela, há grandes chances da sua morte gerar algo tão complexo e incrível quanto você.

escrito por:

Alysson Augusto

Escritor que não compactua com o rótulo. Graduando em Filosofia pela PUCRS. Professor de ensino médio. E, não menos importante, editor do melhor site da internet, o Ano Zero. Mas o necessário a saber mesmo é de seu amor declarado por churros.