4. Análise da situação.

A Reforma da Previdência tem sido alvo de algumas críticas desinformadas, frágeis ou deliberadamente enganosas. A negação do déficit da Previdência é resultado de uma manipulação deliberada que pretende impedir a Reforma e, assim, promover a manutenção dos privilégios daqueles que produziram estes dados enganosos e são responsáveis por parte significativa do rombo: os funcionários públicos.

[toc title=”Índice Geral” type=”left”] [toc_item title=”1. Introdução” page=”1″] [toc_item title=”2. Críticas à Reforma.” page=”2″] [toc_item title=”3. Apuração das Críticas.” page=”3″] [toc_item title=”4. Análise da situação.” page=”4″] [toc_item title=”5. Conclusão.” page=”5″][toc_item title=”6. Para saber mais.” page=”6″][/toc]
Isso não significa que a Reforma proposta pelo governo vá resolver o problema da Previdência. Como exposto, o modelo de pirâmide da Previdência é insustentável e a atual Reforma conseguirá apenas conter a sangria, evitando uma catástrofe financeira ainda maior. A longo-prazo, outras reformas terão de ser feitas até a população dar-se conta de que a ideia de uma previdência pública (social) universal é insustentável.

Recentemente, Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação, escreveu que a ideia de uma previdência pública é sim sustentável, porque ao longo do último século aumentamos muito nossa produtividade – principalmente através dos avanços tecnológicos – e hoje precisamos trabalhar menos para produzir o mesmo tanto. “O que significa que essa riqueza aumentada pode custear pensões e aposentadorias da sociedade em geral. Não preciso trabalhar quarenta anos para que isso pague dez anos que ainda terei a viver depois. A conta esconde os aumentos de produtividade”, escreveu.

Pessoas envolvidas no debate político e econômico estão familiarizadas com essa ideia, pauta frequente de debates socialistas. Não é necessário adentrar em todos os problemas deste argumento, então apresentarei apenas dois.

Primeiro, que a produtividade do trabalhador brasileiro não tem aumentado como no resto do mundo e ao invés de encurtar a distância entre a nossa produtividade e a de trabalhadores de países mais ricos, nas últimas décadas apenas aumentamos esta diferença.

Chega a ser um tanto irônico que este ponto seja frequentemente levantado por pessoas da esquerda brasileira quando ela mesma é a maior responsável por frear o aumento da produtividade do brasileiro, espalhando inverdades e opondo-se às reformas trabalhistas, à terceirização e diversas outras medidas adotadas no mundo todo para modernizar as relações trabalhistas – como demonstrei extensamente em meu artigo sobre a terceirização.

Segundo, que o aumento da produtividade não altera em nada a conta insustentável da Previdência aqui demonstrada. O que o avanço das ciências e o inigualável aumento da produtividade ao longo do último século representa é que vivemos uma vida bem melhor do que nossos antepassados.

Assim, uma pessoa de classe média no Brasil (um país pobre) tem uma vida bem melhor do que o rei da Inglaterra de duzentos anos atrás. O rei da Inglaterra tinha de tratar seus problemas bucais sem anestesia; tinha de tratar suas doenças com muita dor, precariedade e baixa probabilidade de melhora; alimentava-se basicamente do que as terras de seu reino produziam e não podia, como nós, comer um sanduíche com ingredientes de todos os cantos do planeta ou ir ao supermercado e escolher as cervejas de diferentes nações; não tinha televisão, internet, Netflix, cinema, geladeira, ventilador, máquina de lavar-roupa, repelente, shampoo para piolho, iorgute, protetor solar ou acesso imediato ao que acontece do outro lado do mundo. Uma pessoa de classe-média do Brasil tem. E isso não quer dizer que tem o mesmo dinheiro que o rei da Inglaterra e muito menos que seria capaz de bancar a aposentadoria dele.

Simplificando: o aumento da produtividade implica que teremos vidas melhores com nossos salários, mas a economia e os rendimentos se adaptam e isso não implica que conseguiremos manter o salário de inativos com o salário dos ativos. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
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Pedro Sampaio
Psicólogo, psicoterapeuta, professor universitário, hiperativo e insone. É casado com a Psicologia, mas tem dificuldades com a monogamia intelectual, dando frequentes puladas de cerca com a Música, Filosofia, Ciência, Literatura, Cinema e Política. Cético, acredita no debate baseado em evidências, na racionalidade e na honestidade intelectual para qualquer área, mas chora até em propaganda de margarina.