Nós, do Ano Zero, planejamos mudar o mundo, e com a sua participação.

Claro, quando se fala em mudar o mundo, logo se imagina mudar para algo “melhor” e não, obviamente, “pior”.

Mas é que temos um problema com essa palavra, “melhor”. É que essa palavra parece ter algo de muito subjetivo e pessoal. Quando falamos em um mundo “melhor”, cada um de nós tem uma opinião diferente, conforme sua concepção sobre o que é certo ou errado, “bem” e “mal”. Hitler sonhava e os terroristas do ISIS sonham com um mundo “melhor”, segundo suas próprias concepções do que é certo e errado.

Então, nós do AZ pegamos emprestado da biologia o conceito de “evolução”, e dizemos que planejamos mudar o mundo, não para torná-lo melhor, mas sim para torná-lo um mundo mais evoluído.

E por evoluído entendemos algo objetivo e prático: evoluído é um mundo que está pronto para adaptar-se e enfrentar os grandes desafios que se apresentam, um mundo eficiente em lidar com os problemas que trazem sofrimento, confusão e violência à humanidade.

Mas qual a diferença prática entre um “mundo melhor” e um “mundo evoluído”? É que aqueles que buscam um mundo evoluído não estão tentando seguir uma cartilha teórica ou uma doutrina que explica como as coisas são e deveriam ser, e o que é certo e o que é errado, tentando impor essa cartilha ou doutrina à realidade, como se a realidade servisse para confirmar nossas expectativas e teorias. Na busca por um mundo evoluído, o critério principal é o da efetividade: o que efetivamente funciona, o que realmente produz efeitos quando buscamos solucionar os maiores problemas da humanidade?

Com esse enfoque, não tememos buscar em tradições do passado e do presente, e em teorias e filosofias das mais diversas fontes, as ferramentas e ideias necessárias para que cada um dos principais desafios humanos seja adequadamente enfrentado e resolvido. Portanto, em nenhum momento pretendemos entronizar qualquer teoria ou doutrina (qualquer “ismo”) como se ela fosse uma verdade absoluta e excludente das demais teorias ou doutrinas. Não temos comprometimento com ideologias, mas com a eficácia e a adequação: queremos utilizar tudo o que seja adequado para efetivamente solucionar os grandes problemas que entravam o desenvolvimento do mundo.

Esclarecido esse ponto, resta saber como pretendemos mudar o mundo. Qual a estratégia?

Bom, a primeira coisa que podemos adiantar é que ela depende de sua colaboração, mas não é uma colaboração típica de movimentos ativistas ou entidades filantrópicas. É uma colaboração muito simples, embora exija muito esforço: basta você assumir o compromisso de realizar seus sonhos.

 

APRIMORAMENTO PESSOAL

Em busca da melhor versão de si mesmo.

As abordagens até hoje feitas para mudar o mundo buscavam atacar os grandes problemas em um nível macro: tentava-se alterar o atual sistema social e suas instituições, substituindo-as por outro sistema social e novas instituições. Pense em todas as revoluções e doutrinas que tentaram fazer isso no século passado. Em geral, essas abordagens eram conduzidas conforme determinada ideologia política ou doutrina religiosa.

O AZ propõe uma abordagem diferente, uma abordagem “micro”: para mudar o mundo, precisamos aprimorar o componente básico, a unidade elementar de todas as instituições e da própria sociedade – o ser humano.

Partimos do princípio de que quando cada um de nós se esforçar no seu cotidiano para tornar-se “a melhor versão possível de si mesmo”, progressivamente isso exercerá um efeito de transformação em nossas relações pessoais e em nossa sociedade e instituições. Aprimorando os blocos de construção fundamental de todos os sistemas sociais (os indivíduos), automaticamente o mundo será também aprimorado.

E qual é o conceito de “melhor” que adotamos? Simples, aquele mesmo conceito subjetivo que não convém utilizar em relação ao mundo, mas que aqui é bem-vindo. Ou seja, é o conceito de “melhor” que cada pessoa tem sobre o que é o ideal para si, inclusive em relação a seus maiores sonhos, propósito de vida e exploração do potencial pessoal. A noção de aprimoramento do ser humano não deve impor ao indivíduo qualquer doutrina ou ideologia pré-estabelecida, que lhe diga o que é melhor ou certo para si.

O Homem Virtruviano em Ano Zero.

Entendemos que a cada um é dado cogitar qual é a melhor versão de si mesmo que gostaria de concretizar, e ao projeto Ano Zero compete propiciar o espaço de troca e divulgação de ideias, técnicas, ferramentas, cursos e workshops para que nós todos realizemos esse potencial de viver o mais plenamente possível os nossos sonhos.

E aqui vem um detalhe importante: é possível que a própria concepção pessoal de cada um sobre o que seria sua “melhor versão” vá se modificando durante o processo de aprimoramento. Isso é parte do aprendizado e evolução inerente a esse tipo de vivência. O que interessa ao AZ é o respeito a todas as concepções de busca da felicidade e de uma vida plena.

Quando cada um de nós sentir-se livre e dotado dos recursos e apoio necessário para tornar-se a cada dia um pouco mais próximo da “melhor versão de si mesmo”, segundo seu entendimento pessoal, esse processo exercerá um efeito transformador na própria sociedade.

 

APRIMORAMENTO COLETIVO

Transformar não pela revolução, mas pela evolução.

Quando tivermos uma sociedade em que um percentual crítico de indivíduos tenha assumido o compromisso de tornar-se a “melhor versão de si mesmo”, já teremos um mundo transformado e mais evoluído. Mas o nosso caminho não deve parar por aí. É chegado o momento, enfim, desses indivíduos dedicarem sua atenção aos principais problemas que entravam o desenvolvimento da sociedade e de suas instituições.

Até hoje, como já foi dito, a maior parte dos projetos que tentaram mudar o mundo buscavam fazê-lo através de algum tipo de revolução — ou seja, de uma transformação abrupta na estrutura social e em suas instituições. Há vários problemas nessa abordagem. O principal é que sempre se parte de uma teoria ou doutrina jamais testada, ou testada insuficientemente, que descreve a natureza dos problemas do mundo e prescreve uma solução. Mas isso no final não é muito inteligente: por mais que grandes pensadores e gurus sejam criativos e por mais engenhosas e sedutoras que sejam suas teorias, o fato é que nenhuma ideia, mesmo que esteja certa em alguns aspectos, consegue capturar a realidade humana em toda a sua complexidade.

Outro problema é que, pela revolução, o antigo sistema social e suas instituições são trocados por novas instituições que jamais foram submetidas à prova antes. São instituições idealizadas (partindo de uma concepção de “como o mundo deveria ser”), que podem apresentar, quando implementadas no mundo real, falhas e problemas jamais previstos. Já as instituições antigas em geral se consolidaram e persistiram justo por terem sido colocadas à prova e se adaptado aos desafios que enfrentaram.

Isso não significa que devemos aceitar as instituições já existentes tal como elas são. A proposta do Ano Zero é que trabalharmos para a evolução das instituições já existentes — ou seja, seu aprimoramento gradual, realizado de forma inteligente e cuidadosa.

Desafie qualquer forma de tirania | Ano Zero

A sociedade não será realmente aprimorada pela destruição das atuais estruturas sociais e sua substituição por estruturas idealizadas, e sim pelo aprimoramento das estruturas já existentes. A experiência histórica demonstra que revoluções, por melhor que sejam as aspirações dos revolucionários, criam uma etapa de caos na qual apenas os piores tipos de pessoas, aquelas predispostas à violência e conduzidas apenas pelo desejo de poder, predominam.

A proposta do AZ é impulsionarmos a evolução das principais instituições de nossa sociedade com base em uma abordagem de raposa para cada desafio emergente, e sempre observando durante o processo os princípios da democracia, do humanismo, do espírito científico e da não-violência.

Precisamos, portanto, de pessoas que se reúnam a fim de pensarem e implementarem soluções pontuais com a mentalidade de “raposa” e não de “porco-espinho”, na clássica distinção proposta por Isaiah Berlin: enquanto a abordagem de porco-espinho tenta explicar todos os problemas segundo um conjunto único de causas, a abordagem de raposa tenta analisar os problemas e desafios conforme suas peculiaridades e contexto, atento à complexidade e ambiguidade inerente a cada situação humana, recusando etiquetamentos de condutas e a vilanização de seres humanos.

Em nossa vida cotidiana, todos nós participamos de diversas instituições, seja no trabalho, na escola, na universidade e até mesmo na família. Se todos nós nos comprometermos a nos tornarmos a melhor versão possível de nós mesmos, necessariamente começarão a surgir pontos de atritos entre nossa busca e essas instituições. A partir desses pontos de atrito, surgirão as possibilidades de reconhecermos em que medida as instituições de que participamos precisam ser aprimoradas e como isso pode ocorrer de forma eficiente e inteligente.

Temos, então, uma estratégia em dois fronts, a fim de mudar o mundo e impulsionar a sua evolução: um número crítico de pessoas comprometidas em tornarem-se a melhor versão possível de si mesmas e, ao mesmo tempo, em aprimorarem as instituições sociais a que pertencem. É um trabalho do pequeno para o maior (transformar o indivíduo para transformar a sociedade), e de dentro para fora (fazer as instituições sociais evoluírem aprimorando-as internamente).

Agora que já temos o objetivo (um mundo mais evoluído), e uma estratégia (aprimoramento pessoal de um lado e coletivo do outro), a pergunta que resta é: como o AZ pretende fazer isso?

 

O PROJETO ANO ZERO

O Ano Zero é, antes de tudo, um empreendimento. Poderíamos dizer até uma empresa. Afinal, se desejamos aprimorar as instituições, precisamos também aprimorar o conceito de empresa. Mas diferente dos demais empreendimentos desse tipo, o serviço que o AZ oferece é único: queremos colaborar com a evolução do mundo e da sociedade. É como se o AZ prestasse o serviço de parteira — um novo mundo nascerá do esforço de todos nós, e o AZ só presta auxílio e tenta facilitar esse processo.

Sabemos que não estamos sozinhos, e que há iniciativas semelhantes ao redor de todo o planeta. Por isso, buscamos formar parcerias com todos aquelas iniciativas que possuem objetivos semelhantes aos nossos, inclusive quando voltados a fim específicos, como o pessoal da Exosphere e do GEDBioética.

O projeto AZ pretende (1) criar espaços na internet (e, futuramente, presenciais) para a reflexão e troca de experiências a respeito do aprimoramento pessoal, (2) disponibilizar as ferramentas úteis para que cada pessoa realize seus sonhos e torne-se a melhor versão de si mesma e, por fim, (3) propiciar os meios para que indivíduos desapegados de molduras ideológicas e interessados em aprimorar as instituições sociais se reúnam e se organizem de forma eficaz e inteligente.

Para organizar o projeto AZ, dividimos nossas áreas de abordagem da seguinte forma:

Tempo de consciência: a base de todo o aprimoramento pessoal é o desenvolvimento da consciência humana, para que todos percebamos com o máximo de lucidez possível qual é a nossa condição pessoal e coletiva, e quais as efetivas possibilidades de desenvolvimento que estão diante de nós. Aqui o AZ quer que respondamos conjuntamente à seguinte pergunta: como aproveitar todo o potencial da consciência humana para utilizá-la como força impulsionadora de nosso aprimoramento individual e coletivo?

Tempo de amor: o fundamento do aprimoramento pessoal é a qualidade de nossas relações com as outras pessoas, pois essas relações são a principal fonte de felicidade, mas também podem representar uma potencial origem de entraves para esse desenvolvimento. Aqui buscamos responder à seguinte pergunta: como ter relações humanas saudáveis e gratificantes com nossos familiares, amigos e companheiros, tornando-as relações em que nos estimulemos mutuamente a buscar a melhor versão de nós mesmos?

Tempo de realizar: esse é o espaço de aprimoramento pessoal dedicado a abordagem das formas possíveis de concretizarmos nossos sonhos individuais, inclusive os de natureza profissional, pois o propósito pessoal está diretamente vinculado à nossa evolução profissional. Aqui buscamos responder à seguinte pergunta: quais são as ferramentas e técnicas conceituais que podemos utilizar para realizar os nossos maiores sonhos e o nosso propósito de vida?

Tempo de saúde: não só a própria consciência humana, mas também nossa capacidade de desenvolver o aprimoramento pessoal estão estreitamente vinculadas à nossa disposição e energia física, pois são o combustível principal que temos em mãos. Mas não se trata só de saúde física, mas também do desenvolvimento da consciência corporal — ter consciência de nossa postura física, dos alimentos que ingerimos e dos hábitos que estimulam ou limitam nossa energia. Aqui pretendemos responder coletivamente à seguinte pergunta: quais hábitos impedem e quais hábitos estimulam a maximização de nossa saúde e energia física e o desenvolvimento de nossa consciência corporal?

Tempo de saber: como base para o aprimoramento coletivo, só conseguimos encontrar respostas para os grandes entraves que impedem a evolução das instituições se formos dotados do correto conhecimento sobre as coisas do mundo. Aqui buscamos responder conjuntamente à seguinte pergunta: o que precisamos saber sobre as experiências do passado e as inovações do presente e que possa ser útil para formularmos alternativas destinadas a aprimorar a sociedade?

Tempo de cidadania: o aprimoramento coletivo na busca de uma sociedade evoluída depende não do Estado e dos poderosos agentes que determinam, muitas vezes contra nossa vontade, os destinos das nações e do mundo — depende principalmente do desenvolvimento de uma consciência cidadã, do fortalecimento da cidadania. Aqui pretendemos responder conjuntamente à seguinte questão: como podemos atuar em nossa comunidade para que, enquanto cidadãos, possamos enfrentar e resolver as principais questões sociais que emperram o desenvolvimento humano?

Tempo de justiça: se nossa meta no aprimoramento coletivo é a contínua evolução das instituições sociais, então precisamos compreender a linguagem de programação básica que determina o funcionamento dessas instituições. E no mundo atual, essa linguagem de programação é o direito. Que as regras e princípios determinam o desenvolvimento da sociedade e como ajustá-las para que nossas instituições sejam aprimoradas conforme nossas necessidade coletivas de justiça, prosperidade e liberdade?

 

E PARA NOSSO PAÍS?

Não há melhor país do mundo para testar um projeto como esse. O Brasil possui reconhecidamente enorme potencial devido às suas dimensões, recursos e posição geopolítica, e no entanto é um país que ciclicamente afunda em crises que emperram a evolução de toda a sociedade. É como um ser humano dotado de vigor e potencial, mas que por algum motivo está preso em um emaranhado de impedimentos que bloqueiam sua evolução.

O Brasil é o país do futuro, mas esse futuro jamais chega.

Aplicando a noção de aprimoramento pessoal como veículo de transformação e de aprimoramento coletivo realizado pela evolução das instituições existentes, o AZ entende que há um músculo atrofiado e ineficiente em nossa sociedade: a cidadania. Jamais a cidadania foi efetivamente atuante em nosso país. O Brasil até agora seguiu os rumos determinados por oligarquias públicas e privadas, que utilizam as ideologias apenas como discurso legitimador de seus desmandos, enquanto os cidadãos observavam tudo atônitos e impotentes — quando não ludibriados.

Mesmo agora neste momento os “novos” movimentos e grupos que se articulam no país são, na verdade, comprometidos com ideologias de direita e de esquerda, e muitas vezes até partidarizados — tudo para manter os cidadãos encilhados e inertes enquanto as mesmas oligarquias públicas e privadas continuam sua disputa pelo poder.

Os princípios republicanos e democráticos ainda não foram realmente implementados no Brasil, pois isso não depende do fortalecimento da classe política e dos partidos, e sim do fortalecimento dos cidadãos enquanto cidadãos, isto é, apenas quando tivermos cidadãos conscientes, independentes e atuantes no âmbito de sua vida pessoal e social é que teremos uma nação realmente republicana e democrática.

Por isso o AZ criou um grupo embrionário de debate chamado República AZ, em que pretendemos responder à seguinte pergunta: o que precisamos saber e como precisamos atuar enquanto cidadãos livres de comprometimentos ideológicos e partidários para que os princípios republicanos e democráticos realmente sejam implementados no Brasil?

 

JUNTE-SE A NÓS

O AZ já conta com colaboradores (que desenvolvem atividades) e apoiadores (que contribuem com a iniciativa) inspirados pelo nosso propósito de auxiliar no nascimento de um mundo mais evoluído. Se você identificou-se com nossas aspirações e propósito, entre em contato (clique aqui), participe e descubra como o AZ também pode ser seu espaço para o desenvolvimento pessoal e o fortalecimento da evolução coletiva!

escrito por:

Equipe Ano Zero

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