Capa do artigo "Que tal substituir os políticos por robôs?", de Rodrigo Zottis, em Ano Zero.

Que tal substituir os políticos por robôs?

Em Política por Rodrigo ZottisComentário

Pes­qui­sas recen­tes de opi­nião mos­tram que a con­fi­ança em polí­ti­cos dimi­nuiu rapi­da­mente nas soci­e­da­des oci­den­tais e que os elei­to­res têm usado cada vez mais as urnas como meio de pro­testo.

Isso não quer dizer que as pes­soas per­de­ram o inte­resse na polí­tica. Pelo con­trá­rio, há evi­dên­cias de um cres­cente enga­ja­mento em for­mas alter­na­ti­vas de polí­tica, suge­rindo que as pes­soas per­ma­ne­cem poli­ti­ca­mente enga­ja­das — mas per­de­ram a fé na polí­tica par­ti­dá­ria tra­di­ci­o­nal.

Mais espe­ci­fi­ca­mente, os elei­to­res sen­tem que os par­ti­dos polí­ti­cos atu­ais são muito seme­lhan­tes e que os polí­ti­cos estão pre­o­cu­pa­dos demais com seus pró­prios inte­res­ses. Elei­to­res insa­tis­fei­tos acre­di­tam que os par­ti­dos são gui­a­dos por gran­des inte­res­ses, fazendo negó­cios com gran­des sin­di­ca­tos ou empre­sas e que, por­tanto, seu voto não faz dife­rença alguma.

Outro fator que tem influ­en­ci­ado os elei­to­res é a ascen­são de par­ti­dos popu­lis­tas com um pro­grama pro­gres­sista radi­cal e o cres­ci­mento de teo­rias da cons­pi­ra­ção que ten­dem a refor­çar um sen­ti­mento de cinismo e uma visão fata­lista do sis­tema.

Bom, e onde entram os robôs nesse his­tó­ria?

Pensamento mecânico

Os robôs podem se tor­nar parte de nossa vida coti­di­ana mais cedo do que pen­sá­va­mos. A inte­li­gên­cia arti­fi­cial está pre­sente em quase todas as tec­no­lo­gias moder­nas, em diver­sos níveis, desde uma AI pri­má­ria em nos­sos celu­la­res a um tipo avan­çado em car­ros autô­no­mos. O futuro pro­mete auto­ma­ti­zar mui­tas tare­fas que atu­al­mente depen­dem de huma­nos e, con­se­quen­te­mente, será ape­nas uma ques­tão de tempo até auto­ma­ti­zar­mos algu­mas tare­fas polí­ti­cas tam­bém.

Qual seria a uti­li­dade de uma inte­li­gên­cia arti­fi­cial no mundo da polí­tica? Algu­mas tare­fas prá­ti­cas como “atuar sobre a eco­no­mia” podem ser melhor geren­ci­a­das por máqui­nas do que por nós.

Gas­tos gover­na­men­tais exor­bi­tan­tes, por falta de com­pe­tên­cia admi­nis­tra­tiva dos polí­ti­cos ou do Banco Cen­tral, podem levar um país à reces­são (temos vivên­cia nisso). Um soft­ware, por exem­plo, pode­ria con­tro­lar os orça­men­tos de deter­mi­nada região, levando a lei orça­men­tá­ria ao pé da letra, com a fina­li­dade de inves­tir em recur­sos espe­cí­fi­cos, cor­tar gas­tos, blo­quear sal­dos ou qual­quer outra tarefa pon­tual e prag­má­tica que uti­lize algum tipo de cál­culo como base.

Bolsa de Valores, gerenciada por inteligência artificial. Políticos robôs?

O uso de softwa­res para fins espe­cí­fi­cos na área polí­tica pro­va­ram ser extre­ma­mente vali­o­sos. Por exem­plo, enge­nhei­ros de trá­fego já deter­mi­nam a via­bi­li­dade de novos pro­je­tos de infra­es­tru­tura uti­li­zando pode­ro­sos softwa­res para simu­lar o trân­sito e pre­ver os flu­xos de trá­fego resul­tan­tes.

À pri­meira vista, isso parece pro­mis­sor, mas e quanto a outros assun­tos polí­ti­cos con­tro­ver­sos, tais como pro­ble­mas soci­ais ou eco­ló­gi­cos? Bol­sas para estudo, dis­tri­bui­ção de renda, cotas, união entre pes­soas do mesmo sexo ou a mai­o­ri­dade penal — estes são ape­nas alguns exem­plos de temas com­ple­xos que não podem ser solu­ci­o­na­dos por meio de cál­cu­los.
Nesse caso, deve­ría­mos ter uma inte­li­gên­cia arti­fi­cial pro­gra­mada pre­vi­a­mente com valo­res morais bem estru­tu­ra­dos para rea­li­zar essas deci­sões, mas o que garante que esse robô seguirá as nor­mas éti­cas “cor­re­tas”? Quais seriam essas “nor­mas cor­re­tas”, afi­nal?

Auto­ma­ti­zar 100% a polí­tica ainda parece inviá­vel, pois mesmo supondo que exista uma inte­li­gên­cia arti­fi­cial capaz de fazer jul­ga­men­tos morais, ela deve­ria ter valo­res morais pro­gra­ma­dos pré-defi­ni­dos por quem os pro­gra­mou e, dessa forma, pre­ci­sa­ría­mos de um “Con­gresso da Ética” res­pon­sá­vel por deba­ter e implan­tar tais códi­gos morais.

Con­tudo, uma vez com um sis­tema par­ci­al­mente auto­má­tico, tere­mos dimi­nuído grande parte da pro­ba­bi­li­dade de cor­rup­ção, dis­tri­bui­ção de pro­pi­nas e gas­tos exces­si­vos. Quase todas as bol­sas de valo­res no mundo são com­ple­ta­mente admi­nis­tra­das por uma inte­li­gên­cia arti­fi­cial, pois há um número absurdo de apli­ca­ções, ven­das e com­pras na bolsa, tor­nando impos­sí­vel que qual­quer humano possa admi­nis­trar essa tarefa na velo­ci­dade e pre­ci­são que um AI pode fazer. Embora orça­men­tos gover­na­men­tais não se baseiem em inves­ti­men­tos e retor­nos da mesma forma que o mer­cado de ações, um pro­grama de com­pu­ta­dor é mais con­fiá­vel que um ser humano para tare­fas de cál­culo, eli­mi­nando a pos­si­bi­li­dade de qual­quer polí­tico rea­li­zar alguma ação cor­rupta e colo­car a eco­no­mia inteira em xeque.


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Rodrigo Zottis
Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.

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