Pesquisas recentes de opinião mostram que a confiança em políticos diminuiu rapidamente nas sociedades ocidentais e que os eleitores têm usado cada vez mais as urnas como meio de protesto.

Isso não quer dizer que as pessoas perderam o interesse na política. Pelo contrário, há evidências de um crescente engajamento em formas alternativas de política, sugerindo que as pessoas permanecem politicamente engajadas – mas perderam a fé na política partidária tradicional.

Mais especificamente, os eleitores sentem que os partidos políticos atuais são muito semelhantes e que os políticos estão preocupados demais com seus próprios interesses. Eleitores insatisfeitos acreditam que os partidos são guiados por grandes interesses, fazendo negócios com grandes sindicatos ou empresas e que, portanto, seu voto não faz diferença alguma.

Outro fator que tem influenciado os eleitores é a ascensão de partidos populistas com um programa progressista radical e o crescimento de teorias da conspiração que tendem a reforçar um sentimento de cinismo e uma visão fatalista do sistema.

Bom, e onde entram os robôs nesse história?

Pensamento mecânico

Os robôs podem se tornar parte de nossa vida cotidiana mais cedo do que pensávamos. A inteligência artificial está presente em quase todas as tecnologias modernas, em diversos níveis, desde uma AI primária em nossos celulares a um tipo avançado em carros autônomos. O futuro promete automatizar muitas tarefas que atualmente dependem de humanos e, consequentemente, será apenas uma questão de tempo até automatizarmos algumas tarefas políticas também.

Qual seria a utilidade de uma inteligência artificial no mundo da política? Algumas tarefas práticas como “atuar sobre a economia” podem ser melhor gerenciadas por máquinas do que por nós.

Gastos governamentais exorbitantes, por falta de competência administrativa dos políticos ou do Banco Central, podem levar um país à recessão (temos vivência nisso). Um software, por exemplo, poderia controlar os orçamentos de determinada região, levando a lei orçamentária ao pé da letra, com a finalidade de investir em recursos específicos, cortar gastos, bloquear saldos ou qualquer outra tarefa pontual e pragmática que utilize algum tipo de cálculo como base.

Bolsa de Valores, gerenciada por inteligência artificial. Políticos robôs?

O uso de softwares para fins específicos na área política provaram ser extremamente valiosos. Por exemplo, engenheiros de tráfego já determinam a viabilidade de novos projetos de infraestrutura utilizando poderosos softwares para simular o trânsito e prever os fluxos de tráfego resultantes.

À primeira vista, isso parece promissor, mas e quanto a outros assuntos políticos controversos, tais como problemas sociais ou ecológicos? Bolsas para estudo, distribuição de renda, cotas, união entre pessoas do mesmo sexo ou a maioridade penal – estes são apenas alguns exemplos de temas complexos que não podem ser solucionados por meio de cálculos.
Nesse caso, deveríamos ter uma inteligência artificial programada previamente com valores morais bem estruturados para realizar essas decisões, mas o que garante que esse robô seguirá as normas éticas “corretas”? Quais seriam essas “normas corretas”, afinal?

Automatizar 100% a política ainda parece inviável, pois mesmo supondo que exista uma inteligência artificial capaz de fazer julgamentos morais, ela deveria ter valores morais programados pré-definidos por quem os programou e, dessa forma, precisaríamos de um “Congresso da Ética” responsável por debater e implantar tais códigos morais.

Contudo, uma vez com um sistema parcialmente automático, teremos diminuído grande parte da probabilidade de corrupção, distribuição de propinas e gastos excessivos. Quase todas as bolsas de valores no mundo são completamente administradas por uma inteligência artificial, pois há um número absurdo de aplicações, vendas e compras na bolsa, tornando impossível que qualquer humano possa administrar essa tarefa na velocidade e precisão que um AI pode fazer. Embora orçamentos governamentais não se baseiem em investimentos e retornos da mesma forma que o mercado de ações, um programa de computador é mais confiável que um ser humano para tarefas de cálculo, eliminando a possibilidade de qualquer político realizar alguma ação corrupta e colocar a economia inteira em xeque.


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Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.
FONTEIFL SCIENCE
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