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Como escolher a pessoa da sua vida

Em Comportamento, O MELHOR DO AZ por Tim UrbanComentário

(Tra­du­ção auto­ri­zada por Tim Urban, autor do texto ori­gi­nal em inglês, publi­cado no site Wait But Why)


Para uma pes­soa sol­teira e frus­trada, a vida pode às vezes se pare­cer com isso:


impressaoE à pri­meira vista, as pes­qui­sas pare­cem con­fir­mar esse cená­rio, suge­rindo que pes­soas casa­das são em média mais feli­zes que pes­soas sol­tei­ras e muito mais feli­zes ainda do que pes­soas sepa­ra­das [1]. Mas uma aná­lise mais detida revela que se você divi­dir as pes­soas casa­das em dois gru­pos base­a­dos na qua­li­dade do casa­mento, “as pes­soas que con­si­de­ram seus casa­men­tos pouco gra­ti­fi­can­tes são depri­mi­das e muito menos feli­zes do que pes­soas sol­tei­ras, e as pes­soas que con­si­de­ram seus casa­men­tos gra­ti­fi­can­tes são até mesmo mais feli­zes do que os rela­tó­rios cien­tí­fi­cos suge­rem” [2]. Em outras pala­vras, isto é o que está acon­te­cendo na rea­li­dade:

img2Pes­soas sol­tei­ras e insa­tis­fei­tas deve­riam na ver­dade enxer­gar a si mes­mas em uma posi­ção neu­tra e acei­tá­vel, se com­pa­rada com o que sua situ­a­ção pode­ria ser. Uma pes­soa sol­teira que gos­ta­ria de encon­trar um rela­ci­o­na­mento gra­ti­fi­cante está a um passo de con­se­guir isso, de acordo com esta lista de tare­fas: “1) Encon­trar um rela­ci­o­na­mento gra­ti­fi­cante”. Pes­soas que estão em rela­ções infe­li­zes, por outro lado, estão a três pas­sos de con­se­guir a mesma coisa, de acordo com a lista de tare­fas: “1) Supor­tar uma sepa­ra­ção dolo­rosa; 2) Recu­pe­rar-se emo­ci­o­nal­mente; 3) Encon­trar um rela­ci­o­na­mento gra­ti­fi­cante”. Não é tão ruim assim quando você olha dessa maneira, certo?

Todas as pes­qui­sas sobre como a feli­ci­dade varia tanto entre casa­men­tos feli­zes e infe­li­zes faz total sen­tido. Afi­nal, é a pes­soa da sua vida.

Pen­sar no quanto é incri­vel­mente impor­tante esco­lher a pes­soa da sua vida é o mesmo que pen­sar no quão vasto o uni­verso real­mente é ou no quanto a morte é mesmo assus­ta­dora — inter­na­li­zar a rea­li­dade por trás des­sas ideias é algo pesado demais, então nós não pen­sa­mos tanto assim a res­peito e per­ma­ne­ce­mos numa leve nega­ção da gra­vi­dade da situ­a­ção.

Mas dife­rente da morte e do tama­nho do uni­verso, esco­lher uma com­pa­nhia para toda a sua vida está com­ple­ta­mente no seu con­trole, então é fun­da­men­tal dei­xar per­fei­ta­mente claro para você mesmo o quanto essa deci­são é real­mente impor­tante e ana­li­sar com aten­ção os fato­res mais deter­mi­nan­tes que levam a tal esco­lha.

Então, o quanto ela é real­mente impor­tante?

Bom, vamos come­çar sub­traindo sua idade de 90. Se você tiver uma vida longa, o resul­tado dessa sub­tra­ção é mais ou menos o número de anos em que você vai pas­sar ao lado da pes­soa que esco­lher.

Tenho cer­teza de que nin­guém com mais de 80 lê meus tex­tos, então não importa quem você é, isso é um bocado de tempo — e pra­ti­ca­mente a tota­li­dade do resto da sua exis­tên­cia.

(Claro, as pes­soas se sepa­ram, mas você acha que não vai acon­te­cer com você. Um estudo recente mos­trou que 86% das pes­soas mais jovem pres­su­põem que seu atual ou futuro casa­mento vai durar para sem­pre, e duvido que pes­soas mais velhas pen­sem de modo dife­rente. Então vamos pros­se­guir com essa pres­su­po­si­ção).

E quando você esco­lhe a pes­soa de sua vida, você está esco­lhendo um monte de coi­sas, incluindo seu par­ceiro na cri­a­ção de filhos e alguém que influ­en­ci­ará pro­fun­da­mente suas cri­an­ças, o seu acom­pa­nhante para cerca de 20 mil refei­ções, a sua com­pa­nhia de via­gem para cerca de 100 férias, seu prin­ci­pal amigo para os perío­dos de lazer e para apo­sen­ta­do­ria, o con­se­lheiro da sua car­reira e alguém que você vai ouvir con­tar como foi o dia mais ou menos umas 18 mil vezes.

Barra pesada.

Então con­si­de­rando que essa é, de longe, a coisa mais impor­tante da vida que pre­ci­sa­mos fazer do jeito certo, como é pos­sí­vel que tan­tas pes­soas boas, inte­li­gen­tes e em tudo o mais lógi­cas aca­bem esco­lhendo alguém que as deixa insa­tis­fei­tas e infe­li­zes?

Bom acon­tece que há um monte de fato­res con­tra nós:

As pes­soas ten­dem a ser incom­pe­ten­tes em saber o que que­rem de um rela­ci­o­na­mento

Pes­qui­sas mos­tra­ram que as pes­soas em geral são ruins, quando sol­tei­ras, em pre­di­zer o que mais tarde serão suas reais pre­fe­rên­cias num rela­ci­o­na­mento. Um estudo reve­lou que pes­soas que pro­cu­ram par­cei­ros em sites espe­ci­a­li­za­dos, quando ques­ti­o­na­das sobre suas pre­fe­rên­cias a res­peito de um rela­ci­o­na­mento, em geral con­tra­di­zem a si mes­mas minu­tos depois quando mos­tram na prá­tica o que real­mente pre­fe­rem [4].

Isso não deve­ria ser sur­presa — na vida, você usu­al­mente não fica com­pe­tente em algo até ter feito esse algo um mon­tão de vezes. Infe­liz­mente, pou­cas pes­soas têm a opor­tu­ni­dade de viven­ciar mais do que uns pou­cos, e olhe lá, rela­ci­o­na­men­tos sérios antes de toma­rem a grande deci­são. Sim­ples­mente não há tempo sufi­ci­ente para tor­nar-se com­pe­tente. E con­si­de­rando que as neces­si­da­des e a per­so­na­li­dade de uma pes­soa são um pouco dife­ren­tes quando ela está sol­teira e quando está em um rela­ci­o­na­mento, é difí­cil, quando sol­teiro, real­mente saber o que você quer ou pre­cisa de uma rela­ção.

A soci­e­dade não entende de rela­ci­o­na­men­tos e nos dá pés­si­mos con­se­lhos

A soci­e­dade nos enco­raja a per­ma­ne­cer des­pre­pa­ra­dos e dei­xar que o roman­tismo guie nos­sos pas­sos.

Se você começa um empre­en­di­mento, a sabe­do­ria con­ven­ci­o­nal afirma que que você será um empre­en­de­dor muito mais efi­ci­ente se você estu­dar algu­mas dis­ci­pli­nas de admi­nis­tra­ção de empre­sas na facul­dade, criar um plano de empre­en­di­mento con­sis­tente e ana­li­sar a per­for­mance do seu negó­cio dili­gen­te­mente. Isso é lógico, por­que essa é a maneira como  você se com­porta quando quer fazer alguma coisa bem feito e deseja mini­mi­zar os equí­vo­cos.

Mas se alguém vai para a facul­dade para apren­der como con­se­guir um par­ceiro para toda a vida e como ser parte de um rela­ci­o­na­mento sau­dá­vel, esque­ma­ti­zando um deta­lhado plano de ação para encon­trar essa pes­soa e man­tendo numa pla­ni­lha um orga­ni­zado e rigo­roso con­trole sobre seu pro­gresso, a soci­e­dade dirá que esse alguém é A) um robô exces­si­va­mente raci­o­nal; B) obce­cado demais com isso; e C) bas­tante esqui­si­tão.

Não, quando se trata de namo­rar, a soci­e­dade desa­prova que você pense demais nisso, ao invés de fazer outras coi­sas como con­fiar no des­tino, guiar-se por sua intui­ção e tor­cer pelo melhor. Se uma empre­sá­ria uti­li­zar na sua empresa os con­se­lhos que a soci­e­dade dá para um namoro, ela pro­va­vel­mente vai falir, mas se for bem suce­dida, em parte será devido ape­nas à sorte — e é assim que a soci­e­dade quer que você lide com os namo­ros.

A soci­e­dade estig­ma­tiza quem expande inte­li­gente sua busca por par­cei­ros em poten­cial.

Em uma pes­quisa sobre o que é mais deter­mi­nante para paque­rar­mos alguém, se nos­sas pre­fe­rên­cias ou as opor­tu­ni­da­des que se apre­sen­tam, as opor­tu­ni­da­des ganham de lavada — nossa esco­lha por uma paquera é “98% uma res­posta às con­di­ções de mer­cado e somente 2% uma expres­são de dese­jos imu­tá­veis. Nossa deci­são por ficar com alguém alto, baixo, gordo, magro, ousado ou edu­cado é gover­nada em mais de 90 por cento pelo que aquela espe­cí­fica noite tem a ofe­re­cer” [5]

Em outras pala­vras, as pes­soas aca­bam esco­lhendo alguém da lista de opções que tem diante de si, não importa quão pou­cas afi­ni­da­des pos­sam ter com aque­les can­di­da­tos. A con­clu­são óbvia é que, à exce­ção de pes­soas muito asse­di­a­das e pro­cu­ra­das, todas as demais que pro­cu­ram por um par­ceiro deve­riam estar mar­cando encon­tros pela inter­net, entrando em sites de rela­ci­o­na­men­tos e recor­rendo a outros sis­te­mas cri­a­dos para ampliar a lista de can­di­da­tos de uma forma inte­li­gente.

Mas a boa e velha soci­e­dade desa­prova que faça­mos isso, e as pes­soas em geral são rece­o­sas demais de dizer que encon­tra­ram o seu marido ou esposa em um site de encon­tros. A forma soci­al­mente res­pei­tá­vel de encon­trar um par­ceiro para toda a vida é a pura sorte, ati­rando-se ale­a­to­ri­a­mente na busca ou apre­sen­tando-se aos can­di­da­tos de uma pequena lista de opções. Feliz­mente, esse estigma está dimi­nuindo com o tempo, mas no final ele é um exem­plo do quão iló­gico é o livro de regras sobre encon­tros amo­ro­sos escrito pela soci­e­dade.

A soci­e­dade nos apressa.

Em nosso mundo, a prin­ci­pal regra é casar-se antes que seja tarde — e “ser tarde” varia dos 25 aos 35 anos, depen­dendo de onde você vive. A regra deve­ria ser: “faça o que fizer, não case com a pes­soa errada”. Mas a soci­e­dade desa­prova muito mais se você for uma pes­soa sol­teira com 37 anos do que se você for uma pes­soa casada com 37 anos mas em um rela­ci­o­na­mento infe­liz e com dois filhos. Isso não faz sen­tido nenhum — na pri­meira situ­a­ção, você está a um passo de um casa­mento feliz, enquanto na segunda situ­a­ção ou você se con­forma à infe­li­ci­dade per­ma­nente ou suporta o inferno de uma sepa­ra­ção ape­nas para che­gar aonde já está a pes­soa sol­teira.

Nossa bio­lo­gia não nos ajuda em nada

A bio­lo­gia humana se desen­vol­veu faz muito tempo e não com­pre­ende o con­ceito de ter uma cone­xão pro­funda com uma mesma pes­soa por 50 anos.

Quando come­ça­mos a sair com alguém e sen­ti­mos a mais tênue pon­tada de exci­ta­ção, nossa bio­lo­gia diz “ok, vamos fazer sexo” e nos bom­bar­deia com subs­tân­cias quí­mi­cas des­ti­na­das a nos fazer aca­sa­lar (luxú­ria), apai­xo­nar-se (a fase da Lua de Mel) e então assu­mir um com­pro­misso a longo prazo (apego). Nosso cére­bro pode resis­tir a esse pro­cesso se não esti­ver­mos muito a fim de uma pes­soa, mas de regra em todos aque­les casos típi­cos em que a coisa certa a fazer seria não parar e con­ti­nuar na pro­cura de alguém melhor, nós fre­quen­te­mente sucum­bi­mos à mon­ta­nha-russa quí­mica e ter­mi­na­mos num noi­vado.

O reló­gio bio­ló­gico é um filha-da-puta.

Para uma mulher que deseja ter filhos bio­ló­gi­cos com seu marido, há uma genuína limi­ta­ção em jogo, que é a neces­si­dade de encon­trar o par­ceiro certo até os qua­renta anos mais ou menos. Esse é um fato de merda, que torna um pro­cesso já muito difí­cil algo ainda mais estres­sante. De qual­quer modo, se fosse comigo, eu pre­fe­ri­ria ado­tar cri­an­ças com o par­ceiro certo do que ter filhos bio­ló­gi­cos com o par­ceiro errado.

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Então quando você pega pes­soas que não são muito boas em saber o que real­mente que­rem de um rela­ci­o­na­mento, coloca-as em uma soci­e­dade que lhes diz que pre­ci­sam encon­trar um par­ceiro para toda a vida mas não devem pen­sar muito nisso, nem fazer mui­tas explo­ra­ções, e ainda por cima pre­ci­sam se apres­sar, e coloca no meio disso tudo uma bio­lo­gia que nos deixa dro­ga­dos enquanto ten­ta­mos enten­der o que está acon­te­cendo e que pro­mete parar de pro­du­zir filhos se demo­rar­mos demais, o que você tem?

Você tem um fes­ti­val de gran­des deci­sões fei­tas por pés­si­mos moti­vos e um mon­tão de pes­soas fazendo uma con­fu­são danada na hora de tomar a deci­são mais impor­tante de suas vidas. Vamos dar uma olhada em alguns dos tipos mais comuns de pes­soas que se tor­nam víti­mas de tudo isso e aca­bam em rela­ci­o­na­men­tos infe­li­zes:

O Roberto Super Romântico

img3O pro­blema do Roberto Super Român­tico é acre­di­tar que o amor é razão sufi­ci­ente para que case com alguém. O romance pode ser parte sig­ni­fi­ca­tiva de um rela­ci­o­na­mento, e o amor é um ingre­di­ente chave para um casa­mento feliz, mas sem um monte de outras coi­sas impor­tan­tes, essas duas sim­ples­mente não são sufi­ci­en­tes.

A pes­soa exces­si­va­mente român­tica repe­ti­da­mente ignora aquela voz inte­rior que tenta falar quando ele e sua namo­rada estão cons­tan­te­mente bri­gando ou quando ele se sente muito pior em um rela­ci­o­na­mento do que se sen­tia sol­teiro. A pes­soa cala essa voz inte­rior com pen­sa­men­tos como “Tudo acon­tece por uma razão e o jeito que nos conhe­ce­mos não pode ser só coin­ci­dên­cia” e “Estou com­ple­ta­mente apai­xo­nado por ela, e isso é tudo o que importa”. Quando uma pes­soa exces­si­va­mente român­tica acre­dita ter encon­trado sua alma-gêmea, ela para de ques­ti­o­nar as coi­sas, e vai se agar­rar a essa crença o tempo todo durante os seus 50 anos de casa­mento infe­liz.

Frida Temerosa

img4O medo é um dos pio­res fato­res numa tomada de deci­são que envolve esco­lher um par­ceiro para toda a vida. Infe­liz­mente, da forma como a soci­e­dade fun­ci­ona, o medo começa a infec­tar qual­quer pes­soa raci­o­nal lá pelos seus vinte anos. Os tipos de medo que a soci­e­dade (e fami­li­a­res, e ami­gos) nos impõe (medo de ser o último amigo sol­teiro, medo de ser um pai mais velho, às vezes só o medo de ser jul­gado ou ser objeto de comen­tá­rios) são os tipos de medo que nos levam a esco­lher alguém não-muito-legal como par­ceiro. A iro­nia é que o único medo raci­o­nal que deve­ría­mos ter é o medo de pas­sar o resto de nos­sas vidas infe­li­zes ao lado da pes­soa errada — o exato des­tino que as pes­soas movi­das pelo medo cor­rem o risco de ter por esta­rem bus­cando não cor­rer ris­cos.

Eduardo Influenciável

eduO Edu­ardo Influ­en­ciá­vel deixa que os outros tenham uma par­ti­ci­pa­ção pre­pon­de­rante demais na sua esco­lha de um par­ceiro. A esco­lha de uma par­ceiro para toda a vida é pro­fun­da­mente pes­soal, enor­me­mente com­pli­cada, dife­rente para cada um e quase impos­sí­vel de um obser­va­dor externo com­pre­en­der, não importa o quão bem você conheça uma pes­soa. Assim, a opi­nião dos outros e suas pre­fe­rên­cias real­mente não tem nenhum lugar para ocu­par nessa his­tó­ria, salvo casos extre­mos que envol­vem maus-tra­tos ou outras for­mas de abuso.

O exem­plo mais triste disso é alguém que ter­mina um rela­ci­o­na­mento com alguém que seria o par­ceiro certo para viver ao seu lado por toda a vida ape­nas por causa da repro­va­ção de ter­cei­ros ou por algum fator com o qual a pes­soa real­mente não se importa (reli­gião é um fator comum) mas que se sente com­pe­lida a con­si­de­rar devido à pres­são ou expec­ta­ti­vas fami­li­a­res.

Isso pode acon­te­cer no sen­tido inverso, quando todos na vida de alguém estão empol­ga­dos com seu atual rela­ci­o­na­mento por­que ele parece ótimo do lado de fora, e ape­sar de não ser assim tão bom do lado de den­tro, o Edu­ardo Influ­en­ciá­vel escuta os outros, ignora seus ins­tin­tos e entra em um casa­mento.

Susana Superficial

img61A Suzana Super­fi­cial está mais pre­o­cu­pada com a des­cri­ção exte­rior de seu par­ceiro do que com a real per­so­na­li­dade que está por trás disso. Há uma lista de itens que ela pre­cisa che­car — coi­sas como o peso dele, o pres­tí­gio do seu tra­ba­lho, sua riqueza, suas con­quis­tas ou tal­vez um item inu­si­tado como ser estran­geiro ou ter um talento espe­cí­fico.

Todo mundo tem cer­tos itens que gos­ta­ria de che­car, mas uma pes­soa for­te­mente gui­ada por seu ego pri­o­ri­zará as apa­rên­cias e o cur­ri­cu­lum vitae até mesmo mais do que a qua­li­dade da cone­xão com o seu poten­cial par­ceiro, quando pesar todas as coi­sas.

Se você qui­ser um termo novo e diver­tido, sig­ni­fi­ca­tivo para des­cre­ver aque­les que você sus­peita que foram esco­lhi­dos por alguém mais por causa dos qua­dra­di­nhos que pre­en­chem do que por sua real per­so­na­li­dade, o nome seria: “namo­rado-bingo” ou “namo­rada-bingo”, pois eles pre­en­chem cor­re­ta­mente todos os núme­ros do car­tão. Eu tenho uma boa milha­gem com esse tipo de coisa.

Gustavo Egoísta

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Há três tipos de egoís­tas, com algu­mas vari­a­ções e com­bi­na­ções entre eles:

1) O tipo “ou é do meu jeito ou cai fora”

Esse tipo de pes­soa não aceita sacri­fí­cio ou com­pro­misso. Ela acre­dita que suas neces­si­da­des, dese­jos e opi­niões são sim­ples­mente mais impor­tan­tes que as de seu par­ceiro, e ela pre­cisa se impor em pra­ti­ca­mente todas as prin­ci­pais deci­sões. No final, ela não quer uma rela­ção ver­da­deira, pois quer man­ter sua vida de sol­teira e ter alguém ao lado para fazer com­pa­nhia.

Esse tipo de pes­soa ine­vi­ta­vel­mente ter­mina, na melhor das hipó­te­ses, com alguém super tole­rante, e na pior, com alguém mani­pu­lá­vel e com pro­ble­mas de auto­es­tima, e sacri­fica sua chance de ser parte de um time de iguais, quase cer­ta­mente limi­tando a qua­li­dade poten­cial de seu casa­mento.

2) O Pro­ta­go­nista

O pro­blema trá­gico do Pro­ta­go­nista é ser imen­sa­mente auto-absor­vido. Ele quer um par­ceiro que sirva tanto como tera­peuta quanto como grande fã, mas está bem pouco inte­res­sado em retri­buir o favor. A cada noite, ele e seu par­ceiro falam de seus dias, mas 90% da con­versa gira em torno do seu dia — afi­nal, ele é o pro­ta­go­nista da rela­ção. A ques­tão dele é que ao ser inca­paz de dis­tan­ciar-se um pouco de seu uni­verso pes­soal, ele acaba com um coad­ju­vante como par­ceiro, o que faz seus pró­xi­mos 50 anos extre­ma­mente abor­re­ci­dos.

3) O Neces­si­tado

Todo mundo tem neces­si­da­des, e todo mundo gosta de ter essas neces­si­da­des satis­fei­tas, mas o pro­blema surge quando a con­ver­gên­cia de neces­si­da­des (ela cozi­nha para mim, ele seria um grande pai, ela seria uma grande esposa, ele é rico, ela me ajuda a me orga­ni­zar, ela é ótima na cama) tor­nam-se o fator prin­ci­pal para esco­lher um par­ceiro. Essas coi­sas lis­ta­das são óti­mas van­ta­gens, mas elas são só isso — van­ta­gens. E depois de um ano de casa­mento, quando a pes­soa ori­en­tada por suas neces­si­da­des está já total­mente acos­tu­mada a ter suas neces­si­da­des aten­di­das e isso não já é mais exci­tante, é melhor que exis­tam mui­tas outras coi­sas posi­ti­vas em seu rela­ci­o­na­mento, senão ela terá per­dido seu tempo.

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A prin­ci­pal razão para a mai­o­ria dos tipos acima aca­ba­rem em um rela­ci­o­na­mento infe­liz é que elas estão domi­na­das por uma moti­va­ção que não con­si­dera a rea­li­dade do que é uma par­ceira para toda a vida e o que faz dessa par­ce­ria algo feliz.

Então o que faz uma feliz par­ce­ria para toda a vida?

img8Fre­quen­te­mente, a chave para ter sucesso em lidar com algo muito grande é que­brar esse algo em suas meno­res par­tes e focar em como ser bem suce­dido em lidar com um só pedaço.

Acho que a mesma ideia se aplica ao casa­mento.

Visto a dis­tân­cia, um grande casa­mento é uma his­tó­ria de amor arre­ba­ta­dora, como um casa­mento em um livro ou filme. E isso é uma forma legal e poé­tica de olhar um casa­mento em sua tota­li­dade.

Mas a feli­ci­dade humana não está em gran­des pin­ce­la­das arre­ba­ta­do­ras, pois não vive­mos em gran­des obras de arte — esta­mos pre­sos nos peque­nos e pouco gla­mou­ro­sos mean­dros do tecido da vida, e é ali que nossa feli­ci­dade é deter­mi­nada.

Então se que­re­mos encon­trar um casa­mento feliz, nós pre­ci­sa­mos aten­tar para os peque­nos deta­lhes — pre­ci­sa­mos olhar um casa­mento e ampliá-lo para ver que ele não é feito de momen­tos poé­ti­cos, mas de vinte mil quar­tas-fei­ras mun­da­nas.

Casa­mento não é a Lua-de-Mel na Tai­lân­dia — é o quarto dia da 56ª férias em que via­jam jun­tos. Casa­mento não é cele­brar a con­clu­são da com­pra do pri­meiro apar­ta­mento  — é ter que jan­tar naquele apar­ta­mento pela 4.386ª noite. E com cer­teza casa­mento não é o Dia dos Namo­ra­dos.

Casa­mento é viver a quarta-feira esque­cí­vel. Jun­tos.

Então vou dei­xar as bor­bo­le­tas e os bei­jos na chuva e o sexo duas vezes por dia com você (você vai se encar­re­gar dessa parte, tenho cer­teza) e usar o resto deste texto para ten­tar des­co­brir a melhor forma de tor­nar a quarta-feira esque­cí­vel tão feliz quanto pos­sí­vel.

Para supor­tar vinte mil dias com outro ser humano e fazer isso com feli­ci­dade, há três ingre­di­en­tes neces­sá­rios:

1) Uma ami­zade épica 

Eu gosto de pas­sar meu tempo com a mai­o­ria dos meus ami­gos — é isso que faz deles meus ami­gos. Mas com cer­tos ami­gos, o tempo com eles tem uma qua­li­dade tão ele­vada, é tão inte­res­sante e diver­tido que eles pas­sam no Teste do Engar­ra­fa­mento.

Alguém passa no Teste do Engar­ra­fa­mento quando eu ter­mino um encon­tro com a pes­soa e um de nós está dando carona ao outro de volta para casa, e eu me des­cu­bro ansi­ando por um engar­ra­fa­mento. Isso é o quanto eu apre­cio o tempo que passo com eles.

Pas­sar no Teste do Engar­ra­fa­mento diz mui­tas coi­sas. Isso sig­ni­fica que mer­gu­lhei naquele envol­vi­mento, sinto-me revi­go­rado com ele e estou no extremo oposto de alguém que está abor­re­cido.

Para mim, quase nada é tão crí­tico na busca por um par­ceiro para toda vida do que pas­sar no Teste do Engar­ra­fa­mento. Quando há pes­soas na sua vida que pas­sa­ram no Teste do Engar­ra­fa­mento, é ver­go­nhoso gas­tar 95% do resto de sua vida ao lado de alguém que foi repro­vado.

Uma ami­zade que pas­sou no Teste do Engar­ra­fa­mento implica em:

 

  • Um grande senso de humor. Pois nin­guém quer pas­sar déca­das fin­gindo rir.
  • Diver­são. E a capa­ci­dade de extrair diver­são de situ­a­ções que não são diver­ti­das — atra­sos no aero­porto, lon­gas horas no trân­sito, filas… Não é sur­presa que pes­qui­sas suge­rem que o mon­tante de diver­são que um casal tem é um fator deter­mi­nante no seu futuro [5].
  • Um res­peito pela mente do outro e por sua forma de pen­sar. Um bom par­ceiro de vida tam­bém desem­pe­nha o papel de tera­peuta da car­reira e da vida, e se você não res­peita o modo como a outra pes­soa pensa, você não vai que­rer que ela lhe diga sua opi­nião sobre cada dia seu, ou sobre qual­quer outra coisa inte­res­sante que surja na sua cabeça, pois você real­mente não se importa muito com o que ela tem a dizer a res­peito.
  • Um número decente de inte­res­ses, ati­vi­da­des e pre­fe­rên­cias em comum. Caso con­trá­rio, muito daquilo que faz você ser quem você é aca­bará ine­vi­ta­vel­mente se tor­nando uma parte muito pequena da sua vida, e você e seu par­ceiro de vida irão se esfor­çar muito para encon­trar for­mas prazerosas de pas­sar um sábado jun­tos.

Uma ami­zade que passa no Teste do Engar­ra­fa­mento melhora cada vez mais com o tempo, e tem um espaço infi­nito para se apro­fun­dar e se enri­que­cer cada vez mais.

2) Um sen­ti­mento de estar em casa

Se alguém lhe dis­sesse que pre­cisa sen­tar em uma cadeira por 12 horas sem se mexer, além de se per­gun­tar por­que infer­nos estão fazendo você pas­sar por isso, seu pri­meiro pen­sa­mento seria “é melhor eu sen­tar na posi­ção mais con­for­tá­vel pos­sí­vel” — por­que você sabe que mesmo o mínimo des­con­forto ini­cial irá aumen­tar até se tor­nar dor e, em algum momento, uma tor­tura. Quando você tem que fazer alguma coisa por muito, muito tempo, é melhor que isso seja supre­ma­mente con­for­tá­vel.

Quando se trata de casa­mento, um “des­con­forto” per­ma­nente entre você e seu par­ceiro pode se tor­nar uma fonte per­ma­nente de infe­li­ci­dade, prin­ci­pal­mente por que isso aumenta com o tempo, tal como a tor­tu­rante situ­a­ção da cadeira. Sen­tir-se “em casa” sig­ni­fica sen­tir-se seguro, acon­che­gado, espon­tâ­neo e essen­ci­al­mente você mesmo, e para ter essa sen­sa­ção com um par­ceiro, algu­mas coi­sas pre­ci­sam estar pre­sen­tes: 

  • Con­fi­ança e segu­rança. Segre­dos são o veneno de um rela­ci­o­na­mento, pois eles for­mam um muro invi­sí­vel den­tro de um rela­ci­o­na­mento, dei­xando ambas as pes­soas de alguma forma soli­tá­rias em seu mundo — além disso, quem quer pas­sar 50 anos men­tindo ou se pre­o­cu­pando em escon­der algo? E do outro lado dos segre­dos haverá quase sem­pre a sus­peita, um con­ceito que colide dire­ta­mente com o con­ceito de lar. É por isso que ter um caso durante um bom casa­mento é uma das coi­sas mais auto­des­tru­ti­vas e mío­pes que uma pes­soa pode fazer.
  • Quí­mica natu­ral. Inte­ra­gir deve ser natu­ral e fácil, os níveis de ener­gia devem estar em pata­ma­res pró­xi­mos, e você deve sen­tir-se na mesma sin­to­nia em geral. Quando estou com alguém que está em uma sin­to­nia muito dife­rente da minha, não demora muito para que a inte­ra­ção se torne exaus­tiva.
  • Acei­ta­ção das falhas huma­nas. Você é imper­feito. Tipo, imper­feito mesmo. E seu par­ceiro atual ou futuro tam­bém. Ser imper­feito é parte da defi­ni­ção de ser um humano. E um dos pio­res des­ti­nos seria pas­sar a maior parte de sua vida sendo cri­ti­cado por suas imper­fei­ções e repre­en­dido por con­ti­nuar a tê-las. Isso não sig­ni­fica que as pes­soas não devam bus­car o auto-apri­mo­ra­mento, mas quando se trata da par­ce­ria de sua vida, a ati­tude mais sau­dá­vel é: “Cada pes­soa vem com um con­junto de imper­fei­ções, essas são as do meu par­ceiro, e elas são parte do pacote que volun­ta­ri­a­mente esco­lhi para pas­sar a minha vida toda ao lado”.
  • Uma vibra­ção posi­tiva. Lem­bre-se, essa é a vibra­ção da qual você faz parte agora, e para sem­pre. Não é real­mente acei­tá­vel que essa vibra­ção seja nega­tiva, nem isso é sus­ten­tá­vel. O pes­qui­sa­dor de rela­ci­o­na­men­tos John Gott­man des­co­briu que “casais com uma razão infe­rior a cinco inte­ra­ções posi­ti­vas por cada inte­ra­ção nega­tiva estão des­ti­na­dos a se sepa­ra­rem” [7]

3) A deter­mi­na­ção de ser bom no casa­mento

Rela­ci­o­na­men­tos são difí­ceis. Espe­rar ter uma exce­lente rela­ção sem tratá-la como um rigo­roso tra­ba­lho diá­rio é como espe­rar ter uma exce­lente car­reira sem colo­car nisso qual­quer esforço. Em uma era em que os seres huma­nos na maior parte do mundo podem usu­fruir da liber­dade e abrir seus pró­prios cami­nhos sozi­nhos, em geral não é muito con­for­tá­vel tor­nar-se de repente metade de algo e se com­pro­me­ter com um monte de coi­sas sobre as quais você cres­ceu sendo egoísta.

Então que habi­li­da­des alguém pre­cisa para apren­der a ser bom num casa­mento?

  • Comu­ni­ca­ção. Colo­car comu­ni­ca­ção nesta lista é tão idi­ota quanto colo­car “oxi­gê­nio” em uma lista de itens que você pre­cisa ter para ser sau­dá­vel. E ainda assim, a falta de comu­ni­ca­ção é a causa do fim de um grande núme­ros de casais — de fato, em um estudo sobre pes­soas sepa­ra­das, a qua­li­dade da comu­ni­ca­ção era a prin­ci­pal coisa que dizia ter mudado em sua pró­xima rela­ção [8]. É difí­cil comu­ni­car-se bem e de forma con­sis­tente — casais bem suce­di­dos fre­quen­te­mente pre­ci­sam criar sis­te­mas pré-pla­ne­ja­dos ou mesmo par­ti­ci­par de tera­pia para asse­gu­rar que a comu­ni­ca­ção ocorra.
  • Pre­ser­var a igual­dade. Os rela­ci­o­na­men­tos podem dege­ne­rar para uma dinâ­mica de poder desi­gual muito rapi­da­mente. Quando o humor de uma pes­soa sem­pre dita o humor na sala, quando as neces­si­da­des ou opi­niões de uma pes­soa sem­pre pre­va­le­cem sobre as da outra, quando uma pes­soa trata a outra de uma forma que ela jamais admi­ti­ria ser tra­tada — você tem um pro­blema.
  • Bri­gar bem. Bri­gar é ine­vi­tá­vel. Mas há for­mas ruins e for­mas boas de bri­gar. Quando um casal é bom em bri­gar, eles dis­si­pam a ten­são, abor­dam as coi­sas com humor e genui­na­mente escu­tam o outro lado, enquanto evi­tam jogar sujo, ape­lar ou ficar na defen­siva. Eles tam­bém bri­gam menos do que um casal infe­liz. De acordo com John Gott­man, 69% das bri­gas típi­cas de um casal são per­pé­tuas, fun­da­das em dife­ren­ças essen­ci­ais, e não podem ser solu­ci­o­na­das — e um casal habi­li­doso com­pre­ende isso e evita se envol­ver nes­sas bri­gas reiteradamente.[9]

Na busca pelo par­ceiro da sua vida ou na ava­li­a­ção de sua atual par­ce­ria, é impor­tante lem­brar que toda rela­ção é imper­feita e você pro­va­vel­mente não vai ter­mi­nar em um rela­ci­o­na­mento que tire nota 10 em cada um dos itens acima — mas você deve espe­rar sair-se bem na mai­o­ria deles, já que cada um deles deter­mina uma grande parte da feli­ci­dade de sua vida.

E como esta é uma enorme lista para se alcan­çar em um rela­ci­o­na­mento para toda a vida, você pro­va­vel­mente não vai que­rer tor­nar as coi­sas mais difí­ceis do que pre­ci­sam ser, insis­tindo exces­si­va­mente em mui­tos outros itens — a mai­o­ria dos quais não terá muita influên­cia na sua feli­ci­dade durante o 4.386ª jan­tar do seu casa­mento. Seria legal se ele tocasse vio­lão, mas tire isso da lista de itens obri­ga­tó­rios.

Espero que o Dia dos Namo­ra­dos tenha sido bom para você neste ano, seja o que for que tenha feito. Ape­nas se lem­bre que a Quarta-feira Esque­cí­vel é um dia muito mais impor­tante.


 

Fon­tes

Os fatos e opi­niões deste artigo são base­a­dos em uma com­bi­na­ção de dúzias de horas de pes­quisa, tanto de estu­dos cien­tí­fi­cos quanto de opi­niões de espe­ci­a­lis­tas, com a minha expe­ri­ên­cia pes­soal e obser­va­ção, assim como de alguns ami­gos e fami­li­a­res (mui­tos dos quais entre­vis­tei na última semana). Faço um agra­de­ci­mento espe­cial a Eric Bar­ker for seu exce­lente blog, Bar­king Up the Wrong Tree, do qual colhi várias das fon­tes deste post.

  1. http://www.telegraph.co.uk/news/politics/10090130/Marriage-makes-people-happier-than-six-figure-salaries-and-religion.html
  2. Mari­tal Sta­tus is Misun­ders­tood in Hap­pi­ness Models” from Dea­kin Uni­ver­sity, Faculty of Busi­ness and Law, School of Accoun­ting, Eco­no­mics and Finance; Eco­no­mics Series Paper # 2010_03.
  3. http://www.rawstory.com/rs/2012/08/08/most-young-adults-expect-marriage-for-life-study/
  4. Sex dif­fe­ren­ces in mate pre­fe­ren­ces revi­si­ted: Do peo­ple know what they ini­ti­ally desire in a roman­tic part­ner?” from Jour­nal of Per­so­na­lity and Social Psy­cho­logy by Eastwick, Paul W.; Fin­kel, Eli J.
  5. Can Anyone Be “The” One? Evi­dence on Mate Selec­tion from Speed Dating” from IZA Dis­cus­sion Papers, num­ber 2377.
  6. http://www.bakadesuyo.com/2013/10/recipe-for-a-happy-marriage-2/
  7. http://www.bakadesuyo.com/2011/12/is-5-to-1-the-golden-ratio-for-both-work-and/
  8. Terri Orbuch, Fin­ding Love Again: 6 Sim­ple Steps to a New and Happy Rela­ti­onship
  9. John Gott­man, The Mar­ri­age Cli­nic: A Sci­en­ti­fi­cally Based Mari­tal The­rapy
  10. Dan Wile, After the Honey­moon: How Con­flict Can Improve Your Rela­ti­onship
  11. Dolan, P., Peas­good, T., & White, M. (2008). Do we really know what makes us happy? A review of the eco­no­mic lite­ra­ture on the fac­tors asso­ci­a­ted with sub­jec­tive well-being. Jour­nal of Eco­no­mic Psy­cho­logy, 29, 94–122.

 


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Tim Urban
Formado em Ciências Políticas pela Harvard University, é autor do site Wait But Why e fundador da ArborBridge.

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