Os cientistas identificaram vínculos genéticos entre um conjunto de fatores psicológicos conhecidos como “os cinco grandes” traços de personalidade — extroversão, neuroticismo, sociabilidade, conscienciosidade e abertura à experiência — e dizem que eles também podem influenciar fatores de risco para certos distúrbios psiquiátricos.

Embora já foi estabelecido que a personalidade está parcialmente ligada à genética, estudos de associação do genoma como este permitirão que os investigadores façam exames com um olhar mais próximo em que as partes de nosso código do DNA afetam determinados aspectos de nosso caráter.

“Embora os traços de personalidade sejam hereditários, tem sido difícil caracterizar variantes genéticas associadas à personalidade até estudos de GWAS recentes, em larga escala”, explica o pesquisador Chi-Hua Chen da Universidade da Califórnia, em San Diego.

Chen e sua equipe analisaram dados genéticos, incluindo cerca de 60.000 amostras genéticas coletadas pela empresa privada 23andMe e cerca de 80.000 amostras fornecidas pelo Genetics of Personality Consortium.

Com tantos dados de DNA para trabalhar, eles foram capazes de procurar correlações entre características genéticas específicas, traços de personalidade e distúrbios psiquiátricos.

Sabemos que partes de nossa personalidade, como a inteligência, são uma combinação dos genes com os quais nascemos — nosso DNA herdado — e nossas experiências de vida, como o quão bons são nossos professores quando estamos crescendo.

Mas os cientistas não estão certos sobre como esses dois fatores se equilibram, o que torna a grande escala de estudos como este muito útil.

Os pesquisadores encontraram ligações entre certos genes e certas características. Por exemplo, os genes WSCD2 e PCDH15 estão ligados à extroversão, enquanto que o gene L3MBTL2 e o cromossoma 8p23.1 estão ligados ao neuroticismo.

Eles também descobriram que os genes relacionados ao neuroticismo e abertura à experiência foram agrupados juntos nas mesmas regiões como genes ligados a certos transtornos psiquiátricos.

Outras correlações genéticas mostraram conexões entre extraversão e transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH); Entre franqueza e esquizofrenia e transtorno bipolar; E entre neuroticismo e depressão e ansiedade.

Em outras palavras, as mesmas partes da codificação do DNA que ajudam a definir nossas personalidades também podem afetar nossa probabilidade de desenvolver problemas de saúde mental.

Isso não quer dizer que os genes com os quais nascemos definem nossa personalidade e tornam inevitáveis os problemas psiquiátricos, mas parece haver uma influência — e podem estar intimamente ligados entre si, com base nesses testes.

Por outro lado, a pesquisa não encontrou nenhuma sobreposição genética entre as doenças mentais e sociabilidade (ser cooperativo e compassivo), ou conscienciosidade (ser responsável e auto-disciplinado).

Ainda são os primeiros dias para a pesquisa, e o estudo mostrou apenas uma correlação, não uma ligação causativa entre traços de personalidade e certos distúrbios psicológicos, mas a equipe diz que, com mais investigação, poderemos ser capazes de encontrar uma maneira de prever e tratar essas desordens no futuro.

Como diz Chen:

“Nosso estudo está em uma fase inicial para a pesquisa genética na personalidade, e muitas das mais variantes genéticas associadas com traços de personalidade devem ser descobertas. Encontramos correlações genéticas entre traços de personalidade e transtornos psiquiátricos, mas variantes específicas subjacentes às correlações são desconhecidas.”


Tradução de Rodrigo Zottis do texto originalmente publicado em Science Alert.


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