Os protestos urbanos de junho de 2013, considerados entre os maiores movimentos políticos da história do país, apontaram para a crise do espaço público, onde se produzem e se enfrentam posições heterogêneas. Em nome de quê os brasileiros ocuparam as ruas de muitas cidades brasileiras em junho de 2013? Que tipo de mudanças os brasileiros querem? As respostas possíveis são muitas, como o leitor poderá acompanhar durante o I Seminário de Pesquisa Social: Brasil em crise, que acontecerá entre os dias 3 e 5 de junho na Universidade Federal do Espírito Santo, em Vitória.

A proposta da realização do evento visa atender a demanda por um amplo espaço de debate sobre a crise política brasileira, quando pudemos observar a degradação do espaço público a violência, o autoritarismo do Estado e o aparecimento de novos atores políticos, como os black blocs.

Nas ruas e nas redes sociais transparecem insatisfações de todo tipo. É como se uma bolha tivesse estourado e os brasileiros finalmente percebido a barbárie em volta, concluindo, aterrorizados, que não estão satisfeitos com o estado das coisas. As diversas mobilizações políticas constituíram um movimento que, apesar de difuso, se consolidou em algumas agendas e tem pautas bastante concretas, como a defesa do passe livre, o fim da violência cometida contra os indígenas, contra a PEC 37 (que restringe o poder de investigação do Ministério Público), dentre outras.

Não obstante, é preciso deixar claro que, salvo exceções – partidos políticos, coletivos e outros grupos organizados –, os manifestantes de junho de 2013 não formavam massas organizadas, mas sim o que o filósofo Theodor Adorno designou “multidões acidentais da cidade grande”. O caráter fracamente coeso de tais multidões heterogêneas poderia comprometer a nossa análise se ela tivesse pretensões de universalidade, o que não é o caso.

O I Seminário de Pesquisa Social é de natureza multidisciplinar, contando com pesquisadores das áreas de Filosofia, Ciências Sociais, Comunicação Social, Direito, Educação Física, História, Letras e Relações Internacionais. Assim, apresenta múltiplos olhares sobre os protestos urbanos que abalaram o Brasil em junho de 2013 e ainda repercutem às vésperas da Copa do Mundo.

O evento pressupõe que, nos regimes democráticos, todas as relações sociais devem ser resultado de uma negociação na qual se busca o consenso e se respeita a reciprocidade, com fundamento no melhor argumento. Cada interlocutor suscita uma pretensão de validade quando se refere a fatos, normas e vivências, e existe uma expectativa de que seu interlocutor possa, se assim o quiser, contestar essa pretensão de validade com argumentos.

Com essa proposta, convidamos você a debater conosco. Não é necessário fazer inscrição e a entrada é gratuita. Confirme sua presença aqui.

cinco

Programação

Local: Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES.

03 de junho, 19h – 21h

1. O Brasil em crise

David G. Borges (UFES), Marcelo Martins Barreira (UFES) e Vitor Cei (UFMG)

Debatedor: Thana Souza (UFES)

04 de junho, 16h – 18h

2. O papel desempenhado pela mídia na cobertura dos protestos

Palestrantes:Fabio Malini (UFES), Rafael Claudio Simões (UVV) e Rodrigo Cerqueira (UVV)

Debatedor: Attila Piovesan

04 de junho, 19h – 21h

3. A estratégia Black Bloc

Palestrantes: Davis Alvim (IFES), Mauricio Abdalla (UFES) e Paulo Resende (UVV)

Debatedor:Tom Gil (UFES)

05 de junho, 16h – 18h

4. A Copa do Mundo, as Olimpíadas e o que representam para o Brasil

Palestrantes: Adilson Vilaça, Luis Eustáquio Soares (UFES) eOtávio Tavares (UFES)

Debatedor:Sérgio da Fonseca Amaral (UFES)

05 de junho, 19h – 21h

5. Violência e autoritarismo do Estado

Palestrantes:Guilherme Moreira Pires (UBA),Humberto Ribeiro Junior (UVV/FDV) e Thiago Fabres de Carvalho (FDV)

Debatedor: Adolfo Oleare (IFES)

escrito por:

Vitor Cei

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