Se você precisa tentar ser cool, nunca será cool. Se você precisa tentar ser feliz, então nunca será feliz. Talvez o problema nos dias de hoje é que as pessoas estão simplesmente tentando demais.

Felicidade, como outras emoções, não é algo que você conquista, mas um hábito que você adquire. Quando você está furiosamente irritado e quase jogando uma chave-inglesa nas crianças do vizinho, não está autoconsciente sobre o seu estado de raiva. Não está pensando: “Estou realmente com raiva? Estou fazendo isso direito?” Não, você está em busca de sangue. Você tem e vive a raiva. Você é a raiva. E então ela se vai.

Assim como um homem confiante não sabe se é confiante, um homem feliz não sabe se é feliz. Ele simplesmente é.

Isso significa é que a felicidade não é alcançada por si mesma, mas é o efeito colateral de um determinado conjunto de experiências da vida em curso. Isso traz muita confusão pra as pessoas, especialmente porque a felicidade é comercializada nos dias de hoje como um sendo um fim em si mesmo. Compre X e seja feliz. Saiba Y e seja feliz. Mas você não pode comprar a felicidade e não pode alcançar a felicidade. Ela simplesmente acontece. E acontece no momento em que você ajusta as outras partes da sua vida.

FELICIDADE NÃO É O MESMO QUE PRAZER

Quando a maioria das pessoas busca a felicidade, estão na verdade buscando o prazer: boa comida, mais sexo, mais tempo para a TV e filmes, carro novo, festas com os amigos, massagens no corpo inteiro, perder 10 quilos, tornar-se mais popular, e assim por diante.

Mas por mais que o prazer seja grande, não é o mesmo que felicidade. O prazer está correlacionado com a felicidade, mas não é a sua causa. Pergunte a qualquer viciado em drogas como a sua busca de prazer acabou. Pergunte a um adúltero que acabou com seu casamento e perdeu seus filhos se o prazer acima de tudo o fez feliz. Pergunte a um homem que comeu tudo o que podia e quase a si mesmo sobre o quão feliz sua busca por prazer o fez sentir.

ser feliz: Tony Montana não parece muito feliz.
Tony Montana não parece muito feliz.

O prazer é um falso deus. Pesquisas mostram que as pessoas que concentram suas energias em prazeres materialistas e superficiais acabam mais ansiosas, mais emocionalmente instáveis e menos felizes no longo prazo. O prazer é a forma mais superficial de satisfação com a vida e, portanto, a mais fácil. Prazer é o que é comercializado para nós. É no que nos fixamos. É o que usamos para nos entorpecer e distrair. Mas o prazer, embora necessário, não é suficiente. Há algo a mais.

FELICIDADE NÃO EXIGE A REDUÇÃO DAS EXPECTATIVAS

Um opinião bem popular atualmente é a de que as pessoas estão cada vez mais infelizes, porque estamos todos narcisistas e crescemos nos dizendo que somos flocos de neve especiais e únicos e que vão mudar o mundo, e temos o Facebook constantemente nos dizendo como a vida de todos é incrível, mas a nossa não, então todos nós nos sentimos um lixo e queremos saber onde tudo deu errado. Ah, e tudo isso acontece lá pelos 23 anos de idade.

Lamento, mas não. Dê às pessoas um pouco mais de crédito do que isso.

Por exemplo, um amigo meu recentemente começou um negócio de alto risco. Ele secou a maioria de suas economias tentando fazê-lo funcionar e falhou. Hoje, ele está mais feliz do que nunca por sua experiência. Ela lhe ensinou muitas lições sobre o que ele queria e não queria em sua vida, e eventualmente o levou ao seu trabalho atual, que ele ama. Ele é capaz de olhar para trás e se orgulhar do que foi para si mesmo, porque senão estaria até hoje se perguntando “e se?”, e isso o teria tornado mais infeliz do que qualquer outro fracasso teria.

O fracasso em atender às nossas próprias expectativas não é oposto à felicidade, e eu na verdade argumentaria que a capacidade de falhar e ainda apreciar a experiência é realmente um alicerce fundamental para a sermos felizes.

ser feliz: Não abaixe suas expectativas.
Não reduza suas expectativas.

Se você pensou que iria fazer R$ 100.000 e dirigir um Porsche imediatamente após terminar a faculdade, e então os seus padrões de sucesso estavam enviesados e superficiais, você confundiu o seu prazer com a felicidade, e o tapa doloroso da realidade batendo na sua cara será uma das melhores lições de vida que você receberá.

O argumento de que devemos “reduzir as expectativas” é vítima da mesma mentalidade antiga: de que a felicidade vem de fora. A alegria da vida não é ter um salário de R$ 100.000. É trabalhar para chegar a um salário de R$ 100.000 e, em seguida, trabalhar para um salário de R$ 200.000, e assim por diante.

Então, eu digo que eleve suas expectativas. Alongue o processo. Coloque em seu leito de morte uma lista de coisas a fazer com um quilômetro de comprimento, e sorria para as oportunidades infinitas concedidas a você. Crie normas ridículas para si mesmo e depois saborear o fracasso inevitável. Aprenda com esse fracasso. Vivencie-o. Deixe o chão se abrir sob seus pés e rochas caírem na sua cabeça porque é assim que algo surpreendente cresce, através das rachaduras no chão.

FELICIDADE NÃO É O MESMO QUE POSITIVIDADE

Provavelmente, você conhece alguém que sempre parece estar incrivelmente feliz, independentemente das circunstâncias ou situações. E possivelmente é uma das pessoas mais disfuncionais que você conhece. Negar as emoções negativas leva a mais profundas e prolongadas emoções negativas e à disfunção emocional.

ser feliz: Por favor, não.
Por favor, não.

É uma realidade simples: merda acontece. As coisas vão mal. As pessoas nos perturbam. Erros são cometidos e surgem as emoções negativas. E isso é bom. As emoções negativas são necessárias e saudáveis para manter uma base estável de felicidade na vida de alguém.

O truque com as emoções negativas é 1) expressá-las de uma forma socialmente aceitável e saudável e 2) expressá-las de uma forma que se alinhe com seus valores.

Um exemplo simples: um valor meu é manter a não-violência. Portanto, quando eu ficar com raiva de alguém, expressarei essa raiva, mas também evitarei socá-lo no rosto. É uma ideia radical, eu sei. (Mas eu realmente vou jogar uma chave-inglesa nas crianças do vizinho. Me teste pra ver.)

Há um monte de gente lá fora que subscreve a ideologia de “ser sempre positivo”. Essas pessoas devem ser evitadas tanto quanto alguém que pensa que o mundo é uma pilha interminável de merda. Se o seu nível de felicidade indica que você está sempre feliz, não importam as circunstâncias, provavelmente você tem assistido comédias americanas demais, e precisa de uma checagem de realidade (mas não se preocupe, eu prometo não dar um soco na sua cara).

Acho que parte do fascínio que o otimismo obsessivo exerce sobre nós se deve ao modo como nos é vendido. E suspeito que se deve ao fato de ele constantemente ser propagandeado por pessoas felizes e sorridentes na televisão. E desconfio que parte da responsabilidade é de algumas pessoas da indústria da auto-ajuda, que querem que você sinta que há algo de errado com você o tempo todo.

Ou talvez tudo se deva apenas ao fato de que somos preguiçosos e, como qualquer outra coisa das nossas vidas, nós queremos o resultado sem realmente ter que fazer o trabalho duro para obtê-lo.

O que me leva ao que realmente impulsiona a felicidade…

FELICIDADE É O PROCESSO DE TRANSFORMAR-SE NO IDEAL DE SI MESMO

Participar de uma maratona nos faz mais feliz do que comer um bolo de chocolate. Educar uma criança nos faz mais feliz do que “zerar” um jogo de vídeo game. Iniciar uma pequena empresa com os amigos, lutando para ganhar dinheiro, nos faz mais feliz do que comprar um novo computador.

E o engraçado é que todas as três atividades acima são extremamente desagradáveis e exigem que nutramos grandes expectativas e, potencialmente, falhemos ao tentar concretizá-las. No entanto, são algumas das atividades e momentos mais importantes e significativos de nossas vidas. Elas envolvem dor, luta, até mesmo raiva e desespero, mas, uma vez que as fizemos, nós olhamos para trás e ficamos com os olhos lacrimosos.

Por quê?

Porque é esse tipo de atividade que nos permite concretizar os nossos eus ideais. É a busca perpétua de cumprir os nossos eus ideais que nos concede felicidade, independentemente de prazeres superficiais ou dor, independentemente de emoções positivas ou negativas. É por isso que algumas pessoas estão felizes em guerra e os outros estão tristes em casamentos. É por isso que alguns são animados para trabalhar e outros odeiam festas. Os caminhos que estão seguindo não se alinham com os seus próprios ideais.

ser feliz eu ideal

Os resultados finais não definem nossos eus ideais. Não é terminar a maratona que nos faz feliz: é alcançar um objetivo difícil de longo prazo que faz. Não é ter um filho impressionante para mostrar ao mundo que nos faz feliz, mas saber que você se doou ao crescimento de outro ser humano que é especial. Não é o prestígio e dinheiro com o novo negócio que te faz feliz, é o processo de superação de todas as dificuldades junto com pessoas de quem você gosta.

E essa é a razão pela qual tentar ser feliz inevitavelmente vai fazer você infeliz. Porque tentar ser feliz implica em que você ainda não está buscando o seu eu ideal, você não está alinhado com as qualidades de quem você deseja ser. Afinal, se você estava agindo distintamente de seu eu ideal, então você não sente a necessidade de tentar ser feliz.

Palpites declaram que você deve “encontrar a felicidade dentro de si mesmo” e “saber que você é o suficiente.” Não é que a própria felicidade está em você, é que a felicidade ocorre quando você decide prosseguir o que está em você.

E é por isso que a felicidade é tão fugaz. Qualquer um que estabeleceu metas para sua vida apenas para atingi-las e daí perceber que sente a mesma quantidade de felicidade/infelicidade é que sabe que a felicidade sempre parece estar na próxima esquina, só esperando para nos encontrar. Não importa onde você está na vida, sempre haverá aquela mais uma coisa que você precisa fazer para ser extra-especialmente feliz.

E isso ocorre porque o nosso eu ideal está sempre na próxima esquina, sempre três passos à frente de nós. Sonhamos em ser músicos, e quando se é um músico, sonhamos em escrever uma trilha sonora, e quando escrevemos uma trilha sonora, sonhamos em escrever um roteiro. E o que importa não é que conseguimos cada um desses degraus de sucesso, mas que estamos nos movendo de forma consistente em relação a eles, dia após dia, mês após mês, ano após ano. Os degraus vêm e vão, e continuaremos a seguir o nosso eu ideal durante todo o caminho de nossas vidas.

E com isso, com lembranças aos que estão felizes, parece que o melhor conselho é também o mais simples: imagine o que você quer ser e depois siga em direção a isso. Sonhe grande e, em seguida, faça alguma coisa. Qualquer coisa. O simples ato de se mover ao fim das contas irá mudar a forma como você se sente sobre todo o processo, e servirá para inspirá-lo ainda mais.

Deixe de lado o resultado imaginado – não é necessário. A fantasia e o sonho são apenas ferramentas para que você se mexa.Não importa se eles se tornarão realidade ou não. Viva, pessoa. Apenas viva. Pare de tentar ser feliz e apenas seja.


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escrito por:

Mark Manson