ser feliz

Pare de tentar ser feliz!

Em Comportamento por Mark MansonComentário

Se você pre­cisa ten­tar ser cool, nunca será cool. Se você pre­cisa ten­tar ser feliz, então nunca será feliz. Tal­vez o pro­blema nos dias de hoje é que as pes­soas estão sim­ples­mente ten­tando demais.

Feli­ci­dade, como outras emo­ções, não é algo que você con­quista, mas um hábito que você adquire. Quando você está furi­o­sa­mente irri­tado e quase jogando uma chave-inglesa nas cri­an­ças do vizi­nho, não está auto­cons­ci­ente sobre o seu estado de raiva. Não está pen­sando: “Estou real­mente com raiva? Estou fazendo isso direito?” Não, você está em busca de san­gue. Você tem e vive a raiva. Você é a raiva. E então ela se vai.

Assim como um homem con­fi­ante não sabe se é con­fi­ante, um homem feliz não sabe se é feliz. Ele sim­ples­mente é.

Isso sig­ni­fica é que a feli­ci­dade não é alcan­çada por si mesma, mas é o efeito cola­te­ral de um deter­mi­nado con­junto de expe­ri­ên­cias da vida em curso. Isso traz muita con­fu­são pra as pes­soas, espe­ci­al­mente por­que a feli­ci­dade é comer­ci­a­li­zada nos dias de hoje como um sendo um fim em si mesmo. Com­pre X e seja feliz. Saiba Y e seja feliz. Mas você não pode com­prar a feli­ci­dade e não pode alcan­çar a feli­ci­dade. Ela sim­ples­mente acon­tece. E acon­tece no momento em que você ajusta as outras par­tes da sua vida.

FELICIDADE NÃO É O MESMO QUE PRAZER

Quando a mai­o­ria das pes­soas busca a feli­ci­dade, estão na ver­dade bus­cando o pra­zer: boa comida, mais sexo, mais tempo para a TV e fil­mes, carro novo, fes­tas com os ami­gos, mas­sa­gens no corpo inteiro, per­der 10 qui­los, tor­nar-se mais popu­lar, e assim por diante.

Mas por mais que o pra­zer seja grande, não é o mesmo que feli­ci­dade. O pra­zer está cor­re­la­ci­o­nado com a feli­ci­dade, mas não é a sua causa. Per­gunte a qual­quer vici­ado em dro­gas como a sua busca de pra­zer aca­bou. Per­gunte a um adúl­tero que aca­bou com seu casa­mento e per­deu seus filhos se o pra­zer acima de tudo o fez feliz. Per­gunte a um homem que comeu tudo o que podia e quase a si mesmo sobre o quão feliz sua busca por pra­zer o fez sen­tir.

ser feliz: Tony Montana não parece muito feliz.

Tony Mon­tana não parece muito feliz.

O pra­zer é um falso deus. Pes­qui­sas mos­tram que as pes­soas que con­cen­tram suas ener­gias em pra­ze­res mate­ri­a­lis­tas e super­fi­ci­ais aca­bam mais ansi­o­sas, mais emo­ci­o­nal­mente ins­tá­veis e menos feli­zes no longo prazo. O pra­zer é a forma mais super­fi­cial de satis­fa­ção com a vida e, por­tanto, a mais fácil. Pra­zer é o que é comer­ci­a­li­zado para nós. É no que nos fixa­mos. É o que usa­mos para nos entor­pe­cer e dis­trair. Mas o pra­zer, embora neces­sá­rio, não é sufi­ci­ente. Há algo a mais.

FELICIDADE NÃO EXIGE A REDUÇÃO DAS EXPECTATIVAS

Um opi­nião bem popu­lar atu­al­mente é a de que as pes­soas estão cada vez mais infe­li­zes, por­que esta­mos todos nar­ci­sis­tas e cres­ce­mos nos dizendo que somos flo­cos de neve espe­ci­ais e úni­cos e que vão mudar o mundo, e temos o Face­book cons­tan­te­mente nos dizendo como a vida de todos é incrí­vel, mas a nossa não, então todos nós nos sen­ti­mos um lixo e que­re­mos saber onde tudo deu errado. Ah, e tudo isso acon­tece lá pelos 23 anos de idade.

Lamento, mas não. Dê às pes­soas um pouco mais de cré­dito do que isso.

Por exem­plo, um amigo meu recen­te­mente come­çou um negó­cio de alto risco. Ele secou a mai­o­ria de suas eco­no­mias ten­tando fazê-lo fun­ci­o­nar e falhou. Hoje, ele está mais feliz do que nunca por sua expe­ri­ên­cia. Ela lhe ensi­nou mui­tas lições sobre o que ele que­ria e não que­ria em sua vida, e even­tu­al­mente o levou ao seu tra­ba­lho atual, que ele ama. Ele é capaz de olhar para trás e se orgu­lhar do que foi para si mesmo, por­que senão esta­ria até hoje se per­gun­tando “e se?”, e isso o teria tor­nado mais infe­liz do que qual­quer outro fra­casso teria.

O fra­casso em aten­der às nos­sas pró­prias expec­ta­ti­vas não é oposto à feli­ci­dade, e eu na ver­dade argu­men­ta­ria que a capa­ci­dade de falhar e ainda apre­ciar a expe­ri­ên­cia é real­mente um ali­cerce fun­da­men­tal para a ser­mos feli­zes.

ser feliz: Não abaixe suas expectativas.

Não reduza suas expec­ta­ti­vas.

Se você pen­sou que iria fazer R$ 100.000 e diri­gir um Pors­che ime­di­a­ta­mente após ter­mi­nar a facul­dade, e então os seus padrões de sucesso esta­vam envi­e­sa­dos e super­fi­ci­ais, você con­fun­diu o seu pra­zer com a feli­ci­dade, e o tapa dolo­roso da rea­li­dade batendo na sua cara será uma das melho­res lições de vida que você rece­berá.

O argu­mento de que deve­mos “redu­zir as expec­ta­ti­vas” é vítima da mesma men­ta­li­dade antiga: de que a feli­ci­dade vem de fora. A ale­gria da vida não é ter um salá­rio de R$ 100.000. É tra­ba­lhar para che­gar a um salá­rio de R$ 100.000 e, em seguida, tra­ba­lhar para um salá­rio de R$ 200.000, e assim por diante.

Então, eu digo que eleve suas expec­ta­ti­vas. Alon­gue o pro­cesso. Colo­que em seu leito de morte uma lista de coi­sas a fazer com um quilô­me­tro de com­pri­mento, e sor­ria para as opor­tu­ni­da­des infi­ni­tas con­ce­di­das a você. Crie nor­mas ridí­cu­las para si mesmo e depois sabo­rear o fra­casso ine­vi­tá­vel. Aprenda com esse fra­casso. Viven­cie-o. Deixe o chão se abrir sob seus pés e rochas caí­rem na sua cabeça por­que é assim que algo sur­pre­en­dente cresce, atra­vés das racha­du­ras no chão.

FELICIDADE NÃO É O MESMO QUE POSITIVIDADE

Pro­va­vel­mente, você conhece alguém que sem­pre parece estar incri­vel­mente feliz, inde­pen­den­te­mente das cir­cuns­tân­cias ou situ­a­ções. E pos­si­vel­mente é uma das pes­soas mais dis­fun­ci­o­nais que você conhece. Negar as emo­ções nega­ti­vas leva a mais pro­fun­das e pro­lon­ga­das emo­ções nega­ti­vas e à dis­fun­ção emo­ci­o­nal.

ser feliz: Por favor, não.

Por favor, não.

É uma rea­li­dade sim­ples: merda acon­tece. As coi­sas vão mal. As pes­soas nos per­tur­bam. Erros são come­ti­dos e sur­gem as emo­ções nega­ti­vas. E isso é bom. As emo­ções nega­ti­vas são neces­sá­rias e sau­dá­veis para man­ter uma base está­vel de feli­ci­dade na vida de alguém.

O tru­que com as emo­ções nega­ti­vas é 1) expressá-las de uma forma soci­al­mente acei­tá­vel e sau­dá­vel e 2) expressá-las de uma forma que se ali­nhe com seus valo­res.

Um exem­plo sim­ples: um valor meu é man­ter a não-vio­lên­cia. Por­tanto, quando eu ficar com raiva de alguém, expres­sa­rei essa raiva, mas tam­bém evi­ta­rei socá-lo no rosto. É uma ideia radi­cal, eu sei. (Mas eu real­mente vou jogar uma chave-inglesa nas cri­an­ças do vizi­nho. Me teste pra ver.)

Há um monte de gente lá fora que subs­creve a ide­o­lo­gia de “ser sem­pre posi­tivo”. Essas pes­soas devem ser evi­ta­das tanto quanto alguém que pensa que o mundo é uma pilha inter­mi­ná­vel de merda. Se o seu nível de feli­ci­dade indica que você está sem­pre feliz, não impor­tam as cir­cuns­tân­cias, pro­va­vel­mente você tem assis­tido comé­dias ame­ri­ca­nas demais, e pre­cisa de uma che­ca­gem de rea­li­dade (mas não se pre­o­cupe, eu pro­meto não dar um soco na sua cara).

Acho que parte do fas­cí­nio que o oti­mismo obses­sivo exerce sobre nós se deve ao modo como nos é ven­dido. E sus­peito que se deve ao fato de ele cons­tan­te­mente ser pro­pa­gan­de­ado por pes­soas feli­zes e sor­ri­den­tes na tele­vi­são. E des­con­fio que parte da res­pon­sa­bi­li­dade é de algu­mas pes­soas da indús­tria da auto-ajuda, que que­rem que você sinta que há algo de errado com você o tempo todo.

Ou tal­vez tudo se deva ape­nas ao fato de que somos pre­gui­ço­sos e, como qual­quer outra coisa das nos­sas vidas, nós que­re­mos o resul­tado sem real­mente ter que fazer o tra­ba­lho duro para obtê-lo.

O que me leva ao que real­mente impul­si­ona a feli­ci­dade…

FELICIDADE É O PROCESSO DE TRANSFORMAR-SE NO IDEAL DE SI MESMO

Par­ti­ci­par de uma mara­tona nos faz mais feliz do que comer um bolo de cho­co­late. Edu­car uma cri­ança nos faz mais feliz do que “zerar” um jogo de vídeo game. Ini­ciar uma pequena empresa com os ami­gos, lutando para ganhar dinheiro, nos faz mais feliz do que com­prar um novo com­pu­ta­dor.

E o engra­çado é que todas as três ati­vi­da­des acima são extre­ma­mente desa­gra­dá­veis e exi­gem que nutra­mos gran­des expec­ta­ti­vas e, poten­ci­al­mente, falhe­mos ao ten­tar con­cre­tizá-las. No entanto, são algu­mas das ati­vi­da­des e momen­tos mais impor­tan­tes e sig­ni­fi­ca­ti­vos de nos­sas vidas. Elas envol­vem dor, luta, até mesmo raiva e deses­pero, mas, uma vez que as fize­mos, nós olha­mos para trás e fica­mos com os olhos lacri­mo­sos.

Por quê?

Por­que é esse tipo de ati­vi­dade que nos per­mite con­cre­ti­zar os nos­sos eus ide­ais. É a busca per­pé­tua de cum­prir os nos­sos eus ide­ais que nos con­cede feli­ci­dade, inde­pen­den­te­mente de pra­ze­res super­fi­ci­ais ou dor, inde­pen­den­te­mente de emo­ções posi­ti­vas ou nega­ti­vas. É por isso que algu­mas pes­soas estão feli­zes em guerra e os outros estão tris­tes em casa­men­tos. É por isso que alguns são ani­ma­dos para tra­ba­lhar e outros odeiam fes­tas. Os cami­nhos que estão seguindo não se ali­nham com os seus pró­prios ide­ais.

ser feliz eu ideal

Os resul­ta­dos finais não defi­nem nos­sos eus ide­ais. Não é ter­mi­nar a mara­tona que nos faz feliz: é alcan­çar um obje­tivo difí­cil de longo prazo que faz. Não é ter um filho impres­si­o­nante para mos­trar ao mundo que nos faz feliz, mas saber que você se doou ao cres­ci­mento de outro ser humano que é espe­cial. Não é o pres­tí­gio e dinheiro com o novo negó­cio que te faz feliz, é o pro­cesso de supe­ra­ção de todas as difi­cul­da­des junto com pes­soas de quem você gosta.

E essa é a razão pela qual ten­tar ser feliz ine­vi­ta­vel­mente vai fazer você infe­liz. Por­que ten­tar ser feliz implica em que você ainda não está bus­cando o seu eu ideal, você não está ali­nhado com as qua­li­da­des de quem você deseja ser. Afi­nal, se você estava agindo dis­tin­ta­mente de seu eu ideal, então você não sente a neces­si­dade de ten­tar ser feliz.

Pal­pi­tes decla­ram que você deve “encon­trar a feli­ci­dade den­tro de si mesmo” e “saber que você é o sufi­ci­ente.” Não é que a pró­pria feli­ci­dade está em você, é que a feli­ci­dade ocorre quando você decide pros­se­guir o que está em você.

E é por isso que a feli­ci­dade é tão fugaz. Qual­quer um que esta­be­le­ceu metas para sua vida ape­nas para atingi-las e daí per­ce­ber que sente a mesma quan­ti­dade de felicidade/infelicidade é que sabe que a feli­ci­dade sem­pre parece estar na pró­xima esquina, só espe­rando para nos encon­trar. Não importa onde você está na vida, sem­pre haverá aquela mais uma coisa que você pre­cisa fazer para ser extra-espe­ci­al­mente feliz.

E isso ocorre por­que o nosso eu ideal está sem­pre na pró­xima esquina, sem­pre três pas­sos à frente de nós. Sonha­mos em ser músi­cos, e quando se é um músico, sonha­mos em escre­ver uma tri­lha sonora, e quando escre­ve­mos uma tri­lha sonora, sonha­mos em escre­ver um roteiro. E o que importa não é que con­se­gui­mos cada um des­ses degraus de sucesso, mas que esta­mos nos movendo de forma con­sis­tente em rela­ção a eles, dia após dia, mês após mês, ano após ano. Os degraus vêm e vão, e con­ti­nu­a­re­mos a seguir o nosso eu ideal durante todo o cami­nho de nos­sas vidas.

E com isso, com lem­bran­ças aos que estão feli­zes, parece que o melhor con­se­lho é tam­bém o mais sim­ples: ima­gine o que você quer ser e depois siga em dire­ção a isso. Sonhe grande e, em seguida, faça alguma coisa. Qual­quer coisa. O sim­ples ato de se mover ao fim das con­tas irá mudar a forma como você se sente sobre todo o pro­cesso, e ser­virá para ins­pirá-lo ainda mais.

Deixe de lado o resul­tado ima­gi­nado — não é neces­sá­rio. A fan­ta­sia e o sonho são ape­nas fer­ra­men­tas para que você se mexa.Não importa se eles se tor­na­rão rea­li­dade ou não. Viva, pes­soa. Ape­nas viva. Pare de ten­tar ser feliz e ape­nas seja.


Você pode que­rer ler tam­bém:

Onde está a feli­ci­dade?
No mini­ma­lismo está a feli­ci­dade

Compartilhe