Os motivos aqui listados são uma breve análise de alguns dados coletados ao redor do mundo. Sabemos que a consequência da diminuição ou (atual utópica) inexistência do consumo de carne é impossível de descrever de forma breve, pois depende do clima, região, e PIB do país analisado. 

1 – A fome no mundo seria menor do que a de hoje em dia.

Sim, seu bife pode ser produzido dentro de seu próprio país ou estado, mas e o alimento que esses animais consomem? Vegetarianos e veganos não estão devorando todos os grãos de soja do planeta – os animais estão. 97% dos grãos de soja do mundo são usados para alimentar gado. Seria necessário aproximadamente 40 milhões de toneladas de comida para eliminar os casos de fome extrema.

Ainda assim, mais de 20 vezes desse valor é necessário para alimentar os animais de abate a cada ano. A proporção de vegetais para carne é alarmante. É preciso cerca de 2 quilos de grãos de soja para conseguir menos de meio quilo de carne suína. Em um mundo onde se estima que 850 milhões de pessoas não têm o suficiente para comer, é um preocupante desperdício usar essa quantidade absurda de soja e outros grãos para alimentar animais com a finalidade de produzir hambúrguer, que pode ser substituído por outro alimento.

Embora a causa da fome mundial não seja por falta de alimentos, mas sim por mau gerenciamento dos governos, a carne está se tornando mais cara para produção e consumo. Aqueles que não possuem dinheiro para arcar com essas despesas, encontram-se em um cenário desfavorável, já que para uma dieta vegetariana, certos cuidados e alimentos específicos, às vezes, são necessários, e esses cuidados não são tão baratos pois ainda há pouca demanda e oferta para baratear o serviço.

2- Haveria mais terra para moradia.

Países ao redor do mundo estão aplainando grandes quantidades de terra com a finalidade de fazer mais fazendas e áreas de pasto para galinhas, vacas e outros animais, assim como para disponibilizar mais área para as quantidades de grãos necessárias para os alimentar.

Vegfam, uma  instituição de caridade que possui projetos de alimentos sustentáveis, estima que uma fazenda de 10 acres pode alimentar 60 pessoas plantando soja, 24 pessoas plantando trigo ou 10 pessoas plantando milho, mas pode alimentar apenas 2 criando gado. Além do mais, cientistas holandeses preveem que 2,7 bilhões de hectares de terra que atualmente são utilizados para pasto seriam “liberados para estabelecimento humano”, se a população adotasse uma dieta sem carne, liberando ainda uma área de 100 milhões de hectares de terra para o uso de plantio de alimentos.

Ironicamente, muitas medidas já estão sendo testadas, mas nenhuma delas propõe a mudança do paladar dos consumidores. Uma dessas medidas é o aumento de massa muscular em vacas para finalidade de consumo, as chamadas “Super Vacas“.

Isso não significa que pessoas sem moradia seriam realocadas nessas terras, mas sim que as metrópoles poderiam tomar novas proporções, aumentado o número de estabelecimentos comerciais de cunho alimentar, oferecendo alimentação mais barata para os que possuem baixa renda. Quanto maior é a concorrência e a quantidade de certo alimento em determinado local, mais barato ele se torna.

Em futuros cenários, as cidades ficariam restringidas devido às fazendas que alimentariam a população, a carne tornaria-se mais escassa e cara, tanto para produção quanto para consumo.

3 – Bilhões de animais evitariam uma vida de sofrimento.

Nas fazendas industrializadas, animais são mantidos em condições precárias com a finalidade de que não procriem. A maioria apenas chegará a sentir o sol sobre sua pele ou respirar um ar fresco no trajeto entre o abatedouro e o caminhão que os transporta. Sem falar do estresse diário ou de medidas brutais como a castração sem anestesia em porcos e o corte de bico em aves (para não se bicarem por estresse).

Existe também a famosa “válvula” anexada às vacas com a finalidade de que possamos ver seus intestinos e assim acompanhar o surgimento de possíveis doenças ou má digestão, com o fim de produzir uma carne “mais próxima do ideal”.

Não há melhor maneira de ajudar os animais e evitar o seu sofrimento do que optar por não comê-los.

4 – Seria menor risco de surgimento de novas doenças humanas.

Animais criados em fazendas industrializadas possuem alto risco de desenvolver doenças, como resultado de serem amontoados em locais com higiene precária. Isso resulta em novas gerações de bactérias e vírus. Porcos, galinhas e outros animais nas fazendas industrializadas são alimentados diariamente com uma quantidade de drogas embutida à comida para mantê-los vivos nessas condições insalubres e estressantes, aumentado a chance da criação de superbactérias resistentes a medicamentos.

carne galinha

Um oficial sênior da Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas chamou a agricultura intensiva industrial de gado de “oportunidade para uma doença emergente, enquanto os centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças declarou que “muito do uso de antibióticos em animais é desnecessária e inadequada, aumentado o risco de doenças se espalharem”.

Claro, a prescrição excessiva de antibióticos para os seres humanos desempenha um papel no aumento da resistência a esse tipo de medicamento. Mas eliminar as fazendas industriais de onde surgem muitas bactérias resistentes tornaria mais provável que pudéssemos contar com os antibióticos atuais para tratar de doenças graves.

5 – O serviços públicos de saúde estariam sob menor pressão.

A obesidade está literalmente matando grande parte da população mundial. Carne, laticínios e ovos – todos com alto nível de colesterol e gordura saturada – são os principais culpados da obesidade, que contribui para ataques cardíacos, derrames, diabetes e vários tipos de câncer.

Sim, há vegetarianos e veganos com excesso de peso, assim como há magros que comem carne. Mas, em média, os veganos possuem cerca de um décimo de probabilidades de ser obesos do que quem come carne. Depois de substituir o alto teor de gordura dos alimentos de origem animal por frutas saudáveis, legumes e grãos, torna-se muito mais difícil engordar. Além disso, muitos problemas de saúde podem ser atenuados e mesmo revertidos se optarmos por uma dieta baseada em vegetais.

O veganismo e o vegetarianismo podem não tornar o mundo um lugar perfeito (afinal nenhuma medida singular vai), mas ajudariam a torná-lo um local mais verde e saudável, para nós humanos, para os outros animais e a natureza.


Para saber mais, leia também:

1 – Quer Salvar o Planeta? Pare de Comer Carne
2 – As perdas sociais de se consumir carne
3 – Consumismo e Ética Animal

 

escrito por:

Rodrigo Zottis

Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.