Justiça social, como um conceito, já existe há milênios – pelo menos enquanto houve desigualdade na sociedade e havia indivíduos esclarecidos o suficiente para questioná-la. Quando estudamos a história, vemos, como num famoso escrito do transcendentalista norte-americano Theodore Parker, que “o arco [do universo moral]… se inclina em direção à justiça.” E isso parece relativamente evidente quando se olha para a história como se fosse uma única linha de enredo. As coisas melhoram. E, se a história é lida como um livro, os partidários da justiça social são normalmente considerados os heróis, enquanto seus adversários são os vilões.

Talvez esse seja o meu coração progressista falando, o fato de que eu cresci em uma cidade progressita, aprendi a história dos Estados Unidos com um socialista com S maiúsculo e estudei numa das universidades mais progressistas do país –  mas vejo essa ideia como uma coisa boa. A noção de que os males da sociedade deveriam ser corrigidos, de modo que a determinado grupo não é dada uma vantagem injusta sobre outro, não é, para mim, uma ideia radical.

Mas os jovens da Geração Y estão crescidos agora – e eles estão com raiva. Quando crianças, foram informados de que poderiam ser qualquer coisa, fazer qualquer coisa, e que eram especiais. Como adultos, eles criaram uma novo tipo de identidade política, em que os grupos com os quais cada indivíduo se identifica são utilizados como parâmetros. Com essa concepção tão fortemente focada nos grupos aos quais cada um pertence, houve uma crescente segmentação das identidades políticas. Numa tentativa de ter a mente aberta em relação a outros grupos para tratar de questões de justiça social através de uma lente de interseccionalidade, linhas claras e distintas foram traçadas entre as pessoas. As palavras de uma única pessoa, bem como suas ações, são inseparáveis da sua própria identidade. Por exemplo: este não é um artigo, mas um artigo escrito por uma pessoa branca, de classe média, do sexo masculino (e por essa razão, será desacreditado por muitos, pois meu privilégio me cega – trato disso mais tarde).

E se por um lado isso é muito bom (o orgulho de si mesmo e de sua identidade), por outro a cultura sociopolítica resultante da Geração Y e de seus precursores políticos um pouco mais velhos é corrosiva e destrutiva para o progresso da justiça social. E aqui reside o problema: na tentativa de resolver questões sociais prementes e importantes, os jovens dessa nova geração que são defensores da justiça social sabotam violentamente as oportunidades reais para o progresso, infectando uma concepção política progressista com, ironicamente, ódio.

Muitos entenderão esse termo que eu usei – jovens defensores da justiça social – como um sinônimo para os pejorativos “Social Justice Warriors” (SJW – Guerreiros da Justiça Social). É um termo que perdeu sua força por conta do uso excessivo, mas ilustra uma questão-chave aqui: que, com espada em punhos e sedentos por sangue, os defensores da justiça social têm se deixado levar pela violência verbal, emocional – e, às vezes, física.

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Em uma exibição deslumbrante e arquetípica da Teoria da Ferradura (nota do tradutor: teoria segundo a qual a extrema direita e a extrema esquerda se aproximam), esse tipo particular de jovens defensores da justiça social tem deformado uma causa admirável para a igualdade social, econômica e política, em um movimento social autoritário que tem dividido e desumanizado indivíduos com base em uma ideologia segregadora disfarçada de teoria acadêmica. O moderno movimento de justiça social disseminado no Twitter, Tumblr e Facebook é muito mais uma reminiscência da Guerra Fria do que de um movimento histórico em defesa dos Direitos Civis.


Quando George Orwell escreveu 1984 (e aqui alguns vão me desancar por escolher um autor homem, branco, nascido numa potência historicamente colonialista, apesar do fato de que ele lutou e escreveu contra esse colonialismo), ele o fez para alertar contra os vários perigos do extremismo em ambos os lados do espectro político. A maior obra de Orwell é sobre autoritarismo em ambos os polos do espectro político. Se o arco do universo moral se inclina para a justiça, em seguida o arco do espectro político se inclina para o autoritarismo em ambas as extremidades.

O próprio fato de que eu estou fazendo uma conexão com o livro mais lembrado quando se discute degeneração política é um problema em si mesmo. Mas ele merece uma maior exploração.

 

2 + 2 = 5

 

No final, o Partido anunciaria que dois e dois são cinco, e você teria que acreditar. Era inevitável que eles fizessem tal declaração cedo ou tarde: a lógica da sua posição exigia. Não apenas a validade da experiência, mas a própria existência da realidade externa, foi tacitamente negada por sua filosofia.” – George Orwell, 1984.

Este tipo particular de justiça social ataca a razão de um modo especialmente assustador: negando-a inteiramente e utilizando a intimidação para  desencorajar a dissidência. Não há nenhum meio-termo: somente preto ou branco. É preciso mimetizar esse pensamento radical ou ser escarnecido pela comunidade e expulso do grupo. Discordar do radicalismo da justiça social da nova geração é tornar-se voluntariamente um pária. Aderir a essa narrativa é o teste decisivo para a aceitação social na comunidade (e além dela) nos dias de hoje.

Tomemos, por exemplo, um exemplo tópico: o caso da revista Rolling Stone e a história do estupro na Universidade da Virgínia. A jornalista Sabrina Rubin Erdely escreveu um artigo acusando vários membros do corpo discente da universidade de estuprar uma garota chamada “Jackie”. O problema é “Jackie” era a única fonte de Erdely. Posteriormente, num editorial da Rolling Stone, foi colocada em dúvida a confirmação dos fatos realizada pela revista e pela jornalista, e argumentou-se que “havia várias maneiras de Elderly confirmar, por conta própria, a veracidade do  que Jackie tinha dito a ela.” Erdely acreditou em Jackie sem questionar. Por quê? Porque, em obediência aos defensores da justiça social, somos orientados a não questionar as vítimas de estupro. Questioná-las é “culpar a vítima” e isso é capaz de voltar a traumatizá-la.

No artigo “Lutar contra a cultura do estupro significa nunca ter que pedir desculpas“, o autor Charles Cooke analisa esse caso da Rolling Stone. Cooke escreve que houve um questionamento inicial de Jackie e Erdely e observa que essa linha de investigação foi recebida com extrema hostilidade. Cooke diz:

“No Washington Post, Zerlina Maxwell argumentou que “devemos acreditar, de regra, naquilo que alguém que acusa outros [de estupro] diz”, pois, “os custos de equivocadamente desacreditar a vítima superam em muito os custos de chamar alguém de um estuprador.” Essa visão foi apoiada pela advogada e jornalista Rachel Sklar, que afirmou, para registro da posteridade, que considera “as mulheres que falam de suas próprias experiências de estupro” automaticamente “críveis”, e que qualquer um que faz perguntas a elas caracteriza-se como um apologista do estupro. No Twitter, por sua vez, a jornalista Amanda Marcotte concluiu que qualquer pessoa que tenha dúvidas sobre um determinado relato de estupro está envolvida numa tentativa covarde de demonstrar que histórias de estupro nem sempre são verdadeiras, enquanto que Sally Kohn, da CNN, indignou-se com Jonah Goldberg quando pediu mais provas. Talvez o melhor exemplo da presunção de que “todos os céticos são heréticos” vieram da notavelmente desagradável Anna Merlan, que recompensou Robby Soave por seu trabalho investigativo atribuindo-lhe um rótulo: “idiota.”

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Os nomes foram editados, o diálogo é real.

Grande parte dessa retórica vem da idéia de que há uma cultura do estupro generalizada nas universidades de todo o país que deve ser erradicada; mais exatamente, haveria manifestações do patriarcado opressor das mulheres que seriam socialmente e institucionalmente endossadas. As ideias apresentadas no trecho acima procuram resolver isso através de algo que chamam de justiça social. Mas em que mundo essas afirmações são progressistas e representativas da justiça social?

No artigo “Não importa o que Jackie disse, devemos em geral acreditar em alegações de estupro”, Zerlina Maxwell sugere que deveríamos geralmente dar o equivalente a um cheque em branco para alguém que apresenta uma acusação de estupro. Isso não é justiça e certamente não é a justiça social também. É uma perversão não-progressita da justiça. Sir William Blackstone é famoso pelo que é conhecido como a Regra de Blackstone: “É melhor dez pessoas culpadas escaparem do que um inocente sofrer.” Este axioma é uma fundação dos modernos sistemas de justiça em todo o mundo. É uma regra que presume a inocência; condenar alguém com base numa acusação em virtude da identidade ou da situação de oprimido do acusador é uma perigosa estrada morro abaixo. Ela corrói o princípio mais essencial do progressismo: o devido processo legal.

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O devido processo legal, ou a idéia de que um órgão deve respeitar todos os direitos de um indivíduo, é concedido aos americanos pela 5ª e 14ª Emenda. Sugerir que não há recurso para o acusado ​​- e de que exigir isso é apologia ao estupro – é absurdo, reacionário e lança uma maior luz sobre a natureza preto-ou-branco desses defensores da justiça social da Geração Y. Discordar (ou até questionar) esse radicalismo é ter suas palavras distorcidas para uma interpretação desfavorável: você não está defendendo o “devido processo legal”, você está defendendo que os racistas não sejam punidos, perpetuando a cultura do estupro e fortalecendo a apologia ao estupro. Por que, afinal de contas, alguém exigiria o devido processo legal quando uma mulher está acusando um homem de estupro? Do ponto de vista da justiça social da Geração Y, essa é uma exigência que resulta em sexismo contra as mulheres e que tem por base, eles acham, uma taxa estatisticamente insignificante de falsas acusações de estupro.


Para o defensor da justiça social dos nossos tempos, as conclusões não dependem dos fatos; ao invés, os fatos dependem das conclusões. Em um exemplo geral de viés da confirmação, a verdade é maleável. A verdade maleável é moldada em torno dos pontos de vista teóricos da justiça social. A fim de preservar a santidade desses pontos de vista, os adeptos exilam quem discorda. Não é nada novo – é uma tática tão antiga quanto a própria religião. Em vez de textos sagrados, porém, a justiça social contemporânea curva-se diante da trindade ideológica atualmente vigente:  marxismo, feminismo e pós-colonialismo.

 

Novilíngua

 

“Você não vê que todo o objetivo da Novilíngua é limitar o alcance do pensamento? No final, tornaremos literalmente impossíveis as manifestações de pensamentos criminosos, pois não haverá palavras para expressá-los. Qualquer conceito que seja necessário será expresso por uma única palavra, com seu significado rigidamente definido e todos os demais significados subsidiários apagados e esquecidos.” – George Orwell, 1984

A Novilíngua da justiça social da Geração Y é um mecanismo intricado e poderosamente concebido que procura erradicar e socialmente criminalizar a dissidência.

Falemos do racismo, por exemplo. O mantra do movimento é assim: é impossível ser racista contra os brancos, pois o racismo é a soma do preconceito com a posição dominante. Já que os brancos detêm um poder social e econômico institucionalizado, aqueles que são racialmente oprimidos não podem ser racistas contra os brancos na medida em que não têm poder.

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Por que não posso simplesmente refutar isso com uma incursão ao dicionário? Porque esse gesto é objeto de gargalhadas da turma da justiça social. A ideia de uma pessoa branca indo ao dicionário para encontrar uma definição de racismo é, literalmente, uma figura de linguagem, pois o defensor da justiça social moderna acha muito divertido que um dicionário, criado por quem está poder para servir aos que falam a linguagem do poder, possa eventualmente dar uma definição precisa de uma palavra.

Entende aonde quero chegar com isso? Hoje em dia você pode livrar-se da culpa de reelaborar academicamente todos os nuances de uma palavra ao ponto de alterá-la fundamentalmente a seu favor.

O mesmo é dito sobre sexismo e homens – que não se pode ser sexista contra os homens porque vivemos em uma sociedade patriarcal. E, no entanto, quando é exposto que os homens enfrentam problemas sociais, políticos e econômicos legítimos, eles são informados de que o feminismo tem a solução para eles também.

Orwell chama isso de “pensamento duplo”.

Ao invés de a discussão focar-se no fato de que advogar “a morte de todos os brancos” como estratégia política e utilizar #CastreTodosOsHomens como hashtag expressam sentimentos odiosos e preconceituosos, os defensores da atual justiça social justificam e legitimam essas frases sugerindo que não se tratam de atos racistas ou sexistas mas de legítimas manifestações contra os opressores. A discussão do quanto essas assertivas são genuinamente odiosas e anti-progressistas sequer vem à tona pois, à medida em que o roteiro é seguido, isso seria desviar-se da discussão de legítimos problemas dos oprimidos para focar-se nos não-problemas dos opressores.

O que estou falando até agora não tem a intenção de desacreditar o feminismo ou qualquer posição justiça social que visa capacitar as pessoas oprimidas ou remediar os males sociais. Como já deixei claro o suficiente no início, essas são metas fundamentalmente boas e necessárias. O problema aqui são as táticas usadas por alguns detentores de suposta superioridade moral para imunizar-se de críticas enquanto promovem um autoritarismo obtuso que captura a sociedade através de táticas sinistras e arrepiantes.

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Isso nos leva aos fundamentos supostamente estatísticos do movimento de justiça social contemporâneo. Como Mark Twain celebremente disse: há mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas.

Vamos voltar ao exemplo da Rolling Stone e do suposto estupro na Universidade de Virgínia. Há uma estatística frequentemente citada de que “uma em cada cinco mulheres sofrerão um ataque sexual nas universidades americanas”. Isso choca a consciência, como deveria, e é usado para alimentar a histeria da cultura do estupro em universidades de todo o país. Infelizmente para os defensores da justiça social (e felizmente para mulheres em idade universitária em todos os lugares), essa estatística é criminosamente enganosa. Como Glenn Kessler, do Washington Post, escreve, essa estatística resulta de “uma só pesquisa, baseada nas experiências de estudantes em duas universidades. Como os pesquisadores registraram, esses resultados podem ser válidos para essas duas grandes universidades, mas não necessariamente para as demais”. Mas por que defensores de vítimas de agressão sexual excluem esse detalhe? O 1-em-5 é uma ótima maneira de disseminar o medo. Em um relatório divulgado pelo Bureau of Justice Statistics intitulado “estupro e agressão sexual de mulheres em idade universitária, 1995-2013”, Lynn Langton e Sofi Sinozich relatam que “a taxa de estupro e agressão sexual foi 1,2 vezes maior

Para mulheres não-estudantes (7,6 por mil) do que para estudantes (6,1 por 1.000): “Usar estatísticas deliberadamente enganosas em uma campanha maquiavélica, na qual a erradicação dos ataques sexuais em campi universitários depende da má interpretação de dados e da eliminação do devido processo legal, colabora mais para nos desviarmos de conversas sobre ataques sexuais nas universidades do que um debate produtivo e legalmente responsável nos desviaria.”

Tomemos também como exemplo a estatística sobre diferença salarial citada em todos os lugares, desde aulas de sociologia até discursos presidenciais: de que as mulheres recebem 70% menos do que os homens. A verdade é que essa é, de novo, uma estatística enganosa, que tenta aplicar a nível nacional os dados agregados a nível individual. A revista Time informa que “essa disparidade salarial é simplesmente a diferença entre as médias dos ganhos de todos os homens e mulheres que trabalham em tempo integral. Ele não leva em conta diferenças de ocupações, posições, educação, estabilidade no emprego ou horas trabalhadas por semana. Quando esses fatores são considerados relevantes, a diferença salarial estreita a ponto de desaparecer”. Isso é corroborado por uma quantidade aparentemente infinita de fontes como o Wall Street Journal e Abigail Hall, que ironiza que “você não gostaria de comparar os rendimentos de professores do ensino fundamental com os de acadêmicos com doutorado e reclamar de que há uma diferença salarial entre físicos e professores secundaristas”. Note-se que há cinco fontes só neste parágrafo.

Usar estatísticas enganosas para empurrar uma agenda não faz nenhum bem a ninguém. Isso impede o progresso, na tentativa de apoiar uma causa legítima com fundamentos de má qualidade. Fundamentos que, com o tempo, entrarão em colapso – e o progressismo com eles.

Aqui está o problema – muitos leitores ficarão indignados só pelo fato de que estou apresentando essas estatísticas sob um ponto de vista negativo. Afinal, por que eu faria tal coisa senão para retratar o feminismo de um modo feio ou para minimizar o problema do estupro nas universidades? Como um homem heterossexual, presume-se que estou fazendo isso não em nome da honestidade acadêmica de confirmar os fatos, mas por razões sexistas, ou porque sou um apologista do estupro, ou porque acho que as mulheres estão “pedindo por isso”.

Mas aqui está o detalhe – quem eu sou não tem (ou não deveria ter) qualquer influência sobre os fatos. O problema com esse tipo de defesa da justiça social moderna é que a identidade de uma pessoa (raça, classe, gênero, etc.) torna-se o princípio e o fim de toda a sua capacidade de ter um certo ponto de vista. Um defensor da justiça social moderna pode desqualificar uma opinião simplesmente porque ela é dita ou escrita por alguém de um grupo que é considerado opressor. É uma falácia lógica conhecida como ad hominem, na qual alguém ataca uma pessoa que apresenta um argumento ao invés de atacar o próprio argumento. Mas essa falácia lógica tornou-se a principal arma da justiça social da Geração Y. É a morte da vida acadêmica, do pensamento crítico e da honestidade intelectual. No entanto, essa é a principal forma de se comportar nas universidades em todo o país.

 

Conclusão

Esse longo artigo poderia ir muito mais longe. Eu poderia falar sobre como a segmentação das pessoas em grupos baseados na identidade política é uma ideologia regressiva e passional que agride a verdadeira diversidade. Eu poderia falar sobre como a proposta de “diferentes mas iguais” acaba não se tornando uma coisa boa, pois a esquerda a reformula e a chama de “espaços de segurança”.

O fato é que esse tipo particular de estratégia da justiça social é destrutivo para a academia, a honestidade intelectual, o verdadeiro pensamento crítico e a mente aberta. Já o vemos ter um impacto profundo na forma como as universidades agem e como eles abordam o currículo.

Os argumentos apresentados sob a bandeira desse tipo de justiça social são muitas vezes insignificantes, geralmente mesquinhos e sempre absolvidos de qualquer culpa pelo auto-posicionamento moral do orador. E sim, às vezes eles são sexistas e racistas também.

Enxergar tudo através de um ponto de vista teórico particular (isto é, feminista, marxista, pós-colonialista, etc.) é um exercício intelectual limitativo que só funciona no vácuo. O mundo é mais do que um ponto de vista. O exílio público daqueles que sustentam pontos de vista alternativos não é de forma alguma favorável ao progresso social. O oposto do ódio não é ódio na direção oposta. Não há desculpa – nenhuma – para ser uma má pessoa em relação a outra com base na sua identidade.

Permitam-me, finalmente, ser suficientemente, suficientemente claro (aprendi que isso era necessário alguns meses atrás). A justiça social e a defesa da justiça social é uma coisa boa. Utilizar a educação de alguém para resolver problemas sociais é uma meta admirável.

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A versão da justiça social de que tenho falado – a que usa a política da identidade para segmentar grupos de pessoas, que gera ódio entre grupos, que mente deliberadamente para impulsionar metas políticas, que manipula a linguagem para criar imunidade à crítica e que publicamente constrange qualquer um que remotamente manifeste alguma espécie de discordância da abrangente narrativa radical – não é admirável. É deplorável. Ele apela para os mais vis dos instintos humanos: o medo e o ódio. Não é uma posição esclarecida ou educada de se assumir. A história não verá com bons olhos esta perversão orwelliana e autoritária da justiça social que passou a dominar as mídias sociais e uma geração inteira ao longo dos últimos anos.

Aqueles que precisam ouvir esta mensagem provavelmente argumentarão que (1) tenho privilégios demais para compreender, (2) estou policiando os oprimidos (e eu não deveria dizer ao oprimido como devem tratar seus opressores) e (3) sou na verdade um racista e sexista disfarçado de progressista. Espero esses argumentos, em parte porque estou acostumado a ver esse roteiro se repetir nos últimos quatro anos de universidade.

Mas o fato que importa é o seguinte: aqueles que não estão dispostos a, sob a proteção moral do progressismo e da justiça social, engajar-se em diálogos produtivos, abertos e mutuamente críticos com pessoas que discordam não são progressistas, não são defensores da justiça social; eles são os valentões da justiça social.


Tradução do texto publicado originalmente no Medium autorizada pelo autor.


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Nota do tradutor 1: todas as imagens que ilustram este texto são verdadeiras e foram retiradas da página progressista Aventuras na Justiça Social.

Nota do tradutor 2: como o autor deste artigo, o site Ano Zero é vocacionado à defesa do progressismo social, o que não implica na aceitação acrítica de todas as estratégias dos movimentos progressistas contemporâneos.


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escrito por:

Aristotelis Orginos