Com menos de uma semana para o início dos Jogos Olímpicos Rio 2016, surge a pergunta: por que, afinal, o tão esperado evento mundial parece ser publicitariamente negativo?

Diferentemente da Copa do Mundo de 2014, desta vez não há sequer uma hashtag ao estilo #NãoVaiTerOlimpíadas, o que indica um desânimo tão recorrente em relação aos fatos que sequer há forças para um simples manifesto virtual.

Já que a cidade do Rio de Janeiro está se preparando para receber um refluxo de centenas de milhares de visitantes internacionais para o evento, diversas construções de novos sistemas de infra-estrutura e transporte para acomodá-los estão ocorrendo.

Mas a cidade também está passando por um outro grande projeto: a prefeitura do Rio de Janeiro está escondendo e removendo pessoas pobres da visão dos espectadores estrangeiros.

Johnny Harris, representante da Vox, foi ao Rio para ver como a cidade está se transformando ao abrir caminho para os Jogos Olímpicos.

O vídeo abaixo, traduzido por nós do AZ, revela o que ele descobriu:

Link Youtube

Este tipo de planejamento urbano em torno de esconder os pobres não é algo inédito no Rio.

A cidade já sediou vários eventos internacionais nos últimos anos, e em cada caso, políticas de remoção semelhantes foram instituídas para manter pobres fora dos locais onde haja visitantes.

Uma coisa que faz esse tipo de planejamento urbano discriminatório é o que Orlando Santos, um planejador urbano com o qual Harris falou, chama de “estado de exceção“.

Santos explicou que quando megaeventos como a Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos chegam à cidade, a cidade é capaz de justificar decisões drásticas que, em tempos normais, nunca seriam aceitáveis.

O Rio tem se tornado um “estado de exceção” durante anos devido à, mais recentemente, Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Isso resultou numa série de abusos de direitos humanos e de propriedade entre os moradores.

Para além dessas ofensas estão os mais de 77.000 cidadãos despejadas à força que foram movidos desde 2009.

Apesar de que muitos tivessem título legal para a sua propriedade, os moradores pobres foram movidos para conjuntos habitacionais públicos longe do centro da cidade, muitos contra a sua vontade.

Os bilhões de dólares públicos gastos em preparação para os Jogos Olímpicos trouxeram certamente alguns grandes benefícios para a cidade, em termos de transporte ampliado e melhorias cosméticas.

Mas, no final, a enorme quantia de dinheiro público que deveria beneficiar os pobres acabou, mais uma vez, escondendo-os de vista.


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Equipe Ano Zero

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