[Nota do editor: esta é a terceira parte da tradução autorizada do texto original de Tim Urban; antes, recomendamos que você leia a parte 4.]

COMO SER COMO ELON MUSK

Sempre que há algum fenômeno curioso na natureza humana – alguma insanidade coletiva de que todos nós sofremos – geralmente a culpa é da evolução. Aqui a história não é diferente.

No que diz respeito à cozinha mental em que preparamos nossos raciocínios, estamos naturalmente inclinados ser meros cozinheiros, não chefs. E isso relaciona-se ao nosso passado evolutivo tribal. Em primeiro lugar, ser um seguidor de ideias consensuais da tribo é um modelo considerado melhor na estrutura tribal. Em 50.000 A.C., provavelmente tribos cheias de pensadores independentes tiveram muitos problemas, e uma tribo com um líder forte no topo e o resto dos membros simplesmente o seguindo era um modelo melhor. Logo esse tipo de tribo passou seus genes mais do que a outras tribos. E agora somos os descendentes coletivos das pessoas com mais inclinação a seguir ideias do que pensar independentemente.

Segundo, trata-se de nosso próprio bem-estar. Não está em nosso DNA sermos pensadores independentes pois a autopreservação humana nunca dependeu de pensamento independente – dependeu de se adequar a uma tribo, obedecer a um chefe, seguir os passos que os anciãos ensinavam a fim de se permanecermos vivo e transmitirmos a mesma postura a nossos filhos. E é por isso que agora vivemos numa comunidade em que pais ensinam seus filhos a serem cozinheiros e não chefs na cozinha do pensamento, dizendo-lhes que sigam a receita de como viver sem fazer muitas perguntas sobre isso.

Não sabemos pensar de forma independente pois o nascemos para fazer é sobreviver.

Mas a coisa estranha é que não nascemos em um mundo humano normal. Vivemos na anomalia, uma época em que para muitas pessoas a sobrevivência física não é um desafio diário. As sociedades privilegiadas de hoje estão cheias de seres humanos que são anomalias, pois as demandas fundamentais que seu corpo está programado para buscar já são facilmente satisfeitas cotidianamente, atenuando o ensurdecedor grito das necessidades básicas e permitindo que sua voz autêntica seja ouvida em todos os seus nuances e complexidades.

O problema é que a maioria de nossas cabeças ainda está rodando em alguma versão do software de sobrevivência de 50 mil anos atrás – o que é um triste desperdício de oportunidades, considerando a época em que nascemos.

É como se estivéssemos encurralados: nós continuamos a pensar como membros de uma tribo primitiva pois não podemos assimilar a epifania de que estamos vivos em uma sociedade anômala, na qual não precisamos obedecer uma receita de como pensar, e não conseguimos assimilar essa epifania porque pensamos seguindo receitas de como pensar e assim não sabemos como atualizar o software que está em nossa própria cabeça.

Esse é o ciclo vicioso de nossa época – e o segredo de pessoas como Elon Musk é que eles de alguma forma saíram disso.

Então, como podemos sair desse transe?

Eu acho que há três grandes epifanias que precisamos absorver – três coisas fundamentais que um pensador independente sabe e a maioria de nós não.

EPIFANIA 1: VOCÊ NÃO SABE NADA.

Os geólogos que nos séculos XVII e XVIII acreditavam no grande dilúvio descrito na Bíblia não eram estúpidos. E eles não eram anticientíficos. Muitos deles eram tão realizados em seus campos como seus colegas que rejeitavam o mito diluviano.

Mas eles foram vítimas – vítimas de um dogma religioso que lhes foi dito para acreditar sem questionar. A receita que eles seguiram foi a Bíblia, uma receita que acabou por se mostrar errada. E, como resultado, eles seguiram seu caminho com uma falha fatal em seu pensamento – um bug de software que lhes disse que um dos primeiros princípios inegáveis quando se pensava sobre a Terra era que ela surgiu há 6.000 anos e que tinha havido uma inundação de proporções épicas.

Com esse bug no software, todos os cálculos consequentes acabam errados. Qualquer linha de raciocínio fundada nesses pressupostos não tem qualquer chance de encontrar a verdade.

Ainda mais do que serem vítimas de um dogma, os geólogos que acreditavam no dilúvio bíblico foram vítimas de suas próprias convicções. Sem convicções, o dogma não tem qualquer poder. E quando convicções são necessários para se acreditar em algo, o dogma não tem como se sustentar. Não foi o dogma da Igreja que impediu os geólogos diluvianos de encontrarem a verdade, foi a mentalidade defendida pela igreja, em que convicções são baseadas na fé.

Isso é o que Stephen Hawking quis dizer quando falou: “O maior inimigo do conhecimento não é ignorância, é a ilusão de conhecimento”. Nem o geólogo científico nem o geólogo que acreditava no dilúvio bíblico começaram possuindo conhecimento. Mas o que deu ao geólogo científico o poder de procurar a verdade foi saber que ele não possuía conhecimento. Ele adotou a mentalidade do laboratório, que começa com “eu não sei merda nenhuma” e trabalha a partir disso.

Se você quiser ver a mentalidade do laboratório o trabalhando, basta procurar citações famosas de qualquer cientista proeminente e você verá cada um deles expressando o fato de que eles não sabem nada.

Veja o que Isaac Newton dizia: Eu me considero apenas uma criança num praia, com o vasto oceano da verdade desconhecida diante de mim.

E Richard Feynman: Eu nasci sem saber nada e tive apenas um pouco de tempo para mudar essa situação aqui e ali.

E Niels Bohr: Cada frase que falo não pode ser entendida como uma afirmação, mas uma pergunta.

Musk tem sua própria versão: Você deve partir do princípio de que está errado, e seu objetivo deve ser estar menos errado.

A razão pela qual essas pessoas escandalosamente inteligentes são tão humildes sobre o que sabem é que, como cientistas, estão conscientes de que ter certezas injustificadas significa banir o entendimento e matar o raciocínio efetivo. Elas acreditam firmemente que todo tipo de raciocínio deve ocorrer em um laboratório, e não em uma igreja.

Se quisermos ser como essas pessoas, temos que nos certificar de que estamos desenvolvendo o nosso pensamento num “laboratório”. O que significa identificar quais partes do nosso pensamento estão atualmente sentadas numa igreja.

Mas isso é difícil de fazer porque a maioria de nós tem o mesmo relacionamento com o software em sua cabeça que minha avó tem com o computador: é algo que alguém colocou lá, que usamos quando precisamos, que funciona magicamente de alguma forma e que esperamos jamais quebrar. É a maneira como agimos diante de muitas das coisas que possuímos: somos só um usuário ignorante, e não um profissional. Nós sabemos como usar nosso carro, microondas e celular, mas se quebrarem nós levamos ao profissional para consertá-la porque não temos idéia de como ele funciona.

Mas esse não é um modelo de vida recomendável quando se trata do software em nosso cérebro, e geralmente nos leva a cometer os mesmos erros e a viver obtendo os mesmos resultados ano após ano após ano, porque o nosso software permanece inalterado. Eventualmente, podemos acordar um dia sentindo-se como Walter White, de Breaking Bad, no momento em que ele diz: “Às vezes, sinto que nunca fiz minhas escolhas. Quero dizer, parece que eu nunca tive o direito de dar minha opinião sobre a minha própria via.” Se queremos entender nosso próprio pensamento, devemos parar de ser o usuário estúpido de nosso próprio software e nos tornarmos profissionais em seu funcionamento e aprimoramento.

Se você estivesse sozinho em uma sala com um carro e quisesse descobrir como funciona, provavelmente começaria a desmontá-lo o máximo que pudesse, examinando as peças e como elas se encaixam. Para fazer o mesmo com o nosso pensamento, precisamos reverter para o nosso eu de quatro anos de idade e começar a desconstruir nosso software, retomando o Jogo do Porquê nossos pais e professores reprimiram décadas atrás. É hora de arregaçar as mangas, abrir o capô e nos sujar com um monte de perguntas não divertidas sobre o que realmente queremos, o que é realmente possível e se a maneira como vivemos nossas vidas decorre logicamente das respostas obtidas para essas perguntas.

Com cada uma dessas questões, o desafio é continuar perguntando até chegar ao fundamento de tudo – e o fundamento de tudo é o que irá dizer se você está em uma igreja ou em um laboratório nessa etapa particular da sua vida. Se o fundamento que você encontra é composto de um ou mais primeiros princípios que refletem a verdade das coisas ou o seu eu autêntico, e se a lógica desenvolvida a partir desse fundamento mantém-se consistente e acurada, você está num laboratório. Se o fundamento que você encontra na resposta a um “Porquê?” é “Porque [uma autoridade] disse que é assim”, se no final você concluir que o fundamento de tudo é algo que seus pais ou sociedade ou amigos ou religião disse que é verdade, então você está na Igreja. E se os princípios dessa igreja não refletem realmente quem você é nem a realidade atual do mundo (se no final ficar claro que você está cozinhando com a receita errada) então qualquer conclusão que tenha sido construída em cima disso estará errada. Conforme demonstrado pelos geólogos que acreditavam no dilúvio bíblico, uma cadeia de raciocínio é tão forte quanto o seu elo mais fraco.

Os astrônomos atingiram uma parede semelhante em seu progresso tentando calcular as trajetórias do sol e dos planetas no Sistema Solar. Então um dia eles descobriram que o Sol estava no centro das coisas, e não a Terra, e de repente todos os cálculos desconcertantes faziam sentido e o progresso avançou. Se tivessem jogado o Jogo do “Porquê” mais cedo, teriam encontrado um fundamento dogmático logo após a pergunta “Mas por que sabemos que a Terra está no centro de tudo?”

A vida das pessoas não é diferente, e é por isso que é tão importante encontrar os aspectos tóxicos de dogmas falsos colocados em seu software de raciocínio. Identificá-los e ajustar o software pode fortalecer toda a cadeia de raciocínios e criar um avanço na sua vida.

 

A coisa que você quer encontrar é uma convicção injustificada. Onde na vida você se sente tão convicto sobre algo a ponto dessa convicção qualificar-se não como uma hipótese ou mesmo uma teoria, mas como uma prova? Quando existe esse nível de certeza, significa ou que há consideráveis dados concretos e comprovados no seu fundamento ou que se trata de um dogma baseado em fé. Talvez você esteja convicto de que desistir de seu trabalho seria um desastre, ou convicto de que não existe um Deus, ou convicto de que é importante fazer faculdade – mas, se sua convicção não for bem respaldada por dados que você próprio obteve e experimentou, então ela é, no melhor caso, só uma hipótese, e no pior, um completamente falso.

E se pensar sobre tudo isso termina com você perdido em alguma combinação de auto-dúvida, auto-aversão e crise de identidade, isso é perfeito. Esta primeira epifania é sobre humildade. A humildade é, por definição, um ponto de partida – e a viagem começa a partir dela. A arrogância da convicção é tanto um ponto de partida quanto um ponto final – não é necessário fazer viagens. É por isso que é tão importante que comecemos com “Não sei merda nenhuma”. É aí que sabemos que estamos no laboratório.

EPIFANIA 2: NINGUÉM MAIS SABE MERDA NENHUMA

O clássico conto A Roupa Nova do Rei, escrito em 1837 por Hans Christian Andersen, demonstra uma marca registrada da insanidade humana: o fenômeno em que pensamos “Isso não parece certo, mas todas as pessoas dizem que é certo, então deve ser certo e eu vou só fingir que acho que é certo e aí ninguém vai notar que sou um idiota”.

Minha citação favorita de Steve Jobs é a seguinte:

“Quando você cresce, tende a achar que o mundo é do jeito que é e que sua vida é só viver dentro deste mundo, tentando não bater muito nas suas paredes, tentando ter uma boa família, divertir-se, guardar algum dinheiro. Mas essa é uma vida muito limitada. A vida pode ser muito mais plena, uma vez que você descobre um fato simples: o fato de que tudo ao seu redor, que você chama de “vida”, foi feito por pessoas que não eram mais inteligentes do que você. E você pode mudar isso, você pode influir, pode criar suas próprias coisas que outras pessoas poderão usar. No momento em que aprende isso, jamais será o mesmo novamente.”

My favorite all-time quote might be Steve Jobs saying this:

Esse é o jeito de Jobs dizer: “Você pode não saber merda nenhuma, mas ninguém sabe merda nenhuma. Se o rei parece estar nu e todo mundo ao seu redor diz que ele está vestido, confie nos seus olhos pois as outras pessoas não sabem nada que você não saiba.”

É uma mensagem fácil de entender, mas difícil de assimilar, e ainda mais difícil de servir de regra para a condução de nossas vidas.

O propósito da primeira epifania é destruir as crença de que todos os dogmas que você assimilou constituem sabedoria e de que todas as convicções que você tem constituem conhecimento. A primeira epifania é a mais fácil pois a ilusão de que sabemos algo é bem frágil, já que secretamente somos assombrados pela sensação de que “Meu Deus sou uma fraude que não sabe nada”.

Mas essa segunda epifania (de que o coletivo “as outras pessoas” e a sabedoria convencional não sabem merda nenhuma) é um desafio muito maior. Nossa ilusão sobre a sabedoria de quem está ao nosso redor, nossa tribo e sociedade como um todo, é muito mais forte e está situada em um nível muito mais profundo do que a ilusão que nutrimos sobre nós próprios. Tão profundamente que veríamos o rei nu e ignoraríamos o que estamos vendo se alguém dissesse que e ele está vestido.

Esta é uma batalha entre dois tipos de confiança: a confiança nos outros e a confiança em nós mesmos. Para a maioria das pessoas, a confiança nos outros geralmente sai vencedora.

Para manter o equilíbrio, precisamos descobrir como perder o respeito pelo consenso coletivo em geral, pelo dogma da sua tribo e pela sabedoria convencional da sociedade. Há um monte de palavras românticas para os gênios do mundo que soam impressionantes, mas na verdade eles são apenas o resultado de terem perdido esse respeito. Para ser um gamechanger basta apenas ter pouco respeito por um jogo em que você percebe que não há boas razões para não se alterarem as regras. Para ser um pioneiro basta não respeitar os caminhos usuais e, assim, decidir-se a se criar um caminho novo. Para ser um groundbreaker basta saber que os fundamentos não foram criados por ninguém tão impressionante e, portanto, não há necessidade de mantê-los intactos.

Não respeitar a sociedade é algo totalmente contraintuitivo em relação ao que nos ensinam quando crescemos – mas faz todo o sentido se você apenas considera o que seus olhos vêem e o que a experiência lhe diz.

Há indícios ao redor que nos mostram que a sabedoria convencional não conhece merda nenhuma. A sabedoria convencional adora o status quo e sempre assume que tudo é como é por uma boa razão – e a história é um longo registro do dogma do status quo sendo desconstruído repetidas vezes, sempre que algum cozinheiro chega e muda as coisas.

E se você abrir os olhos, há outras pistas ao longo de toda a sua própria vida de que a sociedade na qual você vive não sabe coisa alguma de nada. Todas as vezes que você aprende o que realmente acontece dentro de uma empresa e descobre que ela é totalmente desorganizada. Todas as pessoas em posições de liderança ou sucesso que são infelizes em suas vidas pessoais. Todos os programas de humor da TV cujas piadas você tem certeza de que poderia ter escrito quando tinha 14 anos. Todos os políticos que não parecem saber mais sobre o mundo do que você.

E, no entanto, a ilusão de que a sociedade sabe alguma coisa que você não sabe está profundamente arraigada em sua mente. E em algum lugar no fundo de sua cabeça você ainda acha que é uma expectativa irreal criar aquela empresa, ter aquela riqueza fabulosa, fazer aquele programa de TV, vencer aquela eleição para o senado – não importa como as coisas pareçam ser.

Às vezes é necessário uma verdadeira experiência para ficar exposto o fato de que a sociedade não sabe nada. Um exemplo na minha vida é como lentamente comecei a entender como a maioria dos norte-americanos (o público mais amplo, minha tribo e pessoas que conheço bem) sabe muito pouco sobre o que está ocorrendo no mundo. Cresci ouvindo sobre como quão perigoso era visitar países distantes, especialmente sozinho. Mas quando comecei a ir para lugares que eu não deveria ir, continuava achando que a sabedoria convencional estava errada sobre isso. Como eu tinha mais experiências e reuni mais dados reais, cresci cada vez mais confiando em meu próprio raciocínio sobre o que os americanos estavam dizendo. E à medida que minha confiança cresceu, lugares como Tailândia e Espanha se transformaram em lugares como Omã e Uzbequistão, que se transformaram em lugares como Nigéria e Coréia do Norte. Quando se trata de viajar, tive a epifania: as opiniões veementes de outras pessoas sobre isso são baseadas em dogmas não comprovado e o fato de que a maioria das pessoas com quem falo sentem-se da mesma maneira não significa nada se minha própria pesquisa, experiência e perguntas seletivas me levarem a uma conclusão diferente. Quando se trata de escolher destinos de viagem, eu me tornei um chef.

Eu tento aproveitar o que eu aprendi como viajante para transferir essa habilidade de raciocínio para outras áreas – quando me vejo desanimado em outra parte da minha vida devido aos avisos e receios da sabedoria convencional, tento lembrar-me: “Estas são as mesmas pessoas que tinham certeza de que a Coréia do Norte era perigosa.” É difícil (você tem que fazer essa ruptura em cada parte de sua vida) mas parece que com cada sucessivo êxito, avanços futuros tornam-se mais fáceis de acontecer. Eventualmente, você deve atingir um ponto de inflexão em que confiar em seu próprio software torna-se uma forma de viver – e, como Jobs disse, você nunca mais será o mesmo.

A primeira epifania foi sobre destruir uma concha protetora de arrogância para colocar a humildade como ponto de partida. Esta segunda epifania é sobre confiança – a confiança para emergir dessa humildade através de um caminho construído sobre os primeiros princípios. É uma confiança que diz: “Eu talvez não saiba muito, mas ninguém mais sabe, então eu também poderia ser a pessoa mais experiente na Terra”.

EPIFANIA 3: VOCÊ ESTÁ JOGANDO GRAND THEFT LIFE

As duas primeiras epifanias nos permitem abrir nosso software, identificar quais partes dele foram colocadas por outra pessoa e, com confiança, começamos a preencher as caixas Desejos e Realidade do nosso próprio jeito a fim de escolher um objetivo e traçar uma estratégia adequada para nós.

Mas então, atingimos um obstáculo. Estamos finalmente no laboratório com todas as nossas ferramentas e equipamentos, mas algo nos detém. Para descobrir o porquê, vamos lembrar nossa história do rei.

Na situação ilustrada pelo conto A Roupa Nova do Rei existem quatro tipos de pessoas:

1) O pensador tribal: o pensador tribal é a pessoa que aceita todo o dogma. Qualquer voz do pensamento independente que exista dentro do pensador tribal já foi silenciada há tempos, e não há distinção entre seu pensamentos e o dogma que ele segue. Até onde lhe diz respeito, o dogma é a verdade. Mas como ele não percebe sequer que há um dogma sendo seguido, ele simplesmente pensa que é um sujeito esperto que já sabe como a vida é. Ele sente a força do dogma correndo por suas veias. Quando o rei se expõe nu e proclama que está vestindo belas roupas, o pensador tribal realmente essas roupas, pois ele sequer tem sua consciência desperta.

2) O pensador inseguro. O pensador inseguro é o que o pensador confiante se transforma depois de passar pela primeira epifania. Ele tem um pouco consciência sobre si mesmo – o suficiente para se tornar consciente do fato de que realmente não sabe porque tem tantas convicções sobre tantas coisas. Quaisquer que sejam as razões, ele tem certeza de que suas convicções estão certas, mas ele não consegue dizer o motivo. Sem a soberba e arrogância do pensador confiante, o pensador inseguro está perdido no mundo, perguntando-se porque é muito burro para entender o que todos parecem entender, e assim ele observa os outros para descobrir o que deveria fazer – tudo isso enquanto espera que ninguém descubra que ele não sabe nada. Quando o pensador inseguro vê o rei, sente-se péssimo: ele não vê as roupas do rei, e sim seu corpo nu. Com vergonha, ele observa a multidão e imita seu entusiasmo pelas roupas.

3) O pensador enrustido. O pensador enrustido é aquele que atingiu a Epifania 2, e percebeu que ninguém ao seu redor sabe coisa nenhuma sobre
a vida. Essa epifania é o fruto proibido, e o pensador enrustido o mordeu. Ele sabe exatamente a razão pela qual não se sente seguro sobre coisa alguma: porque tudo o que lhe foi dito desde a infância era bobagem. Ele vê as falácias da sabedoria convencional da sociedade como elas realmente são: fé baseada em dogma. Ele sabe que ninguém, nem ele próprio, entende coisa alguma e que irá passar muito mais tempo elaborando seus próprios raciocínios do que seguindo cegamente o caminho das massas.

Quando o rei surge nu, o pensador enrustido pensa “Deus, esse idiota realmente saiu nas ruas pelado, e esses idiotas estão fingindo que vêem as suas roupas! Como isso se tornou minha vida? Preciso fazer algo.”

Mas quando ele está pronto para chamar a atenção de todo mundo sobre o fato de que o rei está na verdade nu e não vestido, isso fica entalado na sua garganta. Sem dúvida ele sabe que o rei está nu – mas dizer isso em voz alta? Ele tem certeza do que está vendo, mas acha melhor pisar no freio neste momento. Sente que é melhor não chamar muita atenção para si. E, claro, há alguma chance de que ele esteja deixando de perceber alguma coisa importante sobre tudo. Ou não?

O pensador enrustido acaba ficando em silêncio, grunhindo algo quando os outros súditos o perguntam se não acha magníficas as roupas nova do imperador.

4) O pensador independente. É a criança que, na história da Roupa Nova do Rei, diz a todos imediatamente que o rei está nu. Ele é o pensador enrustido – só que sem seu medo irracional. O pensador independente passa pelo mesmo processo do pensador enrustido, mas quando chega a hora em que é evidente um erro, ele levanta a voz e diz a verdade.

Uma recapitulação visual:

 

Somos todos humanos e somos todos complexos, o que significa que, em várias épocas de nossas vidas, encarnamos cada um desses quatro personagens.

Mas para mim, o pensador enrustido é o mais curioso dos quatro. Ele percebeu a verdade. Ele sabe o que os chefes sabem. Ele está tentadoramente perto de descobrir seu caminho para ser um pensador independente no mundo, e ele sabe que, se simplesmente o fosse, coisas boas aconteceriam. Mas ele não consegue iniciar esse processo. Ele construiu para si mesmo um par de asas que funcionam e podem voar, mas ele não as coloca para saltar do penhasco.

E enquanto ele fica ao lado do penhasco com os outros cozinheiros, ele tem que suportar a tortura de assistir os pensadores independente do mundo saltarem da borda com as mesmas exatas asas e as habilidades de vôo que ele tem, mas com a coragem que ele não consegue achar em si.

Para entendermos o que acontece dentro do pensador enrustido, vamos nos lembrar de como funciona o pensador independente.

Livre da trepidação interna do pensador enrustido, o pensador independente pode colocar seu jaleco e começar a trabalhar em seu laboratório. Para ele, o mundo é um gigante laboratório, e sua vida é uma longa investigação racional com um milhão de experimentos. Ele gasta seus dias jogando, e a sociedade é seu tabuleiro.

O pensador independente trata seus objetivos e empreendimentos como experimentos cujo objetivo é tanto aprender novas informações quanto serem um fim em si mesmos. Por isso, quando perguntei a Musk sua opinião sobre comentários negativos que lhe fazem, ele respondeu com isso:

Acredito muito na importância de termos feedback. Estou tentando criar um modelo mental que é acurado, e se eu tiver alguma percepção errada sobre alguma coisa, ou se houver aprimoramentos que podem ser feitos nesse modelo, eu direi ‘eu costumava pensar desse jeito e isso mostrou-se equivocado – agora graças a deus eu não tenho mais essa opinião equivocada’.

Para um pensador independente em seu laboratório, receber feedback negativo significa impulsionar o seu progresso, uma gentileza feita por alguém. Algo puramente vantajoso.

Quanto à palavra que começa com F, a palavra que nos dá um frio na barriga, os grandes pensadores independentes tem algo a dizer a respeito:

Falhar é simplesmente ter uma oportunidade para recomeçar, dessa forma mais inteligentemente. – Henry Ford.

Chegamos ao sucesso indo de falha em falha sem perder o entusiasmo. – Winston Churchil.

Não falhei 700 vezes. Eu fui bem-sucedido em provar de 700 maneiras como não fazer uma lâmpada. – Thomas Edison

Não há garantia mais confiável do que o testemunho de pessoas super bem-sucedidas considerando o fracasso fantástico.

Mas há uma razão para isso. A abordagem científica trata de aprender através do teste de hipóteses, e as hipóteses são feitas para serem provadas, o que significa que os cientistas aprendem com o fracasso. A falha é uma parte crítica de seu processo.

Faz sentido. Se houver dois cientistas tentando progredir no tratamento do câncer, e o primeiro está tentando até as coisas mais ousadas que ele pode imaginar, falhando de todas as formas e aprendendo algo de cada vez, enquanto o segundo está determinado a não ter falhas, assegurando-se de que seus experimentos sejam semelhantes aos experimentos já feitos por outras pessoas, em qual cientista você apostaria?

Não é de admirar que muitas das pessoas mais impressionantes parecem tratar o mundo como um laboratório e sua vida como uma grande experiência – essa é a melhor maneira de ter sucesso em alguma coisa.

Mas, para a maioria de nós, simplesmente isso não é possível. Mesmo o pobre pensador enrustido, que está tão malditamente perto de ser um pensador independente, mas de alguma forma ainda longe.

Então, o que o está impedindo? Eu acho dois grandes equívocos o impedem:

EQUÍVOCO 1: MEDO MAL DIRECIONADO

Falamos sobre a coragem do pensador independente como sendo, na verdade, apenas uma avaliação precisa do risco – e essa é uma das principais coisas que falta ao pensador enrustido. Ele acha que ele se tornou inteligente ao perceber a farsa que seria deixar o dogma ditar sua vida, mas ele ainda está sob o efeito do truque mais esquisito do dogma.

Os seres humanos estão programados para levar o medo muito a sério, e a evolução não achou eficiente fazer com que avaliássemos e reavaliássemos cada medo dentro de nós constantemente. Em vez disso a evolução adotou a filosofia “melhor prevenir do que remediar” – isto é, se houver uma chance de que certo medo possa basear-se em perigo real, catalogue-o como um medo real, por garantia, e mesmo se você confirmar depois que esse medo não tem fundamento, mantenha-o com você, apenas por garantia. Melhor prevenir do que remediar.

E o nosso catálogo de medos está em algum lugar em nossa psique – em algum lugar bem abaixo de nossos centros de racionalidade, ou seja, fora do alcance.

O objetivo de todo esse medo é nos proteger do perigo. O problema é que, no que diz respeito à evolução, o perigo significa algo que prejudica a chance de seus genes se espalharem, ou seja, o risco de não se acasalar, de morrer ou de seus filhos morrerem. Isso é tudo.

Assim, da mesma forma que nossa habilidade de pensar foi adaptada para a sobrevivência nos tempos tribais, nossa obsessão com medos de todas as formas e tamanhos pode ter sido útil na Etiópia de 50 mil anos atrás. Mas hoje em dia arruína nossas vidas.

Porque não só aumenta o nosso medo em geral para “que horror estamos sem caça o suficiente e toda a tribo morrerá de fome no inverno” quando o que ocorre é “droga fui demitido e agora vou ter que morar na casa dos meus pais por alguns meses”. Temos mais medo de falar em público do que enviar mensagens de texto enquanto dirigimos, mais medo de se aproximar de um estranho atraente num bar do que de casar com a pessoa errada, mais medo de não ter o mesmo estilo de vida que nossos amigos do que passar 50 anos numa carreira vazia e sem sentido – tudo por causa do medo de passar vergonha, ser rejeitado e não se ajustar a eventos sociais.

Isso deixa a maioria de nós com uma escala de perigo distorcida:

Pensadores independentes odeiam o risco real tanto quanto os cozinheiros – um pensador independente que entra em território realmente perigoso e acaba na prisão, na sarjeta ou em terríveis dificuldades financeiras não é um pensador independente – ele é um pensador tribal que vive sob o dogma do “Sou Invencível”.

Quando vemos os pensadores independentes exibindo o que parece uma coragem incrível, geralmente eles estão trabalhando no seu laboratório. O laboratório de um pensador independente é onde toda a ação acontece e onde é construído o caminho para a realização para muitos sonhos de vida – sonhos sobre a carreira, sobre o amor, sobre aventuras. Mas, mesmo que suas portas estejam sempre abertas, a maioria das pessoas nunca pisou no laboratório pelo mesmo motivo que muitos americanos nunca visitarão alguns dos países mais interessantes do mundo – devido a uma suposição incorreta de que é um lugar perigoso.

Ao raciocinar por analogia quando se trata de categorizar o perigo, o pensador enrustido acaba mal direcionando o seu medo, e assim perde toda a diversão.

EQUÍVOCO 2: IDENTIDADE MAL DEFINIDA

O segundo maior problema do pensador enrustido é que, como todo mundo que não é um pensador independente, ele não consegue se convencer de que é o cientista no laboratório – e não experimento.

Como estabelecemos anteriormente, os membros de uma tribo de pessoas conscientes chegam a conclusões, enquanto os membros de uma tribo cega pelo dogmatismo são as conclusões. E o que você acredita, o que você defende e o que você escolheu fazer a cada dia são conclusões a que você chegou. Em alguns casos, muito, muito publicamente.

No que diz respeito à sociedade, quando você dá uma chance a algo (no front dos valores, no front da moda, no front religioso, no front da carreira, você se marca. E uma vez que as pessoas gostam de simplificar os outros para dar sentido às coisas em sua própria cabeça, a tribo ao seu redor reforça sua marca, colocando você em uma caixa claramente marcada e simplificada.

O que isso significa é que se torna muito doloroso mudar. Mudar alguma coisa é doloroso para alguém cuja identidade terá que mudar junto com isso também. E os outros não facilitam as coisas. Os membros da tribo cega não gostam quando um membro muda, pois isso os deixa confusos, isso os força a ajustarem as informações em sua cabeça, e isso ameaça a simplicidade de sua certeza tribal. Por isso Por isso, as tentativas de evoluir são freqüentemente confrontadas com oposição, zombaria ou raiva.

E quando você tem dificuldade em mudar, você se apega a quem você é atualmente e ao que está fazendo atualmente – tão fortemente que embaralha a distinção entre o cientista e a experiência até você esqueces que são duas coisas diferentes.

Nós conversamos sobre por que os pensadores independentes são receptivos a feedbacks negativos sobre suas experiências. Mas quando você é a experiência, o feedback negativo não é uma informação nova e útil – é um insulto. E isso machuca. E isso te deixa louco. E porque a mudança parece ser impossível a você, não há nada positivo que o feedback possa trazer de qualquer maneira. É como dar aos pais um feedback negativo sobre o nome da criança de um mês de idade.

Nós discutimos porque os cientistas esperam que muitas de suas experiências falhem. Mas quando você e o experimento são uma só coisa, você não está apenas estabelecendo que uma mudança em si é seu novo objetivo – você está colocando a sua própria identidade em teste. Se o experimento falhar, você falhará. Você será uma falha. Devastadora. Eterna.

Falei com Musk sobre os Estados Unidos e a maneira como os seus fundadores raciocinaram pelos primeiros princípios quando começaram o país. Ele disse que pensou que o motivo pelo qual eles puderam fazer isso é que eles tinham um papel e branco para trabalhar. Os países europeus daquela época teriam tido muito mais dificuldade em tentar fazer algo assim – porque, como ele me disse, eles estavam “presos em sua própria história”.

Ouvi Musk usar essa mesma frase para descrever as grandes empresas aeroespaciais de hoje em dia. Ele vê Tesla e SpaceX como os EUA do século dezoito (novos laboratórios para experimentos), mas quando ele olha para outras empresas, ele vê uma incapacidade de impulsionar suas estratégias partindo de uma mentalidade de folha em branco. Referindo-se à indústria aeroespacial, Musk disse: “Há um tremendo viés contra riscos. Todo mundo está tentando ampliar o seguro de vida de seus próprios rabos”.

Estar preso na sua própria história significa que você não sabe como mudar, esqueceu como inovar e está preso na caixa de identidade em que o mundo colocou. E você acaba sendo o pesquisador de câncer que mencionamos, que só faz experimentos que tendem a ser bem-sucedidos dentro da zona de conforto em que se acomodou.

É por esta razão que Steve Jobs olha para trás e vê sua demissão da Apple em 1986 como uma benção disfarçada. Ele disse: “Sair da Apple foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo. O peso do sucesso foi substituído pela leveza de ser um iniciante novamente. Isso me liberou para entrar em um dos períodos mais criativos da minha vida.” Ser despedido “libertou”Jobs dos grilhões de sua própria história.

Então, o que o pensador enrustido tem para se perguntar é: “Estou preso na minha própria história?” Quando ele está no penhasco com as asas pronta para voar e se vê paralisado (de evoluir como pessoa, de fazer mudanças em sua vida, de tentar fazer algo ousado ou incomum) parte do que o está segurando é a bagagem de sua própria identidade?

As crenças do pensador enrustido sobre o que é assustador não são mais reais do que a suposição do pensador inseguro de que a sabedoria convencional tem todas as respostas. Mas ao contrário da epifania “as pessoas não sabem nada”, cujas evidências você pode encontrar em todo o lugar, a epifania de que nem falhar nem mudar são coisas realmente perigosas apenas pode ser vivenciada quando fazemos experimentos em nossas próprias vidas. E isso você só pode fazer depois de superar esses medos – o que só acontece se você experimentar mudar e falhar e perceber que nada de ruim acontece. Outro beco sem saída.

Estas são as razões pelas quais eu acredito que tantas das pessoas mais capazes do mundo estão presas na vida de pensador enrustido, há uma epifania de distância da Terra Prometida.

O desafio com esta última epifania é descobrir alguma forma de perder o respeito pelo seu próprio medo. Esse respeito está em nossa programação mais básica, e a única maneira de enfraquecê-lo é desafiá-lo e observar, quando nada de ruim acontece, que a maior parte do medo que você sentia tem a consistência da fumaça. Fazer algo fora de sua zona de conforto e ver que nada de ruim aconteceu é uma experiência incrivelmente poderosa, que nos transforma. E cada vez que você possui esse tipo de experiência, ela enfraquece seu respeito por medos irracionais e arraigados em seu cérebro.

Porque a coisa mais importante que o pensador independente sabe é que a vida e o Grand Theft Auto não são tão diferentes. Grand Theft Auto é um jogo de vídeo divertido porque é um mundo falso onde você pode fazer coisas sem medo. Conduzir a duzentos por hora na rodovia. Parar o carro batendo num prédio. Atropelar um inocente com seu carro. Tudo isso é permitido em GTA.

Ao contrário do GTA, na vida real, a lei e a prisão são coisa séria. Mas é aí que as diferenças terminam. Se alguém lhe deu uma simulação perfeita do mundo de hoje para jogar e disse que é tudo falso e sem conseqüências reais (com as únicas regras sendo não desobedecer a lei ou machucar alguém, e você ainda tem o dever de prover as necessidades básicas de sua família), o que você faria?

Acho que a maioria das pessoas faria todo o tipo de coisas que gostariam de fazer em sua vida real, mas que não se atreveram a tentar. E que ao se comportarem este jeito, acabariam rapidamente fazendo de sua vida nessa simulação algo muito mais bem sucedido e muito mais verdadeiro para elas do que a vida real que estão vivendo atualmente. A remoção do medo e da preocupação com uma identidade ou com as opiniões dos funcionários impulsionaria a pessoa para o laboratório pensador independente, algo que não é realmente arriscado, e as faria se jogar em experimentos e lugares muito distantes de sua zona de conforto – e suas vidas iriam decolar. Essa é a vida que os medos irracionais nos impedem de termos.

Quando olho para os incríveis pensadores independentes do nosso tempo, o que fica claro é que eles estão mais ou menos tratando a vida real como se fosse a vida do Grand Theft Auto. E agir assim lhes dá superpoderes. Isso é o que eu acho que Steve Jobs quis dizer todas as vezes em que falou: “Fique faminto. Permaneça tolo”.

E é por isso que, se as duas primeiras epifanias envolvem humildade e confiança, a terceira epifania envolve destemor.


 

Então, se queremos pensar como um cientista mais frequentemente na vida, esses são os três objetivos-chave: ser mais humilde sobre o que sabemos, mais confiante sobre o que é possível e ter menos medo de coisas que não importam.

É um bom plano – mas também exaustivo. Certo? Isso é um monte de coisas para se tentar fazer.

Normalmente, no final de um texto como esse, o ponto principal parece gerenciável e concreto, e eu termino de escrever animado para executar o que aprendemos. Mas esta publicação foi como, “Aqui está tudo que importante e vá fazê-lo.” Então, como trabalhamos com isso?

Acho que a chave é não tentar ser um chef perfeito nem esperar isso de você mesmo. Porque ninguém é um chef perfeito, nem mesmo o Elon. E ninguém também é puro cozinheiro amador – nada é preto e branco quando você está falando sobre uma espécie animal cujo cérebro contém 86 bilhões de neurônios. A realidade é que todos somos um pouco de ambos, e o lugar em que estamos nesse espectro varia de 100 maneiras diferentes, dependendo da parte da vida em questão, de nossa situação no cenário evolutivo e de nosso humor em determinado dia.

Se queremos melhorar a nós mesmos e nos aproximarmos do lado chef do espectro, devemos lembrar de lembrar. Temos que lembrar que temos software, não apenas hardware. Temos que lembrar que o raciocínio é uma habilidade e, como qualquer habilidade, você melhora com isso a medida em que se dedica a isso. E temos que lembrar da distinção cozinheiro/chef, para que possamos perceber quando estamos sendo como um ou outro.

  • Alef dos Santos

    Este texto é daqueles texto que você tem que ler todo o santo dia ou em um momento de fraqueza. Para quem for preguiçoso o resumo é tem que meter o louco na vida se não você não sai do ciclo ad eternum de uma vida padrão que você acha que não é pra ti.