O que é o Projeto AZ?

Não se trata de mudar o mundo, mas de reconhecer que a mudança já começou.

Leia nossa declaração de propósitos aqui.

O ano “zero” não existe em nosso calendário gregoriano. O ano 1 Antes de Cristo foi imediatamente seguido do ano 1 Depois de Cristo. O ano “0”, o momento intermediário entre a tradição pré-cristã e o que se convencionou chamar de “Anno Domini“, permanece como um período de tempo meramente conceitual, que marca o momento em que a humanidade vivencia uma transformação significativa. 

E, neste exato momento da história, estamos passando por outro processo de mudança profunda do mundo e da própria concepção de ser humano. Esse processo é inexorável, pois já foi iniciado pelo progresso dos meios de comunicação, pela derrocada dos embates ideológicos do século XX e pelo desenvolvimento da alta tecnologia. Por isso e cada vez mais, o amanhã começa agora, e não se trata de querer mudar o mundo, mas sim de tentarmos coletivamente orientar uma mudança que já está acontecendo. Mas se essa mudança trará principalmente benefícios ou infortúnios para a humanidade, trata-se de algo que depende da nossa capacidade de compreender plenamente a exata natureza dessa transformação, para que possamos, ao menos em parte, controlar os seus rumos e seu ritmo.

[clique aqui para saber mais sobre o nome Ano Zero]

O projeto Ano Zero pretende criar um espaço não só de reflexão e discussão, mas de efetiva implementação de algumas mudanças necessárias para que as transformações do mundo e da humanidade ocorram não de forma descontrolada e caótica, mas com consciência e controle. Em jogo, está a felicidade pessoal de cada um de nós e a sobrevivência da humanidade.

Considerando essa proposta, o AZ baseia-se em três princípios. Primeiro, ao invés de buscar por um mundo “melhor”, busca-se um mundo “em evolução”. Segundo, essa evolução depende do aprimoramento pessoal de cada um, de modo que todo ser humano busque se tornar a melhor versão de si mesmo. Por fim, através dessa evolução pessoal, desenvolveremos a consciência coletiva e o trans-humanismo.

Um mundo em constante evolução.

Quando falamos em um mundo “melhor”, cada um de nós tem uma opinião diferente, conforme sua concepção sobre o que é certo ou errado, “bem” e “mal”. Hitler e Mao aspiravam a um mundo “melhor”, segundo seu próprio ponto de vista. Ciente disso, Ano Zero é um projeto que prefere tomar emprestado da biologia o conceito de “evolução”: um mundo mais evoluído é um mundo adaptado aos desafios que se apresentam, um mundo eficiente em lidar com seus problemas.

Mas qual a diferença efetiva em substituir “mundo melhor” por “mundo em evolução”? Em primeiro lugar, sob esse último enfoque, teorias sobre como as coisas são e devem ser (os “ismos”) têm uma importância apenas relativa, pois o que importa é o que funciona na prática, o que produz efeitos comprovados. Nossa proposta é analisar as transformações sociais com pensamento complexo (a “raposa” de Tolstoi) e diálogo não-violento (sem demonizar adversários, buscando compreendê-los para além da retórica, focando nas suas motivações também emocionais).

Em segundo lugar, a sociedade não será aprimorada pela destruição das atuais estruturas sociais e sua substituição por estruturas idealizadas, e sim pelo aprimoramento das estruturas já existentes. A experiência histórica demonstra que revoluções, por melhor que sejam as aspirações dos revolucionários, criam uma etapa de caos na qual apenas os piores elementos, aqueles predispostos à violência e conduzidos apenas pelo desejo de poder, predominam.

O que torna um edifício um presídio, ao invés de um lar, não são suas paredes e muros, mas a intencionalidade daqueles que lá trabalham e vivem. As instituições e estruturas sociais existentes, como qualquer ferramenta, são moralmente neutras, e acreditar que a destruição de suas paredes e muros solucionará as mazelas sociais é apenas criar novas prisões ali adiante. A verdadeira mudança do mundo ocorre com a transformação da intencionalidade dos seres humanos por trás dessas instituições e estruturas sociais.

Torne-se a melhor versão de você mesmo.

E como implementar na prática um projeto de evolução do mundo através do aprimoramento estruturas sociais? Transformando os seres humanos que integram essas estruturas, mediante a evolução da consciência na busca da nossa realização pessoal, respeitada a individualidade e os sonhos de cada um.

Aqui sim, a expressão “melhor” pode ser utilizada, pois cada um de nós tem uma personalidade própria e um projeto particular de vida. Não faz sentido mirarmos em um só ideal de ser humano e não há razão para nos compararmos mutuamente. Cada um de nós deve tentar ser a melhor versão de si mesmo, aquela versão que se aproxima de seus sonhos sobre quem gostaria de ser, o que deseja fazer de sua vida e o que ambiciona conquistar.

Mas mesmo o que queremos ser, ter e fazer não são noções que nascem prontas: são o resultado de um processo constante de aprendizado sobre si mesmo. E quanto ao aprendizado, os professores são os profissionais mais importantes da sociedade, mas nosso sistema educacional está deteriorado e obsoleto diante das transformações do mundo moderno. Já as famílias, que têm uma participação fundamental na formação do indivíduo, não conseguem preparar-nos para os reais desafios da vida atual.

Diante desse panorama, a proposta de Ano Zero é aprendermos coletivamente o que deveria ter sido ensinado já na infância, caso nosso sistema educacional e estrutura familiar estivessem sintonizados com o complexo mundo de hoje em dia: como desenvolver a autoconsciência, como construir relacionamentos saudáveis, como compreender juridicamente a cidadania, como autogerir-se financeiramente e empreender, como filtrar o excesso de informações e outras disciplinas que deveriam estar incluídas, ao menos de forma optativa, na grade curricular de um sistema educacional adequado à complexidade de nossa sociedade. Nesse tópico, o Ano Zero tem uma agenda ambiciosa e muito além da internet, mas que depende do progressivo desenvolvimento de nossas atividades.

A formação da consciência coletiva.

O cerne da mudança que está se operando no mundo é fundamentalmente prático e concreto: em essência, o desenvolvimento da tecnologia e da ciência aplicada está por trás da radical alteração em nossa concepção de mundo e de ser humano.

Neste momento, como quem permanece na crista de uma onda sem perceber seu tamanho, não temos uma adequada noção das transformações que a tecnologia está produzindo em toda a humanidade. Estamos conectados em redes de comunicação durante quase todo o tempo em que permanecemos despertos, e em breve a internet se desvinculará de computadores e celulares e estará integrada em todo ambiente circundante – é a ubiquidade da conectividade, a interconexão constante entre nossas narrativas individuais.

O sonho do visionário Teilhard de Chardin está, de uma forma que ele próprio mal suspeitava, se realizando: a criação da noosfera, ou seja, da consciência coletiva que unirá a todos nós e implicará na formação da consciência universal de toda a biosfera terrestre. 

Para Chardin, no atual estágio da história humana, estaríamos transpondo o limiar de uma época em que ocorrerá a unificação de nossas consciências por meio da tecnologia. Ele considerava que a nova tecnologia estava criando um “sistema nervoso” para a humanidade, uma membrana reticular sobre a Terra, iniciando a era da civilização unificada. Suas previsões têm se concretizado nas últimas décadas, mas esse processo parece, ironicamente, estar sendo conduzido de forma inconsciente pela humanidade.

Além disso, a nanotecnologia, a biotecnologia e o desenvolvimento da inteligência artificial escancaram as portas daquilo que antes era apenas um delírio, mas que a cada dia se torna uma realidade concreta: o transumanismo, a aplicação das descobertas científicas e da tecnologia a fim de superarmos as atuais limitações humanas. Novamente, é possível que esse processo ocorra sem que percebamos todas as suas implicações, riscos e benefícios. O projeto AZ pretende ser também um espaço de reflexão cuidadosa e crítica a respeito desses temas. 


Essa perspectiva é ambiciosa, e estamos apenas na etapa embrionária de nosso projeto. Embora o AZ pareça atualmente ser só um portal na internet, esse portal é o movimento inicial, necessário para a obtenção do suporte material e financeiro destinado à implementação dos outros projetos sobre os quais, ao menos por enquanto, preferimos apenas mencionar as siglas: CAZ e EAZ.

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