o palido ponto azul

O Pálido Ponto Azul

Em Ciência, Consciência, Vídeos por Alysson AugustoComentário

Quanto melhor com­pre­en­der­mos quem somos e onde esta­mos, maior cons­ci­ên­cia tere­mos daquilo que deve­mos fazer — e daquilo que pre­ci­sa­mos parar de fazer.

O como­vente vídeo abaixo, pro­du­zido pelo estú­dio de ani­ma­ção ORDER, nos situa exa­ta­mente onde esta­mos, e nos faz per­ce­ber a abso­luta pre­ci­o­si­dade deste pla­neta, deste lugar que esta­mos des­truindo de forma incon­se­quente ao vili­pen­diar o meio ambi­ente.

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O texto reci­tado no vídeo é base­ado em um tre­cho de Pale Blue Dot, livro de Carl Sagan, ins­pi­rado na céle­bre foto­gra­fia do pla­neta Terra feita pela sonda Voya­ger 1 entre os anéis de Saturno, a seis bilhões de quilô­me­tros de dis­tân­cia.

Na ima­gem, nosso lar apa­rece como um ponto insig­ni­fi­cante.

planeta terra, pálido ponto azul, visto da sonda voyager 1, pela nasa

Pla­neta Terra visto da sonda da Nasa, Voya­ger 1.

A seguir, publi­ca­mos a tra­du­ção do tre­cho com­pleto que ins­pi­rou o vídeo.


Deste ponto de vista dis­tante, a Terra pode não pare­cer de qual­quer inte­resse par­ti­cu­lar.

Mas, para nós, é dife­rente.

Con­si­dere nova­mente aquele ponto. Ele é isso aqui. É a nossa casa. Somos nós. Nele todos que você ama, todos que você conhece, todos que você já ouviu falar, todo ser humano que já exis­tiu, vive­ram suas vidas.

O agre­gado da nossa ale­gria e sofri­mento, todas as inú­me­ras reli­giões, ide­o­lo­gias e dou­tri­nas econô­mi­cas, cada caça­dor e saque­a­dor, herói e covarde, cri­a­dor e des­trui­dor de civi­li­za­ções, rei e ple­beu, jovem casal apai­xo­nado, cada mãe e pai, cri­ança tão espe­rada, inven­tor e explo­ra­dor, cada pro­fes­sor de moral, cada polí­tico cor­rupto, cada “supers­tar” cada “líder supremo”, cada santo e peca­dor na his­tó­ria da nossa espé­cie, viveu ali — num grão de pó sus­penso num raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno numa imensa arena cós­mica.

Pense nos rios de san­gue der­ra­ma­dos por todos os gene­rais e impe­ra­do­res para que em gló­ria e triunfo eles pudes­sem ser os senho­res momen­tâ­neos de uma fra­ção desse ponto.

Pense nas cru­el­da­des infi­ni­tas come­ti­das pelos habi­tan­tes de um canto desse pixel con­tra os habi­tan­tes mal dis­tin­guí­veis de algum outro canto.

Quão fre­quen­tes são os con­fli­tos, em sua ânsia são para matar o outro, quão fer­vo­roso seu ódio. Nos­sas ati­tu­des, nossa auto-impor­tân­cia, a ilu­são de que temos uma posi­ção pri­vi­le­gi­ada no uni­verso, são desa­fi­a­das por este ponto de luz pálida.

Nosso pla­neta é um pon­ti­nho soli­tá­rio na grande escu­ri­dão cós­mica cir­cun­dante. Em nossa obs­cu­ri­dade — em toda essa imen­si­dão — não há nenhum indí­cio de que a ajuda virá de outro lugar para nos sal­var de nós mes­mos.

A Terra é o único mundo conhe­cido, até agora, para abri­gar a vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro pró­ximo, para onde nossa espé­cie possa migrar. Visi­tar, sim. Ficar, ainda não.

Goste ou não, por enquanto a Terra é onde esta­mos esta­be­le­ci­dos.

Tem sido dito que a astro­no­mia é uma expe­ri­ên­cia de humil­dade e de cons­tru­ção da per­so­na­li­dade. Tal­vez não haja melhor demons­tra­ção da tolice das vai­da­des huma­nas do que esta dis­tante ima­gem de nosso mundo minús­culo.

Para mim, isso reforça nossa res­pon­sa­bi­li­dade de lidar mais gen­til­mente com os outros e de pre­ser­var e valo­ri­zar esse pálido ponto azul, o único lar que eu conhe­ce­rei.

É graduando em Filosofia pela PUCRS, professor de ensino médio e faz vídeos para o Youtube (conheça aqui). E, não menos importante, editor do melhor site da internet, o Ano Zero. Mas o necessário a saber mesmo é de seu amor declarado por churros.

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