(Esta é a tradução autorizada do artigo original, escrito por Mark Manson em seu site. Se você quer acompanhar os novos artigos em língua inglesa, clique aqui e assine a newsletter de Mark)


Imagine o seguinte: existe uma máquina que pode fazer o download de seu cérebro para um computador e salvá-lo como um arquivo. Todas as suas esperanças, sonhos, aspirações, memórias, segredos sujos e fantasias bizarras estão nesse arquivo, e podem ser carregadas em um programa que transformaria o computador em uma replicação sintética perfeita, embora temporária, de “você”.

O computador poderia, então, fazer tarefas básicas que você acha aborrecidas com os mesmos gostos e preferências que você mesmo faria. Poderia encontrar e requisitar um tapete novo para a sala de visitas, fazer a pesquisa para um projeto no trabalho, calcular seus impostos, calcular as finanças para o fundo da faculdade dos seus filhos, tudo enquanto você dorme ou se senta no sofá e fica gordo.

De certo modo, seria “você”, embora fosse algo completamente fora de seu corpo e percepção consciente.

Agora imagine que esse mesmo programa permitisse que você alterasse a si mesmo. Você poderia apagar algumas lembranças traumáticas, ajustar um pouco sua auto-estima, remover um mau hábito e instalar alguns bons hábitos. Então você poderia conectar o computador de volta em sua cabeça e baixar o novo “você” em questão de segundos, assim como Neo fez em “The Matrix”, e subitamente você saberá lutar Kung Fu.

Mas digamos que você fique louco e decida apagar todas as suas memórias e substituí-las com falsas memórias, sintéticas. Você ainda é “você”? E se você apagar e substituir a sua personalidade também? E aí?

Ou vamos radicalizar na bizarrice. Digamos que você e uma amiga queiram se divertir, então você carrega seus cérebros para o computador e faz o download da consciência de cada um na cabeça do outro. Então, agora, “você” está no corpo dela, e “ela” está em seu corpo. Agora imagine que vocês permaneçam nos corpos uns dos outros por anos, até o ponto em que cada uma de suas personalidades, memórias e percepções se fundam em personalidades híbridas, parte você e parte sua amiga. Você ainda é você mesmo? Sua amiga ainda é ela? Ou vocês são uma nova e estranha entidade?

Mas espere, vai ficar ainda mais bizarro.

Digamos que, nesse futuro hipotético e avançado, nós já colonizamos Marte. E o Imperador Galáctico Elon Musk decretou que seus súditos merecem ter viagens rápidas e acessíveis à Marte. Então, o Imperador Musk começa uma empresa para inventar um dispositivo de teletransporte. E ele chama essa empresa de “Foda-se, eu sou Elon Musk e eu posso fazer qualquer coisa.” E dentro de três anos o valor de mercado da empresa é de US$ 8 trilhões.

E com certeza, com Musk criando esse dispositivo de teletransporte, estaríamos prontos para nos enviar para Marte da mesma forma que provavelmente caminhamos até a caixa de correio nesta manhã.

A maneira como esse dispositivo de teletransporte funciona é simples: toma o corpo humano e o oblitera em seus trilhões de átomos constituintes. Em seguida, codifica esses átomos e barras em dados à velocidade da luz para um dispositivo semelhante em Marte. O dispositivo em Marte então toma esses dados e organiza alguns trilhões de átomos de volta para a configuração exata que foi obliterada na Terra, ou seja, você, e boom! Agora você está em Marte.

Está?

Veja: você foi obliterado na Terra. Cada único átomo quebrado e separado. E o “você” que foi sintetizado em Marte — apesar de possuir o mesmo corpo, cérebro, pensamentos e memórias — é uma entidade inteiramente recém-construída.

Em um sentido muito real, o dispositivo de teletransporte funciona brutalmente assassinando você na Terra e, em seguida, rapidamente te clonando como você era no momento antes de morrer, em outro local.

Então, isso é que é “você” em Marte? Ou apenas é uma perfeita cópia sua que é realmente alguém?

 

SE VOCÊ PENSA QUE É DIFÍCIL “ENCONTRAR A SI MESMO” AGORA, ESPERE APENAS ALGUMAS DÉCADAS.

Essas questões podem parecer loucas e surreais, mas caso você não tenha ouvido ainda, a tecnologia está avançando em uma taxa exponencial. Muitas dessas tecnologias provavelmente serão introduzidas dentro de nossas vidas.

E olha que já estamos enfrentando algumas dessas questões de identidade hoje, só que em uma escala muito menor e mais sutil.

Fazer um “upload” de nossas personalidades inteiras para uma rede pode parecer insano, mas você já envia uma grande porcentagem de sua vida para mídias sociais, e-mail e “nuvem”. Esses dados carregados são uma representação exata de “você”? É parte de sua identidade? Se tudo fosse suprimido e substituído com outra informação, “você” mudaria?

Como seres humanos, está em nossa natureza procurar referências externas para nos identificar. João é um bom baterista. Gregório gosta de anime. Cris é advogada.

Mas esses pontos de referência externos são, em grande parte, determinados por nossas circunstâncias materiais. Você não pode ser um bom advogado se não há um código legal escrito e um sistema judicial. Você não pode ser um nerd de anime se não houver televisão, assim como você não pode ser um bom baterista se ninguém inventou a bateria ainda.

Esses são exemplos simples. Mas o ponto permanece: o que vemos como nós mesmos, as nossas identidades — aquilo em que somos bons, como nos parecemos, aquilo em que acreditamos, o que valorizamos — é determinado principalmente pelas circunstâncias tecnológicas e econômicas em que nos situamos.

Se você for para uma ilha com um grupo de pessoas e nenhuma deles souber nadar, você rapidamente consolidará sua identidade como “o nadador”. Agora, se você na infância entrou na equipe de natação da escola e chegou em último lugar em cada prova, sua identidade se consolida como “o perdedor”. Mas se em dez anos a equipe de natação da escola fosse substituída por robôs androides, sua identidade será simplesmente de “o ser humano” (que é péssimo na natação).

É a mesma atividade, mas com identidades completamente diferentes — ou seja, maneiras completamente diferentes de rotular e ver a si mesmo com base nas circunstâncias externas e tecnologia envolvida.

O fato de você estar lendo isto agora significa que você viu a tecnologia mudar mais durante a sua vida do que ela mudou nos 100 anos antes de você nascer. Isso significa que você está lendo este texto num dispositivo que tem mais informações disponíveis ao alcance de um toque do que todo o conhecimento acumulado por civilizações inteiras ao longo de milhares de anos. Isso significa que você provavelmente está exposto a mais ideias e imagens novas em um dia do que seus antepassados estiveram em uma vida.

Devido ao enorme fluxo livre de informações nas últimas décadas, nossas identidades estão se tornando mais fluidas e mais abrangentes porque nossas circunstâncias mudam muito rapidamente. Com a tecnologia de hoje, as pessoas não apenas escolhem como se apresentar aos outros e como se definir, mas também são capazes de editar, modificar e acentuar essas representações exatamente como querem.

Mesmo no mundo offline, cirurgia plástica e modificação do corpo estão se tornando mais fáceis e mais baratas do que nunca. Medicamentos e suplementos farmacêuticos são abundantes, alterando ligeiramente a química de nossas mentes para se adaptarem a quem pensamos que devemos ser. Com as limitações do mundo físico removidas, o reino online oferece um ambiente de baixo risco para nós “experimentarmos” novas personalidades e ver como elas se encaixam em nós. E à medida em que encarnamos os nossos avatares online, isso também afeta nossas vidas offline (e vice-versa).

Fronteiras de todos os tipos continuam a se dissolver com cada avanço na tecnologia da informação moderna [1]. Nossas posses estão sendo desmaterializadas — música, fotos, vídeos, mensagens e palavras escritas, dados e informações, até mesmo nosso dinheiro está sendo digitalizado [2].

O conteúdo gerado pelo usuário está borrando a linha entre produtores e consumidores. Smartphones e acessos constantes à Internet estão rapidamente dissolvendo a fronteira entre estar offline e online. Nossas memórias estão sendo armazenadas como fotos digitais, atualizações de status, comentários e “curtidas” que podem ser acessados em segundos.

A distinção entre o biológico e tecnológico está desaparecendo (implantes cocleares, articulações e membros artificiais, implantes mamários, marcapassos, membros robóticos que interagem com o sistema nervoso, exoesqueletos motorizados). Essas e muitas outras inovações de tecnologia biológica são relativamente comuns e aceitas ou estão prestes a se tornar comuns e aceitas num futuro não tão distante.

Embora muitos de nós ainda vejam uma divisão bem clara entre o mundo digital e o mundo “real”, mesmo esses limites mentais estão se dissolvendo gradualmente [3].

 

O FUTURO DA IDENTIDADE

O homem das cavernas não podia fazer merda. Era tipo caçar ou colher frutas e fazer bebês. Não se podia ir muito longe disso. Como tal, seu senso de identidade era mais ou menos inexistente. Você não perguntaria a Zug Zug se ele se achava um libertário ou qual era seu estilo favorito de tocar bateria. Isso não existia. As identidades eram baseadas no grupo, porque todos confiavam no grupo para sobreviver.

Nos tempos antigos, começou a haver uma divisão de trabalho e o crescimento de cidades e de pequenos estados. Logo, o fazendeiro tinha uma existência clara e distinta do soldado, que tinha uma existência distinta do artista ou do monge ou de quem quer que fosse.

Mas não foi até o Iluminismo que se enraizou a ideia de que as pessoas tinham sua própria alma e mente individual e distinta dos demais. A ideia de direitos e igualdade floresceu e a crença humanista da “busca da felicidade” se firmou.

Grande parte disso é provavelmente atribuível ao maior avanço tecnológico nos séculos: a imprensa. Livros baratos e disponíveis permitiram que as pessoas lessem e obtivessem acesso à mente de outros, simpatizando com suas ideias, desafios e lutas pela primeira vez. De repente, as pessoas não eram meramente definidas por sua ocupação ou classe social — eram definidas por suas emoções, ideias e aspirações também.

Então você chega ao século vinte, e a industrialização tornou a produção de bobagens tão barata e fácil que as pessoas só começaram a comprar coisas para se divertir, e não por precisarem delas. Como resultado, durante grande parte do século vinte, a identidade foi amplamente definida pela forma como alguém consome, pelo modo como gasta seu dinheiro. Você compra uma casa junto ao lago ou uma casa na cidade? Você é um cara da natureza ou você gosta de restaurantes finos? Caminhonete ou sedan? Budweiser ou Miller? Rolling Stones ou Beatles?

Olhando a história humana, vemos duas tendências paralelas:

  1. À medida que a tecnologia avança, cada indivíduo recebe maior flexibilidade e oportunidade de se expressar e melhorar sua vida.
  2. Com acesso a maior flexibilidade e oportunidades, nossas identidades (ou como decidimos nos definir e nos ver) tornam-se mais fluídas e mais abstratas.

O homem das cavernas teve que confiar 100% na coesão social para sobreviver. Portanto, sua identidade dependia do grupo. As pessoas no mundo antigo encaixavam-se em papéis muito específicos dentro de um sistema feudal ou de castas e, portanto, suas identidades foram confinadas a esses papéis.

Na idade moderna, as pessoas começaram a se identificar com base em seus pensamentos e sentimentos individuais, e mais tarde, por suas decisões de compra e estilo de vida.

Hoje, estamos vendo definições ainda mais abstratas da identidade, e mesmo aspectos fundamentais tais como gênero, sexualidade, raça e aparência física estão se tornando mais fluídos e relativos. Se eu quisesse, amanhã poderia me definir como um ciclista escocês transgênero chamado Epiphany. E não há realmente nada que você possa fazer para me impedir.

Isso é uma coisa boa. Mas também faz a compreensão de nós mesmos e a definição de quem somos uma tarefa mais complicada do que, digamos, algumas gerações atrás.

E só vai ficar mais complicado. No passado falava-se em “crise de meia-idade” — uma crise de identidade e de propósito de vida que afeta as pessoas entre os 40 e 50 nos. Recentemente, se fala de “crise do um quarto de idade” — momento em que, devido à enorme variedade de oportunidades que os jovens têm hoje, parece impossível simplesmente escolher e definir-se por um caminho.

Com a tecnologia se desenvolvendo cada vez mais rapidamente, não me surpreenderia se as pessoas estivessem em uma constante crise de identidade, pois, para ser franco, essa merda está ficando cada vez mais estranha.

Aqui estão apenas três grandes áreas de desenvolvimento tecnológico que poderiam embaralhar completamente quem somos e quem queremos ser.

 

1. Engenharia genética e nanotecnologia.

Essas duas tecnologias poderiam potencialmente tornar nosso corpo um receptáculo customizável — algo que você personaliza e muda como partes de um carro.

A terapia genética nos permitirá selecionar e escolher nossos próprios genes e os genes de nossos filhos. As doenças e condições genéticas poderão ser removidas da árvore genealógica, e características físicas menos desejáveis podem potencialmente ser substituídas por outras mais desejáveis.

Nanotecnologia significa que podemos começar a implantar computadores microscópicos em partes do nosso corpo e, em alguns casos, substituir as células por versões mais eficientes das células. Quer segurar a respiração debaixo da água por 15 minutos? Os nanobots que substituem ou ajudam os glóbulos vermelhos poderiam nos permitir fazer isso. Poderíamos correr milhas de uma só vez sem descanso e nos tornar protegidos de doenças e infeções básicas.

Além disso tudo, não há razão para não acreditar que coisas como a cirurgia plástica e outras modificações à aparência física não se tornarão mais convencionais e acessíveis. Hoje em dia, mais de 15 milhões de procedimentos de cirurgia plástica são realizados anualmente nos EUA, e esse número continua a crescer (especialmente para os homens) [5].

Dentro de uma década ou duas, nossas características físicas e habilidades podem tornar-se tão arbitrárias em relação à nossa identidade como o que comemos para o café da manhã ou qual nosso programa de TV favorito.

 

2. Robótica e Inteligência Artificial.

Em seu livro Race Against the Machine, os professores do MIT Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee observaram que o crescimento exponencial do poder de processamento do computador, combinado com a diminuição exponencial do custo desse poder de processamento, significa que é inevitável que todos os trabalhos humanos, exceto os mais criativos, sejam terceirizados com sucesso para máquinas baseadas em Inteligência Artificial.

Médicos, contadores, banqueiros, até mesmo a burocracia do governo provavelmente será automatizada através de algum tipo de algoritmo ou máquina de aprendizagem inteligente algum dia.

O resultado, então, será uma população na sua maioria desempregada. A maioria das pessoas não terá nada produtivo para fazer pela simples razão de que suas habilidades são facilmente superadas pelos computadores.

Além das crises socioeconômicas e políticas que isso causará, provavelmente haverá uma crise de identidade mundial também. Grande parte de nossa identidade é determinada pelo que de mais valioso fazemos [6]. E se a tecnologia reduz aquilo que fazemos e que nos dá valor social a nada, então podemos acabar com milhões de pessoas nos perguntando qual era o propósito de tudo isso afinal de contas.

 

3. Realidade virtual.

Os games mais populares dos últimos dez anos têm sido todos jogos de personificação — jogos em que você assume a identidade de um herói anônimo, usa suas habilidades e toma decisões em centenas (ou milhares) de horas de jogo. Esses “avatares” dão aos jogadores uma saída para “testar” identidades às quais de outra forma não teriam acesso.

Com a chegada da realidade virtual, não há razão para pensar que isso não vai continuar a crescer e a se tornar o objetivo principal. De fato, a realidade virtual pode nos dar uma capacidade ilimitada para alterar nossas personalidades em um mundo virtual, e testar os limites de como nos conceituamos em um ambiente seguro e livre de conseqüências.

O controverso futurista e inventor Ray Kurzweil acredita que a realidade virtual se tornará tão agradável e personalizável que uma grande porcentagem da população um dia simplesmente desistirá do “mundo real” inteiramente. Ele diz que isso não é necessariamente uma coisa ruim, tampouco boa [8].

Afinal, por que lidar com os contínuos altos e baixos dos sentimentos, relacionamentos e fracassos, quando você pode simplesmente habitar um mundo virtual que se reconfigura para todos os seus desejos?

E se você pudesse se conectar a um programa de computador de realidade virtual que lhe permite literalmente se tornar um deus, que lhe permite experimentar o tempo em uma fração do ritmo no mundo real, que removesse todos os limites da percepção física e permitisse que você realizasse cada fantasia ou desejo que você tivesse?

Em uma escala de 1 a 10, o quanto isso ferra com seu senso de si mesmo? Como você poderia falar com outro ser humano depois disso?

 

A CHEGADA DO TECNOBUDISMO

No futuro, provavelmente alcançaremos o ponto em que nossos corpos físicos poderão ser alterados e atualizados à vontade, onde nossa consciência pode ser carregada, modificada, baixada e trocada numa rede em nuvem, onde máquinas e inteligência artificial irão gerenciar a maioria das importantes tarefas globais, nos dando uma quantidade quase ilimitada de tempo para o lazer. E a localização física se tornará quase insignificante, frente ao poder e à enorme disponibilidade da conectividade global.

Em resumo, todos esses identificadores clássicos para quem “você” é e quem “eu” sou — aparência, localização, valores, crenças, experiências — se dissiparão e se tornarão intercambiáveis e arbitrários, e todo o conceito de uma identidade individual singular pode se tornar um vestígio de um passado há muito esquecido, da mesma forma que olhamos para o conceito de uma tribo ou de um reino hoje.

Há oito bilhões de anos, esse cara chamado Buda causou uma grande polêmica afirmando que realmente não existe essa coisa de “eu”, que tudo é imaginado e arbitrário, e que estamos todos fazendo um grande barulho por nada. Ele disse que aquilo que percebemos como “nós” é apenas apego a um monte de objetos temporários e experiências que nosso cérebro nos induz a pensar que realmente representam algo.

De uma forma estranha e louca, a tecnologia está próxima de provar a realidade dessa ideia. A ideia de que há um eu central — isto é, em algum nível, um “eu” constante e um “você” imutável — está se dissolvendo bem na nossa frente. No entanto, a ilusão do eu é tão forte que nem sequer percebemos o quão fácil é mudar “quem” somos.

De certa maneira, todas as nossas identidades são identidades virtuais. Você pode pensar que quem você é no mundo físico é o “verdadeiro você”, mas provavelmente isso ocorre porque você tem medo de renunciar à identidade que acredita ter. Você construiu uma identidade com a qual se sente confortável, tem uma percepção de estabilidade e previsibilidade e confia nisso para acordar de manhã e fazer alguma coisa. Todos nós fazemos isso.

Mas, na verdade, o seu eu offline não é uma descrição mais precisa de quem você é do que o seu eu online (ou o seu eu no trabalho, ou o seu eu doméstico, ou seu eu de férias, ou seja o que for) porque todas as suas identidades são inteiramente e totalmente contextuais, feitas de informação e nada mais [9].

E quanto mais a tecnologia nos permite manipular e moldar a informação, mais seremos capazes de manipular e nos moldar, até que a própria concepção de identidade não exista mais.


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A Revolução da Inteligência Artificial


Notas:
  1. Sheth, J. N., & Solomon, M. R. (2014). Extending the Extended Self in a Digital World. Journal of Marketing Theory and Practice, 22(2), 123–132.
  2. Will cash become extinct? | Bankrate.com
  3. Parte disso pode ser uma diferença de idade/geração, pois pessoas mais jovens, que viveram a maior parte de suas vidas na era digital identificam-se mais com seus perfis virtuais do que pessoas mais velhas.
  4. The American Society of Aesthetic Plastic Surgery
  5. Christiansen, C. H. (1999). Defining lives: Occupation as identity: An essay on competence, coherence, and the creation of meaning. American Journal of Occupational Therapy, 53(6), 547–558.
  6. Alguém pode argumentar que isso já está acontecendo em uma escala muito menor e mais sutil. Estamos testemunhando o retorno da direita menos civilizada nos países desenvolvidos, e isso se deve ao fato de que os empregos tem sido, principalmente, automatizados ou terceirizados, resultando num enorme número de desempregados com nenhuma real perspectiva de melhora.
  7. Kurzweil, R. (2006). The Singularity Is Near: When Humans Transcend Biology. Penguin Books.
  8. Hongladarom, S. (2011). Personal identity and the self in the online and offline world. Minds and Machines, 21(4), 533–548.

  • Anderson Lara

    “Há oito bilhões de anos, esse cara chamado Buda causou uma grande polêmica afirmando que realmente não existe essa coisa de “eu”…”

    Isso não faz sentido. Há 8 bilhões de anos nem a Terra existia, muito menos humanos. A menos que ele esteja falando de uma perspectiva futura, mas 8 bilhões de anos no futuro seria um exagero. Essa revolução tecnológica deve se confirmar em muito menos tempo, alguns séculos seriam suficientes.

    Me parece que a tradução simplificou o texto original que dizia em tradução literal “Como oito bilhões de anos atrás ou algo assim”, omitindo o que parece ser uma hipérbole, ou seja, um exagero proposital.