Fé e dinheiro têm muito mais em comum do que a vã filosofia de certos pastores pode supor.


Deixa eu contar duas histórias.

Certa vez, quando contei a uma amiga de esquerda que havia recebido dinheiro para escrever um texto para o site Papo de Homem, ela disse ter ficado profundamente decepcionada comigo e com todos os outros autores do site. De certa forma, sem que ela conseguisse explicar, o fato de ganharmos para escrever nossas opiniões tornava tudo o que dizíamos sem valor. Ela tratava o dinheiro como algo espúrio, algo que comprometia a sinceridade de qualquer criação humana.

Minha amiga não percebia, mas apesar de ser de esquerda e ateia, sua percepção sobre o dinheiro era profundamente religiosa e católica.

A outra história é do consultor financeiro Eduardo Amuri. No início deste vídeo ele conta que, quando começou seu trabalho e passou a auxiliar clientes a resolver problemas de finanças pessoais, esperava tratar de aspectos objetivos e práticos. Porém, para sua surpresa, descobriu-se quase fazendo um trabalho de “terapeuta”, enfrentando problemas de ordem emocional e de concepção de mundo.

Isso é muito comum. Quando falamos de dinheiro, pensamos em números, frações e percentuais. Imaginamos que tratar de dinheiro é tratar de questões objetivas.

Mas dinheiro é tudo, menos objetivo. Dinheiro é apenas uma parte de nossa psique (do grego psyche, “alma”). Uma ficção consensual, uma realidade intersubjetiva, como a chama o historiador israelense Yuval Harari: convencionamos que um pedaço de papel ou que uma moeda de metal tem um valor específico conforme uma escala imaginária, e convencionamos que os objetos e serviços que prestamos uns aos outros possuem uma “metrificação” consensual de seu valor nessa mesma escala.

Imagem 1 no texto "O dinheiro tem alma", de Victor Lisboa, para o Portal Ano Zero | Breaking Bad Money

O dinheiro, na verdade, é uma ideia abstrata, um tipo específico de sonho, um sonho que vive das motivações do ego. O ser humano, essencialmente falando, não é um animal racional, mas um animal que habita seu próprio imaginário. E o dinheiro é a expressão negociável dos desejos que surgem no imaginário humano. Essa expressão, até pouco tempo, era física, na forma de moeda e papel moeda, mas tem se tornado cada vez mais abstrata, um registro num banco de dados do sistema financeiro internacional.

O curioso, e aí está um dos segredos da eficiência desse sistema, é que somos capazes de dividir e quantificar, por meio do dinheiro, algo que a princípio não pode ser mensurado: o desejo humano, seja esse desejo guiado pela cobiça hedonista ou pela necessidade animal. Uma nota de cem dólares pode representar uma parcela maior desse imaginário vinculado ao desejo do que uma nota de cinco dólares. Dividimos, quantificamos, medimos os sonhos humanos quando eles representam um desejo. O sistema financeiro é uma máquina onírica sofisticada, que tenta “apreender” simbolicamente o desejo que a realidade objetiva desperta em nós.

Se estamos no mundo dos sonhos, estamos próximo do mundo da religião. Afinal, o dinheiro é uma parte da psique, e a palavra psique quer dizer, em grego, alma. Além disso, toda e qualquer interação social que envolva dinheiro depende de que tenhamos fé em que as outras pessoas permanecerão concordando que aquela atribuição simbólica de valor às coisas e à moeda é inteiramente válida: “sem fé em um pedaço de papel pintado, nenhuma troca haveria de ter lugar”, disse o antropólogo Olav Velthuis em seu ensaio Taking Prices.

Dinheiro é parte da “alma” e depende de fé. Não é a toa que, para o visionário Jodorowski (nesse trecho de seu último filme, A Dança da Realidade), dinheiro é como Cristo, é como Buda:

O psicólogo americano James Hillman, em seu famoso ensaio no qual analisa como o dinheiro é tratado nos Evangelhos, afirma o dinheiro é uma terceira coisa entre o puro espírito e a pura matéria, e portanto ter dinheiro é estar num terceiro nível da realidade, em que “alma” (psique) e matéria se misturam.

Assim como nas fábulas de outrora magos e feiticeiras eram capazes de transformar abóboras em carruagens e sapatos de couro gasto em sapatos de cristal, também quem possui dinheiro hoje em dia é um mago moderno, capaz de fazer mágica ou lançar maldições: muito dinheiro pode alimentar toda uma população faminta, nos levar até Marte ou condenar milhares de pessoas enfermas à morte. O dinheiro transforma o modo como as pessoas nos enxergam e o jeito como nos tratam. O dinheiro pode abrir nossos olhos ou nos cegar.

Dinheiro é tudo menos algo objetivo. É uma forma de energia psíquica, e como energia pode ser comparada à eletricidade: a eletricidade pode ser útil para iluminar nossas noites e aquecer nossos lares, mas se você colocar o dedo na tomada, pode ficar grudado na parede e morrer quando for “possuído” pela corrente elétrica. Da mesma forma, dinheiro pode garantir o justo conforto e todas agradáveis comodidades da vida moderna – e nesse sentido é algo muito positivo. Mas, em algum momento dessa relação com o dinheiro, ele pode se tornar um fim em si mesmo, e aprisionará você num sistema que matará algo de sua alma.

Mas essa metáfora, como qualquer uma, funciona até certo ponto. Pois a eletricidade é forma de energia passiva, que se deixa manipular se tomarmos os devidos cuidados. Dinheiro, porém, como toda forma de ficção consensual que sustenta nossa sociedade, molda em parte nossa própria identidade, e estabelece os limites em que nossos sonhos são exequíveis dentro dessa mesma sociedade.

Imagem 2 do artigo "O dinheiro tem alma", de Victor Lisboa para o portal Ano Zero | In-God-We-Trust-Dollar

Sendo assim, o dinheiro jamais se submete à nossa vontade. James Hillman salienta que, sendo o dinheiro uma realidade psíquica, sempre será inerentemente problemático, e portanto “os problemas com dinheiro são inevitáveis, necessários, irredutíveis, sempre presentes e potencialmente, senão factualmente, esmagadores”.

Por ser uma terceira instância entre o mundo real e o mundo onírico, a forma como lidamos com o dinheiro revela, como num espelho, o nosso nível de maturidade emocional e o quanto nossa consciência está desperta. Por isso, demonizar o dinheiro, propondo um sistema no qual ele não existe, é tão imaturo e perigoso como idolatrá-lo.

Nesse aspecto, é bem curiosa a forma como a esquerda latino-americana trata a questão do dinheiro, pois serve apenas para evidenciar o quanto o dinheiro é entendido por nós como uma energia anímica, isto é, uma forma de energia que pode alimentar ou desgraçar a alma humana.

Para a tradição católica, distintamente da visão protestante tradicional, o dinheiro é algo “deste mundo” – e, sendo deste mundo, sem dúvida é uma força demoníaca. Da mesma forma, para pessoas da esquerda como aquela minha amiga que se decepcionou ao saber que eu ganhava para escrever, apenas a ação humana que seja totalmente desvinculada de qualquer objetivo financeiro é “pura”, é “nobre”, é “genuína”. O artista, o criador e o visionário devem fazer, tanto para a perspectiva do catolicismo quanto da esquerda, um voto de pobreza.

Isso não é de se espantar, quando lembramos que todos os filhos da esquerda são, de regra, filhos também de famílias católicas de classe média. Apesar de terem recusado a sua tradição familiar, inconscientemente a carregam em sua visão de mundo. Afinal, basta ver o discurso da candidata Luciana Genro na campanha presidencial de 2014 para percebermos que o modo como a esquerda trata o Mercado (assim, com maiúscula) e o Grande Capital ressoa muito da litania católica sobre o Diabo e a Grande Besta do Apocalipse: são os grandes inimigos a serem derrotados, a causa de todo mal, os agentes ardilosos que nos afastam da verdadeira pureza. A usura (cobrar juros por dinheiro emprestado, algo elementar ao nosso sistema bancário e ao capitalismo) era considerada um pecado capital pela Igreja da Idade Média. E os movimentos revolucionários de esquerda foram, durante o terrível período da Ditadura Militar no Brasil, apoiados por parte do clero, notadamente pelos padres adeptos da chamada Teologia da Libertação.

Tanto para o catolicismo quanto para a esquerda, ter dinheiro é ter culpa, seja essa culpa herdada pelos filhos do pecado original de Adão e de Eva, seja essa culpa herdada pelos filhos privilegiados da classe dominante e opressora. Não é de se espantar que a esquerda tenha torcido o nariz para aquela campanha do Dia dos Namorados, em que o boticário homenageou os relacionamentos homoafetivos: para essa perspectiva, que associa dinheiro à culpa, toda ação, ainda que produtora de resultados benéficos, é inerentemente espúria se presta tributo àquele terceiro campo da realidade psíquica em que espírito e matéria, como disse Hillman, existem simultaneamente.

Por isso é tão difícil, no Brasil, entender como alguém pode ser, a um só tempo, liberal em termos econômicos (defensor do capitalismo e da intervenção estatal mínima) e liberal em termos de costumes (defensor dos direitos humano, dos direitos das minorias e da liberdade sexual). Para a esquerda, liberalismo econômico é símbolo do Mal, e o mal ideológico é expresso na imagem do conservadorismo e do reacionarismo. Capitalismo e opressão sempre andam, segundo essa visão equivocada, de mãos dadas, por mais que os registros históricos contradigam tal entendimento: as conquistas sociais das minorias são muito mais evidentes em países de tradição economicamente liberal do que em países que estatizaram os meios de produção. Mas os fatos são constantemente negados.

Mas o dinheiro é isso. É contradição. É problemático e inafastável. É desafiador e necessário. É espírito e matéria. É um pedaço de sonho e um pedaço de metal. É eletricidade que ilumina as estradas, é eletricidade que expulsa a vida do corpo humano. Pode abrir nossos olhos, pode nos cegar.

Como disse Hillman: “dinheiro é algo diabolicamente divino”.


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  • Rodrigo Müller Camatta

    Eu não sou economista (e mesmo se fosse, não sei se adiantaria muito), mas vejo essa disputa entre eles e sinceramente não faço a menor ideia de qual pensamento é mais verossímil: uns dizem que o liberalismo econômico melhora a vida da população como um todo, outros dizem que aumenta a desigualdade social.

    Já vi bons argumentos dos dois lados.

    • As duas visões me parecem corretas, e ambas me parecem ser argumentos pró-liberalismo econômico.

      A diferença é que, penso, quando alguém entende que a busca pela igualdade é tão essencial e causa motriz, esquece-se, muitas vezes, da busca pela erradicação da pobreza, e talvez acabe por ter de vivê-la para sustentar sua ideologia.

      O liberalismo econômico é bom para a população como um todo porque reduz a pobreza, mas ele não reduz a desigualdade social. Para este último fator, entra o liberalismo social.

      O problema se repete quando defendemos apenas um e esquecemos do outro (vide os conservadores a lá brasileira, que são contra avanços liberais no campo social mas defendem com unhas e dentes avanços liberais na área econômica), causando assim uma falta de harmonia na sociedade (oras, para o mercado funcionar com seus ideias liberais faz-se necessário ampliá-lo por meios sociais – ou você acha que a libertação dos escravos se deu por “direitos humanos”?).

      É importantíssimo, então, que o aspecto econômico e social dialoguem, de forma que os anseios daqueles que buscam igualdade a todo custo tornem-se mais ponderados e entendam a realidade do mundo econômico; da mesma forma, aqueles que querem uma economia livre a todo custo também deveriam entender que a liberdade não é feita só de frações simbólicas em caixas registradoras – ela precisa de amplitude para funcionar bem, e é com libertação social que veremos tudo girar de forma mais satisfatória pra todo mundo (mulheres que trabalham = bom pro mercado; negros que trabalham = bom pro mercado; etc.).

      Enfim, tudo parece me apontar que o liberalismo econômico, quando levado a sério e bem aplicado, implicará num liberalismo social, onde a desigualdade se reduzirá por meio de interações mercadológicas (mercado também é sociedade e relações humanas, por mais que nossas ideologias nos façam querer negar).

      Agora, se alguém ainda prefere igualdade a todo custo, talvez a pobreza convenha.

      • Rodrigo Müller Camatta

        Obrigado pelo esclarecimento, Alysson.

        Mas ainda assim, acho difícil disso acontecer: “aqueles que querem uma economia livre a todo custo também deveria entender que a liberdade não é feita só de frações simbólicas em caixas registradoras”. Nesse caso, acredito que o estado deva se fazer presente para regular (com moderação, e confesso que encontrar esse equilíbrio é difícil), para que os grandes peixes não engulam os pequenos – até mesmo para realmente existir concorrência.

        Acho que é isso o que mais me incomoda no discurso da liberdade econômica, ou seja, na teoria tudo daria certo, na hora de se executar, existe um grande risco de só se pensar nas cifras, o que prejudicaria em muito a sociedade e o meio ambiente. Esse é o meu receio ao apoiar este pensamento.

        E sobre “A diferença é que, penso, quando alguém entende que a busca pela igualdade é tão essencial e causa motriz, esquece-se, muitas vezes, da busca pela erradicação da pobreza, e talvez acabe por ter de vivê-la para sustentar sua ideologia”, concordo em muito com você.

        • O fato é que tudo, no geral, tende a dar certo na teoria. O socialismo é um exemplo de perfeição teórica, por exemplo. Significa, portanto, que sua prática será de acordo com o que tá no papel? Por óbvio, não.

          Temos uma mania bastante curiosa de diferenciar o óbvio para buscar diminuir ou anular perspectivas, ao invés de julgá-las em comparação a outras.

          O fato é que tanto em socialismo quanto em capitalismo os seres humanos continuarão funcionando como sempre funcionaram: de acordo com seus incentivos.

          Um empresário contrata e despede funcionários de acordo com o que, em seu cálculo de custo-benefício, lhe trará mais benefícios. Um socialista faz ou não faz acordo com um capitalista de acordo com o que lhe traga mais benefícios.

          Dito isso, nada mais comum que chegarmos à conclusão óbvia de que haverá “um grande risco de só se pensar nas cifras”, pois são elas, em nosso sistema, que acabam sendo reguladoras do quão custoso ou proveitoso algo pode ou não ser.

          Portanto, em um mundo de liberdade econômica, com a mão do Estado apenas em casos de necessidade comprovada (em termos econômicos e sociais), a função das iniciativas privadas será competir entre si para venderem seus peixes, enquanto a função do Estado será dar um regulamento mínimo para que tais iniciativas sejam incentivadas a investir e trabalhar em função do bem-estar coletivo da sociedade.

  • Ailton Aparecido da Silva

    Texto muito bom (já havia lido uma teoria semelhante em A Ética Protestantes do Weber) até a parte da propaganda da Boticário. A partir daí misturou dois assuntos que não se conversam.

    • Weber traz uma análise idealista realmente palpável para entender como a religião pode conversar com o mercado e, por fim, acabar por orientar a visão do indivíduo frente à realidade das cédulas verdinhas. Os calvinistas da Nova Inglaterra (e do sul dessa América, obviamente) mostraram ao mundo como é possível que uma mera mudança de perspectiva quanto ao materialismo e sua relação com o “além-terra” pode influenciar drasticamente na ascensão de uma sociedade. Nós, brasileiros, estamos sujeitos a uma religião que vê a aquisição material de forma nociva à espiritualidade humana, o que acabou por censurar o estímulo que poderíamos ter para abrir e fomentar a abertura de empresas em nossa sociedade. Isso, claro, de acordo com Weber (não vamos entrar no mérito de analisar Frank e seu materialismo que rebate a visão de Weber).

      De toda forma, me parece haver muito de verdade nessa visão. O que está em nossa mente acaba por moldar (se não moldar, ao menos ajuda) a realidade das coisas. E nossas predisposições mentais frente a algo tão simples quanto notas de papel verdes podem causar reações das mais variadas, tanto entre demonizar o papel quanto divinizá-lo.

      E desde Weber ao que o Victor apresentou, vemos aí algo extremamente parecido: a “metafisicação” (se assim podemos dizer) do dinheiro. É algo que o torna, por si, poderoso e, além do mais, como se tivesse desejo próprio e coordenasse o mundo por si mesmo. Acontece que só podemos entendê-lo assim se, em nossas mentes, há uma predisposição para esse entendimento. Se somos “programados”, por assim dizer, a compreendê-lo como algo vivo e dissociado da gente.

      O dinheiro, portanto e justamente por nossas predisposições mentais, é algo tanto “divino” quanto “demonizador”. E a esquerda que o criminaliza é apenas mais um espelho dessa realidade (a direita que o louva, como se fosse a solução para todos os problemas da realidade [vide os anarco-capitalistas], poderia entrar como exemplo inverso aqui também). Daí podemos concluir que os assuntos conversaram, e muito bem.

      • Ailton Aparecido da Silva

        Desculpe a insistência, mas realmente acho ‘forçado’ tentar traçar um paralelo entre o pré-conceito que existe em relação ao dinheiro com o que existe em relação ao homosexualismo. O fato de existir uma dicotomia profunda quando se fala desses dois assuntos de forma isolada (cada um com a sua), a origem dessas oposições são completamente diferentes. Em relação ao dinheiro, mesmo Weber com sua visão ‘radical’ não conclui que a religião como um todo se opõe a ideia do dinheiro. Os protestantes, por exemplo, acreditam que possuir riquesa é uma forma de honrar a Deus. Não podemos fazer essa mesma afirmativa em todo tema onde existem lados opostos.

  • Chega a ser assustador o quanto me identifico com os textos do Victor Lisboa, desde que o conheci no papo de homem.

    Esse antepenúltimo parágrafo expressa algo que eu tento explicar para as pessoas e elas simplesmente não entendem: ser a favor da economia de mercado, da livre iniciativa, ou seja, do capitalismo, não te faz um conservador reacionário que odeia as minorias.

    Eu sou um defensor da liberdade individual, em todas as suas formas.

  • Sandro

    Não, o dinheiro não é como Budha…
    Onisciente, onipresente e Onipotente
    Ledo engano.
    http://pre12.deviantart.net/477c/th/pre/f/2014/336/8/2/space_buddha_by_virtualex-d88g38t.jpg

  • Danielle

    Na parte do texto que diz: ”as conquistas sociais das minorias são muito mais evidentes em países de tradição economicamente liberal do que em países que estatizaram os meios de produção. Mas os fatos são constantemente negados.”

    Quais são esses países? E quais as semelhanças com o Brasil? Há semelhanças na forma de colonização e miscigenação?

    Aguardo e obrigada!

    • Também fiquei esperando um aprofundamento desse ponto.