Estudei durante a graduação e sou orientando de uma das professoras que lutou pela inclusão e pela obrigatoriedade das disciplinas de Filosofia e Sociologia no Ensino Médio. Por essa razão e pela minha própria formação essa reformulação do Ensino Médio me toca profundamente.

Segundo o que ela nos conta, foram anos de lutas: idas à Brasília, de ônibus, para discussões e reuniões com Fernando Haddad que então era Ministro da Educação – e simpatizante da causa – nos anos que antecederam a aprovação da Lei 11.684 de 2 de junho de 2008, que incluía as disciplinas de Filosofia e Sociologia na Base Nacional Comum.

Mas a luta começara antes, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso. No entanto, mesmo diante da pressão de alguns intelectuais favoráveis à inclusão dessas duas disciplinas, o renomado sociólogo, por uma ironia do destino, não era favorável a esse movimento.

Foi então, na gestão do “não letrado”, daquele que só sabia meia dúzia de palavras e, portanto, não era doutor, que o professor Emanuel Appel (UFPR- Curitiba), Lejeune Mirhan (Sociólogo, Escritor, Arabista) e a professora Adriana Mattar (UFSCar -São Carlos) juntamente com professoras e professores da Educação Básica retomaram as negociações para inclusão das disciplinas de sociologia e filosofia.

Lembro-me de um Simpósio Internacional de Ensino de Filosofia coordenado pela professora Adriana Mattar, na Universidade Federal de São Carlos em 2014 que reuniu esses três principais articuladores, numa noite emocionante para nós que os ouvíamos e para eles que reviviam essas experiências.

O professor Appel fez uma retrospectiva saudosista e até bem humorada desse período pré-inclusão dessas duas disciplinas no Ensino Médio. Falou das dificuldades em organizar a comunidade científica para discutir e reivindicar essa pauta e das articulações que faziam para conseguirem uma reunião com os burocratas do Ministério. Mas já em 2014 ele via essas dificuldades como superadas.

Por isso, no momento do Simpósio, em que a inclusão estava concretizada, a preocupação do professor Appel era que uma possível reforma do Ensino Médio, já sinalizada pela Presidenta Dilma, pudesse diminuir a carga horária dessas disciplinas.

Para evitar que isso fosse cogitado, ele defendia o ensino desses saberes por professores formados em suas respectivas áreas, de modo a construir uma cultura de ensino de filosofia e sociologia que reafirmasse a necessidade destas disciplinas na educação básica.

O que o professor Appel não contava era que a reforma do Ensino Médio viria precedida de um drible político – popularmente conhecido como “golpe legalizado” – com uma guinada à direita.

E que, ao invés de diminuir a carga horária dessas disciplinas – hipótese já encarada como absurda -, elas ficariam relegadas, incognitamente, ao rol de disciplinas optativas. Em outros termos, excluídas do Ensino Médio, já que os saberes práticos são superlativados

No Brasil, o cumprimento do que a lei traz como obrigatório quase sempre é feito por um processo árduo, quando não pela via judicial. Imagine só se o texto legal diz que é optativo!

Se ao menos as escolas fossem democráticas e nelas as alunas e alunos pudessem escolher a sua grade curricular e essa escolha fosse respeitada, talvez essa “opção” pudesse salvaguardar o ensino de filosofia e sociologia.

Mas num país em que mesmo a Constituição e a Democracia são assaltadas por aqueles que deveriam defendê-las, seria respeitada a escolha de adolescentes baderneiros que não querem estudar e que só pensam em ocupar escolhas públicas (como ficaram conhecidos os estudantes que não tiveram suas escolhas respeitadas)?

Sou muito pessimista com relação a isso e tenho minhas “convicções” de que este é um projeto liberal que quer lançar a juventude numa linha de produção, antes mesmo dela sair da escola e que busca, com esse projeto de tecnocratizar o Ensino Médio, banir as disciplinas “doutrinadoras” da juventude: filosofia e sociologia, bem como aquelas libertadoras dos corpos e subversivas por si mesmas: arte e educação física.

Com isso, querem que o fazer prático, a técnica, a mecanização ocupem todo espaço e tempo dos estudantes, não restando lugar à reflexão e mesmo ao lúdico e à criatividade – já que os componentes de arte e educação física explicitamente serão optativos no Ensino Médio, segundo a Medida Provisória publicizada em 22/09.

Em síntese, seria a educação dos negócios – que, como o próprio termo diz, expressa a negatividade do “ócio“.

O ócio que nas culturas greco-romanas era a base para a formação dos grandes pensadores e dos cidadãos virtuosos, daí a expressão “ócio criativo” ou, como chamavam os helenistas, “otium cum litteris” (ócio com letras). Neste possível programa de educação, haveria lugar apenas para o “nec-otium” e não mais para o “otium“.

Além do mais, o que farão com os milhares de professoras e professores formados e concursados para essas disciplinas da educação pública?

Pergunto pela educação pública porque sobre a rede privada de ensino nós já sabemos para onde essas pessoas irão: à rua. Não havendo a obrigatoriedade elas serão dispensadas, porque os patrões não “optarão” por pagá-las, sendo que não são obrigados.

A justificativa do Ministério da Educação é de que desde 2011 os Índices de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) estão estagnados. Ora, isso constatado deve levar a pasta a uma reflexão dos motivos dessa estagnação e não a um retrocesso como este, sem estudos ou sem avaliação das causas desses baixos índices.

  • Ah, mas isso envolve refletir, investigar e dialogar e esse governo não parece ser muito adepto a esses processos democráticos . O lema é “trabalho”.
  • Bom, então neste caso é justificável mostrar trabalho tirando o trabalho de inúmeros educadores?

É de um amadorismo histórico. Ao menos nestes quesitos esse governo entrará para as páginas de história, se ele permitir que tenhamos professoras e professores dessa área para escrever essas páginas manchadas.

É a plena substituição do slogan “Pátria Educadora” pelo “Não pense, trabalhe”. Este é o imperativo da vez. Não pense, não se manifeste, não grite, não cante… apenas, trabalhe!

Ao menos sabemos de alguém que deve estar triste juntamente com as professoras e professores de filosofia, sociologia, arte e educação física, não pelo mesmo motivo: o senador Magno Malta (PR-ES).

Certamente o nobre senador deve estar desolado, já que ele não levará mais os créditos pelo Programa Escola Sem Partido, haja vista que este será implementado pela Medida Provisória de um governo que deveria, ironicamente, ser provisório.

A Escola sem Partido se efetiva com a Medida Provisória – o programa foi aprovado indiretamente – já que o ensino tornar-se-á puramente técnico e burocrático, sem reflexão, sem problematização da realidade. Para ser mais preciso: alienante.  

Eis, definitivamente, a derrocada dos anarquistas, o fim dos baderneiros e maconheiros e o início de novos tempos, com altos índices de produtividade e de escolarização no Brasil; com corpos dóceis e bem domesticados; com mentes vazias e manipuláveis.


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Natan Morador
Formado em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Mestrando em Educação na linha de pesquisa “História, Filosofia e Sociologia da Educação” do PPGE da UFSCar, com estudos na área de filosofia moderna, com ênfase em Michel de Montaigne. Tem experiências nas áreas de educação, educação popular, filosofia, música e literatura.
  • Robson

    Senhor Natan,

    Esse é meu primeiro comentário na internet kk. Mas, vamos ao que importa, fiz meu ensino médio em duas escolas estaduais, em cidades diferentes, nas duas não tive a disciplina de sociologia. Em história estudei todo o conteúdo recomendado, entretanto, a metodologia era desestimulante, a aula era chata e focada em gravar certos conteúdos que cairiam na prova, tenho total certeza que se junta-se minha turma de ensino médio e fizessem perguntas para eles relacionadas a matéria, perguntas básicas, o resultado seria vergonhoso. Em Filosofia tive a sorte de ter aula com uma professora boa, porem, vejo que sempre gostei do tema, tanto é que até hoje leio livros de Filosofia, se levarmos em conta de novo a média dos alunos te digo com 100% de certeza que eles não saberiam dizer o nome de três filósofos.

    Não adianta de nada ter a matéria no ensino média se ela não é ensinada de forma eficaz, que estimule a curiosidade. Essas matérias, que são de suma importância, são ensinadas da mesma forma que as outras e não constroem de forma alguma pensadores. Aliás, elas só reforçam a construção do ser dócil e domesticável que você ironizou, pois, a avaliação destas é por meio de provas, que não estimulam reflexão nenhuma, mas sim a capacidade de gravar conteúdos. É só ver a nossa sociedade.

    Para encerrar eu gostaria de fazer uma crítica a você, com todo respeito. Essa página estimula seus leitores a refletirem, a criticarem suas próprias convicções, e agora faço o mesmo com você, lhe perguntando se esse texto não esta carregado de criticas a Medida Provisória porque você é um defensor do governo deposto ? Eu creio que sim e isso ao meu ver prejudicou sua análise. O ensino escolar atual já deixa os alunos manipuláveis e domesticados e continuaria fazendo, essa medida vai solucionar isso? Não, mas, ao partir do princípio que desse modo não dá para ficar já é um começo.

  • Disqus_eh_um_saco

    Filosofia e sociologia continuam na base nacional comum.

    Mas eu tenho uma dúvida. Quais estudos foram feitos para justificar a inclusão de sociologia e filosofia como matérias separadas na grade curricular.

    Eu li a justificativa do projeto de lei que incluiu sociologia e filosofia como disciplinas obrigatórias, partes do projeto de Pe. Roque que inspirou o projeto de 2003, o parecer do MEC sobre o assunto, artigo de Lejeune Mirhan sobre o tema, e em nenhum destes textos encontrei justificativas que citassem qualquer estudo.

    Pergunto por curiosidade legítima, não para dizer que não houveram estudos para justificar a inclusão.

    Também tenho curiosidade sobre qualquer estudo que tenha avaliado os impactos da inclusão de sociologia e filosofia. Já se foram 8 anos, tempo suficiente para alunos de ensino médio já terem concluído suas faculdades até.

    • Maôejin

      Mas eu pergunto, sim, porque filosofia foi colocada na grade sendo claramente uma matéria desafasada em relação o que a história mostra (a ciência ultrapassou a filosofia). Deveria-se ensinar mais CIÊNCIA na escola e não agrupamento de ensinamentos defasados.

      • Ariel L. Lázaro

        Deveria ensinar mais ciência E filosofia nas escolas. A ciência não ultrapassou a filosofia pois é ridículo comparar as duas.

        • Maôejin

          Abiguinhos, a filosofia era a única responsável por tentar responder questões complicadas e de cunho existencial do humano. Depois de uns belos 1000 e poucos anos, inventou-se um método que hoje chamamos de ciência, que tem o mesmo objetivo da filosofia mas de modo objetivo, em que se produz realmente efeitos práticos. A filosofia ainda acho importante, mas apenas como história e não como guia para perseguir conhecimento. Por isso não é nem um pouco ridículo comparar as duas. Se vc ler qualquer livro de história da ciência e acompanhar os famosos físicos de hoje em dia, vai perceber exatamente o meu ponto de vista.

      • Mano, onde vc viu que ciência e filosofia possuem o mesmo objeto de estudo e estão em franca competição pra ver quem explica mais?

        • Ariel L. Lázaro

          Hahaha… aí é que se vê como deve ser ensinado filosofia nas escolas, afinal o cidadão nem sabe o que é, comparando-a com ciência.

        • Maôejin

          Abiguinhos, a filosofia era a única responsável por tentar responder questões complicadas e de cunho existencial do humano. Depois de uns belos 1000 e poucos anos, inventou-se um método que hoje chamamos de ciência, que tem o mesmo objetivo da filosofia mas de modo objetivo, em que se produz realmente efeitos práticos. A filosofia ainda acho importante, mas apenas como história e não como guia para perseguir conhecimento. Por isso não é nem um pouco ridículo comparar as duas. Se vc ler qualquer livro de história da ciência e acompanhar os famosos físicos de hoje em dia, vai perceber exatamente o meu ponto de vista.

          • O que você está fazendo neste comentário chama-se “cientificismo”, já apontado em 6 diferentes formas pela Susan Haack aqui http://genetici.st/en-pt/Haack_Seis_Sinais_de_Cientificismo_LiHS_2012.pdf

            Quanto à filosofia e ciência terem mesmo objeto de estudo: errou, e errou rude. Basta uma cadeira de Filosofia da Ciência em qualquer universidade para entender – ou então leia um texto já publicado aqui no AZ: ano-zero.com/inimigo-da-ciencia

          • Maôejin

            Lerei. Se hoje tem objetivos diferentes, não pode negar que a filosofia tem o objetivo de responder perguntas existenciais, mesmo que não equacionáveis.

          • A filosofia usa de diferentes abordagens para pensar diferentes assuntos. Como disse o Felipe Novaes em comentário anterior, a lógica é uma abordagem de peso da filosofia, e a lógica não é científica, é meramente racional. E quando vamos percebendo limitações da ciência para explicar e predizer (porque só é científico aquilo com poder preditivo) fenômenos humanos outros, percebemos que não é legítimo entendermos a ciência como substancialmente melhor ou mais elevada que outros campos de atuação do conhecimento humano tão somente porque ela dá resultados. Passando pelo crivo da lógica, por exemplo, conseguimos facilmente quebrar o indutivismo científico, tão defendido pelo positivismo e por indutivistas ingênuos (cientificistas, que tratam a ciência como dogma), quando mostramos o simples fato já apontado pelo empirista David Hume de que não se segue, logicamente, que por termos conferido que 999 corvos como sendo pretos PORTANTO o milésimo será preto – ele pode, sem nenhum problema lógico, vir a ser amarelo ou outra cor. Ou seja, por vezes há hiatos de informação entre os casos estudados e a generalização, que nada mais é do que um pulo do estudo singular para a verdade universal, de forma a finalmente criar deduções (poder preditivo).

            Quanto a esse comentário gigante, sugiro o livro “O que é ciência, afinal?” de Alan Chalmers (gratuito em PDF aqui http://www.nelsonreyes.com.br/A.F.Chalmers_-_O_que_e_ciencia_afinal.pdf)

          • Po, cara, falando bem de boas mesmo, acho que tu tá precisando ler um pouco sobre filosofia.

            Sim, a filosofia surgiu como uma tentativa de responder a questões empíricas sobre a natureza, depois foi bandeando pra ética (com Sócrates) e depois passou a discursar sobre o que é uma boa vida. Depois disso, temos a filosofia discutindo conceitos ligados a tudo que é assunto.

            Sacou? Grosso modo, a filosofia discute conceitos, metafísica, essas coisas. Isso não é ramo da ciência.A ciência testa hipóteses e constrói teorias que explicam a realidade empírica. A filosofia não faz isso…ela faz perguntas sobre conceitos, sobre a natureza das coisas.

      • Cara, vc falou uma coisa que eu também quero saber. As pessoas falam pacas sobre a necessidade de filosofia e sociologia, sobre o impacto positivo que essas disciplinas tem na formação de cidadãos pensantes. Mas cadê os levantamentos mostrando o impacto real dessas disciplinas? Tudo que temos são projeções teóricas que vem de um pressuposto também teórico, que é o de que essas disciplinas são dadas de modo suficiente e num tempo suficiente para exercer algum impacto na formação do aluno (se ele fica mais reflexivo ou não, por ex).

      • Aliás, vou responder aqui também.

        A escola deve ensinar ciência e filosofia. As duas áreas trabalham com coisas bem diferentes. Não entenso essa de colocar um ranking como se uma tivesse perdido espaço pra outra.

      • Maôejin

        Mas uma coisa concordamos que, de fato, ciência, DEVE ser ensinado bem mais.

  • O estudante brasileiro nunca foi instruído em sala de aula sobre a atividade filosófica, mas sim sobre História da Filosofia e das ideias políticas, e olhe lá! Repare que existe uma imensa diferença entre uma coisa e outra. Experimente tecer uma crítica a Michel Foucault em ambiente universitário. A reação, tanto de professores quanto de alunos, será de franca histeria, agressividade, e não o florescimento de um debate. Deixarão claro que você finalmente foi longe demais e que sequer deveria estar ali. Isso não apenas não pode ser chamado de filosofia, como caracteriza na verdade uma antifilosofia. E entre ausência de filosofia e antifilosofia institucional, a primeira é muito mais salutar para a sociedade.

  • Maôejin

    Filosofia e Sociologia = tentam te ensinar a pensar por si só. Mas se vc chega na conclusão de que o liberalismo é solução, PÉÉÉÉÉÉÉÉ *barulho de buzina proibitiva* vc é rechaçado pelos seus colegas e professores, o que faz lembrar que vc está de volta à Inquisição e ao padrão do modelo geocêntrico cristão.

    • Entendo tua crítica mas convenhamos que a Filosofia e a Sociologia não tentam nada, quem tenta são professores/entusiastas/acadêmicos. Ambas as áreas fazem estudos sérios sobre os mais variados assuntos – pesquisas em epistemologia bem como pesquisas sociais (IBGEs da vida) são tão científicas quanto qualquer ciência (embora a discussão que atribui à ciência uma ideia de superioridade não venha a calhar aqui).

      E sim, tem muito disso de pessoas “de humanas” serem, por vezes, reativas a coisas que podem não seguir o estereótipo, mas qualquer um com bom-senso, justamente “de humanas”, consegue perceber a complexidade das coisas e não sair por aí que nem retardado rotulando tudo que vê pela frente. Toda generalização é potencialmente burra, cuidado.

      • Maôejin

        Ah sim, a matéria em si não tem culpa de nada, mas não dá pra desassociar completamente as matérias dos profissionais que as praticam, pelo menos não aqui no Brasil, onde as visões políticas são tratadas que nem times de futebol.

        • Sim, não dá. Assim como não dá pra dissociar a matéria do professor quando o assunto é matemática, física, química, biologia, religião, geografia, história e assim por diante. Temos professores ruins e dogmáticos em tudo quanto é canto, e são necessários incentivos para que o quadro mude (incentivos que talvez surjam com a MP aqui debatida, vai saber). Por isso mesmo, por haver professores com péssima didática à revelia por aí, devemos nos perguntar se a melhor forma de combater a existência dessas pessoas em redes de ensino é simplesmente inviabilizando disciplinas ou se criando incentivos capazes de fazer com que esses profissionais mudem seus comportamentos.

  • Ronildo Alves

    Pergunta: quem é Natan Morador? Sua ficha, acima, diz que ele é mestrando de uma linha de pesquisa da UFSCar, mas não há nenhum dado dele na linha citada. Chamado aqui de filósofo, é um total desconhecido na internet, exceção deste site. Com quem estamos discutindo?

    • Cuidaaaaado com o ad hominem rs

    • Maôejin

      E o que o histórico do argumentador tem a ver com a importância do argumento?

  • Tem vários pontos sobre esse assunto que acho controversos. Parte deles se deve à minha experiência pessoal como aluno que sempre gostou de filosofia e sociologia.

    O primeiro deles diz respeito a evidências. A filosofia, pelo menos a analítica, se baseia na lógica para fundamentar seu discurso. A ciência, de forma geral, se baseia em dados, no método científico propriamente dito, em teste, evidências. As ciências humanas, como se fosse algum ramo muito especial, algumas vezes nao se baseia em nada. Em especial quando estamos falando de alguma vertente de alguma área tomada pelos pressupostos da pos-modernidade. A falta de clareza argumentativa e de evidências se transforma até em mérito — Sokal que o diga. Esses campos parecem se basear unicamente no chamado senso crítico ou análise crítica, que nunca vi tenso uma definição minimamente precisa.

    Pois bem, de onde vem a ideia de que sociologia e filosofia no currículo causam mudanças tão radicais no perfil do estudando? Não tem dados que demonstre isso. Não que eu já tenha visto.

    Não estou sendo cínico e negando os méritos da filosofia. O que estou colocando em dúvida é o argumento de que essas disciplinas no EM vão causar efeitos tão significativos assim.

    Eu sempre gostei de filosofia e sociologia, desde antes de saber defini-las. Sempre tive um prazer quase sexual na atividade intelectual, na reflexão, na descoberta de pontos novos onde o público mediano já se daria por satisfeito. Ou seja, eu já estava predisposto a gostar de filosofia bem antes de ver essa disciplina como obrigatória no colégio. Eu e meus mais dois colegas, numa tua com no mínimo 40 cabeças.

    Se fosse feito um levantamento, entrariamoa para o cálculo dos alunos transformados pela filosofia, pela sociologia. Mas não. Fomos pegos por esses temas porque já estamos bem reflexivos e até introvertidos.

    E aí entro em outro ponto que me incomoda nessa repentina supervalorização de Filo e Sociologia no EM. Na maioria das vezes, o que vemos é o ensino de história da filosofia e sociologia, nada mais que isso. Voltamos pra casa sabendo de cabeça o que era maiêutica, o que significa o mito da caverna. Mas não vamos saber levar uma conversa, nem informal, de verdade sobre isso.

    Da mesma forma, um aluno não vai saber explicar a equação de Torricelli, só vai conseguir repetir as variáveis e operações da fórmula, como um gravador.

    Vou destacar aqui: não sou contra essas matérias. O que eu questiono é esse poder todo delas no EM, que repentinamente o grande público está atribuindo às mesmas. Aliás, público esse que em sua maioria achava que filosofia era coisa de quem fumava maconha, ou que era viajar na maionese falando coisas absurdas e viajadas.

  • Também sou professor, embora no momento não exerça esta profissão, e pessoalmente considero a inclusão de sociologia e filosofia no ensino médio em caráter obrigatório uma verdadeira “perfumaria” – Não acrescenta absolutamente nada de enriquecimento acadêmico ao aluno! Serve sim, como instrumento de doutrinação política à esquerda! Ah! Prá isso server mesmo! E só quem acha que essas disciplinas servem de alguma coisa, são os tais professores das ditas cujas virados da esquerda que infestam danosamente a educação no pais! Antes de me crucificarem, vejam que em doze anos de PT no poder, o lixo que a educação neste país virou! Já não era boa, pois os tais esquerdistas alçados ao poder e com o total apoio maciço da classe de professores só fizeram cagar ainda mais aquilo que já estava bom! Ficou muito pior! Tem que melhorar muito prá ficar ruim!
    Ah! Duvidam! Abordem qualquer adolescente seja da rede pública ou privada de ensino – Peçam para fazerem um redação = Tema Livre, não sabem fazer! E quando fazem vejam os erros colossais cometidos e repetitivos!

  • Eu duvido muito que nos países de esquerda ensinem Sociologia e Filosofia no ensino médio. Nem na Nicarágua!