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O que matou os neandertais? Você pode não gostar da resposta.

Em Ciência por Equipe Ano ZeroComentário

Tendo iní­cio há cerca de 400.000 anos, os nean­der­tais pas­sa­ram a se mover em toda a Europa e Ásia Oci­den­tal. Eles anda­vam ampla­mente durante cen­te­nas de milha­res de anos.

Então algo acon­te­ceu cerca de 45.000 anos atrás. Foi quando uma nova e inva­siva espé­cie apa­re­ceu em cena, os homo sapi­ens — nos­sos ances­trais dire­tos. Este grupo come­çou a migrar por toda a África e para a Europa.

Ondas deles foram e se espa­lha­ram. E o resto tem sido um mis­té­rio para a ciên­cia moderna. 5.000 anos depois, os nean­der­tais desa­pa­re­ce­ram. Nin­guém sabe por que. Mas uma nova des­co­berta dá um passo mais perto de uma res­posta defi­ni­tiva.

Uma coisa a notar é que o pro­cesso de extin­ção é muito com­plexo, e é difí­cil de enten­der por que algu­mas espé­cies desa­pa­re­cem hoje, ima­gine então deze­nas de milha­res de anos atrás.

Dito isto, há mui­tas teo­rias. Alguns têm pos­tu­lado que os nos­sos ante­pas­sa­dos mata­ram os nean­der­tais em dis­pu­tas sobre recur­sos pre­ci­o­sos.

Outros acre­di­tam que os dois se casa­ram. Na ver­dade, um pou­qui­nho de DNA nean­der­tal foi encon­trado no genoma humano, e reside den­tro de qual­quer pes­soa cuja ascen­dên­cia se encon­tra fora da África, um lugar onde os nean­der­tais nunca puse­ram os pés.

Outra teo­ria é que uma ali­ança entre lobos e seres huma­nos lhes deu uma van­ta­gem com­pe­ti­tiva sobre os seus pri­mos homi­ní­deos.

Até agora, uma das prin­ci­pais teo­rias era que as alte­ra­ções cli­má­ti­cas e da con­cor­rên­cia foram defi­ni­ti­vas. Nean­der­tais eram espe­ci­a­li­za­dos para caçar gran­des ani­mais da Era do Gelo. Quando a última Era do Gelo res­cin­diu, estes ani­mais mor­re­ram, e os nean­der­tais foram com eles.

Tam­bém é enten­dido que os homo sapi­ens desen­vol­ve­ram rotas comer­ci­ais ao longo de gran­des dis­tân­cias, lhes dando acesso a ali­men­tos e outros recur­sos em épo­cas de escas­sez.

Agora, um novo estudo cola­bo­ra­tivo, publi­cado no Ame­ri­can Jour­nal of Phy­si­cal Anth­ro­po­logy, acres­cen­tou outra teo­ria.

Homo sapi­ens teriam levado doen­ças tro­pi­cais com eles para fora da África, infec­tando os nean­der­tais e ace­le­rando a sua ani­qui­la­ção.

Um belo neandertal. | O que matou os neandertais? Você pode não gostar da resposta.

Um belo nean­der­tal.

Pes­qui­sa­do­res das uni­ver­si­da­des de Cam­bridge e Oxford Bro­o­kes, na Ingla­terra, pro­pu­se­ram esta teo­ria. Eles o fize­ram depois de encon­trar evi­dên­cias gené­ti­cas de que as doen­ças infec­ci­o­sas eram deze­nas de milha­res de anos mais velhas do que antes fora suposto.

Uma vez que ambas as espé­cies eram homi­ní­deos, teria sido fácil que pató­ge­nos sal­tas­sem de um para o outro.

Os inves­ti­ga­do­res exa­mi­na­ram o DNA de pató­ge­nos huma­nos encon­tra­dos em fós­seis anti­gos, e o DNA dos pró­prios fós­seis, para che­gar a estas con­clu­sões.

For­tes evi­dên­cias suge­rem que o homo sapi­ens teria cru­zado com os nean­der­tais. Ao fazê-lo, teria trans­mi­tido genes asso­ci­a­dos com a doença.

Desde que há evi­dên­cias de que o vírus pas­sou de outros homi­ní­deos para o homo sapi­ens na África, faz sen­tido que estes pode­riam, por sua vez, terem trans­mi­tido aos nean­der­tais, que não tinham imu­ni­dade a eles.

Dr. Char­lotte Hould­croft foi uma das pes­qui­sa­do­ras envol­vi­das com este estudo. Ela vem da Divi­são de Antro­po­lo­gia Bio­ló­gica de Cam­bridge. Hould­croft cha­mou os homo sapi­ens que migra­ram para fora da África de reser­va­tó­rios da doença tro­pi­cal.

Ela disse que mui­tos agen­tes pato­gê­ni­cos, tais como tuber­cu­lose, ver­mes, úlce­ras esto­ma­cais, mesmo os dois dife­ren­tes tipos de her­pes, podem ter sido trans­mi­ti­dos de huma­nos adi­an­ta­dos aos nean­der­tais. Estas são doen­ças crô­ni­cas que teriam enfra­que­cido popu­la­ções de nean­der­tais subs­tan­ci­al­mente.

Pode­mos nos lem­brar do res­caldo da Colum­bus e como a varíola, sarampo e outras doen­ças devas­ta­ram os habi­tan­tes do cha­mado Novo Mundo. Mas Hould­croft diz que esta com­pa­ra­ção não é pre­cisa.

É mais pro­vá­vel que, den­tre peque­nos gru­pos de nean­der­tais, cada um tinha seus pró­prios desas­tres de infec­ção, enfra­que­cendo o grupo e dese­qui­li­brando a balança con­tra a sobre­vi­vên­cia”, disse ela.

Os primeiros seres humanos. | O que matou os neandertais? Você pode não gostar da resposta.

Os pri­mei­ros seres huma­nos.

Esta des­co­berta foi pos­sí­vel atra­vés de novos méto­dos de extra­ção de DNA de fós­seis para pro­cu­rar ves­tí­gios de doença, bem como novas téc­ni­cas para deci­frar nosso código gené­tico.

Dr. Simon Under­down foi outro pes­qui­sa­dor cujo tra­ba­lho aju­dou a for­mu­lar esta teo­ria. Ele estuda a evo­lu­ção humana na Oxford Bro­o­kes Uni­ver­sity.

Dr. Under­down escre­veu que os dados gené­ti­cos de mui­tos des­tes pató­ge­nos suge­rem que eles podem ter “co-evo­luído com os seres huma­nos e os nos­sos ante­pas­sa­dos durante deze­nas de milha­res a milhões de anos.”

Teo­rias ante­ri­o­res afir­mam que epi­de­mias de doen­ças infec­ci­o­sas eclo­di­ram no iní­cio da revo­lu­ção agrí­cola, cerca de 8.000 anos atrás. Naquele tempo, as popu­la­ções ante­ri­or­mente nôma­des come­ça­ram a se esta­be­le­cer com o seu gado.

Mui­tos pató­ge­nos sofre­ram muta­ção e pas­sa­ram para os huma­nos dos ani­mais. Estes são conhe­ci­dos como “zoo­no­ses”. Esta mudança dra­má­tica no estilo de vida cria o ambi­ente per­feito para epi­de­mias ocor­re­rem.

A última pes­quisa sugere, porém, que a pro­pa­ga­ção de doen­ças infec­ci­o­sas sobre uma área ampla ante­cede os pri­mór­dios da agri­cul­tura intei­ra­mente.

Para dar um exem­plo, pen­sava-se que a tuber­cu­lose sal­tou do gado para o homo sapi­ens. Após uma inves­ti­ga­ção apro­fun­dada, sabe­mos agora que os ani­mais do reba­nho foram infec­ta­dos atra­vés do con­tato con­sis­tente com os seres huma­nos.

Embora não haja nenhuma evi­dên­cia direta de que as doen­ças infec­ci­o­sas foram trans­mi­ti­das de huma­nos para nean­der­tais, a forte evi­dên­cia de cru­za­mento leva os inves­ti­ga­do­res a acre­di­tar que isso deve ter ocor­rido.

Enquanto os seres huma­nos adi­an­ta­dos, com doen­ças afri­ca­nas, teriam se bene­fi­ci­ado do cru­za­mento com nean­der­tais, como eles iriam adqui­rir imu­ni­dade a doen­ças tra­zi­das da Europa, os nean­der­tais teriam sofrido com a trans­mis­são das doen­ças afri­ca­nas para eles.

Embora esta teo­ria não colo­que com­ple­ta­mente o mis­té­rio para des­can­sar, de acordo com Hould­croft “é pro­vá­vel que uma com­bi­na­ção de fato­res tenha cau­sado o desa­pa­re­ci­mento dos nean­der­tais, e as pro­vas estão dizendo que a pro­pa­ga­ção da doença foi um passo impor­tante.”

Para saber mais sobre a extin­ção de nean­der­tais, assista ao vídeo abaixo:


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