Capa do artigo "As mulheres militares que se disfarçaram de homens", de Rodrigo Zottis, publicado no Portal Ano Zero. Na imagem, Loreta Janeta Velázquez como ela mesma (à direita), e disfarçada de "tenente Harry Buford" (à esquerda).

As mulheres militares que se disfarçaram de homens

Em História, Sociedade, Tempo de Saber por Rodrigo ZottisComentário

É notó­rio que diver­sas mulhe­res mili­ta­res já se dis­far­ça­ram de homens, e isto por si já é digno de nota. Conheça três delas, e apai­xone-se por sua ousa­dia.


Em dezem­bro de 2015, o secre­tá­rio de Defesa Ash­ton B. Car­ter anun­ciou que o Pen­tá­gono iria abrir, às mulhe­res, todos os tra­ba­lhos de com­bate. Por que isso teve uma reper­cus­são tão grande? Por­que o ser­viço mili­tar para as mulhe­res sem­pre foi algo “impro­vi­sado.”

Ainda que as mulhe­res tenham lutado no Ira­que e no Afe­ga­nis­tão durante os últi­mos 15 anos, milha­res de pos­tos de tra­ba­lho man­ti­ve­ram-se fora da for­ma­li­dade até fim do ano pas­sado. Temos cer­teza de que as mulhe­res dessa lista iriam apro­var essa deci­são.

Hannah Snell 

Imagem de Hannah Snell, incorporada no artigo de Rodrigo Zottis, para o Portal Ano Zero, intitulado: "As mulheres militares que se disfarçaram de homens".Em 02 de junho de 1750, um fuzi­leiro naval cha­mado James Gray fez o seguinte anún­cio em um pub de Lon­dres:

Senho­res, James Gray vai reti­rar sua pele como uma cobra e se tor­nar um novo ser. Em um mundo, eu sou tanto uma mulher como minha mãe sem­pre foi, e meu nome real é Han­nah Snell.”

Como você pro­va­vel­mente pode ima­gi­nar, os senho­res fica­ram cho­ca­dos com a notí­cia de que seu bom amigo James era real­mente uma mulher cha­mada Han­nah Snell. Nunca ouviu falar dela?

Nas­cida em 1723, Han­nah era uma inglesa que se dis­far­çou como um homem para que ela pudesse lutar pelo Rei e pelo país.

Como ela che­gou nessa car­reira? Seu marido fugiu depois que a sua filha recém-nas­cida mor­reu. Snell ouviu um boato de que ele estava no exér­cito, então ela pegou empres­tado a iden­ti­dade de seu irmão, como dis­farce. Mais tarde, ela des­co­briu que seu seu marido tinha sido exe­cu­tado por assas­si­nato. Mas isso não a impe­diu de aca­bar com sua car­reira mili­tar dis­far­çada como James Gray. Snell, even­tu­al­mente, seguiu sua car­reira, e ven­deu sua his­tó­ria para o edi­tor inglês Robert Wal­ker, que publi­cou seu relato, The Secret Life of a Female Marine, que atin­giu grande sucesso.

Chevalier d’Éon

Imagem de Chevalier d'Éon, incorporada no artigo de Rodrigo Zottis, para o Portal Ano Zero, intitulado: "As mulheres militares que se disfarçaram de homens".Che­va­lier d’Eon foi um famoso espião fran­cês com carac­te­rís­ti­cas físi­cas andró­ge­nas e com diver­sas habi­li­da­des. Nas­cido em 1728, d’Eon desem­pe­nhou um papel fun­da­men­tal na nego­ci­a­ção de Paz de Paris em 1763, que ter­mi­nou for­mal­mente com a Guerra dos Sete Anos entre a França e a Grã-Bre­ta­nha. Além de ser um diplo­mata habi­li­doso, D’Eon foi, por mais con­tas, uma das figu­ras mais fas­ci­nan­tes do século XVIII. Ele se infil­trou com sucesso na corte da impe­ra­triz Isa­bel, da Rús­sia, colo­cando-se como uma mulher, mas sendo iden­ti­fi­cado publi­ca­mente como um homem durante os pri­mei­ros 49 anos de sua vida.

Em 1777, ele come­çou a se ves­tir como uma mulher ale­gando ser do sexo femi­nino desde o nas­ci­mento. Quando Louis XVI disse ao espião para esco­lher defi­ni­ti­va­mente um gênero e com­por­tar-se como tal, D’Eon deser­tou para a Ingla­terra. A soci­e­dade de Lon­dres aco­lheu D’Eon de bra­ços aber­tos e ela se ves­tiu como uma mulher durante os pró­xi­mos 33 anos.

Uma autóp­sia con­cluiu que d’Eon era ana­to­mi­ca­mente mas­cu­lino. Che­va­lier foi trans­gê­nero? É difí­cil dizer. Mas de qual­quer forma, Che­va­lier d’Eon foi uma pes­soa ino­va­dora em mui­tos sen­ti­dos.

Loreta Janeta Velázquez

Imagem de Loreta Janeta Velázquez, incorporada no artigo de Rodrigo Zottis, para o Portal Ano Zero, intitulado: "As mulheres militares que se disfarçaram de homens".

Loreta Janeta Veláz­quez como ela mesma (à direita), e dis­far­çada de “tenente Harry Buford” (à esquerda).

Você sabia que mais de 400 mulhe­res já se dis­far­ça­ram de homens para que pudes­sem lutar nas linhas de frente durante a Guerra Civil ame­ri­cana? Todas essas mulhe­res desem­pe­nha­ram papéis impor­tan­tís­si­mos, mas Loretta Janeta Velaz­quez levou seu papel a um outro pata­mar.

Nas­ceu em 1824, em uma rica famí­lia cubana. Em 1861, ela ficou irri­tada quando seu marido se jun­tou com os con­fe­de­ra­dos. Por quê? Por­que ela que­ria ir com ele. Assim, ela encon­trou uma nova maneira de con­tor­nar o pro­blema:

Não con­tente ape­nas com sua vida, Velaz­quez deci­diu usar sua riqueza para finan­ciar e equi­par um bata­lhão de infan­ta­ria, que tra­ria ao marido para coman­dar. Ela cor­tou o cabelo, fez bron­ze­ado, e pas­sou a apre­sen­tar-se como tenente, usando o nome de Harry T. Buford. Assim, ela pas­sou a lutar em várias bata­lhas, incluindo a de Bull Run e Shi­loh, mas seu sexo foi duas vezes des­co­berto e ela foi rebai­xada.”

Como que seu dis­farce foi des­co­berto? Ela se tor­nou uma ver­da­deira espiã mulher. Real­mente um dis­farce per­feito, mas não para sua infan­ta­ria.


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Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.

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