Os movimentos sociais fracassaram

Os movimentos sociais fracassaram

Em Comportamento, Consciência, O MELHOR DO AZ, Política, Sociedade por Rodrigo ZottisComentários

18 de junho de 2013. Nesse dia, ini­ci­a­ram-se pro­tes­tos em todo Bra­sil, tendo seu esto­pim em Porto Ale­gre, cidade onde moro, con­tra o aumento do preço das tari­fas de ôni­bus. Diver­sos grê­mios estu­dan­tis de colé­gios públi­cos e dire­tó­rios aca­dê­mi­cos de uni­ver­si­da­des fede­rais se mobi­li­za­ram para par­ti­ci­par des­sas mani­fes­ta­ções, atraindo os estu­dan­tes. Foi dessa forma que tive meu pri­meiro con­tato com um dos diver­sos movi­men­tos soci­ais de que par­ti­ci­pa­ria nos anos seguin­tes, e dos quais me decep­ci­o­nei e me afas­tei.

Durante algu­mas sema­nas, os pro­tes­tos “dos 20 cen­ta­vos” (como foi popu­la­ri­zado) toma­ram pro­por­ções alar­man­tes, espa­lhando-se para outras capi­tais do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Curi­tiba e Belo Hori­zonte, tendo em sua com­po­si­ção as dife­ren­tes clas­ses, desde classe baixa até a média alta. Não era algo que o país estava acos­tu­mado a viven­ciar, pois os assun­tos dos movi­men­tos soci­ais sem­pre eram res­trin­gi­dos a uma classe econô­mica ou ide­o­lo­gias espe­cí­fi­cas.

Em pouco tempo, os pro­tes­tos acu­mu­la­vam uma quan­ti­dade absurda de pes­soas, que ultra­pas­sa­ram o número de mani­fes­tan­tes do “Dire­tas Já” de 1984 — uma das mai­o­res mani­fes­ta­ções na his­tó­ria do Bra­sil até então.

Devido ao fato de ser um pro­testo de gran­des pro­por­ções e com mani­fes­tan­tes de diver­sas ori­gens, as rei­vin­di­ca­ções tam­bém eram múl­ti­plas, não se res­trin­gindo ao motivo ori­gi­nal dos 20 cen­ta­vos. Alguns deman­da­vam mais inves­ti­men­tos na edu­ca­ção, outros acesso à mora­dia, reforma agrá­ria, fim da cor­rup­ção e outras medi­das. Con­tudo, cer­tos “mani­fes­tan­tes”, já nos pri­mei­ros pro­tes­tos, come­ça­ram a se apro­vei­tar do caos das ruas e come­ça­ram a fur­tar esta­be­le­ci­men­tos comer­ci­ais ou a sim­ples­mente depre­dar resi­dên­cias, o que resul­tou numa bru­tal repres­são poli­cial, com uso de balas de bor­ra­cha, gás lacri­mo­gê­neo, e gra­nada flash­bang (perdi meu tím­pano e fiquei sem audi­ção durante 2 sema­nas devido a uma des­sas gra­na­das).

Mas isso não foi o sufi­ci­ente para repri­mir o movi­mento. Dois dias depois, outra pas­se­ata já estava mar­cada, em repú­dio à vio­lên­cia da polí­cia, reu­nindo milha­res de pes­soas. Esse novo pro­testo aca­bou da mesma forma, com repres­são poli­cial mais intensa do que a ante­rior, e aos pou­cos o movi­mento tor­nou-se ape­nas baru­lho, revolta, algo mera­mente sim­bó­lico, sem pauta defi­nida.

Con­tudo, todas aque­las milha­res de pes­soas reu­ni­das sig­ni­fi­ca­vam uma coisa. Esta­vam insa­tis­fei­tas com seu país e que­riam tor­nar isso visí­vel. E con­se­gui­ram. Bra­sí­lia come­çou a per­ce­ber que a insa­tis­fa­ção não era brin­ca­deira quando o Con­gresso Naci­o­nal foi ocu­pado pelos mani­fes­tan­tes.

protestos movimentos sociais

Eu e mui­tos céti­cos da época ficá­va­mos bas­tante atô­ni­tos com as opor­tu­ni­da­des e con­sequên­cias daque­les pro­tes­tos, que se repe­ti­ram pela ter­ceira e quarta vez, com pouquís­si­mos dias de inter­valo entre si. Esses even­tos foram noti­ci­a­dos em man­che­tes de jor­nais e capas de revis­tas, apa­re­ciam nos noti­ciá­rios de outros paí­ses e até mesmo resul­ta­ram em um pro­nun­ci­a­mento da Pre­si­dente Dilma no mesmo mês.

Mas como cana­li­zar aquela ener­gia em melho­rias para a soci­e­dade?

Nin­guém sabia.

Será que tudo que estava acon­te­cendo era ape­nas baru­lho sem dire­ção? O país veria o maior movi­mento social de sua his­tó­ria sur­gir e se esvair, sem resul­tar em melho­rias ao país?

Por um lado, o preço das tari­fas de ôni­bus bai­xa­ram (mas subi­ram meses depois), alguns pro­je­tos polê­mi­cos foram bani­dos do Con­gresso por pres­são popu­lar, como foi o caso da “Cura Gay” (Decreto Legis­la­tivo 234/1) e a PEC 37 (que visava proi­bir inves­ti­ga­ções pelo Minis­té­rio Público). 

O efe­tivo das for­ças poli­cias atu­ante nos pro­tes­tos aumen­tou, em alguns momen­tos somando mais poli­ci­ais que mani­fes­tan­tes. Devido à pauta abran­gente e gene­ra­lista, ao cons­tante medo da repres­são poli­cial e à depre­da­ção urbana, o movi­mento come­çou a se dete­ri­o­rar.

Con­tudo, mesmo com as mani­fes­ta­ções sufo­ca­das, a von­tade da popu­la­ção de mudar a rea­li­dade do país se inten­si­fi­cou, for­ta­le­cendo as aspi­ra­ções de seto­res pro­gres­sis­tas, impli­cando o sur­gi­mento de diver­sos cole­ti­vos e gru­pos soci­ais com suas pró­prias rei­vin­di­ca­ções.

Eu mesmo par­ti­ci­pei da “fun­da­ção” de um cole­tivo apar­ti­dá­rio e poli­ti­ca­mente inde­pen­dente. Tínha­mos como pauta o fim da Poli­cia Mili­tar, denun­ciar os assas­si­na­tos come­ti­dos con­tra jovens em peri­fe­rias, cri­ti­car os gas­tos exces­si­vos do atual governo bra­si­leiro para a pró­xima Copa do Mundo (2014) e bus­car a cons­ci­en­ti­za­ção geral da popu­la­ção sobre temas econô­mi­cos e polí­ti­cos com deba­tes em luga­res públi­cos. Mui­tas vezes rea­li­zá­va­mos pas­se­a­tas no cen­tro da cidade com a fina­li­dade mera­mente “sim­bó­lica” de divul­gar algu­mas das cau­sas que defen­día­mos. Encon­trá­va­mos mui­tos inte­res­sa­dos em nos escu­tar, de todas as ida­des, que aos pou­cos se soma­vam ao nosso movi­mento.

Pare­cia ser um mundo repleto de liber­dade e plu­ra­li­dade, o que leva­ria a soci­e­dade a um pata­mar de pro­gresso e igual­dade. Que­ría­mos de fato uma revo­lu­ção no mundo e nos hábi­tos das pes­soas ao nosso redor.

Mas não foi isso que acon­te­ceu. Como dizia Pirerre Verg­ni­aud, morto na gui­lho­tina na revo­lu­ção fran­cesa, em 1793:

movimentos sociais: Pierre Vergniaud

A revo­lu­ção é como Cro­nos: devora seus pró­prios filhos.” — Pierre Verg­ni­aud

CRIA-SE O BEM E O MAL

Por mais válida que tenha sido a cri­a­ção des­ses cole­ti­vos como forma de cana­li­zar o anseio por mudan­ças, todos eles foram afe­ta­dos pelo mesmo vírus que tomou conta de grande parte dos movi­men­tos soci­ais e impe­diu qual­quer tipo de ação que impli­casse uma melho­ria con­creta: pre­gava-se uma solu­ção única e sal­va­dora para todo o Bra­sil e divi­dia-se a popu­la­ção entre domi­nan­tes e domi­na­dos, com uma sim­ples cate­go­ri­za­ção econô­mica, étnica ou ide­o­ló­gica, que vari­ava de grupo para grupo.

Alguns movi­men­tos soci­ais pos­suíam incon­sis­tên­cia lógica e prá­tica em suas rei­vin­di­ca­ções. Mui­tos joga­vam os pobres con­tra a classe média, pre­ga­vam a taxa­ção e o fim das for­tu­nas de empre­sá­rios e o dire­ci­o­na­mento des­ses valo­res para as clas­ses mais bai­xas.

Mui­tos cole­ti­vos femi­nis­tas, além de sua exclu­si­vi­dade par­ti­ci­pa­tiva (o que é válido, sim), come­ça­ram a pre­gar um ódio exa­cer­bado con­tra todo e qual­quer homem. Lem­bro-me até hoje de um pro­testo no cen­tro de Porto Ale­gre em que mui­tas mani­fes­tan­tes ale­ga­vam que todos os homens deve­riam ser puni­dos e, se pos­sí­vel, era neces­sá­rio evi­tar o nas­ci­mento de outros mem­bros do sexo mas­cu­lino, pois todos eram poten­ci­ais estu­pra­do­res.

movimentos sociais: homem lixo

Enquanto isso, come­cei a notar que essa “doença” estava se espa­lhando den­tro do pró­prio cole­tivo que eu inte­grava. O vírus vinha sempre acom­pa­nhado de um dis­curso emo­tivo, sim­plista e super­fi­cial, visando a com­ba­ter um único “ini­migo”, gera­dor de todo o mal no pla­neta.

Aos pou­cos, não está­va­mos mais rea­li­zando deba­tes em par­ques públi­cos, ou even­tos inde­pen­den­tes de música ou arte em pra­ças, mas sim que­brando ôni­bus, jane­las da pre­fei­tura ou jogando rojões em poli­ci­ais.

movimentos sociais: carro vandalizado

Eu não que­ria par­ti­ci­par disso, não con­se­guia ver nenhuma melhora ver­da­deira sendo alcan­çada por esses atos.

O ápice do extre­mismo dos movi­men­tos soci­ais foi a inva­são de pro­pri­e­da­des. Os inva­so­res, na ver­dade, eram em sua mai­o­ria pes­soas que pos­suíam lugar para morar, mas se esta­be­le­ce­ram em outras pro­pri­e­da­des com a fina­li­dade de “rei­vin­di­car o uso da pro­pri­e­dade para fins cul­tu­rais”. Tra­ta­vam-se das famo­sas “ocu­pa­ções”.

Claro que viven­ciei casos indi­vi­du­ais, e não posso atri­buir esses mes­mos con­cei­tos a todas ocu­pa­ções e movi­men­tos soci­ais do mundo. Con­tudo, nenhum dos moti­vos decla­ra­dos real­mente ser­via de jus­ti­fi­ca­tiva para aque­les atos de divi­são da soci­e­dade, depre­da­ção e inva­são.

Estou falando espe­ci­fi­ca­mente de uma doença que segrega e con­ta­mina os dis­cur­sos com emo­ção e raiva:

AS IDEOLOGIAS

Um dia, a reli­gião foi usada como argu­mento para pra­ti­car as mais diver­sas atro­ci­da­des e espa­lhar igno­rân­cia. Hoje são as ide­o­lo­gias. Poder é poder, ele se rein­venta, e pena de quem acre­dita nos argu­men­tos daque­les que estão no poder ou bus­cam alcançá-lo.

Aos pou­cos, os par­ti­dos polí­ti­cos come­ça­ram a enxer­gar opor­tu­ni­da­des naque­les movi­men­tos soci­ais, e assim esten­de­ram seus ten­tá­cu­los com o intuito de con­trolá-los e usá-los como massa de mano­bra, pois viram que o alcance des­ses gru­pos mili­tan­tes era sig­ni­fi­ca­tivo, prin­ci­pal­mente entre os jovens.

Movi­men­tos soci­ais como o Jun­tos, fili­a­dos ao par­tido Soci­a­lismo e Liber­dade, ou a UNE, atu­al­mente regida pelo Par­tido Comu­nista do Bra­sil, toma­ram suas mai­o­res dimen­sões em 2013 com a mesma receita de bolo: ele­ger um único ini­migo a ser com­ba­tido - o “Mer­cado”, o “Grande Capi­tal”, a “classe domi­nante”, o “empre­sa­ri­ado”.

Esses movi­men­tos soci­ais encon­tram seu prin­ci­pal campo de atu­a­ção nas uni­ver­si­da­des, prin­ci­pal­mente públi­cas. Os par­ti­dos lan­ça­vam seus can­di­da­tos que con­cor­riam a elei­ções de dire­tó­rios aca­dê­mi­cos (pre­do­mi­nan­te­mente em cur­sos de huma­nas), com o intuito de dar mais opor­tu­ni­dade polí­tica a seus inte­gran­tes para con­cor­re­rem nas pró­xi­mas elei­ções a vere­a­do­res em suas cida­des, e, a longo prazo, con­so­li­dar o poder do par­tido na região.

Outro exem­plo muito claro de movi­mento social con­ta­mi­nado pelo jogo par­ti­dá­rio, foram as mani­fes­ta­ções pró-impe­a­ch­ment da pre­si­dente Dilma, influ­en­ci­a­dos pelo Movi­mento Bra­sil Livre. Os pró­prios orga­ni­za­do­res do movi­mento foram afe­ta­dos pelo vírus ide­o­ló­gico, enxer­gando o PT como o único mal do País e enten­dendo o impe­a­ch­ment como o único obs­tá­culo ao futuro prós­peroVic­tor Lis­boa ilus­tra espe­ci­fi­ca­mente esse movi­mento no artigo “O Idi­ota do Impe­a­ch­ment”.

Movimentos sociais: Kim Kataguiri é um dos fundadores do MBL.

Kim Kata­guiri é um dos fun­da­do­res do Movi­mento Bra­sil Livre.

Fize­mos todo esse tra­jeto de 2013 até hoje para com­pre­en­der a situ­a­ção dos movi­men­tos soci­ais atu­ais, que são massa de mano­bra para ele­ger can­di­da­tos de par­ti­dos (e man­ter par­ti­dos no poder) e res­pon­sa­bi­li­zam uma só classe econô­mica, etnia ou par­tido por todas as maze­las dos cerca de 200 milhões de bra­si­lei­ros.

Apri­mo­ra­dos e opor­tu­nis­tas, esses movi­men­tos soci­ais de hoje em dia não estão mais nas ruas ou uni­ver­si­da­des. Estão nas redes soci­ais, mos­trando seu pior lado, pois a inter­net é como um por­tão que pro­tege qual­quer cachorro, mesmo os meno­res, per­mi­tindo que até o menor chihu­ahua possa latir como um cão feroz.

Assim, ini­cia-se a luta do branco ver­sus o negro, do moto­rista ver­sus o ciclista, do hétero ver­sus o gay, do homem ver­sus a mulher, dos peti­tas ver­sus os tuca­nos. Lutas em que ambos os lados pre­gam o fim do outro, em vez de pro­por diá­lo­gos cons­tru­ti­vos e mobi­li­za­ções que imple­men­tem mudan­ças prá­ti­cas e efe­ti­vas.

Para mui­tos, ape­nas suas solu­ções pre­vi­sí­veis de uma revo­lu­ção armada soci­a­lista ime­di­ata ou de um impe­a­ch­ment seguido de inter­ven­ção mili­tar podem tra­zer pro­gresso.

OS TEMPOS PÓS-MODERNOS

Desse ambi­ente vir­tual pós-moder­nista extre­ma­mente fér­til de irra­ci­o­na­li­dade e ódio, sur­gem con­cei­tos e teo­rias defi­ci­en­tes em sua coe­são lógica, tra­tando de um mundo ima­gi­ná­rio, em que esses “movi­men­tos” ganham sig­ni­fi­cado cada vez mais limi­tante.

Um exem­plo é o con­ceito de apro­pri­a­ção cul­tu­ral, que ini­ci­al­mente bus­cava aca­bar com os este­rió­ti­pos dos padrões de beleza, prin­ci­pal­mente aque­les que atri­buíam menor valor à esté­tica cul­tu­ral das popu­la­ções negras. Mas, ao invés de com­ba­ter essa forma de racismo, com­ba­tendo os pre­con­cei­tos e este­reó­ti­pos com o uso da lógica e da argu­men­ta­ção raci­o­nal, o “movi­mento” mudou, e agora busca o fim do uso de diver­sas ves­ti­men­tas e pen­te­a­dos por pes­soas de etnia branca, ale­gando que tur­ban­tes e dre­ads são de uso exclu­sivo de afro­des­cen­den­tes.

A solu­ção, apa­ren­te­mente, é segre­gar pes­soas em espa­ços físi­cos ou vir­tu­ais não só segundo a cor da pele, mas tam­bém de acordo com o gênero. Trata-se dos famo­sos “safe spa­cesou “luga­res de fala”, situ­a­ção seme­lhante ao que acon­te­cia em alguns locais públi­cos dos Esta­dos Uni­dos na metade do século XX.

movimentos sociais: Esse ser humano conseguiu “problematizar” um gato.

Esse ser humano con­se­guiu “pro­ble­ma­ti­zar” um gato.

VOCÊ NÃO PODE OPINAR NO QUE NÃO É SUA REALIDADE

A argu­men­ta­ção com base na lógica, prin­cí­pio que a par­tir do século XV liber­tou a men­ta­li­dade oci­den­tal do fun­da­men­ta­lismo, tor­nou-se nova­mente uma apti­dão ine­xis­tente para mui­tos indi­ví­duos. Essa ali­e­na­ção não acon­tece por ausên­cia de meios para bus­car conhe­ci­mento, como anti­ga­mente, mas sim por esco­lha do indi­ví­duo e devido ao famoso “efeito manada”. Ou em outras pala­vras, aquela enorme “mili­tân­cia” que está em todos os luga­res e parece repe­tir os mes­mos argu­men­tos e acu­sa­ções, inde­pen­dente de a quem ou a que situ­a­ção se refira. Dis­cor­dar des­sas ideias sig­ni­fica ter sua ima­gem pública bas­tante man­chada.

Dessa forma, surge a jus­ti­fi­ca­tiva de que “tal acon­te­ci­mento não é sua rea­li­dade, então todas suas pala­vras são invá­li­das.” Nem mesmo a razão pode que­brar esses argu­men­tos, pois sua opi­nião só poderá ser levada em con­si­de­ra­ção se você esti­ver em uma con­di­ção social seme­lhante a quem emi­tiu a men­sa­gem.

Em uma con­versa casual num bar, come­cei a con­si­de­rar o quão esse con­ceito pode afe­tar gra­ve­mente a men­ta­li­dade das pes­soas, prin­ci­pal­mente das mais jovens, quando ouvi por parte de um inter­lo­cu­tor que “exis­tem cer­tos pon­tos em que a lógica não pode che­gar.”

Não havia mais nada que eu pudesse dizer.

Enquanto pre­va­le­cer a visão de que exis­tem “por­ta­do­res da razão, acima de qual­quer jul­ga­mento” e deter­mi­na­dos “meios e ações” que devem ser segui­dos em vez de obje­ti­vos que devem ser alcan­ça­dos para atin­gir uma soci­e­dade mais prós­pera, haverá cen­sura e pre­con­ceito. E assim pes­soas com os mes­mos obje­ti­vos tra­ta­rão umas às outras como ini­mi­gas.

Infe­liz­mente é neces­sá­rio que tran­si­te­mos por essa época de raci­o­cí­nio pale­o­lí­tico, para ser­vir de exem­plo às futu­ras gera­ções que qual­quer tipo de ideia fun­da­men­ta­lista pode tomar pro­por­ções alar­man­tes. Aguar­de­mos que no futuro a lógica pre­va­leça, e os movi­men­tos soci­ais tanto nas ruas quanto na inter­net sejam uma fer­ra­menta para rei­vin­di­car direi­tos e bus­car meios de atin­gir obje­ti­vos.


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Leia mais sobre o assunto em Ano Zero:

1 — As vir­tu­des esque­ci­das de um bom debate inte­lec­tual
2 — O pós-moder­nismo e as falá­cias da inter­net
3 — Cala a boca, você é branco!
4 — Carta ao idi­ota do Impe­a­ch­ment
5 — Os valen­tões da jus­tiça social
6 — Você é uma raposa ou um porco-espi­nho?
7 — A Tra­gé­dia dos Comuns

Rodrigo Zottis
Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.

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