18 de junho de 2013. Nesse dia, iniciaram-se protestos em todo Brasil, tendo seu estopim em Porto Alegre, cidade onde moro, contra o aumento do preço das tarifas de ônibus. Diversos grêmios estudantis de colégios públicos e diretórios acadêmicos de universidades federais se mobilizaram para participar dessas manifestações, atraindo os estudantes. Foi dessa forma que tive meu primeiro contato com um dos diversos movimentos sociais de que participaria nos anos seguintes, e dos quais me decepcionei e me afastei.

Durante algumas semanas, os protestos “dos 20 centavos” (como foi popularizado) tomaram proporções alarmantes, espalhando-se para outras capitais do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte, tendo em sua composição as diferentes classes, desde classe baixa até a média alta. Não era algo que o país estava acostumado a vivenciar, pois os assuntos dos movimentos sociais sempre eram restringidos a uma classe econômica ou ideologias específicas.

Em pouco tempo, os protestos acumulavam uma quantidade absurda de pessoas, que ultrapassaram o número de manifestantes do “Diretas Já” de 1984 – uma das maiores manifestações na história do Brasil até então.

Devido ao fato de ser um protesto de grandes proporções e com manifestantes de diversas origens, as reivindicações também eram múltiplas, não se restringindo ao motivo original dos 20 centavos. Alguns demandavam mais investimentos na educação, outros acesso à moradia, reforma agrária, fim da corrupção e outras medidas. Contudo, certos “manifestantes”, já nos primeiros protestos, começaram a se aproveitar do caos das ruas e começaram a furtar estabelecimentos comerciais ou a simplesmente depredar residências, o que resultou numa brutal repressão policial, com uso de balas de borracha, gás lacrimogêneo, e granada flashbang (perdi meu tímpano e fiquei sem audição durante 2 semanas devido a uma dessas granadas).

Mas isso não foi o suficiente para reprimir o movimento. Dois dias depois, outra passeata já estava marcada, em repúdio à violência da polícia, reunindo milhares de pessoas. Esse novo protesto acabou da mesma forma, com repressão policial mais intensa do que a anterior, e aos poucos o movimento tornou-se apenas barulho, revolta, algo meramente simbólico, sem pauta definida.

Contudo, todas aquelas milhares de pessoas reunidas significavam uma coisa. Estavam insatisfeitas com seu país e queriam tornar isso visível. E conseguiram. Brasília começou a perceber que a insatisfação não era brincadeira quando o Congresso Nacional foi ocupado pelos manifestantes.

protestos movimentos sociais

Eu e muitos céticos da época ficávamos bastante atônitos com as oportunidades e consequências daqueles protestos, que se repetiram pela terceira e quarta vez, com pouquíssimos dias de intervalo entre si. Esses eventos foram noticiados em manchetes de jornais e capas de revistas, apareciam nos noticiários de outros países e até mesmo resultaram em um pronunciamento da Presidente Dilma no mesmo mês.

Mas como canalizar aquela energia em melhorias para a sociedade?

Ninguém sabia.

Será que tudo que estava acontecendo era apenas barulho sem direção? O país veria o maior movimento social de sua história surgir e se esvair, sem resultar em melhorias ao país?

Por um lado, o preço das tarifas de ônibus baixaram (mas subiram meses depois), alguns projetos polêmicos foram banidos do Congresso por pressão popular, como foi o caso da “Cura Gay” (Decreto Legislativo 234/1) e a PEC 37 (que visava proibir investigações pelo Ministério Público).

O efetivo das forças policias atuante nos protestos aumentou, em alguns momentos somando mais policiais que manifestantes. Devido à pauta abrangente e generalista, ao constante medo da repressão policial e à depredação urbana, o movimento começou a se deteriorar.

Contudo, mesmo com as manifestações sufocadas, a vontade da população de mudar a realidade do país se intensificou, fortalecendo as aspirações de setores progressistas, implicando o surgimento de diversos coletivos e grupos sociais com suas próprias reivindicações.

Eu mesmo participei da “fundação” de um coletivo apartidário e politicamente independente. Tínhamos como pauta o fim da Policia Militar, denunciar os assassinatos cometidos contra jovens em periferias, criticar os gastos excessivos do atual governo brasileiro para a próxima Copa do Mundo (2014) e buscar a conscientização geral da população sobre temas econômicos e políticos com debates em lugares públicos. Muitas vezes realizávamos passeatas no centro da cidade com a finalidade meramente “simbólica” de divulgar algumas das causas que defendíamos. Encontrávamos muitos interessados em nos escutar, de todas as idades, que aos poucos se somavam ao nosso movimento.

Parecia ser um mundo repleto de liberdade e pluralidade, o que levaria a sociedade a um patamar de progresso e igualdade. Queríamos de fato uma revolução no mundo e nos hábitos das pessoas ao nosso redor.

Mas não foi isso que aconteceu. Como dizia Pirerre Vergniaud, morto na guilhotina na revolução francesa, em 1793:

movimentos sociais: Pierre Vergniaud
“A revolução é como Cronos: devora seus próprios filhos.” – Pierre Vergniaud

CRIA-SE O BEM E O MAL

Por mais válida que tenha sido a criação desses coletivos como forma de canalizar o anseio por mudanças, todos eles foram afetados pelo mesmo vírus que tomou conta de grande parte dos movimentos sociais e impediu qualquer tipo de ação que implicasse uma melhoria concreta: pregava-se uma solução única e salvadora para todo o Brasil e dividia-se a população entre dominantes e dominados, com uma simples categorização econômica, étnica ou ideológica, que variava de grupo para grupo.

Alguns movimentos sociais possuíam inconsistência lógica e prática em suas reivindicações. Muitos jogavam os pobres contra a classe média, pregavam a taxação e o fim das fortunas de empresários e o direcionamento desses valores para as classes mais baixas.

Muitos coletivos feministas, além de sua exclusividade participativa (o que é válido, sim), começaram a pregar um ódio exacerbado contra todo e qualquer homem. Lembro-me até hoje de um protesto no centro de Porto Alegre em que muitas manifestantes alegavam que todos os homens deveriam ser punidos e, se possível, era necessário evitar o nascimento de outros membros do sexo masculino, pois todos eram potenciais estupradores.

movimentos sociais: homem lixo

Enquanto isso, comecei a notar que essa “doença” estava se espalhando dentro do próprio coletivo que eu integrava. O vírus vinha sempre acompanhado de um discurso emotivo, simplista e superficial, visando a combater um único “inimigo”, gerador de todo o mal no planeta.

Aos poucos, não estávamos mais realizando debates em parques públicos, ou eventos independentes de música ou arte em praças, mas sim quebrando ônibus, janelas da prefeitura ou jogando rojões em policiais.

movimentos sociais: carro vandalizado

Eu não queria participar disso, não conseguia ver nenhuma melhora verdadeira sendo alcançada por esses atos.

O ápice do extremismo dos movimentos sociais foi a invasão de propriedades. Os invasores, na verdade, eram em sua maioria pessoas que possuíam lugar para morar, mas se estabeleceram em outras propriedades com a finalidade de “reivindicar o uso da propriedade para fins culturais”. Tratavam-se das famosas “ocupações”.

Claro que vivenciei casos individuais, e não posso atribuir esses mesmos conceitos a todas ocupações e movimentos sociais do mundo. Contudo, nenhum dos motivos declarados realmente servia de justificativa para aqueles atos de divisão da sociedade, depredação e invasão.

Estou falando especificamente de uma doença que segrega e contamina os discursos com emoção e raiva:

AS IDEOLOGIAS

Um dia, a religião foi usada como argumento para praticar as mais diversas atrocidades e espalhar ignorância. Hoje são as ideologias. Poder é poder, ele se reinventa, e pena de quem acredita nos argumentos daqueles que estão no poder ou buscam alcançá-lo.

Aos poucos, os partidos políticos começaram a enxergar oportunidades naqueles movimentos sociais, e assim estenderam seus tentáculos com o intuito de controlá-los e usá-los como massa de manobra, pois viram que o alcance desses grupos militantes era significativo, principalmente entre os jovens.

Movimentos sociais como o Juntos, filiados ao partido Socialismo e Liberdade, ou a UNE, atualmente regida pelo Partido Comunista do Brasil, tomaram suas maiores dimensões em 2013 com a mesma receita de bolo: eleger um único inimigo a ser combatido – o “Mercado”, o “Grande Capital”, a “classe dominante”, o “empresariado”.

Esses movimentos sociais encontram seu principal campo de atuação nas universidades, principalmente públicas. Os partidos lançavam seus candidatos que concorriam a eleições de diretórios acadêmicos (predominantemente em cursos de humanas), com o intuito de dar mais oportunidade política a seus integrantes para concorrerem nas próximas eleições a vereadores em suas cidades, e, a longo prazo, consolidar o poder do partido na região.

Outro exemplo muito claro de movimento social contaminado pelo jogo partidário, foram as manifestações pró-impeachment da presidente Dilma, influenciados pelo Movimento Brasil Livre. Os próprios organizadores do movimento foram afetados pelo vírus ideológico, enxergando o PT como o único mal do País e entendendo o impeachment como o único obstáculo ao futuro prósperoVictor Lisboa ilustra especificamente esse movimento no artigo “O Idiota do Impeachment”.

Movimentos sociais: Kim Kataguiri é um dos fundadores do MBL.
Kim Kataguiri é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre.

Fizemos todo esse trajeto de 2013 até hoje para compreender a situação dos movimentos sociais atuais, que são massa de manobra para eleger candidatos de partidos (e manter partidos no poder) e responsabilizam uma só classe econômica, etnia ou partido por todas as mazelas dos cerca de 200 milhões de brasileiros.

Aprimorados e oportunistas, esses movimentos sociais de hoje em dia não estão mais nas ruas ou universidades. Estão nas redes sociais, mostrando seu pior lado, pois a internet é como um portão que protege qualquer cachorro, mesmo os menores, permitindo que até o menor chihuahua possa latir como um cão feroz.

Assim, inicia-se a luta do branco versus o negro, do motorista versus o ciclista, do hétero versus o gay, do homem versus a mulher, dos petitas versus os tucanos. Lutas em que ambos os lados pregam o fim do outro, em vez de propor diálogos construtivos e mobilizações que implementem mudanças práticas e efetivas.

Para muitos, apenas suas soluções previsíveis de uma revolução armada socialista imediata ou de um impeachment seguido de intervenção militar podem trazer progresso.

OS TEMPOS PÓS-MODERNOS

Desse ambiente virtual pós-modernista extremamente fértil de irracionalidade e ódio, surgem conceitos e teorias deficientes em sua coesão lógica, tratando de um mundo imaginário, em que esses “movimentos” ganham significado cada vez mais limitante.

Um exemplo é o conceito de apropriação cultural, que inicialmente buscava acabar com os esteriótipos dos padrões de beleza, principalmente aqueles que atribuíam menor valor à estética cultural das populações negras. Mas, ao invés de combater essa forma de racismo, combatendo os preconceitos e estereótipos com o uso da lógica e da argumentação racional, o “movimento” mudou, e agora busca o fim do uso de diversas vestimentas e penteados por pessoas de etnia branca, alegando que turbantes e dreads são de uso exclusivo de afrodescendentes.

A solução, aparentemente, é segregar pessoas em espaços físicos ou virtuais não só segundo a cor da pele, mas também de acordo com o gênero. Trata-se dos famosos “safe spacesou “lugares de fala”, situação semelhante ao que acontecia em alguns locais públicos dos Estados Unidos na metade do século XX.

movimentos sociais: Esse ser humano conseguiu “problematizar” um gato.
Esse ser humano conseguiu “problematizar” um gato.

VOCÊ NÃO PODE OPINAR NO QUE NÃO É SUA REALIDADE

A argumentação com base na lógica, princípio que a partir do século XV libertou a mentalidade ocidental do fundamentalismo, tornou-se novamente uma aptidão inexistente para muitos indivíduos. Essa alienação não acontece por ausência de meios para buscar conhecimento, como antigamente, mas sim por escolha do indivíduo e devido ao famoso “efeito manada”. Ou em outras palavras, aquela enorme “militância” que está em todos os lugares e parece repetir os mesmos argumentos e acusações, independente de a quem ou a que situação se refira. Discordar dessas ideias significa ter sua imagem pública bastante manchada.

Dessa forma, surge a justificativa de que “tal acontecimento não é sua realidade, então todas suas palavras são inválidas.” Nem mesmo a razão pode quebrar esses argumentos, pois sua opinião só poderá ser levada em consideração se você estiver em uma condição social semelhante a quem emitiu a mensagem.

Em uma conversa casual num bar, comecei a considerar o quão esse conceito pode afetar gravemente a mentalidade das pessoas, principalmente das mais jovens, quando ouvi por parte de um interlocutor que “existem certos pontos em que a lógica não pode chegar.”

Não havia mais nada que eu pudesse dizer.

Enquanto prevalecer a visão de que existem “portadores da razão, acima de qualquer julgamento” e determinados “meios e ações” que devem ser seguidos em vez de objetivos que devem ser alcançados para atingir uma sociedade mais próspera, haverá censura e preconceito. E assim pessoas com os mesmos objetivos tratarão umas às outras como inimigas.

Infelizmente é necessário que transitemos por essa época de raciocínio paleolítico, para servir de exemplo às futuras gerações que qualquer tipo de ideia fundamentalista pode tomar proporções alarmantes. Aguardemos que no futuro a lógica prevaleça, e os movimentos sociais tanto nas ruas quanto na internet sejam uma ferramenta para reivindicar direitos e buscar meios de atingir objetivos.


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Leia mais sobre o assunto em Ano Zero:

1 – As virtudes esquecidas de um bom debate intelectual
2 – O pós-modernismo e as falácias da internet
3 – Cala a boca, você é branco!
4 – Carta ao idiota do Impeachment
5 – Os valentões da justiça social
6 – Você é uma raposa ou um porco-espinho?
7 – A Tragédia dos Comuns

Rodrigo Zottis
Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.
  • Bona

    Rodrigo, parabéns pelo seu artigo, que por mais que não me atinja em todos os pontos (afinal, faz parte da vida, não dá pra concordar com tudo), ainda é um agregado severo de quase tudo que venho criticando nos movimentos sociais atualmente.

    Novamente, parabéns.

    E permaneceremos firmes, pois mesmo que nosso fracasso com a geração atual seja bruto, serviremos de base para uma próxima melhor.

    • Cleydson Luan Amancio Lima

      kkkkkk “serviremos de base para uma próxima melhor”, nossa sua autoestima é alta, junto com a prepotência, baixa a bola amigão.

      • Marcos Paulo

        Uma geração sempre servirá como base para uma futura (seja ela melhor ou não). Vc é típico personagem retratado no texto.

        • Cleydson Luan Amancio Lima

          Segundo o amigo, ele será exemplo “bom” para o futuro, nossa acho que ele vai ganhar um diploma de bom samaritano, o exemplo a ser seguido, logicamente as gerações passadas, servem para refletir sobre aquela realidade e avança, agora servimos, no caso o homem em questão para uma sociedade melhor, é um julgamento que ele está certo e a sociedade só será melhor, caso siga os mesmo caminhos dele ou os quais concordam com eles, não é possível um parecer de quem está “certo”, visto por uma visão interna dos acontecimentos, só o tempo trará as resposta para problemas atuais.

          • Marcos Paulo

            Convido você a reler a parte final do texto. Em nenhum momento ele se colocou como a resposta para o problema. O que ele disse foi simples. Dado o diagnóstico que ele deu (concorde vc com ele ou não). Ele espera que o que estamos vivendo hoje sirva de exemplo para que no futuro melhore. Independente de estar certo ou não, isso não invalida o sentimento de otimismo de melhoria.

            Se desarme e pensa em diferentes pontos de vista antes de coloca rum comentário pura e simplesmente para discordar sem agregar valor algum a discussão.

            Discorde, mas agregue valor. =)

          • Cleydson Luan Amancio Lima

            Minha resposta foi ao comentário e não ao texto amigo. E as pessoas deviam parar de usar o termo pós-moderno como ofensa, é o mesmo de tratar como ofensa os termos comunismo ou liberalismo. Pedir racionalidade e generalizar grupos é hipocrisia demais.

          • Bona

            Ai ai, que agressividade desnecessária Cleydson.

            Eu gostaria de deixar aqui algumas ressalvas porém, pra tentar amenizar toda essa ira que eu vejo:

            Sabe quando você erra feio, em vários aspectos, e dai encontra um amigo, tem um filho, entre outras pessoas, que acabam caindo exatamente na mesma situação que você, porém elas não houvem a sua experiência?
            Elas acabam cometendo os mesmos erros, e isso não é necessariamente ruim por que faz parte da vida aprender com os próprios erros.
            Porém, sempre tem alguma pessoa que ouve. E essa leva em consideração a sua experiência antes de agir por si. A ação que vem em seguida pode ser melhor ou pior, mas independente disso, todas essas pessoas aprenderam algo, seja por si só ou com a experiência de outros.

            Independente disso, o meu texto deixa esse exaro sentimento: de que eu desejo que as pessoas sejam melhores no amanhã do que são hoje.

            E isso, meu amigo, independe da minha existência, ou do meu “bom samaritanismo” (sério, eu não consigo compreender como você viu todas essas intenções num texto super simples e otimista, que apenas diz que espera que o amanhã seja melhor).

            Agora, se você quer muito continuar sendo assim, agressivo, tudo bem. Faz parte da vida também.

          • Cleydson Luan Amancio Lima

            Não estou sendo agressivo amigo, só não acredito nessa benevolência de pessoas como você, pois no fundo vejo pessoas que buscam manter o status co e se abstendo dos problemas sociais, pois muitos que lutam pela “racionalidade e blablabla”, buscam no fundo acabar com as manifestações sociais.

    • Rodrigo Zottis

      Olá Bona! Obrigado, fico feliz com sua crítica.
      De fato, não escrevo com a intenção que concordem comigo, o que descrevi aqui é a maneira que interpreto essas vertentes ideológicas, após ter passado pelas experiências que delatei. Outras interpretações sempre existirão e não estão erradas.
      Concordamos contudo em relação ao nosso otimismo a próxima geração, que a lógica prevaleça.

      Obrigado de novo.

      • Bona

        Poxa Rodrigo, não tem nada mais triste hoje do que ver as pessoas escreverem artigos por que querem que concordem com suas formas de pensar, suas ideias.
        O seu artigo, e todos os outros que leio, sempre foram com o intuito de pensar, ver as coisas por um outro ângulo para que eu pudesse compreender aquilo que eu não pude vivenciar pessoalmente.

        Eu escrevia muito, mas como hoje em dia poucas são as coisas que passam sem ofender pelo menos alguma pessoa, decidi apenas compartilhar as conquistas científicas que a humanidade vem adquirindo.

        Ninguém consegue ficar triste, depois de ler que cientistas conseguiram chegar a algum avanço incrível.

        Mas aprecio muito a sua iniciativa, e sua coragem de dar cara a tapa. Apenas não deixe que isso te desmotive, como me desmotivou.

        • Rodrigo Zottis

          Sugiro continuar escrevendo, pois se desejamos agradar a todos, teremos uma vida sem agradar ninguém, nem a nós mesmos.
          Sempre haverá alguém que não concorde com o seu ponto de vista, mas o que realmente importa ao meu ver, é influenciar as pessoas que tem a mesma vontade de se expor para o mundo a entrar nessa jogada.
          Afinal, ninguém está aqui para provar que é melhor que o outro. Estamos aqui para debater sobre algo, e se o debate ofende alguém, é porque essa pessoa não é nada democrática.

  • Nícolas Rittes

    Cara, teu artigo veio como um sopro de esperança pra mim; me mostrando que eu não sou o único a notar o quão “distorcida” está a realidade dos militantes sociais. É difícil de ver que gente que luta por direitos e liberdade, está na verdade lutando para tirar direitos de outras pessoas.
    É ridículo como eu vejo isso em cada canto, virou moda, atingiu o “efeito manada” e apenas piorou lutas que antes já eram infelizmente quase utópicas. Me sinto na necessidade de compartilhar esse artigo, de expressar minha opinião de que todos devemos buscar uma solução que não exclua as pessoas, mas sei que atingirá pouquíssima gente com um efeito positivo e essa impotência me entristece demais.
    Não quero perder a fé na minha geração pois não acredito que o problema esteja na “geração”.
    Pra mim o problema é o que sempre foi: A pauta caiu nas mãos da massa ignorante do povo, que apenas concorda com o que convêm e não se preza a utilizar a lógica e inteligência para buscar soluções. O que me deixa apenas com um possível primeiro passo para a mudança: educar o povo, para que ele não se autodestrua; porém, a missão parece muito longe de ser fácil!

    • Rodrigo Zottis

      Oi Nicolas! Primeiramente obrigado pelos elogios.
      Em relação a essa grande “massa de manobra” que parece aumentar a cada dia, acredito que isso aconteça devido a toda a história política de nosso país. Os brasileiros sempre foram negados de participar de sua política.
      No século XIX foram dominados por três tipos diferentes de ditaduras, República Velha, Estado Novo, e Revolução de 64. Nunca tivemos em nossa história política uma verdadeira “mobilização” para reivindicar direitos, sempre recebemos diferentes tipos de benefícios por questões políticas, enfiadas “goela abaixo da população”.
      A partir de 85, o povo teve mais liberdade em participar de processos políticos e sociais, contudo nunca tinha experiência nesses quesitos. Isso explica a quantidade de barbáries que vemos hoje em dia.
      Nossa democracia é nova demais, ainda somos feito de ignorantes completos por políticos, e nós mesmos somos ignorantes por si.

      A solução só pode vir com o tempo. Assim espero.

      • Mario

        Gostei muito do texto, claro e preciso nos argumentos.

        Fazendo um adendo, Rodrigo, acho que esse tipo de movimento social nao e’ apenas uma exclusividade brasileira (as vezes tenho a impressao de que alguns movimentos sociais, como o negro e o feminista brasileiros usam de pautas quase identicas dos movimentos sociais norte-americanos, sendo a da “apropriacao cultural” uma delas). Claro que a historia local e’ um fator atenuante, mas acho que seria mais uma questao de Zeitgeist.

        E comentando o comentario do Nicolas, a educacao e’ um dos caminhos, mas pelo que conheco da area, e’ uma questao complicada mudar a mentalidade por meio da educacao. E quando digo complicada, me refiro que e’ uma tarefa a longuissimo prazo, podendo levar ate’ questao de geracoes (imagine 3 geracoes, ou seja, 60 anos em media para alguma mudanca perceptivel), prazo tao longo que quase ninguem esta’ acostumado a pensar em sentido de politica publica cultural-educacional.

        Exemplificando o que eu disse:
        Toda crianca tem 3 realidades que percebe:
        -a sociedade em si (esfera macro)
        -a escola e grupo de amigos (esfera intermediaria)
        -a familia (esfera micro)

        Para que algo influencie na personalidade e, por consequencia, no comportamento da crianca, ela tera’ como base as tres esferas ao mesmo tempo. Se na esfera macro e intermediaria existirem praticas de valorizacao de leitura, por exemplo, mas na familia nao, sera’ mais dificil o adulto se ater `a leitura que alguem que presenciou praticas de valorizacao da leitura nas tres esferas. Da mesma forma acho que problemas como tolerancia (sexual, religiosa, etnica, etc) funcionem assim.

        Desculpem o texto longo e sem pontuacao adequada (o meu teclado nao possui acentos graficos). Nao estou falando que nao tem esperanca, estou apenas falando que possa ser um problema de estarmos numa sociedade imediatista enfrentando problemas de solucoes a longuissimo prazo.

  • vertigini

    Discordo de alguns pontos, mas em essência, é isso. A propósito do que foi colocado. Compilei algumas capturas de tela de casos de intolerância desses movimentos feminista, racialistas e até terroristas. Oportunisticamente, esses casos de “racismo inverso”, misândria e terrorismo são sumariamente ocultados pela imprensa.
    https://sognarelucido.wordpress.com/2015/11/23/dossie-imagetico-sobre-violencia-misandrica-e-racista-na-web/

    • Rodrigo Zottis

      Não me considero o messias da opinião pública, então não há nenhum motivo obrigatório de concordar comigo.
      Sim, existem ignorantes em todos os lados, a visão do “mundo político e social perfeito” é conto de fadas para jovens e adultos, levando a apodrecer suas mentes.

  • Catena’s Beauty Atelier

    O pior é que tem absurdos que estão bem disseminados entre certos grupos.
    Já ouvi de uma garota que eu não poderia sequer discutir sobre o racismo por ser branco. Mas o movimento não se trata disso? Gerar uma discussão, iniciar um diálogo?

    • Matheus

      exato. A militância do facebook é como um prédio mal projetado: acaba se afundando no próprio terreno

  • Letícia

    Obrigada por esse texto, assim como o Nicolas falou abaixou, trouxe um pouco de esperança para mim. A minha crença nos movimentos sociais realmente está indo por água abaixo, e ainda assim eu vejo como é urgente lutar pelas desigualdades e injustiças que existem. Eu já tive esse discurso ” patriarcado-mascu-opressor-capitalista” e hoje estou feliz por ter acordado a tempo antes de ter sido levada pro limbo como massa de manobra. Eu acho que a mudança virá com o tempo, ainda não estamos acostumados com tanta liberdade de expressão…acho que as pessoas estão naquela euforia do presente novo de natal recém ganhado….

  • Leonardo Luis de Andrade Janz

    O principal pecado de vocês (do “Ano-zero”): em geral, são autores prolixos demais… Demasiadas redundâncias…. Tautologia. 😡

  • aaaa

    Esse artigo é de fevereiro e é triste notar que ele já não é mais tão atual. Em poucos meses, o radicalismo só aumentou.

    Depois que depuseram a Dilma, o país virou um barril de pólvora, tudo pelo emocionalismo de líderes de movimentos. Enquanto o PT tá enrascado, pronto pra ser pego de bote na Lava Jato, muitos movimentos continuam escorados defendendo o partido a todo custo e correndo o risco de morrerem junto com ele. Do outro lado, o pessoal que pediu Impeachment tá se complicando com a mesma intensidade.

    Mas o maior problema de tudo isso, ao meu ver, é a falta de lideranças, que está por todo lado, exceto na extrema-direita, com Bolsonaro. Enquanto a esquerda tenta defender um partido corrupto a todo custo (muita vezes colocando um verniz de defesa da Constituição), se distanciando de pautas muito mais importantes, a extrema-direita cresce com força, pelo vácuo de lideranças. A esquerda insiste em tomar o PT como liderança, num momento em que o PT caminha pra virar pó e no outro extremo do espectro político, uma liderança se consolida. A direita “moderada”, que pediu o Impeachment e o respeito à constituição, também tá se desfazendo, pela incompetência de seus líderes, que estão sendo desmascarados lentamente.

    A minha esperança pra amenizar essa extremismo era a Rede (Marina Silva), mas já perdi as esperanças nela, já que, de um lado, a esquerda ataca por ela não ser progressista (como se Dilma tivesse aprovado muitas pautas progressistas em seu governo) e do outro, a direita grita raivosamente que ela é petista, comunista “melancia”.

    Estamos muito fodidos. O futuro nos reserva Bolsonaros e mais Bolsonaros: um na Câmara, outro na prefeitura do Rio, um possivelmente no Senado e outro na presidência. Infelizmente, a inércia e o apoio cego desses movimentos vai nos matar.

    Enquanto eles brincam de “ciranda contra o golpe” nas ruas, os extremistas reacionários aproveitam do momento pra captar apoio e avançarem sua agenda. É triste ver que teremos esse fim.

    No mais, deixo esse excelente artigo aos de esquerda que se interessarem: http://www.cartacapital.com.br/politica/a-esquerda-precisa-superar-o-pt

    Aos de direita, uma simples leitura nos últimos noticiários sobre o MBL deve bastar.

  • Cassio Silva

    Eu queria saber porque só agora eu descobri este artigo!! Fabuloso!!! Parabéns!! Se eu tivesse descoberto ele antes teria economizado muita energia de pensamento nos
    Absurdos que venho observando. Pessoas inteligentes caindo em argumentações tolas e rasas e coisas até piores. Falei há pouco para minha mulher: “este pessoal do ano-zero esta mandando muito bem! Os garotos são otimos!”, e eu falo “garotos” pois eu ja passei dos 50! Sigam assim!

  • Edson

    Rodrigo, é um ótimo artigo – na estética e no conteúdo. Como disse o Nícolas, um sopro de esperança.

    Sobre
    a internet, vale lembrar que a própria estrutura das redes sociais
    favorece esse tipo de fundamentalismo. A seleção feita pelo Facebook pra
    definir o que é relevante já foi apontada por várias pesquisas como um
    fator relevante nesse extremismo (religioso, social…). Algumas
    iniciativas, como o DuckDuckGo ou a própria Mozilla, prometem tudo
    sobre a internet aberta, mas o caminho mais fácil…. bem, é sempre o
    caminho mais fácil – e isso já diz tudo.

    A moderação dos extremos
    parece bastante utópica nos dias atuais. Embora eu tema ter tamanho
    pessimismo, talvez toda a confusão da nossa época só sirva de exemplo
    para aqueles que virão depois, sem ser mais do que um borrão para a
    atualidade.