Todos nós temos algo em comum. Todos procuramos a felicidade – e talvez suspire mais por ela quem não admite isso nem para si. Procurar a felicidade é um movimento espontâneo do espírito humano, embora por vezes não tenhamos exata ideia sobre aquilo que nos faz realmente felizes.

Mas há uma espécie de felicidade de fácil acesso e rápida percepção. Ela quase não custa nada, apenas foco e boa vontade. Por outro lado, a recompensa por nossa dedicação é quase sempre instantânea e pode ser enorme.

Na verdade, uma pessoa pode obter a plena felicidade em sua vida apenas se dedicando a atingir a maestria nessa prática de fácil acesso, pouco custosa, chamada “diálogo”.

Pense bem: tudo entre nós é diálogo. Pedir cerveja num bar, conviver com quem se ama – isso e muito mais são formas de diálogo. Dizer bom dia ao porteiro é um breve diálogo de palavras e boas intenções, enquanto conviver ao longo dos anos com quem se ama é um longo diálogo de gestos e compromissos. E há diálogos silenciosos: o diálogo do murro, o diálogo do beijo, o diálogo dos corpos que se desejam e o diálogo dos corpos que se matam.

Por isso não é exagero dizer que a qualidade de nossos diálogos é algo que determina a qualidade de nossas vidas, individual e coletivamente. Bem mais do que riqueza material e beleza, são seus diálogos diários que fazem de você alguém feliz ou amargurado.

E há um elemento central em todos os diálogos: em cada um deles, você acrescenta algo a outra pessoa, alguma coisa que antes não estava com ela e que levará em si após o encontro. Pode ser um sorriso agradável, um questionamento que jamais fora feito, uma esperança a ser alimentada, uma semente para um grande amargor ou uma pequena alegria que torna as próximas horas mais suportáveis. De certa forma, a cada diálogo você presenteia aos outros com uma parte feia ou bonita de seu coração.

Claro que nem sempre podemos evitar que esse “presente” seja indesejável, difícil, até mesmo doloroso. Afinal, somos seres humanos, e em nosso eu mais íntimo alimentamos inseguranças e medos.

Mas podemos mudar um pouco isso. E, assim mudar um pouco o mundo inteiro. Basta boa vontade, foco e esforço diário.

Pode soar banal, mas melhorar a qualidade de nossos diálogos ao menos um pouco pode causar uma transformação enorme em nossa sociedade. Pode, em outras palavras, fazer todos nós um pouco mais felizes.

Basta acordarmos todas as manhãs a partir de amanhã, a partir do dia primeiro, e já nos primeiros minutos ficarmos conscientes dos diálogos que se apresentarão ao longo do dia. Basta assumirmos o compromisso de incutir em cada um desses diálogos um pouco de amor, um pouco de compaixão, um pouco de gentileza, por mais árduos e conflitivos que muitos deles sejam. Esse é um pouco que às vezes pode ser muito, que às vezes pode ser o bastante para transformar a vida de uma outra pessoa.

Se conseguirmos realizar ao menos em parte esse compromisso a cada dia e do próximo ano, acrescentaremos um pouco mais de felicidade na vida particular de cada pessoa, e impulsionaremos a própria humanidade para uma vivência coletiva mais evoluída.

Somos responsáveis uns pelos outros. Que em 2016 assumamos essa responsabilidade recíproca, melhorando a qualidade de todos os nossos diálogos.

escrito por:

Victor Lisboa