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Cientistas descobrem que “memórias” podem ser transmitidas através de DNA

Em Ciência por Rodrigo ZottisComentários

Uma nova pes­quisa da Emory Uni­ver­sity School of Medi­cine, em Atlanta, mos­trou que é pos­sí­vel que algu­mas infor­ma­ções sejam her­da­das bio­lo­gi­ca­mente atra­vés de alte­ra­ções quí­mi­cas que ocor­rem em nosso DNA. Durante os tes­tes, cien­tis­tas per­ce­be­ram que ratos podem trans­mi­tir as infor­ma­ções obti­das sobre expe­ri­ên­cias trau­má­ti­cas ou estres­san­tes — neste caso, um medo do cheiro de flor de cere­jeira — para as gera­ções sub­se­quen­tes.

De acordo com o Tele­graph, o Dr. Brian Dias, do depar­ta­mento de psi­qui­a­tria da Uni­ver­si­dade de Emory, disse: “de certa pers­pec­tiva, nos­sos resul­ta­dos nos per­mi­tem per­ce­ber o modo de como as expe­ri­ên­cias de um pai, mesmo antes de con­ce­ber filhos, pode influ­en­ciar sig­ni­fi­ca­ti­va­mente na estru­tura e fun­ção no sis­tema ner­voso das gera­ções sub­se­quen­tes. Tal fenô­meno pode con­tri­buir para a eti­o­lo­gia e poten­cial de trans­mis­são inter­ge­ra­ci­o­nal de risco para dis­túr­bios neu­rop­si­quiá­tri­cos, como fobias, ansi­e­dade e trans­torno de estresse pós-trau­má­tico.”

Isto sugere que as expe­ri­ên­cias sejam de alguma forma trans­fe­ri­das a par­tir do cére­bro para o genoma, per­mi­tindo-lhes ser trans­mi­tido às gera­ções pos­te­ri­o­res.

Os pes­qui­sa­do­res agora espe­ram apro­fun­dar seu tra­ba­lho para enten­der como a infor­ma­ção passa a ser arma­ze­nada no DNA. Eles tam­bém dese­jam explo­rar se efei­tos seme­lhan­tes podem ser vis­tos nos genes dos huma­nos.

Pro­fes­sor Mar­cus Pem­brey, gene­ti­cista pediá­trica da Uni­ver­sity Col­lege Lon­don, disse que o tra­ba­lho for­ne­cido são “pro­vas con­vin­cen­tes” da trans­mis­são bio­ló­gica de memó­ria.

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Mar­cus Pem­brey

É pos­sí­vel que fobias, ansi­e­dade e dis­túr­bios de estresse pós-trau­má­tico, sejam oriun­dos de uma trans­mis­são da “memó­ria” de algum ances­tral para o resto de suas gera­ções. Eu sus­peito que no futuro, nós não vamos ana­li­sar o aumento dos dis­túr­bios neu­rop­si­quiá­tri­cos ou de obe­si­dade, dia­be­tes e ou per­tur­ba­ções meta­bó­li­cas repen­ti­nas em um indi­ví­duo espe­cí­fico sem abor­dar o tema de trans­mis­são gené­tica.”

O Pro­fes­sor Lobo Reik, chefe da epi­ge­né­tica do Ins­ti­tuto Babraham em Cam­bridge, afir­mou, no entanto, ser neces­sá­rio tra­ba­lho adi­ci­o­nal antes que esses resul­ta­dos pos­sam ser apli­ca­dos aos seres huma­nos. “Estes tipos de resul­ta­dos são ani­ma­do­res, pois suge­rem que a herança trans­ge­ra­ci­o­nal existe e é medi­ada pela epi­ge­né­tica, mas um estudo meca­ni­cista mais cui­da­doso é neces­sá­ria antes de extra­po­lar tais resul­ta­dos para os seres huma­nos.”

Agora, o famoso tema con­tro­verso; será que o nosso DNA tam­bém car­rega memó­rias pas­sa­das de nos­sos antre­ces­trais?

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Na fran­quia de games Assas­sins Creed, o pro­ta­go­nista Des­mond revive as memó­rias de seus ante­pas­sa­dos.

Rodrigo Zottis
Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.

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