Provavelmente não há uma maneira ideal de morrer, mas isso não significa que as pessoas em seus leitos de morte não tenham suas preferências. Para os parentes que acompanham um familiar durante seus momentos finais, nem sempre é possível saber a sua opinião, devido à perda de consciência ou dificuldade de expressar-se. Por essa razão, pesquisadores revisaram 32 estudos sobre o assunto e criaram uma lista de 10 temas centrais sobre o que seria uma “boa morte”, de acordo com os pacientes.

“A morte é, obviamente, um tema controverso”, disse Dilip Jeste, reitor associado da UC San Diego School of Medicine e co-autor do estudo publicado no American Journal of Geriatric Medicine. “As pessoas não gostam de falar sobre isso em detalhes, mas deveríamos, pois é importante conversar com honestidade e transparência sobre que tipo de morte cada um de nós prefere”.

A lista abaixo, desenvolvida pelos pesquisadores, está organizada de acordo com a ordem de importância que a maioria dos pacientes dá aos critérios caracterizadores de uma “boa morte”:

Prioridades pré-morte

  • Poder escolher a maneira de morrer;
  • Não sentir dor;
  • Ter bem-estar emocional;
  • Ter um senso de religião ou espiritualidade;
  • Poder decidir sobre uma opção de tratamento ou escolher suspendê-lo;
  • Estar acompanhado de familiares;
  • Usufruir de qualidade de vida durante o padecimento;
  • Ter uma relação positiva com a equipe médica e de enfermeiros.

Não falamos o suficiente sobre a morte, o que nos levou a alguns equívocos infelizes. De fato, um estudo de 2014 com canadenses idosos que possuíam doenças graves descobriu que os médicos tinham escolhido para discutir apenas 2 dos 11 cuidados recomendados sobre a fim da vida com seus pacientes. Mas não podemos esperar para saber como os pacientes querem morrer se nunca nos preocupamos em lhes perguntar.

morrer de acordo com a ciência

Nessa nova pesquisa, os médicos analisaram 32 estudos revisados por especialistas que examinaram os fatores que levariam a uma “boa morte“, de acordo com os pacientes, profissionais de saúde e familiares. Esse foi o primeiro estudo a ser feito com a ajuda dessas diferentes partes envolvidas na questão, e elas raramente concordam quando se trata de decisões sobre o fim da vida.

Emily Meier, psicóloga da UC San Diego Health e co-autora do estudo, constatou que “clinicamente, há muitas vezes diferença de escolha entre o que os pacientes, familiares e profissionais da saúde entendem como sendo o aspecto mais importante do fim da vida”.

Pacientes, familiares e médicos quase sempre concordam que o direito de escolher um processo de morte específica, a ausência de qualquer dor e o bem-estar emocional são os três fatores mais importantes. Mas quando se tratava de prioridades pré-morte, as partes interessadas discordavam. Por exemplo, pacientes colocam maior ênfase na religião e na espiritualidade do que os membros da família, enquanto esses pareciam sentir que a dignidade e o sentimento de “conclusão da vida” eram mais importantes.

Claro, a prioridade deve ser o desejo do paciente, pois ele é quem está morrendo. Mas os resultados obtidos sublinham a importância de falar com os entes queridos sobre os seus desejos de fim de vida, especialmente porque nossas prioridades pessoais nem sempre se alinham com os nossos próprios sentimentos no momento final.

“Normalmente, os pacientes sabem o que querem ou o que precisam, e não há receio em falar sobre isso, pois opinar é o que lhes dá uma sensação de controle”, diz Meier. “É possível você ter uma boa morte, conversando com alguém em algum momento antes”.


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escrito por:

Rodrigo Zottis

Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.