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As melhores maneiras de morrer, de acordo com a ciência

Em Comportamento por Rodrigo ZottisComentário

Pro­va­vel­mente não há uma maneira ideal de mor­rer, mas isso não sig­ni­fica que as pes­soas em seus lei­tos de morte não tenham suas pre­fe­rên­cias. Para os paren­tes que acom­pa­nham um fami­liar durante seus momen­tos finais, nem sem­pre é pos­sí­vel saber a sua opi­nião, devido à perda de cons­ci­ên­cia ou difi­cul­dade de expres­sar-se. Por essa razão, pes­qui­sa­do­res revi­sa­ram 32 estu­dos sobre o assunto e cri­a­ram uma lista de 10 temas cen­trais sobre o que seria uma “boa morte”, de acordo com os paci­en­tes.

A morte é, obvi­a­mente, um tema con­tro­verso”, disse Dilip Jeste, rei­tor asso­ci­ado da UC San Diego School of Medi­cine e co-autor do estudo publi­cado no Ame­ri­can Jour­nal of Geri­a­tric Medi­cine. “As pes­soas não gos­tam de falar sobre isso em deta­lhes, mas deve­ría­mos, pois é impor­tante con­ver­sar com hones­ti­dade e trans­pa­rên­cia sobre que tipo de morte cada um de nós pre­fere”.

A lista abaixo, desen­vol­vida pelos pes­qui­sa­do­res, está orga­ni­zada de acordo com a ordem de impor­tân­cia que a mai­o­ria dos paci­en­tes dá aos cri­té­rios carac­te­ri­za­do­res de uma “boa morte”:

Prioridades pré-morte

  • Poder esco­lher a maneira de mor­rer;
  • Não sen­tir dor;
  • Ter bem-estar emo­ci­o­nal;
  • Ter um senso de reli­gião ou espi­ri­tu­a­li­dade;
  • Poder deci­dir sobre uma opção de tra­ta­mento ou esco­lher sus­pendê-lo;
  • Estar acom­pa­nhado de fami­li­a­res;
  • Usu­fruir de qua­li­dade de vida durante o pade­ci­mento;
  • Ter uma rela­ção posi­tiva com a equipe médica e de enfer­mei­ros.

Não fala­mos o sufi­ci­ente sobre a morte, o que nos levou a alguns equí­vo­cos infe­li­zes. De fato, um estudo de 2014 com cana­den­ses ido­sos que pos­suíam doen­ças gra­ves des­co­briu que os médi­cos tinham esco­lhido para dis­cu­tir ape­nas 2 dos 11 cui­da­dos reco­men­da­dos sobre a fim da vida com seus paci­en­tes. Mas não pode­mos espe­rar para saber como os paci­en­tes que­rem mor­rer se nunca nos pre­o­cu­pa­mos em lhes per­gun­tar.

morrer de acordo com a ciência

Nessa nova pes­quisa, os médi­cos ana­li­sa­ram 32 estu­dos revi­sa­dos por espe­ci­a­lis­tas que exa­mi­na­ram os fato­res que leva­riam a uma “boa morte”, de acordo com os paci­en­tes, pro­fis­si­o­nais de saúde e fami­li­a­res. Esse foi o pri­meiro estudo a ser feito com a ajuda des­sas dife­ren­tes par­tes envol­vi­das na ques­tão, e elas rara­mente con­cor­dam quando se trata de deci­sões sobre o fim da vida.

Emily Meier, psi­có­loga da UC San Diego Health e co-autora do estudo, cons­ta­tou que “cli­ni­ca­mente, há mui­tas vezes dife­rença de esco­lha entre o que os paci­en­tes, fami­li­a­res e pro­fis­si­o­nais da saúde enten­dem como sendo o aspecto mais impor­tante do fim da vida”.

Paci­en­tes, fami­li­a­res e médi­cos quase sem­pre con­cor­dam que o direito de esco­lher um pro­cesso de morte espe­cí­fica, a ausên­cia de qual­quer dor e o bem-estar emo­ci­o­nal são os três fato­res mais impor­tan­tes. Mas quando se tra­tava de pri­o­ri­da­des pré-morte, as par­tes inte­res­sa­das dis­cor­da­vam. Por exem­plo, paci­en­tes colo­cam maior ênfase na reli­gião e na espi­ri­tu­a­li­dade do que os mem­bros da famí­lia, enquanto esses pare­ciam sen­tir que a dig­ni­dade e o sen­ti­mento de “con­clu­são da vida” eram mais impor­tan­tes.

Claro, a pri­o­ri­dade deve ser o desejo do paci­ente, pois ele é quem está mor­rendo. Mas os resul­ta­dos obti­dos subli­nham a impor­tân­cia de falar com os entes que­ri­dos sobre os seus dese­jos de fim de vida, espe­ci­al­mente por­que nos­sas pri­o­ri­da­des pes­so­ais nem sem­pre se ali­nham com os nos­sos pró­prios sen­ti­men­tos no momento final.

Nor­mal­mente, os paci­en­tes sabem o que que­rem ou o que pre­ci­sam, e não há receio em falar sobre isso, pois opi­nar é o que lhes dá uma sen­sa­ção de con­trole”, diz Meier. “É pos­sí­vel você ter uma boa morte, con­ver­sando com alguém em algum momento antes”.


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Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.

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