Como contar melhores histórias?

Em Comportamento, Consciência por Tales GubesComentário

Para 2015, fiz ape­nas uma pro­messa de ano novo: con­tar his­tó­rias melho­res. Não esco­lhi essa como a única pro­messa do ano por­que sou escri­tor, tam­pouco por­que orga­nizo um curso de escrita ou por­que desejo con­tar pia­das melho­res (sim, essa frase foi uma ten­ta­tiva e ela mos­tra o quanto eu pre­ciso melho­rar na arte do humor).

Esco­lhi con­tar his­tó­rias melho­res por­que tudo o que existe além da expe­ri­ên­cia direta da vida são his­tó­rias. Sem elas, somos inca­pa­zes de lem­brar, revi­ver ou com­par­ti­lhar aquilo que já expe­ri­men­ta­mos. Com elas, encon­tra­mos nossa iden­ti­dade indi­vi­dual e cole­tiva. Por meio das his­tó­rias, enten­de­mos o mundo e nos rela­ci­o­na­mos uns com os outros.

Estou inte­res­sado em par­ti­cu­lar nas his­tó­rias rela­ci­o­na­das à homos­se­xu­a­li­dade e à homo­fo­bia, não só por­que tocam minha vida, mas por­que são his­tó­rias que seguem sendo igno­ra­das ou con­ta­das de forma equi­vo­cada. Para falar delas, porém, pre­ci­sa­mos antes enten­der por que his­tó­rias são impor­tan­tes (dica: é por­que fazem a gente se impor­tar).

Onde estão as his­tó­rias

De novo, eu pode­ria estar escre­vendo isso sim­ples­mente por­que sou escri­tor e pre­ciso ven­der o meu peixe. No caso, his­tó­rias. Mas a ver­dade é que nós seres huma­nos somos pro­gra­ma­dos para rea­gir às his­tó­rias dos outros como se fos­sem nos­sas pró­prias. Isso se chama empa­tia, ou a capa­ci­dade de se iden­ti­fi­car com outra pes­soa, de sen­tir o que ela sente, de que­rer o que ela quer.

Quando lemos a his­tó­ria de Shehe­ra­zade, nas Mil e Uma Noi­tes, ansi­a­mos pela sua sobre­vi­vên­cia a cada peda­ci­nho de aven­tura fan­tás­tica que ela narra. Temos medo que ela morra, que a his­tó­ria dela ter­mine.

As his­tó­rias não exis­tem ape­nas nos livros e fil­mes. Na ver­dade, elas estão em todos os luga­res. Quando nos apre­sen­ta­mos em uma entre­vista de emprego, esta­mos con­tando uma his­tó­ria sobre quem nós somos, o que vive­mos e por que deve­ría­mos ser esco­lhi­dos para pre­en­cher um papel. Quando assis­ti­mos ao tele­jor­nal, esta­mos acom­pa­nhando his­tó­rias dos mais vari­a­dos per­so­na­gens: polí­ti­cos, reli­gi­o­sos, pes­soas comuns viti­ma­das por tra­gé­dias etc.

A publi­ci­dade tam­bém não fica atrás: sabe­dora das arti­ma­nhas para alcan­çar o cora­ção dos con­su­mi­do­res, criam vídeos pro­mo­ci­o­nais emo­ci­o­nan­tes tra­zendo his­tó­rias de expe­ri­ên­cias de vida ou situ­a­ções que nos façam lem­brar das mar­cas. Exem­plo? Os cami­nhões de Natal da Coca-Cola, com uma música empol­gante e a pro­messa de futu­ros feli­zes. Mais um exem­plo? O vídeo cha­mado “Puppy Love”, da Budwei­ser, tra­zendo a ami­zade de um cachor­ri­nho e um cavalo como a pro­messa de rela­ci­o­na­men­tos eter­nos que pode­riam ser cons­truí­dos via par­ti­lha de uma cer­veja.

O obje­tivo de qual­quer his­tó­ria é pro­du­zir uma expe­ri­ên­cia emo­ci­o­nal pode­rosa. Se o leitor/ouvinte de uma his­tó­ria sen­tir-se tocado de alguma maneira por aquela his­tó­ria, ela pas­sará a ser uma parte de sua expe­ri­ên­cia de vida. 

Cer­tas his­tó­rias têm um peso maior que outras, espe­ci­al­mente quando tra­tam de temas uni­ver­sais para a expe­ri­ên­cia humana, como cres­ci­mento, amor e morte, por­que mais pes­soas podem se reco­nhe­cer quando entram em con­tato com elas. Esse reco­nhe­ci­mento depende, é claro, da baga­gem de expe­ri­ên­cias que cada pes­soa car­rega. Se eu nunca sofri por amor, é pro­vá­vel que eu me sinta menos tocado por uma his­tó­ria sobre cora­ções par­ti­dos. 

As anti­gas mito­lo­gias cum­priam esse pro­pó­sito, com deu­ses e heróis enfren­tando con­fli­tos facil­mente reco­nhe­cí­veis como par­tes da expe­ri­ên­cia humana e nos ensi­nando as con­sequên­cias de deter­mi­na­dos atos e esco­lhas. Atu­al­mente, o cinema, a publi­ci­dade e o jor­na­lismo cons­troem ver­da­dei­ras mito­lo­gias pela maneira como orga­ni­zam suas his­tó­rias e as tor­nam parte de nos­sos coti­di­a­nos.

A capa­ci­dade de se reco­nhe­cer na his­tó­ria dos outros, ou, de novo, a empa­tia, é o que nos per­mite apren­der com expe­ri­ên­cias que não vive­mos (e está aí a razão evo­lu­ci­o­ná­ria para nossa “fra­queza” por his­tó­rias). Por isso, a pos­si­bi­li­dade de con­tar his­tó­rias é muito impor­tante, por­que inclui o poder de deci­são sobre quais his­tó­rias serão con­ta­das para quais ouvin­tes.

Quem tem o poder de con­tar as his­tó­rias?

Ao longo da his­tó­ria da huma­ni­dade, o poder de con­tar his­tó­rias esteve con­cen­trado nas mãos de indi­ví­duos con­si­de­ra­dos espe­ci­ais: xamãs, líde­res tri­bais, sacer­do­tes (esses, aliás, de uma forma ou de outra, cen­tra­li­za­ram esse poder durante bas­tante tempo), cien­tis­tas, jor­na­lis­tas, publi­ci­tá­rios, donos de con­glo­me­ra­dos de mídia. A razão disso sem­pre foi muito clara: os meios de repro­du­ção eram limi­ta­dos.

Algu­mas inven­ções modi­fi­ca­ram esse cená­rio: a prensa de tipos móveis de Johan­nes Gutem­berg, o rádio de Graham Bell, o cinema dos irmãos Lumière. A cada uma des­sas inven­ções, mais e mais pes­soas tinham acesso a novas his­tó­rias e, tam­bém, à pos­si­bi­li­dade de con­tar his­tó­rias. Con­tudo, a tec­no­lo­gia que mudou com­ple­ta­mente esse cená­rio de pou­cos con­ta­do­res para mui­tos ouvin­tes foi a inter­net.

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Con­forme o uso de com­pu­ta­do­res com acesso à inter­net tor­nou-se mais fácil e difun­dido, mais e mais pes­soas ganha­ram a pos­si­bi­li­dade de escre­ver seus tex­tos, músi­cas e vídeos sem o con­trole ou a edi­ção de gran­des con­glo­me­ra­dos de mídia, os con­ta­do­res de his­tó­ria tra­di­ci­o­nais. É nesse momento que his­tó­rias antes igno­ra­das por­que invi­sí­veis ou silen­ci­a­das come­ça­ram a alcan­çar os olhos e ouvi­dos de outras pes­soas, ace­le­rando os pro­ces­sos de mudança cul­tu­ral.

Toda his­tó­ria existe em torno de um per­so­na­gem. Sem per­so­na­gem não há his­tó­ria. O per­so­na­gem é aquele sujeito age em uma his­tó­ria.

De maneira muito gene­ra­lista, há três per­fis de per­so­na­gens comu­mente apre­sen­ta­dos em his­tó­rias: o herói, que luta con­tra os con­fli­tos e as mal­da­des do mundo, a vítima, que é colo­cada em perigo, sofre e pre­cisa de ajuda, e o vilão, aquele que mal­trata e per­turba a vida da vítima e coloca o herói em ação.

Neste ponto, desejo retor­nar à ques­tão da homos­se­xu­a­li­dade e da homo­fo­bia, que men­ci­o­nei logo no iní­cio deste texto. Se as his­tó­rias cons­troem a nossa rela­ção com o mundo, penso que as his­tó­rias sobre per­so­na­gens homos­se­xu­ais pre­ci­sam se liber­tar das posi­ções de vítima e vilâo, de modo a recon­fi­gu­rar o rela­ci­o­na­mento que cons­truí­mos com sujei­tos homos­se­xu­ais. A seguir, ofe­reço algu­mas con­si­de­ra­ções sobre esta ques­tão.

O homos­se­xual como vilão 

Foram divul­ga­das recen­te­mente na inter­net algu­mas men­sa­gens de ódio da mãe de um rapaz gay. Nas men­sa­gens, a mulher se uti­liza de uma série de ideias apren­di­das em his­tó­rias reli­gi­o­sas para for­mar sua visão de mundo e, espe­ci­al­mente, colo­car o filho na posi­ção de vilão. 

Em resumo, ela diz que o filho esco­lheu ser viado, que dei­xou de ser homem, que é a decep­ção de sua vida e que bicha não vale nada, por ser uma cri­a­tura de vida suja.

Uma his­tó­ria nunca está sozi­nha: ela é atra­ves­sada e cir­cun­dada e tam­bém atra­vessa e inclui outras his­tó­rias. De um lado, pode­mos evo­car as his­tó­rias de mater­ni­dade que conhe­ce­mos e esbra­ve­jar que esta mulher não é uma boa mãe, que ela não tem o direito de cri­ti­car o filho, que ela deve amar sua cri­ança incon­di­ci­o­nal­mente. Embora eu goste des­sas his­tó­rias, elas são ape­nas isso, his­tó­rias que ser­vem para ori­en­tar nosso com­por­ta­mento na rela­ção uns com os outros. Um filme bri­lhante que sugere uma outra visão acerca desta his­tó­ria é Pre­ci­sa­mos falar sobre Kevin.

kevin

Por outro lado, temos his­tó­rias sobre homos­se­xu­a­li­dade. Da pers­pec­tiva da mãe, a homos­se­xu­a­li­dade seria algo a ser con­fron­tado, e por isso o filho repre­senta uma decep­ção, por­que não foi forte o bas­tante para ser o herói da pró­pria his­tó­ria. Entre­tanto, ele não foi o herói da his­tó­ria da mãe, não se con­for­mando com suas expec­ta­ti­vas ali­men­ta­das por his­tó­rias reli­gi­o­sas que se fun­da­men­tam na ani­qui­la­ção da dife­rença.

Pes­so­al­mente, embora abo­mine esta situ­a­ção, não con­sigo ter raiva da mãe, mas sim pena. Na his­tó­ria que conto para mim mesmo, e que orga­niza minha rela­ção com o mundo, ela é uma vítima de habi­li­do­sos e ardi­lo­sos con­ta­do­res de his­tó­rias que garan­tem sua posi­ção de heróis encon­trando vilões para serem odi­a­dos. Quando um pas­tor ou depu­tado voci­fera con­tra sujei­tos homos­se­xu­ais, não é ódio o que enxergo, e sim o apro­vei­ta­mento das regras de con­ta­ção de his­tó­rias para se auto­pro­mo­ver. Afi­nal, todo herói pre­cisa de um vilão. Ou vários, se for um herói ainda maior.

A his­tó­ria da homos­se­xu­a­li­dade como vila­nia é, sem dúvida, bem con­tada, e por isso tão fácil de acre­di­tar. Os gays teriam pla­nos para con­quis­tar a huma­ni­dade, escra­vi­zar a todos em fes­tas pur­pu­ri­na­das e aca­bar com a vida na Terra. É uma his­tó­ria inte­res­sante para quem gosta de fic­ção cien­tí­fica e acre­dita que exista ape­nas uma maneira cor­reta de se viver, uma única his­tó­ria que deve­ria ser repe­tida por todos.

Porém, a mãe está errada: nin­guém esco­lhe ser homos­se­xual. Pelo menos, é o que sugere a ciên­cia, a his­tó­ria na qual pre­firo acre­di­tar por­que tra­ba­lha com pen­sa­mento crí­tico e expe­ri­men­ta­ção. É ple­na­mente pos­sí­vel acre­di­tar nas his­tó­rias reli­gi­o­sas, porém não deve­mos esque­cer que elas ten­dem a ser his­tó­rias que não mudam, cri­a­das há milê­nios. Se durante uma vida, meros cin­quenta ou cem anos, nós come­te­mos inú­me­ros equí­vo­cos, que dizer de uma his­tó­ria que não tem mudado há pelo menos dois mil anos?

Há ainda outro pro­blema quando asso­ci­a­mos homos­se­xu­a­li­dade com o papel de vilão: pes­soa alguma deseja ser o vilão de sua pró­pria his­tó­ria. Que­rer­mos ser reco­nhe­ci­dos como heróis, é claro, nada mais comum. 

Por isso, quando um sujeito que se con­si­dera hete­ros­se­xual pre­cisa lidar com dese­jos por pes­soas do mesmo sexo, ele se sente ame­a­çado. O único jeito de fazer isso é eli­mi­nando a ame­aça, pois se não hou­ve­rem gays no mundo, não haverá nenhuma pes­soa com a qual ele possa viver os seus dese­jos. Essa situ­a­ção nos leva ao segundo papel atri­buído a sujei­tos homos­se­xu­ais: o de vítima. 

O homos­se­xual como vítima

Em 2014, um jovem cha­mado João Donati foi assas­si­nado após tran­sar com um cara. O assas­sino foi esse mesmo cara, e a jus­ti­fi­ca­tiva dada foi que João teria ten­tado “se pas­sar” com ele. Den­tro desta his­tó­ria, que é pare­cida com a da mãe homo­fó­bica, ser homos­se­xual equi­vale a não ser homem, o que só é con­si­de­rado ruim por­que nossa soci­e­dade se apoia em uma grande his­tó­ria sobre como homens são supe­ri­o­res às mulhe­res. O nome dessa his­tó­ria é machismo.

Donati foi trans­for­mado em vítima na his­tó­ria de seu pró­prio assas­si­nato, e sim­bo­li­ca­mente repre­senta tan­tos outros homos­se­xu­ais ata­ca­dos por sujei­tos que se inti­tu­lam heróis den­tro de suas Cru­za­das.

O papel de vítima faci­lita os sen­ti­men­tos de com­pai­xão e de revolta. Em alguma medida, todos nós já fomos agre­di­dos, por isso con­se­gui­mos nos iden­ti­fi­car com aque­les que são viti­ma­dos. Em 1969, ata­ques poli­ci­ais ao bar gay Sto­newall Inn, em Nova Ior­que, pro­vo­ca­ram rea­ções que cata­li­sa­ram uma série de movi­men­tos pelos direi­tos de sujei­tos homos­se­xu­ais. A indig­na­ção com o papel de vítima levou à ação de lutar por reco­nhe­ci­mento e res­peito.

O cinema se ali­menta das his­tó­rias da vida real para cons­truir suas pró­prias his­tó­rias inven­ta­das. As artes são mais um meio de con­tar sobre vidas invi­si­bi­li­za­das e silen­ci­a­das, embora pos­sam tro­pe­çar nos mes­mos equí­vo­cos de outras his­tó­rias. Em O segredo de Bro­ke­back Moun­tain, por exem­plo, não há espaço para a feli­ci­dade na vida de dois homens que se amam, pois sujei­tos homos­se­xu­ais são tipi­ca­mente carac­te­ri­za­dos como víti­mas das his­tó­rias em que par­ti­ci­pam.

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Quando tudo o que sujei­tos que se iden­ti­fi­cam como homos­se­xu­ais encon­tram são essas his­tó­rias em que gays e lés­bi­cas só podem ser vilões ou víti­mas, aca­bam por enten­der que essas são as úni­cas pos­si­bi­li­da­des. Durante a vida esco­lar, ado­les­cen­tes sofrem com a pres­são dos cole­gas e mui­tas vezes são leva­dos a desis­ti­rem de suas pró­prias vidas. Para víti­mas e vilões, o sui­cí­dio apa­rece como uma saída legí­tima para encer­rar o sofri­mento e colo­car um ponto final de uma his­tó­ria de tris­te­zas e dores.

O homos­se­xual como herói

Sujei­tos homos­se­xu­ais podem viver tan­tas his­tó­rias quanto quais­quer outras pes­soas, inclu­sive aque­las nais quais são os heróis. Essa pos­si­bi­li­dade se abre quando lem­bra­mos que a sexu­a­li­dade não é o cen­tro da iden­ti­dade de quem quer que seja, e por­tanto não pode ser uti­li­zada como parâ­me­tro para defi­nir as his­tó­rias pos­sí­veis para cada um.

No filme Hoje eu quero vol­tar sozi­nho, vemos a his­tó­ria de um ado­les­cente gay com defi­ci­ên­cia visual. A sexu­a­li­dade e a falta da visão inter­fe­rem na his­tó­ria, mas não figu­ram como os úni­cos ele­men­tos que defi­nem a per­so­na­li­dade e as expe­ri­ên­cias do per­so­na­gem prin­ci­pal. Os con­fli­tos que ele vive são os mes­mos que outros ado­les­cen­tes expe­ri­men­tam, como a difi­cul­dade de se acei­tar, o desejo de se sen­tir incluído e a des­co­berta do pri­meiro amor.

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A vida real tam­bém tem his­tó­rias ins­pi­ra­do­ras em que homos­se­xu­ais vivem o papel de heróis. Recen­te­mente, uma foto pos­tada no Ins­ta­gram foi com­par­ti­lhada nas redes soci­ais por incon­tá­veis pes­soas. Tra­tava-se de uma cena coti­di­ana: os pais de duas meni­nas pen­te­a­vam seus cabe­los em frente ao espe­lho e apro­vei­ta­ram o momento para tirar uma sel­fie mos­trando um peda­ci­nho de sua rotina. O que há de ins­pi­ra­dor nisso? Os pais das meni­nas (e de mais um menino) são homens e negros.

A foto­gra­fia, sin­gela como é, retrata um momento fami­liar e gos­toso: o cui­dado envol­vido em acor­dar às 5h30 a fim de pre­pa­rar os filhos para a escola. Porém, as his­tó­rias das quais temos notí­cia não envol­vem dois pais homens, muito menos dois pais homens e negros. Não é à toa que a foto­gra­fia está sendo usada como um sím­bolo do movi­mento LGBT e negro: ela conta uma his­tó­ria de amor entre sujei­tos que cos­tu­mam ser repre­sen­ta­dos ape­nas como víti­mas e vilões.

Toda his­tó­ria é um gesto polí­tico

Não creio que a foto tenha sido tirada a fim de mani­fes­tar um posi­ci­o­na­mento polí­tico. Con­tudo, ela conta uma his­tó­ria e toda his­tó­ria é polí­tica por­que inter­fere na vida de outras pes­soas.

Quando eu digo ao mundo que amo outro homem, não estou que­rendo cau­sar con­fli­tos ou “mos­trar meu estilo de vida”. O que busco é viver uma his­tó­ria de amor na qual eu possa cami­nhar pela rua sem medo de ser ata­cado. Quando digo ao mundo que amo outro homem, estou con­tando uma his­tó­ria de feli­ci­dade que diz de mim, do meu namo­rado e tam­bém de toda e qual­quer pes­soa que possa amar e ser amada inde­pen­den­te­mente do que outras his­tó­rias digam por aí.

Aquela mãe homo­fó­bica, aquele homem que assas­si­nou João? Tenho pena deles não ape­nas por­que eles con­tam his­tó­rias ter­rí­veis sobre si e sobre o mundo, his­tó­rias de ódio, de culpa e de dana­ção. Tenho pena por­que vivem essas his­tó­rias.

Pen­sando bem, acho que devo mudar minha pro­messa para 2015. Não quero ape­nas con­tar his­tó­rias melho­res, mas vivê-las. His­tó­rias em que todos pos­sam ganhar. Jun­tos.

Vamos?

Tales Gubes
Tales é uma raposa entre seres humanos. Escreve sobre escrever, sexualidade, educação e empreendedorismo. Criou o Ninho de Escritores para unir e ajudar outras criaturas que também curtem transformar experiências em palavras.

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