O que é o Materialismo Dialético? Na imagem, personalidades do comunismo e socialismo festejam.

O que é o Materialismo Dialético?

Em Filosofia, Política por Arthur SouzaComentário

Hoje em dia, na era dos deba­tes onli­nes, a galera de esquerda é muito cobrada para que rea­lize uma “aná­lise mate­ri­a­lista” sobre o assunto em ques­tão. Mas, afi­nal, o que é o mate­ri­a­lismo? E o que é o mate­ri­a­lismo dia­lé­tico? Vamos lá…


Diante de ques­tões como “quem somos”, “de onde vie­mos” e “para onde vamos”, o homem bus­cou, em mitos, fábu­las e deu­ses, a ori­gem das coi­sas. Os que bus­ca­vam uma expli­ca­ção não cien­tí­fica para o mundo eram cha­ma­dos de ide­a­lis­tas. O ide­a­lismo tem como base a ideia de que o mundo mate­rial e as coi­sas pre­sen­tes nele só podem ser expli­ca­dos por meio de uma ver­dade espi­ri­tual. Os pen­sa­men­tos e as ideias são aquilo que deter­mina a exis­tên­cia das coi­sas. São as ideias que criam as coi­sas.

O mate­ri­a­lismo pro­põe exa­ta­mente o con­trá­rio. A rea­li­dade mate­rial e o mundo externo deter­mi­nam nos­sas ideias e o nosso pen­sa­mento. As res­pos­tas para as ques­tões soci­ais do mundo estão con­ti­das não nas ideias, mas no pró­prio mundo. As ideias se jus­ti­fi­cam pela exis­tên­cia mate­rial das coi­sas à nossa volta (e maté­ria é tudo o que existe no mundo real, fora da cons­ci­ên­cia humana e que não pre­cisa dela para exis­tir). Isso é mate­ri­a­li­dade.

Tirinha de Karl Marx e René Descartes.

Marx Zoeiro

Exis­tem vários tipos de méto­dos, ou seja, for­mas como tra­ça­mos o cami­nho para che­gar até as res­pos­tas das nos­sas ques­tões.

O método meta­fí­sico pro­põe alguns prin­cí­pios bási­cos:

  • o prin­cí­pio da iden­ti­dade afirma que uma coisa é sem­pre igual a ela mesma. A iden­ti­dade, o que ela é, é supe­rior à mudança e ao que ela pode vir a ser;
  • o iso­la­mento das coi­sas con­siste em sepa­rar e iso­lar as coi­sas umas das outras, não iden­ti­fi­cando rela­ção alguma entre elas. As coi­sas exis­tem de for­mas sepa­ra­das;
  • surge então uma divi­são eterna e intrans­po­ní­vel, onde não há pos­si­bi­li­dade alguma de haver cone­xão entre elas e com outras coi­sas que pos­sam explicá-las;
  • e, por fim, che­ga­mos à opo­si­ção dos con­trá­rios, con­cluindo que as coi­sas são sim­ples­mente dife­ren­tes uma das outras e, sendo assim, con­trá­rias.

Por exem­plo, quando eu digo que sem­pre houve ricos e pobres e que sem­pre haverá essa divi­são, que estas são clas­ses iso­la­das e que não se rela­ci­o­nam, afas­tando qual­quer pos­si­bi­li­dade de mudança, pois são duas posi­ções com­ple­ta­mente con­trá­rias e opos­tas, eu estou rea­li­zando uma aná­lise meta­fí­sica.

Já o método dia­lé­tico busca a ver­dade atra­vés da con­tra­di­ção de ideias, e entende que, do cho­que entre a tese (pri­meira pro­po­si­ção) e antí­tese (opo­si­ção), surge a sín­tese (con­clu­são).

Nesse método, temos qua­tro gran­des leis:

  • a mudança dia­lé­tica afirma que o ponto de vista dia­lé­tico é o movi­mento da mudança. Nada é defi­ni­tivo, tudo tem um pas­sado e terá, con­se­quen­te­mente, um futuro. Para se estu­dar qual­quer coisa deve­mos estu­dar sua his­tó­ria e seus pro­ces­sos de for­ma­ção e trans­for­ma­ção, des­co­brindo então a ori­gem da mudança. Nenhum fenô­meno da natu­reza pode ser com­pre­en­dido iso­la­da­mente;
  • a lei da ação recí­proca afirma que não há um fim, nada está aca­bado, mas em cons­tante movi­mento, ou seja: cada pro­cesso influ­en­cia em outros pro­ces­sos e daí em diante. Tudo influ­en­cia sobre tudo;
  • o prin­cí­pio da con­tra­di­ção afirma que toda coisa é ela mesma e ao mesmo tempo seu con­trá­rio. Em todas as coi­sas há duas for­ças inter­nas e con­trá­rias que movem-se em sen­ti­dos opos­tos. Esse movi­mento gera con­tra­di­ções e das con­tra­di­ções sai­rão as mudan­ças. Como vimos, temos sem­pre uma afir­ma­ção (tese), a nega­ção da afir­ma­ção (antí­tese) e a nega­ção da nega­ção (sín­tese). Esse movi­mento de “con­flito” gera as mudan­ças;
  • e, por ultimo, a lei do pro­gresso por sal­tos afirma que a cone­xão entre as coi­sas acu­mula-se gra­du­al­mente e após rompe, pro­vo­cando uma trans­for­ma­ção qua­li­ta­tiva radi­cal (e revo­lu­ci­o­ná­ria).

Por exem­plo, numa aná­lise dia­lé­tica, obser­va­mos que a soci­e­dade capi­ta­lista, ape­sar de ser o que é, não foi sem­pre o que é — outras soci­e­da­des exis­ti­ram e pode­mos con­cluir que esta tam­bém é pro­vi­só­ria. Nessa soci­e­dade, há uma rela­ção entre bur­gue­sia e pro­le­ta­ri­ado, tor­nando-os inter­de­pen­den­tes. Ao exis­tir, a bur­gue­sia se con­tra­diz e cria sua pró­pria nega­ção, o pro­le­ta­ri­ado. Do con­flito sai­rão as mudan­ças e a con­se­quente trans­for­ma­ção radi­cal.

O que é, portanto, o materialismo dialético?

Agora pode­mos con­cluir final­mente o que é o mate­ri­a­lismo dia­lé­tico.

O mate­ri­a­lismo dia­lé­tico parte da con­cep­ção mate­ri­a­lista da rea­li­dade e busca, por meio do método dia­lé­tico, ana­li­sar e com­pre­en­der os fenô­me­nos do mundo.

Chama-se mate­ri­a­lismo dia­lé­tico, por­que o seu modo de abor­dar os fenô­me­nos da natu­reza, seu método de estu­dar esses fenô­me­nos e de con­cebê-los, é dia­lé­tico, e sua inter­pre­ta­ção dos fenô­me­nos da natu­reza, seu modo de foca­lizá-los, sua teo­ria, é mate­ri­a­lista.

Sobre o Mate­ri­a­lismo Dia­lé­tico e o Mate­ri­a­lismo His­tó­rico — Sta­lin, 1938


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Outras refe­rên­cias:
[1] http://sofos.wikidot.com/principios-logicos-do-pensamento
[2] https://dicasomeublog.wordpress.com/filosofia/08-a-definicao-leninista-da-materia/
[3] https://culturareligare.wordpress.com/leis-da-dialetica/
[4] https://dicasomeublog.wordpress.com/filosofia/12-as-leis-da-dialectica/
[5] https://www.marxists.org/portugues/stalin/1938/09/mat-dia-hist.htm
[6] http://giulianofilosofo.blogspot.com.br/2011/05/karl-marx-1818–1883-o-materialismo.html
[7] https://www.marxists.org/portugues/korsch/ano/mes/conceito.htm
[8] https://www.marxists.org/portugues/marx/1845/ideologia-alema-oe/cap1.htm#i2


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Arthur Souza
Graduando em Engenharia de Produção pela UERJ, gonçalense, 20 anos, flamenguista fanático e apaixonado por heróis - desde HQs à vida real. Acredita numa educação horizontal e transformadora, que conecte pessoas e histórias. Apesar de tudo, tem um bom coração.

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