Antes de começarmos a falar sobre preconceito, orientação sexual e saúde mental, que é o tema deste texto e o propósito que move minha vida, pode ser bom fazermos algumas diferenciações importantes no que concerne aos grupos minoritários de gênero e sexualidade.

Aí vai uma daquelas listinhas ultra didáticas que pode correr o risco de se repetir.

Sexo é um termo relacionado às características biológicas que diferenciam machos e fêmeas. Gênero, por outro lado, é uma extrapolação abstrata, ligada fortemente à cultura e aos papéis sociais masculinos e femininos (hoje em dia, muito se fala também de gênero não-binário, mas esse tópico merece um texto inteiro e não um só parágrafo).

Assim, é possível que o sexo e o gênero de alguém estejam alinhados em uma identidade de gênero cis (termo inspirado pela química) ou que o sexo e o gênero não tenham nada a ver um com o outro, em uma identidade de gênero trans.

Porém, o que está na roda para discussão hoje é a orientação sexual – ou seja, a direção da atração sexual e/ou romântica de alguém.

Se essa pessoa se atrai por um gênero diferente do seu, damos o nome de heterossexual. Se essa pessoa se atrai por pessoas do mesmo gênero, vamos chamá-la de gay ou lésbica.

Agora, se essa pessoa se atrai por pessoas do mesmo gênero que o seu e também por pessoas de outro gênero, ela é bissexual.

Uma pessoa assexual, por outro lado, é alguém que não sente atração sexual em absoluto.

É preciso deixar algo bem claro a partir desse ponto.

Parafraseando a afirmação de Yuval Noah Harari em seu popular Sapiens: Uma breve história da humanidade, o comportamento homossexual é absolutamente natural.

"Há pouco sentido em argumentar que mulheres servem para dar à luz e que a homossexualidade não é natural. A maioria das leis, normas, direitos e obrigações que definem a masculinidade e a feminilidade reflete a imaginação humana mais que a realidade biológica." - Yuval Noah Harari

Caso não fosse, a evolução não teria permitido sua propagação ao longo da história. Um comportamento antinatural seria, por exemplo, humanos voarem.

Dizer que a homossexualidade é natural significa apenas que ela pode ser explicada pela biologia e pela evolução. Em outras palavras, não existe isso de que “é biologicamente errado porque não procria”.

Ainda não se tem um modelo que explique bem por que a evolução teria propiciado o aparecimento desse comportamento em tantas espécies, mas as hipóteses giram em torno de algum tipo de vantagem relacionada à cooperação.

Homossexuais no grupo seriam mais cooperativos com os filhos alheios, ajudando no cuidado parental – que é algo vital em ambientes de adaptação evolutiva (florestas, savanas etc).

Pode ser também que as variações associadas ao surgimento do interesse pelo mesmo sexo tenham surgido e se espalhado por falta de pressão seletiva.

A seleção natural funciona assim: se aquele traço sofre uma pressão seletiva negativa, ele é extinto; se sofre uma pressão positiva, ele se espalha e aos poucos se sobrepõe. Se não há nenhuma pressão, ele pode se manter em níveis balanceados na população.

 

LGB sem o T

Ser lésbica, gay ou bissexual (entre muitas outras nomenclaturas…) pode significar ter maior propensão a desenvolver transtornos psiquiátricos como depressão, ansiedade generalizada, ansiedade social, estresse pós-traumático etc.

Pode chegar até a duplicar o risco de suicídio, quando se compara os índices da população LGB (a partir daqui, a sigla utilizada será LGB e não LGBT, por estarmos falando sobre orientação sexual e não sobre gênero) com pessoas com as mesmas características sociodemográficas, só que heterossexuais.

Há algum tempo, se diria que é o fato de a pessoa não ser hétero que faz com que ela desenvolva certas patologias – até 1990, a homossexualidade era considerada, por si só, uma doença mental! Ainda existe muita gente por aí propagando esse tipo de discurso que, além de problemático, está desatualizado, e promovendo terapias de conversão de sexualidade (a chamada ‘cura gay’).

Porém, não parece haver evidências empíricas de que a orientação sexual de uma pessoa impacte sua saúde mental. Em outras palavras, a ciência testou a hipótese de que possuir uma orientação sexual fora da norma geraria distúrbios psicológicos, mas essa ideia foi facilmente falseada quando os dados da realidade a desmentiram.

Nem todas as pessoas LGB sofrem de alguma psicopatologia ou tem seu bem-estar afetado negativamente. Nessa onda, em 2003, surgiu uma nova teoria que explicava esse processo complexo de experiências de preconceito que afetam a saúde mental: o modelo teórico do Estresse de Minorias.

 

 O que é estresse?

Antes de explorarmos mais profundamente o conceito de Estresse de Minorias, pode ser bom discutirmos um pouco mais a respeito do que a Psicologia atualmente entende como estresse.

O estresse nada mais é do que uma reação do organismo ao desequilíbrio emocional – ou seja, uma reação de luta para voltarmos a um estado de homeostase.

Estresse é tentativa de adaptação. Essa adaptação, quando crônica, pode acontecer em quatro fases:

1. a fase de alerta, quando o evento desequilibrador surge pela primeira vez e tentamos voltar ao equilíbrio;

2. a fase de resistência, quando o desequilíbrio permanece para além das nossas tentativas e começamos a perder energia;

3. quase-exaustão, quando seguimos tentando nos adaptar e nossa saúde começa a ficar comprometida;

4. e exaustão, quando já literalmente nos faltam forças para lutar contra o evento e nossa saúde fica debilitada.

Assim, estressoras são todas as situações que quebram esse equilíbrio e que provocam algum grau de instabilidade. Pode ser a morte de um ente querido, a saída ou a chegada em um emprego, o nascimento de um filho, uma perna quebrada etc. Qualquer coisa, boa ou ruim, que nos provoque desequilíbrio é visto como um estressor.

Outra coisa importante sobre estressores é que eles podem ser internos ou externos, sendo provenientes de nós mesmos ou dos outros e do mundo. Por isso, também é possível falar de estresse social: a sociedade e a cultura também podem gerar elementos estressores para algumas pessoas. O fenômeno do preconceito, composto pelos processos de estigmatização e discriminação, é um bom exemplo disso.

O preconceito acontece por duas vias: estigmatização e discriminação.

Dizemos que a discriminação acontece quando se expressa o preconceito através de atitudes e ações violentas, sejam elas verbais ou físicas.

O processo de estigmatização pode soar menos agressivo à primeira vista, por não envolver práticas violentas direcionadas ao grupo alvo do preconceito, mas tem efeitos igualmente impactantes tanto na sociedade quanto nos indivíduos estigmatizados: a estigmatização está mais relacionada com o espalhar de crenças a respeito de um grupo de pessoas e a criação de estereótipos a respeito desse grupo.

Obviamente, é algo que produz ideias arraigadas na população em geral, e que pode reverberar não apenas no mundo exterior, como também nos próprios indivíduos que fazem parte do grupo estigmatizado.

Além disso, a estigmatização também é o que torna a discriminação possível – sem ideias prévias a respeito de determinado grupo, que motivo teríamos para agredi-lo? Nesse sentido, vale lembrar daquela célebre frase de Bertolt Brecht:

Porta-retrato de Bertold Brecht | “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.” - Bertold Brecht | Imagem atrelada ao texto "As (des)vantagens de ser LGB-Invisível", de Fernanda Paveltchuk e publicado em Ano Zero.
“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.”

O estresse social é uma consequência da estigmatização e da discriminação (e, portanto, do preconceito), atingindo as vítimas destes processos por ambos funcionarem como elementos desestabilizadores e provocarem a quebra da homeostase, exigindo uma reação de adaptação por parte dos indivíduos que sofrem preconceito.

Assim, a estigmatização do homem gay, por exemplo, pode levar a uma propagação de ideias pela cultura, atravessando instâncias como família, escola e emprego, que afetam diretamente o desenvolvimento de garotos que percebem sentir atração por outros garotos – e fazer com que os próprios internalizem esses estigmas.

A discriminação pode ser verbal, através de qualquer tipo de comentário depreciativo a respeito da homossexualidade, mesmo que muito sutil, ou física.

É comum que um homem gay apresente algumas crenças negativas disfuncionais a respeito de si mesmo, como “eu sou defeituoso”, “sou uma aberração” ou “eu não mereço ser feliz”, além de esperar constantes represálias do mundo exterior. Assim, cria-se um estado de tensão e alerta crônico, incessante, que produz um desequilíbrio no organismo desse homem hipotético e faz com que ele busque se adaptar e encontrar outra vez a homeostase perdida.

O mesmo vale para pessoas de qualquer outra orientação sexual que fuja do padrão hétero.

O problema é que, quando os estressores não cessam, o indivíduo passa a viver sempre nessa busca por adaptação, cronificando o processo do estresse.

Uma série de estudos científicos aponta que o estresse crônico pode ter alto impacto na saúde, seja ela física ou mental, porque pode desembocar em desfechos negativos como depressão e ansiedade e contribuir para quadros como hipertensão arterial e diabetes.

 

A teoria do estresse de minorias

Entendendo que ser uma minoria social é algo que acompanha a pessoa durante toda a sua vida, fica claro que muitas das pessoas LGB podem experienciar o estresse crônico gerado pelas experiências de preconceito sofridas.

Compreender isso é fundamental quando pensamos nas informações alarmantes sobre violência homofóbica e saúde mental de pessoas LGB no início do texto: agora pode ser mais fácil compreender a ligação entre os dois fenômenos, certo? Mas quais seriam os elementos fundamentais nesse processo? Por que algumas pessoas LGB têm desfechos de saúde mental mais afetados negativamente do que outras?

Buscando sistematizar as variáveis dessa dinâmica, Meyer defende haver três estressores que apenas pessoas LGB vivenciam: a ocultação da identidade sexual (ou O Armário), as experiências de preconceito e discriminação sofridas, e a homofobia (ou homonegatividade) internalizada.

Assim, é o modo como as próprias pessoas LGB, seus pares e a sociedade como um todo lidam com a não-heterossexualidade que pode reverberar no bem-estar subjetivo e psicológico de alguém que não é hétero.

Primeiro, é preciso sair do armário para si mesmo. Ocultar a própria identidade sexual de si pode ser bem complicado e um grande fator estressor. Imagine só a pressão social que alguém não-heterossexual sente ao começar a perceber seus afetos e atrações por pessoas do mesmo gênero.

Admitir ser LGB significa tomar consciência de que não se é maioria. Significa, muitas vezes, um processo longo de aceitação de que uma série de dificuldades e conflitos estão por vir.

Revelar para si a própria identidade envolve já uma quebra de equilíbrio. Por outro lado, estar no armário para os outros pode significar viver em constante estado de alerta.

Por um lado, e se descobrirem? Pessoas LGB que estão dentro do armário para os outros muitas vezes relatam que precisam controlar muito bem suas condutas e às vezes criar personagens para que seus pares não percebam sua verdadeira orientação sexual.

Além disso, também pode surgir certa insatisfação: nem todo mundo precisa viver se escondendo. Essa realidade pode gerar revolta e forte incômodo.

Há mais uma coisa importante sobre sair do armário: é um processo contínuo, que se repete muitas vezes, a cada nova pessoa que um indivíduo LGB conhece. BOOM! Estressor crônico.

Sair do armário (ou ser alguém com características muito próximas dos estereótipos populares) pode fazer com que experiências de discriminação ocorram: e elas podem ser sutis ou gritantes, indo desde um nariz torcido de uma vovozinha na fila de uma loja de conveniência quando um casal gay se aproxima até espancamento, assassinato e estupro corretivo.

A discriminação tem muitas faces e nuances e todas elas podem fazer indivíduos LGB se sentirem acuados e temerosos ao sair de casa e também – pasmem ou não – a ficar dentro dela.

Ao contrário de outras minorias sociais, como minorias étnicas, as pessoas LGB muitas vezes não encontram em casa refúgio para um mundo opressor.

É comum ouvir relatos de agressão e discursos opressivos sob o próprio teto dessas pessoas. Muitos desses indivíduos são expulsos de casa, têm problemas familiares e/ou são expulsos da escola. A discriminação pode vir dos pais, dos irmãos, dos tios e avós. Pode vir dos amigos. Pode vir de qualquer um.

Por isso, sentimentos de solidão são muito comuns em pessoas que estão descobrindo e revelando suas orientações sexuais LGB. Parece mais claro o alto índice de depressão e suicídio dessa galera, não?

A estigmatização e a discriminação produzem mais um estressor: a homofobia (ou homonegatividade) internalizada.

Além de viver com medo da rejeição externa, pessoas LGB também podem desenvolver uma rejeição interna pela própria sexualidade: ao ouvir, desde cedo, que pessoas que sentem atração por outras do mesmo gênero são aberrações e defeituosas, é bastante lógico que algumas pessoas internalizem esse discurso e tenham dificuldades de se aceitar como são, o que pode gerar um sofrimento enorme.

Na ótica da Terapia Cognitivo-Comportamental, que é a linha da Psicologia com a qual eu trabalho, a homofobia internalizada pode estar associada a crenças disfuncionais de um indivíduo a respeito de si e gerar padrões comportamentais também disfuncionais, provocando sofrimento e levando a possíveis quadros patológicos, como depressão e ansiedade.

Porém, os estressores propostos pela teoria não são o suficiente para explicar por que algumas pessoas desenvolvem transtornos psiquiátricos ou tem seu bem-estar abalado e outras não.

Claro – é possível argumentar que algumas tem de se preocupar menos com aceitação familiar ou tem menor homofobia internalizada do que outras, mas será que apenas isso é o bastante?

No modelo do Estresse de Minorias, existem fatores que funcionam como moderadores, isto é, regulam a interação dos estressores com a saúde mental de pessoas LGB. Estes fatores podem ser de diversas ordens.

Podem ser características individuais, como personalidade, grau e tipo de religiosidade, conectividade à comunidade LGB, importância da identidade sexual etc. Também podem ser provenientes do meio, como apoio familiar e dos amigos, características da sociedade ou cultura em que vivem, grau e tipo de religiosidade dos pais, entre outros.

Características mistas como resiliência, que pode ser entendida como a capacidade do indivíduo de passar por situações difíceis e aprender com elas, e nível de escolaridade da pessoa LGB e de seus pares também podem influenciar essa relação.

Mas como isso pode ser observado na prática clínica?

É comum que, no processo de assimilação da própria sexualidade, pessoas LGB se sintam sozinhas, isoladas e que tenham medo do afastamento da família e dos amigos a partir do momento que sua orientação sexual for revelada.

Certa vez, atendi uma paciente lésbica (caso fictício e híbrido de diversas histórias que já ouvi no consultório) que, ainda jovem, tinha extrema dificuldade de revelar sua orientação sexual aos amigos heterossexuais e, em decorrência de um quadro de ansiedade social agravado por homofobia internalizada, não cogitava a hipótese de conhecer outras pessoas LGB.

Ela apresentava sintomas depressivos em decorrência do isolamento e da dificuldade de aceitar o fato de ser lésbica, justamente como a teoria do Estresse de Minorias propõe. O trabalho de mudança comportamental, gradual e consentido por ela, de se entrosar mais na comunidade LGBT fez a diferença em sua compreensão sobre a própria orientação sexual e permitiu que ela formasse uma nova rede de apoio social, aumentando sua qualidade de vida.

Por outro lado, também já trabalhei com alguns pacientes na direção de uma maior expressão da sexualidade e posturas mais autênticas, porque era disso que eles sentiam mais falta em suas vidas.

Um paciente bissexual (também fictício) montou uma lista de pessoas para quem gostaria de sair do armário pessoalmente, indo da pessoa que ele acreditava que teria a melhor reação até a que provavelmente teria a pior. Avaliamos a lista com base no risco que sair do armário para cada uma dessas pessoas apresentava para ele, medimos prós e contras e elaboramos uma nova lista, mais adequada à realidade dele naquele momento.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, trabalhamos com a reestruturação de pensamentos disfuncionais. Um bom exemplo disso são as crenças que algumas pessoas LGB desenvolvem em decorrência da homofobia internalizada.

A homofobia internalizada é um problemão. Pode impactar diretamente a autoestima e a autoeficácia dessas pessoas, assim como o modo como elas veem a si mesmas. Além disso, também pode afetar a qualidade dos relacionamentos amorosos, pois é possível que lésbicas, gays e bissexuais desenvolvam ideias a respeito de relacionamentos com pessoas do mesmo gênero a partir de estigmas arraigados na cultura.

Um paciente gay (sim, também fictício) que atendi certa vez tinha certeza de que terminaria seus dias sozinho, pois, segundo ele, “nenhum relacionamento gay dura, já que todo gay é promíscuo”. Foi feito um trabalho de identificação de padrões disfuncionais de pensamento e reestruturação desses pensamentos, substituindo-os por outros, mais racionais e menos taxativos.

Claro que nem todas as pessoas têm as mesmas características de personalidade nem as mesmas crenças a respeito de si e dos outros, nem foram criadas no mesmo meio – cada um vai lidar de uma maneira. Assim, na clínica cognitivo-comportamental, se preza por um atendimento idiossincrático através de uma formulação de caso individualizada e específica.

Nem todas as pessoas LGB vão apresentar alguma queixa relacionada à sua orientação sexual.

Já atendi alguns pacientes LGB cujas queixas principais não estavam relacionadas ao fato de serem LGB (embora eles apresentassem algum grau de estresse em decorrência do preconceito que sofriam, e fosse útil ter ouvidos atentos e sensíveis a essas experiências, também).

No Brasil, ainda há muito o que se estudar no campo do Estresse de Minorias. Mas as pesquisas na área começam a aparecer.

No Rio de Janeiro, grupos como o Laboratório de Psicometria e Psicologia Positiva (LP3), na UFRJ, e o APLab – Pessoas e Contextos, da PUC-Rio estão envolvidos em estudos sobre o tema.

Também se destacam o Núcleo de Pesquisa em Sexualidade e Relações de Gênero (NUPSEX) e o Centro de Referência em Direitos Humanos: Relações de Gênero, Diversidade Sexual e Raça (CRDH), do Instituto de Psicologia da UFRGS, e o Preconceito, vulnerabilidade e processos psicossociais (PVPP, PUC-RS), no Rio Grande do Sul.

E quanto mais for feito, melhor – o conhecimento científico socialmente responsável é fundamental na implementação de intervenções apropriadas para mudarmos os quadros alarmantes na saúde mental de pessoas não-heterossexuais.

Que a gente não tenha mais que viver numa sociedade como a de A Revolução dos Bichos, de George Orwell, onde “todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que outros”.

O caminho para uma sociedade mais igualitária e promotora de direitos – pelo menos no fazer da Psicologia – é construído também por pesquisas sérias e práticas baseadas em evidências científicas, que apontem para onde seguir e levem em conta as peculiaridades culturais de cada indivíduo e grupo minoritário.

Sem mais castrações químicas, sem mais defesa da não-heterossexualidade como perversão (no pior sentido da palavra), sem mais cura gay. Preconceito e sofrimento matam e adoecem suas vítimas todos os dias.

Pessoas LGB sofrem preconceito. Pessoas LGB sofrem. É nosso trabalho – sejamos psicólogos ou não – fazer com que pessoas LGB não adoeçam nem morram. Não mais. Já chega. Que as pessoas possam viver não só as dores mas também as delícias de poderem ser quem são.

Agora você já tem todas as informações nas mãos. O que vai fazer com elas?


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escrito por:

Fernanda Paveltchuk

Por anos dividida entre Psicologia Social, Terapia Cognitivo-Comportamental e atividades de pesquisa e Psicometria, encontrou um jeito – e um propósito – ao juntar todas essas áreas da Psicologia no estudo do Estresse de Minorias e da saúde mental de pessoas LGB. É psicoterapeuta e pesquisadora, militante das causas feminista e LGBT e chateia os amigos tocando sempre as mesmas músicas no ukulele.


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