Krishnamurti foi uma das minhas influências iniciais, já que comecei a ler suas palestras na adolescência. Mas quando se fala que há um indiano chamado Krishamurti que fala coisas sobre a vida, grande parte do público leigo imagina alguém com papo místico e aparência de “guru”, algo como um professor de yoga e meditação que anda de tanga e tem um turbante na cabeça.

Krishnamurti, porém, escapa de todos esses estereótipos. Suas palavras jamais foram místicas – ao contrário, sempre foram muito sóbrias. Seu tema principal jamais foi a alma, a reencarnação ou o nirvana – foi sempre sobre a importância de nos questionarmos a respeito dos limites que impomos à nossa lucidez e sobre se há alguma espécie de sabedoria possível e concretamente atingível por todos nós.

A própria história de Krishnamurti é ilustrativa de seu caráter. Quando ainda menino, ele foi “descoberto” na Índia por um grupo de teosofistas que acreditavam no surgimento de um novo “Cristo” ou “Buda”, um “messias” que traria uma nova era de evolução espiritual para a humanidade.

Após essa “descoberta”, Krishnamurti teve em mãos não só os recursos financeiros e materiais de uma organização mística que contava com grande prestígio na Europa: ele também tinha aos seus pés milhares de seguidores, prontos para encarar cada uma de suas palavras como a palavra do grande mestre da nova era que se anunciava.

Mas Krishnamurti largou tudo isso um dia, de repente, para o choque de seus seguidores. E de quebra dissolveu o grupo ao qual pretendiam que ele liderasse.

Sua justificativa? Ele a apresentou em seu famoso “discurso da dissolução“, uma aula sobre verdade e honestidade intelectual. Como explicou Krishnamurti, a verdade era uma “terra sem caminhos”, de modo que nenhuma religião ou seita poderia dizer aos outros que determinado caminho conduzia à verdade. Para ele, todo “mestre”, “líder” ou “guru” é apenas uma bengala desnecessária, que impede as pessoas de aprenderem a caminhar por si mesmas.

E após esse ato surpreendente para todos os seus seguidores, Krishnamurti passou a dar palestras ao redor do mundo para sobreviver. Nessas palestras, ele não pretendia ensinar o que era certo ou errado. Sempre com linguagem muito simples, Krishamurti estimulava as pessoas a questionarem os pressupostos que poderiam estar limitando suas vidas e sua percepção da realidade. Se a verdade é uma estrada sem caminhos, ele decidiu não apontar uma direção, e sim demonstrar a importância de lançarmos uma luz, a luz da consciência e da sensibilidade, em todas as sombras que ocultam a verdade.

Abaixo, segue a versão ilustrada de um dos discursos de Krishnamurti, elaborado pela turma do Zen Pencils, traduzido por Rodrigo Zottis. É uma minúscula amostra de uma sabedoria que, com palavras singelas, nos ensina como afastar uma das sombras que nos impede de viver plenamente: a da constante comparação com os outros.

Krishnamurti e o mal em nos compararmos 1

Krishnamurti e o mal em nos compararmos 2

Krishnamurti e o mal em nos compararmos 3

Krishnamurti e o mal em nos compararmos 4

Krishnamurti e o mal em nos compararmos 5

Krishnamurti e o mal em nos compararmos 6

Krishnamurti e o mal em nos compararmos 7

Krishnamurti e o mal em nos compararmos 8

Krishnamurti e o mal em nos compararmos 9


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escrito por:

Victor Lisboa

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