Krishnamurti de perfil, preto e branco.

Krishnamurti e o mal em nos compararmos

Em Consciência, Tempo de Curtir, Zen Pencils por Victor LisboaComentários

Krish­na­murti foi uma das minhas influên­cias ini­ci­ais, já que come­cei a ler suas pales­tras na ado­les­cên­cia. Mas quando se fala que há um indi­ano cha­mado Krisha­murti que fala coi­sas sobre a vida, grande parte do público leigo ima­gina alguém com papo mís­tico e apa­rên­cia de “guru”, algo como um pro­fes­sor de yoga e medi­ta­ção que anda de tanga e tem um tur­bante na cabeça.

Krish­na­murti, porém, escapa de todos esses este­reó­ti­pos. Suas pala­vras jamais foram mís­ti­cas — ao con­trá­rio, sem­pre foram muito sóbrias. Seu tema prin­ci­pal jamais foi a alma, a reen­car­na­ção ou o nir­vana — foi sem­pre sobre a impor­tân­cia de nos ques­ti­o­nar­mos a res­peito dos limi­tes que impo­mos à nossa luci­dez e sobre se há alguma espé­cie de sabe­do­ria pos­sí­vel e con­cre­ta­mente atin­gí­vel por todos nós.

A pró­pria his­tó­ria de Krish­na­murti é ilus­tra­tiva de seu cará­ter. Quando ainda menino, ele foi “des­co­berto” na Índia por um grupo de teo­so­fis­tas que acre­di­ta­vam no sur­gi­mento de um novo “Cristo” ou “Buda”, um “mes­sias” que tra­ria uma nova era de evo­lu­ção espi­ri­tual para a huma­ni­dade.

Após essa “des­co­berta”, Krish­na­murti teve em mãos não só os recur­sos finan­cei­ros e mate­ri­ais de uma orga­ni­za­ção mís­tica que con­tava com grande pres­tí­gio na Europa: ele tam­bém tinha aos seus pés milha­res de segui­do­res, pron­tos para enca­rar cada uma de suas pala­vras como a pala­vra do grande mes­tre da nova era que se anun­ci­ava.

Mas Krish­na­murti lar­gou tudo isso um dia, de repente, para o cho­que de seus segui­do­res. E de que­bra dis­sol­veu o grupo ao qual pre­ten­diam que ele lide­rasse.

Sua jus­ti­fi­ca­tiva? Ele a apre­sen­tou em seu famoso “dis­curso da dis­so­lu­ção”, uma aula sobre ver­dade e hones­ti­dade inte­lec­tual. Como expli­cou Krish­na­murti, a ver­dade era uma “terra sem cami­nhos”, de modo que nenhuma reli­gião ou seita pode­ria dizer aos outros que deter­mi­nado cami­nho con­du­zia à ver­dade. Para ele, todo “mes­tre”, “líder” ou “guru” é ape­nas uma ben­gala des­ne­ces­sá­ria, que impede as pes­soas de apren­de­rem a cami­nhar por si mes­mas.

E após esse ato sur­pre­en­dente para todos os seus segui­do­res, Krish­na­murti pas­sou a dar pales­tras ao redor do mundo para sobre­vi­ver. Nes­sas pales­tras, ele não pre­ten­dia ensi­nar o que era certo ou errado. Sem­pre com lin­gua­gem muito sim­ples, Krisha­murti esti­mu­lava as pes­soas a ques­ti­o­na­rem os pres­su­pos­tos que pode­riam estar limi­tando suas vidas e sua per­cep­ção da rea­li­dade. Se a ver­dade é uma estrada sem cami­nhos, ele deci­diu não apon­tar uma dire­ção, e sim demons­trar a impor­tân­cia de lan­çar­mos uma luz, a luz da cons­ci­ên­cia e da sen­si­bi­li­dade, em todas as som­bras que ocul­tam a ver­dade.

Abaixo, segue a ver­são ilus­trada de um dos dis­cur­sos de Krish­na­murti, ela­bo­rado pela turma do Zen Pen­cils, tra­du­zido por Rodrigo Zot­tis. É uma minús­cula amos­tra de uma sabe­do­ria que, com pala­vras sin­ge­las, nos ensina como afas­tar uma das som­bras que nos impede de viver ple­na­mente: a da cons­tante com­pa­ra­ção com os outros.

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Victor Lisboa
Editor do site Ano Zero.

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