Se Jesus de Nazaré, o Jesus histórico, foi filho de Deus é uma questão de fé. Mas quase não há disputa sobre se ele era uma pessoa real que viveu durante a história.

É difícil encontrar provas do homem real que viveu há 2.000 anos. Todos os anos, porém, nós lentamente desenterramos pedaços da vida do Jesus histórico e temos um vislumbre incrível de como teria sido sua vida e como poderia ser segui-lo em suas viagens.

 

Relíquias da vida do Jesus histórico

10 – Casa de infância de Jesus

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Créditos: Live Science

Jesus foi criado em uma casa de almofariz e pedra cortada em uma encosta rochosa. Sua cidade natal foi Nazaré, um local onde as pessoas defendiam firmemente sua fé judaica. Hoje, suas casas são sítios de escavações arqueológicas, que nos deram vislumbres de como as pessoas no bairro de Jesus viveram.

Ele e seus vizinhos enchiam suas casas com posses distintamente judias. Por exemplo, eles tinham taças feitas de pedra calcária e giz, criadas para manter o alimento puro e seguir tradições judaicas. A maioria das cidades vizinhas tinha abraçado mais costumes romanos.

Na época bizantina, uma casa na área foi transformada em um santuário por pessoas que acreditavam ser a casa da infância de Jesus. Embora não possamos provar que estavam certos sobre a casa específica, sabemos que tipo de casa e em qual bairro Jesus viveu quando criança.

 

9 – O ossuário de Tiago, irmão de Jesus

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Créditos: The Times of Israel

Jesus tinha quatro irmãos: Tiago, José, Simão e Judas. De acordo com o historiador judeu Flavius Josephus, Tiago encontrou seu fim quando o sumo sacerdote judeu o condenou para ser apedrejado até a morte. Como era costume para os judeus naquela época, os ossos de Tiago foram enterrados em uma caixa de pedra chamada ossuário.

Seguindo os costumes, o ossuário de Tiago foi gravado com “Tiago, filho de José.” Após o nome do pai, no entanto, na inscrição de Tiago foi gravado um ponto extra de orgulho incomum: “irmão de Jesus”.

Nem todo mundo concorda que o ossuário é real. Oded Golan, o homem que descobriu o ossuário, foi levado a tribunal sob acusação de falsificação, mas ele foi considerado inocente. Isso necessariamente não prova que é real, mas sua defesa provou que a inscrição não foi feita por Golan e pode ter sido feita 2.000 anos antes.

 

8 – Os ossos de João Batista

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Créditos: National Geographic

Depois de deixar Nazaré, Jesus foi batizado por João Batista. É um momento em sua vida que a maioria dos historiadores concorda ter realmente acontecido. João Batista foi uma pessoa cuja vida é corroborada por outras fontes. Na verdade, podemos até ter seus restos mortais.

Eles foram descobertos nas ruínas de uma igreja búlgara em uma ilha chamada “São João”, na Bulgária. Sob um altar da igreja, havia um pequeno sarcófago de mármore. Dentro havia uma junta, um dente e alguns ossos dispersos, retirados do corpo de um homem do Oriente Médio. Por testes de radiocarbono mostrou-se que ele morreu durante o tempo de Cristo.

Até a Bulgária é um longo caminho para os ossos de João Batista terem viajado, mas acredita-se que seu caminho até lá foi feito em uma pequena caixa encontrada nas proximidades. Dentro está uma mensagem mencionando o nome de João Batista e pedindo a Deus para “ajudar o seu servo Tomé”, que teria levado os ossos do homem que batizou Jesus para ser exibido em toda a Europa.

 

7 – A sinagoga da cidade de Maria Madalena

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Créditos: Smithsonian Magazine

Quando Jesus começou a pregar, ele falou ao povo nas sinagogas. Pelo menos, isso é o que diz a Bíblia. Mas por um longo tempo, os historiadores entenderam que “sinagoga” foi apenas uma má escolha de palavras. Até recentemente, não encontraram qualquer prova de que sinagogas judaicas existiram no tempo de Jesus e chegou a se imaginar que Jesus realmente entrava na casa das pessoas.

Agora, porém, foi encontrada uma sinagoga do tempo de Jesus em Magdala, a cidade natal de Maria Madalena. É um grande edifício construído para abrigar 200 pessoas. Ele tem um chão de mosaico, paredes decoradas em afrescos coloridos e um bloco de pedra no meio com uma menorá nele. Há uma câmara para leituras públicas da Torá, outra para estudo privado e armazenamento e taças de fora do prédio para o ritual de lavagem das mãos.

É possível que Jesus tenha pregado para as pessoas nessa sinagoga.

 

6 – Um templo pagão na cidade natal de cinco apóstolos

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Créditos: unomaha.edu

Nem todos os judeus no tempo de Jesus iam à sinagoga. Em uma cidade chamada Betsaida, onde é dito que Jesus conheceu cinco de seus discípulos, arqueólogos encontraram um templo dedicado aos deuses romanos, que continha uma estatueta de terracota da esposa do Imperador Augustus Livia.

De acordo com Flavius Josephus, a cidade foi renomeada em sua honra após sua morte. Ainda assim, isso não poderia ter se acertado bem com o povo judeu vivendo lá.

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O arqueólogo Rami Arav acredita que isto pode explicar algumas histórias da Bíblia. Jesus pode ter encontrado tantos apóstolos dispostos em Betsaida porque eles estavam fartos assistindo a seus vizinhos abraçarem os deuses romanos.

Também pode explicar por que Jesus amaldiçoou a cidade, dizendo: “Ai de ti, Betsaida! Pois, se os milagres tivessem ocorrido em Tiro e em Sidom, que ocorreram em ti, ter-se-iam arrependido há muito tempo em cilício e cinza.”

 

5. Um barco de pesca na Galileia

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Créditos: Live Science

Após deixar Betsaida, a Bíblia diz que Jesus foi para uma cidade chamada Dalmanutha. Conforme casas e outros artefatos encontrados por arqueólogos, Dalmanutha parece ter sido uma vila de pesca rica. Judeus e pagãos viveram juntos por lá, cada um seguindo suas próprias crenças.

As praias foram projetadas para lançar barcos de pesca. De acordo com a Bíblia, Jesus subiu a bordo de um desses barcos, quando ele deixou a cidade. E foi encontrado um dos barcos do tempo de Jesus não muito longe da cidade.

O barco foi projetado para a pesca em águas rasas. Tem um fundo quase plano com uma rede mantida na popa do deck. Era uma remenda de velhos barcos desordenados, que foram repetidamente reparados antes que finalmente cedessem e afundassem no fundo do mar.

 

4 – O Palácio de Herodes

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Créditos: The Washington Post

A sentença de morte de Jesus foi fixada em um julgamento realizado no Palácio de Herodes, processado pelo sumo sacerdote Caifás, e supervisionado pelo prefeito romano Pôncio Pilatos. O grupo reuniu-se no pátio em uma área chamada “o pavimento”, que os arqueólogos pensam ter encontrado.

Hoje, o Palácio de Herodes está coberto pelo moderno museu da Torre de David e uma prisão medieval. Foi encontrado quando trabalhadores tentaram expandir o museu e descobriram um edifício velho e abandonado sob o assoalho.

O palácio é todo um complexo. Uma parte chamada Portão de Jaffa se encaixa na descrição do pavimento onde o julgamento de Jesus foi realizado.

 

3 – A pedra dedicada de Pôncio Pilatos

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Créditos: BRBurton

Pôncio Pilatos foi uma pessoa de verdade. Anos depois de ter condenado Jesus à morte, ele construiu um estádio de esportes e o dedicou ao Imperador Tibério. Antes do estádio, Pilatos colocou uma laje de pedra que está quebrada hoje, mas sobre a qual ainda podemos ler as palavras: “Ao divino Augusti Tiberieum… Pôncio Pilatos… Prefeito da Judéia… Tem dedicado isso.”

A laje nos diz algo sobre o verdadeiro Pilatos. Em primeiro lugar, a sua veneração do imperador Tibério é invulgarmente comemorativa. Tibério geralmente não aceita o nível de divinização que Pilatos lhe oferece na laje.

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Também nos diz a posição de Pilatos e sugere que Pilatos via a si mesmo como militar. Conforme Flavius Josephus, sabemos que isto se tornou seu destino. Pilatos liderou uma cavalaria contra uma insurreição samaritana e levou seus líderes à morte. Lá, Pilatos foi suficientemente violento e acabou sendo acusado de cometer um massacre e teve que ceder seu lugar na Judeia.

 

2 – O túmulo de Caifás

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Créditos: deror_avi

O sumo sacerdote judeu Caifás, que presidiu contra Jesus, viveu até os 60 anos de idade. Quando chegou sua hora, seus ossos foram levados para sua tumba familiar e armazenados dentro de uma caverna nos arredores de Jerusalém, onde foi enterrado junto a 11 membros de sua família.

Caifás foi colocado em um ossuário sumptuosamente decorado, sobre o qual foi inscrito o seu nome completo: “José, filho de Caifás”. Flavius Josephus também usa esse nome para descrever Caifás. Seu túmulo foi enterrado e esquecido durante séculos até que trabalhadores alargaram uma estrada em 1990 e o romperam por puro acaso.

Uma coincidência irônica foi revelada em seu túmulo. Caifás nomeou seu filho de Yeshua, o nome hebraico para Jesus.

 

1 – Os restos de um judeu crucificado

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Créditos: The Times of Israel

Ninguém nunca encontrou o corpo de Jesus. No entanto, foram encontrados os restos de um judeu chamado Yehohanan, que conheceu o mesmo destino. É uma rara descoberta — foram encontrados alguns restos crucificados. Através de Yehohanan, podemos ver o quão brutais eram os últimos momentos da vida de uma pessoa quando posta em uma cruz.

O osso do calcanhar de Yehohanan ainda tem a estaca de ferro inserida por meio dele. No entanto, as mãos dele estão intocadas, sugerindo que elas foram amarradas à Cruz em vez de pregadas. Mais importante, porém, é ter sido enterrado dentro de um ossário, provando que às vítimas de crucificação era permitido ter enterros, e apoiando a história bíblica de que Jesus foi enterrado após sua morte.

É duvidoso que encontraremos o corpo do Jesus histórico. Mesmo se encontrássemos, não haveria maneira alguma de provar que fosse realmente seu corpo. No entanto, temos pedaços de todas as partes da sua vida — pequenas dicas de que Jesus realmente viveu por aqui.


Por Mark Oliver
Tradução de Alysson Augusto


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