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Prezado Jean, prezado Bolsonaro

Em Consciência, Política por Victor LisboaComentários

Sr. Jean Wyllys,

Vossa Exce­lên­cia errou ao cus­pir em Jair Bol­so­naro. Dei­xou claro, com esse ato, não estar a altura de seu cargo. Certo, con­cordo que os seus cole­gas tam­bém não estão. Mas nive­lar por baixo é imper­doá­vel, e com esse gesto o seu man­dato foi ames­qui­nhado.

No fundo, tal­vez Vossa Exce­lên­cia tenha ape­nas tirado a sua más­cara e reve­lado sua ver­da­deira face: a de um mero ven­ce­dor de Big Brother, um des­lum­brado ex-glo­bal que usa um ver­ná­culo ligei­ra­mente sofis­ti­cado. Eu, pelo menos, sem­pre vou sus­pei­tar do equi­lí­brio emo­ci­o­nal de alguém que aceita par­ti­ci­par desse tipo de pan­to­mima midiá­tica da Globo.

Mas isso não é nada. Tem algo pior. Ao cus­pir em Bol­so­naro, Vossa Exce­lên­cia fez exa­ta­mente aquilo que esse pas­pa­lho espe­rava. O senhor colo­cou nos holo­fo­tes uma per­so­na­li­dade pública que clama por aten­ção.

Gra­ças ao cuspe, Bol­so­naro con­se­guiu ser man­chete justo no dia em que todas as man­che­tes deve­riam ser ape­nas sobre a admis­são do impe­a­ch­ment da Dilma pela Câmara. Isso é que é rou­bar pro­ta­go­nismo.

Mais ainda: os elei­to­res desse sujeito, lá do fundo do esgoto da inte­li­gên­cia bra­si­leira, cer­ta­mente apro­va­ram qual­quer comen­tá­rio que Bol­so­naro possa ter feito para mere­cer o cuspe. Por­tanto, ele ganhou divi­den­dos elei­to­rais com o circo que vocês arma­ram. O senhor ape­nas per­deu.

É desa­gra­dá­vel dizer, mas com o cuspe no Bol­so­naro, o senhor tam­bém cus­piu em seu cargo.

jean

Sr. Jair Bol­so­naro,

O depu­tado Jean Wyllys errou em cus­pir em Vossa Exce­lên­cia. Porém, se cus­pir num depu­tado ofende o decoro par­la­men­tar, então home­na­gear um tor­tu­ra­dor da dita­dura é estu­prar esse mesmo decoro rei­te­ra­das vezes.

Na ver­dade, falando em estu­pro, a sua exis­tên­cia na polí­tica bra­si­leira é um escarro cons­tante nos valo­res repu­bli­ca­nos, huma­nis­tas e demo­crá­ti­cos. Sua defesa dos homi­cí­dios per­pe­tra­dos pela dita­dura, sua apo­lo­gia ao estu­pro e sua into­le­rân­cia machista têm a vis­co­si­dade de um cuspe que nenhuma demo­cra­cia deve­ria acei­tar que escor­resse em sua cara.

Em um Con­gresso que não fosse esse des­file de pas­pa­lhos que assis­ti­mos no domingo, o senhor já teria sido expulso por que­bra de decoro par­la­men­tar há muito tempo.

Reco­nheço que Jean tal­vez tenha se reve­lado, com o cuspe, aquilo que sem­pre foi: um mero ven­ce­dor de Big Brother sem con­trole emo­ci­o­nal. Mas o senhor, o senhor já faz tempo se reve­lou uma coisa muito pior. É quase um cri­mi­noso e, com toda cer­teza, um fas­cista com­pleto. Sequer é um fas­cista inte­li­gente, sequer é alguém esperto e ardi­loso, só um idi­ota que des­co­briu, no nicho do dis­curso rea­ci­o­ná­rio, um cami­nho para o poder. Esse cúmulo de estu­pi­dez e into­le­rân­cia ofende a um só tempo a inte­li­gên­cia e a dig­ni­dade humana.

O depu­tado fede­ral Jean Wyllys não podia ter cus­pido em Vossa Exce­lên­cia, mas não por sua causa, e sim em res­peito aos ele­va­dos valo­res que um legis­la­dor deve repre­sen­tar na Repú­blica.

Ele não podia cus­pir. Mas o povo bra­si­leiro pode. E aqui vai a minha parte:

bosonaro


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Editor do site Ano Zero.

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