Você entra na cozinha e tem uma panela e um prato sujos na pia. Depois do almoço, são duas panelas e dois pratos, além de alguns talheres e um copo. Você até pensa em lavar a louça, mas por que não depois?

De volta ao quarto, você decide tomar um banho. Parte do que está vestindo vai para o cesto de roupas sujas. A parte que ainda está limpa fica em cima da cama junto a duas calças, um casaco e aquele cachecol que seu amigo esqueceu três semanas atrás.

Você já deve ter vivido algo parecido. Uma coisinha fora do lugar é o suficiente para que, sem demora, tudo esteja um caos. A ordem é frágil e os maus hábitos se espalham como vírus.

E, assim como vírus, também são contagiosos. A louça na pia não era minha, mas do pessoal que mora comigo. Ainda assim, foi o suficiente para eu também deixar o meu prato.

Em 1982, os estadunidenses James Wilson e George Kelling lançaram um artigo defendendo a chamada “teoria da janela quebrada”. Segundo eles, se um edifício tem algumas janelas partidas, a tendência é que mais janelas sejam quebradas, até que o prédio seja invadido ou vandalizado ainda mais.

Pesquisadores holandeses da Universidade de Groningen decidiram testar a teoria e o que descobriram é apavorante. É que a teoria não trata apenas de vândalos e criminosos, mas também de ações cotidianas das pessoas mais insuspeitas, como eu e você. Vale a pena dar uma olhada no que isso significa.


Em algum momento, o caos se instaura.
Em algum momento, o caos se instaura.

Nós vivemos sob efeito constante da inércia. Se tudo está organizado, nossa tendência é manter a organização. Se as coisas estão desleixadas, o que é mais um pouquinho de desordem?

Manter o hábito é fácil. Mudar um hábito é difícil.

Você até pode pensar “ah, mas eu não saio quebrando janelas por aí, só tenho um pouco de preguiça de vez em quando”. Ora, eu também, bate aqui! Isso quer dizer que somos normais, que está tudo bem, que tudo pode continuar como está.

Bem, sobre isso… Depende de quem você quer ser amanhã (já que não temos o que fazer sobre quem você é hoje em dia). Se você está contente com a vida que tem, a produtividade no trabalho, as relações de amizade e já alcançou seus sonhos, então tudo bem, este texto não vai oferecer mais nada útil.

Porém, se existe alguma coisinha na vida que não está funcionando como você gostaria, sugiro que continue lendo.

 

Nova missão: consertar janelas

 

Meus colegas iam a festas todos os finais de semana. Eu estava no Ensino Médio e esperava ansiosamente pelo momento em que também começaria a sair na noite. Eu acreditava que era um processo natural e que aconteceria comigo a qualquer momento. Eu estava certo, mas não da forma que imaginava.

Quando fui convidado ao aniversário de um colega numa pizzaria, fiquei radiante. Minha primeira aventura na noite! Voltei para casa perto das duas da manhã, uau, que conquista! E foi minha única aventura noturna durante pelo menos mais um ou dois anos.

O que aconteceu é que eu fiquei esperando novos convites. Como ninguém me convidava, eu não aparecia nas festas.

Essa história me ensinou algo precioso: se você quer que algo seja diferente, deve assumir a responsabilidade pela mudança.

Como todo movimento contra o fluxo da inércia, o primeiro passo é mais difícil que o próximo, mas isso só dura até um hábito ser trocado por outro. Se você está lendo este texto, meio caminho já foi percorrido: você tem nas mãos a vontade e o tempo necessários.

O que você lerá a seguir são três passos simples que podem ajudar a interromper e modificar hábitos ruins.

  1. Descubra o que está errado na sua vida. Há muitas formas de você descobrir o que está fora de lugar na sua experiência cotidiana. Uma delas é separar dez a vinte minutos e fazer uma lista de tudo o que tem faltado ou incomodado. Na história que compartilhei, faltavam festas. O que importa não é a qualidade do problema, mas sim o fato de que é algo que produz aborrecimento para você.
  2. Localize as janelas quebradas. Escolha um dos itens da lista que você acabou de fazer e comece a procurar pelas janelas quebradas. Quais são as coisas concretas que estão aborrecendo você? Na minha história, era a ausência de convites. Aqui é importante ter cuidado com a história que você conta sobre si mesmo. O papel de vítima é tentador, mas para a estratégia que estamos desenvolvendo será necessário assumir o protagonismo de sua própria vida. Portanto, pergunte a si mesmo: quais são as janelas quebradas que estou mantendo? De volta à minha história, eu não era convidado, mas também não me convidava, não perguntava a ninguém sobre as festas e sequer me mostrava disponível ou interessado em interagir com meus colegas para além da sala de aula.
  3. Conserte as janelas. Aquela louça na pia? Lave. As roupas acumuladas fora de lugar no quarto? Arrume. A caixa de entrada do e-mail lotada de não lidos? Ajeite. As festas? Vá. Os amigos? Convide.

Com o tempo, você criará o hábito de consertar janelas quebradas e deixará de ser vítima do ambiente em que vive para assumir responsabilidade por este mesmo ambiente.

Quais janelas você tem consertado ultimamente? Deixe seu comentário e vamos conversar!


escrito por:

Tales Gubes

Tales é uma raposa entre seres humanos. Escreve sobre escrever, sexualidade, educação e empreendedorismo. Criou o Ninho de Escritores para unir e ajudar outras criaturas que também curtem transformar experiências em palavras.


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