Quando ingressei no ensino superior, o primeiro pensamento que tive foi o de que, nesse novo mundo, todos os problemas intelectuais e racionais que eu já tive (e viria a ter) seriam sanados pelos melhores e mais embasados argumentos. Embora eu não tivesse razões inquestionáveis para acreditar que estava pisando no paraíso das verdades objetivas, eu tinha a convicção de que, a partir do momento em que estava tendo a chance de me aproximar da seleta minoria social considerada elite intelectual de nosso país, eu me maximizaria intelectualmente e – por que não – seria um ser mais virtuoso. Ledo engano.

Em 2013, ano em que passei a cursar Filosofia na PUCRS, fui apresentado a uma gama de pensadores e teóricos das mais variadas áreas do conhecimento. Me apaixonei pelos pré-socráticos e sua incrível mania de justificar a existência de todas as coisas a partir de um denominador comum; me aproximei de Aristóteles de modo a associar meu nome ao seu (“alystoteles é, não ria), usando tal apelido como usuário nas redes sociais; presenciei o amor digno de filme francês que Platão cultivara por Sócrates; descobri a relevância da filosofia para as ciências exatas, quando vi Demócrito falar sobre o átomo… Enfim, vi na história da filosofia antiga (afinal era meu primeiro trimestre) uma paixão transcendental pelo conhecimento e pela busca de razões universais.

Mas a vida acadêmica não é tão acadêmica assim.

Período de manifestações sociais, fui apresentado a pessoas interessantes e interessadas em mudar o mundo, predispostas diariamente no centro acadêmico de minha faculdade, cheias de tesão por fazer algo acontecer. Nesse ínterim, descobri que eu não apenas podia ser estudante, eu podia ser militante. Afinal, qual o sentido da aquisição de um conhecimento que não serve a uma prática? Eu passei, então, a ter uma causa pela qual lutar.

Com fortes tendências anarquistas, meu objetivo era me tornar um intelectual para servir aos ideais mais belos da esquerda. Eu sabia, afinal, que Thomas Hobbes estava redondamente errado ao afirmar que “o homem é o lobo do homem”. Bom mesmo era Rousseau, com a sua ideia de “bom selvagem“. A humanidade tinha jeito, e esse jeito apenas seria conquistado derrotando o capitalismo, fazendo a sociedade “virar à esquerda”.


Contei brevemente sobre minha transição de acadêmico apaixonado a militante inconformado. Por quê?

É que hoje as coisas são diferentes. Mudei radicalmente, tanto em ideias quanto em comportamento. Algumas pessoas deixaram de me reconhecer enquanto alguém agradável para se debater um tópico ou mesmo bater um papo qualquer. Nessa mudança drástica, não apenas deixei ideias de lado como também perdi contatos e amigos.

E esse é o problema.

Quando nos fundamentamos em alguns rótulos frágeis e mutáveis (pois “tudo flui”, né Heráclito?) para definir que tipo de relações podemos ou não ter com alguém, deixamos de ter relações sinceras e incondicionais, baseando nossas amizades tão somente no prazer ou na utilidade, como já diria Aristóteles.

Eu, por exemplo, deixei de ser o que convencionamos chamar de esquerdista, alguém apto a defender uma ideologia sobre e perante o mundo, acima de tudo. Alguém que, ao cultivar um círculo de amizades onde todos pensam e, de certa forma, agem de forma muito parecida, está numa constante corda bamba em que qualquer possível mudança pode acabar por fazer com que as pessoas te considerem uma ameaça ao seu círculo social.

E quando você mostra estar pensando de outra forma, bem, você corre o risco quase absoluto de ser excluído – e talvez isso seja o que acontece quando estamos mais preocupados em validar nossas crenças pessoais em detrimento de fazermos uma autocrítica que nos diga se nossa forma de pensar pode ser danosa inclusive pra gente.

De todo modo, o fato é que a forma como você pensa e, principalmente, expressa suas ideias, influenciará a forma como as pessoas reagirão ao seu posicionamento (Newton chamaria isso de “lei de ação e reação” – aos mais fervorosos, perdão a licença poética).

E uma forma bastante comum é a exclusão social.


A Exclusão Social Virtual

Imagem de um grupo de canecas brancas juntas, tendo ao lado uma caneca preta isolada. Imagem simboliza a exclusão social. | infantilidade
Imagem simbolizando a exclusão social.

A exclusão social não é algo característico somente de grupos políticos. Por designar um processo de afastamento de um grupo ou de privação de interação com outros indivíduos, ela diz respeito a todo tipo de espaço e estrutura na sociedade. Quem, afinal, não foi reprimido na fase escolar, na fase universitária ou mesmo na adulta, em seu meio profissional?

Aqui, porém, não me refiro tão somente a meios mais íntimos como núcleos familiares e profissionais. A exclusão social também atinge as redes sociais, e mesmo a internet propriamente dita.

Acontece que, com livre acesso à tecnologia, podemos definir e sermos mais seletivos quanto às pessoas com quem pretendemos nos relacionar. Aplicativos como o Tinder, por exemplo, nos ajudam a encontrar “o par perfeito”, a partir de nossas preferências pessoais, dando-nos a chance de, literalmente, escolher a dedo “a pessoa amada”.

Redes sociais mais amplas como o Facebook, porém, não estão livres disso. Você pode ter um mural aberto, com livre acesso à rede mundial de computadores, e mesmo assim estará apto a definir os padrões pelos quais alguém é bem-vindo a interagir com você.

Como eu sempre digo, o problema não é a coisa em si, mas como a utilizamos. Redes sociais são seguras na medida em que podemos controlar nossos próprios perfis e escolher com quem queremos nos relacionar, por óbvio. Porém, e justamente devido aos vieses cognitivos a que estamos submetidos quando interagimos, facilmente tornamos esses “espaços seguros” (falarei sobre isso em outro artigo, em breve) em um “caos de consenso” (outro termo que dá pano pra manga), adaptando toda a plataforma de forma que tudo, sem exceção, acabe por validar nossas crenças.

Ocorre que, ao delimitarmos tanto o que vemos ao acessar as redes, acabamos não dando espaço ao contraditório, este que é tão necessário para atingirmos aquelas velhas virtudes esquecidas de um bom debate intelectual. Por vezes, não apenas recusamos a presença do contraditório, mas dos contrários, também essenciais para que uma ideologia não torne-se dogmática.

Dito isso – e não entrando no mérito de questionar se a exclusão social é consequência do sistema ou se é uma condição natural de viver-se em comunidades -, é perceptível a normalidade desse comportamento em meios virtuais. Vamos, portanto, a alguns exemplos.


As Bolhas Virtuais

Print de uma atualização de status no Facebook, em que a autora pede que os outros prounistas, apoiadores da queda do governo Dilma, a excluam de seus contatos. | infantilidade
Para esta pessoa, apoiar o impeachment é ser contra o ProUni (mesmo quando você é prounista também).

Como é perceptível no print acima, além do pedido claro para ser isolada das pessoas que, por um acaso, deram apoio ao impeachment, a locutora entende que ter dado tal apoio é “esquecer da sua classe”.

Volto, aqui, ao que já disse antes: quando você está convicto de uma ideologia que te coloca em determinado grupo social, qualquer resvalada (para não dizer mudança de opinião) pode atestar o fim de sua aceitação em determinado grupo.

Neste caso, basta você declarar apoio à destituição de um governo para que, automaticamente, você não seja mais digno da amizade de determinada pessoa.

Print de um tweet, em que o locutor reclama de amigos terem curtido a página de Jair Messias Bolsonaro, no Facebook. | infantilidade
Perfil público, exposição pública.

No caso acima, temos o resultado de uma corrente que circulou no Facebook, em que você poderia, por meio deste link, descobrir quais de seus amigos curtem a página de Bolsonaro. Na corrente, pedia-se que as pessoas desfizessem as amizades com seus curtidores.

Eu mesmo recebi, de alguns amigos, o pedido de verificar e, quiçá, desfazer amizade com curtidores do Bolsonaro.

Para a surpresa deles, eu mesmo “curto” a página do Bolsonaro.

Tirinha em que Deus analisa a lista de "curtidores do diabo" para definir quem entra ou não no Céu. | infantilidade
E se Deus comprasse a ideia?

Acontece que, quando você baseia toda a forma como reagirá a um fato tão somente a partir de um único rótulo (no caso, “curtidor do Bolsonaro”), você acaba por limitar todas as possibilidades de interpretações sobre o fato a um único escopo: o da sua ideologia.

Eu curto sua página por uma questão de saber da necessidade de conviver com o contraditório. Se posso estar próximo e atento aos absurdos defendido por tal “mito” (que, particularmente, espero que torne-se mito mesmo… mitologia), posso estar atento à sua forma de pensar o mundo e de defender suas pautas, para, por fim, poder refutá-las com propriedade e conhecimento de causa.

Conheço, inclusive, outras pessoas que o curtem e acompanham não por sua intolerância, mas porque ele é conveniente ao que essas pessoas acreditam, como por exemplo ao defender a redução da maioridade penal e ao pautar a liberação do porte de armas.

Podemos interpretar um fato de diversas maneiras, não apenas de acordo com o que já acreditamos, com nossos vieses cognitivos que só buscam confirmar nossas predisposições mentais. A vida é fluída demais para que baste o rótulo.

Print de uma pessoa que fala a favor de que amigos de esquerda o excluam devido a ele curtir a página de Bolsonaro. | infantilidade
A bolha não tem lado.

Visões mais à esquerda do espectro político não são as únicas a fecharem-se em bolhas.

Publicamos este artigo aqui no AZ, falando sobre os chamados “justiceiros sociais“, e mostrando o quão danoso um pensamento de porco-espinho pode ser para a sociedade. Porém esse pensamento não se limita a algum espectro político. Muitos, mais à direita, estão recheados de falácias para dar e vender, e com elas justificar suas reações contra possíveis amizades, confirmando a destruição de possíveis e boas relações.

Como mostra a imagem acima, se houvesse um botão para excluir suas amizades que curtem Jean Wyllys, haveria, também, gente de sobra para fazê-lo. A animosidade em ser intolerante não é exclusividade de ninguém.


São diversos os exemplos que podemos dar sobre a infantilidade que é fechar-se numa bolha para proteger-se de ter de enfrentar o contraditório. Excluir quem pensa diferente nada mais é que declarar-se inapto a reagir frente a um obstáculo. Vou além e digo: excluir quem pensa diferente é declarar-se imaturo e cego para o fato de que é a diferença que torna este mundo possível e belo.

Para encerrar, faço um pedido singelo: valorizemos o diálogo. Diálogo sempre, a torto e a direito. Diálogo para dar e vender, reproduzir e consumir. Diálogo para tornar possível o impensável, e criar pontes entre o antes inimaginável.

Diálogo, por fim, para que o mundo seja mais rico. Rico de perspectivas, de razões e de interpretações. Ricos, por fim, de humanidade.
Print em que a pessoa comenta a favor do diálogo, contra a exclusão de contatos tão somente porque eles curtem determinada página de determinado político. | infantilidade

Precisamos vencer a barreira da exclusão e do isolamento social que provocamos a nós mesmos. E não se trata de descobrir “como conversar com um fascista” ou coisa que o valha. Trata-se de conversar com um outro de si mesmo. Um outro humano, imperfeito e cheio de si, assim mesmo como você que, infantilmente, acreditou ter razão ao desfazer uma amizade que poderia ser bela – tudo porque “alguém” não sabe lidar com quem pensa diferente.


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É graduando em Filosofia pela PUCRS, professor de ensino médio e faz vídeos para o Youtube (conheça aqui). E, não menos importante, editor do melhor site da internet, o Ano Zero. Mas o necessário a saber mesmo é de seu amor declarado por churros.
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  • Fabrício

    Alysson, você tem ou conhece alguma teoria ou constatação que explique essa tendência à intolerância e recusa ao diálogo? Esse maniqueísmo predominante na sociedade traz muito ódio e falta de empatia. Qual prática você se vê adotando para combater esse problema? Aliás isso é um problema para nós que pensamos assim, mas para quem é a favor da exclusão do outro, isso é solução.

    • Fala, Fabrício! Boa noite.

      Cara, infelizmente não conheço, ao menos não me vem à memória, uma teoria específica a respeito do auto-isolamento conceitual (para não dizer social, uma vez que podemos sim nos manter socialmente saudáveis ao mesmo tempo em que nos isolamos conceitual/ideologicamente). A julgar que temos ego e que ele adora sentir-se certo, divergências num geral tendem a resultar em atritos e bastante desconforto emocional.

      O fator que gera a intolerância e a recusa ao diálogo, portanto, é sentimentalmente humano. A solução? Talvez a abertura e a insistência a um diálogo não violento, sempre.

      Ah, e perdão pela super demora em responder. Às vezes me afasto de comentários justamente porque poderia estar produzindo conteúdo valorativo ao invés de estar lendo ataques pessoais, o que felizmente não é seu caso, haha.

      Forte abraço!

  • Valentin

    “Excluir quem pensa diferente é declarar-se imaturo e cego “. Tu está cometendo um erro que nós da Comunicação chamamos de Miopia em Marketing. Tu estás tomando uma visão de mundo partindo do curso ao qual você cursa. Da visão de mundo que o seu curso te dá. E não dá visão da população num geral. Nem todos que curtem a página do Bolsonaro querem acompanhar ou viver com o contraditório. Em meio há tanta informação nós podemos escolher lugares (facebook e a feed de amigos) que tu não precise se deparar com comentários limitados, machistas, homofóbicos e etc. Até porque, se algum página de notícias posta uma notícia sobre cachorrinhos fofos, por exemplo, alguém vai ligar aquilo ao sistema político e vai criticar algum ponto. De forma totalmente sem empatia, com acusações. Então tu excluir alguém não vai te impedir de ver algo diferente num cenário que tudo remete ao sistema que temos. Ninguém é obrigado a conviver com preconceitos. NINGUÉM. Qualquer é o sentido da vida? Num quadro onde tal coisa não tem uma resposta certa, definir que é infantil fazer algo estabelecido em sociedade não dá. Infantilidade é não querer ver o mundo como é? Religiosidade é infantilidade? Deve ser, pois se cegam com preconceito.
    Sobre a menina que falou sobre o Prouni. Cara, nisso está todo um quadro emocional. Tu tens noção que talvez ela NUNCA pudesse ter entrado numa faculdade? Eu por exemplo, sou o primeiro a entrar numa faculdade em toda história da minha família. Tu faz algo clássico do comportamento do consumidor. Tu escolhe de forma emocional, de acordo com tuas convicções, e logo embasa com o racional. Sinceramente, para ser chamado de Alystoteles, acho que tu deveria virar ao contrário, e ver um mundo de forma diferente, pois tuas expectativa parte apenas dos teus olhos, com um filtro qualquer e com preferência, como quem escolhe um filtro só porque gosta, no instagram.

  • RogellParadox

    Infantilidade ou direito? Apago quem eu quiser. A conta é minha, o direito é meu. Ninguém é obrigado a ficar lendo merda, não, filhote.

    • Mateus Schroeder

      Se você não quer que tal pessoa fale algo (errado), porque não convence ela que está errada? E de fato, você tem direito de excluir quem você quiser […]

      • RogellParadox

        Porque ele tem o direito de estar errado, não tem? Então, assim como não quero que ele force a ideia dele em mim, não vou forçá-lo com minha ideia. Faz sentido pra você?

        • Mateus Schroeder

          Sim, faz muito sentido, mas, bom, [tá difícil de pensar por aqui ], …

          Existem pessoas e existem pessoas, algumas são ignorantes por opção, outras porque não chegaram a olhar de tal modo. O segundo caso pode ser salvo.

          • RogellParadox

            Esqueci de mencionar que ainda tem as chatas insuportáveis que, mesmo que você argumente de tdo quanto é maneira possível, elas irão ser contra.

    • Fala, Rogell, tudo certo?

      Cara, entendo teu ponto. É sim um direito que você tem sair excluindo as pessoas de quem você discorda por aí. Mas, falando aqui em termos sinceros, não te parece que isso é tão somente uma reação imediatista e simplista?

      Digo, independente de você ter seu direito de não conviver com quem você não quer, resumir toda uma questão social e comportamental a um mero “é meu direito” não te parece, refletindo agora comigo, algo que não traz solução alguma para o problema apontado (isolamento de ideias)?

      Em nenhum momento do texto é dito que “você não tem direito de excluir os outros”. A questão é que esse direito nada diz sobre o uso das redes, apenas que você tem certo domínio do que verá na internet.

      Mas, mesmo vendo o que você quer ver, o fato de ser você quem está se isolando do contraditório ainda não foi superado, portanto essa resposta mais parece uma fuga da responsabilidade de viver em sociedade do que um clamor legítimo por sua integridade.

      Enfim, só quero refletir contigo, e espero que, caso eu não esteja vendo seu ponto de uma forma suficientemente clara e distinta, você me explique o que está em jogo para que tudo se resuma a um “é meu direito”.

      Forte abraço!

  • Marcelo Matt

    Para criar inimigos não é necessário declarar guerra, basta dizer o que pensa.
    (Martin Luther King)

    A cada dia que passa vejo que estamos cada vez mais limitados enquanto seres “sociais”. Não consigo conceber a idéia de como chegamos ao ponto onde é “obrigatório” escolher um lado em tudo. Se não sou de direita, então, obrigatoriamente, eu devo ser de esquerda? Qual é o sentido disso? Não existe mais a opção de ser “neutro”?

    Então, seguindo a lógica da “sociedade”, se não sou PT roxo, então, sou golpista? Faça me o favor…

    Analisando a minha própria “vida” neste momento e, sendo bem sincero, eu realmente não sei vos dizer se estou feliz ou infeliz por estar “isolado” da “sociedade”.

    O meu “círculo de amizades” é nulo e eu realmente não sinto falta da convivência e do “diálogo” com pessoas “parcas” e “limitadas”.

    (Isso me lembra da alegoria da caverna mas, adiante…)

    Acredito que tais situações ocorram devido à forma de como somos “educados” desde pequenos por este sistema podre, carcomido e putrefado que aí está. Somos “obrigados” a pertencer a algum grupo, classe, casta e/ou bando para que possamos ter uma “identidade”.

    Agora me pergunto: “Identidade?”

    Sim, “identidade”.

    O simples fato de não pertencer a nenhum “grupo” nos torna nulos, inexistentes. Algumas vezes até somos considerados ineptos para algo, alguma atividade ou propósito, apenas por não seguirmos e/ou possuirmos determinados comportamentos primatas (sim, sem aspas). Querendo ou não, enquanto primatas recém saídos das cavernas, ainda agimos como bestas semi-civilizadas com comportamento de manada. Entendeu ou quer que desenhe?

    “There’s nothing but a void over the sanity of fools”
    (Trecho da música Let the Storm Descend Upon You do projeto conceito Avantasia)

    Não vi nada além de verdades neste artigo. Realmente, enquanto “sociedade” temos “muito” a evoluir.

    Sem mais.

  • Aparentemente texto Neo Liberal.

    • Nick

      to o site tem viés neoliberal.

      • A pergunta ao Leo fica para você também, Nick. Abraço!

    • Olá, Leo! Boa noite.

      Gostaria de saber o que você quer dizer com “texto Neo Liberal”. Para você, o que seria o neoliberalismo e por que você acusa o texto de o sê-lo?

      Abraço!

  • Cassio Silva

    Gostei muito do texto, até o ponto em que li: “Acima de tudo, um amante de churros.”. Não posso concordar com isto, sabendo o quanto o açucar faz mal para as pessoas. Mas tudo bem. vou deixar de lado este ponto… afinal o texto realmente é muito bom. não sei porque carimbaram já com o rótulo “NeoLiberal”.. Acho que é a imbecilidade humana de ter que rotular tudo, para facilitar o entendimento. O ser humano está com muita dificuldade em lidar com a complexidade crescente do planeta e sociedade e cada vez mais explora as categorias, caixinhas e rótulos para tentar entender. Quando encontra uma caixa que mais ou menos entende, ou acha que entende, não quer sair dali.. e passa a odiar todos que estão fora ou tentam fazer eles enxergar fora. Interessante é o quanto a sociedade da inovação fica gritando: “Pensem fora da caixa”.. mas não adianta. Mais nós mergulhamos em caixas..O próximo estágio destas caixas são os buracos negros.. não se consegue sair mais deles… muitos já estão neles..

    • Tudo bom Cassio? Ótima análise sua. O AZ já foi em seu primeiro ano classificado, em um comentário, como um site de “esquerdopatas”. E agora, para minha surpresa, é categorizado como “neoliberal”. Mas, como você disse, escolhemos lidar com complexidades e nuances com etiquetamentos que eliminam o desconforto da ambivalência, permitindo que rapidamente descartemos ou aceitemos algo sem maiores reflexões. É uma forma de solipsismo virtual que elimina o outro e sua opinião gradualmente. Nesse ponto, vamos sempre nos esforçar aqui no AZ para nadar contra a corrente. Abço!

  • Eu sempre coloquei a exclusão como última opção, mas pow, galera da direita ultra conservadora (curtidores do Bolsonaro) fazem questão de te fazer sentir nojo deles… tentei ser amigo de alguns ai o máximo de tempo que consegui… nos “debates” rolava todo tipo de escrotice, desde falar que “classe média sofria” à destilar ódio assumido contra pobre, por mais que vc tenha paciência de samaritano, e tente levar tudo na conversa..o diálogo dá pra ir só até ai… a partir do momento que que a posição política da pessoa já escancara falhas de caráter extremas… ai fica difícil manter a amaizade

    • Olá, Bloody, boa noite!

      Realmente, eu não nego que haja casos em que manter as amizades e os contatos seja algo difícil, e que a opção de excluir a pessoa seja a mais recomendada. Na verdade, eu não nego que isso possa ocorrer e que, dependendo do caso, DEVA ocorrer.

      A questão que me fez pensar a respeito de nossa sociabilidade e de nosso comportamento nas redes sociais está mais voltada a como tudo é arquitetado para que a gente, do alto de nosso conhecimento limitado, nos acredite, de alguma forma, superiores moral e intelectualmente.

      Hoje o Victor Lisboa postou aqui no AZ um texto intitulado “O Terrorista que há no Cidadão de Bem”, em que ele falava da banalidade do mal, em Hannah Arendt, e deixava claro que a maldade humana não é exatamente algo exclusivo de seres humanos ruins, mas que, na verdade, é a mera acumulação de pequenos comportamentos cotidianos e que são tidos, muitas vezes, como ‘normais’ para as pessoas que os praticam.

      Se isso for levado para o caso concreto de cada pessoa que, ao nosso ver, está defendendo coisa odiosas, certamente concluiremos que o seu modo de raciocinar a leva a entender que aquilo seja “bom”, afinal a maldade não é praticada, na maioria dos casos, com intuitos de praticar maldade, mas tão somente de corrigir erros que, ao ver do ‘maldoso’, merecem correção. Afinal, é tudo por um ‘bem’ maior.

      Nesse sentido é fácil concluir que, antes de querer praticar algo ruim, ou defender algo hediondo, aquele ser humano que consideramos asqueroso é, na verdade, tão somente alguém com quem, de alguma forma, podemos nos identificar. Não se trata de um monstro, mas de um outro de nós que precisa, se queremos fazer algo efetivo, de orientação.

      E aí que a exclusão apenas atrapalha as coisas.

      Afinal, se você vê que o cara tá errado, você apenas exclui ou tenta fazer algo a respeito?

      Se sentimo-nos com muita razão, é comum que a gente reaja. Mas apenas reagir não basta, é preciso reagir decentemente, puxando um papo de forma madura, sem querer se impor e buscando sempre ter uma relação sincera com aquela pessoa com quem falamos e esperamos mudar.

      Tente, quando ver alguém compartilhando tosqueiras em sua linha do tempo, conversar com a pessoa. Mas não tão somente comentar em sua publicação e dizer que ela tá errada. Busque chamar ela no privado, cumprimente, seja educado e fale sobre o assunto que ela tocou. Busque entender os porquês de ela defender aquilo, e, respeitosamente, diga que você discorda e gostaria de falar a respeito com ela, que não acha ela idiota por acreditar naquilo, mas que, justamente por estar indo conversar com ela, a acha capaz de reavaliar conceitos e mesmo de te convencer a mudar de opinião.

      É preciso, e é o que quero dizer, diálogo. Diálogo não violento e capaz de gerar mudanças comportamentais e perceptivas para todo o sempre na vida daquele indivíduo que você tão somente acusa de mal caráter e não faz muito por ajudá-lo.

      E é nesse sentido que chamo de infantil quem apenas exclui, sem pormenores: ao isolar o outro de sua existência, o excluidor isola a si mesmo, e esperando que os outros mudem acaba sequer mudando a si mesmo.

      Enfim, perdão o textão mas espero ter dado uma resposta satisfatória.

      Abraço, Bloody! Espero te ver por aqui mais vezes.

  • Bruno Poeys Lacerda

    Boa tarde, amigo. Aconteceu comigo também, viu… exatamente dessa forma. Achei seu texto sensacional, sem ser agressivo ou arrogante. Compartilhei e vou compartilhar mais vezes. Parabéns pelo belo texto! Vou ler outros também.

    • Olá, Bruno! Tudo certo?

      Sensacional é que você tenha lido e compartilhado. Creio que seja um ótimo tema para que a gente reflita sobre nosso comportamento social/virtual, não apenas porque isso é necessário, em termos de sociabilidade, mas porque qualquer progresso social depende das reações que damos às ações que se encontram com a gente nesta vida.

      Espero te ver mais vezes por aqui, Bruno, para que a gente mantenha um espaço de relevante diálogo.

      Forte abraço!

  • É sempre bom não apenas teorizar sobre o diálogo, tão necessário, como também praticá-lo. Sou desses que acredita que o mínimo de esforço para manter mentes saudáveis deve ser exercitado, e isso inclui tentar tornar o mundo à nossa volta também mais são.

    Porém isso não será possível nos isolando daquilo que achamos tosco. Será possível justamente nos intrometendo, agindo por dentro. Aliás, uma metáfora acerca desse comportamento que busca uma sociedade mais decente se dá justamente em termos biológicos:

    Imagine que a sociedade é um câncer, e que cada pessoa replicando e disseminando merdas e outras coisas ruins e toscas estejam apenas espalhando metástases, deixando a sociedade cada vez mais doente. Tendo isso em mente, qual será a sua reação? Ser parte do problema, um tecido infectado que dissemina mais infecções, ou parte da solução, um anticorpo agindo em prol do bem de todo o organismo?

    Eu me creio ter escolhido ser um anticorpo. Há muitos problemas por aí para que eu simplesmente ignore, em prol de um suposto bem-estar individual sem complicações maiores contra minha pessoa. Mas me dedicar a isso não significa que eu esteja me sacrificando e esquecendo de mim mesmo, na verdade basta que eu tome isso como propósito para mim, em minha vida, para que esse meu esforço pessoal traga não apenas resultados sociais positivos como também me propicie bastante satisfação pessoal.

    Assim sendo, exercer o mínimo de esforço para tentar ajudar esse mundo a ser um pouquinho melhor não precisa ser considerado um martírio. Pode ser, pelo contrário, um projeto egoísta, em que, ao querer que o mundo seja melhor, você faz isso porque quer viver em um mundo melhor – é um projeto para você (e o mundo sai ganhando com isso).

    Enfim, as coisas no geral são sim uma merda, não vou negar, mas é insensatez deixar a merda na sala sem pegar a vassoura e a pé para limpar. Ou a gente faz algo a respeito, ou teremos que conviver cheirando estrume desagradável.

    Te aguardo mais vezes por aqui, Bloody Mary, especialmente gostaria de te ver opinando nos outros textos do AZ.

    Forte abraço!

  • Conheço pouquíssimo de Cury, o meu maior contato com ele se deu por meio de 3 livros, sendo os dois primeiros relativos àquela série “O Vendedor de Sonhos” (que achei muito boa) e o último sobre, se não me engano, “8 inteligências” ou algo assim – faz muito tempo que li, e mesmo na época me vi questionando a validade de tudo o que ele dizia, embora suas obras de ficção fossem degustáveis.

    Mesmo assim, se o que Cury quer dizer por inteligência emocional seja relativo a uma ponderação prévia sobre como reagimos às coisas que acontecem a nós e a uma autocrítica constante sobre como nos sentimos a cada influência externa sobre a gente, então faz todo sentido que isso nos leve ao exercício de uma maior prática de empatia, tanto porque a análise de nossas emoções faz com que conheçamos melhor a nós mesmos quanto porque isso tem como consequência que nós consigamos ver no outro aquilo que há de errado na gente também – os benefícios práticos me parecem evidentes.

    Agora, quanto à dissolução do ego budista, toda prática que tenta domar o ego, para por fim vê-lo como algo que, ao fim das contas, não existe (não numa perspectiva última no budismo), deve ser entendida como tendo o fim de gerar compaixão (o psicólogo Diego Desiderati já falou sobre isso aqui no AZ, no texto “Compaixão ou como lembrar-se que você é humano”).

    E como a compaixão é uma vida de acalento para a própria existência assim como trata-se de um estado de espírito abrangente e gerador de empatia, é mais um passo pela superação da exclusão e dos conflitos tortuosos e desnecessários.

    Pelo que eu entendo por inteligência emocional e por dissolução do ego – sendo a primeira uma adaptação às suas fraquezas em busca de lidar com elas de forma madura, e o segundo a adoção de uma perspectiva menos limitada e mais abrangente -, naturalmente a adoção dessas duas práticas, embora não haja certeza que o mundo seja “melhor”, tenderá a fazer das pessoas ao menos buscadoras dessa utopia, em termos pacíficos e com práticas socialmente saudáveis.

    “O que fazer” e “como fazer”, aqui, torna-se uma distinção entre “ideal” e “real”. Primeiro elaboramos o plano ideal da nossa busca (o que fazer: um mundo de debates não violentos), para então pensarmos no plano real (a aplicabilidade de nossas aspirações, o “como” que tornará possível que isso tudo se concretize).

    E já que temos o norte dado (comunicação não-violenta), e temos uma ideia de prática (por meio do exercício da inteligência emocional e da dissolução do ego), só nos resta fazer acontecer.

    Ao menos é o que me ocorre agora lendo seu comentário.

    Abraço!

  • Asura

    Se “pensar diferente” implica em manifestar racismo, xenofobia, misoginia, homofobia, fanatismo religioso e nazifascismo e esses caras não se mancam, então não tem “tapinha nas costas”, não tem “didatismo”: é ban e block.

  • Marco Mugnatto

    Bloquear e excluir são SAUDAVEIS. Se eu continuar me correspondendo com a pessoa, ela vai vir no meu perfil comentar minhas postagens, o que vai GERAR BRIGA. Além disso excluir evita que eu leia as postagens da pessoa defendendo “Bolsomito”, coisa que só vai me deixar nervoso. Tem mais é que excluir mesmo.

  • Bruno Santos

    mais infantil que isso, só chorar em postagens alheias só pq é diferente de sua opinião. não sei pra q isso. né melhor ficar na sua e postar coisas que vc gosta? n sei pq as pessoas insistem em chorar