Há uma grande confusão sobre a questão do turismo sexual no Brasil e no mundo. Propositalmente ou não, vincula-se erroneamente a ideia de turismo sexual à ideia de exploração sexual, e em especial, à exploração sexual de crianças e adolescentes.

Mas tu já paraste para te perguntar o que realmente significa o termo turismo sexual?

Segundo a antropóloga Adriana Piscitelli, relacionar o turismo sexual à prostituição é uma maneira simplista de se referir ao tema, já que as práticas se cruzam em um certo ponto, mas o turismo sexual extrapola a prostituição. Para a pesquisadora, “os viajantes à procura de sexo querem mulheres que façam programa e também mulheres que não façam. Não é apenas troca de sexo por dinheiro. Há uma romantização, há um jogo de conquista e, às vezes, até sentimentos”, disse Piscitelli em entrevista à Folha de São Paulo.

Piscitelli chama a atenção também para o preconceito de classe. Para as pobres, é sempre prostituição. Para a classe média,vale o mito do príncipe caído de céu e enviado por deus.

Agora que já sabemos que turismo sexual e exploração sexual são coisas distintas, pergunto: faz algum sentido se posicionar contra (ou a favor) do turismo sexual? Numa definição clara e ampla, turismo sexual caracteriza-se pelo ato de pessoas viajarem para – dentre outras coisas – fazerem sexo. Sim! Além de conhecer, trocar experiências, se maravilhar com as belezas locais, os turistas transam! E o que pode haver de surpreendente ou terrível nisso?

Podemos estar falando de um cruzeiro de swingers, de clubes de BDSM, de baladas. Podemos estar falando de gringas visitando ilhas paradisíacas e pagando por sexo com nativos. De Vicky e Cristina em Barcelona degustando espanhóis. Da festa das gaúchas com os holandeses, deste lindo Carnaval prolongado que tem sido a Copa do Mundo 2014 em nosso país.

Turismo sexual é aquilo que acontece quando dois adultos conscientes decidem fazer sexo durante uma viagem. Envolvendo ou não negociação financeira.

tatuagem-viagem

Como combatê-lo? Exigindo dos turistas o confisco de seus genitais ao cruzar a fronteira? Isso se considerarmos que sexo é algo que envolve apenas genitais – uma visão deveras pudica, convenhamos.

O fato é que desde meados do ano passado, com a proximidade da Copa, o discurso contra o ‘criminoso turismo sexual’ se intensificou, confundido combate à pedofilia e exploração sexual – confusão essa que só contribui para aumentar o estigma e violência contra trabalhadoras sexuais. Vide as atrocidades cometidas pela polícia em Niterói e em várias outras localidades. De lá pra cá, era como se todos pudessem lucrar e aproveitar a Copa, exceto as prostitutas.

Na prática, é o que acaba acontecendo. O aumento da demanda por serviços sexuais em período de grandes eventos se trata de um mito. Em realidade, Copa do Mundo é período de diversão, festa e muito sexo – sexo “civil”.


Mas e se não fosse um mito, que problema isso traria? Verdadeiramente, qual o mal em prostitutas lucrarem com seu trabalho, como todos os outros trabalhadores?

No meio disso tudo, Luciano Huck, em seu oportunismo aético, decide apoiar o turismo sexual “limpinho”, com um toque de romantismo, outro de ingenuidade forcada, e pitadas exageradas de machismo tosco. Lança, através de seu Twitter e Facebook, o quadro “Namorada para Gringo”.

Huck-twitter

Mulheres ainda estão loucas para encontrar seu príncipe encantado? Acredito que a maioria não esteja mesmo interessada na ideia – por outro lado, não duvido que muitas ainda sonhem com isso. Cada cabeça uma sentença, cada mulher uma escolha – sua escolha. Mas será que, a despeito da grave crise econômica que assola a Europa, Huck ainda acredita que seja bom para uma mulher carioca encontrar seu príncipe encantado europeu?

O grande risco da empreitada é o tal príncipe, falido e desempregado em seu país de origem, casar-se com uma brasileira em busca de novas oportunidades de vida e trabalho no Brasil.

O mundo mudou e o marido de Angélica não foi capaz de se dar conta. Por que não estou surpresa?


escrito por:

Monique Prada