Para a edição deste artigo sobre criatividade, colaboraram: Felipe Novaes, Heryk Slawski, Nathalie Lourenço e Elisa Trivelli.


Qual a última vez em que você foi criativo? Pode ter sido há um ano, quando teve uma nova ideia de negócio; talvez mês passado, quando decidiu escrever um conto ou fazer um desenho; ou ainda hoje mais cedo, ao mudar um tempero no almoço ou percorrer um caminho diferente até a padaria.

Qualquer que seja a resposta a essa pergunta, ela carrega uma definição do que significa criatividade, e é sobre isso que vamos conversar neste texto para descobrirmos como ampliá-la. Gosto da seguinte definição, na qual vou me apoiar: criatividade é a habilidade de fazer ou pensar algo de forma diferente do que costuma ser feito ou pensado e gerar valor com isso.

Neste texto, discutiremos por que é importante sermos mais criativos, quebraremos alguns mitos que permeiam a criatividade, pensaremos sobre o processo de criação de novas ideias, analisaremos o que é necessário para estimular a criatividade e quais são os obstáculos em nosso caminho e, por fim, aprenderemos sobre o mecanismo de inovação inventado por Tina Seelig e como ele pode nos ajudar a modificar qualquer situação para torná-la mais criativa.

Por que ser mais criativo? 

Na escola, aprendi a ser um bom rapaz. Isso significava ficar sentado na hora de sentar, caminhar em fila quando houvesse filas e fazer exatamente o que era esperado de mim. A escola é o ambiente em excelência para o desenvolvimento de bons cidadãos, pessoas que funcionam na sociedade, e eu me encaixei sem dificuldades.

Dizem que a escola prepara para a vida, mas para qual tipo de vida? Quando ingressei no mestrado, precisei descobrir como desenvolver minha pesquisa sem que alguém me dissesse o que era certo e o que era errado. Isso se tornou ainda mais premente quando me tornei professor e, depois, empreendedor. A vida para a qual fui preparado não tinha nada a ver com a vida que levo hoje.

Criatividade - Alan Kay

Na escola, aprendi a descobrir respostas para perguntas que já estavam dadas – e que, portanto, já tinham suas respostas prontas para serem descobertas. Na vida, precisei lidar com outras pessoas, necessidades e desejos sem um professor ou um chefe para me dizer o que fazer ou criar. Precisei encontrar perguntas para responder.

Foi nesse momento que descobri a importância de ser criativo e me deparei com uma pergunta: é possível aprender a ter mais criatividade?

Os mitos da criatividade

Como toda ideia popular, a criatividade vive cercada de mitos. O mais comum deles é o mito de que algumas pessoas nascem criativas e outras não. Essa é uma variação do mito do talento. Sempre que alguém fala em talento, lembro da seguinte história: após ouvir a apresentação fascinante de um pianista, um homem vai ao músico e diz “nossa, eu daria minha vida para tocar como você”, ao que o pianista responde “eu dei”. O que esta cena nos sugere é que o talento é uma habilidade e, portanto, pode ser treinado.

O mesmo vale para a criatividade. Ser criativo talvez venha mais naturalmente a algumas pessoas do que outras, mas isso é muito diferente de algumas pessoas serem criativas enquanto outras não o são. A pegadinha está nos verbos ser e estar, que muitos idiomas não distinguem (no inglês, o verbo to be, e no francês, être, significam ao mesmo tempo ser e estar). A ideia de ser alguma coisa implica que essa coisa é parte do que nos define, parte da nossa natureza. Já a noção de estar, por outro lado, indica uma posição passageira, um estado que pode se alterar a qualquer momento.

Quando afirmamos que uma pessoa nasce criativa, estamos ignorando todo o trabalho que existe por trás da construção de um pensamento criativo. O pesquisador e professor Edward de Bono, criador do termo pensamento lateral e da técnica dos seis chapéus do pensamento, explica que o cérebro funciona por meio da construção de rotinas e hábitos de percepção e comportamento. Nós somos programados a nos acostumar com o que interpretamos como sendo a melhor alternativa – e, a partir do momento em que aceitamos o fato de que detemos a melhor alternativa, não há mais razão para procurar outras.

Explorar alternativas, portanto, não é um comportamento “natural”, mas sim um processo que demanda esforço e intenção, em geral fruto de algum incômodo. Isso nos leva a questionar o mito da distinção entre os dois lados do cérebro: o esquerdo (aquele prático e analítico) e o direito (aquele mais poético e aventureiro). Pesquisas recentes têm apontado para uma lógica diferente, apoiada em diferentes tipos de conexões neurais que são ativadas em distintos momentos do pensamento criativo determinados pelo tipo de tarefa e pela etapa do processo de criação.

Uma abordagem mais recente sobre como funciona nosso pensamento é oferecida por Daniel Kahneman no livro Rápido e Devagar, no qual ele explora dois sistemas que organizam o pensamento humano. O primeiro, chamado de Sistema 1, é rápido e apoiado em padrões. É o sistema que organiza nossa maneira de lidar com o mundo e nos previne do desgaste constante de redescobrir estratégias para estar neste mundo. Se eu já sei cozinhar macarrão instantâneo, nas próximas vezes precisarei apenas repetir o processo – o que acontece de forma quase inconsciente (no sentido cognitivo, não freudiano, da palavra “inconsciente”).

Criatividade - Christoph Niemann

O Sistema 1 só é capaz de trabalhar com as informações que estão facilmente acessíveis à percepção ou à memória. Para se referir a isso, o autor usa a expressão What You See Is All That Is (WYSIATI), “o que você vê é tudo o que há”. Ou seja, nos pensamentos do Sistema 1, nós só consideramos aquilo que está fácil de lembrar ou de enxergar, ao invés de racionalmente ponderar todos os elementos possíveis para cada questão.  Quando eu li a sigla, pulei a sua explicação, pois julguei estar lendo uma sigla conhecida. Ocorre que eu confundi com outra sigla, parecida, mas bem diferente (WYSIWYG, What You See Is What You Get, que se refere à fidelidade entre o que um computador mostra na tela e aquilo que resulta quando imprimimos, por exemplo). Lendo rapidamente, eu li o que eu já sabia, não o que estava de fato escrito.

Cabe ao Sistema 2 o trabalho de conscientemente buscar novas informações e solucionar problemas complexos. Contudo, o Sistema 2 é preguiçoso. Sempre que possível, delega suas atividades ao Sistema 1, que pouco é capaz de inventar: as respostas do Sistema 1 são repetições de experiências anteriores, como meu próprio exemplo sugere. A criatividade, enquanto capacidade de criar algo novo e com valor, vem do trabalho diligente do Sistema 2, que precisa ser disciplinado a não abandonar o processo de criação.

O tempo, sem a menor dúvida, é um dos principais ingredientes para fomentar o pensamento criativo, tanto no sentido de reduzir a velocidade da percepção para observar detalhes quanto na prática de reservar um espaço na agenda para que a criação aconteça. Isso significa que o mito da criatividade como inspiração precisa ser deixado de lado em favor do trabalho consciente e profissional.

Há muito de beleza em se imaginar o pensamento criativo como uma forma de mágica que inspira os seres humanos a desenvolverem obras magníficas, mas essa ideia mais uma vez outorga a responsabilidade a outras entidades. Essa é uma estratégia que, se usada de forma consciente, pode ser útil para amenizar as pressões do trabalho criativo, mas corremos o risco de acreditar que o pensamento criativo é um presente e independe de nós.

O mito do criador individual também precisa ser questionado: novas ideias vêm da conexão entre ideias anteriores e, portanto, quanto mais, melhor. Esse é o fundamento do livro Roube como um Artista, de Austin Kleon, e também da rotina de grandes estúdios, como a Pixar. Esse também é o fundamento deste texto, cuja construção está sendo feita a incontáveis olhos e mãos, acolhendo colaborações espontâneas de leitores interessados – que, ao interagirem, tornam-se coescritores, parceiros de criação.

A literatura e o cinema tendem a apontar muito bem esse mito: enquanto as obras de literatura costumam resultar do trabalho de um único autor, os filmes são produções coletivas, contando com diretores, roteiristas, atores, iluminadores, dublês, maquiadores etc. A natureza complexa do trabalho criativo fica mais evidente quando dependemos de um exército para executá-lo.

Por fim, há um mito que desafia diretamente a proposta deste artigo: o mito de que criatividade não pode ser ensinada. Trata-se de nada mais que uma variação dos mitos anteriores, mas sugere que o destino de quem não é ou não se considera criativo é a resignação, a passividade frente às mudanças possíveis. Crer que o pensamento criativo não pode ser ensinado é negar a autonomia para construir os próprios caminhos – autonomia essa que, por si só, já é sinal de criatividade.

Ademais, se acreditamos que criatividade não pode ser ensinada ou aprendida, aceitamos uma profecia autorrealizada: se não é possível, não tentarei, se não tento, não é possível. Para quebrar esse mito, é necessário compreendermos o processo pelo qual construímos novas ideias.

De onde vêm as ideias

Aprender a ser mais criativo é como aprender um novo idioma. De início, pode parecer complicado porque tudo o que vemos, lemos e pensamos remete ao que já conhecemos em nossa língua materna. Com o tempo, porém, começamos a compreender as etapas que conduzem à criação de novas ideias. É a possibilidade de reproduzir essas etapas que nos interessa.

Se considerarmos a criatividade como a habilidade de criar novas combinações entre elementos, veremos que o pensamento criativo nada mais é do que a habilidade de perceber ou estabelecer relações. Podemos enxergar ligações mesmo entre elementos que aparentemente não possuem relação alguma entre si.

Experimente se perguntar: o que um elefante tem em comum com um computador? O que uma melancia e uma nuvem compartilham de semelhanças? Está com dificuldade de encontrar esses paralelos? Então invente-os! O importante nesse tipo de exercício não é estar certo, mas sim ser capaz de elaborar soluções alternativas.

Às vezes, uma ferramenta útil é procurar o oposto daquilo que queremos (no desenho, isso é chamado de enxergar o espaço negativo). Essa técnica nos oferece os contornos para compreendermos aquilo que estamos procurando. No caso do elefante e do computador, o que eles têm de diferente entre si? Conforme mapearmos as diferenças, tudo o que sobrará serão as semelhanças.

Independentemente do problema que tivermos em mãos, há quatro fases no processo de elaborar uma nova ideia: a preparação, a incubação, a iluminação e a verificação. Esses passos não são um mapa que pode ser seguido para a construção de novas ideias e sim um modelo didático para compreendermos como funciona o nosso pensar.

Na fase de preparação, nós consumimos conteúdos. Essa fase pode acontecer tanto de forma consciente, com pesquisas e estudos direcionados para um tópico específico, como inconsciente, com a absorção de referências no dia a dia. Tudo pode virar referência para ideias futuras, contanto que seja marcante o bastante para nos causar uma impressão duradoura.

Comercial de televisão, livro, filme, revista em quadrinho, música, conversa, pintura, escultura, dança, corpo, roupa, cor, arquitetura, culinária, aquela pessoa linda e perfumada que passou por nós no ônibus: qualquer coisa pode virar um elemento na bagagem cultural de sujeitos pensantes.

Criativiade - Chuck Close

Houve um tempo em que eu não queria estudar, aprender fatos históricos ou geográficos. No final dos anos 1990, a internet vinha surgindo como uma alternativa para a aquisição de conhecimento e parecia ser suficiente saber como chegar à informação. O que eu não sabia, na época, é que saber chegar à informação é tão importante quanto ter informação para saber o que procurar. E isso não é tão fácil de achar na internet.

Podemos usar uma metáfora culinária: o período de preparação é aquele no qual separamos os ingredientes da nossa refeição. Posso muito bem saber que existem diversos tipos de pimenta, mas é a experiência com cada uma delas que vai me sugerir o que e quando utilizar. Claro, posso pesquisar na hora e tentar preparar a partir daí, mas aumenta a probabilidade da minha refeição/ideia ser nada mais do de uma repetição do que já existe.

Durante a fase seguinte, de incubação, o conhecimento guardado se mistura. É nesse momento que os ingredientes selecionados (ou encontrados acidentalmente na despensa de casa) começam a atuar em conjunto. Todos os referenciais que pesquisamos ou observamos durante a fase anterior se articulam para a produção de novas ideias.

Mais uma vez, essa fase pode ser vivida de forma consciente e planejada ou de modo inconsciente, no fundo dos nossos pensamentos. Existem técnicas que podem ser aplicadas para ampliar o número de ideias, como a prática do brainstorming.

A fase da iluminação é resultado do processamento inconsciente de tudo o que processamos e indica o momento em que as relações construídas explodem na forma de uma ideia. É a hora do “a-ha”, do “eureka”, quando a ideia surge e parece que nos assalta do cotidiano.

Muitas vezes, pensamos essa ideia como sendo resultado de uma inspiração mágica. É a fase da iluminação a grande responsável pelos mitos do gênio criativo e do talento. Quando uma ideia “aparece” sem aviso, somos levados a pensar que ela é um presente divino, ao invés de a consequência de um processo anterior de garimpo de informações e seu processamento.

Boas ideias surgem para quem está no mundo colhendo referências e lidando com diversos tipos de problemas e soluções possíveis. Esse “estar no mundo” é essencial também para a quarta fase do processo de criação de novas ideias: a verificação. Depois que uma ideia é concebida, na fase de iluminação, é o momento de colocá-la frente às necessidades reais do mundo, ou seja, considerar se ela tem condições de oferecer soluções aos problemas presentes e se oferece alternativas melhores das que já temos, além de verificarmos se é possível de ser executada.

Em nossa metáfora culinária, a fase da verificação é o instante no qual servimos a refeição e ela passa a ser avaliada tanto quanto à sua estética quanto à eficiência em resolver nosso problema: a fome (ou, às vezes, a gula). Um pão com manteiga pode ser uma solução eficiente para o café da manhã, mas provavelmente deixará a desejar no horário do almoço.

A cineasta Tiffany Shlain amplia as quatro etapas para dez passos, observando outras etapas comuns ao processo criativo. Para ela, o primeiro passo é o palpite, aquela coçadinha no intelecto de que há algo a ser descoberto ou inventado, ou talvez o encontro com um problema que precisa ser resolvido. É um incômodo que nos põe em movimento. O passo seguinte é falar a respeito, verbalizando (ou escrevendo) o problema e as inspirações iniciais. Ao colocarmos no mundo, tornamos real aquilo com o que desejamos lidar e começamos a ter retorno de outras pessoas. Esse retorno é ampliado na fase da esponja, ou seja, da absorção de todo e qualquer conteúdo referente ao que estamos buscando. Lemos, estudamos, pesquisamos, investigamos outras soluções para problemas parecidos e, com isso, elaboramos uma base de referências a partir da qual observar nosso problema.

O quarto passo é construir. Seja um texto, um filme, um plano de aula, um quadro, uma coreografia etc., o passo da construção é fundamental. Se ficarmos apenas no palpite, nas conversas a respeito do tema e na esponja, jamais daremos seguimento ao processo criativo – que, por definição, exige que algo seja criado. O passo seguinte é um dos mais odiados e, infelizmente, costuma ser o ponto de parada para muitas pessoas: confusão. É o momento em que nada parece bom, o trabalho perde o sentido e passamos a duvidar da nossa própria qualidade como criadores. Este é um período muito sensível para quem cria, pois nossa confiança tende a se abalar. A pergunta do momento é “como dar continuidade ao trabalho?”, migrando rapidamente para “será que eu consigo?’ ou “será que eu sou bom o bastante?”. A solução, segundo Tiffany, é o sexto passo: afastar-se. Dar um tempo, livrar-se da pressão de resolver os problemas, dormir com o problema embaixo do travesseiro. Enquanto fazemos outras coisas, nosso cérebro continuará trabalhando em busca de soluções apropriadas para o problema que nos confunde.

Os quatro passos seguintes retomam o trabalho. Tiffany começa com o sanduíche do amor, uma modalidade de crítica cujo propósito não é destruir o ego de quem está sendo analisado. A técnica é simples: orientar os críticos a apontarem algo positivo do trabalho antes e depois de fazerem os comentários negativos. Sem esse sanduíche de qualidades, as críticas pesam demais e mais atrapalham do que ajudam. Em seguida, ela sugere a celebração dos pequenos avanços, indicando que nesse momento haverão muitos e que eles precisam ser reconhecidos, de modo a garantir que o esforço do trabalho continue valendo a pena. Revisitar as anotações do processo é o penúltimo passo, conferindo ideias que apareceram e foram descartadas e possíveis soluções que ainda possam ser incluídas no projeto em construção. O décimo passo é saber quando acabou, um passo fundamental quando se trata de processo criativo, já que nenhuma obra jamais está perfeita. Há um momento em que é necessário colocar a obra no mundo para seguir sua própria vida, enquanto nós partimos para o próximo palpite.

Agora que tratamos sobre como se formam as ideias, talvez alguém ainda esteja pensando que ser criativo é apenas para os outros, naquela velha impressão de que a grama do vizinho é mais colorida (enquanto a nossa é só verde). Para lidar com isso, vamos pensar sobre o que precisamos para estimular a criatividade?

O que é necessário para ser criativo?

Eu estaria mentindo se dissesse que há uma fórmula para ser criativo. Porém, isso já nos dá uma pista sobre o que significa ser criativo: escapar de fórmulas prontas, que só podem nos carregar até a repetição de ideias já testadas e praticadas anteriormente.

Ser criativo flerta com a tranquilidade para estar num ambiente sem segurança, sem certeza de que não haverá falha. A criatividade resulta de uma relação muito peculiar entre a liberdade para experimentar e a restrição das condições de produção. Por vezes, quando temos à nossa disposição todo o tempo e todas as ferramentas, falhamos em criar porque a imaginação se alimenta de problemas. Quem nunca viveu a sensação frustrante de ter pela frente uma redação ou trabalho de tema livre, em contraste com a facilidade com que se encontra soluções para exercícios com propostas específicas?

Há algumas pistas que podemos seguir se desejamos estimular a nossa criatividade. São algumas ideias que muitas vezes soam genéricas, mas que podem ser transformadas em planos e práticas cotidianos. Afinal, o aprendizado depende da experiência para não ficar preso ao universo das teorias.

A primeira pista é continuar aprendendo. Em tempos de diplomas e títulos, é fácil pensar que já descobrimos tudo o que há para saber, que conhecemos o funcionamento da mente humana, que o comportamento das massas é previsível e que a economia se explica por meio de preceitos universais. Ocorre que o saber nunca se encerra e sempre há modos de saber algo novo, algo diferente daquilo que sabíamos há apenas um minuto.

Uma sugestão: que tal aprender algo novo uma vez por dia? “Algo novo” pode ser uma palavra, um fato histórico, uma nota musical. A gente fica com medo de aprender porque aprender demora, é sempre muito grande, muito cansativo. Quero aprender a tocar violão, mas como leva muito tempo, pode ficar para amanhã. O segredo é quebrar o aprendizado em partes menores: aprender a tocar uma nota, aprender a ouvir, aprender a reproduzir. Com o tempo, tudo vai se somando e virando algo maior – exatamente como acontece com a criatividade.

Caso não saiba o que deseja aprender, experimente configurar o seu navegador para iniciar sempre com uma página aleatória da Wikipédia (basta copiar este link). Abra o dicionário e escolha uma palavra para usar durante o dia. Faça algo que ainda não sabe fazer. Quando eu queria aprender a cozinhar, comprava algum ingrediente que nunca havia usado e me forçava a descobrir maneiras de criar refeições com ele.

Uma segunda pista é estimular a curiosidade. Ser criativo tem a ver com estarmos dispostos a fazer perguntas, a estranharmos o mundo como ele nos é apresentado. A conformidade é uma das grandes inimigas do pensamento criativo, pois simplesmente aceita e deixa estar. Observe que as duas primeiras pistas caminham juntas: é a curiosidade por compreender um mundo maior do que aquilo que já conhecemos que nos propulsiona em busca de novos conhecimentos e experiências.

O que é a vontade de viajar senão a curiosidade sobre como são outros lugares, como vivem outras pessoas, quem serei eu durante e depois da viagem? Essa já é uma ideia: viajar. Porém, viajar nem sempre é uma opção acessível a qualquer momento. Um jeito, então, é vermos nosso mundo com olhos de turista e se perguntar, mesmo às coisas mais habituais, o seu porquê. Por que prédios têm porteiros? Por que casas têm janelas? Por que filhos devem obedecer aos pais? Por que as pessoas envelhecem? Cada uma dessas perguntas poderá nos levar a uma jornada de aprendizagens e descobertas, especialmente se não pararmos na primeira resposta e, como crianças desbravadoras, continuarmos perguntando “por quê?” incansavelmente.

Criatividade - Epicteto

Mais uma pista: não censurar suas ideias. Essa é particularmente difícil porque somos criados para ter medo de mudanças – e, como as pistas anteriores sugerem, a abertura ao diferente é condição para a criatividade. O que acontece quando alguém sugere uma ideia ou caminho diferente do habitual? Quem já passou por uma sala de aula, sabe: erguem-se as vaias, os xingamentos e as resistências. Nós aprendemos com isso e internalizamos essas barreiras, colocando-as no caminho de nossas próprias criações.

Para sermos mais criativos, precisamos abrir mão do medo do ridículo. Um bom exercício é convidarmos o ridículo para o que desejarmos fazer. Quer escrever um texto? Escreva o pior texto possível. Quer cantar? Cante da forma mais desafinada. Dance desengonçado. Depois, qualquer trabalho será necessariamente melhor que o anterior. Há muito poder em abraçar a falha, o erro, o equívoco.

Se já conhecemos qual é a sensação de estarmos ridículos, será mais fácil reconhecer o que tem qualidade e o que é apenas um reflexo do medo dos outros. Eis outra pista: não se concentrar no que os outros pensam. Cada pessoa tem suas próprias expectativas e necessidades frente ao mundo. Uma das principais necessidades que guiam o ser humano é a segurança, a certeza de que tudo estará bem. Essa necessidade de segurança é oposta à mudança e, portanto, condenar aqueles que buscam experiências diferentes das nossas é a nossa primeira reação.

Se somos a média das cinco pessoas com as quais passamos mais tempo, que tal nos cercarmos de pessoas e trabalhos criativos? Outras pessoas que também querem criar poderão ser menos rápidas em julgar processos inovadores e mais convidativas no sentido de acolher experimentações. Essa é talvez a pista mais difícil de implementar, porque envolve reconhecer pessoas e ambientes que nos fazem mal, que nos bloqueiam, e descobrir modos de retirá-los do nosso caminho. Às vezes, um amigo de infância pode ser uma influência ruim para o nosso processo de criação, ao ponto de termos que escolher qual dos dois é mais importante em nossa vida.

Essa, aliás, é uma questão fundamental: ser criativo depende de sermos capazes de priorizar a inventividade em detrimento do conservadorismo.

Uma última pista: desconectar-se com frequência. Nem falo da internet, embora seja mais fácil produzir sem os alertas constantes do Facebook ou as mensagens do Whatsapp. É importante apreciarmos a possibilidade de nos desconectarmos da rotina, do trabalho, dos locais que ocupamos de forma rotineira, das repetições. Se tudo o que fazemos é mais do mesmo, é improvável que sejamos capazes de reconhecer e aproveitar oportunidades para agir de modo criativo. As lentes pelas quais vemos o mundo estarão ajustadas demais à realidade que conhecemos.

Por sorte, colocar essa pista em prática é fácil. Trabalha em um escritório? Vá caminhar no parque. Tem um final de semana livre? Vá para a praia. Mal tem cinco minutinhos para si mesmo? Medite. Leia um livro. Monte um quebra-cabeças. Serve qualquer coisa que nos tire das continuidades da vida. Esse tempo desconectado servirá como adubo para a imaginação.

Os obstáculos à criatividade

É importante conhecermos caminhos que nos ajudem a alcançar maior criatividade. Contudo, convém reconhecermos os inimigos ou barreiras que enfrentamos neste processo. Falo em processo porque a criatividade não é uma habilidade pronta para ser adicionada a qualquer coisa, como um ingrediente que adicionamos a uma sopa. Criar e pensar de forma criativa são resultado de exercício constante.

Portanto, o primeiro obstáculo é não reconhecer o tempo da criação. Criar leva tempo, demanda parar, reduzir a velocidade, prestar atenção ao mundo e traduzi-lo em algo significativo, algo que tenha valor para alguém. Alimentados pelo mito do impulso criativo, podemos ignorar que até mesmo ideias precisam de tempo para amadurecerem. Ainda que o impulso inicial e aquela inspiração quase mágica sejam excelentes, o processo criativo vai além do quanto dura a inspiração.

Não é à toa que se fala em criar como sendo 10% inspiração e 90% transpiração. A criatividade não é uma resposta típica e sim fruto de muito exercício. Durante este exercício, por vezes nos desesperamos, por vezes nos excitamos. Ser criativo exige a capacidade de tolerarmos essas variações, porque elas inevitavelmente acontecerão.

Um segundo obstáculo são as interrupções. Embora o pensamento criativo não dependa de continuidade ininterrupta, toda e qualquer interrupção atrapalha o fluxo de ideias que estava sendo contemplado ou trabalhado. Ao contrário da crença popular, seres humanos não conseguem se dedicar a mais de uma atividade por vez – ao menos não com qualidade.

Uma solução simples é limitarmos as interrupções possíveis. Obviamente, não temos controle sobre tudo o que pode acontecer. Um parente pode ficar doente, a casa pode pegar fogo, nós podemos ter uma diarreia absurda. Entretanto, na maior parte das vezes, as interrupções são mais cotidianas e previsíveis: Facebook, internet, telefone, amigos etc.

Uma resistência comum a desligar-se das interrupções possíveis é que podemos perder alguma mensagem fundamental. Porém, cabe se perguntar: qual foi a última vez em que recebemos um chamado que demandasse nossa atenção imediata e cujo resultado seria alterado se demorássemos algumas horas para atender. A maior parte das pessoas dirá “nunca” ou “uma vez no século passado”.

O próximo obstáculo é a falta de interrupções. Como vimos durante os processos de elaboração de novas ideias, é necessário um momento para respirar e deixar que os pensamentos se ajeitem por conta própria. Sem esses momentos, deixaremos de irrigar nosso processo com possibilidades diferentes, distantes do trabalho que estamos realizando.

Criatividade - Confúcio

Há vários tipos de interrupções possíveis e desejáveis. Podemos parar um trabalho para fazer um lanche leve, recuperando as energias. Outra opção é tomarmos um banho, sabedores de que o relaxamento corporal resulta em relaxamento mental. Uma das minhas opções favoritas é caminhar. Enquanto caminho, observo o mundo e deixo meu cérebro lidar com as questões que me afligem sem o meu controle. Quando volto, além de estar animado por conta do exercício físico, costumo pensar mais claramente acerca dos meus problemas. Outra interrupção benéfica é o sono: por vezes, dormir é a melhor maneira de recuperarmos nossa energia e nos prepararmos para novos períodos de trabalho.

O excesso é um obstáculo poderoso, seja pelo investimento continuado na criação, seja pelas pressões para alcançar um determinado objetivo, o que produz uma sensação contínua de estresse. Como sugerido no obstáculo anterior, pausas são necessárias para que possamos aproveitar ao máximo nossa capacidade de criar.

Alguns obstáculos têm a ver com a maneira como lidamos com o nosso trabalho ou as críticas a ele. Não se levar a sério envolve a dúvida se somos bons o bastante, o que toma a forma da síndrome de impostor, uma inesgotável sensação de que logo alguém descobrirá que não somos qualificados. Por que isso afeta a criatividade? Porque a dúvida sobre o processo se interpõe entre nós e as novas ideias, que passam a parecer fracas, ruins, incompetentes ou inadequadas para solucionar os problemas que temos em mão.

Quando não nos levamos a sério, tendemos a desacreditar nas possibilidades criativas às quais temos acesso. Há casos em que fazemos comparações com outras pessoas, dizendo coisas como “eu não escrevo tão bem quanto Fulano”. Essas comparações ignoram que duas pessoas têm repertórios e práticas completamente diferentes, de modo que jamais poderiam criar as mesmas coisas. Contudo, quando não acreditamos em nosso potencial, balizamos nossos critérios para definir o que significa sucesso em referenciais externos, em modelos e exemplos do que já funcionou antes para outras pessoas. Repeti-los, porém, não nos levará a procedimentos mais criativos.

Um obstáculo semelhante é a incapacidade de receber críticas. Na escola, aprendemos que existem respostas certas e respostas erradas. Se um professor nos corrigia, isso significava que estávamos nos afastando do caminho que leva às respostas corretas. Ou seja, ser criticado era uma indicação de que deveríamos mudar. A herança desta criação direcionada para uma única resposta é a incapacidade de receber críticas. Se alguém critica nosso trabalho, parece estar criticando nossa pessoa, nossa capacidade como um todo, e isso pode gerar mal entendidos. Um trabalho com problemas não significa um profissional incapaz de prestar um bom serviço: significa nada mais que um trabalho com problemas.

O pensamento criativo prospera na variação e na capacidade de se reescrever o tempo inteiro. Se uma ideia não puder ser criticada, ela não se beneficiará da perspectiva de outras pessoas e, portanto, estará limitada à capacidade criativa de apenas um sujeito.

Isso não significa que devemos acolher todo e qualquer tipo de crítica, mas sim aprender a filtrar e acolher apenas aquelas que podem melhorar nosso trabalho. Críticas ácidas e excessivas, quando não filtradas, podem ferir o processo criativo instaurando dúvidas e autocrítica em momentos errados.

A indisciplina é um dos obstáculos que mais atrapalha o processo criativo, pois implica na falta de dedicação e esforço para a concretização de um trabalho. Criar leva tempo e demanda concentração. Se não estamos dispostos ou não conseguimos dedicar esse tempo – que costuma ser incalculável –, o resultado tende a ser a não realização do processo.

A indisciplina costuma estar associada ao trabalho criativo amador, aquele que depende de inspiração e motivação para ser feito. Contudo, a criatividade é uma habilidade que deve ser manifestada e praticada como qualquer outra. Um padeiro não faz pães apenas quando bate a inspiração. O mesmo deveria valer para os sujeitos que trabalham com a criatividade. Depender das emoções nos coloca numa montanha-russa imprevisível. Por mais que essa ideia soe atraente como figura artística e criativa incontrolável, ela também é notoriamente indigna de confiança.

O mecanismo da inovação de Tina Seelig

Recentemente, li o livro InGenius, da Tina Seelig, professora de criatividade no departamento de Design da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Neste livro, Tina defende a possibilidade de ensinar criatividade e traz uma ferramenta para localizar os possíveis pontos de interferência para inovação em qualquer contexto.

Tenho me apropriado do mecanismo de inovação (tradução livre do original innovation engine) para pensar o processo criativo de escritores, mas creio que ele aponta caminhos para observarmos qualquer tipo de processo que possa envolver criatividade, quer seja uma empresa, uma escola ou mesmo o cotidiano desligado de contextos profissionais.

O mecanismo da inovação apresenta seis elementos interligados entre si. Três deles partem do indivíduo: a atitude, o conhecimento e a imaginação. Os outros três vêm de fora, do mundo exterior: a cultura, os recursos e o habitat. A sugestão de Tina é que devemos reconhecer esses elementos para compreender de que maneira eles interferem em nossos processos criativos e modificar aqueles aos quais temos acesso. Eles não possuem uma ordem específica para serem compreendidos, uma vez que a mudança em um gera alterações nos demais, portanto é um mecanismo complexo para representar um sistema que não funciona com partes dissociadas. Tratarei individualmente de cada elemento, assim como Tina faz no livro, para fins didáticos.

O primeiro elemento é a atitude, nosso posicionamento pessoal frente ao mundo. Dependendo de como nós olhamos para o mundo, estaremos habilitados ou não a perceber possibilidades que nos favoreçam e a procurar brechas para criar. Um exemplo que Tina oferece: dois alunos queriam entrar num curso que ela ministrava, mas não havia mais vagas. Ambos mandaram e-mails comentando o desejo de participar e Tina respondeu que nas primeiras aulas sempre uma ou outra pessoa desistia. Um dos alunos mandou uma mensagem sugerindo que era sempre assim, ele nunca conseguia os cursos que desejava e que provavelmente ninguém desistiria só porque era a vez dele. A outra aluna, por sua vez, foi à aula e de fato conseguiu uma vaga. A diferença entre os dois era uma só: a segunda pessoa estava disposta a enfrentar a possibilidade de não conseguir, em vez de aceitá-la sem procurar alternativas que fizessem seus planos funcionarem.

Se acreditamos que um problema é insolúvel, nós não dedicaremos energia para resolvê-lo porque já sabemos que não há solução – acreditar é saber. E se essa é a nossa postura frente ao mundo, a probabilidade é que sejamos pouco criativos, uma vez que procurar soluções para todo o tipo de problema é parte dos elementos que compõem um pensamento criativo.

A atitude individual está conectada com a cultura na qual o sujeito foi criado e vive. No Brasil, vivemos sob a influência da religião católica, que prega sobre os perigos e pecados de acumular dinheiro. O resultado se reflete nas atitudes pessoais, que frequentemente entendem ganhar dinheiro e cobrar por serviços como algo ruim, algo que está transgredindo alguma lei moral.

Nas sociedades marcadas pela presença de igrejas protestantes, por outro lado, o dinheiro é compreendido como mérito, uma resposta divina ao esforço de um sujeito bom. Ou seja: ganhar dinheiro não é um problema e sim um objetivo a ser perseguido. Essa pequena variação de mentalidade é suficiente para produzir comportamentos bastante distintos entre pessoas marcadas por uma e outra cultura.

Criatividade - Eça de Queirós

A escola e as faculdades também influenciam a cultura, conforme criam sujeitos que esperam por respostas corretas para perguntas específicas e só conseguem trabalhar em sociedade se tiverem suas obrigações desenhadas por outras pessoas.

O terceiro elemento do mecanismo da inovação é o conhecimento, ou seja, o repertório de fatos, técnicas e saberes que o sujeito consegue acionar. Os livros que li, os países que visitei, os costumes que compreendi, tudo isso vira conhecimento e pode ser utilizado como base para fertilizar a criatividade. Quanto mais conhecimento temos – não apenas de um assunto, mas de uma ampla gama de assuntos –, maiores as chances de conectar ideias e propor inovações.

A vantagem deste elemento é que ele costuma ser o mais fácil de incrementar. Basta associá-lo aos recursos disponíveis: bibliotecas, internet, pessoas. O elemento dos recursos representa tudo aquilo que podemos utilizar para potencializar nossas ações, não apenas de forma direta. Por exemplo: ter um carro nos permite ir de um lugar a outro, mas conhecer alguém que tem um carro e poderia nos oferecer uma carona, também. Às vezes, não temos dinheiro para comprar um livro, então acessamos uma biblioteca, pedimos o livro emprestado para amigos ou pirateamos na internet.

O reconhecimento dos recursos nos auxilia a perceber que não precisamos lidar sozinhos com nenhum processo de criação. É possível reunir os recursos como medida para ampliar o que pode ser feito em qualquer caso. Salas de aula possuem recursos próprios que vão além dos óbvios. Cada aluno conhece pessoas que podem trazer novos conhecimentos para as discussões de sala de aula, professores podem acionar outros profissionais para colaborarem com o aprendizado dos estudantes e a comunidade no entorno de uma escola ou faculdade pode ser enxergada como um recurso para criar novas propostas de ensino ou de conhecimento sobre o mundo.

O quinto elemento do mecanismo da inovação é a imaginação, a nossa capacidade pessoal de transformar uma coisa em outra e elaborar alternativas para as situações às quais já estamos acostumados.

A imaginação está diretamente relacionada ao habitat, o espaço físico no qual as ideias são criadas e as experiências são vividas. Em grupos de pessoas, por exemplo, mesas tendem a concentrar pequenos círculos de interação que não se expandem ou conectam com outros círculos. Quando não há mesas, a tendência é aumentar a circulação e a troca entre grupos, pois caminhar é menos custoso do que levantar-se e sentar-se em outro espaço.

Escritórios podem ser pouco convidativos ao pensamento criativo se parecem frios, quadrados e sem referências materiais. Por isso, convém experimentar lugares diferentes para o processo criativo, seja na rua – o que oferece um contexto de acaso para o tipo de influências que interferirão no pensamento –, seja em outro cômodo da casa ou da empresa, que varie o tipo de estímulo ao qual estamos acostumados.

O habitat explica por que o banho costuma ser uma fonte rica de novas ideias: estamos relaxados e num espaço recolhido do resto do mundo, livres e protegidos de qualquer tipo de julgamento e, portanto, mais propensos a criarmos sem expectativas ou receios.

Com o mecanismo de inovação, podemos observar qualquer processo e avaliar as partes que podem ser modificadas para torná-lo mais criativo. Mas ser criativo não diz respeito apenas a encontrar novas e boas respostas. A criatividade começa com a capacidade de fazer boas perguntas.

Para ser criativo, faça perguntas melhores

Durante o artigo, procurei apontar alguns caminhos que levam a um processo mais criativo. A criatividade foi pensada como forma de propor soluções variadas e úteis a problemas. Contudo, resta uma última ferramenta: investigar a pergunta. A maneira como definimos o problema que temos em mãos vai conduzir nossa busca por soluções.

Se tento sair de casa e a porta está emperrada, meu problema pode ser “como posso destrancar a porta?”. Soluções possíveis incluem chamar um chaveiro. Se, porém, eu entendo meu problema de outra maneira, as soluções variam. “Como posso sair de casa?” me abre espaço para pensar em janelas ou em desmontar a porta. “Como posso chegar até o meu compromisso que reside atrás da porta?” me abre ainda mais as possibilidades de resposta.

Criatividade - Albert Einstein

A primeira pergunta, antes de experimentar qualquer dos processos sugeridos neste texto, é: “essa é a melhor forma de pensar sobre o meu problema?”. A partir da primeira pergunta, podemos variá-la, inventando perguntas parecidas, como no exemplo da porta.

Essa variação pode ser encontrada quando nos perguntamos por que um problema é um problema. A porta emperrou, quero abri-la. Por quê? Porque quero ir para a rua. Por quê? Porque preciso chegar até minha família. Por quê? Porque fiquei de entregar um dinheiro ainda hoje. Opa, talvez eu possa resolver isso mais rápido se fizer um depósito online e avisar por telefone, tendo mais tempo para gerenciar a porta. Descobrir o verdadeiro motivo por trás de um problema nos oferece muitas pistas sobre como solucioná-lo, por mais que estas pistas não pareçam óbvias à primeira olhada.

Este texto foi escrito a partir de um problema: como ser mais criativo? Decidi que um caminho possível – em particular, para a escrita do artigo – seria não escrever sozinho, contando com a ajuda de outras pessoas para comentarem e interferirem no texto ainda em seu processo de produção.

Minha proposta é mudarmos a maneira como vemos um texto. Ele pode ser algo pronto, finalizado, mas também pode ser algo aberto a novas interferências e recriações. Com isso em mente, pergunto: o que poderia ser modificado neste texto para que ele fosse mais instrutivo? Deixa um comentário e vamos conversar. 🙂


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escrito por:

Tales Gubes

Tales é uma raposa entre seres humanos. Escreve sobre escrever, sexualidade, educação e empreendedorismo. Criou o Ninho de Escritores para unir e ajudar outras criaturas que também curtem transformar experiências em palavras.


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