guia definitivo da criatividade

Guia definitivo da criatividade

Em Comportamento, Consciência, O MELHOR DO AZ por Tales GubesComentário

Para a edi­ção deste artigo sobre cri­a­ti­vi­dade, cola­bo­ra­ram: Felipe Novaes, Heryk Slawski, Natha­lie Lou­renço e Elisa Tri­velli.


Qual a última vez em que você foi cri­a­tivo? Pode ter sido há um ano, quando teve uma nova ideia de negó­cio; tal­vez mês pas­sado, quando deci­diu escre­ver um conto ou fazer um dese­nho; ou ainda hoje mais cedo, ao mudar um tem­pero no almoço ou per­cor­rer um cami­nho dife­rente até a pada­ria.

Qual­quer que seja a res­posta a essa per­gunta, ela car­rega uma defi­ni­ção do que sig­ni­fica cri­a­ti­vi­dade, e é sobre isso que vamos con­ver­sar neste texto para des­co­brir­mos como ampliá-la. Gosto da seguinte defi­ni­ção, na qual vou me apoiar: cri­a­ti­vi­dade é a habi­li­dade de fazer ou pen­sar algo de forma dife­rente do que cos­tuma ser feito ou pen­sado e gerar valor com isso.

Neste texto, dis­cu­ti­re­mos por que é impor­tante ser­mos mais cri­a­ti­vos, que­bra­re­mos alguns mitos que per­meiam a cri­a­ti­vi­dade, pen­sa­re­mos sobre o pro­cesso de cri­a­ção de novas ideias, ana­li­sa­re­mos o que é neces­sá­rio para esti­mu­lar a cri­a­ti­vi­dade e quais são os obs­tá­cu­los em nosso cami­nho e, por fim, apren­de­re­mos sobre o meca­nismo de ino­va­ção inven­tado por Tina See­lig e como ele pode nos aju­dar a modi­fi­car qual­quer situ­a­ção para torná-la mais cri­a­tiva.

Por que ser mais criativo? 

Na escola, aprendi a ser um bom rapaz. Isso sig­ni­fi­cava ficar sen­tado na hora de sen­tar, cami­nhar em fila quando hou­vesse filas e fazer exa­ta­mente o que era espe­rado de mim. A escola é o ambi­ente em exce­lên­cia para o desen­vol­vi­mento de bons cida­dãos, pes­soas que fun­ci­o­nam na soci­e­dade, e eu me encai­xei sem difi­cul­da­des.

Dizem que a escola pre­para para a vida, mas para qual tipo de vida? Quando ingres­sei no mes­trado, pre­ci­sei des­co­brir como desen­vol­ver minha pes­quisa sem que alguém me dis­sesse o que era certo e o que era errado. Isso se tor­nou ainda mais pre­mente quando me tor­nei pro­fes­sor e, depois, empre­en­de­dor. A vida para a qual fui pre­pa­rado não tinha nada a ver com a vida que levo hoje.

Criatividade - Alan Kay

Na escola, aprendi a des­co­brir res­pos­tas para per­gun­tas que já esta­vam dadas – e que, por­tanto, já tinham suas res­pos­tas pron­tas para serem des­co­ber­tas. Na vida, pre­ci­sei lidar com outras pes­soas, neces­si­da­des e dese­jos sem um pro­fes­sor ou um chefe para me dizer o que fazer ou criar. Pre­ci­sei encon­trar per­gun­tas para res­pon­der.

Foi nesse momento que des­co­bri a impor­tân­cia de ser cri­a­tivo e me depa­rei com uma per­gunta: é pos­sí­vel apren­der a ter mais cri­a­ti­vi­dade?

Os mitos da criatividade

Como toda ideia popu­lar, a cri­a­ti­vi­dade vive cer­cada de mitos. O mais comum deles é o mito de que algu­mas pes­soas nas­cem cri­a­ti­vas e outras não. Essa é uma vari­a­ção do mito do talento. Sem­pre que alguém fala em talento, lem­bro da seguinte his­tó­ria: após ouvir a apre­sen­ta­ção fas­ci­nante de um pia­nista, um homem vai ao músico e diz “nossa, eu daria minha vida para tocar como você”, ao que o pia­nista res­ponde “eu dei”. O que esta cena nos sugere é que o talento é uma habi­li­dade e, por­tanto, pode ser trei­nado.

O mesmo vale para a cri­a­ti­vi­dade. Ser cri­a­tivo tal­vez venha mais natu­ral­mente a algu­mas pes­soas do que outras, mas isso é muito dife­rente de algu­mas pes­soas serem cri­a­ti­vas enquanto outras não o são. A pega­di­nha está nos ver­bos ser e estar, que mui­tos idi­o­mas não dis­tin­guem (no inglês, o verbo to be, e no fran­cês, être, sig­ni­fi­cam ao mesmo tempo ser e estar). A ideia de ser alguma coisa implica que essa coisa é parte do que nos define, parte da nossa natu­reza. Já a noção de estar, por outro lado, indica uma posi­ção pas­sa­geira, um estado que pode se alte­rar a qual­quer momento.

Quando afir­ma­mos que uma pes­soa nasce cri­a­tiva, esta­mos igno­rando todo o tra­ba­lho que existe por trás da cons­tru­ção de um pen­sa­mento cri­a­tivo. O pes­qui­sa­dor e pro­fes­sor Edward de Bono, cri­a­dor do termo pen­sa­mento late­ral e da téc­nica dos seis cha­péus do pen­sa­mento, explica que o cére­bro fun­ci­ona por meio da cons­tru­ção de roti­nas e hábi­tos de per­cep­ção e com­por­ta­mento. Nós somos pro­gra­ma­dos a nos acos­tu­mar com o que inter­pre­ta­mos como sendo a melhor alter­na­tiva – e, a par­tir do momento em que acei­ta­mos o fato de que dete­mos a melhor alter­na­tiva, não há mais razão para pro­cu­rar outras.

Explo­rar alter­na­ti­vas, por­tanto, não é um com­por­ta­mento “natu­ral”, mas sim um pro­cesso que demanda esforço e inten­ção, em geral fruto de algum incô­modo. Isso nos leva a ques­ti­o­nar o mito da dis­tin­ção entre os dois lados do cére­bro: o esquerdo (aquele prá­tico e ana­lí­tico) e o direito (aquele mais poé­tico e aven­tu­reiro). Pes­qui­sas recen­tes têm apon­tado para uma lógica dife­rente, apoi­ada em dife­ren­tes tipos de cone­xões neu­rais que são ati­va­das em dis­tin­tos momen­tos do pen­sa­mento cri­a­tivo deter­mi­na­dos pelo tipo de tarefa e pela etapa do pro­cesso de cri­a­ção.

Uma abor­da­gem mais recente sobre como fun­ci­ona nosso pen­sa­mento é ofe­re­cida por Daniel Kah­ne­man no livro Rápido e Deva­gar, no qual ele explora dois sis­te­mas que orga­ni­zam o pen­sa­mento humano. O pri­meiro, cha­mado de Sis­tema 1, é rápido e apoi­ado em padrões. É o sis­tema que orga­niza nossa maneira de lidar com o mundo e nos pre­vine do des­gaste cons­tante de redes­co­brir estra­té­gias para estar neste mundo. Se eu já sei cozi­nhar macar­rão ins­tan­tâ­neo, nas pró­xi­mas vezes pre­ci­sa­rei ape­nas repe­tir o pro­cesso – o que acon­tece de forma quase incons­ci­ente (no sen­tido cog­ni­tivo, não freu­di­ano, da pala­vra “incons­ci­ente”).

Criatividade - Christoph Niemann

O Sis­tema 1 só é capaz de tra­ba­lhar com as infor­ma­ções que estão facil­mente aces­sí­veis à per­cep­ção ou à memó­ria. Para se refe­rir a isso, o autor usa a expres­são What You See Is All That Is (WYSIATI), “o que você vê é tudo o que há”. Ou seja, nos pen­sa­men­tos do Sis­tema 1, nós só con­si­de­ra­mos aquilo que está fácil de lem­brar ou de enxer­gar, ao invés de raci­o­nal­mente pon­de­rar todos os ele­men­tos pos­sí­veis para cada ques­tão.  Quando eu li a sigla, pulei a sua expli­ca­ção, pois jul­guei estar lendo uma sigla conhe­cida. Ocorre que eu con­fundi com outra sigla, pare­cida, mas bem dife­rente (WYSIWYG, What You See Is What You Get, que se refere à fide­li­dade entre o que um com­pu­ta­dor mos­tra na tela e aquilo que resulta quando impri­mi­mos, por exem­plo). Lendo rapi­da­mente, eu li o que eu já sabia, não o que estava de fato escrito.

Cabe ao Sis­tema 2 o tra­ba­lho de cons­ci­en­te­mente bus­car novas infor­ma­ções e solu­ci­o­nar pro­ble­mas com­ple­xos. Con­tudo, o Sis­tema 2 é pre­gui­çoso. Sem­pre que pos­sí­vel, delega suas ati­vi­da­des ao Sis­tema 1, que pouco é capaz de inven­tar: as res­pos­tas do Sis­tema 1 são repe­ti­ções de expe­ri­ên­cias ante­ri­o­res, como meu pró­prio exem­plo sugere. A cri­a­ti­vi­dade, enquanto capa­ci­dade de criar algo novo e com valor, vem do tra­ba­lho dili­gente do Sis­tema 2, que pre­cisa ser dis­ci­pli­nado a não aban­do­nar o pro­cesso de cri­a­ção.

O tempo, sem a menor dúvida, é um dos prin­ci­pais ingre­di­en­tes para fomen­tar o pen­sa­mento cri­a­tivo, tanto no sen­tido de redu­zir a velo­ci­dade da per­cep­ção para obser­var deta­lhes quanto na prá­tica de reser­var um espaço na agenda para que a cri­a­ção acon­teça. Isso sig­ni­fica que o mito da cri­a­ti­vi­dade como ins­pi­ra­ção pre­cisa ser dei­xado de lado em favor do tra­ba­lho cons­ci­ente e pro­fis­si­o­nal.

Há muito de beleza em se ima­gi­nar o pen­sa­mento cri­a­tivo como uma forma de mágica que ins­pira os seres huma­nos a desen­vol­ve­rem obras mag­ní­fi­cas, mas essa ideia mais uma vez outorga a res­pon­sa­bi­li­dade a outras enti­da­des. Essa é uma estra­té­gia que, se usada de forma cons­ci­ente, pode ser útil para ame­ni­zar as pres­sões do tra­ba­lho cri­a­tivo, mas cor­re­mos o risco de acre­di­tar que o pen­sa­mento cri­a­tivo é um pre­sente e inde­pende de nós.

O mito do cri­a­dor indi­vi­dual tam­bém pre­cisa ser ques­ti­o­nado: novas ideias vêm da cone­xão entre ideias ante­ri­o­res e, por­tanto, quanto mais, melhor. Esse é o fun­da­mento do livro Roube como um Artista, de Aus­tin Kleon, e tam­bém da rotina de gran­des estú­dios, como a Pixar. Esse tam­bém é o fun­da­mento deste texto, cuja cons­tru­ção está sendo feita a incon­tá­veis olhos e mãos, aco­lhendo cola­bo­ra­ções espon­tâ­neas de lei­to­res inte­res­sa­dos – que, ao inte­ra­gi­rem, tor­nam-se coes­cri­to­res, par­cei­ros de cri­a­ção.

A lite­ra­tura e o cinema ten­dem a apon­tar muito bem esse mito: enquanto as obras de lite­ra­tura cos­tu­mam resul­tar do tra­ba­lho de um único autor, os fil­mes são pro­du­ções cole­ti­vas, con­tando com dire­to­res, rotei­ris­tas, ato­res, ilu­mi­na­do­res, dublês, maqui­a­do­res etc. A natu­reza com­plexa do tra­ba­lho cri­a­tivo fica mais evi­dente quando depen­de­mos de um exér­cito para exe­cutá-lo.

Por fim, há um mito que desa­fia dire­ta­mente a pro­posta deste artigo: o mito de que cri­a­ti­vi­dade não pode ser ensi­nada. Trata-se de nada mais que uma vari­a­ção dos mitos ante­ri­o­res, mas sugere que o des­tino de quem não é ou não se con­si­dera cri­a­tivo é a resig­na­ção, a pas­si­vi­dade frente às mudan­ças pos­sí­veis. Crer que o pen­sa­mento cri­a­tivo não pode ser ensi­nado é negar a auto­no­mia para cons­truir os pró­prios cami­nhos – auto­no­mia essa que, por si só, já é sinal de cri­a­ti­vi­dade.

Ade­mais, se acre­di­ta­mos que cri­a­ti­vi­dade não pode ser ensi­nada ou apren­dida, acei­ta­mos uma pro­fe­cia autor­re­a­li­zada: se não é pos­sí­vel, não ten­ta­rei, se não tento, não é pos­sí­vel. Para que­brar esse mito, é neces­sá­rio com­pre­en­der­mos o pro­cesso pelo qual cons­truí­mos novas ideias.

De onde vêm as ideias

Apren­der a ser mais cri­a­tivo é como apren­der um novo idi­oma. De iní­cio, pode pare­cer com­pli­cado por­que tudo o que vemos, lemos e pen­sa­mos remete ao que já conhe­ce­mos em nossa lín­gua materna. Com o tempo, porém, come­ça­mos a com­pre­en­der as eta­pas que con­du­zem à cri­a­ção de novas ideias. É a pos­si­bi­li­dade de repro­du­zir essas eta­pas que nos inte­ressa.

Se con­si­de­rar­mos a cri­a­ti­vi­dade como a habi­li­dade de criar novas com­bi­na­ções entre ele­men­tos, vere­mos que o pen­sa­mento cri­a­tivo nada mais é do que a habi­li­dade de per­ce­ber ou esta­be­le­cer rela­ções. Pode­mos enxer­gar liga­ções mesmo entre ele­men­tos que apa­ren­te­mente não pos­suem rela­ção alguma entre si.

Expe­ri­mente se per­gun­tar: o que um ele­fante tem em comum com um com­pu­ta­dor? O que uma melan­cia e uma nuvem com­par­ti­lham de seme­lhan­ças? Está com difi­cul­dade de encon­trar esses para­le­los? Então invente-os! O impor­tante nesse tipo de exer­cí­cio não é estar certo, mas sim ser capaz de ela­bo­rar solu­ções alter­na­ti­vas.

Às vezes, uma fer­ra­menta útil é pro­cu­rar o oposto daquilo que que­re­mos (no dese­nho, isso é cha­mado de enxer­gar o espaço nega­tivo). Essa téc­nica nos ofe­rece os con­tor­nos para com­pre­en­der­mos aquilo que esta­mos pro­cu­rando. No caso do ele­fante e do com­pu­ta­dor, o que eles têm de dife­rente entre si? Con­forme mape­ar­mos as dife­ren­ças, tudo o que sobrará serão as seme­lhan­ças.

Inde­pen­den­te­mente do pro­blema que tiver­mos em mãos, há qua­tro fases no pro­cesso de ela­bo­rar uma nova ideia: a pre­pa­ra­ção, a incu­ba­ção, a ilu­mi­na­ção e a veri­fi­ca­ção. Esses pas­sos não são um mapa que pode ser seguido para a cons­tru­ção de novas ideias e sim um modelo didá­tico para com­pre­en­der­mos como fun­ci­ona o nosso pen­sar.

Na fase de pre­pa­ra­ção, nós con­su­mi­mos con­teú­dos. Essa fase pode acon­te­cer tanto de forma cons­ci­ente, com pes­qui­sas e estu­dos dire­ci­o­na­dos para um tópico espe­cí­fico, como incons­ci­ente, com a absor­ção de refe­rên­cias no dia a dia. Tudo pode virar refe­rên­cia para ideias futu­ras, con­tanto que seja mar­cante o bas­tante para nos cau­sar uma impres­são dura­doura.

Comer­cial de tele­vi­são, livro, filme, revista em qua­dri­nho, música, con­versa, pin­tura, escul­tura, dança, corpo, roupa, cor, arqui­te­tura, culi­ná­ria, aquela pes­soa linda e per­fu­mada que pas­sou por nós no ôni­bus: qual­quer coisa pode virar um ele­mento na baga­gem cul­tu­ral de sujei­tos pen­san­tes.

Criativiade - Chuck Close

Houve um tempo em que eu não que­ria estu­dar, apren­der fatos his­tó­ri­cos ou geo­grá­fi­cos. No final dos anos 1990, a inter­net vinha sur­gindo como uma alter­na­tiva para a aqui­si­ção de conhe­ci­mento e pare­cia ser sufi­ci­ente saber como che­gar à infor­ma­ção. O que eu não sabia, na época, é que saber che­gar à infor­ma­ção é tão impor­tante quanto ter infor­ma­ção para saber o que pro­cu­rar. E isso não é tão fácil de achar na inter­net.

Pode­mos usar uma metá­fora culi­ná­ria: o período de pre­pa­ra­ção é aquele no qual sepa­ra­mos os ingre­di­en­tes da nossa refei­ção. Posso muito bem saber que exis­tem diver­sos tipos de pimenta, mas é a expe­ri­ên­cia com cada uma delas que vai me suge­rir o que e quando uti­li­zar. Claro, posso pes­qui­sar na hora e ten­tar pre­pa­rar a par­tir daí, mas aumenta a pro­ba­bi­li­dade da minha refeição/ideia ser nada mais do de uma repe­ti­ção do que já existe.

Durante a fase seguinte, de incu­ba­ção, o conhe­ci­mento guar­dado se mis­tura. É nesse momento que os ingre­di­en­tes sele­ci­o­na­dos (ou encon­tra­dos aci­den­tal­mente na des­pensa de casa) come­çam a atuar em con­junto. Todos os refe­ren­ci­ais que pes­qui­sa­mos ou obser­va­mos durante a fase ante­rior se arti­cu­lam para a pro­du­ção de novas ideias.

Mais uma vez, essa fase pode ser vivida de forma cons­ci­ente e pla­ne­jada ou de modo incons­ci­ente, no fundo dos nos­sos pen­sa­men­tos. Exis­tem téc­ni­cas que podem ser apli­ca­das para ampliar o número de ideias, como a prá­tica do brains­tor­ming.

A fase da ilu­mi­na­ção é resul­tado do pro­ces­sa­mento incons­ci­ente de tudo o que pro­ces­sa­mos e indica o momento em que as rela­ções cons­truí­das explo­dem na forma de uma ideia. É a hora do “a-ha”, do “eureka”, quando a ideia surge e parece que nos assalta do coti­di­ano.

Mui­tas vezes, pen­sa­mos essa ideia como sendo resul­tado de uma ins­pi­ra­ção mágica. É a fase da ilu­mi­na­ção a grande res­pon­sá­vel pelos mitos do gênio cri­a­tivo e do talento. Quando uma ideia “apa­rece” sem aviso, somos leva­dos a pen­sar que ela é um pre­sente divino, ao invés de a con­sequên­cia de um pro­cesso ante­rior de garimpo de infor­ma­ções e seu pro­ces­sa­mento.

Boas ideias sur­gem para quem está no mundo colhendo refe­rên­cias e lidando com diver­sos tipos de pro­ble­mas e solu­ções pos­sí­veis. Esse “estar no mundo” é essen­cial tam­bém para a quarta fase do pro­cesso de cri­a­ção de novas ideias: a veri­fi­ca­ção. Depois que uma ideia é con­ce­bida, na fase de ilu­mi­na­ção, é o momento de colocá-la frente às neces­si­da­des reais do mundo, ou seja, con­si­de­rar se ela tem con­di­ções de ofe­re­cer solu­ções aos pro­ble­mas pre­sen­tes e se ofe­rece alter­na­ti­vas melho­res das que já temos, além de veri­fi­car­mos se é pos­sí­vel de ser exe­cu­tada.

Em nossa metá­fora culi­ná­ria, a fase da veri­fi­ca­ção é o ins­tante no qual ser­vi­mos a refei­ção e ela passa a ser ava­li­ada tanto quanto à sua esté­tica quanto à efi­ci­ên­cia em resol­ver nosso pro­blema: a fome (ou, às vezes, a gula). Um pão com man­teiga pode ser uma solu­ção efi­ci­ente para o café da manhã, mas pro­va­vel­mente dei­xará a dese­jar no horá­rio do almoço.

A cine­asta Tif­fany Shlain amplia as qua­tro eta­pas para dez pas­sos, obser­vando outras eta­pas comuns ao pro­cesso cri­a­tivo. Para ela, o pri­meiro passo é o pal­pite, aquela coça­di­nha no inte­lecto de que há algo a ser des­co­berto ou inven­tado, ou tal­vez o encon­tro com um pro­blema que pre­cisa ser resol­vido. É um incô­modo que nos põe em movi­mento. O passo seguinte é falar a res­peito, ver­ba­li­zando (ou escre­vendo) o pro­blema e as ins­pi­ra­ções ini­ci­ais. Ao colo­car­mos no mundo, tor­na­mos real aquilo com o que dese­ja­mos lidar e come­ça­mos a ter retorno de outras pes­soas. Esse retorno é ampli­ado na fase da esponja, ou seja, da absor­ção de todo e qual­quer con­teúdo refe­rente ao que esta­mos bus­cando. Lemos, estu­da­mos, pes­qui­sa­mos, inves­ti­ga­mos outras solu­ções para pro­ble­mas pare­ci­dos e, com isso, ela­bo­ra­mos uma base de refe­rên­cias a par­tir da qual obser­var nosso pro­blema.

O quarto passo é cons­truir. Seja um texto, um filme, um plano de aula, um qua­dro, uma core­o­gra­fia etc., o passo da cons­tru­ção é fun­da­men­tal. Se ficar­mos ape­nas no pal­pite, nas con­ver­sas a res­peito do tema e na esponja, jamais dare­mos segui­mento ao pro­cesso cri­a­tivo – que, por defi­ni­ção, exige que algo seja cri­ado. O passo seguinte é um dos mais odi­a­dos e, infe­liz­mente, cos­tuma ser o ponto de parada para mui­tas pes­soas: con­fu­são. É o momento em que nada parece bom, o tra­ba­lho perde o sen­tido e pas­sa­mos a duvi­dar da nossa pró­pria qua­li­dade como cri­a­do­res. Este é um período muito sen­sí­vel para quem cria, pois nossa con­fi­ança tende a se aba­lar. A per­gunta do momento é “como dar con­ti­nui­dade ao tra­ba­lho?”, migrando rapi­da­mente para “será que eu con­sigo?’ ou “será que eu sou bom o bas­tante?”. A solu­ção, segundo Tif­fany, é o sexto passo: afas­tar-se. Dar um tempo, livrar-se da pres­são de resol­ver os pro­ble­mas, dor­mir com o pro­blema embaixo do tra­ves­seiro. Enquanto faze­mos outras coi­sas, nosso cére­bro con­ti­nu­ará tra­ba­lhando em busca de solu­ções apro­pri­a­das para o pro­blema que nos con­funde.

Os qua­tro pas­sos seguin­tes reto­mam o tra­ba­lho. Tif­fany começa com o san­duí­che do amor, uma moda­li­dade de crí­tica cujo pro­pó­sito não é des­truir o ego de quem está sendo ana­li­sado. A téc­nica é sim­ples: ori­en­tar os crí­ti­cos a apon­ta­rem algo posi­tivo do tra­ba­lho antes e depois de faze­rem os comen­tá­rios nega­ti­vos. Sem esse san­duí­che de qua­li­da­des, as crí­ti­cas pesam demais e mais atra­pa­lham do que aju­dam. Em seguida, ela sugere a cele­bra­ção dos peque­nos avan­ços, indi­cando que nesse momento have­rão mui­tos e que eles pre­ci­sam ser reco­nhe­ci­dos, de modo a garan­tir que o esforço do tra­ba­lho con­ti­nue valendo a pena. Revi­si­tar as ano­ta­ções do pro­cesso é o penúl­timo passo, con­fe­rindo ideias que apa­re­ce­ram e foram des­car­ta­das e pos­sí­veis solu­ções que ainda pos­sam ser incluí­das no pro­jeto em cons­tru­ção. O décimo passo é saber quando aca­bou, um passo fun­da­men­tal quando se trata de pro­cesso cri­a­tivo, já que nenhuma obra jamais está per­feita. Há um momento em que é neces­sá­rio colo­car a obra no mundo para seguir sua pró­pria vida, enquanto nós par­ti­mos para o pró­ximo pal­pite.

Agora que tra­ta­mos sobre como se for­mam as ideias, tal­vez alguém ainda esteja pen­sando que ser cri­a­tivo é ape­nas para os outros, naquela velha impres­são de que a grama do vizi­nho é mais colo­rida (enquanto a nossa é só verde). Para lidar com isso, vamos pen­sar sobre o que pre­ci­sa­mos para esti­mu­lar a cri­a­ti­vi­dade?

O que é necessário para ser criativo?

Eu esta­ria men­tindo se dis­sesse que há uma fór­mula para ser cri­a­tivo. Porém, isso já nos dá uma pista sobre o que sig­ni­fica ser cri­a­tivo: esca­par de fór­mu­las pron­tas, que só podem nos car­re­gar até a repe­ti­ção de ideias já tes­ta­das e pra­ti­ca­das ante­ri­or­mente.

Ser cri­a­tivo flerta com a tran­qui­li­dade para estar num ambi­ente sem segu­rança, sem cer­teza de que não haverá falha. A cri­a­ti­vi­dade resulta de uma rela­ção muito pecu­liar entre a liber­dade para expe­ri­men­tar e a res­tri­ção das con­di­ções de pro­du­ção. Por vezes, quando temos à nossa dis­po­si­ção todo o tempo e todas as fer­ra­men­tas, falha­mos em criar por­que a ima­gi­na­ção se ali­menta de pro­ble­mas. Quem nunca viveu a sen­sa­ção frus­trante de ter pela frente uma reda­ção ou tra­ba­lho de tema livre, em con­traste com a faci­li­dade com que se encon­tra solu­ções para exer­cí­cios com pro­pos­tas espe­cí­fi­cas?

Há algu­mas pis­tas que pode­mos seguir se dese­ja­mos esti­mu­lar a nossa cri­a­ti­vi­dade. São algu­mas ideias que mui­tas vezes soam gené­ri­cas, mas que podem ser trans­for­ma­das em pla­nos e prá­ti­cas coti­di­a­nos. Afi­nal, o apren­di­zado depende da expe­ri­ên­cia para não ficar preso ao uni­verso das teo­rias.

A pri­meira pista é con­ti­nuar apren­dendo. Em tem­pos de diplo­mas e títu­los, é fácil pen­sar que já des­co­bri­mos tudo o que há para saber, que conhe­ce­mos o fun­ci­o­na­mento da mente humana, que o com­por­ta­mento das mas­sas é pre­vi­sí­vel e que a eco­no­mia se explica por meio de pre­cei­tos uni­ver­sais. Ocorre que o saber nunca se encerra e sem­pre há modos de saber algo novo, algo dife­rente daquilo que sabía­mos há ape­nas um minuto.

Uma suges­tão: que tal apren­der algo novo uma vez por dia? “Algo novo” pode ser uma pala­vra, um fato his­tó­rico, uma nota musi­cal. A gente fica com medo de apren­der por­que apren­der demora, é sem­pre muito grande, muito can­sa­tivo. Quero apren­der a tocar vio­lão, mas como leva muito tempo, pode ficar para ama­nhã. O segredo é que­brar o apren­di­zado em par­tes meno­res: apren­der a tocar uma nota, apren­der a ouvir, apren­der a repro­du­zir. Com o tempo, tudo vai se somando e virando algo maior – exa­ta­mente como acon­tece com a cri­a­ti­vi­dade.

Caso não saiba o que deseja apren­der, expe­ri­mente con­fi­gu­rar o seu nave­ga­dor para ini­ciar sem­pre com uma página ale­a­tó­ria da Wiki­pé­dia (basta copiar este link). Abra o dici­o­ná­rio e esco­lha uma pala­vra para usar durante o dia. Faça algo que ainda não sabe fazer. Quando eu que­ria apren­der a cozi­nhar, com­prava algum ingre­di­ente que nunca havia usado e me for­çava a des­co­brir manei­ras de criar refei­ções com ele.

Uma segunda pista é esti­mu­lar a curi­o­si­dade. Ser cri­a­tivo tem a ver com estar­mos dis­pos­tos a fazer per­gun­tas, a estra­nhar­mos o mundo como ele nos é apre­sen­tado. A con­for­mi­dade é uma das gran­des ini­mi­gas do pen­sa­mento cri­a­tivo, pois sim­ples­mente aceita e deixa estar. Observe que as duas pri­mei­ras pis­tas cami­nham jun­tas: é a curi­o­si­dade por com­pre­en­der um mundo maior do que aquilo que já conhe­ce­mos que nos pro­pul­si­ona em busca de novos conhe­ci­men­tos e expe­ri­ên­cias.

O que é a von­tade de via­jar senão a curi­o­si­dade sobre como são outros luga­res, como vivem outras pes­soas, quem serei eu durante e depois da via­gem? Essa já é uma ideia: via­jar. Porém, via­jar nem sem­pre é uma opção aces­sí­vel a qual­quer momento. Um jeito, então, é ver­mos nosso mundo com olhos de turista e se per­gun­tar, mesmo às coi­sas mais habi­tu­ais, o seu porquê. Por que pré­dios têm por­tei­ros? Por que casas têm jane­las? Por que filhos devem obe­de­cer aos pais? Por que as pes­soas enve­lhe­cem? Cada uma des­sas per­gun­tas poderá nos levar a uma jor­nada de apren­di­za­gens e des­co­ber­tas, espe­ci­al­mente se não parar­mos na pri­meira res­posta e, como cri­an­ças des­bra­va­do­ras, con­ti­nu­ar­mos per­gun­tando “por quê?” incan­sa­vel­mente.

Criatividade - Epicteto

Mais uma pista: não cen­su­rar suas ideias. Essa é par­ti­cu­lar­mente difí­cil por­que somos cri­a­dos para ter medo de mudan­ças – e, como as pis­tas ante­ri­o­res suge­rem, a aber­tura ao dife­rente é con­di­ção para a cri­a­ti­vi­dade. O que acon­tece quando alguém sugere uma ideia ou cami­nho dife­rente do habi­tual? Quem já pas­sou por uma sala de aula, sabe: erguem-se as vaias, os xin­ga­men­tos e as resis­tên­cias. Nós apren­de­mos com isso e inter­na­li­za­mos essas bar­rei­ras, colo­cando-as no cami­nho de nos­sas pró­prias cri­a­ções.

Para ser­mos mais cri­a­ti­vos, pre­ci­sa­mos abrir mão do medo do ridí­culo. Um bom exer­cí­cio é con­vi­dar­mos o ridí­culo para o que dese­jar­mos fazer. Quer escre­ver um texto? Escreva o pior texto pos­sí­vel. Quer can­tar? Cante da forma mais desa­fi­nada. Dance desen­gon­çado. Depois, qual­quer tra­ba­lho será neces­sa­ri­a­mente melhor que o ante­rior. Há muito poder em abra­çar a falha, o erro, o equí­voco.

Se já conhe­ce­mos qual é a sen­sa­ção de estar­mos ridí­cu­los, será mais fácil reco­nhe­cer o que tem qua­li­dade e o que é ape­nas um reflexo do medo dos outros. Eis outra pista: não se con­cen­trar no que os outros pen­sam. Cada pes­soa tem suas pró­prias expec­ta­ti­vas e neces­si­da­des frente ao mundo. Uma das prin­ci­pais neces­si­da­des que guiam o ser humano é a segu­rança, a cer­teza de que tudo estará bem. Essa neces­si­dade de segu­rança é oposta à mudança e, por­tanto, con­de­nar aque­les que bus­cam expe­ri­ên­cias dife­ren­tes das nos­sas é a nossa pri­meira rea­ção.

Se somos a média das cinco pes­soas com as quais pas­sa­mos mais tempo, que tal nos cer­car­mos de pes­soas e tra­ba­lhos cri­a­ti­vos? Outras pes­soas que tam­bém que­rem criar pode­rão ser menos rápi­das em jul­gar pro­ces­sos ino­va­do­res e mais con­vi­da­ti­vas no sen­tido de aco­lher expe­ri­men­ta­ções. Essa é tal­vez a pista mais difí­cil de imple­men­tar, por­que envolve reco­nhe­cer pes­soas e ambi­en­tes que nos fazem mal, que nos blo­queiam, e des­co­brir modos de retirá-los do nosso cami­nho. Às vezes, um amigo de infân­cia pode ser uma influên­cia ruim para o nosso pro­cesso de cri­a­ção, ao ponto de ter­mos que esco­lher qual dos dois é mais impor­tante em nossa vida.

Essa, aliás, é uma ques­tão fun­da­men­tal: ser cri­a­tivo depende de ser­mos capa­zes de pri­o­ri­zar a inven­ti­vi­dade em detri­mento do con­ser­va­do­rismo.

Uma última pista: des­co­nec­tar-se com frequên­cia. Nem falo da inter­net, embora seja mais fácil pro­du­zir sem os aler­tas cons­tan­tes do Face­book ou as men­sa­gens do What­sapp. É impor­tante apre­ci­ar­mos a pos­si­bi­li­dade de nos des­co­nec­tar­mos da rotina, do tra­ba­lho, dos locais que ocu­pa­mos de forma roti­neira, das repe­ti­ções. Se tudo o que faze­mos é mais do mesmo, é impro­vá­vel que seja­mos capa­zes de reco­nhe­cer e apro­vei­tar opor­tu­ni­da­des para agir de modo cri­a­tivo. As len­tes pelas quais vemos o mundo esta­rão ajus­ta­das demais à rea­li­dade que conhe­ce­mos.

Por sorte, colo­car essa pista em prá­tica é fácil. Tra­ba­lha em um escri­tó­rio? Vá cami­nhar no par­que. Tem um final de semana livre? Vá para a praia. Mal tem cinco minu­ti­nhos para si mesmo? Medite. Leia um livro. Monte um que­bra-cabe­ças. Serve qual­quer coisa que nos tire das con­ti­nui­da­des da vida. Esse tempo des­co­nec­tado ser­virá como adubo para a ima­gi­na­ção.

Os obstáculos à criatividade

É impor­tante conhe­cer­mos cami­nhos que nos aju­dem a alcan­çar maior cri­a­ti­vi­dade. Con­tudo, con­vém reco­nhe­cer­mos os ini­mi­gos ou bar­rei­ras que enfren­ta­mos neste pro­cesso. Falo em pro­cesso por­que a cri­a­ti­vi­dade não é uma habi­li­dade pronta para ser adi­ci­o­nada a qual­quer coisa, como um ingre­di­ente que adi­ci­o­na­mos a uma sopa. Criar e pen­sar de forma cri­a­tiva são resul­tado de exer­cí­cio cons­tante.

Por­tanto, o pri­meiro obs­tá­culo é não reco­nhe­cer o tempo da cri­a­ção. Criar leva tempo, demanda parar, redu­zir a velo­ci­dade, pres­tar aten­ção ao mundo e tra­duzi-lo em algo sig­ni­fi­ca­tivo, algo que tenha valor para alguém. Ali­men­ta­dos pelo mito do impulso cri­a­tivo, pode­mos igno­rar que até mesmo ideias pre­ci­sam de tempo para ama­du­re­ce­rem. Ainda que o impulso ini­cial e aquela ins­pi­ra­ção quase mágica sejam exce­len­tes, o pro­cesso cri­a­tivo vai além do quanto dura a ins­pi­ra­ção.

Não é à toa que se fala em criar como sendo 10% ins­pi­ra­ção e 90% trans­pi­ra­ção. A cri­a­ti­vi­dade não é uma res­posta típica e sim fruto de muito exer­cí­cio. Durante este exer­cí­cio, por vezes nos deses­pe­ra­mos, por vezes nos exci­ta­mos. Ser cri­a­tivo exige a capa­ci­dade de tole­rar­mos essas vari­a­ções, por­que elas ine­vi­ta­vel­mente acon­te­ce­rão.

Um segundo obs­tá­culo são as inter­rup­ções. Embora o pen­sa­mento cri­a­tivo não dependa de con­ti­nui­dade inin­ter­rupta, toda e qual­quer inter­rup­ção atra­pa­lha o fluxo de ideias que estava sendo con­tem­plado ou tra­ba­lhado. Ao con­trá­rio da crença popu­lar, seres huma­nos não con­se­guem se dedi­car a mais de uma ati­vi­dade por vez – ao menos não com qua­li­dade.

Uma solu­ção sim­ples é limi­tar­mos as inter­rup­ções pos­sí­veis. Obvi­a­mente, não temos con­trole sobre tudo o que pode acon­te­cer. Um parente pode ficar doente, a casa pode pegar fogo, nós pode­mos ter uma diar­reia absurda. Entre­tanto, na maior parte das vezes, as inter­rup­ções são mais coti­di­a­nas e pre­vi­sí­veis: Face­book, inter­net, tele­fone, ami­gos etc.

Uma resis­tên­cia comum a des­li­gar-se das inter­rup­ções pos­sí­veis é que pode­mos per­der alguma men­sa­gem fun­da­men­tal. Porém, cabe se per­gun­tar: qual foi a última vez em que rece­be­mos um cha­mado que deman­dasse nossa aten­ção ime­di­ata e cujo resul­tado seria alte­rado se demo­rás­se­mos algu­mas horas para aten­der. A maior parte das pes­soas dirá “nunca” ou “uma vez no século pas­sado”.

O pró­ximo obs­tá­culo é a falta de inter­rup­ções. Como vimos durante os pro­ces­sos de ela­bo­ra­ção de novas ideias, é neces­sá­rio um momento para res­pi­rar e dei­xar que os pen­sa­men­tos se ajei­tem por conta pró­pria. Sem esses momen­tos, dei­xa­re­mos de irri­gar nosso pro­cesso com pos­si­bi­li­da­des dife­ren­tes, dis­tan­tes do tra­ba­lho que esta­mos rea­li­zando.

Criatividade - Confúcio

Há vários tipos de inter­rup­ções pos­sí­veis e dese­já­veis. Pode­mos parar um tra­ba­lho para fazer um lan­che leve, recu­pe­rando as ener­gias. Outra opção é tomar­mos um banho, sabe­do­res de que o rela­xa­mento cor­po­ral resulta em rela­xa­mento men­tal. Uma das minhas opções favo­ri­tas é cami­nhar. Enquanto cami­nho, observo o mundo e deixo meu cére­bro lidar com as ques­tões que me afli­gem sem o meu con­trole. Quando volto, além de estar ani­mado por conta do exer­cí­cio físico, cos­tumo pen­sar mais cla­ra­mente acerca dos meus pro­ble­mas. Outra inter­rup­ção bené­fica é o sono: por vezes, dor­mir é a melhor maneira de recu­pe­rar­mos nossa ener­gia e nos pre­pa­rar­mos para novos perío­dos de tra­ba­lho.

O excesso é um obs­tá­culo pode­roso, seja pelo inves­ti­mento con­ti­nu­ado na cri­a­ção, seja pelas pres­sões para alcan­çar um deter­mi­nado obje­tivo, o que pro­duz uma sen­sa­ção con­tí­nua de estresse. Como suge­rido no obs­tá­culo ante­rior, pau­sas são neces­sá­rias para que pos­sa­mos apro­vei­tar ao máximo nossa capa­ci­dade de criar.

Alguns obs­tá­cu­los têm a ver com a maneira como lida­mos com o nosso tra­ba­lho ou as crí­ti­cas a ele. Não se levar a sério envolve a dúvida se somos bons o bas­tante, o que toma a forma da sín­drome de impos­tor, uma ines­go­tá­vel sen­sa­ção de que logo alguém des­co­brirá que não somos qua­li­fi­ca­dos. Por que isso afeta a cri­a­ti­vi­dade? Por­que a dúvida sobre o pro­cesso se inter­põe entre nós e as novas ideias, que pas­sam a pare­cer fra­cas, ruins, incom­pe­ten­tes ou ina­de­qua­das para solu­ci­o­nar os pro­ble­mas que temos em mão.

Quando não nos leva­mos a sério, ten­de­mos a desa­cre­di­tar nas pos­si­bi­li­da­des cri­a­ti­vas às quais temos acesso. Há casos em que faze­mos com­pa­ra­ções com outras pes­soas, dizendo coi­sas como “eu não escrevo tão bem quanto Fulano”. Essas com­pa­ra­ções igno­ram que duas pes­soas têm reper­tó­rios e prá­ti­cas com­ple­ta­mente dife­ren­tes, de modo que jamais pode­riam criar as mes­mas coi­sas. Con­tudo, quando não acre­di­ta­mos em nosso poten­cial, bali­za­mos nos­sos cri­té­rios para defi­nir o que sig­ni­fica sucesso em refe­ren­ci­ais exter­nos, em mode­los e exem­plos do que já fun­ci­o­nou antes para outras pes­soas. Repeti-los, porém, não nos levará a pro­ce­di­men­tos mais cri­a­ti­vos.

Um obs­tá­culo seme­lhante é a inca­pa­ci­dade de rece­ber crí­ti­cas. Na escola, apren­de­mos que exis­tem res­pos­tas cer­tas e res­pos­tas erra­das. Se um pro­fes­sor nos cor­ri­gia, isso sig­ni­fi­cava que está­va­mos nos afas­tando do cami­nho que leva às res­pos­tas cor­re­tas. Ou seja, ser cri­ti­cado era uma indi­ca­ção de que deve­ría­mos mudar. A herança desta cri­a­ção dire­ci­o­nada para uma única res­posta é a inca­pa­ci­dade de rece­ber crí­ti­cas. Se alguém cri­tica nosso tra­ba­lho, parece estar cri­ti­cando nossa pes­soa, nossa capa­ci­dade como um todo, e isso pode gerar mal enten­di­dos. Um tra­ba­lho com pro­ble­mas não sig­ni­fica um pro­fis­si­o­nal inca­paz de pres­tar um bom ser­viço: sig­ni­fica nada mais que um tra­ba­lho com pro­ble­mas.

O pen­sa­mento cri­a­tivo pros­pera na vari­a­ção e na capa­ci­dade de se rees­cre­ver o tempo inteiro. Se uma ideia não puder ser cri­ti­cada, ela não se bene­fi­ci­ará da pers­pec­tiva de outras pes­soas e, por­tanto, estará limi­tada à capa­ci­dade cri­a­tiva de ape­nas um sujeito.

Isso não sig­ni­fica que deve­mos aco­lher todo e qual­quer tipo de crí­tica, mas sim apren­der a fil­trar e aco­lher ape­nas aque­las que podem melho­rar nosso tra­ba­lho. Crí­ti­cas áci­das e exces­si­vas, quando não fil­tra­das, podem ferir o pro­cesso cri­a­tivo ins­tau­rando dúvi­das e auto­crí­tica em momen­tos erra­dos.

A indis­ci­plina é um dos obs­tá­cu­los que mais atra­pa­lha o pro­cesso cri­a­tivo, pois implica na falta de dedi­ca­ção e esforço para a con­cre­ti­za­ção de um tra­ba­lho. Criar leva tempo e demanda con­cen­tra­ção. Se não esta­mos dis­pos­tos ou não con­se­gui­mos dedi­car esse tempo – que cos­tuma ser incal­cu­lá­vel –, o resul­tado tende a ser a não rea­li­za­ção do pro­cesso.

A indis­ci­plina cos­tuma estar asso­ci­ada ao tra­ba­lho cri­a­tivo ama­dor, aquele que depende de ins­pi­ra­ção e moti­va­ção para ser feito. Con­tudo, a cri­a­ti­vi­dade é uma habi­li­dade que deve ser mani­fes­tada e pra­ti­cada como qual­quer outra. Um padeiro não faz pães ape­nas quando bate a ins­pi­ra­ção. O mesmo deve­ria valer para os sujei­tos que tra­ba­lham com a cri­a­ti­vi­dade. Depen­der das emo­ções nos coloca numa mon­ta­nha-russa impre­vi­sí­vel. Por mais que essa ideia soe atra­ente como figura artís­tica e cri­a­tiva incon­tro­lá­vel, ela tam­bém é noto­ri­a­mente indigna de con­fi­ança.

O mecanismo da inovação de Tina Seelig

Recen­te­mente, li o livro InGe­nius, da Tina See­lig, pro­fes­sora de cri­a­ti­vi­dade no depar­ta­mento de Design da Uni­ver­si­dade de Stan­ford, nos Esta­dos Uni­dos. Neste livro, Tina defende a pos­si­bi­li­dade de ensi­nar cri­a­ti­vi­dade e traz uma fer­ra­menta para loca­li­zar os pos­sí­veis pon­tos de inter­fe­rên­cia para ino­va­ção em qual­quer con­texto.

Tenho me apro­pri­ado do meca­nismo de ino­va­ção (tra­du­ção livre do ori­gi­nal inno­va­tion engine) para pen­sar o pro­cesso cri­a­tivo de escri­to­res, mas creio que ele aponta cami­nhos para obser­var­mos qual­quer tipo de pro­cesso que possa envol­ver cri­a­ti­vi­dade, quer seja uma empresa, uma escola ou mesmo o coti­di­ano des­li­gado de con­tex­tos pro­fis­si­o­nais.

O meca­nismo da ino­va­ção apre­senta seis ele­men­tos inter­li­ga­dos entre si. Três deles par­tem do indi­ví­duo: a ati­tude, o conhe­ci­mento e a ima­gi­na­ção. Os outros três vêm de fora, do mundo exte­rior: a cul­tura, os recur­sos e o habi­tat. A suges­tão de Tina é que deve­mos reco­nhe­cer esses ele­men­tos para com­pre­en­der de que maneira eles inter­fe­rem em nos­sos pro­ces­sos cri­a­ti­vos e modi­fi­car aque­les aos quais temos acesso. Eles não pos­suem uma ordem espe­cí­fica para serem com­pre­en­di­dos, uma vez que a mudança em um gera alte­ra­ções nos demais, por­tanto é um meca­nismo com­plexo para repre­sen­tar um sis­tema que não fun­ci­ona com par­tes dis­so­ci­a­das. Tra­ta­rei indi­vi­du­al­mente de cada ele­mento, assim como Tina faz no livro, para fins didá­ti­cos.

O pri­meiro ele­mento é a ati­tude, nosso posi­ci­o­na­mento pes­soal frente ao mundo. Depen­dendo de como nós olha­mos para o mundo, esta­re­mos habi­li­ta­dos ou não a per­ce­ber pos­si­bi­li­da­des que nos favo­re­çam e a pro­cu­rar bre­chas para criar. Um exem­plo que Tina ofe­rece: dois alu­nos que­riam entrar num curso que ela minis­trava, mas não havia mais vagas. Ambos man­da­ram e-mails comen­tando o desejo de par­ti­ci­par e Tina res­pon­deu que nas pri­mei­ras aulas sem­pre uma ou outra pes­soa desis­tia. Um dos alu­nos man­dou uma men­sa­gem suge­rindo que era sem­pre assim, ele nunca con­se­guia os cur­sos que dese­java e que pro­va­vel­mente nin­guém desis­ti­ria só por­que era a vez dele. A outra aluna, por sua vez, foi à aula e de fato con­se­guiu uma vaga. A dife­rença entre os dois era uma só: a segunda pes­soa estava dis­posta a enfren­tar a pos­si­bi­li­dade de não con­se­guir, em vez de aceitá-la sem pro­cu­rar alter­na­ti­vas que fizes­sem seus pla­nos fun­ci­o­na­rem.

Se acre­di­ta­mos que um pro­blema é inso­lú­vel, nós não dedi­ca­re­mos ener­gia para resolvê-lo por­que já sabe­mos que não há solu­ção – acre­di­tar é saber. E se essa é a nossa pos­tura frente ao mundo, a pro­ba­bi­li­dade é que seja­mos pouco cri­a­ti­vos, uma vez que pro­cu­rar solu­ções para todo o tipo de pro­blema é parte dos ele­men­tos que com­põem um pen­sa­mento cri­a­tivo.

A ati­tude indi­vi­dual está conec­tada com a cul­tura na qual o sujeito foi cri­ado e vive. No Bra­sil, vive­mos sob a influên­cia da reli­gião cató­lica, que prega sobre os peri­gos e peca­dos de acu­mu­lar dinheiro. O resul­tado se reflete nas ati­tu­des pes­so­ais, que fre­quen­te­mente enten­dem ganhar dinheiro e cobrar por ser­vi­ços como algo ruim, algo que está trans­gre­dindo alguma lei moral.

Nas soci­e­da­des mar­ca­das pela pre­sença de igre­jas pro­tes­tan­tes, por outro lado, o dinheiro é com­pre­en­dido como mérito, uma res­posta divina ao esforço de um sujeito bom. Ou seja: ganhar dinheiro não é um pro­blema e sim um obje­tivo a ser per­se­guido. Essa pequena vari­a­ção de men­ta­li­dade é sufi­ci­ente para pro­du­zir com­por­ta­men­tos bas­tante dis­tin­tos entre pes­soas mar­ca­das por uma e outra cul­tura.

Criatividade - Eça de Queirós

A escola e as facul­da­des tam­bém influ­en­ciam a cul­tura, con­forme criam sujei­tos que espe­ram por res­pos­tas cor­re­tas para per­gun­tas espe­cí­fi­cas e só con­se­guem tra­ba­lhar em soci­e­dade se tive­rem suas obri­ga­ções dese­nha­das por outras pes­soas.

O ter­ceiro ele­mento do meca­nismo da ino­va­ção é o conhe­ci­mento, ou seja, o reper­tó­rio de fatos, téc­ni­cas e sabe­res que o sujeito con­se­gue aci­o­nar. Os livros que li, os paí­ses que visi­tei, os cos­tu­mes que com­pre­endi, tudo isso vira conhe­ci­mento e pode ser uti­li­zado como base para fer­ti­li­zar a cri­a­ti­vi­dade. Quanto mais conhe­ci­mento temos – não ape­nas de um assunto, mas de uma ampla gama de assun­tos –, mai­o­res as chan­ces de conec­tar ideias e pro­por ino­va­ções.

A van­ta­gem deste ele­mento é que ele cos­tuma ser o mais fácil de incre­men­tar. Basta asso­ciá-lo aos recur­sos dis­po­ní­veis: bibli­o­te­cas, inter­net, pes­soas. O ele­mento dos recur­sos repre­senta tudo aquilo que pode­mos uti­li­zar para poten­ci­a­li­zar nos­sas ações, não ape­nas de forma direta. Por exem­plo: ter um carro nos per­mite ir de um lugar a outro, mas conhe­cer alguém que tem um carro e pode­ria nos ofe­re­cer uma carona, tam­bém. Às vezes, não temos dinheiro para com­prar um livro, então aces­sa­mos uma bibli­o­teca, pedi­mos o livro empres­tado para ami­gos ou pira­te­a­mos na inter­net.

O reco­nhe­ci­mento dos recur­sos nos auxi­lia a per­ce­ber que não pre­ci­sa­mos lidar sozi­nhos com nenhum pro­cesso de cri­a­ção. É pos­sí­vel reu­nir os recur­sos como medida para ampliar o que pode ser feito em qual­quer caso. Salas de aula pos­suem recur­sos pró­prios que vão além dos óbvios. Cada aluno conhece pes­soas que podem tra­zer novos conhe­ci­men­tos para as dis­cus­sões de sala de aula, pro­fes­so­res podem aci­o­nar outros pro­fis­si­o­nais para cola­bo­ra­rem com o apren­di­zado dos estu­dan­tes e a comu­ni­dade no entorno de uma escola ou facul­dade pode ser enxer­gada como um recurso para criar novas pro­pos­tas de ensino ou de conhe­ci­mento sobre o mundo.

O quinto ele­mento do meca­nismo da ino­va­ção é a ima­gi­na­ção, a nossa capa­ci­dade pes­soal de trans­for­mar uma coisa em outra e ela­bo­rar alter­na­ti­vas para as situ­a­ções às quais já esta­mos acos­tu­ma­dos.

A ima­gi­na­ção está dire­ta­mente rela­ci­o­nada ao habi­tat, o espaço físico no qual as ideias são cri­a­das e as expe­ri­ên­cias são vivi­das. Em gru­pos de pes­soas, por exem­plo, mesas ten­dem a con­cen­trar peque­nos cír­cu­los de inte­ra­ção que não se expan­dem ou conec­tam com outros cír­cu­los. Quando não há mesas, a ten­dên­cia é aumen­tar a cir­cu­la­ção e a troca entre gru­pos, pois cami­nhar é menos cus­toso do que levan­tar-se e sen­tar-se em outro espaço.

Escri­tó­rios podem ser pouco con­vi­da­ti­vos ao pen­sa­mento cri­a­tivo se pare­cem frios, qua­dra­dos e sem refe­rên­cias mate­ri­ais. Por isso, con­vém expe­ri­men­tar luga­res dife­ren­tes para o pro­cesso cri­a­tivo, seja na rua – o que ofe­rece um con­texto de acaso para o tipo de influên­cias que inter­fe­ri­rão no pen­sa­mento –, seja em outro cômodo da casa ou da empresa, que varie o tipo de estí­mulo ao qual esta­mos acos­tu­ma­dos.

O habi­tat explica por que o banho cos­tuma ser uma fonte rica de novas ideias: esta­mos rela­xa­dos e num espaço reco­lhido do resto do mundo, livres e pro­te­gi­dos de qual­quer tipo de jul­ga­mento e, por­tanto, mais pro­pen­sos a cri­ar­mos sem expec­ta­ti­vas ou receios.

Com o meca­nismo de ino­va­ção, pode­mos obser­var qual­quer pro­cesso e ava­liar as par­tes que podem ser modi­fi­ca­das para torná-lo mais cri­a­tivo. Mas ser cri­a­tivo não diz res­peito ape­nas a encon­trar novas e boas res­pos­tas. A cri­a­ti­vi­dade começa com a capa­ci­dade de fazer boas per­gun­tas.

Para ser criativo, faça perguntas melhores

Durante o artigo, pro­cu­rei apon­tar alguns cami­nhos que levam a um pro­cesso mais cri­a­tivo. A cri­a­ti­vi­dade foi pen­sada como forma de pro­por solu­ções vari­a­das e úteis a pro­ble­mas. Con­tudo, resta uma última fer­ra­menta: inves­ti­gar a per­gunta. A maneira como defi­ni­mos o pro­blema que temos em mãos vai con­du­zir nossa busca por solu­ções.

Se tento sair de casa e a porta está emper­rada, meu pro­blema pode ser “como posso des­tran­car a porta?”. Solu­ções pos­sí­veis incluem cha­mar um cha­veiro. Se, porém, eu entendo meu pro­blema de outra maneira, as solu­ções variam. “Como posso sair de casa?” me abre espaço para pen­sar em jane­las ou em des­mon­tar a porta. “Como posso che­gar até o meu com­pro­misso que reside atrás da porta?” me abre ainda mais as pos­si­bi­li­da­des de res­posta.

Criatividade - Albert Einstein

A pri­meira per­gunta, antes de expe­ri­men­tar qual­quer dos pro­ces­sos suge­ri­dos neste texto, é: “essa é a melhor forma de pen­sar sobre o meu pro­blema?”. A par­tir da pri­meira per­gunta, pode­mos variá-la, inven­tando per­gun­tas pare­ci­das, como no exem­plo da porta.

Essa vari­a­ção pode ser encon­trada quando nos per­gun­ta­mos por que um pro­blema é um pro­blema. A porta emper­rou, quero abri-la. Por quê? Por­que quero ir para a rua. Por quê? Por­que pre­ciso che­gar até minha famí­lia. Por quê? Por­que fiquei de entre­gar um dinheiro ainda hoje. Opa, tal­vez eu possa resol­ver isso mais rápido se fizer um depó­sito online e avi­sar por tele­fone, tendo mais tempo para geren­ciar a porta. Des­co­brir o ver­da­deiro motivo por trás de um pro­blema nos ofe­rece mui­tas pis­tas sobre como solu­ci­oná-lo, por mais que estas pis­tas não pare­çam óbvias à pri­meira olhada.

Este texto foi escrito a par­tir de um pro­blema: como ser mais cri­a­tivo? Decidi que um cami­nho pos­sí­vel – em par­ti­cu­lar, para a escrita do artigo – seria não escre­ver sozi­nho, con­tando com a ajuda de outras pes­soas para comen­ta­rem e inter­fe­ri­rem no texto ainda em seu pro­cesso de pro­du­ção.

Minha pro­posta é mudar­mos a maneira como vemos um texto. Ele pode ser algo pronto, fina­li­zado, mas tam­bém pode ser algo aberto a novas inter­fe­rên­cias e recri­a­ções. Com isso em mente, per­gunto: o que pode­ria ser modi­fi­cado neste texto para que ele fosse mais ins­tru­tivo? Deixa um comen­tá­rio e vamos con­ver­sar. 🙂


Contribua com a continuidade de Ano Zero, clique aqui.

Você pode que­rer ler tam­bém:

4 razões pelas quais é tão difí­cil ser um fina­li­za­dor
A pri­va­ti­za­ção das ideias

Tales Gubes
Tales é uma raposa entre seres humanos. Escreve sobre escrever, sexualidade, educação e empreendedorismo. Criou o Ninho de Escritores para unir e ajudar outras criaturas que também curtem transformar experiências em palavras.

Compartilhe