A fotografia deve muito de seu status à guerra. Ao fim da Segunda Guerra Mundial, era merecidamente aceita como meio de comunicação artístico. Devido aos conflitos a reportagem ganhara outro status, atingindo um patamar bem mais alto. Junto à reportagem, cabia aos fotógrafos documentar toda sorte de atrocidades. Diziam documentar com imparcialidade – mas desconfie, paciente leitor, de tudo aquilo que precisa ser justificado.

Há casos de fotógrafos proibidos de fotografar determinados conflitos devido à sua imparcialidade, logo a existência desta peculiaridade não é assim tão corriqueira. Don McCullin captava imagens tão chocantes, sobretudo nos conflitos na Irlanda do Norte e no Vietnã, que o governo britânico o impediu de cobrir a Guerra das Malvinas, em 1982.

Mas o que capta a fotografia, além daquele momento congelado? Cultura, identidade, por exemplo.

Nas fotografias a seguir temos imagens de guerra, ou do que restou de algum combate. Percebemos dois seres humanos sobre uma moto, dois sobreviventes. O antinatural, a guerra, oprimindo o homem no registro de Mahamoud Taha (AFP).

dois sobre uma moto | O que está por trás da guerra | #OlharAZ

A fotografia de Teir Maalah, onde homens em meio a escombros retiram uma criança, nos leva a indagar se tal representação, ou tal registro de um macabro cotidiano, é arte. Conseguimos visualizar as ruínas, os seres humanos e algo maior, muito maior.

criança sendo retirada de escombros | O que está por trás da guerra | #OlharAZ

Nas outras imagens percebemos a natureza subjugando o homem.

A Kashmiri man on a horse rides past walls of snow on the Zojila Pass, about 110 kilometers (68 miles) north of Srinagar, Indian controlled Kashmir, Saturday, April 30, 2016. The Srinagar-Leh national highway connecting Ladakh to the Kashmir Valley was re-opened to traffic Saturday after remaining closed for nearly six months. The highway passes through the high altitude Zojila Pass of the Himalayan range.(AP Photo/Dar Yasin) | O que está por trás da guerra | #OlharAZ

Algo que as fotos da seca de Feisal Omar (Reuters) e a foto do camelo em meio a esse mesmo território seco, de Siegfried Modola (Reuters), nos obrigam a ver.

Imagem em que macaco segura-se à perna de um ser humano. | O que está por trás da guerra | #OlharAZ

Mas o que seria este algo muito maior que é capaz de transformar o registro da estupidez humana e a implacável cobrança da natureza em arte?

Algo que apenas a verdadeira arte consegue mostrar: a dor.


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escrito por:

Luíz Horácio

Escritor e tradutor.


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