(a charge que ilustra este artigo é do cartunista Aoreira)

Tiros desferidos, granadas arremessadas, bombas explodindo e mísseis destruindo tudo. Mulheres e crianças ameaçadas. Homens discursando o ódio por seus inimigos com base nos mais diversos interesses. Tudo isso caracterizaria muito bem uma cena de guerra.

No entanto, nosso mundo se moderniza, e o combate assumiu uma nova forma, num novo local, com possibilidade de qualquer um participar. Isso mesmo, qualquer um pode combater, e não é necessário sequer uma preparação prévia.

Para isso, basta ter acesso ao mundo virtual.

A internet, essa coisa meio abstrata e que se confunde com nossas vidas, nunca esteve tão presente no cotidiano das pessoas. Com a inclusão digital cada vez mais ampliada, milhares de pessoas por dia acessam a internet pela primeira vez.

O Brasil, que ocupa o terceiro lugar em número de usuários ativos, ainda consegue a medalha de ouro quando se trata em tempo gasto na rede (dados do Net Insight do IBOPE Media). Entretanto, as diferenças sociais e regionais são verdadeiros obstáculos a uma inclusão mais uniforme, onde as regiões sul e sudeste encabeçam o ranking nacional dos detentores do precioso acesso a internet, segundo pesquisa do Cetic.br.

A cada dia, mais e mais pessoas querem ter seu espaço virtual, acessar as redes sociais e exibir seus avatares. Na maioria das vezes, os usuários brasileiros da internet mostram-se muito corajosos e pretensamente entendedores dos mais diversos temas – como. por exemplo, a política, o assunto que tomou conta da rede devido o período eleitoral.

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O Facebook, o Twitter e até mesmo o Instagram se tornaram um campo de batalha da modernidade quando o assunto é o futuro do país. Para as próximas eleições, os partidos poderiam gastar bem menos com propaganda, pois já descobriram que os internautas são bem mais eficientes nisso.

O sigilo de voto já não existe mais. Nossa timeline ficou repleta de exemplos de colinhas com a combinação “perfeita” para todos os cargos, mostrando que o brasileiro é organizado e eficiente quando quer.

E de repente todos se tornaram verdadeiros especialistas nos mais diversos assuntos, proferindo argumentos tão profundos quanto uma poça d’agua em São Paulo atualmente.

Ameaças e insultos se tornaram corriqueiros ao candidato e seu eleitorado. Discursos de ódio e indignação com o amigo, ao saber quem era seu candidato. A perda da amizade, casais discutindo, tios pareciam verdadeiros gladiadores.

As críticas e o foco foram constantemente direcionados para os presidenciáveis, e os internautas dos Estados com maior acesso a informação digital esqueceram-se de falar dos cargos legislativos e de sua importância. Resultado: o pessoal reelegeu os pitorescos Bolsonaro, Feliciano e Tiririca – e eles foram os mais votados.

E partimos agora para o segundo turno. Apenas dois candidatos para o cargo de presidência.

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O campo de batalha ficou ainda mais violento, discursos sem fundamentos e cheios de ódio a população do Norte e Nordeste, contrariando qualquer indício da liberdade de poder escolher sua representação política e escancarando que tucanos podem ser tão fanáticos quanto petistas. Ambos, muitas vezes com alto nível de escolaridade, defendem seus pontos de vistas como verdades absolutas a serem colocadas goela abaixo do oponente.

Enquanto os vermelhos ficam cegos em relação ao crescimento econômico, a inflação e os juros, pois nem só de políticas públicas sobrevive um país, os azuis, cansados dos episódios de corrupção, parecem não ter acompanhado o histórico e as notícias sobre o candidato tucano durante todo esse tempo. Definitivamente não acompanharam.

A tática de guerra que sobra a quem não quiser perder os amigos, o casamento ou até mesmo o emprego, pisando nesse campo minado que as redes sociais se tornaram é só uma, a mesma para o bom uso da internet: usar seu bom senso e inteligência antes de compartilhar qualquer pensamento ou post desnecessário, sem a confirmação da veracidade, que não agregue nada ou incite o ódio e a violência. Pois enquanto a política for tratada com esse senso crítico que estamos vendo, mais palhaços serão eleitos, e quem continuará vestindo o nariz vermelho somos nós mesmos.

Se nem isso funcionar, abandone a rede social e volte quando os tiros cessarem e a poeira baixar.


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escrito por:

Natalia Marques