Há 7 anos, a The Economist, revista britânica liberal, declaradamente de direita, decretou: a política de Guerra às Drogas fracassou, e precisa acabar, dando lugar a duas políticas distintas – a de legalização para drogas leves e de controle de danos para drogas pesadas.

A lógica é tão simples quanto terrível, e com o devido distanciamento já a observamos funcionando durante a Lei Seca dos Estados Unidos na década de 1920:

1 – pegue um produto ou hábito que, por algum motivo (isso não entra no mérito aqui), seja considerado fundamental por parte da comunidade e torne-o ilegal;

2 – o resultado é que o produto ou o hábito não será extinto, mas sim passará para a clandestinidade;

3 – em seguida haverá repressão do Estado, que não conseguirá adentrar todos os meandros do labirinto das relações sociais para capturar e punir toda desobediência à lei, mas garantirá a aprovação legislativa de vultosos gastos do orçamento público com o aparelhamento estatal;

4 – como resposta à repressão estatal, grupos criminosos providenciarão aos interessados acesso ao produto ou hábito, com um preço inflacionado para compensar riscos e financiar a compra de armamento e o recrutamento de soldados do crime;

5 – como decorrência do embate entre o Estado e criminosos, muito sangue será derramado, mas muito dinheiro verterá para financiar outras atividades do crime organizado, fortalecendo a criminalidade; e

6 – o grande volume de dinheiro decorrente de todas essas atividades ilícitas precisará ser lavado, inundando o sistema financeiro internacional com bilhões de dólares, vertendo parte desse dinheiro para corromper agentes públicos em todos os níveis.

Este vídeo explica toda essa lógica do desastre:

A única solução é desarmar essa armadilha, legalizando drogas leves como a maconha e tratando drogas pesadas como problema de saúde pública, e de repressão policial. Mas para isso é preciso vencer um grande inimigo: os juízos de valor baseados em preconceitos e não em fatos científicos, o obscurantismo que se sobrepõe ao esclarecimento.


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  • Lucia Pires Ferreira

    O texto começa com: “Há 7 anos atrás…”
    Vamos às correções. Há é algum pretérito do verbo haver – minha formação não é em letras ou qualquer área correlata. Sendo pretérito (passado, para deixar mais claro), não há necessidade alguma de escrever ‘atrás’. Isso é pleonasmo! É como subir para cima!
    Até dez, os numerais devem ser escritos por extenso. Sei que estamos na Internet, mas manter as normas de escrita da língua é bom, né? Brasil, pátria educadora…
    Em tempo… Não consegui continuar a leitura!

    • Cintia Souza

      onde você viu “há 7 anos atrás…”? leia de novo pessoa, porque de gente chata o mundo já tá cheio – chata e cega, então, daí é pra f*der!

    • Claudio Soares

      Caramba, depois dizem para que eu não leia os comentários, que só são pura dor de cabeça de gente arrogante metida a sabe-tudo, e eu acabo ignorando esse conselho.

      Daí chego aqui no Ano-Zero, pra fazer minhas leituras do dia e interagir, qualitativamente, com o pessoal super gente fina e paciente daqui, e tenho que ler uma pessoa que não consegue ler um simples texto por conta de um ridículo erro gramatical (o qual estou procurando até agora).

      O pior de tudo é não conseguir concluir uma leitura tão somente por causa de algo tão banal quanto isso. Agora sou eu é que estou ficando com dificuldades de reler tanto apego à norma, tanto vício em padronização sobre algo que, convenhamos, em nada prejudicou a comunicação – esta sim, muito mais necessária que um simples formato.

      Paz e bem, está a precisar.

  • Claudio Soares

    Este assunto é muito pertinente e necessário quando nos referimos à base de toda sociedade: saúde, segurança e educação.

    E quando vejo que posso consumir tais informações de forma bastante objetiva, sem rodeios e muito didática, fico deveras satisfeito pela oportunidade.

    Obrigado, AZ, por mais informação útil neste caos de desinformação que convenientemente chamamos de “rede” – a qual supõe interações produtivas, sinapses, porém que, na prática, mais são análogas a puro caos.

  • Gustavo de Paula

    “A única solução é desarmar essa armadilha, legalizando drogas leves como a maconha e tratando drogas pesadas como problema de saúde pública, e de repressão policial.” Mas isso não faria o ciclo continuar? Por que não legalizar todas as drogas e encerar de vez a guerra às drogas? Se vai apenas legalizar a maconha e usar o dinheiro da guerra para subsidiar a saúde pública, sem prevenção e com a mesma repressão policial que vemos hoje, qual a eficácia disso?

    • Nick

      Certíssimo. Portugal ciente disso, descriminalizou todas as drogas e trata-as como problema de saúde e não como problema de policia.

    • Mateus Schroeder Silva

      Bom, pelo menos dá um pouco mais de liberdade.

    • Everton Luis

      Verdade… mas seria interessante liberar de pouco em pouco, acho que é saudável ao processo de transição. Ou seja, liberar a maconha e com o tempo vai-se percebendo que não há o porquê de impedir as outras. A liberação da comercialização da maconha é amplamente defendida, mas não tanto de outras drogas… e assim vai… e não só a questão de aceitabilidade que é pouca por parte das outras drogas, mas porque se liberar tudo de uma vez, as coisas mudarão completamente, já que será um caso inteiramente de saúde pública, é preciso acostumar o setor dessa nova responsabilidade.

  • ross martin azevedo

    legalize-as …