O extermínio de 80% da tribo Herero, na Namíbia (1904 - 1907) | Genocídios esquecidos da história

10 genocídios esquecidos na história

Em História, Tempo de Saber por Equipe Ano ZeroComentários

É quase impos­sí­vel acom­pa­nhar todos os tipos de assun­tos mun­di­ais, mas parece que todos devam estar cien­tes de um pos­sí­vel geno­cí­dio. Infe­liz­mente, geno­cí­dios atro­zes do pas­sado, e até mesmo aque­les que pode­riam estar ocor­rendo agora, nem sem­pre estão no cen­tro das aten­ções glo­bais.

O extermínio de 80% da tribo Herero (1904 — 1907)

Gefangene-Hereros-in-Deut-007

O país sul afri­cano da Namí­bia é um lugar peri­goso de viver. O lito­ral da Namí­bia pos­sui quase 2.000 quilô­me­tros de dunas de areia esté­ril e ter­reno rochoso ina­de­quado, mas tam­bém detém riqueza sob a forma de dia­man­tes, metais raros e pedras pre­ci­o­sas.

Na década de 1880, os ale­mães haviam encon­trado essas rique­zas e deci­di­ram ins­ta­lar sua pró­pria colô­nia em ter­ras per­ten­cen­tes à tribo Herero. As ten­sões entre os ale­mães e os habi­tan­tes locais aumen­ta­ram rapi­da­mente, à medida que o nível de escas­sez do abas­te­ci­mento de água aumen­tava e o gado da tribo, seu único meio de vida, lhes era tirado. No final, eles ten­ta­ram sem sucesso se rebe­lar con­tra os colo­nos ale­mães.

Em res­posta, o governo ale­mão enviou um líder bru­tal, o tenente-gene­ral Lother von Trotha, junto com 10.000 homens for­te­mente arma­dos para aca­bar com o levante. Trotha con­du­ziu inten­ci­o­nal­mente Herero a uma posi­ção onde fica­riam sem man­ti­men­tos e mor­re­riam. Seus homens flan­que­a­vam a tribo em três lados, com a única saída para o deserto do Kalahari, onde os ale­mães enve­ne­na­ram todos os bura­cos com água.

Ou era enfren­tar os ale­mães e ser bale­ado, ou pas­sear pelo deserto até que você mor­resse de fome. Antes do levante, 80.000 Here­ros viviam em toda a Namí­bia. Após o mas­sa­cre, ape­nas 15.000 ainda esta­vam vivos.

 

 O governo soviético deporta uma nação inteira (1944)

crowd_detail | O governo soviético deporta uma nação inteira (1944)

Ape­sar do fato de que quase 40.000 Che­che­nos e Ingush luta­ram pelos sovié­ti­cos na Segunda Guerra Mun­dial, o governo mais tarde os acu­sou de aju­dar os nazis­tas. Para punir o povo che­cheno e ingush, o governo deci­diu depor­tar cada um deles para áreas remo­tas da União Sovié­tica em vagões de mer­ca­do­rias.

Em 23 de feve­reiro de 1944, toda a popu­la­ção de Che­che­nos e Ingush foi orde­nada a ir a edi­fí­cios do par­tido onde foram infor­ma­dos que esta­vam sendo depor­ta­dos por aju­dar os ale­mães. Qual­quer pes­soa que não pudesse ser trans­por­tada por algum motivo seria bale­ada ime­di­a­ta­mente. Em um des­ses casos, 700 pes­soas foram tran­ca­das em um celeiro que foi quei­mado. Espe­ci­a­lis­tas acre­di­tam que até 50% da popu­la­ção che­chena mor­reu durante o que é comu­mente refe­rido como “Ope­ra­ção len­ti­lha”.

 

O massacre de Parsley (1937)

trujillo | massacre de Parsley

Em ape­nas cinco dias no outono de 1937, mais de 20.000 hai­ti­a­nos foram mas­sa­cra­dos sob ordens do dita­dor domi­ni­cano Rafael Leo­ni­das Tru­jillo. Os mas­sa­cres ocor­re­ram ao longo da fron­teira e sol­da­dos domi­ni­ca­nos e civis empu­nha­ram facões, bai­o­ne­tas e rifles para matar qual­quer hai­ti­ano que pudes­sem.

Para deter­mi­nar quem era domi­ni­cano e quem era hai­ti­ano, os domi­ni­ca­nos entre­ga­vam um pedaço de sal­si­nha a um sus­peito hai­ti­ano e per­gun­ta­vam: “O que é isso?” Um domi­ni­cano seria capaz de pro­nun­ciar cor­re­ta­mente a pala­vra “pere­jil”, enquanto um hai­ti­ano teria um sota­que cri­oulo na pala­vra que indi­ca­ria cla­ra­mente que eram hai­ti­a­nos.

Espe­ci­a­lis­tas ainda estão deba­tendo por que Tru­jillo iria rea­li­zar tal mas­sa­cre. Alguns dizem que foi pura­mente base­ado na raça, com o obje­tivo de uma Repú­blica Domi­ni­cana total­mente branca, enquanto outros dizem que ele que­ria expan­dir o ter­ri­tó­rio domi­ni­cano.

 

20 milhões de mortos na Rebelião Taiping (1851–1864)

taiping-rebellion-scroll

A Rebe­lião Tai­ping come­çou quando Hong Xiu­quan, um can­di­dato a exame de ser­viço civil, teve uma série de visões que o leva­ram a acre­di­tar que ele era o irmão mais novo de Jesus Cristo. Estas visões mes­si­â­ni­cas even­tu­al­mente o leva­ram a recru­tar um exér­cito de segui­do­res faná­ti­cos para ten­tar der­ru­bar o governo da China (exa­ta­mente como Jesus teria feito, certo?).

Xiu­quan real­mente tinha algu­mas ideias para a China — ele que­ria proi­bir o jogo de apos­tas, a poli­ga­mia e a venda de escra­vos. Ele tam­bém que­ria ini­ciar a prá­tica de per­mi­tir que as mulhe­res exer­ces­sem car­gos gover­na­men­tais.

Xiu­quan reu­niu segui­do­res sobre esses ide­ais bási­cos, recru­tando mui­tos pobres e mar­gi­na­li­za­dos cida­dãos chi­ne­ses para se jun­tar ao seu exér­cito. Em menos de 10 anos, Xiu­quan con­tro­lou mais de um terço da China. O prin­ci­pal ini­migo de Xiu­quan e seu exér­cito eram os gover­nan­tes man­chu, que haviam con­quis­tado recen­te­mente a China.

Os man­chus luta­ram con­tra o exér­cito de Xiu­quan por mais de 20 anos, dei­xando 20 milhões de mor­tos devido a guer­ras, doen­ças e mas­sa­cres em ambos os lados. Mui­tas vezes é visto como um ato de geno­cí­dio, já que mui­tos chi­ne­ses pobres e de classe baixa foram assas­si­na­dos.

 

O massacre turco às vilas rebeldes (1937 — 1938)

O massacre turco às vilas rebeldes (1937 - 1938)

Quando a Der­sim, na Tur­quia moderna, se recu­sou a acei­tar o con­trole do novo governo cen­tral, em vez de con­fiar em suas pró­prias leis tri­bais, o governo turco deci­diu forçá-los a res­pei­tar sua auto­ri­dade.

Entre março de 1937 e a pri­ma­vera de 1938, as tro­pas tur­cas mas­sa­cra­ram mui­tas das pes­soas na área de Der­sim. Mulhe­res e cri­an­ças que se escon­diam em caver­nas foram sela­das com gran­des pedras e depois sufo­ca­das até a morte por gran­des incên­dios cons­truí­dos perto das entra­das.

Três tri­bos — a Kara­bel, Ferhad e Pil­vank — se ren­de­ram e foram ime­di­a­ta­mente dizi­ma­das. Mesmo os jovens de Der­sim que entra­ram no exér­cito turco para lutar pelo governo cen­tral foram ali­vi­a­dos de seus pos­tos e mor­tos por medo de se rebe­la­rem. Em um único dia, em 1938, 7.954 pes­soas foram mor­tas ou cap­tu­ra­das.

 

A fome forçada de Stalin

A fome forçada de Stalin

Com o colapso do regime cza­rista em março de 1917, a atual região que atu­al­mente cor­res­ponde a Ucrâ­nia final­mente viu a opor­tu­ni­dade de decla­rar inde­pen­dên­cia para si. Mas a liber­dade foi de curta dura­ção. Antes do fim do ano, Vla­di­mir Lenin estava pla­ne­jando recu­pe­rar todas as áreas que ante­ri­or­mente eram con­tro­la­das pelos czars — incluindo a Ucrâ­nia.

Ao longo dos pró­xi­mos anos, os ucra­ni­a­nos luta­ram sem sucesso para man­ter sua liber­dade, mas sua perda final só pare­cia ali­men­tar um movi­mento de revi­val naci­o­nal. Então Joseph Sta­lin tomou o poder na União Sovié­tica. Ele via esse avanço naci­o­na­lista como ina­cei­tá­vel e deci­diu aca­bar com ele.

Pri­meiro, ele reu­niu 5.000 eru­di­tos ucra­ni­a­nos e man­dou matá-los por tra­mar uma revolta (eles não tinham feito isso), espe­rando que isso aca­basse com o naci­o­na­lismo. Ele tam­bém imple­men­tou um plano para cole­ti­vi­zar todas as ter­ras agrí­co­las na Ucrâ­nia. Isso só aumen­tou o res­sen­ti­mento, mas Sta­lin não recu­a­ria. Ele iria matar os ucra­ni­a­nos de fome até que hou­vesse sub­mis­são.

Em mea­dos de 1932, Sta­lin tinha cole­ti­vi­zado à força 75% das ter­ras agrí­co­las na Ucrâ­nia e aumen­tado dras­ti­ca­mente as quo­tas de ali­men­tos que pre­ci­sa­vam ser envi­a­das para o resto da URSS. Como resul­tado, não havia comida sufi­ci­ente para ali­men­tar o povo ucra­ni­ano.

Em 1933, no auge da fome, 25.000 pes­soas mor­riam todos os dias. No final, quase 5 milhões de pes­soas mor­re­ram.

 

O genocídios dos nativos americanos Moqui (1857–1860)

O genocídios dos nativos americanos Moqui (1857-1860)

Os Hopi, então conhe­cido como os Moqui, era uma tribo de nati­vos ame­ri­ca­nos que viviam no Ari­zona do norte. Como eles cos­tu­ma­vam fazer, os espa­nhóis esta­vam ten­tando con­vertê-los para o cris­ti­a­nismo.

A pri­meira ten­ta­tiva não cor­reu bem (os Moqui se rebe­la­ram), então os espa­nhóis vol­ta­ram alguns anos depois com um exér­cito. Em uma cidade cha­mada Awa­tovi, dois padres espa­nhóis des­co­bri­ram que mui­tos de seus ex-con­ver­sos ainda esta­vam por aí, e ansi­o­sos para retor­nar ao cris­ti­a­nismo.

Os sacer­do­tes exci­ta­dos dei­xa­ram a cidade e se diri­gi­ram a Santa Fé para con­ver­sar com seus supe­ri­o­res sobre a cons­tru­ção de uma igreja em Awa­tovi. Mas a igreja nunca seria cons­truída.

A cidade de Awa­tovi era uma espé­cie de cidade nativa ame­ri­cana rene­gada e a outra tribo Moqui não gos­tava deles ou dos espa­nhóis, com toda a coisa de “con­ver­são ao cris­ti­a­nismo”. Então reu­ni­ram um pequeno exér­cito, mar­cha­ram para Awa­tovi e, enquanto os homens de Awa­tovi esta­vam se pre­pa­rando para uma cerimô­nia, colo­ca­ram fogo nas aldeias.

Todos os homens em Awa­tovi foram mor­tos. Algu­mas mulhe­res e cri­an­ças foram leva­das como escra­vas, mas quando o exér­cito Moqui come­çou a dis­cu­tir sobre como dis­tri­buí-las, eles deci­di­ram que era melhor matá-las tam­bém, caso con­trá­rio vira­riam escra­vas.

 

A Revolução Haitiana (1804)

A Revolução Haitiana (1804)

A revo­lu­ção hai­ti­ana foi a revolta de escra­vos mais bem-suce­dida da his­tó­ria, à medida que os afri­ca­nos escra­vi­za­dos ven­ce­ram os fran­ce­ses e várias outras for­ças euro­peias, tor­nando-se a pri­meira nação negra inde­pen­dente no hemis­fé­rio oci­den­tal.

No entanto, nos últi­mos dias da guerra, o líder caris­má­tico da revo­lu­ção, Tous­saint l’Ouverture, foi rap­tado pelos fran­ce­ses, que os dei­xa­ram mor­rer numa pri­são alpina. Ele foi suce­dido por um de seus gene­rais, um ex-escravo cha­mado Jean Jac­ques Des­sa­li­nes, que não estava dis­posto a acei­tar a polí­tica de con­ci­li­a­ção do pre­de­ces­sor com os hai­ti­a­nos bran­cos.

Coro­ando-se impe­ra­dor, Des­sa­li­nes deu suas pri­mei­ras ordens: mas­sa­crar toda a popu­la­ção branca na ilha. Entre feve­reiro e março de 1804, Des­sa­li­nes visi­tou mui­tas das cida­des do Haiti, onde se cer­ti­fi­cou de que suas ordens fos­sem segui­das.

Ex-pro­pri­e­tá­rios de escra­vos foram mor­tos, plan­ta­ções foram quei­ma­das, lojas de pro­pri­e­dade branca foram devas­ta­das e, até o final de março, ape­nas alguns bran­cos hai­ti­a­nos tinham sido pou­pa­dos. Ape­nas em Port-au-Prince, mais de 800 foram mor­tos em um dia, com ape­nas cerca de 50 esca­pando do mas­sa­cre.

 

A Guerra Biafran (1967–1968)

A Guerra Biafran (1967-1968)

Quando a Nigé­ria ganhou a inde­pen­dên­cia da Grã-Bre­ta­nha em 1960, cerca de 60 milhões de pes­soas de mais de 300 dife­ren­tes ori­gens étni­cas e reli­gi­o­sas vive­ram den­tro de suas fron­tei­ras. Mui­tas des­sas dife­ren­tes etnias esta­vam vivendo jun­tas, cau­sando uma quan­ti­dade sig­ni­fi­ca­tiva de ten­são.

Isto cau­sou um bom número de elei­ções sendo acu­sa­das como fraude, múl­ti­plos gol­pes fazendo tro­car o poder anu­al­mente, e um ódio geral sobre povos de outras etnias.

Um dos mai­o­res gru­pos da região, o Igbo, deci­diu se sepa­rar da Nigé­ria e for­mar a Repú­blica de Bia­fra. O governo nige­ri­ano ime­di­a­ta­mente lan­çou uma cam­pa­nha para reto­mar a região sepa­ra­tista rica em petró­leo.

A par­tir de 1967, quando a Repú­blica de Bia­fra foi for­mada, até o final de 1968, uma vio­lenta guerra civil irrom­peu. O governo nige­ri­ano fez tudo o que pôde para esma­gar a nação inci­pi­ente. Eles até impe­di­ram ali­men­tos e água de entrar no Bia­fra, con­tri­buindo para a perda de quase 3 milhões de vidas na guerra civil. Quase 5.000 mor­re­ram a cada dia, a mai­o­ria deles de des­cen­dên­cia Igbo.

 

As perseguições Falun Gong (1999 — atualmente)

As perseguições Falun Gong (1999 - atualmente)

Falun Gong é uma quase-reli­gião chi­nesa rela­ti­va­mente recente base­ada em valo­res fun­da­men­tais de vera­ci­dade, com­pai­xão e tole­rân­cia, bem como exer­cí­cios des­ti­na­dos a melho­rar a saúde e a ener­gia. Mas para milhões de seus segui­do­res na China, suas cren­ças podem colocá-los na pri­são ou até mesmo mor­rer.

Desde 22 de julho de 1999, pra­ti­car o Falun Gong na China é con­tra a lei. A China ainda tem seu pró­prio depar­ta­mento de segu­rança, o 6–10 Office, que lida exclu­si­va­mente com a supres­são da reli­gião. Entre outros hor­ro­res, o Escri­tó­rio 6–10 foi acu­sado de enviar pes­soas para tra­ba­lhar 20 horas por dia em “cam­pos de reforma”, for­çando solu­ções sali­nas no nariz do pri­si­o­neiro e amar­rando pes­soas em duras posi­ções por dias a fio.

Há até rela­tos de pes­soas pra­ti­cando o Falun Gong tendo seus órgãos remo­vi­dos para trans­plan­tes de órgãos rápi­dos e em demanda. Nos últi­mos 14 anos, desde que a proi­bi­ção da reli­gião come­çou, mais de 3.428 mor­tes foram rela­ta­das, e os núme­ros con­ti­nuam a subir.

A pri­meira inves­ti­ga­ção sobre estas ale­ga­ções foi publi­cada em 2006, pelos cana­den­ses David Kil­gour e David Matas, ex-secre­tá­rio de Estado para a Ásia-Pací­fico e advo­gado de direi­tos huma­nos, res­pec­ti­va­mente. Eles con­cluí­ram que as ale­ga­ções eram ver­da­dei­ras e que os cri­mes con­ti­nuam a ocor­rer. Desde então, várias orga­ni­za­ções como a ONU e a OMS pedi­ram rela­tó­rios sobre o assunto e, em mui­tos paí­ses, foram emi­ti­das reso­lu­ções con­de­nando esses cri­mes.

[adro­tate banner=“7”]

O novo rela­tó­rio, de 185 pági­nas, valida os rela­tó­rios ante­ri­o­res, e tam­bém for­nece diver­sos deta­lhes sobre o número de trans­plan­tes, o número de víti­mas e os nomes dos fun­ci­o­ná­rios chi­ne­ses envol­vi­dos no pro­cesso dos trans­plan­tes ile­gais de órgãos.

Uma das pro­vas de des­ta­que são as gra­va­ções de tele­fo­ne­mas em que altos fun­ci­o­ná­rios do Par­tido Comu­nista Chi­nês admi­tem que a colheita de órgãos de pra­ti­can­tes do Falun Gong existe, que elas foram rea­li­za­das e que as ordens foram emi­ti­das pelo pró­prio Jiang Zemin.

Um deles é Bo Xilai, que disse em uma cha­mada telefô­nica em 2006, enquanto ser­via como Minis­tro do Comér­cio Chi­nês em visita ofi­cial à Ale­ma­nha, que Jiang Zemin havia dado a ordem de remo­ção de órgãos dos pra­ti­can­tes de Falun Gong, quando inter­ro­gado pelo Pri­meiro Secre­tá­rio da Embai­xada da China na Ale­ma­nha. Bo Xilai foi mais tarde con­de­nado à pri­são per­pé­tua em setem­bro de 2013, em meio à cam­pa­nha anti­cor­rup­ção lide­rada pelo atual chefe do regime chi­nês.

O rela­tó­rio che­gou a qua­tro con­clu­sões prin­ci­pais:

Primeira conclusão:

Os cri­mes do Par­tido Comu­nista Chi­nês, no que diz res­peito à colheita de órgãos de pra­ti­can­tes de Falun Dafa ainda vivos, são atos pra­ti­ca­dos pelo Estado.

Segunda conclusão:

Vários milhões de pra­ti­can­tes de Falun Dafa, que foram ile­gal­mente deti­dos e leva­dos para local des­co­nhe­cido após se recu­sa­rem a reve­lar suas iden­ti­da­des, têm sido as prin­ci­pais víti­mas deste mas­sa­cre de colheita de órgãos de pes­soas vivas.

Terceira conclusão:

Sete tipos de pro­vas mos­tram que os trans­plan­tes de órgãos na China são pos­sí­veis atra­vés de um pro­cesso de com­pa­ti­bi­li­dade inversa, ou seja, quando um com­pra­dor de um corpo apa­rece, alguém busca um doa­dor com­pa­tí­vel con­sul­tando um enorme banco de dados. Estima-se que o grupo de doa­do­res de órgãos vivos seja com­posto de 2 até 6 milhões de pes­soas.

Quarta conclusão:

O número real de trans­plan­tes de órgãos rea­li­zado pelos hos­pi­tais na China é entre 10 a 20 vezes mais ele­vado do que o número divul­gado publi­ca­mente. Assim, estima-se que o número de pra­ti­can­tes de Falun Dafa assas­si­na­dos para rea­li­zar trans­plan­tes de órgãos seja supe­rior a 2 milhões.

O regime chi­nês tem uma longa his­tó­ria de colheita de órgãos, tanto de cri­mi­no­sos con­de­na­dos à morte como de mino­rias étni­cas e cren­tes. A per­se­gui­ção aos pra­ti­can­tes de Falun Gong come­çou há 16 anos e repre­senta o maior grupo de pes­soas já per­se­guido na his­tó­ria da China. Enquanto advo­gado e inves­ti­ga­dor, David Matas afir­mou que “é um mal nunca antes visto neste pla­neta”.

E que ainda está ocor­rendo.


Artigo ori­gi­nal por List­Verse.
Tra­du­ção e adap­ta­ção de Rodrigo Zot­tis. Revi­são de Alys­son Augusto.


Contribua com a continuidade de Ano Zero, clique aqui.

Você pode que­rer ler tam­bém:

Por que as soci­e­da­des pra­ti­ca­vam sacri­fí­cio humano?
Morte, o segredo desta vida

Equipe Ano Zero
Perfil para publicação de artigos esporádicos e com temas diversos. Esteja por dentro das atualizações do portal Ano Zero, siga-nos nas nossas redes sociais e assine a nossa newsletter para receber nossos e-mails feitos com todo carinho e cuidado.

Compartilhe