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Fargo: quando passamos a admirar o mal?

Em Consciência, Seriados por Victor LisboaComentário

Quem assis­tiu às séries tele­vi­si­vas Os Sopra­nos, Dex­ter, Bre­a­king Bad e House of Cards não teve difi­cul­da­des em cons­ta­tar que mafi­o­sos, psi­co­pa­tas, tra­fi­can­tes e polí­ti­cos cor­rup­tos são os novos mode­los de heróis que a indús­tria de entre­te­ni­mento tem a nos ofe­re­cer. Mas quando foi que pas­sa­mos a admi­rar cri­mi­no­sos e ridi­cu­la­ri­zar quem se ori­enta por prin­cí­pios éti­cos?

Neste momento de rela­ti­vismo moral da tele­vi­são ame­ri­cana, em que nos ofe­re­cem uma ver­são gros­seira e enla­tada para con­sumo em massa da dou­trina de Nietzs­che sobre a trans­va­lo­ra­ção de todos os valo­res, tal­vez pos­sa­mos apren­der algu­mas lições sobre a ver­da­deira natu­reza do mal com dois mes­tres da sétima arte e sua bem-suce­dida ten­ta­tiva de repro­du­zir para a TV um de seus mai­o­res suces­sos no cinema: estou falando de Fargo, pro­du­zido pelos irmãos Coen e ins­pi­rado no longa metra­gem de mesmo nome.

1. A natureza do mal

Para come­çar, não me inter­pre­tem mal: sou fã de Dex­ter, Bre­a­king Bad, House of Cards e Os Sopra­nos. Gra­ças a essas pro­du­ções, as séries de TV pas­sa­ram por uma reno­va­ção inte­gral. Hoje, há pou­cas chan­ces de sucesso para uma série nos mol­des anti­gos, daque­las que con­tam pra­ti­ca­mente a mesma his­tó­ria em todos os epi­só­dios: um pro­blema, uma com­pli­ca­ção, uma solu­ção – e aqui se incluem todas as tra­di­ci­o­nais séries poli­ci­ais, em que um crime era resol­vido em um único epi­só­dio, mas tam­bém pro­du­ções como House, em que o crime era subs­ti­tuído por uma enfer­mi­dade e o cri­mi­noso por alguma bac­té­ria ou vírus.

Con­tudo, não deixa de ser curi­oso o fato de que essas novas séries têm pro­ta­go­nis­tas que figu­ra­riam, déca­das atrás, entre os mal fei­to­res, os vilões a serem der­ro­ta­dos. Mais intri­gante ainda é que, mui­tas vezes, os prin­ci­pais adver­sá­rios des­ses per­so­na­gens são aque­les que tra­di­ci­o­nal­mente assu­mi­riam o papel de heróis da his­tó­ria.

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No uni­verso dos seri­a­dos tra­di­ci­o­nais de outrora, o pro­ta­go­nista seria quem per­se­gue e tenta deter mafi­o­sos que matam sem remorso, psi­co­pa­tas que esquar­te­jam por voca­ção, tra­fi­can­tes que enve­ne­nam ino­cen­tes e polí­ti­cos que cor­rom­pem todos ao seu redor. Porém, em Os Sopra­nos, os agen­tes do FBI atuam como pate­tas, inca­pa­zes que são de pren­der o caris­má­tico mafi­oso. Em Bre­a­king Bad e Dex­ter, inves­ti­ga­do­res hones­tos e com­pro­me­ti­dos com seu dever são retra­ta­dos como mero estorvo para o pro­jeto de vida pes­soal do pro­ta­go­nista. E, em House of Cards, jor­na­lis­tas ínte­gros figu­ram como coad­ju­van­tes des­car­tá­veis, afas­ta­dos como mos­cas pelo per­so­na­gem prin­ci­pal.

Curi­o­sa­mente, neste exato momento, várias maté­rias apon­tam que o cinema ame­ri­cano está per­dendo espaço para os seri­a­dos de TV, muito mais cri­a­ti­vos e ousa­dos. Tam­bém neste momento, os per­so­na­gens que fazem mais sucesso no cinema são os super-heróis da edi­tora Mar­vel, como Vin­ga­do­res, Capi­tão Amé­rica e X-Men, repre­sen­tan­tes quase este­re­o­ti­pa­dos (por mais que os fãs se recu­sem a acei­tar) dos melho­res ide­ais da huma­ni­dade: jus­tiça, bon­dade, hones­ti­dade, com­pai­xão, igual­dade e sacri­fí­cio – tudo com uma boa tem­pe­rada do ame­ri­can way of life.

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Quando é pre­ciso repre­sen­tar deter­mi­na­dos valo­res ou ideias de maneira este­re­o­ti­pada, dema­si­a­da­mente fan­ta­si­osa, como no caso do super-heróis, é por­que não encon­tra­mos lugar no mundo real para inse­rir tais prin­cí­pios de forma veros­sí­mil e empol­gante. É uma forma de con­fis­são de que não só des­con­fi­a­mos da exis­tên­cia de pes­soas tão decen­tes e hones­tas como aque­las que pro­ta­go­ni­zam os fil­mes de Frank Capra, mas tam­bém de que não acha­mos tais indi­ví­duos inte­res­san­tes o sufi­ci­ente para mere­ce­rem os holo­fo­tes.

Pre­su­mindo que esse um fenô­meno não é pro­pri­a­mente ame­ri­cano, mas sim algo repre­sen­ta­tivo de um qua­dro mais amplo na cul­tura oci­den­tal, vale per­gun­tar: esse entu­si­asmo midiá­tico com pro­ta­go­nis­tas cri­mi­no­sos é indi­ca­tivo da dege­ne­ra­ção moral de nos­sos tem­pos ou, ao con­trá­rio, sinal de que esta­mos ama­du­re­ci­dos o sufi­ci­ente para olhar de frente os aspec­tos mais som­brios da natu­reza humana?

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Se a res­posta for a última alter­na­tiva, então será que os aspec­tos mais som­brio da natu­reza humana estão sendo retra­ta­dos com fide­dig­ni­dade nes­ses seri­a­dos ou, ao con­trá­rio, há uma gla­mou­ri­za­ção exces­siva, uma roman­ti­za­ção do mal que fal­seia o que há de sór­dido e mes­qui­nho em mafi­o­sos, psi­co­pa­tas, tra­fi­can­tes e polí­ti­cos cor­rup­tos?

É nesse cená­rio de dúvi­das que estreia Fargo, série base­ada no filme homô­nimo dos irmãos Coen.

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2. Fargo e o mal encarnado

Fargo é rotei­ri­zado por Noah Hawley e pro­du­zido pelos irmãos Coen, o que garante fide­li­dade ao espí­rito do tra­ba­lho ori­gi­nal. Na his­tó­ria, e sem entre­gar o roteiro ao lei­tor, três homi­cí­dios ocor­rem mis­te­ri­o­sa­mente em curto espaço de tempo numa minús­cula cidade no inte­rior de Minnesota/EUA.

Esses even­tos ser­vem de pano de fundo para uma aná­lise daquilo que nossa soci­e­dade moderna tenta negar ou, pior ainda, men­su­rar e raci­o­na­li­zar atra­vés de teo­rias supos­ta­mente cien­tí­fi­cas: a exis­tên­cia do mal. Porém, como é dito por um per­so­na­gem na cena a seguir, os dra­gões da alma humana não dei­xam de exis­tir tão somente por­que nos recu­sa­mos a reco­nhe­cer sua exis­tên­cia.

Difi­cil­mente Fargo será um sucesso de público — não por ser ruim, mas por estar um pouco além do nível de com­pre­en­si­bi­li­dade e humor que o público medi­ano con­se­gue apre­ciar. Nada é óbvio em Fargo. Como na vida real, os even­tos se desen­la­çam sem qual­quer pre­vi­si­bi­li­dade e os per­so­na­gens não con­se­guem dar uma forma ao acaso que rege seus des­ti­nos.

O inte­res­sante é que não se trata de uma série poli­cial com trama dete­ti­vesca, na qual o espec­ta­dor per­ma­nece ini­ci­al­mente na escu­ri­dão, junto com as auto­ri­da­des, e vai acom­pa­nhando a solu­ção dos prin­ci­pais mis­té­rios ao longo dos epi­só­dios: quem matou, como matou e qual o motivo. Em Fargo, desde o iní­cio, nos­sos olhos tes­te­mu­nham cla­ra­mente tudo o que acon­tece, e a ver­dade é que não há nenhum grande motivo para os três homi­cí­dios – as víti­mas foram mor­tas sim­ples­mente por­que alguém quis, seja gui­ado por mero capri­cho, seja ori­en­tado por fúria repri­mida.


O aspecto cômico de Fargo con­siste em acom­pa­nhar um casal de poli­ci­ais ten­tando encon­trar uma ordem nes­ses even­tos caó­ti­cos, uma razão para eles terem acon­te­cido, quando já sabe­mos de ante­mão que não há ordem alguma, razão par­ti­cu­lar alguma. A trama de Fargo é um micro­cosmo da vida real, em que todos nós ten­ta­mos lidar com o caos diá­rio de fatos que ale­a­to­ri­a­mente nos acon­te­cem medi­ante a cri­a­ção de teo­rias, de expli­ca­ções, de fábu­las ou de dou­tri­nas polí­ti­cas ou reli­gi­o­sas sobre a natu­reza das coi­sas, o sen­tido da vida e a con­di­ção humana quando, no fundo, nada acon­tece por alguma razão em par­ti­cu­lar.

O pro­blema é que, quando essas teo­rias e fábu­las falham (e elas sem­pre falham em algum momento), per­ce­be­mos que grande parte de nossa ener­gia e tempo foi des­per­di­çada nessa vã ten­ta­tiva de negar a desor­dem. Nesse estado de con­fu­são e falên­cia de nos­sas cren­ças pes­so­ais, sobra-nos ape­nas o lado ani­mal, que, até então repri­mido e negli­gen­ci­ado, ame­aça tomar as rédeas de nossa cons­ci­ên­cia. Observe o diá­logo nessa cena de Fargo:

É ver­dade que, em Fargo, assim como em outras séries de TV, um cri­mi­noso está no cen­tro da trama, pro­ta­go­ni­zando os even­tos. Mas, dife­rente das demais pro­du­ções, na obra pro­du­zida pelos irmãos Coen esse per­so­na­gem é des­pro­vido de qual­quer qua­li­dade: não tem o estilo bona­chão de Tony Soprano, não ganha nossa sim­pa­tia como Wal­ter White e nem pos­sui o carisma freak de um Dex­ter. O per­so­na­gem Lorne Malvo, magis­tral­mente inter­pre­tado por Billy Thorn­ton (ator que pro­ta­go­ni­zou O homem que não estava lá), é tão caris­má­tico, sim­pá­tico e char­moso como uma besta que mata por­que é o que sabe fazer de melhor.

Lorne Malvo é, assim, a repre­sen­ta­ção do mal não ape­nas no sen­tido meta­fí­sico, mas tam­bém na pers­pec­tiva de uma lógica natu­ral que con­duz os homens à perda e à dor sim­ples­mente por­que é desse jeito que as coi­sas são. Enquanto repre­sen­ta­ção do mal, ele não é atra­ente, mas tam­pouco repul­sivo, não tem qual­quer obje­tivo espe­cí­fico com suas con­du­tas senão exis­tir e, exis­tindo, engen­drar o inferno para todos aque­les que acre­di­tam que há algum sen­tido para suas vidas – tal como faz com o pro­pri­e­tá­rio de uma rede de super­mer­ca­dos, um sujeito que acre­dita haver uma razão espe­cial, um pro­pó­sito divino, em todos os prin­ci­pais fatos de sua his­tó­ria pes­soal.

Em resumo, Lorne Malvo, assim como um aci­dente de carro que des­graça nos­sas vidas, uma doença fatal ou um cri­mi­noso que nos esco­lhe ale­a­to­ri­a­mente em uma rua escura, cruza o des­tino de suas víti­mas por­que é da sua natu­reza por­tar-se assim.

3. A lógica do predador

Na série Fargo, pode­mos per­ce­ber a influên­cia de outro filme dos irmãos Coen: Lorne Malvo é, em mui­tos aspec­tos, uma encar­na­ção de Anton Chi­gurh, o “vilão” da obra Onde os fra­cos não têm vez (No Coun­try for Old Men). Ambos os cri­mi­no­sos não têm em comum ape­nas nomes esqui­si­tos e cor­tes de cabelo extra­va­gan­tes. Sem pas­sado conhe­cido e sem raí­zes com a comu­ni­dade em que estão inse­ri­dos durante a his­tó­ria, eles são igual­mente vio­len­tos, matam por capri­cho e não demons­tram qual­quer ódio par­ti­cu­lar por suas víti­mas.


Em No Coun­try for Old Men, Anton Chi­gurh delega o poder de deci­dir se alguém deve ou não mor­rer a uma moeda. Não é a ganân­cia ou a raiva que o move, mas sim­ples­mente a von­tade de se diver­tir com a ideia de que o ter­ror pode ser ins­tau­rado no des­tino de qual­quer um por um ale­a­tó­rio cara ou coroa, como obser­va­mos na tensa cena a seguir.

A bar­bá­rie per­pe­trada por ambos os per­so­na­gens é tão gra­tuita e indis­cri­mi­nada e eles atuam com tanta segu­rança ao dis­se­mi­nar a vio­lên­cia que uma aura de sobre­na­tu­ra­li­dade os envolve. Eles não pare­cem estar inte­res­sa­dos no dinheiro que podem obter, mas em serem os repre­sen­tan­tes do caos e do medo. E assim é com todo grande mal que nos aflige. Sen­ti­mos a força que nos atinge como se fosse algo seme­lhante à fúria divina, pois car­rega o traço ter­rí­vel da expe­ri­ên­cia do sublime, e ten­ta­mos emo­ci­o­nal­mente expli­car ou per­so­na­li­zar o que nos causa hor­ror.

Mas jul­gar que Lorne e Anton são emis­sá­rios de uma enti­dade maligna é per­der total­mente o ponto, pois a essên­cia da par­ti­ci­pa­ção des­ses per­so­na­gens nos rotei­ros é jus­ta­mente esta: o mal não tem iden­ti­dade, ocorre sem motivo, ao acaso.

4. O vilão que há em nós

Com frequên­cia, a mente humana tenta enxer­gar sen­tido onde não há nenhum. A prin­cí­pio, pode pare­cer que esse é um com­por­ta­mento pro­vei­toso, pois cons­ti­tui uma estra­té­gia para lidar­mos com o caos da exis­tên­cia. Porém, aquilo que não acei­ta­mos e não com­pre­en­de­mos com obje­ti­vi­dade exerce sobre nós uma força ainda maior, na medida em que não esta­mos pre­pa­ra­dos para enfrentá-la tal como é.

Há um tre­cho do livro homô­nimo que ins­pi­rou No Coun­try for Old Men, escrito por Cor­mac McCarthy, que retrata bem essa situ­a­ção. Nessa pas­sa­gem do romance, uma das víti­mas implora que Anton Chi­gurh poupe sua vida. Ao que ele res­ponde:

Você pede que eu me torne vul­ne­rá­vel, e isso nunca pode­rei fazer. Tenho ape­nas esse modo de viver, e ele não admite mise­ri­cór­dia. No máximo, uma moeda é jogada, e nesse caso para um sim­ples pro­pó­sito. A maior parte das pes­soas não admite que possa exis­tir alguém como eu. E veja que pro­blema isso deve ser para elas. Afi­nal, como domi­nar aquilo em cuja exis­tên­cia você não acre­dita?”

Da mesma forma, ten­ta­mos enxer­gar em atos cri­mi­no­sos uma razão quando não há razão alguma, senão a natu­ral pro­pen­são humana para a agres­são, mui­tas vezes gra­tuita – algo que não seria inte­res­sante o sufi­ci­ente para, nos seri­a­dos ame­ri­ca­nos, com­por um caris­má­tico pro­ta­go­nista, e que tam­pouco ser­vi­ria para retra­tar um vilão este­re­o­ti­pado. A bana­li­dade do mal, reco­nhe­cida por Han­nah Arendt, está justo aí. Na rea­li­dade, o mal não faz gran­des his­tó­rias, não pro­duz gran­des heróis ou ter­rí­veis vilões. O mal faz víti­mas e pro­duz sofri­mento, só isso.

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E se você esti­ver certo e eles erra­dos?” Car­taz que vemos com frequên­cia em Fargo.

Tal­vez essa ten­dên­cia das séries ame­ri­ca­nas de retra­ta­rem pro­ta­go­nis­tas moral­mente dúbios seja, no ima­gi­ná­rio cole­tivo, um passo em dire­ção a uma pos­tura mais franca e sau­dá­vel em rela­ção à natu­reza humana. Em um movi­mento pen­du­lar, após déca­das rele­gando nos­sos pio­res ins­tin­tos a um papel coad­ju­vante (vilão des­ti­nado a ser der­ro­tado por um ide­a­li­zado herói), a indús­tria de entre­te­ni­mento passa a glo­ri­fi­car alguns de nos­sos pio­res pesa­de­los, huma­ni­zando-os e reve­lando que nenhum indi­ví­duo, seja lá qual for sua par­cela de culpa no pecado ori­gi­nal, não é essen­ci­al­mente dife­rente de nós.

Se isso for ver­dade, é pos­sí­vel que o público esteja ena­mo­rado do mal pela sim­ples razão de que essa seja uma forma efi­caz de, soci­al­mente, reco­nhe­cer­mos nos­sos aspec­tos mais som­brios, ao invés de atri­buí-los a um povo estran­geiro ou a qual­quer outro tipo de ini­migo que con­ve­ni­en­te­mente pos­sa­mos inven­tar, sejam os comu­nis­tas da Guerra Fria ou as bru­xas da Idade Média. Para os ame­ri­ca­nos, após os ata­ques de 11 de setem­bro e a his­te­ria cole­tiva que os con­du­ziu à Guerra ao Ter­ror, esgo­tou-se a fór­mula segundo a qual todo o mal vem de povos ini­mi­gos. As tor­tu­ras e vio­la­ções de direi­tos huma­nos cons­ta­ta­das em Guan­tá­namo e Abu Ghraib esfre­ga­ram na sua cara que tam­bém são capa­zes de pro­du­zir hor­ro­res.

Não há, por­tanto, alter­na­tiva à indús­tria de entre­te­ni­mento senão aju­dar aquela soci­e­dade em seu pro­cesso de assi­mi­la­ção do pró­prio mal. Se isso con­du­zirá ao cinismo des­ca­rado ou a ado­ção de uma ética menos hipó­crita e mais efe­tiva, só o tempo poderá res­pon­der.

Victor Lisboa
Editor do site Ano Zero.

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