Tenho visto recentemente algumas imagens circulando pela internet falando de uma suposta “taxa rosa”. Pra quem não sabe, taxa rosa se refere a um preço maior pago pelas mulheres em produtos similares ou idênticos aos dos homens, e o fator principal, segundo algumas feministas coletivistas, seria o próprio sexismo do mercado.

O que é o Pink Tax? PictolineA ideia de que produtos sejam mais caros apenas por serem femininos soa absurda. É simples de entender que o mercado se ajusta ao consumidor de forma que possa lucrar com isso. Nesse caso em específico, é empírico como as mulheres se atentam, costumeiramente, muito mais a pequenos detalhes em produtos do que homens, principalmente estéticos, como cores, desenhos, formas…

Eu mesma já percebi diversas vezes em mercados o preço de uma gilete, por exemplo: por que eu pagaria a mais por uma gilete só porque está escrito em sua embalagem que a mesma é direcionada para mim quando ambas têm a mesma finalidade e qualidade, e suas únicas diferenças perceptíveis são as cores e embalagem?

Segundo Ruhban Sandlers, do site Finanças Femininas, um dos fatores pode ser a falta do costume de pesquisar e comparar preços, o que — considerando que mulheres tem um leque muito maior de produtos alvo — pode contribuir para que se gaste muito mais, fazendo com que o mercado invista nisso.

Culturalmente, mulheres parecem ser muito mais preocupadas com sua aparência, o mercado sabe que existe essa demanda e se aproveita disso para lucrar, o que não está errado, já que a opção final de comprar um produto ou não está nas mãos das mulheres.

Essa semana tive um exemplo bem claro daquilo que algumas feministas chamariam de sexismo no mercado. Fui comprar roupas para uma formatura, e enquanto um formando do sexo masculino com R$100,00 conseguia alugar um terno simples, uma moça pagaria cerca de R$1.000,00 só pelo vestido, e ainda temos sapato, maquiagem, unhas, e todo esse ritual que você mulher conhece. Mas o cerne da questão é: os vestidos possuem mil detalhes que exigem mais mão de obra e investimento, e principalmente, mulheres estavam dispostas a pagar aquilo tudo para ficarem satisfeitas com sua aparência. Elas não são obrigadas, mas procuram e pagam por isso, e não há absolutamente nada de errado nessa escolha.

Então, concluindo, antes de falar em “taxa rosa”, se pergunte se você não se deixa levar por um detalhe supérfluo que não altera em nada a qualidade do produto, ou se você pesquisa por preços menores, e principalmente se você não gostaria de pagar a mais por um produto que atenda a seu estilo de vida para um mercado que está disposto a oferecê-lo.

As mulheres são o publico alvo que movimenta esse mercado, e ao menos que você queira obrigá-las a deixar de consumir algo, é preciso reconhecer que não existe nenhuma conspiração para que paguemos mais pelo mesmo, e sim nossas próprias necessidades e desejos sendo sondados e atendidos.

Natalia Maldaner
Tem 18 anos, saiu do interior de SC pra se aventurar no litoral e estudar Tecnologias de Informação na UFSC. Cultiva o hábito de infância de ler assiduamente e repassar o que adquire dessas histórias para o próprio papel ocasionalmente (alguns chamam de “meter o bedelho onde não é chamada”)
  • Fernando Alves

    Olá Natália,

    Acredito que existem dois lados dessa história. Ao mesmo tempo em que concordo que exista a taxa rosa, não acho que ela esteja tão inserida assim no mercado. Cada caso é um caso. Usando seus próprios exemplos:

    No caso da Gillette, concordo que seja exagero pensar que ela seja mais cara somente por ser rosa e estar escrito que é “para mulheres”. Existe a lei da oferta e da procura e se todas as mulheres resolverem parar de usar Gillette porque saiu uma forma mais eficaz e mais barata de se depilar, o produto obrigatoriamente precisará ter seu preço abaixado para não morrer. Não há maldade nisso (com exceção das maldades do capitalismo, mas isso fica pra outro dia).

    Mas quando você pega um evento como uma formatura em que existe uma cultura de competitividade que diz que uma mulher tem que estar mais “arrasadora” que a outra e o mercado explora esse fato para cobrar mais, aí vejo como a taxa rosa influencia. Eu não creio que o vestido que você mencionou tenha dado 10 vezes mais trabalho e custado 10 vezes mais para ser produzido em relação ao terno para que um custe 1.000 e o outro 100. Acho que existe uma exploração aí. A cultura diz que ela tem que comprar esse vestido para que ela cumpra seu papel social de ser “linda”.

    Ainda que para a loja seja, da mesma forma que no caso da Gillette, a lei do mercado e ela não tenha culpa, vivemos numa cultura em que se cobra mais caro da mulher em certos âmbitos e isso é um dos pontos em que o feminismo acerta ao combater.

    • Vinicius

      O caso do vestido não pode ser considerado taxa rosa, pois ele e ternos não são produtos similares.

      Assim, não se trata só de mão de obra, mas de materiais, escala, processo produtivo e vários outros fatores diferentes.

      Você citou uma necessidade feminina de diferenciação. Cultural ou não, é uma necessidade real e não simplesmente uma taxação pelo fato de serem mulheres.

  • Maôejin

    E a taxa azul, então? Baladas custando às vezes 3 vezes a mais para o homem do que para a mulher. Tem dia no VIla Country que mulher entra de graça e homem paga 60 reais.

    Sabe por quê? Porque homem entra na balada se tiver mulher, então eles aproveitam para esfolar os homens, igual acontece com essas marcas que para o mesmo produto vendem mais caro uma versão supostamente feminina, porque vende mais e as clientes são mais interessadas em adquirir esses produtos.

    Mas a autora tem 18 anos, ainda não deve perceber todos os benefícios de ser mulher na night. Enquanto ela recebe bebidas gratuitas e entra de graça, seus amiguinhos homens tem a mesma conta da balada bem mais cara. Mas o problema é as lâminas que custam diferente no supermercado. Tá Serto.

  • Alisson Bispo

    A ideia de um mercado sexista é simplesmente idiota. O mercado visa lucro, não praticar machismo. A industria explora diversos estereótipos: homem viril, mulher delicada, homem esportista, mulher fitness.
    Se elas estão insatisfeitas com o mesmo produto rosa ser mais caro, então que comprem o azul ora bolas, elas deveriam ser as primeiras a negar a ideia de separação de objetos por gênero.
    Dando um exemplo, mês passado eu comprei um pacote com 4 gilletes rosa que estavam mais baratos que um pacote de 3 gilletes azuis. Ambos eram aparentemente iguais, mas no primeiro uso percebi que a cabeça do gillete rosa era péssima pra fazer a barba. Isso me fez pensar que os produtos, embora aparentemente iguais, tenham diferenças que se refletem no preço. Pode ser a qualidade das molas internas ou a afinação da lâmina, por exemplo. Baseado nisso a minha hipótese é de que se um produto rosa, azul ou com uma tampa em formato de bola é mais caro, talvez ele tenha algo a mais pra justificar esse preço maior ao invés do sexismo cru. Se for o mesmo, as pessoas que se importam vão perceber e simplesmente comprar o mais barato.

    Isso é mais um exemplo de visão de túnel das feministas, quando só enxergam as próprias injustiças e pensam estar sempre em desvantagem.