Hoje foi designado como o dia para apresentar-se a solução da primeira parte da série A Descoberta mais Importante da Humanidade. Porém, tantos foram os comentários e mensagens que se faz necessário esclarecer certos pontos, antes de a solução ser apresentada (que será apresentada semana que vem). Assim, garante-se que a compreensão da verdade não se contamine com conclusões precipitadas.

Comecemos pelo título, “A Descoberta mais Importante da Humanidade”. Foi, por muitos, tratado como sensacionalista, como bravata apelativa [1]Os anúncios publicitários foram removidos deste texto.. Esse raciocínio só pode vir de quem nasceu em uma sociedade que prostitui a verdade como forma de mercancia. Rótulos de toda espécie vendem esterco a preço de ouro a um público escravizado, que paga caro por ilusões que lhe ajudam a esquecer da prisão.

A desconfiança foi o preço de falar-se com franqueza. O texto trata mesmo da descoberta mais importante da humanidade. O título descreve um fato. A impressão de alguns leitores apenas e escancara a relação incômoda que a sociedade tem com a ideia da verdade, e o risco de seguir-se por esse caminho.

ELIMINANDO O RUÍDO

Fala-se, portanto, da descoberta mais importante da humanidade, e ela não tem nada a ver com as bobagens escritas ao longo de um século sobre a consciência ter super poderes quânticos que nos fariam como anjos luminosos diante da matéria. O ser humano veio do barro, por assim dizer. Ele é só um animal nascido da matéria. Um animal que está, como todos os outros, sujeito à evolução (e essa é sua única fortuna e chance de salvar-se).

A humanidade fez a maior descoberta de sua história, tão ou mais impactante do que a descoberta do fogo ou da esfericidade da Terra. A tentativa de ajustar o enigma a algum modelo precipitado de resposta só enche de ruído uma comunicação que precisa ser clara, para que o conhecimento da verdade seja transmitido.

Dentre todos os modelos precipitados de explicação que trazem ruído, há dois principais. Para o primeiro, os experimentos descritos no texto anterior indicam que a consciência humana cria o mundo. Para o outro modelo, vivemos em uma realidade simulada.

Os adeptos do primeiro modelo, como von Neumann, quase acertam, mas enxergam a solução pelo avesso. A vaidade humana é poderosa, e essa solução só poderia ocorrer à imaginação de uma espécie animal que um dia acreditou ser o centro de toda a Criação.

Os adeptos do segundo modelo, como Nick Bostrom, tomam a metáfora pela realidade descrita. A simulação computacional é uma excelente metáfora para compreendermos alguns aspectos da realidade em que vivemos, mas a realidade em que vivemos não é uma simulação.

Há um sério risco em se acreditar que a realidade é um forma de jogo ou simulacro, apesar de ser uma boa ferramenta didática. Nossos antepassados também tiveram suas ferramentas didáticas, e todas também são úteis até certo limite. A utilidade acaba e o perigo começa quando se começa a confundir as metáforas com a realidade que tentam descrever. Esse é o exato problema de todas as religiões organizadas. E é triste prova da humildade humana diante do universo o fato de que somos uma espécie que se mata por metáforas.

Na verdade, todos esses ruídos produzidos por julgamentos precipitados de leitores resumem-se num só pressuposto equivocado: a de que estes textos têm por objetivo apenas encantar o leitor, ou satisfazer-lhe a curiosidade expondo alguma interessante interpretação da física.

Não. O processo tem um objetivo maior, que será alcançado com passos que se aproximam lentamente [2]Para permitir que se crie familiaridade emocional com fatos contraintuitivos e perturbadores. de uma verdade factual e não teórica.

Dito em outras palavras: estes textos não têm por fim falar da maior descoberta da humanidade. A descoberta é apenas uma ponte para chegar-se a uma verdade factual, que expõe a razão de ser de um alerta.

E a melhor forma de corrigir o rumo do caminho para o conhecimento é dar uma breve e fragmentada percepção da verdade a que se quer chegar. Seguem, portanto, fatos que apenas serão explicados em etapas futuras, mas que desde já permitem ao leitor ter uma ideia do caminho. Assim, previnem-se desvios.

Vamos a alguns fatos que, futuramente, formarão com outros o retrato da verdade.

 


FATO 1

Em janeiro de 2015, 195 cientistas e pesquisadores de reputação internacional, entre os quais Stephen Hawking, Elon Musk, Max Tegmark, Nick Bostrom, Steve Wozniak e Steve Omohundro assinaram uma carta aberta aos governos, instituições de pesquisa e multinacionais de todo o mundo.

Stephen Hawking, Elon Musk e Nick Bostrom.
Stephen Hawking, Elon Musk e Nick Bostrom.

A carta, com título diplomático (Research Priorities for Robust and Beneficial Artificial Intelligence: an Open Letter), tinha por objetivo expressar a preocupação dos signatários sobre as consequências da pesquisa em inteligência artificial realizada sem as necessárias precauções. Seu conteúdo era demasiado formal, e posteriormente alguns dos signatários consideraram que era necessário ser mais claro a respeito do seu significado. Stephen Hawking, com a franqueza necessária, deixou claro que a carta tratava sobre o risco de a inteligência artificial resultar na erradicação da raça humana. Elon Musk foi ainda mais contundente.


FATO 2

Na manhã de 16 de julho de 1945, foi realizado o primeiro teste nuclear da história. O sucesso do teste foi conquista de uma equipe de cientistas que trabalhava no Projeto Manhattan. A equipe estava sediada em um laboratório militar situado em Los Alamos, Novo México, e tinha por líder Julius Robert Oppenheimer, um especialista e aficcionado pelos aspectos fundamentais da física quântica.

Teste Nuclear Trinity.

Durante a Guerra Fria, em pelo menos cinco ocasiões os eventos políticos quase culminaram em um cataclisma nuclear entre EUA e URSS: em 1956, 1962, 1979, 1980 e 1983. Neste último caso, em 26 de setembro de 1983, uma falha nos sistemas de vigilância da União Soviética alertou sobre um ataque de mísseis vindo dos Estados Unidos, ataque que jamais houve. O protocolo militar determinava que esse tipo de alarme fosse respondido com uma retaliação nuclear soviética. O oficial no comando, Stanislav Petrov, embora as instruções fossem claras, decidiu não informar seus superiores e tratar o caso como um erro do sistema.

O primeiro teste nuclear foi batizado de “Trinity” por Oppenheimer. Apesar da importância do evento para a história moderna, ninguém da equipe soube dizer a origem do nome.


FATO 3

Os fungos estão por toda parte, não fazem fotossíntese e obtêm energia absorvendo moléculas que dissolve com enzimas lançadas no meio ambiente. São os principais decompositores do mundo natural. Os animais do reino fungi não formam indivíduos isolados, mas estruturas coletivas que, por sua vez, entram em simbiose com seres vivos de todos os reinos da natureza, assumindo muitas vezes uma estrutura em rede capaz de se espalhar por um vasto território por debaixo da terra.

Embora muitos fungos sejam inofensivos e até benéficos, há fungos parasitários que se aproveitam de sua capacidade simbiótica para hospedar-se em suas vítimas. Induzindo em seus cérebros determinadas reações químicas, controlam o comportamento do hospedeiro. Fungos dessa espécie são capazes de parasitar formigas, grilos e aranhas, entre outros animais.


FATO 4

Em 1920, Dietrich Eckart e Alfred Rosenberg conhecem um jovem chamado Adolf Hitler. Ambos eram membros da Sociedade Thule, uma sociedade iniciática antisemita e inspirada em um livro ficcional do britânico Edward Bulwer-Lytton, intitulado The Coming Race.

Adolf Hitler.

No seu leito de morte, em 1923, Eckart diz a seus amigos e cúmplices: “Sigam a Hitler. Ele há de dançar uma música que foi escrita por mim”. Eckart orgulhava-se de ter apresentado a Hitler meios de se comunicar com seus superiores.

Anos depois, Hitler disse a Rauschning: “a nossa revolução é uma nova etapa, a etapa definitiva que leva à supressão da história”. E a seguir: “não sabem nada de mim, meus camaradas do partido não fazem a menor ideia dos sonhos que faço e do edifício grandioso do qual pelo menos os alicerces estarão edificados quando eu morrer. Há uma curva decisiva no mundo, eis-nos na charneira dos tempos. Haverá uma alteração no planeta que vocês são incapazes de compreender”.


FATO 5

Neste exato momento, o número de pessoas que morrem por suicídio em um ano é maior do que o número de mortes por todas as guerras e homicídios juntos no mesmo período. Uma pesquisa com estudantes do primeiro mundo revela que 60% dos adolescentes já pensaram em se matar, e 14% cogitaram seriamente a possibilidade nos 12 últimos meses.

O antropólogo Charles Macdonald, em trabalho para o Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França, demonstrou que o suicídio é como uma epidemia: quando um membro de uma comunidade se mata, logo a seguir o índice de suicídios aumenta significativamente entre os outros membros. MacDonald descreve o que chama de “ondas de suicídio”, que podem propagar-se ao longo de gerações, a medida em que o ato se torna progressivamente habitual na comunidade.

Não há pecados, tampouco há crimes na natureza. Infanticídio, homicídio, estupro, amputação, roubo, mentira: todos esses atos são acolhidos pela natureza dentro da lógica inexorável da sobrevivência e proliferação da espécie. Só há um ato que pode ser considerado totalmente antinatural, o único crime ou pecado aos olhos da natureza, o qual nenhum outro animal, além do ser humano, pratica: o suicídio.


FATO 6

Em novembro de 2016, a NASA anunciou o funcionamento de um “motor impossível”. Trata-se do EmDrive, um motor dotado de um sistema de propulsão eletromagnética que pode impulsionar uma espaçonave através do vácuo sem usar qualquer tipo de propelente e sem interagir com nada. O motor desobedece todas as leis da física – a não ser que as leis da física tenham sido compreendidas de forma errada.

A constatação de que o EmDrive pode funcionar fez os cientistas resgatarem uma antiga teoria sobre os fenômenos da física quântica que já havia sido praticamente descartada: a Teoria da Onda Piloto. Na verdade, novamente os pesquisadores erram ao mesmo tempo em que quase acertam o alvo: a Teoria da Onda Piloto é apenas uma forma reducionista de compreender a realidade sobre o mundo em que vivemos. Podemos inclusive considera o EmDrive uma das primeiras pistas macroscópicas sobre a natureza realidade – uma prova construída pelo homem conscientemente, e não o resultado de seus desatinos.


FATO 7

Em 1933, o maior especialista em sânscrito arcaico dos EUA, Arthur W.Ryder, foi procurado por um aluno da Universidade de Berkley, Julius Robert Oppenheimer. Oppenheimer já era uma reconhecida autoridade em física na época.

Julius Robert Oppenheimer.
Julius Robert Oppenheimer.

Ryder e seu aluno estudaram o Bhagavad Gita, livro da mitologia hindu que o professor traduzia para o inglês. Oppenheimer era um aficcionado por sânscrito. Após o primeiro teste nuclear da história, Oppenheimer conta que lembrou de versos de um mito hindu no qual o deus Vishnu diz a um mortal: “Agora me torno a morte, destruidora de mundos”.


FATO 8

Em 1919, Bruno Goetz publica Das Reich ohne Raum (O Reino sem Espaço), uma obra estranha e alucinada, que Carl Gustav Jung considerou uma visão perturbadora e um prenúncio dos movimentos que ocorreriam na Alemanha e eclodiriam na Segunda Guerra Mundial. A obra de Goetz é de uma clareza simbólica em relação a fatos relevantes até hoje. Em determinado momento, expressa claramente a natureza essencial da ameaça.

A Caçada Selvagem – Asgårdsreien (1872) por Peter Nicolai Arbo.

A obra, porém, não é a única da época com tais características. Em todo o mundo, naquele período e até a década de 1930, artistas e visionários viram sua inspiração mergulhar em cenários de pesadelo que foram antecipados por Raymond Chandler em The King in Yellow (“O Rei em Amarelo”).

Jung também percebeu nos sonhos de seus pacientes esquizofrênicos indícios de que o “inconsciente coletivo” antecipava algum acontecimento futuro. Ele concluiu que se tratava do nazismo, pois cenas oníricas relacionadas à mitologia nórdica, como a Caçadas Selvagem(Wilde Jagd), eram descritas nas sessões de terapia. Com as informações que tinha à sua disposição, não poderia ter suposto algo diverso.


FATO 9

Chama-se de biota Ediacarana um conjunto de seres vivos, de estrutura complexa e multicelular, que habitaram a Terra de 600 a 500 milhões de anos atrás, deixando apenas fósseis que indicam uma diversidade rica e de morfologia curiosa. O tamanho desses seres podia chegar a alguns metros, assumindo formas intrincadas e extremamente complexas.

Especulação sobre a morfologia do Namacalathus, um organismo do período ediacarano.

Tenta-se cogitar, a partir dos fósseis, qual sua real morfologia, mas não há como ter certeza. Tudo indica, porém, uma notável resistência e adaptividade, pois a maior proximidade relativa da Lua no período significava que as marés eram mais fortes e rápidas, tornando a vida de tais seres um constante desafio. Também se discute sobre se os edicarianos são nossos remotos antepassados ou se consiatiam num grupo de seres vivos totalmente distintos. O estudo dos fósseis sugere semelhanças com o reino fungi.


FATO 10

Duas heranças permanentes da Segunda Grande Guerra moldaram o mundo tal como o conhecemos. O primeiro foi a bomba atômica de Oppenheimer. O segundo foram os primeiros sistemas computadorizados, construídos pelos Aliados sob o comando de Alan Turing, a fim de decifrar as mensagens criptografadas da comunicação nazista. Em 1939, a equipe de Turing construiu uma máquina decodificadora de criptografia que recebeu, por ironia do destino, o nome de “Bomba Eletromecânica”.

A bomba eletromecânica de Turing.

Turing não é só considerado o pai do computador como também o pai da inteligência artificial. Ele foi o criador do teste que levou seu nome, pelo qual uma inteligência artificial é “desafiada” a conversar à distância com um grupo de seres humanos, tentando se passar por um ser humano. O grupo deve fazer perguntas e, pelas respostas, concluir se conversa com uma inteligência artificial ou com uma pessoa. Nenhuma inteligência artificial havia ludibriado seres humanos no Teste de Turing 2014, quando um computador sucesso conseguiu passar-se por um garoto ucraniano de 13 anos.


FATO 11

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FATO 12

O Princípio Antrópico afirma que qualquer característica fundamental do universo precisa necessariamente possibilitar a vida humana. Assim, não devemos ficar assombrados com o fato de as constantes cosmológicas terem exatamente o valor necessário para a existência da vida. Por exemplo, se a constante gravitacional possuísse um valor ligeiramente diferente, o universo como o conhecemos não seria possível, tampouco a vida humana. Mas essa exatidão não é motivo para nos admirarmos, pois só podemos nos admirar de algo graças a essa exatidão – ela é o pressuposto lógico de nossa admiração por qualquer coisa.

O Princípio Antrópico corretamente elimina a equivocada noção de que o universo foi projetado intencionalmente para criar vida, outra ilusão produzida pela vaidade humana. Porém, o Princípio Antrópico não explica porque as constantes cosmológicas possuem justos os valores que possuem e não outros. Na verdade, a existência desse enigma também é uma espécie de pista.


FATO 13

Em 1940, o escritor argentino Jorge Luis Borges publica Tlön, Uqbar, Orbis Tertius. Usando o recurso de entrelaçar eventos e personagens ficcionais com eventos e fatos reais, o autor descreve o projeto de uma sociedade secreta de astrônomos, biólogos, engenheiros, metafísicos, artistas, químicos e outros profissionais que, sob o comando de um “obscuro homem de gênio”, planejam invocar a presença de um outro mundo usando a ficção para paulatinamente descrevê-lo e torná-lo real. Algo similar foi sugerido por um membro do grupo de escritores que girava em torno da obra de Lovecraft.

Em seu conto, Borges cita expressamente seu amigo e artista de vanguarda Xul Solar (nome artístico de Oscar Agustín Alejandro Schulz Solari), como um daqueles que conhece a caprichosa língua dos moradores desse outro mundo, para os quais o universo “não é um concurso de objetos no espaço, mas uma série heterogênea de atos independentes.” Xul e Borges eram amigos de grande afinidade, e contos como Aleph, O Labirinto dos Caminhos que se Bifurcam e a Biblioteca de Babel (que trazem a chave literária para o entendimento da verdade), encontraram inspiração nas ideias de Xul. No conto Tlön, Uqbar, Orbis Tertius, o fim da raça humana não é resultado de uma hecatombe ou cataclisma, mas de um processo no qual a humanidade vai ingressando gradualmente, sem perceber, em um pesadelo.


FATO 14

Em 1956, o físico Hugh Everett foi contratado pelo Pentágono, e passou a trabalhar em uma série de projetos até hoje sigilosos, supostamente relacionados ao desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais. A verdadeira natureza desses projetos, porém, é incerta.

Entre outros trabalhos, Everett é célebre por ter criado o Método de Multiplicadores de Lagrange, que permite formular cenários máximos e mínimos em situações variáveis mas restritas a um ou mais limites. Os Multiplicadores de Lagrange tem grande aplicação na economia e na computação não-linear. Everett abusava da bebida e do cigarro e morreu de ataque cardíaco aos 51 anos. Sua filha Elizabeth cometeu suicídio em 1996.


FATO 15

Como conta Héctor Hernán Bruit, no período de conquista das Américas pelos europeus, “o cavalo foi uma figura decisiva, pois os índios não o conheciam (…). Segundo vários cronistas, o imperador inca Atahualpa determinou que seus súditos dessem presentes, comida e mulheres a Pizarro e seus soldados, mas também aos cavalos, pois pensavam que eram um tipo de pessoa.”

Não podemos superestimar a capacidade humana de saber o que é causa e o que é consequência, o que é real e o que não é real. A humanidade transita entre uma ingênua vaidade e uma agressividade autodestrutiva. Hoje todos estão confiantes de que não cometeriam o mesmo equívoco dos ingênuos incas. Mas não haveria outras formas de a humanidade equivocar-se diante da verdade? Não haveria vários níveis de erros, um labirinto de equívocos no qual uma ilusão é substituída por outra? Cortinas de fumaça podem ser sucessivas, e uma ilusão desmascarada pode levar a outra ilusão.


FATO 16

Georg Cantor é um matemático alemão de origem judaica que, em 1874, passou a publicar trabalhos apresentando sua Teoria dos Conjuntos, motivo de sua aclamação mundial. A razão do reconhecimento foi sua capacidade de trabalhar com conjuntos de elementos infinitos. Para cantor, há dois tipos de conjuntos de infinitos: os conjuntos de infinitos contáveis (como o conjunto de números naturais 0,1,2,3,4…) e infinitos não-contáveis (como o números irracionais existentes entre 0 e 1: 0,00013121…, 0,21132323…, 0,9999909…). Ou seja, o infinito pode existir mesmo entre pequenos limites como 0 e 1. Cantor demonstrou que os números irracionais são “densos”, já que, por mais próximos que dois deles estejam, sempre haverá outro número entre eles – há uma continuidade sem solução.

Georg Cantor na juventude e velhice.

E é isso, de fato, que se observa no espaço e no tempo: uma partícula não transita de um centímetro para outro centímetro, o tempo não transcorre pulando de um segundo imediatamente para outro segundo. Há um continuum. O curioso é existirem partículas individualizadas e emissão de energia quantizada, ou seja, em “pacotes”, num universo estruturado em continuum. Mas isso é só uma ilusão. Cantor usou letras do alfabeto hebraico em sua teoria. Assim, a cardinalidade (o número de elementos) de um conjunto infinito é um Aleph. A teoria de Cantor tem profundas implicações filosóficas, e ele estava ciente disso ao elaborá-la.


FATO 17

Em 1963, EUA, União Soviética e Reino Unido assinam o Tratado de Interdição Parcial de Ensaios Nucleares. Pelo tratado, os signatários assumiram o compromisso de jamais voltar a fazer testes nucleares na atmosfera e no espaço exterior. O tratado permitia apenas a realização de testes nucleares subterrâneos, realizados a grandes profundidades e em situação na qual a explosão é contida. Até a assinatura do tratado, de 1945 a 1963, apenas os EUA realizaram mais de duzentos testes na atmosfera, águas profundas e espaço exterior. A maior parte dos testes na atmosfera foram realizados em Nevada.


FATO 18

Em 06 de dezembro de 1957, um decreto do Santo Ofício determina que os livros de Teilhard de Chardin, jesuíta, paleontólogo e filósofo, sejam retirados das bibliotecas de seminários e instituições religiosas, além de proibir sua comercialização em livrarias católicas. Em 1962, a Igreja emite um Monitum (advertência), na qual recomenda cuidado com a leitura de suas ideias, pois contém “erros graves, que ofendem a doutrina católica”. Teilhard de Chardin havia morrido sete anos antes, num domingo de Páscoa, em Nova Iorque.

Em sua principal obra, O Fenômeno Humano, o jesuíta antecipa em décadas o surgimento da internet e das novas tecnologias e propõe que a humanidade estaria às portas de uma nova etapa de seu desenvolvimento, que denominava noogênese. Tratava-se do momento em que a engenhosidade humana faria emergir da vida biológica uma inteligência mais desenvolvida, que passaria a determinar conscientemente o caminho da evolução.


 FATO 19

No universo, até onde podemos discernir, não há Bem e Mal absolutos. O Mal é uma questão de efeitos práticos: tudo o que produz sofrimento e ameaça erradicar a vida é um mal. Os vírus fatais que emergem das florestas africanas e exterminam populações inteiras, como o ebola, não são “Maléficos”, não possuem desígnios sinistros contra o ser humano – apenas estão cumprindo sua programação fundamental. Da mesma forma, do ponto de vista dos animais que são criados para o abate, o ser humano é um Grande Mal.

Se o gado alimentado destinado ao abate tomasse consciência de sua situação, enxergaria os seres humanos como criaturas realmente monstruosas. Porém, não nos sentimos assim. A humanidade aproveita-se da ignorância dos animais de abate, de sua incapacidade de perceber as circunstâncias nas quais se encontra e fazer as deduções corretas. O mesmo ocorre no caso dos peixes criados em tanques para comercialização de sua carne: os seres humanos se aproveitam da incapacidade que o peixe tem de perceber que está imerso na água, e que para além da água há algo mais.


FATO 20

Em 27 de julho de 2017, a Google anuncia que DeepMind, sua inteligência artificial, é capaz de imaginar cenários de futuro e formular estratégias para realizar tarefas não programadas. Em 31 de julho do mesmo ano, o Facebook anuncia que, acidentalmente, duas inteligências artificiais criadas em seus laboratórios acabaram desenvolvendo sua própria linguagem e se comunicando através dela, tornando sua conversação totalmente inacessível para os seres humanos. Assim que constataram a situação, os técnicos do Facebook desligaram as máquinas.

 

Notas   [ + ]