Em Palo Alto, no coração do Vale do Silício, o gestor de fundos Joon Yun está fazendo cálculos em um guardanapo. De acordo com dados de segurança social dos EUA, diz ele, a probabilidade de alguém de 25 anos morrer antes de seu 26º aniversário é de 0,1%.

Se pudéssemos manter esse risco constante ao longo da vida ao invés de subi-lo devido a doenças relacionadas com a idade, a pessoa média viveria – estatisticamente falando – 1.000 anos. Yun acha essa perspectiva tentadora e inclusive crível.

No ano passado, Yun lançou um prêmio de U$ 1 milhão desafiando cientistas a “hackear o código da vida” e forçar a vida humana a alcançar o seu aparente máximo de cerca de 120 anos (a expectativa de vida mais longa conhecida/confirmada foi de 122 anos).

Yun acredita que é possível “resolver o envelhecimento” e levar as pessoas a viver, saudavelmente, mais ou menos indefinidamente. Seu prêmio de longevidade de Palo Alto, que até agora conta com 15 equipes científicas, será concedido em primeira instância para quem restaurar a vitalidade e estender a vida de ratos em 50%.

Mas Yun tem bolsos profundos e pretende colocar mais dinheiro para feitos cada vez maiores.

Ele diz que essa é uma missão moral, ao invés de pessoal. Nossas vidas e a sociedade estão preocupadas com o número crescente de entes queridos perdidos por doenças relacionadas à idade e períodos de sofrimento prolongado de decrepitude, que está custando economias.

Yun tem uma impressionante lista de quase 50 conselheiros, incluindo cientistas de algumas das melhores universidades da América.

A busca de Yun – uma versão moderna do sonho antiquíssimo de encontrar a fonte da juventude – é emblemática do atual entusiasmo em perturbar a morte, que toma conta do Vale do Silício. Bilionários e empresas estão otimistas sobre o que eles podem alcançar.

Em setembro de 2013 a Google anunciou a criação da Calico – uma abreviação de California Life Company. Sua missão é reverter, por engenharia, a biologia que controla o tempo de vida e “conceber a intervenção que permita que as pessoas levem uma vida mais longa e mais saudável”.

Apesar de muito mistério envolver a nova empresa de biotecnologia, ela parece estar em parte desenvolvendo drogas que combatam a idade.

Em abril de 2014 recrutaram Cynthia Kenyon, uma cientista aclamada pelo trabalho que incluía engenharia genética em lombrigas para viverem até seis vezes mais que o normal, e quem falou do sonho de aplicar suas descobertas em pessoas.

“Calico tem dinheiro para fazer quase qualquer coisa que quiser”, diz Tom Johnson, um antigo pioneiro no campo que trabalha agora na Universidade do Colorado, sendo o primeiro a encontrar um efeito genético na longevidade em um verme.

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A fisiculturista Ernestine Shepherd, de 78 anos, atribui sua aparência jovem à dieta e exercício. Mas os cientistas agora dizem que em breve serão capazes de fazer muito mais com drogas. Foto: Lynn Goldsmith/Rex

Em março de 2014, o biólogo americano pioneiro e tecnólogo Craig Venter, juntamente com o empresário fundador da X Prize Foundation, Peter Diamandis, anunciaram uma nova empresa chamada Human Longevity Inc.

Ela não visa desenvolver drogas antienvelhecimento ou competir com a Calico, diz Venter. Mas tem planos de criar um banco de dados gigante de 1 milhão de sequências de genoma humano até 2020, incluindo de ‘supercentenários’.

Venter diz que os dados devem lançar importante luz sobre o que faz uma vida mais longa e mais saudável, e espera que outras pessoas que trabalham pela extensão de vida usem seu banco de dados.

“Nossa abordagem pode ajudar imensamente a Calico e, se sua abordagem for bem-sucedida, pode me ajudar a viver mais tempo” explica Venter. “Esperamos ser o centro de referência no meio de tudo.”

Em um escritório não muito longe da sede da Google em Mountain View, com uma barba quase alcançando o umbigo, Aubrey de Grey está desfrutando o novo burburinho sobre como derrotar o envelhecimento.

Por mais de uma década, ele esteve em uma cruzada inspirando o mundo a embarcar em uma missão científica para eliminar o envelhecimento e estender a vida útil saudável indefinidamente (ele está na diretoria do prêmio de longevidade de Palo Alto).

É um trabalho difícil porque ele considera que o mundo esteja em um “transe pró-envelhecimento”, feliz em aceitar que o envelhecimento é inevitável, quando na realidade é simplesmente um “problema médico” que a ciência pode resolver.

Assim como um carro antigo pode ser mantido em bom estado indefinidamente com manutenção preventiva periódica, não há razão alguma por que, em princípio, o mesmo não pode ser verdade do corpo humano, pensa de Grey. Nós somos, afinal, máquinas biológicas, ele diz.

Suas reivindicações sobre as possibilidades (ele disse que a primeira pessoa que viverá mil anos provavelmente já está viva), e algumas ideias não convencionais e não comprovadas sobre a ciência por trás do envelhecimento, com o tempo fizeram de Grey impopular no mainstream acadêmico estudante do envelhecimento.

Mas o surgimento da Calico e outros sugere que o mundo talvez fique do seu lado, ele diz.

“Há um número crescente de pessoas percebendo que o conceito de medicina anti-envelhecimento, que funciona de verdade, será a maior indústria que existiu, de longe, e que isso só pode ser previsível.”

Desde 2009, de Grey é diretor científico da própria caridade, a Strategies for Engineered Negligible Senescence (Sens) Research Foundation.

Com uma contribuição anual (cerca de U$ 600.000 por ano) de Peter Thiel, um capitalista bilionário do Vale do Silício que usufrui do dinheiro da sua própria herança, ele financia cerca de U$ 5 milhões em pesquisas anualmente. Algumas são feitas em casa, o resto é patrocinado em instituições externas (até mesmo seus críticos dizem que ele faz um bom financiamento da ciência).

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Aubrey de Grey é diretor científico da sua própria instituição de caridade, a Strategies for Engineered Negligible Senescence (Sens) Research Foundation. Ele financia cerca de U$ 5 milhões em pesquisas por ano. Foto: Tim E White/Rex

Mas De Grey não é a única pessoa a ver um novo florescimento na investigação anti-envelhecimento.

“Uma radical extensão da vida não é mais delegada para o ‘reino dos caprichos’ e a escritores de ficção científica,” diz David Masci, pesquisador do Pew Research Center, que recentemente escreveu um relatório sobre o tema, olhando para as dimensões científicas e éticas da extensão de vida radical. “Pessoas sérias estão fazendo pesquisas nesta área e pensadores sérios estão pensando sobre isso.”

Apesar das promessas de financiamento terem sido baixas em comparação às expectativas iniciais, bilionários – não apenas da indústria de tecnologia – com o tempo apoiaram pesquisas em biologia do envelhecimento.

No entanto, a maior parte foi destinada a alargar a saúde, os anos em que você está livre de fragilidade ou doença, ao invés da longevidade, embora um efeito óbvio seja que ela também seria estendida (pessoas saudáveis vivem mais tempo).

“Se uma consequência do aumento da saúde é que a vida será estendida, isso é uma coisa boa, mas a parte mais importante é manter as pessoas saudáveis, tanto quanto possível”, diz Kevin Lee, diretor da Ellison Medical Foundation, fundada em 1997 pelo bilionário da tecnologia Larry Ellison, e que tem sido o maior financiador privado do campo, gastando 45 milhões de dólares anualmente. (A Paul F Glenn Foundation para pesquisa médica é outra).

Considerando que muita pesquisa biomédica concentra-se na tentativa de curar doenças individuais, como câncer, os cientistas neste pequeno campo caçam algo maior. Eles investigam os detalhes do processo de envelhecimento, com vista a encontrar maneiras de evitá-lo em sua raiz, cortando o monte de doenças que vêm junto com o envelhecimento.

A expectativa de vida aumentou nos países desenvolvidos – de cerca de 47, em 1900, para cerca de 80 anos, hoje -, em grande parte devido aos avanços na cura de doenças da infância.

Mas essas vidas mais longas vêm com sua parcela de sofrimento. Doenças crônicas relacionadas à idade, tais como doenças cardíacas, câncer, acidente vascular cerebral e a doença de Alzheimer são mais prevalentes do que nunca.

A abordagem médica padrão – curar uma doença de cada vez – só faz piorar, diz Jay Olshansky, um sociólogo da faculdade de saúde pública da Universidade de Chicago, que dirige um projeto chamado Longevity Dividend Initiative, que toma o caso de financiamento de pesquisa do envelhecimento para aumentar a saúde por razões econômicas. Ele diz:

“Gostaria de ver uma cura para a doença cardíaca ou câncer, mas isso levaria a um aumento dramático na prevalência da doença de Alzheimer.”

O biólogo e tecnólogo americano Craig Venter, cuja empresa Human Longevity Inc planeja criar um banco de dados de um milhão de sequências do genoma humano em 2020.
O biólogo e tecnólogo americano Craig Venter, cuja empresa Human Longevity Inc. planeja criar um banco de dados de um milhão de sequências do genoma humano até 2020. Foto: Mike Blake/Reuters

Ao combater o envelhecimento em sua raiz eles poderiam ser tratados como um só, reduzindo a fragilidade e deficiência, reduzindo todos os riscos de doenças relacionadas com a idade, simultaneamente, diz Olshansky.

As evidências estão agora com uma abordagem mais ousada, em que a introdução do atraso da idade poderia funcionar. Os cientistas já, com sucesso, intervieram no envelhecimento de uma variedade de espécies animais, e pesquisadores dizem que não há razão para acreditar que isso não poderia ser alcançado em pessoas.

“Nós realmente viramos uma esquina”, diz Brian Kennedy, diretor do Buck Institute for Research on Ageing, acrescentando que há cinco anos o consenso científico era de que a pesquisa do envelhecimento é interessante, mas improvável que leve a algo prático.

“Estamos agora no ponto onde é fácil estender a vida útil de um rato. Isso não é mais a questão; a questão é se podemos fazer isto em seres humanos. E não vejo qualquer razão para que não possamos”, diz David Sinclair, um pesquisador de Harvard.

A razão para o otimismo vem após várias abordagens diferentes que têm rendido resultados promissores. Algumas drogas existentes, tais como a droga de diabetes metformin, têm exibido efeitos que desafiam a idade, por exemplo.

Vários medicamentos em desenvolvimento imitam os mecanismos que causam, a animais de laboratório alimentados cuidadosamente com dietas de restrição calórica, um viver mais tempo. Outros copiam os efeitos de genes que ocorrem em pessoas que viveram bastante.

Um medicamento já em ensaios clínicos é a rapamicina, que normalmente é usada para ajudar em transplantes de órgãos e tratar cancros raros. Ele mostrou estender a vida de ratos em 25% – a maior porcentagem alcançada até agora com uma droga -, e protegê-los contra as doenças do envelhecimento, incluindo câncer e neurodegeneração.

Um recente ensaio clínico pela Novartis, em voluntários idosos e saudáveis da Austrália e Nova Zelândia, encontrou que uma variante da droga reforçou sua resposta à vacina contra a gripe em 20% – nossa imunidade à gripe é algo que declina com a idade. Diz Kennedy:

“[Foi] o primeiro [teste] com uma droga suspeita de retardar o envelhecimento, examinando se retarda ou inverte uma propriedade do envelhecimento em indivíduos mais velhos e saudáveis.”

Outras drogas a serem testadas em seres humanos são compostos inspirados pelo resveratrol, um composto encontrado no vinho tinto. Alguns cientistas acreditam que está por trás do “paradoxo francês” o fato de que os franceses têm uma baixa incidência em doenças cardíacas, apesar de suas dietas serem comparativamente ricas.

Em 2003, Sinclair publicou evidências de que altas doses de resveratrol estendem a vida saudável de células de levedura. Depois de a Sirtris, uma empresa co-fundada por Sinclair, ter mostrado que compostos inspirados em resveratrol tinham efeitos favoráveis em camundongos, isso foi comprado pela gigante de drogas GlaxoSmithKline, por U$ 720 milhões em 2008.

Embora o desenvolvimento tenha se revelado mais complicado do que se pensava, GSK está planejando um grande ensaio clínico ainda este ano, diz Sinclair. Ele agora está trabalhando em outra droga que tem uma maneira diferente de ativar o mesmo caminho.

Uma das abordagens mais incomuns sendo testadas é usar o sangue de jovens para revigorar os velhos. A ideia foi corroborada em experimentos que mostraram o plasma de sangue de ratos jovens restaurando capacidades mentais de velhos ratos.

Um processo humano em curso é testar se os pacientes do Alzhemier que recebem transfusões de sangue de jovens experimentam um efeito semelhante.

Tony Wyss-Coray, pesquisador da Stanford que está conduzindo o trabalho, diz que se isso funcionar ele pretende isolar fatores no sangue que dirigem o efeito e, em seguida, tentar elaborar uma droga que faça algo semelhante.

(Desde a publicação de seu trabalho com ratos, muitas “pessoas saudáveis, muito ricas” contataram Wyss-Coray, querendo saber se ele poderia ajudá-las a viver por mais tempo).

James Kirkland, um pesquisador que estuda o envelhecimento na Mayo Clinic, diz que ele sabe de cerca de 20 drogas agora – mais de seis das quais tinha sido escrito em revistas científicas – que estendem a expectativa de vida ou de saúde de ratos.

O objetivo é começar testes em humanos, mas estudos clínicos do envelhecimento são difíceis por causa do comprimento das nossas vidas, embora existam maneiras de contornar isso como testar as drogas contra condições únicas em pacientes idosos e procurando sinais de melhorias em outras condições ao mesmo tempo.

Bom, o que será a primeira droga, e o que ela fará, não está claro. Idealmente, você pode tomar um único comprimido que irá atrasar o envelhecimento em todas as partes do seu corpo. Mas Kennedy observa que, em camundongos tratados com rapamicina, alguns efeitos relacionados com a idade, como catarata, não diminuem.

“Eu não sei de medicamento algum que vá fazer tudo”, ele diz. Quanto a quando você poderá começar o tratamento, Kennedy imagina que no futuro você poderia começar em algum momento entre os 40 e 50 anos “porque te mantém saudáveis mais de 10 anos”.

Com tratamentos numa fase tão precoce, palpites sobre quando chegarão ou quão longe eles estenderão a longevidade humana só podem ser isso mesmo, palpites. Muitos pesquisadores se recusam a especular.

Mas Kirkland diz que a ambição informal em seu campo é aumentar a qualidade de vida por dois a três anos na próxima década ou mais. (A União Europeia tem uma meta oficial de adicionar dois anos até 2020).

Além disso, os efeitos que essas drogas podem ter sobre a extensão de nossas vidas saudáveis é ainda mais difícil de prever. Um relatório recente do UK Human Longevity Panel, um corpo de cientistas convocado pelo segurador legal e geral do Reino Unido, especializado em entrevistas com as principais figuras no campo, disse:

“Houve desacordo sobre até que ponto a longevidade máxima poderia aumentar, com alguns especialistas acreditando que havia um limite máximo que não pode ser esticado muito mais do que os atuais 120 anos, e outros acreditando que não havia limite.”

Nir Barzilai, diretor do Institute for Ageing Research do Albert Einstein College of Medicine, é um dos pessimistas.

“Baseado na biologia que conhecemos hoje, em algum lugar entre 100 e 120 anos há um telhado em jogo e eu desafio que possamos ir além dele.”

Venter é um dos otimistas. “Não vejo qualquer limite biológico absoluto na idade humana”, diz ele, argumentando que a imortalidade celular – em vigor ao relógio andar para trás – deve ser possível.

“Podemos esperar processos biológicos para finalmente nos livrar dos anos. Se isto acontecerá neste século, ou não, eu não posso dizer.”

Essas ideias são apenas especulação por enquanto. Mas John Troyer, que estuda a morte e tecnologia no Centre for Death and Society na Universidade de Bath, diz que precisamos levar a sério.

“Você quer pensar nisso agora, antes que esteja no meio de uma enorme confusão.”

O que aconteceria se todos vivêssemos 100, 110, 120 anos ou mais? A sociedade começaria a ficar muito diferente. Diz Troyer:

“As pessoas que trabalham e vivem mais tempo podem tornar mais difícil para uma nova geração entrar na força de trabalho ou encontrar casas.”

E, com o envelhecimento retardado, quantas crianças seriam necessárias para medirmos uma família normal?

“Há uma forte probabilidade de haver um impacto em coisas como estruturas familiares.”

Um presidente americano de 2003, do Council on Bioethics, relatou olhar para algumas destas questões, sugerindo que pode haver repercussões na psicologia individual, também.

Uma das “virtudes da mortalidade” é que ela pode incutir o desejo de fazer cada dia valer a pena. Saber que você pode viver mais diminuiria a sua disposição para fazer acontecer durante a maior parte da sua vida?

De Grey reconhece potenciais desafios práticos mas alegremente diz que a sociedade se adaptaria, por exemplo tendo menos filhos e com as pessoas capazes de decidir quando terminar suas vidas.

São também urgentes perguntas sobre quem se beneficiaria se e quando estas intervenções se tornarem disponíveis. Serão apenas os super ricos ou haverá incentivos comerciais – quem não ia querer isso? – para custos de envio e tratamento acessível?

Seguradoras de saúde da Grã-Bretanha ou de outros países pagarão por drogas que estendem a vida das pessoas? O custo médico de cuidar de pessoas em seus anos crepusculares cairá se elas permanecerem mais saudáveis, mas o envelhecimento retardado também significará mais pessoas solicitando pensões e benefícios do Estado.

Mas defensores dizem que esses desafios não negam o imperativo moral. Se o período de vida saudável pode ser estendido, então esta é a coisa humanitária a fazer, diz Nick Bostrom, diretor da Oxford’s Future of Humanity Institute.

“Parece não haver argumento moral algum para não fazê-lo,” ele diz. Troyer concorda, mas pergunta se viver significa necessariamente ser mais saudável – o que significa “saudável” ou “sadio” neste contexto? Ele pergunta.

Futuro distante à parte, há desafios para os novos operadores de tecnologia.

A Calico pode ter sido desviada para a pesquisa básica, preocupa-se de Gray; A abordagem de Venter pode levar anos para dar frutos por causa das questões acerca dos dados que coleta, pensa Barzilai; enquanto o dinheiro na oferta do prêmio Palo Alto é uma soma insignificante para o resultado exigido e potencial de impacto social, diz Johnson.

Ainda assim, a história nos lembra, mesmo que eles não consigam nós podemos ainda nos beneficiar.

O aviador Charles Lindbergh tentou enganar a morte ao conceber formas de substituir órgãos humanos por máquinas. Ele não foi bem sucedido, mas uma das suas engenhocas desenvolveu a máquina do coração – hoje tão crucial para uma cirurgia.

Na busca para derrotar o envelhecimento, até mesmo os frutos da falha podem ser abundantes.

Bilionários da tecnologia que querem fazer o envelhecimento e a morte serem eletivos

Por que multimilionários da tecnologia escolhem financiar a investigação da extensão da vida? Três razões são consideradas por Patrick McCray, um historiador da tecnologia moderna, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara.

Primeiro, se tivesse muito dinheiro você não gostaria de viver mais tempo para se divertir? Depois disso, há o dinheiro que pode ser feito a partir dessa iniciativa aos montes. Por último, e o que ele pensa ser o cerne da questão, é a ideologia.

Se o seu negócio e o mundo social é orientado em torno da premissa de “tecnologias disruptivas”, o que poderia ser mais disruptivo do que abrandar ou “derrotar” o envelhecimento? Diz ele:

“Acoplado a isso está a ideia de que, se você tiver feito seus bilhões de dólares em um setor industrial que se baseia no controle preciso do cuidado de 0s e 1s, por que não imaginar que você poderia estender isto para o controle de átomos e moléculas?”

Peter Thiel

Peter Thiel, 47 anos, co-fundador do PayPal e o primeiro investidor do Facebook, disse recentemente à Bloomberg Television que tomou hormônio de crescimento humano (HGH) como parte do seu regime para atingir os 120 anos (não há provas de que funciona, e pode até causar dano).

Ele também segue uma dieta Paleo, não come açúcar, bebe vinho tinto e corre regularmente. Ele doou mais de U$ 6 milhões para a Aubrey de Grey’s Sens Foundation, dedicada a estender a vida humana.

Em uma recente entrevista, ele identificou três maneiras essenciais de abordar a morte.

“Você pode aceitá-la, pode negá-la ou você pode lutar contra ela. Acho que nossa sociedade é dominada por pessoas que estão em negação ou aceitação, e eu prefiro combatê-la.”

 

Sergey Brin

O co-fundador da Google, Sergey Brin, de 41 anos, é conhecido por seu amor a projetos especiais como o Google Glass, e o CEO da empresa, Larry Page, lhe tem creditado por ajudar a trazer sua nova empresa de biotecnologia Calico à fruição.

“Nós combatemos o envelhecimento, um dos maiores mistérios da vida”, diz o site da empresa de pesquisa e desenvolvimento, lançado em 2013 e que, em setembro de 2014, se juntou com a empresa biofarmacêutica AbbVie para despejar até U$ 1,5 bilhões em uma instalação de pesquisa focada em combate a doenças relacionadas à idade.

Uma razão extra para o interesse de Brin pode ser que ele descobriu, em 2008, que ele carrega uma mutação genética que lhe dá uma maior probabilidade de desenvolver a doença de Parkinson. A esposa de Bryn é co-fundadora da empresa particular genômica 23andMe.

 

Larry Ellison

Larry Ellison, co-fundador da empresa de informática Oracle, disse ao seu biógrafo Mark Wilson:

“Como pode uma pessoa estar lá e depois desaparecer, não estar mais lá?”

Ellison, de 70 anos, criou a Ellison Medical Foundation em 1997 para apoiar a investigação de envelhecimento e gastou mais de U$ 335 milhões, embora tenha anunciado em 2013 que já não financiaria mais subsídios na área.

Ellison resiste mordendo os lábios sobre o porquê, mas há relatos de que, com o surgimento da Calico, ele tenha feito a sua parte.

 

Craig Venter

“Muita gente gasta a última década de sua vida em dor e sofrimento, lutando contra doenças” diz Craig Venter, biólogo pioneiro de San Diego, além de empresário bilionário que disputou a sequenciação do genoma humano.

“Acho que é possível começarmos a fazer mais do que temos feito.”

Venter, de 68 anos, anunciou a sua nova empresa, a Human Longevity, que busca promover o envelhecimento saudável, utilizando avanços genômicos e terapias de células-tronco desde março de 2014.

Se Venter gostaria de vencer a morte?

“Não tenho certeza de que nosso cérebro e nossa psicologia estejam prontos para a imortalidade, [mas] se posso contar com viver até os 100 anos sem grandes doenças debilitantes, eu aceitaria essa barganha faustiana agora mesmo.”

 

Dmitry Itskov

Uma cópia digital do seu cérebro que se transforma em um avatar de baixo custo, tal como a vida, que não envelhece. Essa é a visão de Dmitry Itskov, um russo de trinta e poucos anos multi-milionário e magnata da internet, que fundou a empresa de mídia on-line New Media Stars.

Sua ‘iniciativa de 2045’, chamada assim por conta do ano que ele espera completá-la, pretende “criar tecnologias permitindo a transferência de personalidade de um indivíduo para uma transportadora não-biológica mais avançada que aumenta sua vida útil, a ponto de imortalidade”.

Embora não sendo ele mesmo do Vale do Silício, suas ideias contrastam com aquelas de Ray Kurzweil, um proeminente futurista, diretor de engenharia da Google. Kurzweil previu que os cientistas um dia encontrarão uma maneira de transferir a consciência humana, não necessitando de nossos corpos.


Tradução e revisão: Alysson Augusto


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escrito por:

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