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Elon Musk, o homem mais radical do mundo

Em Ciência por Tim UrbanComentários

(Tra­du­ção da série de tex­tos sobre Elon Musk auto­ri­zada por Tim Urban, autor do texto ori­gi­nal em inglês publi­cado no site Wait But Why. Tra­du­tor: Rodrigo Zot­tis. Revi­sor: Vic­tor Lis­boa)


Mês pas­sado, recebi uma liga­ção.

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Elon Musk, para aqueles que não estão familiarizados, é o homem mais radical do mundo.

Elon Musk faceVou usar este post para explo­rar como Elon Musk se tor­nou um bili­o­ná­rio no estilo Tony Stark do Iron Man. Mas, por enquanto, vou dei­xar Richard Bran­son expli­car as coi­sas bre­ve­mente:

O que os céti­cos dis­se­ram que não pode­ria ser feito, Elon Musk foi lá e tor­nou rea­li­dade. Lem­bra da década de 1990, quando tínha­mos que ligar para estra­nhos e infor­mar nos­sos núme­ros de car­tão de cré­dito para fazer­mos com­pras? Elon Musk sonhou com uma pequena coisa cha­mada Pay­Pal. Suas empre­sas Tesla Motors e Solar­City estão fazendo um futuro limpo e de ener­gia reno­vá­vel uma rea­li­dade. A Spa­ceX está rea­brindo o cami­nho da explo­ra­ção are­o­es­pa­cial. É um para­doxo o fato de que Elon Musk está tra­ba­lhando para melho­rar nosso pla­neta, ao mesmo tempo em que esteja cons­truindo uma espa­ço­nave para nos aju­dar a sair dele.”

Então não, aquele não era um tele­fo­nema que eu espe­rava rece­ber.

Alguns dias depois, eu estava de pijama, andando fre­ne­ti­ca­mente pelo meu apar­ta­mento, con­ver­sando pelo tele­fone com Elon Musk. Tive­mos um papo sobre a Tesla, a Spa­ceX e as indús­trias auto­mo­tiva, aero­es­pa­cial e de ener­gia solar, e ele me disse que o que pen­sava sobre essas coi­sas con­fun­dia cada vez mais as pes­soas. Ele suge­riu que, se fos­sem tópi­cos sobre os quais eu esta­ria inte­res­sado em escre­ver, eu pode­ria ir à Cali­fór­nia e o encon­trar pes­so­al­mente para uma dis­cus­são mais longa.

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Para mim, esse era um dos con­vi­tes mais irre­cu­sá­veis da his­tó­ria. Não só por­que Elon Musk é Elon Musk, mas por­que reu­nia dois temas dis­tin­tos que eu já havia ano­tado há algum tempo no meu docu­mento “Temas para escre­ver no futuro” da seguinte forma:

- “Carro Elé­trico vs. Híbrido vs. à gás, escre­ver sobre a Tesla e ener­gia sus­ten­tá­vel”

- “Spa­cex, Elon Musk, Marte?? Como apren­der a fazer fogue­tes??”

Eu já que­ria escre­ver sobre esses temas pela mesma razão pela qual escrevi sobre Inte­li­gên­cia Arti­fi­cial: por­que eu sei que isso será extre­ma­mente impor­tante no futuro. Mas eram assun­tos sobre os quais eu não tinha um bom enten­di­mento. E Elon Musk está lide­rando uma revo­lu­ção em ambos os mun­dos.

Seria como se você pla­ne­jasse escre­ver sobre o pro­cesso de ati­rar relâm­pa­gos e, em seguida, Zeus te cha­masse per­gun­tando se você quer fazer algu­mas per­gun­tas a ele.

E foi exa­ta­mente assim. A pro­posta era que eu fosse para a Cali­fór­nia ver as fábri­cas de Tesla e da Spa­ceX, conhe­cer alguns dos enge­nhei­ros de cada empresa e ter uma longa con­versa com Elon Musk.

Fan­tás­tico.

O pri­meiro passo desse pro­jeto foi entrar em pânico total. Eu não podia me encon­trar com essas pes­soas — enge­nhei­ros reno­ma­dos mun­di­al­mente e gran­des cien­tis­tas — sem saber quase nada sobre suas áreas de atu­a­ção. Eu tinha muito apren­di­zado rápido a fazer.

O pro­blema com Elon Musk, porém, é que ele está envol­vido em todas as seguin­tes indús­trias:

• Auto­mo­tiva;
• Aero­es­pa­cial;
• Ener­gia solar;
• Arma­ze­na­mento de ener­gia;
• Saté­li­tes;
• Trans­porte ter­res­tre de alta velo­ci­dade; e
• Uma expan­são Multi-Pla­ne­tá­ria.

Zeus teria sido menos estres­sante.

Por isso, pas­sei as duas sema­nas que ante­ce­de­ram a visita à Cali­fór­nia lendo mais e mais sobre esses assun­tos, e ficou rapi­da­mente claro que o pro­jeto envol­ve­ria uma série de tex­tos a serem escri­tos. Há muito con­teúdo para abor­dar.

Então, nos pró­xi­mos tex­tos, vamos mer­gu­lhar pro­fun­da­mente nas empre­sas de Elon Musk e nas indús­trias rela­ci­o­na­das. Mas hoje, vamos come­çar sabendo exa­ta­mente quem é esse cara e por que se fala tanto dele.

 

Os bastidores de Elon Musk

Nota: Há uma ótima bio­gra­fia sobre Elon Musk, da autora de tec­no­lo­gia Ash­lee Vance. Con­se­gui obter uma cópia ante­ci­pada, e isso foi uma fonte chave para reu­nir algu­mas infor­ma­ções que estão aqui. Vou fazer um breve resumo da vida dele a seguir — e se você qui­ser ver a his­tó­ria com­pleta, é só adqui­rir a bio­gra­fia.

Elon Musk nas­ceu em 1971 na África do Sul. Sua infân­cia não foi grande coisa — ele tinha uma vida fami­liar difí­cil e nunca se encai­xava bem na escola. Mas, como você cos­tuma ler nas bio­gra­fias de pes­soas extra­or­di­ná­rias, desde cedo ele desen­vol­veu uma avi­dez pelo apren­di­zado. Seu irmão Kim­bal disse que Elon Musk cos­tu­mava ler cerca de 10 horas por dia — um monte de fic­ção cien­tí­fica e um monte de não-fic­ção tam­bém. Na quarta série, ele devo­rou a Enci­clo­pé­dia Bri­tâ­nica.

Uma coisa que você apren­derá sobre Elon Musk ao ler este texto é que ele encara os seres huma­nos como se fos­sem com­pu­ta­do­res — o que, no seu sen­tido mais lite­ral, real­mente o são. O hard­ware humano é seu corpo físico e seu cére­bro. O soft­ware é a maneira como ele aprende a pen­sar, seu sis­tema de valo­res, seus hábi­tos e sua per­so­na­li­dade. E apren­der, para Musk, é sim­ples­mente um pro­cesso de “bai­xar dados e algo­rit­mos em seu cére­bro”. Entre suas mui­tas frus­tra­ções com o apren­di­zado for­mal em sala de aula está a “velo­ci­dade de down­load ridi­cu­la­mente lenta” de ir para a escola e ver um pro­fes­sor expli­car coi­sas que, em grande parte, o pró­prio pro­fes­sor apren­deu atra­vés da lei­tura.

Elon Musk Time Magazine

Musk foi con­su­mido por um segundo “vício” aos nove anos quando colo­cou as mãos no seu pri­meiro com­pu­ta­dor, o Com­mo­dore VIC-20. O com­pu­ta­dor veio com cinco kiloby­tes de memó­ria e um manual de “como pro­gra­mar” que pre­via um prazo de seis meses para o usuá­rio con­cluir o curso. Elon Musk, com seus nove anos, con­cluiu-o em três dias. Aos doze, ele usou suas habi­li­da­des para criar um vide­o­game cha­mado Blas­tar, que ele me disse ser “um jogo tri­vial, mas melhor que Flappy Bird”. Mas em 1983, o game era bom o sufi­ci­ente para ser ven­dido a uma revista de com­pu­ta­dor por US$ 500,00 (US$ 1.200,00 em dinheiro de hoje) — nada mal para um garoto de 12 anos.

Musk nunca sen­tiu muita cone­xão com a África do Sul — ele não se encai­xava com a cul­tura branca Afri­ka­ner e o país era um pesa­delo para qual­quer poten­cial empre­en­de­dor. Ele viu o Vale do Silí­cio como a Terra Pro­me­tida, e com dezes­sete dei­xou a África do Sul para sem­pre. Come­çou no Canadá, que era um lugar mais fácil para imi­grar, já que sua mãe é cidadã cana­dense, e alguns anos depois usou uma trans­fe­rên­cia de facul­dade para a Uni­ver­si­dade da Pen­sil­vâ­nia como um cami­nho para se esta­be­le­cer nos EUA.

Na facul­dade, ele pen­sou sobre o que que­ria fazer com sua vida, usando como ponto de par­tida a per­gunta: “O que mais afe­tará o futuro da huma­ni­dade nas pró­xi­mas déca­das?” A res­posta era uma lista de cinco coi­sas: “a inter­net, a ener­gia sus­ten­tá­vel, a explo­ra­ção espa­cial (em par­ti­cu­lar a exten­são per­ma­nente da vida além da Terra), a inte­li­gên­cia arti­fi­cial e repro­gra­mar o código gené­tico humano.”

Musk tinha dúvi­das sobre o quão posi­tivo seria o impacto dos dois últi­mos con­cei­tos, e embora fosse oti­mista sobre cada um dos três pri­mei­ros, não con­si­de­rou na época que algum dia esta­ria envol­vido na explo­ra­ção espa­cial. Isso dei­xou a inter­net e a ener­gia sus­ten­tá­vel como suas opções majo­ri­tá­rias.

Ele deci­diu come­çar com ener­gia sus­ten­tá­vel. Depois de ter­mi­nar a facul­dade, Musk se matri­cu­lou em um pro­grama de PhD na Uni­ver­si­dade de Stan­ford para estu­dar os capa­ci­to­res de alta den­si­dade, uma tec­no­lo­gia des­ti­nada a criar uma maneira mais efi­ci­ente de arma­ze­nar ener­gia do que são as bate­rias tra­di­ci­o­nais — e que, ele sabia, pode­ria ser a chave para um futuro de ener­gia sus­ten­tá­vel, inclu­sive ace­le­rando o advento da indús­tria de car­ros elé­tri­cos.

Mas dois dias depois de come­çar o pro­grama, ele desis­tiu, pois era 1995 e “não podia supor­tar ape­nas ver a inter­net pas­sar — ele que­ria entrar nesse ramo e melhorá-lo”. Então, Musk resol­veu ten­tar algo na área da inter­net.

Seu pri­meiro passo foi pro­cu­rar um emprego no mons­tro da área nos anos de 1990, a Nets­cape. Sua tática para con­se­guir uma vaga foi entrar no saguão da empresa sem ser con­vi­dado, ficar emba­ra­ço­sa­mente de pé, sendo muito tímido para falar com alguém, e sair.

Elon Musk se recu­pe­rou dessa nada impres­si­o­nante ten­ta­tiva de car­reira come­çando por se unir a seu irmão Kim­bal (que tinha seguido Elon Musk para os EUA) para ini­ciar sua pró­pria empresa — a Zip2. Tra­tava-se de uma com­bi­na­ção pri­mi­tiva de Yelp e Goo­gle Maps, muito antes de qual­quer coisa desse tipo exis­tir. O obje­tivo era fazer com que as empre­sas per­ce­bes­sem que estar nas Pági­nas Ama­re­las telefô­ni­cas fica­ria desa­tu­a­li­zado em algum momento e que era uma boa ideia entrar em um dire­tó­rio on-line.

Os dois irmãos não tinham dinheiro, dor­miam no escri­tó­rio e toma­vam banho na ACM local, e Elon, o pro­gra­ma­dor prin­ci­pal, ficava sen­tado obses­si­va­mente em seu com­pu­ta­dor tra­ba­lhando o tempo todo. Em 1995, era difí­cil con­ven­cer as empre­sas de que a Inter­net era impor­tante (mui­tos lhes diziam que a publi­ci­dade na Inter­net soava como “a coisa mais estú­pida de que já ouvi­ram falar”), mas, even­tu­al­mente, eles come­ça­ram a acu­mu­lar cli­en­tes e a empresa cres­ceu. Era a época do boom da Inter­net nos anos 90, período que empre­sas star­tups sur­gi­ram por todos os lados, e em 1999, a Com­paq com­prou a Zip2 por 307 milhões de dóla­res. Musk, que tinha 27 anos, ganhou US$ 22 milhões.

No que se tor­na­ria um tema recor­rente para Musk, ele ter­mi­nou o empre­en­di­mento e mer­gu­lhou ime­di­a­ta­mente em outro, mais difí­cil e com­plexo. Se ele seguisse o livro de regras do mili­o­ná­rio comum, sabe­ria que depois de atin­gir o sucesso durante o grande boom dos anos 90 o que deve­ria fazer era apo­sen­tar-se ou tor­nar-se um inves­ti­dor anjo — ou, se você ainda tivesse alguma ambi­ção, come­çar uma nova empresa com o dinheiro de outra pes­soa.

Mas Musk não que­ria seguir as regras nor­mais, e inves­tiu três quar­tos do seu patrimô­nio líquido em sua nova ideia, um plano ousado para cons­truir basi­ca­mente um banco online repleto de con­tas de che­ques, pou­pança e cor­re­ta­gem — cha­mado X.com. Isso parece menos insano hoje em dia, mas em 1999, uma star­tup de inter­net ten­tando com­pe­tir com os gran­des ban­cos era algo iné­dito.

A X.com tra­ba­lhou no mesmo pré­dio com outra empresa de finan­ci­a­mento de Inter­net cha­mada Con­fi­nity, fun­dada por Peter Thiel e Max Lev­chin. Uma das mui­tas carac­te­rís­ti­cas do X.com era um ser­viço de trans­fe­rên­cia de dinheiro fácil e, mais tarde, a Con­fi­nity iria desen­vol­ver um pro­jeto simi­lar. Ambas as empre­sas come­ça­ram a notar uma forte demanda pelo ser­viço de trans­fe­rên­cia de dinheiro, o que as colo­cou em con­cor­rên­cia súbita e furi­osa uma con­tra a con­tra, e então final­mente deci­di­ram se fun­dir no que hoje conhe­ce­mos como Pay­Pal.

Isto fez egos e opi­niões con­fli­tan­tes coli­di­rem-se. Musk agora era acom­pa­nhado por Peter Thiel e um monte de outras pes­soas super bem-suce­di­das da inter­net — e ape­sar da empresa cres­cer rapi­da­mente, as coi­sas den­tro do escri­tó­rio não ocor­riam muito bem. Os con­fli­tos ter­mi­na­ram no final de 2000, e quando Musk estava no meio de uma via­gem de arre­da­ção de fundos/lua de mel (com sua pri­meira esposa Jus­tine), os pro­fis­si­o­nais “anti­Musk” arma­ram nos bas­ti­do­res um golpe e rebai­xa­ram-no a CEO junto a Thiel. Musk lidou com isso sur­pre­en­den­te­mente bem, e até hoje ele diz não con­cor­dar com essa deci­são, mas entende por que fize­ram isso. Ele per­ma­ne­ceu na equipe em um papel sênior, inves­tindo na empresa e desem­pe­nhando um papel ins­tru­men­tal na sua venda para o eBay em 2002, por US$ 1,5 bilhão. Musk, o maior aci­o­nista da empresa, saiu com US$ 180 milhões (após des­conto de impos­tos).

Se alguma vez exis­tiu um livro de regras sobre como ter uma vida nor­mal, Musk o jogou no fogo neste momento de sua vida — como um aluno de 31 anos de idade em 2002.

O que ele fez nos pró­xi­mos 13 anos e até hoje é o que vamos explo­rar no resto deste texto — e dos seguin­tes. Por enquanto, aqui está a ver­são curta:

Em 2002, antes da venda do Pay­Pal, Musk come­çou a ler voraz­mente sobre tec­no­lo­gia de fogue­tes, e mais tarde naquele ano, com US$ 100 milhões, come­çou um dos empre­en­di­men­tos mais impen­sá­veis e mal-acon­se­lha­dos de todos os tem­pos: uma empresa de fogue­tes cha­mada Spa­ceX, cuja fina­li­dade decla­rada era revo­lu­ci­o­nar o custo da via­gem espa­cial, a fim de tor­nar os seres huma­nos uma espé­cie mul­ti­pla­ne­tá­ria que colo­ni­za­ria Marte com pelo menos um milhão de pes­soas no pla­neta ao longo do pró­ximo século.

Mmmmmm.

Então, em 2004, quando esse “pro­jeto” estava ape­nas come­çando, Musk deci­diu dar uma de mul­ti­ta­refa lan­çando a segunda aven­tura mais impen­sá­vel e mal-acon­se­lhada de todos os tem­pos: uma com­pa­nhia de car­ros elé­tri­cos cha­mada Tesla, cujo obje­tivo decla­rado era revo­lu­ci­o­nar a indús­tria auto­mo­bi­lís­tica mun­dial, ace­le­rando sig­ni­fi­ca­ti­va­mente o advento de um mundo de car­ros elé­tri­cos — com o obje­tivo de fazer a huma­ni­dade dar um salto em dire­ção a um futuro de ener­gia sus­ten­tá­vel. Musk finan­ciou essa empresa com recur­sos pes­so­ais, inves­tindo em torno de US$ 70 milhões, ape­sar do pequeno deta­lhe de que a última vez em que houve uma star­tup bem suce­dida no mer­cado auto­mo­bi­lís­tico foi em 1925, com a Chrys­ler, e a última vez em que alguém come­çou uma empresa bem suce­dida na pro­du­ção de car­ros elé­tri­cos foi: nunca.

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Alguns anos mais tarde, em 2006, ele inves­tiu US$ 10 milhões para fun­dar, com seus pri­mos, outra empresa cha­mada Solar­City, cujo obje­tivo era revo­lu­ci­o­nar a pro­du­ção de ener­gia cri­ando um enorme sis­tema de dis­tri­bui­ção e ins­ta­la­ção de pai­néis sola­res na casa de milhões de pes­soas, redu­zindo dras­ti­ca­mente o con­sumo de ele­tri­ci­dade gerada a par­tir de com­bus­tí­veis fós­seis e, em última ins­tân­cia, “ace­le­rando a ado­ção mas­siva de ener­gia sus­ten­tá­vel”.

Se você tivesse escu­tado tudo isso nos qua­tro anos seguin­tes à venda do Pay­Pal, você pen­sa­ria que se tra­tava de uma his­tó­ria de fra­cas­sos. Um mili­o­ná­rio ilu­dido da inter­net, comi­ca­mente louco e com uma série de pro­je­tos impos­sí­veis, fazendo tudo o que podia para des­per­di­çar sua for­tuna — o que ele quase fez.

Em 2008, tudo pare­cia estar fun­ci­o­nando, mas não da melhor forma. A Spa­ceX des­co­briu como cons­truir fogue­tes, mas não fogue­tes que fun­ci­o­nas­sem — havia ten­tado três lan­ça­men­tos até aquele momento e os três fogue­tes explo­di­ram antes de che­gar à órbita. A fim de atrair qual­quer inves­ti­mento externo sig­ni­fi­ca­tivo ou con­tra­tos para a capi­ta­li­za­ção da empresa, a Spa­ceX teve que mos­trar que pode­ria lan­çar um foguete com sucesso, mas Musk tinha fun­dos para ape­nas mais um lan­ça­mento. Se o quarto lan­ça­mento tam­bém falhasse, a Spa­ceX já era.

Enquanto isso, a Tesla tam­bém estava na merda. Eles ainda tinham que lan­çar seu pri­meiro carro — o Tesla Roads­ter — no mer­cado, algo que o mundo não olhava com bons olhos. O blog de fofo­cas do Vale do Silí­cio, Val­leywag, anun­ciou que o Tesla Roads­ter seria o pri­meiro pro­duto tec­no­ló­gico a falhar em 2007. Mas isso teria sido algo rela­ti­va­mente fácil de supe­rar, se a eco­no­mia glo­bal não tivesse de repente entrado em crise, atin­gindo a indús­tria auto­mo­tiva de forma vio­lenta e secando o fluxo de inves­ti­men­tos para as empre­sas do ramo, espe­ci­al­mente as novas e não con­so­li­da­das no mer­cado. E a Tesla estava ficando sem dinheiro rápido.

Durante essa dupla implo­são de sua car­reira, a única coisa que se man­teve está­vel e forte na vida de Musk foi seu casa­mento de oito anos — isso se por está­vel e forte você enten­der o casa­mento des­mo­ro­nar com­ple­ta­mente em um divór­cio com­pli­cado e dra­má­tico.

Fundo do poço.

Mas tem algo impor­tante aqui — Musk não é um tolo, e ele não tinha cons­truído empre­sas ruins. Ele havia cons­truído empre­sas muito, muito boas. Só que a cri­a­ção de um foguete con­fiá­vel é algo ini­ma­gi­na­vel­mente difí­cil, assim como é o lan­ça­mento de uma empresa star­tup na indús­tria auto­mo­bi­lís­tica. E por­que nin­guém que­ria inves­tir no que pare­ciam ser empre­en­di­men­tos exces­si­va­mente ambi­ci­o­sos e pro­va­vel­mente con­de­na­dos ao fra­casso (espe­ci­al­mente durante uma reces­são), Musk teve que recor­rer nova­mente a seus pró­prios fun­dos pes­so­ais. O Pay­Pal tor­nou-o rico, mas não rico o sufi­ci­ente para man­ter essas empre­sas a tona por muito tempo por conta pró­pria. Sem dinheiro, tanto a Spa­ceX e a Tesla teriam uma vida curta. Então não é que Spa­ceX e Tesla fos­sem ruins — é que elas pre­ci­sa­vam de mais tempo para ter sucesso, mas esse tempo não exis­tia.

E então, na hora mais negra, tudo mudou.

Em pri­meiro lugar, em setem­bro de 2008, a Spa­ceX lan­çou seu quarto foguete — e último, caso não con­se­guisse colo­car alguma carga em órbita da Terra — e foi bem-suce­dida. De forma per­feita.

Isso foi sufi­ci­ente para a NASA dizer “foda-se, vamos dar a esse tal de Musk uma chance”, e ofe­re­cer à Spa­ceX um con­trato de US$ 1,6 bilhões para rea­li­zar 12 lan­ça­men­tos a ser­viço da agên­cia.

A Spa­ceX foi salva.

No dia seguinte, na vés­pera de Natal de 2008, quando Musk inves­tiu na con­ti­nui­dade da Tesla o resto de dinheiro que tinha dis­po­ní­vel para esse fim, os inves­ti­do­res da empresa con­cor­da­ram relu­tan­te­mente em apli­car um mon­tante igual. A expec­ta­tiva de vida da Tesla foi exten­dida. Cinco meses depois, as coi­sas come­ça­ram a acon­te­cer, e outro inves­ti­mento crí­tico de US$ 50 milhões foi feito.

A Tesla estava salva.

Defi­ni­ti­va­mente 2008 mar­ca­ria o fim dos sola­van­cos na estrada, e o balanço geral dos pró­xi­mos sete meses foi de sucesso cres­cente, tanto para Elon Musk quanto para suas empre­sas.

Desde seus três pri­mei­ros lan­ça­men­tos falha­dos, a Spa­ceX efe­tuou mais 20 lan­ça­men­tos — todos bem suce­di­dos. A NASA é agora um cli­ente regu­lar, e um de mui­tos, uma vez que as ino­va­ções da Spa­ceX per­mi­ti­ram que empre­sas colo­cas­sem seus pro­je­tos e equi­pa­men­tos em órbita pelo menor custo da his­tó­ria. Mui­tos des­ses 20 lan­ça­men­tos foram de uma ou outra forma pio­nei­ros para uma empresa de fogue­tes comer­ci­ais — e, até o momento, as qua­tro enti­da­des na his­tó­ria que con­se­gui­ram lan­çar espa­ço­na­ves em órbita e devolvê-las à Terra são os EUA, a Rús­sia, a China e a Spa­ceX. A empresa está tes­tando sua nova espa­ço­nave, que levará seres huma­nos para o espaço, e seus enge­nhei­ros estão ocu­pa­dos na cons­tru­ção de um foguete muito maior, que será capaz de levar 100 pes­soas para Marte de uma só vez. Um inves­ti­mento recente da Goo­gle e da Fide­lity fez o valor da empresa ser esti­mado em US$ 12 bilhões.

Enquanto isso, na Tesla, o Modelo S tor­nou-se um grande sucesso, impul­si­o­nando a indús­tria auto­mo­tiva com a mais alta clas­si­fi­ca­ção de aná­lise de con­su­mi­dor e a mais alta clas­si­fi­ca­ção de segu­rança na his­tó­ria da Nati­o­nal Highway Safety Admi­nis­tra­tion. Agora, a empresa está pres­tes a lan­çar no mer­cado seu ver­da­deiro modelo dis­rup­tivo, o Modelo 3, muito mais aces­sí­vel, e o valor de mer­cado da Tesla é de pouco menos de US$ 30 bilhões. A com­pa­nhia tam­bém está se tor­nando a maior empresa de bate­rias do mundo, dedi­cando-se a cons­truir uma enorme “Giga­fá­brica” em Nevada, que irá mais do que dobrar a pro­du­ção mun­dial de bate­rias de lítio.

Já a Solar­City abriu suas ações ao mer­cado em 2012, e agora tem uma capi­ta­li­za­ção de pouco menos de US$ 6 bilhões, tor­nando-se a maior ins­ta­la­dora de pai­néis sola­res dos EUA. Agora a empresa está cons­truindo a maior fábrica de pai­néis sola­res do país, em Buf­falo, e pro­va­vel­mente fará par­ce­ria com a Tesla para uti­li­zar em seus pro­du­tos a nova bate­ria domés­tica da empresa-irmã, a Powerwall.

E como se isso não fosse sufi­ci­ente, em seu tempo livre, Musk está empur­rando o desen­vol­vi­mento de um novo meio de trans­porte — o Hyper­loop.

Em alguns anos, quando suas novas fábri­cas esti­ve­rem com­ple­tas, as três empre­sas de Musk empre­ga­rão mais de 30.000 pes­soas. Depois que ele quase que­brou em 2008, dizendo a um amigo que ele e sua esposa tal­vez tives­sem que “se mudar para o porão dos pais de sua esposa”, seu patrimô­nio pes­soal atu­al­mente gira em torno de US$ 12,9 bilhões.

Tudo isso fez de Musk um tipo de lenda viva. Após a cons­tru­ção de uma bem suce­dida star­tup auto­mo­tiva e sua rede mun­dial de esta­ções para car­re­gar car­ros elé­tri­cos, Musk foi com­pa­rado a visi­o­ná­rios indus­tri­ais como Henry Ford e John D. Roc­ke­fel­ler.

O tra­ba­lho pio­neiro da Spa­ceX em tec­no­lo­gia de fogue­tes levou a com­pa­ra­ções com Howard Hughes, e mui­tos têm feito para­le­los entre Musk e Tho­mas Edi­son por causa dos avan­ços em enge­nha­ria que Musk alcan­çou em todas as suas indús­trias. Tal­vez mais fre­quen­te­mente ele seja com­pa­rado a Steve Jobs, por sua habi­li­dade notá­vel para revo­lu­ci­o­nar enor­mes e con­so­li­da­das áreas da indús­tria com ino­va­ções que os cli­en­tes não dese­ja­vam e sequer ima­gi­na­vam.

Alguns acre­di­tam que ele será lem­brado em uma classe pró­pria. A escri­tora e bió­grafa de Musk, Ash­lee Vance, suge­riu que o que Musk está cons­truindo

tem o poten­cial de ser muito maior do que qual­quer coisa que Hughes ou Jobs pro­du­ziu. Musk pegou os seto­res aero­es­pa­cial e auto­mo­tivo, que a Amé­rica estava havia aban­do­nando, e os refor­mu­lou de forma ino­va­dora e fan­tás­tica.”

Assis­tindo entre­vis­tas com Musk, você vê mui­tas pes­soas fazendo per­gun­tas simi­la­res às que Chris Ander­son, que comanda a TED Talks, fez a ele, cha­mando-o de “o empre­en­de­dor mais notá­vel do mundo”. Outros o conhe­cem como “o Homem de Ferro da vida real”, e não sem razão — Jon Favreau real­mente enviou Robert Dow­ney Jr. para pas­sar um tempo com Musk na fábrica do Spa­ceX, antes de fil­mar o pri­meiro filme de Iron Man, para que pudesse ins­pi­rar-se em Musk ao mode­lar seu per­so­na­gem. E Musk já esteve nos Simp­sons, inclu­sive.

E este é o homem com quem eu estava con­ver­sando ao tele­fone, enquanto fre­ne­ti­ca­mente andava de um lado para outro no meu apar­ta­mento, de pijama.

Durante a liga­ção, ele dei­xou claro que não estava me pro­cu­rando para que divul­gasse suas empre­sas — ele só que­ria me aju­dar a expli­car o que está acon­te­cendo nas áreas em que atuam essas empre­sas e por que está envol­vido com car­ros elé­tri­cos, pro­du­ção de ener­gia sus­ten­tá­vel, via­gens aero­es­pa­ci­ais e tudo o mais.

Ele pare­cia par­ti­cu­lar­mente abor­re­cido com as pes­soas gas­tando tempo escre­vendo sobre ele. Musk sente que há tan­tas coi­sas de impor­tân­cia crí­tica acon­te­cendo nas indús­trias em que está envol­vido que toda vez que alguém escreve a seu res­peito ele deseja que esti­ves­sem escre­vendo sobre o for­ne­ci­mento de com­bus­tí­vel fós­sil, ou os avan­ços nas bate­rias, ou sobre a impor­tân­cia de tor­nar a huma­ni­dade mul­ti­pla­ne­tá­ria (isto é espe­ci­al­mente claro na intro­du­ção da sua bio­gra­fia, quando a autora explica como Musk não estava inte­res­sado em ver uma bio­gra­fia a seu res­peito).

Então, estou seguro de que este pri­meiro texto, cujo título é “Elon Musk: O Homem Radi­cal do Mundo”, vai inco­modá-lo.

Mas eu tenho razões. Para mim, há duas áreas dig­nas de explo­ra­ção nesta série de tex­tos:

1) Enten­der por que Musk está fazendo o que está fazendo. Ele acre­dita pia­mente que se envol­veu com as cau­sas mais pre­men­tes pos­sí­veis se qui­ser­mos garan­tir à huma­ni­dade um futuro melhor. Eu quero explo­rar essas cau­sas com pro­fun­di­dade e os moti­vos pelos quais Musk está tão pre­o­cu­pado com elas.

2) Com­pre­en­der por que Musk é capaz de fazer o que está fazendo. Há algu­mas pes­soas em cada gera­ção que mudam dras­ti­ca­mente o mundo, e essas pes­soas valem a pena serem estu­da­das. Elas fazem as coi­sas de uma forma dife­rente de todas as outras — e acho que há muito a apren­der com elas.

Assim, na minha visita à Cali­fór­nia, eu tinha dois obje­ti­vos em mente: com­pre­en­der da melhor forma pos­sí­vel por que Musk e suas equi­pes de desen­vol­vi­mento esta­vam tra­ba­lhando tão febril­mente e por que isso impor­tava tanto, e ten­tar enten­der o que faz dele alguém tão capaz de mudar o mundo.

 

Visitando as fábricas

A Tesla Fac­tory (no norte da Cali­fór­nia) e a Spa­ceX Fac­tory (no sul da Cali­fór­nia), além de serem enor­mes, têm muito em comum.

Ambas as fábri­cas são bri­lhan­tes e de estilo clean, pin­ta­das de branco, com tetos muito altos. Ambas pare­cem mais como labo­ra­tó­rios do que com fábri­cas tra­di­ci­o­nais. E em ambos os luga­res, os enge­nhei­ros que fazem tra­ba­lhos de cola­ri­nho branco e os téc­ni­cos que fazem tra­ba­lhos de cola­ri­nho azul são colo­ca­dos deli­be­ra­da­mente nos mes­mos espa­ços, para que tra­ba­lhem em estreita cola­bo­ra­ção e deem feed­back uns aos outros — e Musk acre­dita que é cru­cial para aque­les que pro­je­tam máqui­nas esta­rem pró­xi­mos a elas quando são fabri­ca­das. E enquanto um ambi­ente de fábrica tra­di­ci­o­nal não seria ideal para um enge­nheiro em um com­pu­ta­dor e um ambi­ente de escri­tó­rio tra­di­ci­o­nal não seria um bom local de tra­ba­lho para um téc­nico, um labo­ra­tó­rio limpo e futu­rista parece bom para ambas as pro­fis­sões. Quase não há escri­tó­rios fecha­dos em qual­quer fábrica — todos estão ao ar livre, expos­tos a todos.

Quando fui até a fábrica da Tesla, me espan­tei pri­mei­ra­mente com o tama­nho — e quando pes­qui­sei, não fiquei sur­preso ao saber que ela tem a segunda maior área de base no mundo.

Empresa Tesla

A fábrica era ante­ri­or­mente de pro­pri­e­dade con­junta da GM e da Toyota, e foi ven­dida para a Tesla em 2010. Come­ça­mos o dia com uma turnê com­pleta pela fábrica — um mar de robôs ver­me­lhos fazendo car­ros e outras lou­cu­ras:

Tesla 1

Tesla 2

Tesla 3

E outras coi­sas legais, como uma vasta seção da fábrica que faz a bate­ria do carro, e outra que arma­zena rolos de alu­mí­nio com 9 tone­la­das que são cor­ta­dos, pren­sa­dos e sol­da­dos até trans­for­ma­rem-se em Tes­las.

Tesla 4

E esta gigante prensa, que custa US$ 50 milhões e com­prime metal com 4.500 tone­la­das de pres­são (a mesma pres­são que você obte­ria se você empi­lhasse 2.500 car­ros em cima de algo):

Tesla 5

A fábrica da Tesla está tra­ba­lhando para aumen­tar sua pro­du­ção de 30.000 car­ros por ano para 50.000 — cerca de 1.000 por semana. Eles pare­ciam estar fazendo car­ros incri­vel­mente rápido, mas então fiquei impres­si­o­nado ao saber que a Toyota fazia em torno de 1.000 car­ros por dia, quando eles habi­ta­vam a fábrica.

Eu tive a chance de visi­tar o estú­dio de design da Tesla (sem fotos per­mi­ti­das), onde havia desig­ners esbo­çando pro­je­tos de car­ros em telas em com­pu­ta­do­res e, do outro lado da sala, mode­los de car­ros de tama­nho nor­mal fei­tos de barro. Uma ver­são de argila em tama­nho real do pró­ximo Modelo 3 estava cer­cada por espe­ci­a­lis­tas que o escul­piam com peque­nos ins­tru­men­tos e lâmi­nas, ras­pando fra­ções de um milí­me­tro para exa­mi­nar a forma como a luz era refle­tida nas cur­vas. Havia tam­bém uma impres­sora 3D que pode­ria rapi­da­mente “impri­mir” um modelo 3D de um Tesla do tama­nho de um sapato a par­tir de um dese­nho esbo­çado, para que um desig­ner pudesse mate­ri­a­li­zar seu pro­jeto e olhar para o carro de dife­ren­tes ângu­los. Deli­ci­o­sa­mente futu­rista.
No dia seguinte visi­ta­ría­mos a fábrica da Spa­ceX, o que teria sido ainda mais legal. Mas a fábrica con­tém tec­no­lo­gia avan­çada de fogue­tes, o que o governo con­si­dera “tec­no­lo­gia bélica” — e apa­ren­te­mente blo­guei­ros errá­ti­cos não estão auto­ri­za­dos a tirar fotos de tec­no­lo­gia bélica.

De qual­quer forma, após os pas­seios, tive a chance de me encon­trar com vários enge­nhei­ros seni­o­res e desig­ners de ambas as empre­sas. Eles expli­ca­ram que eram espe­ci­a­lis­tas em seus cam­pos, e con­tei que tinha des­co­berto recen­te­mente o quão grande um foguete deve­ria ser para trans­por­tar milha­res de seres huma­nos, e assim nós come­ça­mos nossa con­versa. Per­gun­tei-lhes sobre o seu tra­ba­lho, seus pen­sa­men­tos sobre a empresa em que tra­ba­lha­vam sobre a indús­tria em geral, e então per­gun­tei-lhes sobre sua rela­ção com Elon Musk e como era tra­ba­lhar para ele. Sem exce­ção, todos pare­ciam pes­soas real­mente sim­pá­ti­cas, ami­gá­veis e ridi­cu­lar­mente inte­li­gen­tes — mas não de forma pre­ten­si­osa. Musk disse que tem uma estrita polí­tica de “não con­tra­tar idi­o­tas”, e eu pude per­ce­ber isso nes­sas reu­niões.

Então, como é Musk como um chefe?

Vamos come­çar por ver o que a inter­net diz — há um tópico no site Quora que aborda a ques­tão: “Como é tra­ba­lhar com Elon Musk?”

A pri­meira res­posta é de um antigo fun­ci­o­ná­rio do Spa­ceX que não tra­ba­lha mais lá, que des­creve o dia em que o ter­ceiro lan­ça­mento falhou, e como foi um golpe devas­ta­dor para a empresa e todas as pes­soas que tra­ba­lha­ram há anos ten­tando torná-la um sucesso.

Ele des­creve Elon Musk emer­gindo do comando da mis­são para diri­gir-se aos fun­ci­o­ná­rios e fazer um dis­curso ani­ma­dor. Ele se refere à “sabe­do­ria infi­nita” de Elon Musk e diz:

Acho que a mai­o­ria de nós o teria seguido até as por­tas do inferno depois disso. Foi a exi­bi­ção mais impres­si­o­nante de lide­rança que já tes­te­mu­nhei.”

Logo abaixo dessa res­posta está outra res­posta, de um anô­nimo enge­nheiro da Spa­ceX, que des­creve o tra­ba­lho para Musk da seguinte forma:

Você sem­pre pode dizer quando alguém saiu de uma reu­nião com Elon Musk: eles se sen­tem der­ro­ta­dos, pois nada que você faça será bom o sufi­ci­ente, então você tem que acre­di­tar em si mesmo, não con­tando com elo­gios à sua obvi­a­mente insu­fi­ci­ente carga de 80 horas de tra­ba­lho sema­nais.”

Lendo sobre Musk on-line e no livro de Vance, fiquei impres­si­o­nado com o quão repre­sen­ta­ti­vos ambos os comen­tá­rios do post do Quora foram em rela­ção a tra­ba­lhar para Musk. Ao falar sobre ele, ambos pare­cem pro­vo­car uma enorme quan­ti­dade de ado­ra­ção e uma tre­menda quan­ti­dade de exas­pe­ra­ção, às vezes com um tom de amar­gura — e ainda mais estra­nha­mente, às vezes você ouve os dois lados desta his­tó­ria expressa pela mesma pes­soa. Por exem­plo, um usuá­rio no Quora uma vez fez o efu­sivo comen­tá­rio de que

tra­ba­lhar com ele não é uma expe­ri­ên­cia con­for­tá­vel, ele nunca está satis­feito con­sigo mesmo, assim como ele nunca está real­mente satis­feito com alguém ao seu redor; o desa­fio diá­rio é lidar com o fato de que ele é uma máquina e o resto de nós não é.”

E um frus­trado comen­ta­rista anô­nimo, que disse algo algo bem pare­cido, mais tarde admite que o com­por­ta­mento de Elon Musk é “com­pre­en­sí­vel”, dada a enor­mi­dade das tare­fas que pro­põe, e que “é uma grande empresa e eu a amo”.

Minhas pró­prias con­ver­sas com enge­nhei­ros e desig­ners de Musk reve­la­ram uma his­tó­ria seme­lhante. Foi-me dito: “Elon sem­pre quer saber ‘Por que não vamos mais rápido?’. Ele sem­pre quer mais, melhor e mais rápido” pela mesma pes­soa que pou­cos minu­tos depois enfa­ti­zava o quão sério e refle­xivo Musk fica depois de des­pe­dir um empre­gado.

A mesma pes­soa que me disse que ficar “mui­tas noi­tes sem dor­mir” afir­mou, logo a seguir, como sen­tia-se feliz em estar na empresa, e que espe­rava “nunca sair”.

Um exe­cu­tivo sênior des­cre­veu a inte­ra­ção com Musk assim:

Qual­quer con­versa é bas­tante envol­vente por­que ele é muito opi­na­tivo, e ele pode ir mais fundo do que você espera, mesmo se você não esti­ver pre­pa­rado para isso. Quando você se comu­nica com ele parece que está fazendo um ato gran­di­oso, espe­ci­al­mente quando você se depara com um desen­ten­di­mento téc­nico.”

O mesmo exe­cu­tivo, que já havia tra­ba­lhado em uma grande empresa de tec­no­lo­gia, tam­bém cha­mou Musk de “o bili­o­ná­rio mais sen­sato com quem já tra­ba­lhei.”

O que come­cei a enten­der é que a expli­ca­ção para ambos os lados da his­tó­ria (a admi­ra­ção quase seme­lhante a uma forma de culto ao lado da con­fli­tu­osa von­tade de supor­tar o que parece ser um inferno) no fim das con­tas tem a ver com res­peito. As pes­soas que tra­ba­lham para Musk, não importa o que achem de seu modo de ges­tão, sen­tem um imenso res­peito — pela sua inte­li­gên­cia, pela sua ética de tra­ba­lho, pela sua deter­mi­na­ção e pela impor­tân­cia das mis­sões que ele pro­põe, mis­sões que fazem todos os outros tra­ba­lhos pare­ce­rem tri­vi­ais e inú­teis.

Mui­tas das pes­soas com quem con­ver­sei tam­bém fala­ram de sua inte­gri­dade. Uma forma pela qual essa inte­gri­dade se mani­festa é por sua coe­rên­cia. Ele tem dito as mes­mas coi­sas em entre­vis­tas por uma década. Ele diz o que ele real­mente quer dizer, não importa a situ­a­ção — um fun­ci­o­ná­rio íntimo de Musk me disse que depois de uma con­fe­rên­cia de imprensa ou uma nego­ci­a­ção de negó­cios, per­gun­ta­ram a Musk qual era o seu ângulo real e o que ele real­mente pensa. A res­posta de Musk sem­pre é chata: “Eu acho exa­ta­mente o que eu disse.”

Algu­mas pes­soas com quem falei refe­ren­ci­a­ram a obses­são de Musk com a ver­dade e a obje­ti­vi­dade. Ele não tem pro­ble­mas e é até recep­tivo com crí­ti­cas nega­ti­vas quando acre­dita que são obje­ti­vas, mas quando a imprensa publica algo equi­vo­cado sobre ele ou suas empre­sas, Musk faz ques­tão de cor­rigi-las. Ele detesta fra­ses vagas como “os estu­dos dizem” e “os cien­tis­tas dis­cor­dam”, e recusa fazer anún­cios publi­ci­tá­rios para Tesla (algo sobre o qual a mai­o­ria das star­tups auto­mo­ti­vas sequer pen­sa­ria duas vezes) pois con­si­dera a pro­pa­ganda algo mani­pu­la­dor e deso­nesto.

Há até mesmo um tom de inte­gri­dade nas exi­gên­cias tirâ­ni­cas de Musk em rela­ção à pro­cura de tra­ba­lha­do­res, por­que embora possa ser um tirano, ele não é um hipó­crita. Empre­ga­dos pres­si­o­na­dos a tra­ba­lhar 80 horas por semana ten­dem a ser menos amar­gos quando o seu chefe está tam­bém lá, tra­ba­lhando 100 horas ele pró­prio.

Falando de Musk, vamos comer um ham­búr­guer com ele.

 

MEU ALMOÇO COM ELON MUSK

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Depois de cerca de sete minu­tos disso, con­se­gui fazer uma pri­meira per­gunta, sobre como ele pen­sava que o lan­ça­mento recente tinha sido (eles haviam ten­tado uma mano­bra de ater­ris­sa­gem de foguete extre­ma­mente difí­cil — mais sobre isso no futuro texto sobre a Spa­ceX). Sua res­posta incluiu as seguin­tes pala­vras: hipersô­nico, rare­feito, den­si­fi­cante, supersô­nico, Mach 1, Mach 3, Mach 4, Mach 5, vácuo, regi­mes, pro­pul­so­res, nitro­gê­nio, hélio, massa, impulso, balís­tico e reforço. Enquanto isso estava acon­te­cendo, eu ainda me sen­tia meio ator­do­ado com a sur­re­a­li­dade da situ­a­ção, e quando vol­tei a mim, fiquei com receio de fazer per­gun­tas sobre o que ele estava dizendo, pois ele podia ter expli­cado o ponto enquanto eu tinha estado quase incons­ci­ente.

Eu final­mente recu­pe­rei a habi­li­dade de man­ter uma con­versa adulta e come­ça­mos aquilo que logo se trans­for­mou numa dis­cus­são inte­res­sante e envol­vente de duas horas. Esse cara tem muito em mente sobre mui­tos tópi­cos. Neste único almoço, fala­mos de car­ros elé­tri­cos, mudan­ças cli­má­ti­cas, inte­li­gên­cia arti­fi­cial, o para­doxo de Fermi, cons­ci­ên­cia, fogue­tes reu­ti­li­zá­veis, colo­ni­za­ção de Marte, criar uma atmos­fera em Marte, elei­ções em Marte, pro­gra­ma­ção gené­tica, seus filhos, declí­nio popu­la­ci­o­nal, física ver­sus Enge­nha­ria, Edi­son ver­sus Tesla, ener­gia solar, um imposto sobre o car­bono, a defi­ni­ção de uma empresa, com­pri­mir o espaço-tempo e como isso não é real­mente algo que você pode fazer, nano-robôs em sua cor­rente san­guí­nea e como isso é algo difí­cil de fazer, Gali­leu, Sha­kes­pe­are, os ante­pas­sa­dos ame­ri­ca­nos, Henry Ford, Isaac New­ton, saté­li­tes e eras gla­ci­ais.

Vou entrar em deta­lhes sobre o que ele tinha a dizer sobre mui­tas des­sas coi­sas nos pró­xi­mos tex­tos, mas algu­mas notas por enquanto:

- Ele é um cara muito alto e cor­pu­lento. Real­mente não parece assim nas fotos.

- Ele pediu um ham­búr­guer e comeu-o em duas ou três mor­di­das em um inter­valo de cerca de 15 segun­dos. Eu nunca vi nada pare­cido.

— Ele está muito, muito pre­o­cu­pado com a ques­tão da Inte­li­gên­cia Arti­fi­cial (IA). Eu o citei em minhas pos­ta­gens sobre IA, dizendo que Musk teme que o esforço para criar uma Supe­rin­te­li­gên­cia Arti­fi­cial acabe resul­tando numa espé­cie de “invo­ca­ção do demô­nio”, mas eu não sabia que ele pen­sava tanto assim sobre esse assunto. Ele disse que os ris­cos envol­vendo a IA são uma das três coi­sas sobre as quais ele mais pensa — os outros dois tópi­cos são ener­gia sus­ten­tá­vel e nos tor­nar uma espé­cie mul­ti­pla­ne­tá­ria, isto é, a Tesla e a Spa­ceX. Musk é um cara muito esperto, e ele sabe muito sobre IA, e sua pre­o­cu­pa­ção com o tema me deixa com medo.

— O Para­doxo de Fermi tam­bém o pre­o­cupa. No meu post sobre o assunto, dividi os teó­ri­cos do Para­doxo de Fermi em dois cam­pos — aque­les que pen­sam que não há nenhuma outra vida alta­mente inte­li­gente por aí devido a algum Grande Fil­tro, e aque­les que acre­di­tam que deve haver muita vida inte­li­gente em outros pla­ne­tas, mas nós não per­ce­be­mos seus sinais por algum outro motivo.

Musk não tem cer­teza sobre qual teo­ria é mais pro­vá­vel, mas sus­peita que pode haver um pre­o­cu­pante Grande Fil­tro ao longo do cami­nho. Ele acha que o para­doxo “sim­ples­mente não faz sen­tido” e que isso “fica cada vez mais pre­o­cu­pante” à medida em que mais tempo passa. Supor que pos­sa­mos ser uma rara civi­li­za­ção que já supe­rou o Grande Fil­tro atra­vés de uma ocor­rên­cia pecu­liar que não per­ce­be­mos faz com que ele se sinta ainda mais con­victo sobre a mis­são do Spa­ceX:

Se nós somos muito raros, é melhor che­gar à situ­a­ção mul­ti­pla­neta rápido, por­que se a civi­li­za­ção é tênue, então deve­mos fazer o que puder­mos para garan­tir que a nossa já fraca pro­ba­bi­li­dade de sobre­vi­ver seja melho­rada dras­ti­ca­mente.”

Mais uma vez, o medo de Musk em rela­ção a esse assunto não me faz sen­tir bem.

— Um tópico com o qual dis­cor­dei de Musk é sobre a natu­reza da cons­ci­ên­cia. Eu penso na cons­ci­ên­cia como um espec­tro suave. Para mim, o que expe­ri­men­ta­mos como cons­ci­ên­cia é exa­ta­mente o que é ser inte­li­gente ao nível humano. Somos mais inte­li­gen­tes e “mais cons­ci­en­tes” do que um macaco, que é mais cons­ci­ente do que uma gali­nha, etc. E um ali­e­ní­gena muito mais inte­li­gente do que nós seria, para nós, o mesmo que somos para um macaco (ou uma for­miga) em todos os sen­ti­dos.
Nós con­ver­sa­mos sobre isso, e Musk pare­cia con­ven­cido de que a cons­ci­ên­cia de nível humano é uma coisa preto e branco — que é como um inter­rup­tor que vira em algum ponto no pro­cesso evo­lu­tivo e que nenhum outro ani­mal com­par­ti­lha. Ele não com­para os seres no estilo “for­mi­gas : huma­nos / huma­nos : [ali­e­ní­ge­nas mais inte­li­gen­tes]”, e acre­dita que os seres huma­nos são com­pu­ta­do­res fra­cos e que algo mais inte­li­gente do que nós seria ape­nas um com­pu­ta­dor mais forte, e não uma cons­ci­ên­cia supe­rior à nossa e cujo fun­ci­o­na­mento sequer pode­ría­mos con­ce­ber.

—Falei com ele um pouco sobre a repro­gra­ma­ção gené­tica. Ele não acre­dita na efi­cá­cia dos esfor­ços típi­cos da tec­no­lo­gia anti­en­ve­lhe­ci­mento, pois crê que os seres huma­nos têm datas de vali­dade e nenhuma coisa pode impe­dir isso. Ele expli­cou:

Todo o sis­tema está entrando em colapso. Você não vê alguém que tem 90 anos e é per­fei­ta­mente sau­dá­vel, como um idoso que pode cor­rer super rápido, mas sua visão é ruim. Todo o sis­tema está falhando. Para mudar isso de ver­dade, você pre­ci­sa­ria repro­gra­mar a gené­tica ou subs­ti­tuir todas as célu­las do corpo.”

Se fosse qual­quer outra pes­soa (lite­ral­mente qual­quer outra pes­soa) eu teria enco­lhido os ombros e con­cor­dado, já que eu tinha ouvido um bom argu­mento. Mas aquele era Elon Musk, e Elon Musk con­serta tudo para a huma­ni­dade. Então o que eu falei foi:

Eu: Bem… mas isso não é impor­tante o sufi­ci­ente para ten­tar? Isso é algo para o qual você vol­ta­ria sua aten­ção?

Elon: O pro­blema é que todos os gene­ti­cis­tas se com­pro­me­te­ram a não repro­gra­mar o DNA humano. Então você tem que lutar não uma bata­lha téc­nica, mas uma bata­lha moral.

Eu: Você está lutando um monte de bata­lhas. Você pode­ria criar seu pró­prio pro­jeto. Os gene­ti­cis­tas que estão inte­res­sa­dos — você os tra­ria aqui. Você cria um labo­ra­tó­rio e pode­ria mudar tudo.

Elon: Sabe, eu chamo isso de o Pro­blema de Hitler. Hitler falava sobre a cri­a­ção do Über­mensch e da pureza gené­tica, então como você evi­ta­ria tocar no assunto do pro­blema de Hitler? Eu não sei.

Eu: Eu acho que há uma maneira. Você já disse antes sobre Henry Ford que ele sem­pre aca­bava encon­trando uma maneira de con­tor­nar qual­quer obs­tá­culo, e você faz a mesma coisa, você sem­pre encon­tra um cami­nho. E eu só acho que isso é algo tão impor­tante e ambi­ci­oso como as outras coi­sas em que você está envol­vido, e acho que vale a pena lutar por uma forma de con­tor­nar, de algum modo, as ques­tões morais e outros aspec­tos do pro­blema.

Elon: Quero dizer, acho que há… para resol­ver fun­da­men­tal­mente mui­tos des­ses pro­ble­mas, tere­mos que repro­gra­mar nosso DNA. Essa é a única maneira de fazê-lo.

Eu: E no fundo, o DNA é ape­nas um mate­rial físico.

Elon: [Ele balança a cabeça em con­cor­dân­cia e, em seguida, olha por cima do meu ombro em deva­neio e res­ponde:] É um soft­ware.

Comen­tá­rios:

1) É muito engra­çado pres­si­o­nar Elon Musk para assu­mir uma outra tarefa apa­ren­te­mente insu­pe­rá­vel e expres­sar desa­pon­ta­mento por ele não estar fazendo algo, já que ele está fazendo mais pela huma­ni­dade do que lite­ral­mente qual­quer outra pes­soa no pla­neta já fez.

2) É tam­bém super diver­tido tocar casu­al­mente em ques­tões morais em torno da pro­gra­ma­ção gené­tica dizendo “eu acho que há uma maneira”, e refe­rir-se ao DNA (a subs­tân­cia mais pequena e mais com­plexa de todas) como “ape­nas um mate­rial físico”, quando eu não tenho abso­lu­ta­mente nenhuma ideia do que estou falando. Por­que essas coi­sas são pro­ble­mas que ele pre­cisa resol­ver, e não eu.

3) Creio que eu tenha plan­tado com êxito uma semente. Se Musk assu­mir o desa­fio da repro­gra­ma­ção gené­tica humana daqui 15 anos e por causa disso todos nós viver­mos até os 250 anos, todos vocês me deve­rão uma bebida.


Assis­tindo as entre­vis­tas com Musk, você vê um monte de gente fazendo vari­a­ções des­sas per­gun­tas que Chris Ander­son fez a ele na con­fe­rên­cia 2013 do TED:

Como você fez isso? Esses pro­je­tos (Pay­Pal, Solar­City, Tesla, Spa­ceX) são tão espe­ta­cu­lar­mente dife­ren­tes. São pro­je­tos de escala tão ambi­ci­osa. Como na Terra uma pes­soa foi capaz de ino­var dessa maneira? O que há com você? Pode­mos ter um pouco dessa poção secreta?

Há um monte de coi­sas sobre Musk que o tor­nam tão bem suce­dido, mas eu acho que há uma “poção secreta” que coloca Musk num time dife­rente daquele a que per­ten­cem outros bili­o­ná­rios reno­ma­dos de nosso tempo. Tenho uma teo­ria sobre o que é essa poção, e tem a ver com a forma como Musk pensa, o jeito como ele lida com os pro­ble­mas, e o modo como ele enxerga o mundo. À medida em que você ler esta série de tex­tos, pense sobre isso, e vamos dis­cu­tir mais sobre o assunto no último texto.

Por ora, vou dei­xar você com Elon Musk segu­rando um Mons­tro de Pânico.

Elon Musk e monstro do Pânico | Wait But Why


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Tim Urban
Formado em Ciências Políticas pela Harvard University, é autor do site Wait But Why e fundador da ArborBridge.

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