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Por que as eleições ferraram sua cidade

Em Política por Rodrigo ZottisComentário

Uma cidade com­posta de cida­dãos alfa­be­ti­za­dos e poli­ti­za­dos é o sonho de qual­quer civil, desde a con­cep­ção da Repú­blica de Pla­tão, em 300 A.C, até a atu­a­li­dade.

O debate demo­crá­tico entre cida­dãos parece ser uma boa maneira para che­gar a con­clu­sões sobre a região em que vivem, muito melhor do que deli­be­ra­da­mente ele­ger figu­ras cen­tra­li­za­do­ras que ten­ta­rão resol­ver os pro­ble­mas de ter­cei­ros.

As mudan­ças de micro para macro são mais lógi­cas do que admi­nis­trar um local “de cima para baixo.” Mas a teo­ria não segue a prá­tica, e a his­tó­ria carece de exem­plos de admi­nis­tra­ções polí­ti­cas de tal forma.

Milê­nios depois, em nosso mundo glo­ba­li­zado, isso ainda não é pos­sí­vel.

Desde que há regis­tros, as soci­e­da­des estru­tu­ram-se atra­vés de con­cep­ções soci­ais que opri­miam a maior camada da popu­la­ção, com o obje­tivo de con­cen­trar o poder em torno de pou­cos indi­ví­duos, que (fin­giam que) admi­nis­tra­vam uma região. A infor­ma­ção era pri­vi­lé­gio, con­tes­tar era inad­mis­sí­vel e ser alfa­be­ti­zado era um luxo.

Ao longo dos milê­nios, é fac­tual a dilui­ção da infor­ma­ção e nossa melhora demo­crá­tica, con­tudo nada disso per­mite ainda a exis­tên­cia de uma “demo­cra­cia direta”.

Com a glo­ba­li­za­ção e tec­no­lo­gias emer­gen­tes, esta­mos a cada dia mais perto desse cená­rio demo­crá­tico direto, onde a infor­ma­ção tor­nou-se o bem mais barato e pro­mis­sor, tor­nando a des­cen­tra­li­za­ção soci­e­tá­ria imi­nente.

Con­tra­di­to­ri­a­mente, ainda esta­mos longe de ter uma popu­la­ção alfa­be­ti­zada e poli­ti­zada a ponto de rea­li­zar esco­lhas polí­ti­cas cer­tas.

 

VERGONHA ELEITORAL

A esma­ga­dora parte da soci­e­dade bra­si­leira é ali­e­nada sobre a situ­a­ção polí­tica e social de sua cidade e país. Por diver­sos moti­vos, não é um assunto inte­res­sante. Desde adul­tos e ido­sos apo­lí­ti­cos ou aco­mo­da­dos, a jovens que pre­ten­dem mudar o Bra­sil em alguns anos.

A polí­tica virou algo cus­toso, com­plexo e defi­ci­tá­rio e que só serve para des­fa­zer ami­za­des. Nada muda, do que adi­anta se envol­ver?

Em nosso país, negada a par­ti­ci­pa­ção popu­lar na polí­tica durante quase um século, não é de nos sur­pre­en­der que temos uma popu­la­ção mal acos­tu­mada a pes­qui­sar e par­ti­ci­par de pro­ces­sos polí­ti­cos.

Com uma máquina esta­tal inchada e buro­crá­tica, entu­pida de par­ti­dos, a esfera pública torna-se nada atra­ente. Ora, aque­les que se inte­res­sam facil­mente caem em hoax ou em teo­rias ide­a­lis­tas.

Com nossa pirâ­mide social, com­posta por anal­fa­be­tos sem edu­ca­ção, uma gigan­tesca e estag­nada classe média, alguns bens de vida e far­tos buro­cra­tas, os cida­dãos têm mais a se pre­o­cu­par do que acom­pa­nhar a ladai­nha polí­tica, que rara­mente lhe traz algum bene­fí­cio e afeta suas vidas dire­ta­mente (para melhor).

Isso leva a diver­sos “desas­tres” elei­to­rais, que vemos em todos os esta­dos…

Domingo, dia 2, houve as elei­ções para pre­fei­tos esta­du­ais e vere­a­do­res. Os votos nulos e bran­cos foram a 2° ou 3° opção mais votada, em mui­tos esta­dos.

Abstenções em São Paulo.

Votos nulos, brancos e não comparecimento no Rio de Janeiro.

O sis­tema elei­to­ral torna-se um pesa­delo, ora mer­gu­lha o país em cená­rios de desas­tre econô­mico sem nenhuma ordem, ora governa ape­nas para um par­cela da popu­la­ção às cus­tas da outra.

O fato dos can­di­da­tos polí­ti­cos pare­ce­rem per­so­na­gens de rea­lity show, tam­bém não ajuda.

 

POLÍTICOS, OS MELHORES PRODUTOS 

Mesmo com a famosa “cons­ci­ên­cia na vota­ção”, nos depa­ra­mos com can­di­da­tos a pre­fei­tos ou vere­a­do­res que só estão lá para tirar o atual ges­tor que arrui­nou sua cidade. É usar o ruim para tirar o que já apo­dre­ceu. Assim fica difí­cil.

Slo­gans, fra­ses cor­ri­quei­ras uti­li­za­das pelos can­di­da­tos, os trans­for­mam em um pro­duto, onde sua ima­gem, carisma e o que sim­bo­li­zam importa muito mais que sua com­pe­tên­cia admi­nis­tra­tiva.

Con­se­quen­te­mente, haverá uma par­cela de elei­to­res que não será repre­sen­tada por ele, ade­rindo à opo­si­ção, igual­mente uti­li­zando as mes­mas fer­ra­men­tas: tendo ide­o­lo­gias repre­sen­ta­das em si mes­mos, como se sua visão ideal de mundo impor­tasse muito mais que aquilo real­mente neces­sá­rio para a cidade sair de um cená­rio defi­ci­tá­rio.

Dessa forma, a polí­tica deixa de ser um ins­tru­mento de rea­li­za­ção de pro­pos­tas con­cre­tas e trans­forma-se em um aglo­me­rado de sím­bo­los e visões pro­je­ta­das. Os gover­nan­tes tor­nam-se pro­du­tos para o nosso con­sumo, escul­pindo sua per­so­na­li­dade de acordo com as solu­ções sim­pló­rias que deman­da­mos.

Então, não é de nos sur­pre­en­der que mui­tos can­di­da­tos pro­fe­rem seus dis­cur­sos sem­pre em ter­ceira pes­soa.

Mui­tos irão falar em nome de valo­res que repre­sen­tam, por exem­plo, como liber­dade e famí­lia, enquanto seus adver­sá­rios falam de tra­ba­lha­do­res, negros e mulhe­res, como se repre­sen­tas­sem a exata opi­nião das pes­soas adep­tas a essas cau­sas ou com tais carac­te­rís­ti­cas. E isso está longe de ser ques­tão de repre­sen­ta­ti­vi­dade.

Todos nós sabe­mos que não é pre­ciso ser um CSI para encon­trar um homos­se­xual con­tra as medi­das econô­mi­cas que estão atre­la­das à causa LGBT, ou um evan­gé­lico que seja con­tra o modelo polí­tico da ban­cada evan­gé­lica. Mui­tas vezes, polí­ti­cos mis­tu­ram a água ao óleo, e se sur­pre­en­dem de como isso não se mes­cla na prá­tica.

Com a neces­si­dade de mono­po­li­zar cer­tas pau­tas e carac­te­rís­ti­cas de um elei­to­rado e asso­ciá-las a uma ide­o­lo­gia, os pró­prios polí­ti­cos con­se­guem trans­for­mar diver­sas pro­pos­tas polí­ti­cas, que não são opos­tas, em temas adver­sos, devido ao uso des­tas como ins­tru­mento de voto e a neces­si­dade de um com­bate à opo­si­ção base­ado em uma ide­o­lo­gia, e não na lógica. 

Assim, os par­ti­dos ten­tam demons­trar que existe ape­nas uma maneira de levar pro­gresso a uma nação e que os opo­si­to­res, junto com suas rei­vin­di­ca­ções, devem ser com­ba­ti­dos.

Com a coli­são de pro­pos­tas, ini­cia-se o debate, mas não um debate téc­nico e fac­tual, mas sim de ata­ques pes­so­ais. Pro­pos­tas polí­ti­cas viram rari­dade, e quando sur­gem, a forma como serão imple­men­ta­das em deter­mi­nada cidade é com­ple­ta­mente esque­cida, pois é mais inte­res­sante ver gover­nan­tes de per­so­na­li­da­des sim­bó­li­cas coli­di­rem ver­bal­mente.

Debate entre Donald Trump e Hillary Clinton.

Os Esta­dos Uni­dos estão longe de ser refe­rên­cia de sucesso demo­crá­tico. As polí­ti­cas soci­ais do país dimi­nuí­ram o poder de com­pra de mui­tos ame­ri­ca­nos, cri­ando revol­to­sos, vulgo elei­to­res de Trump. O país que pos­sui a maior dívida interna no mundo, e que semana pas­sada assis­tiu a um espe­tá­culo de ata­ques pes­so­ais. Um exem­plo foi Donald Trump ter dito que a ex miss Vene­zu­ela não deve­ria ser miss pois “tinha cara de empre­gada.”

Para Aris­tó­te­les, a par­ti­ci­pa­ção civil na polí­tica é o que difere o ser humano de ani­mais, pois somos capa­zes de fazer o uso da razão para fun­da­men­tar nos­sas ações. Con­tudo, cada vez mais pare­ce­mos ani­mais, abdi­cando da lógica e pre­fe­rindo dis­tra­ções ou aná­li­ses humo­rís­ti­cas super­fi­ci­ais sobre pau­tas polí­ti­cas.

Se os dis­cur­sos dos gover­nan­tes são super­fi­ci­ais, con­se­quen­te­mente as medi­das imple­men­ta­das por eles tam­bém. Dessa forma, a esfera polí­tica vira um mundo ima­gi­ná­rio, onde tudo parece ser pos­sí­vel de resol­ver com sim­ples leis, sem plano de apli­ca­ção.

Os pró­prios elei­to­res não estão pre­o­cu­pa­dos em ana­li­sar os pro­ble­mas do país de forma téc­nica, mui­tos cede­ram seus votos pelo calor das pala­vras, por um ódio a uma opo­si­ção ou a um governo, e pela ide­a­li­za­ção de um país em que gos­ta­riam de morar.

É pre­fe­rí­vel votar­mos em alguém que incor­pora uma rea­li­dade que gos­ta­ría­mos de acre­di­tar e viver, do que refle­tir a rea­li­dade de sua cidade na polí­tica.

Alguns dos can­di­da­tos neste domingo, por exem­plo, pro­nun­ci­a­vam-se a favor da vida e con­tra ban­di­dos, mas ido­la­tram tor­tu­ra­do­res e assas­si­nos, pelo sim­ples fato que esses “com­ba­te­ram” uma ide­o­lo­gia seme­lhante de seus opo­nen­tes em algum momento de suas vidas — dando nomes aos bois: Edu­ardo Bol­so­naro.

Outros são a favor de tra­ba­lha­do­res e na redu­ção de dife­ren­ças soci­ais, mas seus gover­nos cau­sam desem­prego em massa devido à falta de conhe­ci­mento econô­mico, extin­guindo a pre­o­cu­pa­ção com as clas­ses mais bai­xas e acen­tu­ando as dife­ren­ças entre clas­ses: Had­dad.

Isso é a clara prova de que a lógica quase não pos­sui espaço na polí­tica.

A polí­tica deve­ria ser vista como um negó­cio, com pra­zos, ris­cos e obje­ti­vos, onde o mais sen­sato e capaz deve­ria ser aquele apto a ele­var a qua­li­dade de vida em uma região, e não virar um repre­sen­tante de uma deter­mi­nada popu­la­ção com deter­mi­nada característica/viés polí­tico.

Sem nenhum reque­ri­mento de conhe­ci­mento econô­mico, legis­la­tivo, admi­nis­tra­tivo e outros, não é de se impres­si­o­nar por que o setor público tor­nou-se um des­caso da atu­a­li­dade, um canal onde todos os repre­sen­tan­tes só pre­ci­sam de votos para ingres­sa­rem no governo, podendo extrair dinheiro sem a pre­vi­são de retorno desse capi­tal à soci­e­dade.

Ora, da mesma forma que para con­ser­tar um carro você leva a um mecâ­nico expe­ri­ente, você não pode entre­gar um país para um anal­fa­beto polí­tico, sejam polí­ti­cos ou cida­dãos.

O que deve­ria ser feito agora então? Res­trin­gir a polí­tica aos mais aptos?” Você deve me per­gun­tar. Mas calma, logo che­ga­mos lá e você não vai gos­tar da res­posta.

A ques­tão é que essa é a nossa rea­li­dade.

Todos sabe­mos que isso não vai mudar sem edu­ca­ção, sem a capa­ci­dade da classe média ascen­der e do fru­teiro da esquina não pre­ci­sar ser fru­teiro pelo resto da vida, podendo se pre­o­cu­par com o mundo além das suas con­tas de casa.

O sis­tema está vici­ado. Sabe­mos disso.

Cri­ses econô­mi­cas sem­pre ter­mi­nam em cri­ses demo­crá­ti­cas. Quanto mais um povo pros­pera (fora de uma bolha infla­ci­o­ná­ria), maior o alfa­be­tismo, a edu­ca­ção e o IDH. Mas sem polí­ti­cos que faci­li­tem esses pro­ces­sos, tudo piora.

 

DEMOCRACIA DIRETA?

Nos últi­mos meses, diver­sos ple­bis­ci­tos ocor­re­ram ao redor do mundo uti­li­zando como “cane­tada final” a voz da popu­la­ção acerca de cer­tos assun­tos naci­o­nais. Isso influ­en­ciou can­di­da­tos bra­si­lei­ros a suge­rir uma maior inclu­são popu­lar na polí­tica bra­si­leira.

Algu­mas pes­soas, con­trá­rias a essa medida, jus­ti­fi­cam que isso seria muito peri­goso, pois se apli­cado em uma escala macro os resul­ta­dos seriam desas­tro­sos.

Os exem­plos con­tra a demo­cra­cia direta são vários.

O resul­tado da saída do Reino Unido da União Euro­peia atra­vés de um ple­bis­cito tor­nou-se um empe­ci­lho, que vai atin­gir todos os mora­do­res e os futu­ros imi­gran­tes que agora terão de con­ge­lar a con­fec­ção de seus pas­sa­por­tes euro­peus — pois este pode não ter mais vali­dade den­tro do Reino Unido.

A vota­ção sobre a nego­ci­a­ção das FARC na Colôm­bia foi outro exem­plo, que ter­mi­nou com ape­nas 37% da popu­la­ção indo às urnas, ven­cendo o “não”, com menos de 1% de dife­rença do “sim” esten­dendo uma guerra que já tem 52 anos.

O apoio da popu­la­ção nas fili­pi­nas à exe­cu­ção de tra­fi­can­tes de dro­gas nas ruas sem nenhuma prova tam­bém é grave. Em um mês, duas mil pes­soas mor­re­ram. E con­ti­nuam mor­rendo.  

Mas, logi­ca­mente, não é pos­sí­vel apli­car a ideia de que “demo­cra­cia direta não fun­ci­ona em todos os luga­res do mundo”.

O IDH de um país é equi­va­lente a mui­tos fato­res his­tó­ri­cos, edu­ca­ci­o­nais, econô­mi­cos e tra­ba­lhis­tas. Um país que pros­pera, nor­mal­mente, pos­sui cida­dãos mais cons­ci­en­tes, par­ti­ci­pa­ti­vos, e uma polí­tica pro­gres­sista bem gerida.

Um país com um his­tó­rico pobre e uma popu­la­ção à mercê de regi­mes dita­to­ri­ais e eco­no­mia tumul­tu­ada, não ofe­re­cerá melho­ria em um curto prazo com uma demo­cra­cia direta, bem pelo con­trá­rio.

No caso, a popu­la­ção bra­si­leira está longe de ser pro­gres­sista. Pena de morte, sus­pen­são de direi­tos huma­nos, cri­mi­na­li­za­ção do aborto, casa­mento ape­nas entre homem e mulher, apre­en­são de todos os usuá­rios de dro­gas ilí­ci­tas; pro­va­vel­mente seriam a von­tade do “poder popu­lar.”

Sou aber­ta­mente con­tra tudo que a mai­o­ria da popu­la­ção bra­si­leira têm em suas pau­tas, e é por isso que sei que não esta­mos nem um pouco pron­tos para dei­xar nos­sos bra­si­lei­ri­nhos colo­car as mãos 100% nos pro­ces­sos polí­ti­cos, mas isso está longe de ser jus­ti­fi­ca­tiva para res­trin­gir polí­tica a alguns pou­cos, todos sabe­mos que a tira­nia emerge desse cená­rio.

Um diploma em ciên­cias econô­mi­cas, jurí­di­cas ou soci­ais, não fil­tra nenhum cana­lha. Os mai­o­res ban­di­dos estão engra­va­ta­dos. Então, essa é a demo­cra­cia de Schrö­din­ger, onde quem “tem conhe­ci­mento” pode fazer tanta bes­teira quanto quem não tem.

O pro­blema, todos sabe­mos, são as pes­soas. Não o governo, ou as mul­ti­na­ci­o­nais, mas sim quem está do seu lado. Afi­nal, as pes­soas com­põem as estru­tu­ras soci­ais.

Sim, o sis­tema é tirâ­nico, mas ele só se man­tém tirano por­que somos igno­ran­tes, den­tro e fora da polí­tica, por­que nos abs­te­mos de deba­ter sobre o nosso país e como pen­sar em melhorá-lo na prá­tica.

A con­clu­são é que infe­liz­mente não importa o quão nega­ti­vas sejam as esco­lhas demo­crá­ti­cas, isso não é jus­ti­fi­ca­tiva para não rea­lizá-las.

As abs­ten­ções esta­du­ais sobre a vota­ção des­tas elei­ções já pre­o­cu­pa­ram mui­tos elei­to­res que antes não davam impor­tân­cia a esse pro­cesso; a atual crise econô­mica e o maior escân­dalo de cor­rup­ção no Bra­sil já des­per­tou inte­res­ses de jovens por eco­no­mia e direito mais que qual­quer figura polí­tica de influên­cia.

Quan­tos jovens mais poli­ti­za­dos sur­gi­ram desde os pro­tes­tos de 2013? Eu sou um deles, jamais ima­gi­na­ria que um dia his­tó­ria e eco­no­mia sequer me inte­res­sa­riam. Você pode dizer que mui­tos deles são poli­ti­ca­mente equi­vo­ca­dos, mas extre­mis­tas sur­gem de todos os luga­res.

Enquanto nenhum modelo melhor que o atual apa­rece, um voto faz dife­rença para rever­ter ou imple­men­tar diver­sas medi­das, e por mais nega­tivo que seja o resul­tado de diver­sos ple­bis­ci­tos ao redor do mundo, eles são extre­ma­mente neces­sá­rios.

Ape­nas dessa forma será des­per­tado o inte­resse da popu­la­ção em se infor­mar sobre polí­tica e assim modi­fi­car o nosso con­tur­bado sis­tema elei­to­ral.


Este texto é uma sim­ples ten­ta­tiva de fazer com que as pes­soas refli­tam sobre qual­quer dis­curso polí­tico do qual dife­rem, ou qual­quer ação social que tomam.

A cida­da­nia é um direito de qual­quer civil, mas os ramos das ciên­cias jurí­di­cas e soci­ais exis­tem prin­ci­pal­mente para serem estu­da­dos, não ape­nas para ser­vi­rem como uma fer­ra­menta espo­rá­dica para sua insa­tis­fa­ção com a polí­tica atual.

É como se você pedisse para o piloto do avião lhe ceder os con­tro­les da nave, só por­que “você quer expe­ri­men­tar” e, já que você está den­tro do avião, é seu direito ina­li­e­ná­vel. Dessa forma, você esta­ria colo­cando a vida de cen­te­nas de pes­soas da aero­nave (inclu­sive a sua) em risco.

Sim, você pode pilo­tar o avião, mas é melhor assis­tir a umas aulas de aero­náu­tica pri­meiro.

Exis­tem manei­ras efe­ti­vas de melho­rar o local onde você mora. A demo­cra­cia direta parece algo lindo sim, e ela já acon­tece em micro escala. Com cer­teza exis­tem diver­sos cen­tros de mobi­li­za­ção polí­tica de mora­do­res da sua cidade que cobram resul­ta­dos da pre­fei­tura, e você nem ima­gina.

É lógico que eu gos­ta­ria de viver cer­cado de pes­soas poli­ti­ca­mente inte­li­gen­tes, sem ter que ouvir car­ros de som de dois em dois anos com jin­gles absur­dos, mas é como aquele ditado diz: nem só de sonhos vive o homem.


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Rodrigo Zottis
Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.

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