Drogas pesadas | Em um discurso no mês passado, na Universidade de Kentucky, nos EUA, Attorney General Loretta Lynch explicou que em todo o país as pessoas são mais propensas a começarem a usar heroína devido aos analgésicos do que à maconha.

Embora isso não signifique que qualquer um que use estes medicamentos corra automaticamente o risco de se tornar viciado em drogas de rua, isso faz realçar o ponto de que, só porque uma substância é legal, isso não significa que é completamente inofensiva.

Muitos analgésicos contêm opioides, que se ligam aos receptores opiáceos do sistema nervoso central, a fim de reduzir a sensação de desconforto.

Quando tomados em doses adequadas, são geralmente considerados seguros, contudo as pessoas que abusam destes produtos químicos podem construir uma tolerância aos seus efeitos, o que pode levar o usuário rapidamente à dependência.

De acordo com Lynch, aqueles que recebem a prescrição do uso deste tipo de drogas possuem altas chances de desenvolver um uso problemático, podendo passar para as drogas de rua em busca de satisfazer seus desejos cada vez mais insaciáveis.

“Quando falamos sobre o vício em heroína, normalmente, como já mencionado, estamos falando de indivíduos que começaram com um problema de drogas de prescrição, e, em seguida, porque eles precisam de mais e mais, passam para a heroína”, explicou ela.

No entanto, enquanto alguns jovens que experimentam a maconha também podem passar a experimentar outras substâncias ilícitas, não parece ser o caso de que a cannabis necessariamente age como uma droga de “porta de entrada”.

médico prescrevendo
Médicos que imprudentemente prescrevem analgésicos opióides podem estar fazendo um desserviço aos seus pacientes.

Um crescente setor da pesquisa científica confirma essa alegação, assim como um estudo recente revela que mais de 50 por cento das mulheres que estão em tratamento de dependência de opiáceos em Ontário, Canadá, primeiro entraram em contato com substâncias à base de opiáceos através de medicamentos prescritos.

As taxas de mortes por overdose relacionadas com o consumo de opiáceos está atualmente fora de controle nos EUA, na medida em que a mortalidade para os americanos brancos entre as idades de 25 e 34 anos está aumentando, apesar de uma melhoria global da saúde e do bem-estar geral da população.

Estas mortes são causadas por uma combinação de drogas de rua como heroína e medicamentos prescritos que contêm morfina, oxicodona e outros opioides.


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  • Cássio Alexandre

    Muito boa a informação. Porém, deixarei algumas contribuições para complementar sobre a analgesia que trazem mais riscos de adicção de drogas.

    Quando é dito que analgésicos trazem maior risco à drogas de abuso em relação a maconha, de fato é verdade. Porém, não são todos os analgésicos que trazem esse risco!

    O maior risco estão associado aos que agem no Sistema Nervoso Central desencadeando uma grande descarga de dopamina no sistema mesolímbico no cérebro (córtex pré frontal, núcleo accumbens, etc), o que acaba gerando uma sensação intensa de prazer que faz o usuário voltar a procurar o uso desse medicamento. MORFINA, NALBUFINA (Nubain®), FENTANIL, REMIFENTANIL, ALFENTANIL, são alguns dos analgésicos da classe dos opioides que apresentam maior risco à dependência física e psicológica. Fentanil, Remifentanil e Alfentanil tem seus usos limitados sobretudo para procedimentos anteriores a cirurgia e sedação. É bastante comum nos serviços de saúde ver pacientes dependentes que dão entrada no Pronto Socorro “inventando” uma dor insuportável e já pedindo pela morfina (o que já leva o médico a suspeitar de ser mais um dependente). Também não é incomum ver profissionais dependentes dessas drogas. Alguém aí conhece o rastro de mortes deixado pelo ópio no império chinês?

    Mas também existem os ANALGÉSICOS NÃO-OPIOIDES cujo risco de desenvolvimento dessa dependência é muito baixa. O Tramadol (Tramal®) é um analgésico de ação central com risco mínimo para o problema desencadeado pela Morfina ou Nalbufina, por exemplo. Também existem anti-inflamatórios com ação analgésica e alguns antidepressivos e anticonvulsivantes também usados para controle de mecanismos fisiopatológicos da dor, ou seja, são utilizados com finalidade analgésica. Porém, tem um menor risco de causar dependência física e psicológica. Tudo é bastante dependente de como é usado e a dose usada, além também de fatores ambientais, sociais e principalmente psicológicos.

    “Nada é veneno, tudo é veneno. Depende da dose”.